domingo, 11 de outubro de 2026

DECÁLOGO DO DIÁLOGO E DA CONVIVÊNCIA

Hoje a africana de origem indiana Navi Pillay recebeu o Nobel da paz, defensora

dos mais excluídos e perseguidos, inclusive do Mandela, sobretudo denunciando o

genocídio de Gaza. Hoje também, ironia da sorte, TRUMP, uma das centenas de

candidatos ao Nobel, ordenou o fuzilamento público de um condenado, como

acontecia séculos atrás. Terá alguém presenciando? Espero que não.

Hoje senti um irrefreável desejo de responder a muitos, que me solicitaram uma

resposta ao inesperado ódio, que invadiu o Brasil, dividindo famílias, comunidades

e mil agregações. Apresento o decálogo que aflorou ao longo de mais de 60 anos

de missão.

1)NA ATUAL POLARIZAÇÃO NAVEGAMOS NO PIOR ÓDIO, como uns comentam,

nunca acontecido no Brasil acolhedor.

Pe. Lebret, um dos maiores estudiosos da economia, dos direitos humanos e do

racismo, visitando o Brasil para proferir várias conferências, elogiou o nosso país,

como o melhor do mundo pela convivência pacífica, inefável, acolhedora e

incomparável a três outros países: os USA, a África do sul e a Índia.

2) ODIAI E FICAREIS DOENTES, AMAI E FICAREIS CURADOS.

O teu pior inimigo não está fora de ti, mas dentro como inquilino, que te tira o

apetite, a digestão e o sono!

3) ANTES DE CONDENAR PROCURE CONHECER AS FONTES que te confirmam nas

tuas opiniões, que são frequentemente de autores que condenam sem conhecer os

condenados.

4) OUÇA OUTROS SINOS NÃO SÓ OS QUE TOCAM EM SINTONIA COM AS TUAS

OPINIÕES.

Ouça e veja áudios e vídeos, leia textos e aborde pessoas que têm opiniões

contrarias às tuas. De todos temos algo para apreender.

5) O CRISTÃO NÃO TEM INIMIGOS.

S. João XXIII convocou o Concilio Vaticano II e convidou todas as denominações

cristãs. Hoje seriam convidados Muçulmanos, Budistas, Indus, judeus...Quando Kruchev enviou-lhe os parabéns pelos 80 anos, contrariando os

cardeais, o Papa respondeu-lhe com gratidão e logo depois recebeu a filha do líder

russo.

Seu lema: “O CRISTÃO NÃO TEM INIMIGOS, mas apenas adversários que têm

opiniões diferentes”

.

6) SÁBIO É QUEM VÊ O CONJUNTO, discerne e julga só após ter ouvido outras

opiniões, que não são dogmas, mas apenas prováveis verdades.

7) PRECISAMOS BANIR OS NOSSOS PRECONCEITOS, pois sempre acabamos

condenando sem conhecer. Fui educado ao “diálogo” interesseiro, mirando

converter todos ao catolicismo. Hoje frequento cultos evangélicos, protestantes,

espiritas, judeus, umbanda, candomblé. Sem me omitir ao diálogo, procuro

apresentar o catolicismo e discernir, em todos os crentes em Deus, valores a imitar

e antivalores a evitar.

8) TODOS OS CRENTES TÊM VALORES.

Acredito que o catolicismo é a melhor religião, pois vim aqui como missionário

católico, mas aprecio os valores de todos os crentes.

9) NÃO NOS ESGOTEMOS OBCECADOS POR UM PARTIDO, que é apenas uma

parte, sem demonizar os outros.

10) O AMOR É PURA GRATUIDADE SEM INTERESSES.

Em 1986, representando o Paraná, participei em Assis do encontro ecumênico

de todas as religiões, evento profético, apreciando em especial o ISLAM, pois ISLAM

significa ABANDONO INCONDICIONAL a Deus: mensagem cristã!

O meu primeiro catequista repetia: “Observem os mandamentos para escapar

do Inferno e ganhar o Paraíso.” A mística muçulmana Rabia de Baçorá descobriu o

Amor de Deus como pura gratuidade, sem sombra de interesses, ao orar:

“Meu Deus eu Te amo, não por interesses, não para escapar do Inferno e ganhar

o Paraiso, EU TE AMO PORQUE SÓ TU ÉS AMOR!”


Curitiba 9 de outubro 2026.


Pe. João Rocha

Missionário da Divina Ternura, Feliz em Sê-lo


quarta-feira, 7 de outubro de 2026

O Brasil Moderno nasceu com o presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores. Agora é prosseguir

Editorial do The Villa Biscaia Post (para o povo entojado)

O povo brasileiro sempre trabalhou muito. O problema é que, até 2003, antes do primeiro Governo Lula, para milhões de brasileiros, trabalhar não significava necessariamente progredir. Trabalhava-se para sobreviver, para pagar as contas, para manter a família — mas, muitas vezes, sem a possibilidade concreta de melhorar de vida e colher os frutos do próprio esforço.


Quando o Governo Lula chegou, uma parcela enorme da população experimentou, pela primeira vez, uma sensação que deveria ser elementar em qualquer sociedade: TRABALHAR VALE A PENA.


Antes disso, milhões de brasileiros atravessavam a vida sem jamais entrar em um avião, sem poder viajar nas férias, sem se hospedar em um hotel, sem frequentar uma churrascaria quando quisessem, sem trocar uma casa pequena por outra maior quando a família crescesse — e, muitas vezes, sem sequer ter um carro velho para passear com os filhos.


Para muitos, tudo isso parecia reservado a uma minoria.


Foi durante os governos do presidente Lula que essas possibilidades começaram a se tornar parte da vida cotidiana de milhões de brasileiros.


Lula não simplesmente “deu” alguma coisa a ninguém. Lula ajudou a criar condições para que milhões de brasileiros pudessem conquistar aquilo que já mereciam pelo próprio trabalho. O Brasil começou a se transformar em um país mais moderno e inclusivo, no qual a origem social não precisava determinar, para sempre, o destino de uma pessoa.


Trabalhar, o brasileiro já trabalhava — e muito. O que faltava era que o esforço pudesse se converter em oportunidade, mobilidade social e melhoria efetiva da qualidade de vida.


É nesse ponto que talvez esteja uma das maiores transformações daquele período.


A filha da empregada doméstica pôde deixar de ter como destino inevitável o mesmo trabalho da mãe e chegar à universidade, formando-se em Medicina. O filho do porteiro pôde não precisar repetir a profissão do pai e estudar Engenharia. O filho do operário pôde construir sua própria trajetória, estudar Administração e chegar à direção de uma indústria, em vez de depender de uma vaga conseguida pelo pai na fábrica.


Os exemplos são milhões.


E talvez seja justamente isso o que mais incomode aqueles que preferem acreditar que a sociedade deve permanecer imutável: quando uma geração conquista oportunidades que a anterior não teve, a velha lógica da desigualdade começa a ser rompida.


É verdade que nenhum governo resolveu todos os problemas do Brasil — nem poderia. Ainda há pobreza, desigualdade, serviços públicos deficientes e enormes obstáculos a superar. Mas reconhecer os avanços não significa ignorar o que falta. Ao contrário: significa compreender de onde partimos e o quanto ainda precisamos avançar.


Aos que transformam qualquer conquista social em motivo de ressentimento, aos que preferem o lamento à construção e aos que desejam devolver o Brasil a um passado de oportunidades restritas, deixemos o seu ÓDIO.


Nós temos trabalho a fazer.


Os desafios da modernização do País continuam imensos. E tornam-se ainda maiores quando a sociedade se deixa contaminar por discursos que pretendem desvalorizar conquistas, desacreditar políticas de inclusão e convencer os brasileiros de que avançar foi um erro.


Não podemos aceitar que o País dê passos para trás e, depois, cobre novamente dos brasileiros que trabalham a tarefa de reconstruir aquilo que já havia sido conquistado.


O Brasil precisa seguir em frente.


Precisa de mais oportunidades, mais educação, mais emprego, mais renda, mais desenvolvimento e, sobretudo, de uma sociedade em que o lugar onde uma pessoa nasce não determine o lugar onde ela poderá chegar.


Que nunca nos esqueçamos:


“NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA.” 

O Brasil Moderno nasceu com o presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores. Agora é prosseguir

Editorial do The Villa Biscaia Post (para comunicação direta)

O povo brasileiro sempre trabalhou muito. Acontece que até 2003, antes do Governo Lula, trabalhar não valia a pena. As pessoas trabalhavam apenas para sobreviver, sem melhorar de vida, sem gozar os frutos de seu esforço.


Quando o Governo Lula chegou, pela primeira vez TRABALHAR VALEU A PENA.


Antes, milhões passavam por esta vida sem nunca terem entrado em um avião, sem poder viajar de férias, sem poder se hospedar em um hotel, sem poder ir a uma churrascaria sempre que quisessem, sem poder trocar de casa por uma maior quando a família aumentava, sem ter nem mesmo um carro velho para passear com a família.


Tudo isso se tornou normal com o presidente Lula na administração do Brasil.


Lula não deu. Lula começou a transformar o Brasil em um país moderno, em que todas as pessoas têm os mesmos direitos e oportunidades de progredir. Trabalhar, todo mundo já trabalhava — e muito —, só não via um retorno de seus esforços.


Com o presidente Lula administrando o País, a filha da doméstica não foi mais OBRIGADA a ser doméstica da filha do patrão e se formou em Medicina. O filho do porteiro não precisou ser porteiro também e estudou Engenharia. O filho do operário não dependeu de o pai conseguir colocá-lo também na fábrica, mas estudou Administração e foi dirigir a indústria.


Os exemplos são milhões.


Só os 'encostados' não conseguiram progredir, e o que restou a eles foi apenas o ÓDIO ao presidente Lula, que criou oportunidades reais para quem já trabalhava muito conquistar o melhor fruto do seu esforço.


Deixemos os 'encostados' e 'reclamões' com o seu ÓDIO e vamos em frente, porque são imensos os desafios de prosseguir na modernização do nosso País. E ainda muito maiores quando a sociedade se deixa contaminar pelo discurso dos  "encostados" e dá passos para trás, impondo, depois, aos brasileiros que trabalham a obrigação de reconstruir o que já estava pronto. 

Que nunca nos esqueçamos de que "NÃO TÁ MORTO QUEM PELEA".

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Da série "Histórias prosáicas"

... e é por ela ser assim tão delicada / que eu trato sempre dela muito bem!

Um dia comum em Curitiba. Frio, muito frio. Mais ou menos 10 horas da manhã. Nas imediações da Praça Ouvidor Pardinho, avisto um homem e um menino catando papéis e outros recicláveis em um carrinho mambembe que o homem empurra.


Os dois caminham na contramão pela Rua 24 de Maio; o menino, mais solto, vai à frente. Atravessa a rua para pegar uma caixa de papelão do outro lado da calçada. Coloca a caixa no carrinho e, mais adiante, recolhe algumas garrafas PET, que também ajeita no carrinho.


O menino é ágil, e pouco se pode ver de sua aparência, enfiado que está em um casaco maior do que ele e uma touca de lã preta enterrada na cabeça, quase cobrindo o rosto, que o protege do frio. Quatro ou cinco metros atrás vem o homem com o carrinho. Ele também, por vezes, larga o carrinho, atravessa a rua ou vai até um desses equipamentos à frente dos prédios, onde os moradores depositam os sacos de lixo para a coleta, e recolhe alguma coisa que valha algumas moedas na reciclagem.


Apesar do frio que faz nessa manhã de sábado curitibana, com pouco movimento na rua e a óbvia carência econômica da dupla — para não falar da carência, senão proteica, ao menos lipídica —, os dois seguem em um ritmo, digamos, animado. São ágeis e rápidos e, nesse ritmo, vão avançando pelo caminho. Já atravessaram a Avenida Iguaçu e se aproximam da Avenida Silva Jardim.


Estou observando a dupla, que me chamou a atenção, parado em frente a uma clínica e aguardando o Uber que chamei. Estou meio invisível para eles e, assim, posso observá-los sem representar um incômodo.


Nesse embalo, vem se aproximando um veículo prata que, quando vê a dupla, me dá a impressão de que diminui a velocidade e os observa. Passa lentamente, sem dar na vista, mas percebo que observa com interesse. Acompanho, com a vista, discretamente, o carro e o sujeito.


Próximo de onde estou percebo um tijolo meio desencaixado do muro que divisa a clínica da velha casa ao lado. Penso comigo: se esse sujeito for atacá-los, vou atirar esse tijolo no carro ou, se for o caso, na cabeça do cabra.


Não foi preciso. O sujeito dobrou à direita na Avenida Iguaçu e desapareceu das minhas vistas.


Parece que o homem e o menino não se deram conta do "intruso" a ameaçá-los — isso, na minha cabeça, porque o sujeito não fez qualquer gesto que sugerisse agressão; apenas reduziu a marcha e parecia observá-los com atenção.


A dupla se aproxima do ponto em que me encontro, no meio da quadra entre a Avenida Silva Jardim e a Iguaçu. Eis que, de repente, reaparece o sujeito do veículo prata. Percebo agora que apenas deu a volta na quadra e dirige o carro ostensivamente em direção à dupla, que continua sem se dar conta.


Dirige o carro para a esquerda da rua, aproximando-se de onde estão o homem, o menino e o carrinho.


Pego o tijolo e fico no aguardo do início da ação.


Vai ser hoje!


O sujeito faz descer a janela do carro, estica o braço para fora e chama o garoto, que até então parecia ignorar a presença do intruso.


O homem que o acompanha - um sujeito alto e esquálido, também encasacado com o que parece ser mais um trapo do que um casaco - está a uns cinco metros de distância do menino.


Ouço o homem do carro prata chamar o garoto, com o braço estendido para fora da janela. Só então o garoto se dá conta da presença do sujeito e se volta para ver o que é.


O tijolo está firme na minha mão, pronto para entrar em ação.


O garoto se aproxima da janela do carro e ouço o sujeito perguntar:


— Aceita?


Agucei os olhos, o ouvido e a mão.


No ato seguinte, percebo que o garoto pega algo que o sujeito do carro lhe entrega, responde alguma coisa que não consegui ouvir e se afasta.


O sujeito levanta o vidro do veículo, acelera e se vai, descendo a Rua 24 de Maio em direção ao Parolim, deixando claro que havia dado a volta na quadra exatamente para voltar e abordar a dupla.


Então, o que vem a seguir me surpreende: o garoto é uma garota — uma mulher, na verdade. Parece-me estar na faixa entre 25 e 30 anos, o tipo que se diz mignon.


Ela retira a touca e ajeita os cabelos fartos, pretos, e sorri enquanto exibe, entre os dedos da mão direita, o objeto recebido do sujeito do carro prata: uma nota de dinheiro.


O que vem a seguir é ainda mais surpreendente.


Com ares e alegria de adolescente, a mulher que pensei ser menino vai lépida até o homem — ele também da mesma faixa de idade — e exclama:


— Amor, olha, 50 reais...


Só então fico sabendo o valor da nota entregue ao "menino".


Ainda acompanhei com os olhos aquela dupla, ou melhor, aquele casal, que se tratou de forma tão amorosa, como se fossem adolescentes animados e enamorados — e talvez o fossem.


Não sei vocês, milhões que me leem agora, mas em todas as minhas relações não posso indicar exemplo melhor do que parece ser um casal feliz.


Felizes apesar da pobreza, do trabalho rude e de ganho risível, das roupas disformes, do dia chuvoso, da manhã fria, do céu cinzento, de uma Curitiba pouco afeita aos deserdados do capital, e do futuro incerto.


Alheios àquele cenário e condição adversos, aqueles carrinheiros criaram o seu próprio sol e seu céu azul. Tão concretos que aqueceram a alma de um terceiro que observava à distância, assim como a do outro personagem que, por pouco, não foi alvo de um tijolo.


Momentos e situações como esses me fazem pensar que o céu realmente existe e que não tem nada de especial; tão somente corações aquecidos trocando afetos.


Para o casal, que possivelmente jamais saberá que motivou este registro, posto a canção 'A Felicidade', de Vinícius de Moraes e Tom Jobim