São levantadas algumas questões importantes, mas meramente
como constatação, não como diagnóstico. Sem diagnóstico correto, não se combate
a doença, certo?
Sem pretensões, relaciono alguns pontos a meu ver
importantes:
1) Questão
tributária – os governos Lula e Dilma não avançaram na criação de impostos
sobre a renda para compensar a redução da carga sobre o consumo não apenas por
culpa da oposição atrasada, de direita etc, mas por culpa especialmente das
bancadas petistas. Estas repetem as mesmas práticas de DEMO, PSDB, PPS etc ao
se tornarem gigolôs de propostas populistas com intuito meramente de eleição e
re-eleição ad-infinitum. A base política petista da Dilma não está comprometida
com políticas de Estado, mas com questões paroquiais. Por isso a presidente não
consegue realizar reformas fundamentais, além de sofrer desgaste desnecessário
para vetar iniciativas cartoriais que deveriam ser barradas no espaço do
legislativo;
2) A
questão do BNDES usado como alavanca dos investimentos produtivos. O
capitalista brasileiro é fundamentalmente um medíocre e se o governo não
realizar os investimentos de peso, o Brasil vira um Paraguai. É notório que o
empresário brasileiro não chegou sequer ao estágio do Fordismo, porque foi
preciso um retirante nordestino para ensinar à Fiesp aquilo que Henry Ford
intuiu na década de 30: que o sonho de todo norte-americano era possuir um
veículo automotivo. A questão é fundamentalmente cultural, e ela ainda está
localizada naquilo que o presidente Geisel apontava como exemplo do atraso
tecnológico do Brasil: enquanto a Inglaterra implantava siderúrgicas e dava um
salto de qualidade na metalurgia, o acomodado capitalista brasileiro vivia da
exploração de aluguel! Que capitalismo é este que até hoje não conseguiu
produzir um veículo nacional?! (até a Coréia tem a sua indústria automotiva)
Que capitalismo é este que não consegue produzir etanol a preços que não sejam
extorsivos? Que capitalismo é este incapaz de criar uma bandeira nacional de
cartão de débito e crédito, tendo à mão um mercado consumidor espetacular? Foi
preciso o presidente Lula determinar à Caixa e ao BB a criação da bandeira Elo!
Como explicar que o Itaú, que se orgulha de operar quase no “estado da arte”,
não viu essa oportunidade, ou viu mas optou pela acomodação de pagar royalties
e lucros às bandeiras internacionais? É exatamente esse atraso cultural o
responsável pelo Governo se transformar em investidor em vez de exercer o papel
correto de indutor dos investimentos. O preço que o Governo paga para não
deixar o País andar de ré é justamente o surgimento de setores controlados por
cartéis, com seus serviços de péssima qualidade e seus preços extorsivos, como
citado no artigo (telefonia, aviação, produção de etanol etc). Nossa elite
industrial continua tão tosca quanto no Século XVIII e essa situação não será revertida enquanto não surgir uma
nova geração de capitalistas empreendedores
3) A
questão dos salários (EM BREVE)