quarta-feira, 28 de março de 2012

Não tá morto quem peleia. Saúde, Lula! E vamos que vamos!

Negrete não compreendeu que Disciplina é Liberdade (Há tempos)

O Programa Domingo Espetacular (Rede Record) do último dia 25/3 mostrou o abandono em que se encontra o ex-baixista da Legião Urbana, Renato Rocha. Há cerca de 5 anos ele mora nas ruas do Rio de Janeiro, ao que tudo indica, levado pelas drogas. Renato Rocha, o Negrete, era o único dos integrantes da Legião que tinha pleno domínio do instrumento. Era profissional mesmo.
Negrete: hoje e ontem

O Dado Villa-Lobos enrolava, o Renato Russo idem, o Marcelo Bonfá mandava mais legal, mas nada de extraordinário. Era também o único que tinha origem bem popular, filho de um sargento do EB. Os outros eram filhos de altos funcionários da burocracia brasiliense, estudaram em boas escolas, conheceram outros países etc e tal. Negrete destoava do grupo e, pelo que se disse na época em que desembarcou da Legião Urbana, era pouco responsável com as obrigações profissionais da banda.

Renato Russo
Renato Russo teve a sua fase de irresponsabilidade também, mas Renato era a alma da Legião ... E olhe que foram eles que cunharam esse verdadeiro dístico de sabedoria: "Disciplina é Liberdade!" Cabe agora a Dado e Bonfá praticarem o complemento desse mantra Legionário: "Compaixão é Fortaleza" e resgatar o companheiro. De qualquer forma, eles formaram a melhor banda que esse país já produziu e proporcionaram à nossa geração o sentimento de que a adolescência é apenas um estado de espírito. Eternamente Legião Urbana!

terça-feira, 27 de março de 2012

Parabéns, Renato Russo, que hoje faria 52 anos





Seleção Google: 126º Aniversário de nascimento do arquiteto alemão Mies van der Rohe

A versão de hoje do logótipo personalizado do motor de busca Google está dentro de um edifício. O homenageado é Ludwig Mies van der Rohe, arquitecto alemão, a propósito do seu 126º aniversário
Nascido em 1886 na cidade alemã de Aachen, Ludwig Mies van der Rohe foi considerado, a par de Walter Gropius e Le Corbusier, um dos grandes nomes da arquitectura moderna.
Depois de ter liderado a escola de Bauhaus, encerrada pelo partido Nazi quando Hitler chegou ao poder na Alemanha em 1933, Ludwig Mies van der Rohe acabou por partir para os EUA em 1937 onde prosseguiu a sua carreira.
Para homenagear o seu 126º aniversário, a Google criou um doodle onde as letras que formam o nome do motor de busca estão dentro de um edifício em vidro e aço, os principais materiais utilizados por Mies van der Rohe.
A sua marca na arquitectura norte-americana está patente sobretudo nos EUA, onde é possível encontrar a sua influência nos edifícios construídos no centro das grandes cidades a partir da década de 1950.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Don Mc Lean ontem e hoje: tributo a Vincent Van Gogh

Em 1972


Em 2009

Deus me proteja de mim ...




Deus me proteja de mim
Chico César

Deus me proteja de mim
E da maldade de gente boa
Da bondade da pessoa ruim
Deus me governe, guarde, ilumine, zele assim

Caminho se conhece andando
Então vez em quando é bom se perder
Perdido fica perguntando
Vai só procurando e acha sem saber

Perigo é se encontrar perdido
Deixar sem ter sido, não olhar, não ver
Bom mesmo é ter sexto sentido
Sair distraído, espalhar bem querer.

sábado, 24 de março de 2012

sexta-feira, 23 de março de 2012

Seleção Google: 125º aniversário de nascimento do pintor cubista Juan Gris

José Victoriano Carmelo Carlos González-Pérez nasceu no dia 23 de março de 1887 em Madri, na Espanha. E morreu em 11 de maio de 1927 em Boulogne-Billancourt, Paris - França.
Mais conhecido como Juan Gris, seu estilo era de um pintor cubista experimental, que fazia retratos e naturezas-mortas com cores vivas e formas inesperadas. Gostava de obter uma liberdade no uso de espaço e da perspectiva.
O momento crucial da curta vida do pintor foi sua mudança para Paris em 1906, onde começou a circular nos mesmos lugares que Pablo Picasso e Georges Braque.
Assim como esses artistas, Gris também passou a explorar os princípios do cubismo, subvertendo os gêneros tradicionais de retratos e naturezas-mortas.
Nesse cubismo incial, o tema da obra era quebrado em seus elementos distintos, sem a tradicional perspectiva, de modo que o espectador era obrigado a unir os elementos como se fossem peças  de um quebra-cabeça.
Quando Gris se envolveu com o cubismo, o estilo já estava se espalhando por várias direções. Objetos podiam ser integrados às pinturas, enquanto formas quebradas, sem nenhuma relação aparente com determinado ítem, podiam ser combinadas para sugerir uma outra forma.
Gris tentou integrar e sintetizar esses elementos (cubismo sintético) usando outros fragmentos, desta vez, cores naturais, formas e perspectiva. As sombras envolviam os objetos, indicando espaço e a existência de um segundo plano, ao passo que os próprios objetos podiam ser distorcidos.
Essa experimentação contínua o fez se voltar para os temas de seu compatriota Diego Velázquez: natureza-morta ao lado de janelas abertas para o mundo dentro da pintura, mas que também levam para um mundo além da tela.
Um ítem real, como uma página de jornal, podia ser inserido em determinado ângulo, de modo que parecesse artificial e também criasse uma ponte em outra direção, alcançando o espaço do espectador.
Um exemplo disso é sua obra "A Veneziana" (1914). Entre as contibuições de Gris está a abordagem do tema de todos os ângulos possíveis, algo alcançado com a exploração do espaço, mesmo que usando a perspectiva.
Ele combinava corpos sólidos com planos de sombra e camadas de ossos, personalidades, carne e roupas, como em "Retrato de Josette" (1916), num presságio das inovações que se seguiriam durante o súculo .

quinta-feira, 22 de março de 2012

Obra de Nikolai Bogdanov-Belsky tem traços de Van Gogh

Do Blog de Luiz Nassif

Re: Fotos, charges e tirinhas
 
Re: Fotos, charges e tirinhas
Re: Fotos, charges e tirinhas
Re: Fotos, charges e tirinhas
Re: Fotos, charges e tirinhas
Re: Fotos, charges e tirinhas
Re: Fotos, charges e tirinhas
Re: Fotos, charges e tirinhas
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Re: Fotos, charges e tirinhas
Re: Fotos, charges e tirinhas
Re: Fotos, charges e tirinhas
Re: Fotos, charges e tirinhas
Nikolai Bogdanov-Belsky (Nikolai Petrovich Bogdanov Belsky)
Belsky  was a Russian painter.  He was born in the village of Shitiki in Smolensk Governorate in 1868.  He studied art at the Semyon Rachinsky fine art school, icon-painting at the Troitse-Sergiyeva Lavra in 1883, modern painting at the Moscow School of Painting, Sculpture and Architecture in 1884 to 1889, and at the Imperial Academy of Arts in St. Petersburg from 1894 to 1895. He worked and studied in private studios in Paris in the late 1890s.
Please note: Artists not classified as American in our database may have limited biographical data compared to the extensive information about American artists.
Fonte: http://www.askart.com/askart/artist.aspx?artist=11163112
Paintings:
  • An Afternon Fishing, 1917
  • Boys
  • By the Campfire
  • Celebration on a Steps – 1931
  • Checks Game
  • Children at the Piano – 1918
  • Children at the Window
  • Children carrying the Wood at the Snow – Winter
  • Portrait by IlKonstantin Korovin
  • The Young Artist At School Doors, 1897
  • Boy with a Violin, 1897
  • Children in a Class

Cheira a fraude, mas é interessante: sonho de Ícaro

terça-feira, 20 de março de 2012

Corregedoria vai investigar os juízes do TJ-SP


Avião supersônico do futuro será biplano

Avião biplano poderá ser o jato supersônico do futuroRedação do Site Inovação Tecnológica - 20/03/2012

O grupo do Dr. Shigeru Obayashi, da Universidade de Tohoku, trabalha há vários anos tentando melhorar o projeto do alemão Adolf Busemann, que criou o conceito de um avião supersônico biplano nos anos 1930. [Imagem: Obayashi laboratory/Tohoku University]

Sucessor do Concorde
Engenheiros acreditam ter encontrado a solução para um avião supersônico que não sofra dos mesmos problemas do Concorde.
O Concorde voava de Nova Iorque a Paris em três horas e meia - mas a capacidade de passageiros era pequena, as passagens eram caras, o avião consumia muito combustível e só podia superar a barreira do som quando voava sobre os oceanos, por causa do estrondoso boom sônico.
Buscando inspiração em um projeto alemão dos anos 1950, uma equipe japonesa e outra norte-americana acreditam que tudo pode ser solucionado colocando mais um conjunto de asas, ou um segundo plano de sustentação, criando um avião supersônico biplano.
Jato supersônico biplano
O grupo do Dr. Shigeru Obayashi, da Universidade de Tohoku, trabalha há vários anos tentando melhorar o projeto do alemão Adolf Busemann, que criou o conceito de um avião supersônico biplano nos anos 1930.
Avião biplano poderá ser o jato supersônico do futuro
A grande vantagem do jato biplano é a eliminação do incômodo boom sônico. [Imagem: Obayashi laboratory/Tohoku University]
A grande vantagem do biplano é a eliminação do incômodo boom sônico, o estrondo que resulta de ondas de choques criadas pelos aviões quando eles superam a barreira do som.
Segundo os cálculos, duas asas, uma posicionada acima da outra, cancelam as ondas de choque produzidas pelas asas individuais, eliminando definitivamente o estrondo.
O problema é que o projeto de Busemann sofria de um mal irremediável: a falta de sustentação. Ele voaria bem em velocidades supersônicas, mas a transição para Mach 1 geraria um arrasto tal que a aeronave não se manteria no ar.
A solução do grupo japonês é usar partes móveis nas asas para lidar com as diferentes características de voo durante as velocidades sub e super-sônicas.
O projeto foi elaborado com o auxílio dos chamados algoritmos genéticos, programas inspirados na teoria da evolução que "aprendem" com os erros anteriores, gerando novas gerações de soluções que mesclam características das gerações anteriores que tiveram maior sucesso.
Eles batizaram seu avião de Misora, a palavra japonesa para céu, e também sigla para MItigated SOnic-boom Research Airplane.
Avião biplano poderá ser o jato supersônico do futuro
O projeto do MIT não apresenta diferenças visíveis em relação ao projeto Misora, mas elimina a necessidade de partes móveis ativas nas asas. [Imagem: Christine Daniloff/MIT/Obayashi laboratory/Tohoku University]
Asas passivas
A equipe do MIT optou por uma técnica mais tipo força bruta.
Qiqi Wang e seus colegas fizeram simulações por computador testando 700 configurações de asas, cada uma delas voando nas diversas velocidades que se espera de um avião supersônico.
Além de confirmar os cálculos da equipe japonesa - o biplano supersônico parece que realmente elimina o boom sônico - o grupo conseguiu eliminar a necessidade de materiais ativos, conseguindo manter a estabilidade do avião em todas as velocidades usando asas inteiramente fixas.
Os resultados mostraram que, com uma superfície interna de cada asa mais lisa, cria-se um canal largo através do qual o ar pode fluir.
Os pesquisadores também descobriram que saliências na borda superior da asa de cima, e na borda inferior da asa de baixo, reduzem à metade o arrasto de jatos supersônicos como o Concorde.
O próximo passo da pesquisa é construir um modelo tridimensional para realizar testes em túneis de vento.

segunda-feira, 19 de março de 2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

OLHO POR OLHO – Os livros secretos da ditadura


Editora Record, 2009
A guerra entre os defensores e os opositores da ditadura militar no Brasil (1964-85) foi longa e suja. O que durante duas décadas não se soube é que o confronto derradeiro mobilizou menos de 40 combatentes de cada lado, foi silencioso — quase invisível — e durou 28 anos (1979 a 2007). A última batalha dessa guerra foi travada por dois livros: Brasil: Nunca Mais — a “bíblia” sobre a tortura praticada pelas Forças Armadas — e o nunca publicado Orvil, a resposta do Exército, sobre a guerrilha e o terrorismo de esquerda.
Os bastidores dessa batalha, com detalhes de cortar o fôlego, estão reunidos em OLHO POR OLHO. Na obra, o autor revela toda a tensão dos seis anos de trabalho sigiloso do Brasil: Nunca Mais. E ainda esquadrinha com detalhes o conteúdo do Orvil, explica por que o livro nunca foi editado e apresenta seus guardiões, um grupo de civis e militares que durante 22 anos guardou em segredo quinze cópias do documento. O jornalista, que obteve uma cópia do Orvil, mostra que, no livro, as Forças Armadas acabaram confessando uma série de crimes que tentavam esconder havia quatro décadas.
* Prêmio Jabuti 2010 (2º lugar/categoria Reportagem)
* Prêmio Vladimir Herzog 2009 (1º lugar/categoria Livro-reportagem)

O OPERADOR – Como (e a mando de quem) Marcos Valério irrigou os cofres do PSDB e do PT


Editora Record, 2006
Quem é Marcos Valério? Como este modesto funcionário de banco saiu do nada e em apenas sete anos fez uma fortuna de 14 milhões de reais? Por que não foi preso? Por que continua milionário? Como o PSDB usou laranjas para tomar empréstimos suspeitos, inventou o valerioduto e mesmo assim conseguiu sair ileso da crise? Por que o PT rasgou sua história e cedeu à corrupção? Que falcatruas do partido não foram investigadas? Como Lula conseguiu dar a volta por cima? Por que o serviço secreto rifou Lula e deixou a crise estourar no colo do governo? Por que só 18 parlamentares foram identificados se havia mais de 100 envolvidos no escândalo? Como foi o acordo entre governo e oposição para limitar as investigações. Quem são os grandes corruptores dessa história? E por que, mais uma vez, foram poupados? As respostas estão em O Operador.

Resposta a um avacalhado: "O tiro pela culatra do juiz"

Jornalista Lucio Flávio Pinto


Desde que a ministra Eliana Calmon, corregedora-chefe do Conselho Nacional de Justiça, disse que há bandidos de toga no judiciário, ninguém provocou tanta celeuma quanto o juiz da 1ª vara cível de Belém do Pará. O que Amílcar Roberto Bezerra Guimarães disse no seu blog pessoal na internet está rodando e espantando o mundo.
Exagero?
O distinto leitor que revolva sua memória atrás do registro de um magistrado que, no pleno exercício do seu ofício (ou múnus, como se diz do juridiquês), haja declarado:
— Que não acredita na justiça.
— Que considera válido resolver diferenças e litigâncias à base da violência (ou, conforme ele disse: dos sopapos).
— Que interpreta como benesse o que devia ser a pena máxima na carreira jurídica: a aposentadoria compulsória com rendimentos proporcionais ao tempo de serviço para os maus juízes.
— Que trata a parte, já submetida à sua tutela jurisdicional ou ainda dela dependente, com o uso de expressões como babaca, pateta, canalha e covarde.
O que um ou outro magistrado disse alguma vez, em geral por inadvertência (e depois desmentiu), o juiz Amílcar afirmou de uma só vez, com todas as letras, sem tergiversações. Disse, confirmou, reafirmou e aditou novas declarações e expressões chocantes ao repertório inicial de barbaridades.
Antes que pudessem ser analisadas, suas sandices provocaram surpresa, estupor, espanto, choque. O cidadão comum provavelmente jamais imaginou que tais considerações pudessem sair da mente e atravessar a boca e a ponta dos dedos de um juiz. Daí o título do meu artigo anterior: "Isto é um juiz?".
É. Mas já não devia ser. Alguma providência devia ter sido tomada pelo canal competente para afastar Amílcar Guimarães do exercício de uma importante vara cível na 10ª maior capital do país, com 1,5 milhão de habitantes.
Esse juiz encerrou a mensagem no seu facebook, em si uma anomalia, por se constituir de notas mundanas, pedindo ao seu contendor, que é este escriba:
"Eu quero me aposentar. bem que esse otário do LFP poderia fazer uma reclamação no CNJ. Juro que não me defendo e aceito a aposentadoria agora. Me ajuda, babaca!!!!!!"
Confesso ser essa a primeira vez que me tratampor babaca. Não faço jus ao título, depois de 46 anos de jornalismo. Por isso, não cometerei a babaquice de dar ao juiz o que ele quer, aquilo pelo qual implora (não é o sentido de tantos acentos de exclamação?).
Ser chamado de babaca não me ofende. Mas é um escárnio à Lei Orgânica da Magistratura Nacional. Ela já era considerada inadequada, ultrapassada, incapaz de funcionar como instrumento de autocontrole do poder judiciário.
Agora ficou inútil. Foi rasgada e atirada ao fogo pelo juiz Amílcar Guimarães. E o Conselho Nacional de Justiça, executor desse regulamento, se transformou em figura de retórica, ocioso, obsoleto.
No início de um ciclo de escândalos, que, nos últimos anos, projetou a justiça do Pará como uma das mais tristemente famosas do país, uma recém-promovida desembargadora ganhou a sinecura que fascina o juiz.
Foi mandada para casa, sem precisar mais trabalhar, com salário superior a 20 mil reais por mês. A causa da sua aposentadoria compulsória: Tereza Murrieta sacava, como se fora seu, dinheiro depositado em banco estadual, em nome da justiça, por efeito de demandas que tramitavam pela vara da qual ela era titular. O estelionato foi premiado.
Depois que suas palavras incendiaram a rede mundial de computadores, Amílcar Martins se defendeu ao seu estilo. Disse que se eu podia "satanizá-lo", declarando-o corrupto, ele, no exercício do mesmo direito de expressão, podia me chamar de canalha, covarde, babaca.
Eu nunca o chamei de corrupto nem disse que ele vendeu sua sentença iníqua, ilegal. Se tivesse provas ou informações seguras de que ele recebeu dinheiro para lavrar aquela "coisa", eu o denunciaria por esse cometimento. Mas, sem provas, nada declarei.
Só afirmo o que posso provar. Por isso nunca fui desmentido em toda a minha carreira profissional. É o meu maior patrimônio.
Eu disse que a sentença era ilegal porque ele já não tinha mais identidade física com o processo. Para suprir essa falha, fraudou a data da sentença, dando-a como do dia 17, quando era do dia 21, segundo dia de função no cargo da juíza titular, que ele substituíra por um único dia.
Provas da fraude: certidão do secretário do cartório, que tem fé pública, e atestado sobre as datas fornecido pelo departamento de informática do tribunal.
Em sua defesa, o juiz estabanado diz que decidiu dar a sentença para aproveitar a oportunidade que o meu "caso" lhe oferecia. Era uma ação de indenização por dano moral, proposta no ano 2000 por aquele que os órgãos do governo, de forma unânime, classificam como o maior grileiro do Brasil.
O empresário Cecílio do Rego Almeida (falecido em março de 2008, mas que permaneceu como autor da ação, sem sucessor habilitado, até o final de 2010, dois anos e meio depois) queria ficar com 4,7 milhões de hectares de terras, rios, florestas e tudo maior.
Ou 47 mil quilômetros quadrados, área 25 vezes maior do que a do município de São Paulo, onde vivem 11 milhões de pessoas. Equivalente a 8º do Pará, o segundo maior Estado da federação brasileira.
Há muito tempo o juiz tinha ideias supostamente próprias e originais sobre a liberdade de imprensa. Com aquele processo subitamente nas suas mãos, iria pôr em prática suas libações jurídicas.
Por isso sua espantosa declaração à Folha de S.Paulo de que me condenou sem ler o conteúdo daqueles autos, com 400 páginas de provas e argumentações. O juiz tinha interesse pessoal na causa, como confessou ao ser por mim interpelado perante a corregedoria de justiça, em 2006, ano da condenação.
Além de fraudar os autos com a sentença ilegal e adulterada, decidiu na ignorância do que havia naquelas 400 folhas. O processo foi estuprado duas vezes por aquele que devia ser o seu guardião. Foi sentença em vôo cego. A primeira confessada de público. Antes, delas só se sabia por murmúrios.
Mas se o juiz já tinha sua tese revolucionária sobre a liberdade de imprensa na ponta da língua, por que não pediu o processo na quinta-feira? Por que só o fez no dia seguinte, o último da sua interinidade na 4ª vara, depois das 10 da manhã de uma sexta-feira, o consagrado dia nacional da cerveja (que ele bebe e posta foto bebendo) no Brasil?
E por que, deixando a iniciativa para a undécima hora, não a executou antes das 20 horas daquela sexta-feira, 17 de junho de 2006, quando terminava o expediente forense?
Se respeitasse o horário, mesmo sentenciando de forma controversa, teria agido dentro da lei. Ora, a lei, diria o juiz. Ela, ao perdedor, parafraseando por inversão o velho Machado de Assis.
Ou a inspiração veio de forma súbita? Quem sabe, durante uma partida de tênis jogada na véspera do dia derradeiro da interinidade, quando o juiz testou sua maestria com a raquete se defrontando com outro bom jogador, também advogado e igualmente interessado na causa, numa das quadras da Assembléia Paraense, o clube aristocrático de Belém?
Dá para pensar nisso. Pode ter sido por um ato falho que o juiz me desafiou a medirmos forças numa partida de tênis, ao invés de me aplicar sopapos. Aplaudiu os sopapos que o advogado (e dono do grupo Liberal de comunicações, afiliado à Rede Globo de Televisão) Ronaldo Maiorana me desferiu, com a cobertura de dois Policiais Militares, transformados em seus seguranças particulares.
Um juiz de direito, árbitro das divergências pelo cumprimento da letra da lei, como tem que ser nos regimes democráticos, dos quais a justiça é a base principal, a favor da violência.
O juiz é megalomaníaco e mentiroso. Suas mensagens chocantes servem de advertência para os que querem evitar um controle externo do poder judiciário de verdade. Sem esse controle, novos juízes como Amílcar Guimarães vão aparecer. E se multiplicar como praga daninha.

quarta-feira, 14 de março de 2012

TV Brasil vai inaugurar serviços interativos com a população

Brasília - O acesso a serviços interativos por meio da televisão poderá se tornar uma política de governo, com o objetivo de promover a inclusão digital e social da população. A expectativa é que ainda neste semestre possam ser iniciados os primeiros testes para avaliar a aceitação da população do modelo de interatividade.

Dilma Rousseff
“A ideia geral é que a gente possa fazer uma prova de conceito, transmitir o sinal da TV Brasil, distribuir set top box [conversores] na casa das pessoas, principalmente de baixa renda, que estejam integradas a um dos programas do governo. Para fazer uma medição real se eles vão usar o serviço ou não, se realmente vão saber usar. Com essa medição, mostrar para as autoridades para que se possa fazer disso uma política tão importante de Estado como é o Programa Nacional de Banda Larga”, disse à Agência Brasil o superintendente de Suporte da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), André Barbosa.

A proposta está sendo formatada pela EBC e será levada em breve aos ministros das Comunicações, Paulo Bernardo, e Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, para depois passar pela avaliação da presidenta Dilma Rousseff.

A aposta de alguns setores do governo é a de que a intimidade da população com a televisão possa facilitar o uso dos serviços que serão oferecidos com a interatividade, como a marcação de consultas pelo Sistema Único de Saúde, o acesso a programas do governo, como o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, serviços previdenciários e serviços bancários. “Todos os programas do Estado estarão dentro da casa da pessoa, em um veículo que a maioria da população brasileira já tem familiaridade há mais de 50 anos. Isso é muito diferente do que introduzir uma tecnologia nova”, avalia o superintendente, comparando a TV com a internet.

Algumas dessas aplicações interativas já estão em desenvolvimento em empresas e centros de pesquisa, como o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações. Um dos novos serviços é o "IncluaSaúde", em que o telespectador poderá marcar consultas por meio do SUS em um posto de saúde para si mesmo e seus dependentes diretamente na TV. A programação interativa será transmitida inicialmente pela emissora governamental EBC, mas serão abertos e disponíveis nos demais canais.

Para receber o sinal de TV digital em um televisor comum, é preciso de um conversor, chamado de set top box. Para facilitar o acesso a esses aparelhos, estão sendo estudadas formas de financiamento ou até mesmo uma fidelização, como ao abrir uma conta para receber os recursos do Bolsa Família nos bancos públicos, a pessoa receberia um conversor interativo.

A incompetência tucana é como o Holocausto: não se pode esquecer, para não se repetir!

Seleção Googhe: 101º Ano do nascimento de Akira Yoshizawa, mestre do Origâmi

Akira Yoshizawa é hoje recordado com um google doodle, que assinala o 101.º aniversário do mestre do origâmi. Nasceu a 14 de março de 1911 e morreu em 2005, no dia do seu aniversário. Akira Yoshizawa destacou-se na arte de dobrar papel e tem uma história de vida notável.
Akira Yoshizawa é hoje lembrado com um doodle: a palavra ‘google’ formada com papéis dobrados, o que representa a arte em que este japonês se destacou: a criação de figuras através da dobragem de papéis.
Nascido em 14 de março, no Japão, Akira Yoshizawa tornou-se mestre do origâmi, técnica de origem japonesa de dobrar papel, para lhe dar forma de animais, flores ou outros objetos. Esta paixão surgiu na sua infância, que desenvolveu ao longo de anos.
Yoshizawa começou a trabalhar com 13 anos de idade, mas ocupava os seus tempos livres a dobrar papéis, dando-lhe formas, com uma originalidade única. Sete anos depois de começar a trabalhar, Akira Yoshizawa foi promovido e passou a dar formação de geometria (outra das suas grandes paixões) a outros funcionários.
A geometria foi ensinada com recurso a origâmis, forma exemplar de materializar problemas geométricos. Com 26 anos, em 1937, Akira Yoshizawa, hoje lembrado pela google com um doodle, abandonou a fábrica onde laborava para se dedicar a tempo inteiro à sua paixão. Começou a criar origâmis a tempo inteiro.
A pobreza extrema que enfrentava levou-o vender um condimento japonês (tsukudani) porta a porta. Continuou o processo de criação de origâmis, até que ganha alguma visibilidade, em 1944, com a publicação de trabalhos seus numa revista chamada ‘Origami Shuko’, de Isao Honda.
Há duas versões sobre o grande reconhecimento de Akira Yoshizawa: uma teoria defende que reside na publicação de criações numa revista, em 1951. Outra aponta que pôde finalmente dedicar-se de forma profissional à sua arte quando criou os signos do zodíaco, em 1954.
A primeira monografia de Akira Yoshizawa tem precisamente esta data. Nesse trabalho, Akira cria um método de dobragem de papel que se torna reconhecido como o melhor, por parte dos criadores de origâmis. E a capacidade de estabelecer padrões permitiu a Yoshizawa ganhar notoriedade e sair da pobreza.
O fundador do Centro Internacional de Origâmi, em Tóquio, acompanhou de perto o trabalho de Akira Yoshizawa. Um ano depois, em 1955, consegue a sua primeira exposição internacional, organizada por um arquiteto holandês colecionador de arte. Os trabalhos de Akira serviram de modelo para exposições em todo o mundo.
Akira Yoshizawa recusou-se sempre a vender os seus origâmis, preferindo usá-los como presentes para amigos, ou instituições que muitas vezes os requisitavam para exposições.
Estima-se que Akira tenha criado, ao longo da sua vida, mais de 50 mil modelos de origamis, sendo que algumas centenas foram publicados em 18 livros. Yoshizawa foi embaixador cultural do Japão e recebeu, em 1983, das mãos do imperador Hirohito, uma das maiores distinções entregue a um japonês: a Ordem do Sol Nascente...
Yoshizawa recebe hoje uma homenagem na Google, com um doodle, sete anos após a sua morte, que ocorreu a 14 de março, dia em que comemorava o 94.º aniversário.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Será Putin tão "mau" assim?

Ele liderou a retomada econômica do país e fez os cidadãos voltarem a ter orgulho de serem russos
Por Luiz Carlos Bresser-Pereira (artigo publicado origfinalmente na Folha de São Paulo)

 
O Ocidente tem uma opinião sobre quais são os bons e os maus governantes nos países em desenvolvimento. São "bons" os dirigentes que abrem as portas de seus países para suas empresas multinacionais, para suas exportações e para as operações de suas instituições financeiras. São "maus" os que são nacionalistas e pensam em termos do interesse nacional de seus países; que buscam construir ou consolidar sua nação e garantir seu desenvolvimento industrial.
Vladimir Putin, que acaba de ser eleito presidente da Rússia com enorme maioria, está entre os maus. Não se chega a dizer que é um "ditador" -adjetivo de eleição para os governantes nacionalistas, mas geralmente esquecido quando se trata de um ditador "aliado"-, mas é qualificado de autoritário, de corrupto e de perseguidor de empresários por definição. Será o líder russo tão "mau" assim?
De tanto o Ocidente repetir suas críticas, elas parecem verdadeiras. E certamente há algo de verdade nelas. Mas é preciso considerar os resultados alcançados, o que podemos fazer, primeiro, comparando os oito anos do governo que o antecedeu -de Boris Ieltsin- com os primeiros oito anos do seu governo. E, em seguida, comparar os dois períodos com o Brasil. O crescimento do PIB nesses quatro períodos está no quadro ao lado.
Nos anos 90, Boris Ieltsin era um dos "heróis reformistas" do Ocidente. O único outro governante que com ele podia ser comparado era Carlos Menem, na Argentina, embora fosse sabidamente corrupto e estivesse frequentemente alcoolizado. Durante seu governo, o PIB da Rússia, naquela época inteiramente subserviente ao Ocidente, caiu 24,8%. Foi um desastre nacional.
Nesses anos, o número de suicídios no país aumentou exponencialmente. Já nos oito anos seguintes, sob Putin, o PIB cresceu 83%, e os padrões de vida melhoraram.
Não é difícil, portanto, compreender por que o povo russo tem lhe dado um apoio tão forte. Ele não só liderou a retomada do desenvolvimento econômico; também fez os russos voltarem a se orgulhar de serem russos. E isso não é pouco.
Mas não era de se esperar para a Rússia esse crescimento extraordinário? Se fosse, seria também de se esperar para o Brasil. Afinal, os dois países são Brics. Entretanto, enquanto entre 2000 e 2008 o PIB brasileiro cresceu 38,8%, o russo cresceu mais que o dobro. Parte do crescimento russo foi para recuperar a perda. Deixemos dois anos de lado e comparemos o período de 2002 a 2010. O resultado é ainda favorável aos russos: 36,6% para o Brasil contra 44,8% para a Rússia, não obstante esta tenha sido atingida mais duramente pela crise de 2008.
Logo, considerando-se os dados apresentados, fica difícil considerar Vladimir Putin "mau", e o povo russo, incompetente por elegê-lo. Não poderíamos, então, recorrer ao critério ético? Esse não é o critério do Ocidente, mas pode ser o nosso.
Mas é preciso considerar que os grandes políticos raramente são santos. São sempre ambiciosos, implacáveis com seus adversários e nem sempre muito honestos, mas muitos combinam esses defeitos com competência e espírito público. Logo, se julgarmos os políticos apenas de acordo com critérios éticos, teremos que rejeitar muitos que sempre consideramos estadistas.
Ao avaliarmos os governantes, é mais razoável ver aquilo que eles realmente fazem por seus países.

Buraco Negro: até onde vai a ganância

sábado, 10 de março de 2012

Parece interessante

Se for verdade, é uma boa causa. Apesar do triunfalismo tolo e tosco norte-americano.
 

quinta-feira, 8 de março de 2012

Seleção Google - Dia Internacional da Mulher - 2012


A Mulher dos quatro "Ls". Homenagem às Mulheres todas, em seu Dia Internacional


O Semeador, de Vincent Van Gogh,
no ano da Abolição da escravatura no Brasil
Se não chove ou não faz muito frio, ela aparece quase todos os dias próximo ao cruzamento das ruas Brigadeiro Franco com Vicente Machado, no centro de Curitiba. Perto das 18 horas estaciona ali um carrinho desses de se transportar papel e trabalha duro até umas 20 horas. Junto com ela, 2 crianças e uma pré-adolescente, que são seus filhos e sobrinho. Em casa ficou o filho mais velho, de 14 anos, tomando conta do irmão menor, de 5, e de um bebê que a mãe não pode criar e ela assumiu. O marido, a essa hora, já saiu para trabalhar como vigia em uma indústria, onde ganha R$ 700. Ela soma a essa renda mais uns R$ 100 por semana, no máximo, com a venda do papel e material para reciclagem que cata nas ruas, mas principalmente no encontro da Brigadeiro com a Vicente. À renda deles se somam ainda os R$ 126 do Bolsa Família, e é só. Ao todo são oito pessoas que sobrevivem do trabalho do casal.

A casa onde moram é um barraco melhorado em um trecho da Rua Eugênio Parolin. Melhorado porque o casal começou a levantar paredes de alvenaria e fazer quartos, mas não pode concluir porque foi denunciado à Cohab. Resultado: teve que assinar um documento se obrigando a não fazer mais nenhuma alteração, sob pena de ter que abandonar o local. Por conta disso os “quartos” são separados por panos estendidos que isolam o espaço em que dormem o casal e a neném da outra “peça” onde ficam as crianças e os dois pré-adolescentes. Ali tem cama, tem armário, tem TV e outros bens adquiridos nas Casas Bahia com um carnê que ela paga religiosamente. Não se sabe se a casa tem banheiro, mas as crianças estão sempre asseadas, dentes escovados, roupa limpa. Demonstrações do zelo da mãe.

Luana e seus garotos: exemplo de cidadania
A mulher dos 4 L’s se chama Luana Lenita Linhares de Lima – o último “L” ela ganhou do marido. A filha pré-adolescente também ganhou nome com L, chama-se Lesslie. O marido é Silvio e os meninos são Leandro, Leonardo, Lucas e Matheus  - este, o único que foge à regra dos nomes começados com a letra L, é o sobrinho. A bebezinha chama-se Rhaiana e é um caso à parte. Nasceu com sérios problemas em decorrência do vício do crack da mãe. Abandonada, acabou sendo acolhida pela família de Luana. Tem quase 2 anos, mas o desenvolvimento de um bebê de dias de vida. Não fica em pé, se alimenta com mamadeira, não controla as necessidades fisiológicas, precisa fazer fisioterapia. Quando pegou a recém-nascida abandonada, o casal foi entregá-la ao Conselho Tutelar do Parolin, na intenção de que alguma família desse a ela o que precisava. A funcionária os convenceu a ficar com a guarda do bebê com o argumento de que o que ela precisava era de amor, e isso os dois tinham para dar.

Para se adequar à tarefa adicional a família criou uma rotina. Começa às 6 horas da manhã, quando Luana prepara as crianças e as leva à escola – dois em colégios da Prefeitura, outros dois em estabelecimento estadual. À tarde o filho mais velho freqüenta o contraturno em uma instituição religiosa, onde realiza alguns cursos que o preparam para o Programa Menor Aprendiz. Em casa ficam dormindo a neném e o filho caçula. Logo o marido chega do trabalho para dormir também. Até às 14 horas Luana faz as tarefas da casa, cuida da bebê e de Lucas, prepara o almoço e busca as crianças na escola. Então o marido acorda e assume a casa, em especial as atenções a bebê. Luana parte então para a atividade de carrinheira, na companhia de 2 filhos e do sobrinho.

O menino mais velho, de 14 anos, mesmo quando não tem o contraturno fica em casa com o pai, “porque sente vergonha” da profissão da mãe. Isso não é problema para ela, porque pressente que a conseqüência seria ele abandonar a escola para evitar a discriminação dos colegas. Não se pode condenar o menino por isto. E ela reconhece que a chance do filho está justamente na escola; fora dali, a outra oportunidade de ascensão econômica é no tráfico. Então que fique em casa ajudando o pai e fazendo as tarefas escolares. Uma demonstração de inteligência emocional impressionante. Quando cai a noite, o pai volta à atividade de vigia e então é o filho pré-adolescente que dá as atenções à pequena Rhaiana. Isso até Luana e as crianças voltarem com o carrinho carregado de papelão, garrafas PET e outros recicláveis.

Na esquina da Brigadeiro com a Vicente ela é bem conhecida de alguns moradores e de pessoas que freqüentam a área. Uma senhora para um instante e avisa que tem roupas usadas para trazer. Alguém estaciona um carro e entrega um velho patinete para os meninos. É uma festa. Outro reduz a velocidade e deixa algum trocado nas mãos das crianças em troca de um drops. Um casal pergunta se ela trouxe a lista de material escolar e de uniformes dos filhos. Ela não só trouxe como anotou no verso de cada lista o tamanho das roupas de cada um, o número do calçado, os respectivos valores e o endereço do fornecedor mais em conta. O nome dela também é eficiência.

Luana Lenita Linhares de Lima é a cara da nova classe D que ascendeu com o governo Lula. Mas não é isto que a faz especial, nem tão rara. A pobreza de recursos em que vive desde que nasceu há 30 anos não impediu que ela formasse um espírito de cidadã pouco comum, inclusive nos estratos mais bem aquinhoados da sociedade. Do pouco que ganha, a carrinheira Luana recolhe para a Previdência como contribuinte individual para ter direito aos benefícios do seguro social. Ela conhece os deveres do Estado e os cobra, indiferente ao mau atendimento dos funcionários da Prefeitura. Não aprova nem se envolve com o poder paralelo que domina a favela onde a família vive, mas sabe que ali não é a lei do Estado ausente que vige, então se enquadra. Se alguém manifesta a intenção de ir a sua casa ela adverte que não é qualquer carro que pode entrar ali; veículos brancos são mal-vindos, porque pode ser polícia ou de outro órgão repressor. Quebrar as regras do poder paralelo pode representar a perda do barraco, e ela não pode correr esse risco. Fez inscrição na Cohab para comprar a casa própria, mas quer mesmo é a regularização da propriedade no Parolin, porque ali perto estão as escolas dos filhos, o emprego do marido, o posto de saúde que socorre a família, a rota que ela cumpre diariamente para recolher seus recicláveis.

De maneira surpreendente para alguém que a sociologia política qualificaria como lúmpen, Luana está bem informada sobre todos os programas sociais do governo federal e da Prefeitura de Curitiba. E sabe como se valer deles. Recebe o reforço do Bolsa Família, aprende rudimentos da Informática no Liceu do Ofício, faz fisioterapia na bebê na unidade de saúde, possui cartão para compras no Armazém da Família... E o que mais surpreende é que ela utiliza esses recursos para impulsionar sua vida e não para acomodação. Seu nome também é consciência cidadã.

Descobrir o que faz de Luana uma cidadã tão consciente é uma tarefa que deveria interessar os cientistas sociais. Uma população de “Luanas” transformaria o País, quem sabe, em uma geração. Como tantas mulheres iguais a ela, também veio do interior tentar a vida na cidade grande. Perdeu a mãe muito cedo, foi criada pelo pai, que formou nova família e então os filhos da primeira união se dispersaram. É fiel da Igreja do Evangelho Quadrangular e com alguma freqüência refere que ela, o marido e os filhos “louvam”. Afora isto não tem qualquer traço característico dos chamados “crentes”. Não manifesta preferências políticas de nenhuma ordem e se refere a presidente Dilma com a intimidade de uma vizinha (“agora é mais, porque a Dilma aumentou o salário ...”, observou, comentando o ganho do marido). Nos cuidados que demonstra com a família e ao deixar transparecer que possui uma escala de valores nobres Luana faz lembrar a história que se ouve falar de Dona Lindu, a mãe do ex-presidente Lula. Será que o novo grande líder político nacional é um dos meninos que a ajudam na catação dos papeis? Ou será Lesslie que vai conduzir os destinos do País daqui a pouco mais de duas décadas? Parece improvável, mas também parecia há 60 anos quando dona Lindu colocou seus meninos num pau-de-arara e partiu para São Paulo.

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segunda-feira, 5 de março de 2012

Professora forma campeões de Matemática

Com o mesmo salário a que teria direito em casa, Botelho continua a lecionar e tem cada vez mais premiados em Olimpíada de Matemática
Do Portal IG
Cinthia Rodrigues, enviada a Uberlândia | 04/03/2012

Desde que as Olimpíadas Brasileiras de Matemática para Escolas Públicas (Obmep) começaram, em 2005, a organização divulga quais são os professores com mais alunos premiados em todo o Brasil. A cada ano são cerca de 130 nomes. Quando a lista de 2011 foi divulgada, o iG procurou os listados em todas as sete edições e chegou a apenas três heptacampeões. Entre eles, uma professora que poderia estar aposentada, recebendo o mesmo salário em casa, mas todo ano assume novas classes - e nelas surgem campeões da competição.

Maria Botelho Alves Pena, 51 anos, é professora da rede pública há 31 anos, os últimos 20 deles em Uberlândia, Minas Gerais. À façanha dela só se igualam Antonio Cardoso do Amaral, da pequena Cocal dos Alves, já conhecida por ser um fenômeno na Obmep, e José Luiz dos Santos, do Colégio Militar de Salvador.
“

Cada vez que a gente forma um medalhista, ele vai embora. Vão para a faculdade, às vezes para o exterior... Vão construir nosso futuro"

Mesmo neste seletíssimo grupo, uma desvantagem destaca a professora em relação aos demais hepta. Amaral acompanha os mesmos alunos do 6º ano ao ensino médio. Neste percurso, às vezes, um aluno é premiado várias vezes enquanto avança nos estudos e antes de se formar. José Luiz também tem o privilégio de trabalhar em uma instituição federal com alunos selecionados e recursos financeiros acima da média. A professora mineira atua em uma escola comum, a Messias Pedreiro, e com alunos dos últimos anos do ensino médio.

“Cada vez que a gente forma um medalhista, ele vai embora”, diz ela com um sorriso largo. “Vão para a faculdade, às vezes até para o exterior... Vão construir o nosso futuro”, explica orgulhosa.

Nas duas primeiras edições das olimpíadas ela trabalhava apenas com turmas de 3º ano. Em 2005, a escola teve 17 menções honrosas e um ouro. A medalha e a 14 menções vieram para alunos da Botelho, como é chamada por colegas e estudantes. Em 2006, foram 28 menções, um ouro e uma prata. De novo, medalhas e a maior parte dos premiados estudaram com ela.

“Começaram a dizer que só dava para ganhar no terceiro ano, então eu peguei turma do segundo (ano do ensino médio) também”, conta. Logo, os premiados começaram a vir também desde o segundo ano. Agora, ela inscreve a escola inteira, alunos dela ou não, de todos os anos. “Alguém não quer participar?”, perguntou em uma sala de primeiro ano, na quinta-feira, após contar a história de sucesso da escola. Ninguém levantou a mão.

O que ela faz de diferente?

Perguntados sobre o que explicaria o desempenho da professora, seus alunos levantam hipóteses. “Ela adora o que faz, não para um segundo, está sempre cheia de livros e caixas. É até engraçado com aquele tamanho dela”, diz Steffn Borg, um dos premiados em 2009, se referindo ao 1,54 metro de altura da mestre.

Bruno Miranda de Sá, premiado com prata em 2010 e 2011, acha que é o incentivo a pesquisa. “Eu não sei se ela sabe mais que os outros professores, apesar dela saber muito, mas ela instiga a gente a se aprofundar. Traz sempre um exercício mais complicado para quem quiser evoluir no assunto”, diz.

O incentivo funciona. Cartões da biblioteca de ex-alunos mostram que a maioria dos livros emprestados são de matemática incluindo títulos como “Ensaios fundamentais”, “O romance das equações algébricas”, “A arte de resolver problemas” e “O último teorema de Fermat”. Alunos se reúnem fora do tempo de aula e até aos sábados para fazer exercícios extras.

Patrick Nunes Leite, de 16 anos, menção honrosa em 2011 e que agora está no último ano do ensino médio, acha que a professora se diferencia por dar importância a cada exercício ou dúvida. “Lembra aquela questão do Ita (Instituto de Tecnológico de Aeronáutica)?”, provoca.

Botelho conta a história: “Ele me aparece com questão de vestibular faltando cinco minutos para acabar a aula. Geralmente, quando são da UFU (Universidade Federal de Uberlândia), eu nem ligo, porque conheço todas, mas era do Ita (Instituto Tecnológico da Aeronáutica). Eu ia dizendo ‘ai’ quando o sinal tocou. No final, consegui achar o problema logo e mandei a resposta para ele”, diz ela e o aluno completa: “Ela colocou no meu facebook em minutos, sendo que era algo totalmente fora da aula dela”, diz.

Motivação

Financeiramente, todo o trabalho de Botelho desde o ano passado é extra. Ela completou o tempo mínimo para aposentadoria, de 25 anos, em 2005. Na época, não podia se aposentar por não ter completado 50 anos de idade, o que ocorreu em 2010. "Eu tenho dois cargos de 24 horas cada. Me aposentei de um e outro mantenho para continuar lecionando. Por cada um, meu rendimento é exatamente o mesmo, R$ 1.500 cada", conta.

Basta uma visita à escola para entender que a motivação dela vai além do salário. Na última quinta-feira, ela, os colegas e a direção preparam uma festa para anunciar os 53 premiados de 2011 (1 medalha de prata, 5 bronzes e 47 menções honrosas). A maioria dos alunos, já está na Universidade Federal de Uberlândia, mas veio apenas para a celebração. "Aquele ali está fazendo engenharia, aquele também. Tem um que passou para engenharia, mas preferiu cursar matemática", vai apontando.

Raphael, menção honrosa e medalhista após ter sido reprovado antes de estudar com Botelho

Botelho também não sabe dizer o que faz de diferente. "É o feijão com arroz", chega a dizer. Para ela, o que forma os campeões é o mesmo que a mantém ali: o ambiente. "A turma vai pegando um gosto por estudar e vai procurando fazer mais, ir mais longe, isso afeta os demais", analisa.

Um exemplo que ela gosta de citar é o do ex-aluno Raphael Nunes Pacheco, que chegou a ser reprovado no segundo ano e era desinteressado pelos estudos. "Quando eu soube, peguei no pé dele. Um menino inteligente deste! Aí, falei para a turma: quero que vocês se encarreguem de acolhê-lo e puxá-lo para o grupo de vocês." Em 2010 ele recebeu uma menção honrosa e, em 2011, uma medalha de bronze.

"Você não pode gostar de nada que não entende", diz o ex-aluno que também voltou para a festa. "História e geografia ainda dá para você ir levando mais ou menos, mas a matemática precisa ser entendida inteira. O aluno só gosta depois que entende que um exercício complicado é útil e pode ser resolvido com fórmulas. Acho que essa beleza é que ela mostra para a gente."

Seleção Google: 125º Aniversário de nascimento de Heitor Villa-Lobos



Do site Memória Viva
 
Heitor Villa-Lobos nasceu a 5 de março de 1887, no Rio de Janeiro. Filho de Noêmia Villa-Lobos e Raul Villa-Lobos, funcionário da Biblioteca Nacional e músico amador. Recebeu sua primeira instrução musical aos seis anos, vinda do pai, que adaptou uma viola para que o filho pudesse estudar violoncelo.

Sua formação musical foi muito inflenciada pelas noites de sábado da casa dos Villa-Lobos que recebiam grandes nomes da época para cantar e tocar até de madrugada. Sua tia Fifinha lhe apresentou os Prelúdios e Fugas do Cravo bem temperado de J. S. Bach, compositor que lhe serviu como fonte de inspiração para a criação das nove Bachianas Brasileiras.

Seus biógrafos afirmam que ele estudou no Instituto Nacional de Música, mas o próprio Villa-Lobos disse que detestava tal escola. Autodidata, viajou pelo interior do Brasil pesquisando seu folclore e entrando em contato com uma música diferente da que estava acostumado a ouvir: modas caipiras, tocadores de viola e outros tipos que mais tarde viriam a universalizar-se através de suas obras.

Villa-Lobos passa a apresentar-se oficialmente como compositor a partir de 1915, com uma série de concertos no Rio de Janeiro. Foi duramente criticado pela imprensa pela “modernidade de sua música”. Em fevereiro de l922, participou da Semana de Arte Moderna apresentando, dentre outras obras, as Danças características africanas.

Começa a ganhar a Europa em l923. No seu retorno de Paris, no ano seguinte, Manuel Bandeira saudava-o da seguinte maneira: “Villa-Lobos acaba de chegar de Paris. Quem chega de Paris espera-se que chegue cheio de Paris. Entretanto, Villa-Lobos chegou cheio de Villa-Lobos”.

Retorna à Paris em l927, para organizar concertos e publicar várias obras. No segundo semestre de 1930, volta provisoriamente ao Brasil para a realização de um concerto em São Paulo. Apresenta um revolucionário plano de Educação Musical à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e, com a aprovação do mesmo, acaba mudando-se definitivamente para o Brasil.

Após dois anos de trabalho em São Paulo, Villa-Lobos foi convidado pelo Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro - Anísio Teixeira - para organizar e dirigir a Superintendência de Educação Musical e Artística (Sema), que introduzia o ensino da Música e o Canto Coral nas escolas. Apoiado pelo então Presidente da República, Getúlio Vargas, organizou Concentrações Orfeônicas, chegando a reunir, sob sua regência, até 40 mil escolares. Em 1942, criou o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico.

Convencido pelo Maestro Leopold Stokowski, seu amigo desde Paris, aceitou, em 1944, o convite do Maestro norte-americano Werner Janssen para uma turnê pelos EUA, para onde voltou várias vezes.

Heitor Villa-Lobos morreu de câncer em 17 de novembro de 1959, no Rio de Janeiro.