terça-feira, 29 de agosto de 2017

A parte podre do MP expõe - ora, ora! - a sua parte podre!

PARA PROCURADORES, “CARTEIRA ASSINADA” DIZ QUEM É JORNALISTA

Jerusa Burmann Viecilli e Athayde Ribeiro Costa: procuradores
Jerusa Burmann Viecilli e Athayde Ribeiro Costa: procuradores
Os procuradores da República Jerusa Burmann Viecilli e Athayde Ribeiro Costa, da “Lava Jato”, em Curitiba, perderam a chance de reconhecer o óbvio, no despacho que deram dia 23, quarta-feira. Nele desconheceram que o jornalista curitibano Francisco José de Abreu Duarte estava exercendo atividade jornalística ao passar informações para o blogueiro Cairo Guimarães, de São Paulo, em episódio sobre a condução coercitiva de Lula ocorrida em 2016.
O começo dessa história virou mais uma das tantas pantomimas com que certa mídia – exemplo típico é o Jornal Nacional – costuma estigmatizar meros citados em operações do MPF ou Polícia Federal.
Dessa forma, a mídia só amplia um cortejo acrítico apriorístico, que manda à danação indiscriminada, homens e mulheres, muitos deles meridianamente cidadãos de bem.

A ESCOLHA DE FRANCISCO

Este é o caso de Francisco José de Abreu Duarte, jornalista de alto padrão, com história de vida, o que significa muito mais do que ser dono de bom currículo.
Francisco, esclareça-se, no entanto, tem currículo de qualidade e história de vida exemplar.
O pecado de Francisco seria o de ser um homem à “gauche”, numa sociedade hipnotizada por uma direita barata, antidemocrática e anticristã? Pode ser.

TENHO AUTORIDADE

Francisco José de Abreu Duarte, jornalista profissional universitário
Francisco José de Abreu Duarte, jornalista profissional universitário
Eu tenho autoridade para esse tipo de indagação: sou notoriamente alguém de centro-direita. Tenho história, ao mesmo tempo, de homem libertário.
Sou doentiamente contra a prepotência, especialmente a do Estado, como a encarnada hoje por parte do MPF e PF, mentalidade arbitrária que não vi nem mesmo no chamado período ditatorial inaugurado em 1964.

TEM HISTÓRIA

Francisco é profissional que, desde que se formou na PUCPR, em 1980, até hoje, nunca deixou de exercer a profissão escolhida. Uma profissão sem o “brilho” e a capacidade de mesmerizar o país que têm os nossos “intocáveis” do MPF. Ele pratica uma profissão destituída de penduricalhos salariais (auxílio moradia, auxílio creche…) e altas remunerações como o que conta o MPF, nem tem a blindagem dessas “otôridades”.

ESPAÇO DE PURGAÇÃO

Não fujo do tema: o “sheol”, aquele espaço de purgação bíblica, é o caminho certo reservado indistintamente aos colhidos pela chamada Lava Jato.
Lamento por todos eles, e nisso até concordo com o “trêfego” (assim chamado por procuradores da República) ministro Gilmar Mendes: o Brasil de hoje sugere que nem o judiciário ficou imune à maviosidade do MPF e procuradores “conferencistas”, astros de novos shows, que buscam condenações a qualquer custo.

CONDENAR É PRECISO

Nisso, a condenação, eles contam com a “cumplicidade” de um povo de “anawins”, pobres absolutos, acríticos, a maioria da Nação, que, enfim, estaria diante de super-heróis… São seus heróis e vingadores de perdas nascidas em 1500 e perpetuadas até hoje.
Carlos Eduardo Cairo Guimarães, blogueiro
Carlos Eduardo Cairo Guimarães, blogueiro

IGNORÂNCIA AMPLA

Dizer que Francisco não estaria exercendo a profissão de jornalista, no episódio citado – e por isso não estaria coberto pelo direito constitucional de preservar suas fontes de informação – é injusto.
Para não dizer que assim revelam os procuradores desconhecer ampla e irredutivelmente os mecanismos que regem esta profissão da qual vivo desde 1960. Ininterruptamente, até agora.
Basta ler com atenção o que eles “sacramentam” na petição ao Juiz da 23 Vara Federal de Curitiba sobre Francisco José de Abreu Duarte: dizem que o cidadão não estaria usando as suas prerrogativas profissionais porque “seu último registro em Carteira do Trabalho data de 2015″!

FALTA CARTEIRA ASSINADA…

Pode? Tal barbaridade é pecado sem perdão.
Então, o profissional jornalista tem sua vida, seu ideal, sua missão, seus direitos constitucionais assegurados só se tiver Carteira assinada?
Está perdido, daqui para frente, com as mudanças da CLT?
A barbaridade da “Carteira assinada” desconhece os trabalhos de “free lancers” jornalistas que hoje fazem a maioria dos meios de comunicação no país e no mundo. Desconhece também que os mais importantes espaços de jornais e revistas são cobertos por meros colaboradores, alguns assinando pelo trabalho, outros não.

ATÉ UM PROCURADOR ME AJUDA

Francisco sempre foi colaborador deste espaço, assim como o ajudei nos primeiros passos da profissão em 1980, depois de ter sido meu aluno na PUCPR, e de ter trabalhado comigo em 3 jornais de Curitiba.
Sempre acatei a colaboração de Francisco, como faço com outros colaboradores (um deles, membro do MPF, outro, um juiz federal, é verdade), sem registrar seus nomes. Valho-me do meu direito constitucional, como Francisco o faz, negando-se a citar suas fontes.

VOCÊ SABE LER A NOTÍCIA?

No caso de Francisco, sua colaboração a esta coluna foi preciosíssima: ele atuou por dezenas de anos numa empresa produtora de notícias para a imprensa e análise de um vasto material diário registrado pelos meios de comunicação social do País. É um jornalista que sabe fazer a exegese, digamos assim, do fato noticiado. Tarefa hoje em dia pouco valorizada.

TRABALHO MENOR

Mas os procuradores tratam o trabalho de análise da notícias e opiniões que Francisco lá exercia como um ‘trabalho menor’.
Digo o contrário: esse trabalho é dos mais exigentes, a partir dos Cursos de Comunicação, senhores procuradores.

BLOGUEIRO PODE

Por último, mas não menos importante: os procuradores tratam o blogueiro do episódio – Claro Eduardo Cairo Guimarães – como jornalista. Não sei se ele é jornalista.
Trata-se de título que, a bem da verdade, não pode caber a qualquer blogueiro. Isso seria assunto para outro dia.

“PLEONEXIA” CONDENATÓRIA

Francisco, sim, é jornalista.
Mas não para o MPF da Lava Jato de Curitiba, nas pessoas dos doutores Jerusa e Athayde, que assumem à plenitude aquilo que os gregos qualificavam de ‘pleonexia’, a avidez, que toma muitas e enormes formas.
No caso do MPF da Lava Jato, temos ‘pleonexia’ condenatória, que parece exercer poder catártico a demandar análise de esferas diversas.
Talvez até de universos psicológicos; no mínimo, de uma atmosfera jungiana.

Coragem e honradez, atributos do Jornalismo que não dobra a coluna

QUER MOLEZA, PROCURADOR? “SENTA NA GELATINA”

Francisco José de Abreu Duarte; Gilmar Mendes: monocrático; o “Garganta Pronfunda”, de Watergate; Carlinhos Cachoeira: resposta de Veja
Francisco José de Abreu Duarte; Gilmar Mendes: monocrático; o “Garganta Pronfunda”, de Watergate; Carlinhos Cachoeira: resposta de Veja
Não é a primeira vez que o Ministério Público Federal desconhece a profissão do jornalista e o exercício do jornalismo.
Não é a primeira vez, não será a última. Esta coluna destacou, na sexta-feira passada (25), o procedimento equivocado dos procuradores da Lava-Jato, Jerusa Burmann Viecilli e Athayde Ribeiro Costa, ao não enxergarem atividade de imprensa na ação do jornalista Francisco José de Abreu Duarte, que antecipou a um blogueiro paulista a informação do mandado de condução coercitiva de Lula.

POTE DE OURO

A alegação seria cômica, não fosse trágica. Duarte, à época, não trabalhava com carteira assinada. Sim, esse é o argumento dos procuradores que certamente, vivem, numa redoma de vidro, onde se servem do mel nas torneiras, da água cristalina da fonte e do pote de ouro no fim do arco-íris.
Não é de hoje que promotores e procuradores da Lava-Jato, estes que gozam de auxílio-moradia, auxílio-creche e que tais sem enxergar nisso nenhuma imoralidade – afinal a “pendura” está na isonomia – ultrapassam limites e ameaçam direitos fundamentais. A imoralidade dá lugar ao deboche. Como o de um juiz do Mato Grosso que recebeu R$ 500 mil num único mês: “Não tô nem aí”, disse. Não está mesmo.

SIGILO DA FONTE

Os procuradores da Lava-Jato desconhecem a atividade jornalística no trabalho de Francisco José de Abreu Duarte ao vazar a informação porque querem que revele sua fonte. É outro postulado constitucional que a sociedade enxerga em pequena escala e do qual juízes, procuradores e litigantes se aproveitam.
Em democracias desenvolvidas, o sigilo da fonte está enraizado no conceito de imprensa livre. O exemplo mais famoso é o do “Garganta Profunda”. Sem ele, não viria à tona o esquema de espionagem na Casa Branca, urdido a partir do gabinete de Richard Nixon.

SEM EXCLUSIVIDADE

O sigilo, no entanto, não é uma exclusividade do jornalista. Estende-se após médicos na relação com o paciente. Estende-se ao padre na relação com o fiel, estende-se, ora ora, ao advogado na relação com o cliente.
Assim como ao psicólogo e seus pacientes. Romper o sigilo significa descumprir um preceito constitucional e, portanto, criar o ambiente ideal para o estado de exceção.
É o que os procuradores querem. Com a pecha equivocada de “super-heróis”, julgam-se aptos a derrubar qualquer obstáculo para conseguir seus objetivos. Aqui não, minha nega.

CARLINHOS CACHOEIRA

No rol de denúncias que cercou o bicheiro Carlinhos Cachoeira, em anos recentes, um procurador do Rio de Janeiro entrou com processo para obter o nome das fontes que “Veja” havia citado em reportagem, sob o compromisso do sigilo. A revista respondeu: “Quer moleza? Senta na gelatina”.
O desconhecimento ao que é, indubitavelmente, jornalismo praticado por Duarte poderia vir na mesma embalagem. Mas ele é um gentleman. Um profissional formado na PUC-PR que não goza das benesses do funcionalismo público e pauta seu trabalho na verdade dos fatos, não na aspiração carreirista.

COMPARÁVEL A UM COZINHEIRO

Que o ministro Gilmar Mendes, do STF, tenha decidido monocraticamente, que a profissão de jornalista não deve exigir diploma – porque “comparável a de um cozinheiro” – só traduz o desprezo e o rancor que as instituições nutrem pela imprensa. Nada mais natural.
Há toda uma argumentação, antecipada com mais minúcias e em primeira mão na coluna de sexta-feira (25), que nos faz crer que o Ministério Público Federal, ou alguns de seus personagens, julga-se agora pronto a promover uma caça às bruxas, arrogando-se a condição de inquisidor.

APENAS JORNALISTA

Repito: a despeito do MPF, Francisco só foi jornalista, a vida toda. E jornalista profissional de uma rara estirpe de homens de imprensa.
E continua a sê-lo, tanto quanto analisa fatos jornalísticos (na assessoria em que trabalha), a qualidade e o nível de aproveitamento das notícias e opiniões, quanto quando exerce o papel de colaborador. Tal como faz com esta coluna/blog há anos.
Formado em Direito, com especial destaque, Francisco nunca deixou o jornalismo em segundo plano. Aliás, não exerceu a advocacia. Ficou apenas com o Jornalismo.

LÍDERES MESSIÂNICOS

Há de fato membros do MPF dispostos a incorporar os líderes messiânicos dos primórdios do cristianismo, que em tudo enxergavam o pecado e em todos os pecadores. O que querem agora, com as exceções de praxe, é liderar a turba contra os ímpios. Isso é perigoso. Muito perigoso.