quinta-feira, 29 de abril de 2010

Campanha mineira antitabagismo

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Lembranças de um cantor de banheiro

Serra da Boa Esperança, de Lamartine Babo, fazia parte do repertório de chuveiro nosso pai, Fernando Campelo Duarte, um típico "cantor de banheiro". Sua cantoria atravessando as paredes da casa de madeira nos comunicava que ele estava de bom humor. Da mesma forma como quando acordava querendo pegar um comunista pelo pescoço logo percebíamos que era melhor ir rapidinho para a aula ou o trabalho. Nosso velho pai embarcou há 29 anos, mas está absolutamente vivo em nossas lembranças e saudades. Para ele, Ernesto Aun canta Serra da Boa Esperança. E nós - seus filhos e Dona Ecéa - ficamos torcendo para que no lugar onde ele está exista um bom chuveiro e uma bela manhã de sol pra ele soltar a voz e contagiar o dia com a sua alegria. Sem comunistas por perto, claro.

   

terça-feira, 27 de abril de 2010

Salve Minerada gente boa!

Grupo Cachaça com Arnica canta "Mercearia Paraopeba", do compositor Pirulito da Vila. O tal estabelecimento fica em Itabirito (MG) e já virou lenda há muito. Coisa boa tem que ser compartilhada.

Pra Jacira, com saudades!

Jacira é uma tia querida lá das Minas Gerais, companheira de uma viagem que fizemos em quinteto (eu, ela, Werty, Maria Lucia e Osmar) pelas históricas Ouro Preto, Tiradentes, Mariana e São João Del Rey. Assistir esse vídeo me deu saudade e vontade de voltar a comer poeira na Estrada Real. Quem mais se habilita?

domingo, 25 de abril de 2010

R$ 456 Milhões - um número cabalístico para os Demos/Tucanos

Pouco antes de deixar o governo de São Paulo, o candidato José Serra fechou um acordo com 5 empreiteiros, esses homens bons, para dar a eles mais R$ 456 Milhões por obras feitas nos anos 80 e 90. Os empreiteiros são financiadores da campanha do vampiro que come meleca, mas todo mundo sabe que isso é apenas coincidência. Aliás, esse valor - R$ 456 milhões - deve ter um significado cabalístico para os candidatos Demos/Tucanos; eles o usam para dar sorte na eleição, deve ser isto. Afinal, foi esse mesmo valor - 456 milhões de Reais - que outro tucano, o Geraldo Alckmin (lembram dele?) deu para outros empresários às vésperas de concorrer à Presidência da República, em 2006.









E, nova coincidência, esses empreiteiros beatos também eram financiadores da campanha do tucano. Quem descobriu isso? Os competentes colaboradores do Blog do Luiz Nassif. Vejam essas notícias que a Folha de São Paulo divulgou escondidas lá pela página 40 (só pra depois o jornal poder dizer que também denunciou os ladrões do DEMO/PSDB).


24/4/2010
Empreiteiras ganham R$ 456 milhões de José Serra por construções antigas


ALENCAR IZIDORO
DA REPORTAGEM LOCAL

O governo de São Paulo firmou acordos judiciais durante a gestão José Serra (PSDB) para pagar até dezembro deste ano mais de R$ 456 milhões a cinco empreiteiras com a justificativa de quitar pendências de obras antigas, como a construção da rodovia Carvalho Pinto e a duplicação da Dom Pedro 1º. Os contratos com as empresas foram firmados entre os anos 80 e 90. A nova conta começou a ser paga nos últimos meses pelos cofres do Estado, inflada por correção e juros. O dinheiro equivale a mais de um terço do custo da obra de ampliação da marginal Tietê. É suficiente para pavimentar 650 km de estradas vicinais. Entre as cinco construtoras que já começaram a receber os depósitos, quatro também estiveram ligadas à construção do trecho sul do Rodoanel, bandeira de Serra, pré-candidato à Presidência, neste ano eleitoral e que foi entregue após ser erguido em tempo recorde.

Agora vejam o que ocorreu em 2/12/2006

São Paulo pagou R$ 456 milhões a 45 doadores de Alckmin

Empreiteiras credoras do governo paulista deram R$ 14 milhões dos R$ 62 milhões obtidos pela campanha do tucano Geraldo Alckmin

CATIA SEABRA
MATHEUS PICHONELLI
Juntas, 45 colaboradoras da campanha de Geraldo Alckmin à Presidência são destinatárias de R$ 456,1 milhões dos cofres do Palácio dos Bandeirantes apenas neste ano (2006). Cruzamento entre a prestação de contas do PSDB e a lista de fornecedores do Estado de São Paulo revela que pelo menos 45 doadoras estão entre os credores do governo estadual, comandado por Alckmin até março deste ano. Somados ao contrato para o trecho Sul do Rodoanel, o total previsto para essas empresas superaria R$ 2 bilhões.
Essas empresas -entre elas empreiteiras, bancos e fornecedoras de equipamentos de segurança- contribuíram com R$ 14.478.968 (mais de 14 milhões de reais), correspondendo a 23% dos R$ 62 milhões arrecadados pelo comitê financeiro da campanha do candidato tucano.
Além desses R$ 456,1 milhões já liquidados (cujo pagamento já foi autorizado) pelo governo do PSDB, há ainda R$ 1,546 bilhão em contratos para a construção do trecho Sul do Rodoanel. Encarregadas da obra, as construtoras Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS, Mendes Júnior e Engevix estão entre os principais doadores da campanha.
A Andrade Gutierrez, por exemplo, contribuiu com R$ 1,5 milhão para a campanha de Alckmin. Neste ano, a empreiteira receberá R$ 15 milhões do Estado, segundo o orçamento registrado no Sigeo (sistema de acompanhamento dos gastos do Estado). O contrato do Rodoanel prevê R$ 492,9 milhões para a empreiteira….

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Juíza leva invertida de PM altivo

Uma desembargadora do Tribunal de Justiça de Santa Catarina bateu boca com PMs para tentar evitar a apreensão de um veículo carregado de multas não-pagas conduzido pelo filho. O caso ocorreu durante uma blitz na quinta-feira (15), em Florianópolis. Um dos policiais registrou a discussão em vídeo com um celular. A desembargadora e o bundinha do filho achavam que os PMs tinham complexo de vira-latas, mas descobriram que o Brasil que andava de quatro ficou pra trás há quase 8 anos. "Você sabe quem eu sou??? Sou desembargadora!" E o PM: "pois devia dar um exemplo melhor!" A Associação dos Magistrados, que também acha que os brasileiros ainda têm complexo de vira-latas, apoiou a atitude da juíza desqualificada. Assista o vídeo aqui:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u723811.shtml.

Veja, uma cópia medíocre



segunda-feira, 12 de abril de 2010

Os vídeos da entrevista do gen. Newton Cruz

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5

Novas sobre a Intentona do RioCentro

Essa entrevista do general Newton Cruz (foto) foi dada ao repórter Geneton Moraes Neto e divulgada neste domingo na GloboNews. Para os mais jovens, esclareço que o general Nenton Cruz comandou a agência central do SNI em Brasília e ficou famoso por chicotear carros durante uma manifestação pelas Diretas na Esplanada dos Ministérios e por ser acusado de assassinar o jornalista-mordedor da revista Cruzeiro (espécie de Veja dos anos 60), Alexandre von Baumgarten. A propósito, esse caso inspirou o humorista Tutuca a criar aquele personagem do famoso bordão "bicha não morre, vira purpurina".

Durante a entrevista-depoimento, o general Newton Cruz fez cinco importantes revelações:

1 - O SNI soube com antecedência que uns porra-loucas do 1º Exército iam colocar a bomba no RioCentro;

2 - Depois do atentado, o chefe do SNI, general Medeiros, e o presidente João Figueiredo foram informados e mesmo assim nada fizeram para denunciar os terroristas; 

3 - Meses após a intentona do RioCentro, o mesmo grupo do DOI-CODI do 1º Exército tencionava colocar outra bomba em um local público no Rio de Janeiro. Dessa vez o general Newton Cruz foi lá e ralhou com a rapaziada, que então resolveu colocar o galho dentro;

4 - Na época da última eleição presidencial pelo Colégio Eleitoral, em 1985, o deputado Paulo Maluf pediu ao general que o SNI matasse Tancredo Neves;

5- Peteca é jogo de macho.


A seguir leia a parte da entrevista que foi disponibilizada pelo jornalista Geneton Moraes Neto.

Ou assista a entrevista completa no site da GloboNews, cujo link é este:

http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1565307-17665,00-GENERAL+NEWTON+CRUZ+REVELA+MOMENTOS+DRAMATICOS+DO+REGIME+MILITAR.html

"Os bastidores do regime militar : general Newton Cruz descreve o dia em que saiu de Brasília para o Rio para desmontar um novo atentado que militares estavam tramando depois do Riocentro
Postado por Geneton Moraes Neto em 10 de abril de 2010 às 22:16

Aos fatos : o ex-chefe da agência central do SNI e ex-comandante militar do Planalto, general Newton Cruz, nos deu detalhes de uma operação secreta que ele protagonizou para evitar que militares radicais cometessem, no Rio de Janeiro, um novo atentado, depois do que tinha ocorrido no Riocentro.

Um detalhe: o próprio Newton Cruz ficou nacionalmente conhecido como “linha-dura”. Mas, neste caso, ele atuou para  “apagar um incêndio”.  Os autores do frustrado atentado cometido no Riocentro – militares ligados ao DOI do I Exército, no Rio de Janeiro -  queriam dar uma nova demonstração de força contra a abertura política ( A entrevista completa do general foi exibida no DOSSIÊ GLOBONEWS no sábado. Vai ser reprisada neste domingo, às 17:05; na segunda, às 15:05 e na terça, às 11:05).

O general se deslocou de Brasília para o Rio, numa missão que, segundo ele, extrapolava suas atribuições, já que cabia a ele chefiar a agência central do SNI – não participar de um “empreitada” como aquela. O diálogo com dois dos homens que tramavam um novo atentado ocorreu num quarto de hotel do Leme, no Rio de Janeiro. O então chefe da agência central do SNI diz que fez uma advertência aos dois : se executassem o que estavam tramando, seriam denunciados. 

Um bastidor : quando procurei o ex-chefe da agência central do SNI para uma entrevista, duas semanas antes do natal, a primeira resposta foi “não”. Cordial ao telefone, disse que já não queria se envolver em” confusão”. Aos 85 anos, viúvo, estava na casa da filha, na zona oeste do Rio. Enfrentara problemas de saúde. A audição já não era tão boa. Agradeceu o “interesse” mas, em outras palavras, pediu que eu batesse em outra porta. Não bati. Tentei de novo uma, duas, três vezes.  Disse que ele tinha sido citado em outras entrevistas que eu tinha feito sobre o fim do regime militar. A última investida deu resultado. O general me disse :”Você é insistente !”. Respondi que sou, claro. Queria ouvi-lo. O tom firme da voz do general indicava que continuava “enérgico”. A entrevista ficou marcado para as onze da manhã de uma quarta-feira.

Houve momentos tensos. Com o calor na sala e o pequeno refletor usado pelo cinegrafista Evilásio Carneiro foram suficientes para que o general ficasse banhado de suor. A camisa ficou visivelmente molhada. A assistente de produção Rosamaria Mattos, estagiária da Globonews, fez as vezes de “maquiadora”  : precisou enxugar a testa do general “n” vezes com lenços de papel.  Houve momentos tensos, em que o general levantou a voz para marcar posições. Devolveu perguntas ao repórter. Recorreu à ironia quando achou necessário. A estagiária deve ter ficado compreensivelmente “assustada” com a entrevista. De qualquer maneira, eu estava apenas – e exclusivamente –  para perguntar, não para fazer discursos, emitir julgamentos ou me exibir diante da câmera sob as vistas  do general – que entrou para o “imaginário coletivo” como exemplo acabado do militar linha-dura. É o que tentei fazer.

Terminada a entrevista, a equipe desligou o equipamento. O cinegrafista, os dois técnicos e a assistente de produção desceram na frente. O general  me acompanhou até a porta do elevador. Aquele silêncio constrangido que sempre acomete os que ficam diante da porta de um elevador foi quebrado pelo general que, para minha surpresa, depois de ter se exaltado tantas vezes durante a entrevista, começou a cantar uma velha canção : “Falam de Mim”  ( a letra diz “falam de mim/mas quem fala não tem razão/ um rapaz como eu/ não merece ingratidão”). Quando cheguei à TV, recorri ao São Google, para descobrir de quem era a música. Era de um homônimo de Noel Rosa.

Vou confessar : meu primeiro pensamento foi  “ah, meu Deus do céu, se a câmera estivesse ligada aqui eu ia fazer uma imagem antológica : Newton Cruz, o general linha-dura, cantando !”.  A essa altura, o equipamento já estava desligado, no carro. Trocamos umas palavras. O general ficara satisfeito com a entrevista. Eu disse a ele o que sinceramente penso : “Como personagem jornalístico, o senhor me interessa tanto quanto, por exemplo, Luís Carlos Prestes, a quem, aliás, entrevistei várias vezes. Jornalista existe para fazer pergunta. Não faço  ”patrulhagem ideológica” nem no senhor nem em Prestes. Minha opinião pessoal não interessa. Quero sair daqui com uma notícia”.  O general me disse que nunca tinha falado tão claramente sobre a operação que fez para desmontar um novo atentado que militares tramavam no Rio. Em resumo, ele me deu uma notícia  : militares estavam tramando,sim, um novo atentado no governo Figueiredo.

Um dia depois, telefonei para checar dados. Perguntei se ele sabia o título da música que cantou para mim na porta do elevador, no fim da visita. Não, o general não sabia. Mas deve ter notado que, no fundo, o que eu queria era gravar a performance do general Newton Cruz cantando. Perguntou, sem meias palavras, se eu queria gravar ali, naquela hora, por telefone. É claro que sim. A gravação foi feita. O general “linha-dura” cantou de novo! A gravação da performance musical foi  usada no final da entrevista levada ao ar pela Globonews  :  um diálogo marcado por momentos ríspidos terminou, quem diria, com Newton Cruz cantando.

Mas o que terminou com a música tinha começado assim:
Toca o telefone na agência central do SNI, em Brasília : um agente – que estava no DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro, avisa que um grupo estava indo para o Riocentro com uma bomba

Horas antes do atentado no Riocentro, o senhor recebeu um telefonema de um militar avisando que uma bomba iria explodir lá.Por que é que o senhor não se dirigiu imediatamente para o Riocentro?

Newton Cruz: “Não,não,não,não. Meu Deus do céu. Primeiro: o Riocentro é no Rio. Eu estava em Brasília. “Imediatamente” não podia ser, nem que eu viesse de avião. Não é nada disso. Eu estava no meu gabinete de trabalho, na Agência Central do SNI. Ficava até tarde. Trabalhava feito um desesperado. Trabalhava de noite. Não tirava férias. Não fazia nada. Cheio de papel. Sempre fui muito centralizador. Sempre fui responsável, eu,pessoalmente – e também garantir  que cumpram aquilo que digo,como mando fazer. Eu estava no meu gabinete, já à noite, quando um oficial meu – da Agência Central do SNI – me disse: “Chefe, recebi um telefonema lá do Rio de Janeiro, de fulano de tal, analista de nossa agência, que disse o seguinte:  tinha ido ao DOI do I Exército para fazer contato,saber se tinha alguma novidade e se informar…”. Somos órgão de informação. Era um homem da nossa seção de operações. “Quando chegou lá, ele se assustou, porque viu um grupo reunido cuja ideia era partir para o Riocentro. E ele ficou assustado.Falou: ”Como é isso?”.  O oficial da agência do Rio de Janeiro tentou influenciar: ”Vocês não podem fazer isso, ir pra lá!”. E eles: “Mas nós vamos! ”.  A ideia desse grupo não era matar ninguém: era moda aquele negócio de bomba em banca de jornal. Era pegar uma bomba – uma bombazinha – e jogar lá fora, nas imediações. Era um ato de presença: “Nós estamos aqui.Vocês estão aí, no evento de comemoração do primeiro de maio.Nós estamos aqui!”.  Não era para matar ninguém. Era um grupinho. Não era nada comandado por ninguém de cima. Eram eles mesmos, por conta deles. 

Quando este oficial soube, se assustou: “Não podem fazer isso lá”. Faz o seguinte: “Vai, mas joga a bomba mais afastada”. Ele avisou isso.  E saiu com o grupo: foi junto, para  assegurar a bomba fora, para não incomodar ninguém, porque eles estavam com gosto de sangue na boca. Sangue,não.  Sangue nada: era jogar bomba. Eu falei: “Mas não há meio de parar?”. E ele: “Não,porque eles já saíram”. Quando eu soube, este grupo já tinha saído. E a bomba foi lançada meio afastada, na proximidade da casa de força. Não adiantava nada, porque se apagasse, o gerador daria eletricidade. Não ia incomodar ninguém. Ele agiu com a cabeça, para evitar. Muito bem. Eu não podia fazer mais nada. Paciência. Fui  para casa. Quando cheguei em casa – e liguei a televisão – é que soube da bomba que tinha explodido. O que é que foi ? Os dois que foram lá – o capitão e o sargento – por conta própria, fora daquele grupo –  para o estacionamento.E a bomba explodiu no colo do sargento. É o que houve”.

Quando soube que haveria um atentado no Rio centro, o senhor não deveria ter comunicado imediatamente até ao presidente da República ?

Newton Cruz: “Não,não,não…”

O senhor não considerou grave ?

Newton Cruz: “Falei com quem ? Com o meu chefe – o chefe do SNI,Octávio Medeiros – que tinha gabinete junto do Figueiredo. Eu – como chefe da agência central – não tinha nenhum contato direto com Figueiredo…”

Mas num situação dessas….

Newton Cruz: “Não tinha importância nenhuma…”

Poderia ter causado uma tragédia….

Newton Cruz: “Ele foi procurado por Medeiros – que disse a história a ele. Figueiredo soube o que aconteceu”.

Naquela noite ?

Newton Cruz: “Não sei se na noite. Porque a noite era de madrugada. Ou no dia seguinte, não sei. Para mim, tinha acabado. Transmiti para o meu chefe e acabou”

O senhor transmitiu para o general Octávio Medeiros antes ou depois de ver a notícia na TV?

Newton Cruz: “Depois da TV. Eu morava do lado de Medeiros. Nossa casa era junto uma da outra,na Península dos Ministros. Não podia fazer nada! Não podia fazer nada naquela hora ! Nada! Não tinha o que fazer ! Não tinha o que fazer. Não podia fazer nada! Não havia o que fazer”

O senhor se arrepende de não ter tentado fazer alguma coisa ?

Newton Cruz(levantando a voz): “Tentar o quê ?”

Telefonar para o general Medeiros para mobilizar…

Newton Cruz: “Medeiros ia fazer o quê ?”

Mobilizar alguém para interceptar…

Newton Cruz: “Interceptar quem ?”

Os militares que estavam indo para o Riocentro….

Newton Cruz: “Eles não sabiam de militar que estava indo para o Riocentro. Não sabia nem para onde eles foram. Não sabiam nem onde ia ser jogada a tal bomba. Era nas proximidades. Não sabiam onde era. Que história é essa ? É impossível. Nesta ocasião, nem celular havia….

E mais o seguinte: tempos depois, recebi a informação de que havia um grupo,no DOI, tentando fazer uma coisa parecida.Não era problema meu. Eu tinha só de informar.

O grupo ia fazer algo parecido onde ?

Newton Cruz: “Em algum lugar. Algo da mesma natureza”

Uma bomba num local público ?

Newton Cruz: “É….Não sei onde”.

O senhor deve saber. Não quer dizer ?

Newton Cruz: “Estou dizendo que não sei. Estou contando. Não conto pela metade. Conto tudo que sei. Quando conto, conto o que sei. Quando não quero contar, não falo. Então, falei: “Não é possível! Isso não pode!”.

Pela primeira vez, saí de minha função dentro do SNI:  “Vou pessoalmente acabar com isso!”.Pedi à agência do Rio um encontro com dois elementos do DOI-CODI. Fui ao Rio de Janeiro e me encontrei num hotel “.


Onde foi ?

Newton Cruz: “O hotel ficava no Leme. Eu me encontrei com um tenente da Polícia Militar e um sargento (do Exército). Falei: ”Aconteceu isso assim assim em relação ao Riocentro. Eu tive informações de que vocês estão pensando em coisa parecida. Vou dizer uma coisa a vocês:  vão lá e digam aos seus companheiros que vocês estiveram comigo e se acontecer qualquer coisa parecida com isso eu vou denunciar!”  (levanta a voz). Digam a eles!”.  Nâo houve mais nada. Acabou com bomba. Isso ninguém sabe”.
O general guardou silêncio sobre a reunião ocorrida num quarto de hotel no Leme, no Rio de Janeiro, com dois militares que estavam tramando o novo ataque

O senhor chegou a  produzir algum documento escrito sobre esta ameaça de um novo atentado no Rio ?

Newton Cruz: “Não.Nunca falei sobre isso”

Chegou a produzir algum documento internamente no SNI ?

Newton Cruz: “Não.Porque, se eu fizesse, estaria sendo falso em relação aos dois que falaram comigo”.

Por que é que só agora o senhor decidiu fazer esta revelação ?

Newton Cruz: “Já falei na intimidade”.

Não: publicamente….

Newton Cruz: “Porque saiu agora. Não sei por quê. Ah, por quê ? Porque agora falei, de repente…”.

Quanto tempo depois do Riocentro haveria este outro atentado ?

Newton Cruz: “Eu estava na agência central do SNI até 1983. Se o atentado foi em 1981, foi logo depois…”

Como é que esta informação de que haveria um novo RioCentro chegou ao senhor ?

Newton Cruz: “Não vou dizer a você! Pronto. Porque acho que, profissionalmente, não posso dizer”

Mas é uma revelação grave que o senhor faz:  a de que poderia haver um outro Riocentro no governo Figueiredo.

Newton Cruz: “Eu resolvi o fato. Falei do fato. Não posso falar sobre informante. Você, jornalista, fala o que um informante diz a você pedindo sigilo ?”

Não.

Newton Cruz: “Permita-me ser igual a você!”.

O senhor comunicou este fato ao presidente Figueiredo ?

Newton Cruz: “Com Medeiros (chefe do SNI), falei de minha ida ao Rio. Eu ia ao Rio e não vou dizer a meu chefe ? Eu disse!”.

Que cuidados o senhor tomou na hora de ter esta conversa no hotel ?

Newton Cruz: “Nenhum. Entrei no quarto, já preparado,sentei lá. Pedi um uísque para mim e um uísque para os informantes e conversei com eles. Pronto”.

Que reação esses dois oficiais tiveram quando o senhor disse que eles não poderiam cometer este ato ?

Newton Cruz :” Você pode tirar sua conclusão porque depois nunca mais houve bomba em lugar nenhum”.

Mas eles contraargumentaram ?

Newton Cruz: “Não. Ficaram quietinhos. Fiz cara feia para eles, certamente. Ficaram com medo de minha cara…”.

Que sensação o senhor tem  por ter evitado este outro atentado ? É de alívio ?

Newton Cruz: “Fiquei feliz da vida, claro. Achei que tinha um propósito – e o propósito foi cumprido. Fiquei feliz da vida. A pergunta acho que não tem sentido ( irônico): ah, fiquei triste….Queria que acontecesse…Ora…”

domingo, 11 de abril de 2010

A fala da mineira guerreira

10/04/2010 - 19:57

O discurso de Dilma no lançamento da candidatura à Presidência

Companheiros e Companheiras do ABC.
Estou aqui hoje e quero aproveitar este momento para me identificar com maior clareza. Os da oposição precisam dizer quem são. Vocês sabem quem eu sou, e vão saber ainda mais. O que eu fiz, o que planejo fazer e, uma coisa muito importante, o que eu não faço de jeito nenhum. Por isso gostaria de dizer que:
1 Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta. Posso apanhar, sofrer, ser maltratada, mas estou sempre firme com minhas convicções. Em cada época da minha vida, fiz o que fiz por acreditar no que fazia. Só segui o que a minha alma e o meu coração mandavam. Nunca me submeti. Nunca abandonei o barco.
2 Eu não sou de esmorecer. Vocês não me verão entregando os pontos, desistindo, jogando a toalha. Vou lutar até o fim por aquilo em que acredito. Estarei velhinha, ao lado dos meus netos, mas lutando sempre pelos meus princípios. Por um País desenvolvido com oportunidades para todos, com renda e mobilidade social, soberano e democrático;
3 Eu não apelo. Vocês não verão Dilma Rousseff usando métodos desonestos e eticamente condenáveis para ganhar ou vencer. Não me verão usando mercenários para caluniar e difamar adversários. Não me verão fazendo ou permitindo que meus seguidores cometam ataques pessoais a ninguém. Minhas críticas serão duras, mas serão políticas e civilizadas. Mesmo que eu seja alvo de ataques difamantes.
4 Eu não traio o povo brasileiro. Tudo o que eu fiz em política sempre foi em defesa do povo brasileiro. Eu nunca traí os interesses e os direitos do povo. E nunca trairei. Vocês não me verão por aí pedindo que esqueçam o que afirmei ou escrevi. O povo brasleiro é a minha bússola. A eles dedico meu maior esforço. É por eles que qualquer sacrifício vale a pena.
5 Eu não entrego o meu país. Tenham certeza de que nunca, jamais me verão tomando decisões ou assumindo posições que signifiquem a entrega das riquezas nacionais a quem quer que seja. Não vou destruir o estado, diminuindo seu papel a ponto de tornar-se omisso e inexistente. Não permitirei, se tiver forças para isto, que o patrimônio nacional, representado por suas riquezas naturais e suas empresas públicas, seja dilapidado e partido em pedaços . O estado deve estar a serviço do interesse nacional e da emancipação do povo brasileiro.
6 Eu respeito os movimenos sociais. Esteja onde estiver, respeitarei sempre os movimentos sociais, o movimento sindical, as organizações independentes do povo. Farei isso porque entendo que os movimentos sociais são a base de uma sociedade verdadeiramente democrática. Defendo com unhas e dentes a democracia representativa e vejo nela uma das mais importantes conquistas da humanidade. Tendo passado tudo o que passei justamente pela falta de liberdade e por estar lutando pela liberdade, valorizo e defenderei a democracia. Defendo também que democracia é voto, é opinião. Mas democracia é também conquista de direitos e oportunidades. É participação, é distribuição de renda, é divisão de poder. A democracia que desrespeita os movimentos sociais fica comprometida e precisa mudar para não definhar. O que estamos fazendo no governo Lula e continuaremos fazendo é garantir que todos sejam ouvidos.
Democrata que se preza não agride os movimentos sociais. Não trata grevistas como caso de polícia. Não bate em manifestantes que estejam lutando pacificamente pelos seus interesses legítimos.
Companheiras e companheiros,
Aquele país triste, da estagnação e do desemprego, ficou pra trás. O povo brasileiro não quer esse passado de volta.
Acabou o tempo dos exterminadores de emprego, dos exterminadores de futuro. O tempo agora é dos criadores de emprego, dos criadores de futuro.
Porque, hoje, o Brasil é um país que sabe o quer, sabe aonde quer chegar e conhece o caminho. É o caminho que Lula nos mostrou e por ele vamos prosseguir. Avançando.
Com a força do povo e a graça de Deus.

terça-feira, 6 de abril de 2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Retrato nu e cru da elite brasileira

A jornalista Mônica Bergamo (Folha de São Paulo) expôs com toda a crueza o retrato na elite brasileira na pessoa da "primeira-dama" de São Paulo, Deuza Goldman, esposa do vice de José Serra, o ex-comunista Alberto Goldman, que assumiu no dia 1º de abril. O trabalho da Bergamo só é comparável à lendária entrevista das páginas amarelas da Veja com a socialite Narcisa Tamborindeguy, publicada em 1998. A propósito, postarei essa entrevista aqui oportunamente, para tonificar o fígado de todo mundo. Aguardem. Por ora, deliciem-se com essa Deuza.

Como uma deuza

Mônica Bergamo

A nova primeira-dama de SP, Deuzeni Goldman, 58, a Deuza, que toma posse na terça, cuida de filhos, netos e enteados, escolhe as roupas do marido, faz dança, piano, inglês, ginástica e -ufa!- medita duas vezes por dia para relaxar.

Deuza Goldman em seu apartamento, em Higienópolis

Faltam duas horas para que o helicóptero do governo de São Paulo levante voo levando Deuzeni Goldman, a Deuza, pelos céus da cidade rumo a sua mais nova missão: estar ao lado do marido no cargo de primeira-dama de São Paulo.

Sua antecessora, Monica Serra, é morena. Deuza é loira. Monica é tímida; Deuza, exuberante. A mulher continuou morando em sua casa, em Pinheiros, e Serra foi sozinho para o Palácio dos Bandeirantes. Já Deuza e Alberto Goldman, que assume o governo na terça, são "grudados. A gente ainda namora no cinema". "São 32 anos de casados, acredita? Nem eu acredito que estou há tanto tempo com esse meu maridinho."

Deuza se senta à mesa para o almoço em seu apartamento, em Higienópolis. "Então, eu tava te falando... eu tava numa fase bem mãezona. Faz cinco anos que tô aposentada [é ex-decoradora], pra curtir a vida, os filhos. Faço dança de salão, piano, inglês, tenho professora de ginástica três vezes por semana. Sempre fiz mil coisas. Vou ter que me reorganizar."

Ela interrompe: "Paula... tá aparecendo a alça do sutiã vermelho, filha." Aos 31 anos, a jovem, que veio de Londres, onde mora, se arruma para ir com a mãe à cerimônia, no Bandeirantes, em que Serra se despedirá do governo. "Sou virginiana, perfeccionista", diz Deuza.

Ela cataloga as fotografias de família por assuntos ("Eu e Meu Amor", "Amigas", "Crianças"), datas "e até o nome da rua em que a gente estava", diz Paula. Divide as roupas em armários por décadas: anos 70, 80 e 90. O Le Lis Blanc de seda que veste para a despedida de Serra "tem cinco anos", diz. A bolsa, Dior, "mais de 20. Tenho várias. Comprei quando não custavam essa fortuna". "Ela tem um brechó em casa", afirma Paula. E escolhe as roupas que o marido usa.

Deuza derruba suco de uva na mesa. "Nervosa? Não, eu estou até calma! Eu agora faço meditação duas vezes por dia." Quem ensinou a ela a técnica foi o enteado, André. "Cada sessão tem 20 minutos." Olhos fechados, Deuza passa as mãos em várias partes do corpo enquanto explica: "Você pensa nos cabelos, relaxa. Pensa nas orelhas, relaxa. No dorso... até que não percebe mais o corpo. Aí, pensa numa paisagem bonita e "fica" lá. Tem gente que até levita!". Deuza não chega a tanto. Mas está "mais relaxada".

Ela conta que está escrevendo um livro. "Eu tenho muita coisa pra contar, né? São 32 anos [com o marido]. Vai se chamar "História e Estórias", e o subtítulo é... ai, gente, é tão pitoresco... mas não consigo me lembrar!". E Paula: "Cê já escreveu muita coisa? Queima esse livro, mãe!". Por quê? "Ah, sei lá, agora tem campanha eleitoral... vai ter espião petista em tudo quanto é lugar."

Nascida em Tupã, interior de SP, ela é a mais velha de três irmãos. A mãe , Deuza, e o pai, Zenite, juntaram os nomes e a chamaram Deuzeni. Depois de fazer o clássico e o magistério, Deuza se mudou para a capital. Tinha 18 anos.

Em 1972, aos 20, conheceu Goldman. Ele tinha 34, já era deputado e sócio de uma construtora. "Eu era secretária da secretária dele", diz Deuza. "Ele já tinha, assim, um casamento bem falido, né?". E os dois começaram a namorar. "Ficamos seis anos nesse chove, não molha." Até que Goldman decidiu se separar. "Ele sempre disse pra mim que eu nunca fui a causa, e sim a consequência [da separação da primeira mulher, Sara]."

Mas Deuza continuava "naquela indecisão." "Eu era uma menina superjovem, tinha um monte de paqueras que me assediavam. Ele era mais velho, já tinha três filhos (Cláudio, Marcelo e André), era político, judeu. Tinha tudo para dar errado." "E ainda quebrou!", diz Paula. Deuza explica: "Quando a gente se casou, ele fechou a construtora. Eu era secretária, fazia o Imposto de Renda dele, sabia de tudo o que tinha. Nunca me impressionei. Eu sempre brinco que conheci o Alberto rico e casei com ele pobre."

Deuza interrompe a conversa, preocupada com perguntas pessoais: "Como sou loira, tenho cabelão, as pessoas acham que eu sou uma dondoca, um nada. E eu não sou isso". A cunhada Antonieta Spargoli, a Toty, diz: "A Deuza não tem culpa de ser alta, magra e loira". Fez apenas uma plástica, suave, no rosto, há muitos anos.

A primeira-dama explica que tem "um lado intelectual muito forte." Assina várias revistas (além das semanais de informação, "Casa Claudia" e "Vogue") e está lendo "três livros ao mesmo tempo" -um deles, "Os Homens que Não Amavam as Mulheres", do sueco Stieg Larsson. Gostou "demais" da biografia de Hillary Clinton -em especial quando ela conta que perdoou as traições do marido, Bill Clinton, "por amor".

"Tenho aversão. Mas não quero falar sobre isso", diz Deuza quando questionada sobre o governo Lula. "O Serra não gosta", explica. "Falo o que penso", mas, na posição em que está, precisa "ser cuidadosa". Sobre primeiras-damas, diz apenas que "a Ruth Cardoso, sim, foi um modelo. Discreta, atuante, eficiente".

Crítica de programas como o Bolsa Família, ela diz acreditar que os projetos do Fundo de Solidariedade, que comandará, têm outro caráter. "O Bolsa Família dá dinheiro mensal para a pessoa se acomodar. A campanha do agasalho é emergencial, para a pessoa não passar frio."

Depois da despedida de Serra, Deuza volta para Higienópolis, onde o casal continuará morando mesmo depois da posse. No carro, fala dos planos. "Mil amigas já estão me ligando." São mulheres de deputados, de secretários, que "querem ajudar e não sabem como. Vou mobilizar todo esse pessoal". Seu principal projeto é revitalizar o parque da Água Branca, onde fica a sede do Fundo. Ela quer incrementar o paisagismo e catalogar todas as árvores, colocando placas para que as crianças possam identificá-las. "O parque tem história, meus filhos iam lá quando eram pequenos", diz.

Já em casa, Deuza se prepara para jantar fora com o marido e os dois filhos do casal, Paula e Flávio. Se deixarem, o governador só vai a restaurantes como a pizzaria Speranza, no Bixiga, e o Filé do Moraes. Mas, em casa, quem manda é a primeira-dama. Ou melhor, "toda a família manda nele", segundo Paula. Deuza considera que os três filhos mais velhos e as três netas de Goldman, "na realidade, são meus também, entendeu?".
 
A família agora tem várias coisas para resolver. Um dos filhos de Goldman, por exemplo, vendeu o carro "para não poluir o mundo". E, embora a lei determine, não quer andar de ônibus com um segurança na cola.

O celular toca. É um dos enteados, André. "Que pena que você não veio com a gente [na despedida de Serra], meu amor!", diz Deuza. Na posse, na terça, afirma ela, ninguém pode faltar. "O papai quer todo mundo lá. Vem aqui que eu boto uma gravata em você.

domingo, 4 de abril de 2010

Para quem não viu: TV doada pelo CQC some na Prefeitura de Barueri (SP)

Veja a reação do prefeito serrista de Barueri (SP) ao flagra que o CQC aplicou nele, ladrãozinho de uma TV de plasma doada pelo Programa a uma escola da comunidade. Veja a cara de pau do melhor amigo do vampiro que come meleca.