quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Memórias da vida em uma república (I)



Francisco Duarte

Em 1977 eu era apenas um rapaz latinoamericano, sem dinheiro no banco e sem parentes importantes. Só não vinha do interior, já vivia em Curitiba e dividia uma espécie de república com meus irmãos Fernando Wagner, João Luiz (o Joca) e Maria Lucia, mais o lendário amigo Aldo Theis.

O Wagner era nosso contato com o mundo "in", aquele que vê a vida emoldurada numa página de Caras. E o Aldo era uma espécie de guru da turma, cheio de histórias e sacanagens pra contar. Ambientado no Posto 6 de Copacabana, poeta premiado em Buenos Aires, teatrólogo, ele encantava as curitibanas bem-nascidas que vinham na cola do Wagner.

Uma dessas personagens vip, que não recordo o nome, se deslumbrava facilmente com qualquer modismo. O Aldo aproveitou. Um dia, no meio de um conversa banal, ele solta essa:

- A última moda na Europa é praticar o fellatio. Mas - advertiu - só com autorização médica!

Aquilo ficou na cabeça da moça, que na primeira oportunidade inquiriu seu médico de família:

- Doutor, será que estou apta a praticar o  fellatio?

Dias depois ela reaparece em nossa república disposta a comer o fígado do Aldo:

- Seu filho da mãe, por sua causa fiz papel de idiota com o médico que me conhece desde criança!

O episódio nos rendeu uns 2 anos de gargalhadas. E ainda rende uns bons momentos, quando um de nós reconta o caso. Por conta do Wagner a história ganhou um outro final, bem mais interessante que a descompostura que o Aldo levou. E como a versão é quase sempre melhor do que o fato, lá vai ela pro mundo:

Refeito da surpresa, o tal doutor não se fez de rogado:

- Claro que pode praticar o fellatio; (e abrindo o avental) aliás, pode começar agora mesmo!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A "Boris Casoy" portuguesa pegou o dela!

Apresentadores de telejornais que manipulam fatos e opiniões. Que ouvem sempre as mesmas fontes para repetir as rematadas asneiras de encomenda. Que ignoram solenemente o código de ética profissional e fazem da profissão um puxassaquismo explícito de notórios políticos, empresários e celebridades, sempre tratados com mesuras e reverência.

Não, não estamos falando do casal Bonner, Mirian Leitão,  Alexandre Garcia, William Waack, Boris Casoy, Jô Soares, Lucia Hipólito, Augusto Nunes, Arnaldo Jabor e outros menos notórios. Tudo se aplica a eles também, mas a espinafrada quem levou foi a songo-monga apresentadora do Jornal Nacional de Portugal, uma espécie de Bóris Casoy lusitana. Maior barraco! Muito bom de ver/ouvir.



terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Missa de 30º Dia por Fernando Wagner


Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará (Evangelho de São João)


Nesta terça-feira, 29, nosso amigo padre João Rocha celebrou missa pelo 30º dia de falecimento de nosso irmão Fernando Wagner. O tema da Homilia foi "As três casas". Resumindo a fala do pe. João, a primeira morada durou o período de gestação. Para conhecer o sorriso de dona Ecéa, Fernando, a contragosto, precisou deixar o conforto do ventre materno. A segunda casa foi o mundo, onde Fernando viveu 57 anos e cativou amigos definitivos. Em 3 de dezembro último, resistindo até seus últimos esforços, Fernando viu-se na contingência de deixar a segunda casa. Era sua hora; o Pai Eterno desejava mostrar-lhe seu rosto. Novamente a contragosto  Fernando partiu para a terceira e definitiva casa, a morada de Deus. A mensagem do amigo João Rocha nos coloca diante dos mistérios insondáveis da existência e oferece o conforto de aceitar que nosso irmão apenas encetou uma nova jornada, a mesma que nos aguarda a todos.

Assuma o controle da sua TV

Ao contrário do que os marqueteiros da Ambev crêem, propaganda de cerveja pode e deve ser inteligente. Eis a prova!



segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Duartinha engraçadinha


Véspera de Natal, envio e-mail a Mayara, minha alemãzinha, pedindo que escolha um presente no site Amazon.com. A garota me responde em verso:

Se você quer me mandar um presente
Tenha em mente:
É só um sapatinho e a mulher fica contente!

Nostalgia: propagandas do tempo dos nossos pais!


Veja mais fotos como esta em Portal Luis Nassif

domingo, 20 de dezembro de 2009

Deus existe!

Pra moçada que não conhece Elza Soares! Benza Deus! A mulata canta uma obra-prima do samba do morro, chamada Malandro. A composição é do tempo em que malandro era um tipo carioca bastante querido, um boa vida ingênuo. Tão ingênuo a ponto de Jorge Ben cantar "se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem" (Caramba, Galileu).




Elza Fada

sábado, 19 de dezembro de 2009

É de dentro do peito que a nave sai

Pitty super sexy cantando com Zé Ramalho, letra de Chico César. O ex-RPM Paulo Ricardo na guitarra, com Robertinho do Recife. E o Legionário Marcelo Bonfá na bateria. Ótimo sábado pra todo mundo.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

CloacaNews exige que a Folha se dê o respeito


O excelente Blog CloacaNews notificou a Folha de São Paulo, exigindo que se abstenha de usar o título de jornal, uma vez que se trata de um panfleto de 5ª categoria, assim como deixe de usar o slogan "a serviço do Brasil", já que a Folha está, na verdade, a serviço dos panetoneiros Demos/Tucanos. Segue a notificação encaminhada à Folha:


Ao Otávio Frias Filho
Diretor de Redação da Folha de S.Paulo
Alameda Barão de Limeira, 425 - Campos Elíseos
São Paulo, SP



Na qualidade de procuradores do blog Cloaca News (http://cloacanews.blogspot.com) servimo-nos da presente para - sem prejuízo de quaisquer outras providências que possam ser levadas a efeito - notificá-lo a respeito do que segue:

- sua gazeta, em passado recentíssimo, publicou uma falsa "ficha do Dops" da Ministra Dilma Rousseff;
- publicou artigo de um psicopata acusando o Presidente Lula de assassinato;
- classificou de "ditabranda" o sanguinário e abjeto regime de exceção vivido no país entre 1964 e 1985;
- sua gazeta tem ocultado da população absolutamente todas as falcatruas dos governos demotucanos, notadamente o de José Serra, em São Paulo;
- sua execrável gazeta publicou, sem qualquer tipo de averiguação, um indecente e ignominioso artigo acusando o atual Presidente da República de ter praticado estupro.

Os casos supracitados são apenas alguns exemplos das imundícies estampadas diariamente pela sua Folha, à guisa de "jornalismo".

À face do exposto, estamos notificando-o para que se abstenha de chamar de "Jornalismo" essa porcalhada impressa com a logomarca Folha de S.Paulo. Outrossim, que se abstenha de utilizar o lema "Um jornal a serviço do Brasil" em seu frontispício, visto que, além de conspurcar o conceito de "jornal", sua gazeta tem demonstrado, amiúde, que está "a serviço" de grupos e interesses espúrios e inconfessáveis.

Alterum non laedere.

Sem mais,

Cloaca & Cloaca Associados

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Cancele o UOL e ganhe um panetone autografado pelo Arruda

"Classe Média" é uma homenagem de um cantor popular aos fiéis que freqüentam os cultos da revista Veja, dos jornais Folha de São Paulo e O Globo e do Jornal Nacional, entre outros, de outras seitas midiáticas.

Aleluia, irmãos! Vai passar a sacolinha!
Quem tem 100 reais pra dar à Bispa Miriam Leitão?
Quem vai dar cinqüentinha pro obreiro Boris Casoy?
Vintão pra Corrente Empresarial do Ali Kamel?
Quem vai doar 10 paus para os Bispos Willian Bonner e Fátima Bernardes?
1 realzinho pro obreiro Augusto Nunes, quem é que vai colocar na cestinha?

Participe da Fogueira Santa da Folha e cancele a assinatura do UOL para ganhar um panetone autografado pelo governador Arruda!

Vai começar o culto à personalidade do Zé Serra. Ergam as mãos ao alto e entõem com o Max Gonzaga, vencedor do Festival da TV Cultura de 2005 (é velhinha, mas verdadeira):

"Sou classe média, papagaio de todo telejornal ...
Eu acredito na imparcialidade da revista semanal ..."
   

sábado, 12 de dezembro de 2009

Marcelle, que amava Fernando Wagner

Homenagem de Marcelle Duarte ao seu pai e nosso irmão, Fernando Wagner. O texto que inspirou Marcelle é uma das mais belas passagens bíblicas, uma das Cartas de São Paulo aos Coríntios, na qual o apóstolo fala da supremacia do amor sobre as demais virtudes. Poesia em essência, que Renato Russo musicou, mesclando com o soneto de Camões (Amor é fogo que arde sem doer). Para quem não é legionário, esclareço: falo de Monte Castelo, do CD Quatro Estações.

Marcelle complementa: A música que faz fundo à leitura da Carta de São Paulo aos Coríntios é "Tocando em frente", do mato-grossense Almir Sater, interpretada por Oswaldo Montenegro. Após ela, uma canção que o Wagner pedia a Michelle para tocar no mp3, sempre que a Mi ia ao hospital cuidar dele. Chama-se "Blowing in the wind", composta e interpretada pelo Bob Dylan.

Para nós, a resposta segue soprando no vento. Wagner já a conhece.



sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Mulheres do Brasil, uni-vos!

Francisco Duarte

Depois do Lula, a Dilma. Uma mulher pela primeira vez no comando da Nação brasileira. E o melhor: bonita, inteligente e corajosa. Mineira com jeitão de gaúcha, que é pra dosar a afetividade generosa com a faca na bota.

Vocês vão ouvir dizer que era terrorista, que comandou assaltos a bancos e ao cofre do governador Ademar de Barros, o inspirador da frase "rouba mas faz". Que não é simpática, que mente. Vão insinuar até que é sapatão. E muitas outras besteiras inventadas por gente que não gosta de mulher.

Ou gente que até gosta, mas só reserva às mulheres papéis subalternos de primeira-dama, patronesse de obras sociais e chás beneficentes, no máximo a direção de alguma ONG benemérita (em geral, para o bolso da dondoca). Protagonismo da História mesmo, só para os homens.

A ridícula "função" de primeira-dama foi remetida ao lixo da História pela Dona Marisa, que se recusou a cumprir esse papel submisso, caro e inútil. A Dilma vai sepultar de vez essa inutilidade, própria de sociedades provincianas.

A Dilma representa o mulherio rompendo com tudo isso, e muito mais.

Parodiando os velhos Marx & Engels, ouso conclamar: "Mulheres de todo o Brasil, uni-vos! Nada tendes a perder, a não ser vossos grilhões!

Para quem não assistiu - e em especial para Pollyanna, Gretel, Mayara (2), Angélica, Nicole, Emelly, Camila, Ianka, Caroline, Adriele, Renatinha, Maria Clara, Maísa, Carol, Hynara, Gabrielle, Isabelle (2) e Tarsila, grandes mulheres da década que está para se iniciar -  posto o programa de TV do PT veiculado esta semana, apresentado pelo Lula mas protagonizado por essa grande mulher, Dilma Roussef. Invistam 10 minutos nesse vídeo, vale a pena.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Folha, um jornal na UTI

Francisco Duarte

A burrice é veneno fatal, mas que mata aos poucos. Jornais podem padecer de muitos males, exceto da burrice crônica. O Estado de São Paulo quase foi para o buraco nos anos 80, vitimado pela concorrência da Folha, que surgia como o grande e moderno jornal brasileiro. A burrice do Estado de São Paulo não estava no conteúdo do jornal - de qualidade excepcional, sempre. Estava, sim, na mentalidade de alguns velhos comandantes do veículo, conservadores a ponto da obtusidade. Negavam-se a perceber que o produto que faziam havia sido apropriado pelo grande público, que conferira ao jornal o apelido "Estadão". Essa marca - Estadão -, de um valor imaterial inestimável, era rejeitada pelos velhos Mesquita, como naúfrago que recusasse a salvação em uma tosca canoa. Publicitários abriram os olhos da nova geração que assumia o comando da empresa nos anos 80, fazendo aqueles jovens empresários verem o tesouro que tinham em mãos. O apelido "Estadão", até então "proibido" pronunciar na redação, passou a ser exibido não só na propaganda dO Estado de São Paulo, mas se tornou freqüente no texto dos repórteres, exprimindo a intimidade do jornal com as fontes das notícias. Em conteúdo e qualidade, o Estadão sempre foi superior à Folha, mas estava fadado a morrer por ignorar que seu público, mesmo conservador, sofria as influências de um mundo que se abria e se modernizava. Hoje quem definha a olhos vistos é a Folha de São Paulo, vitimada pela mesma obtusidade que levou o Estadão para a UTI, de onde quase não saiu. Há muito a Folha de São Paulo deixou de ser um jornal independente e de ter o "rabo preso com o leitor", como propagandeava. Há muito a Folha se acumpliciou com o pior da política paulista. Houve tempos de arreglos com Orestes Quércia e com Paulo Maluf. Houve tempos menos sórdidos, de arreglos com Franco Montoro, com Mario Covas. Hoje a Folha não passa de um "diário oficial" de José Serra, encobrindo toda a qualquer denúncia de corrupção e incompetência dos governos tucano e demo. O caos em que o estado e a cidade de São Paulo se transformaram em quase duas décadas de administrações do PSDB e do DEMO é atribuído pela Folha às intempéries, aos acidentes da natureza, a São Pedro, aos nordestinos que migraram para erguer a metrópole... As denúncias de superfaturamento das obras do metrô e do Rodoanel, o uso da Sabesp para fazer autopromoção do governador em todos os recantos do Brasil, as evidências de corrupção na relação dos tucanos com a multinacional Alston, viadutos que caem sobre a cabeça dos motoristas, os engarrafamentos diários que chegam a dezenas de quilômetros, a cidade que sucumbe sob as chuvas de verão, entre outras tragédias diárias, são tratadas pela Folha com leniência e uma passividade que contrastam com o tratamento que o mesmo jornal dava à ex-prefeita Marta Suplicy. Em troca dessa cordialidade, a Folha é salva pela aquisição de milhares de assinaturas feitas pelo Governo José Serra para distribuir aos professores da rede pública (o mesmo que o governador Serra faz com a editora Abril e suas revistas Veja e Nova Escola). A Folha, que nos anos 80 vendia mais de 1 milhão de exemplares aos domingos e podia ser encontrada às 7 horas da manhã nas bancas de cidades como Cascavel, no Paraná, ou Fortaleza, no Ceará, hoje vende apenas 22,5 mil exemplares diários e já não tem mais circulação em todo o território nacional. A Folha de São Paulo, que um dia exibiu editorial na primeira página dando um "Basta!" ao então presidente Fernando Collor, tornou-se um jornal que agoniza em praça pública, vitimado pelas mentiras que publica para atender o projeto político de José Serra. Perdeu o respeito pelos leitores, perdeu o respeito por seu público de centro-esquerda, perdeu o respeito por sua história recente, cunhada a partir do finalzinho dos anos 70, sob o comando e inspiração de Claudio Abramo. E reassumiu a vocação de "sabujo" da ditadura, que exerceu em plenitude nos anos mais negros do regime militar (a quem interessar, recomendo o livro "Novos Cães de Guarda"), quando emprestava suas caminhonetes para transportar militantes políticos e estudantis para os porões do Doi/Codi, de onde muitos saíram para o cemitério. A Folha está morrendo. E não haverá quem chore em seu buraco.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Huguinho subiu

Nosso amado irmão Fernando Wagner - o Huguinho da crônica Tio Patinhas e os sobrinhos do Donald - nos deixou nesta quinta-feira, dia 3/12, aos 57 anos. Acreditamos que a esta hora ele está na companhia dos amados pai, tio Werty, tio Brevício, Tia Nícia, Tia Lili, vô Borges, vó Ottília, Antonio de Pádua, Jaqueline, Edu Reinoldo, Chiquito, Mariinha, Washington, Zezé, Drula, Alvino, Aldo, Cássia, Janina, Manoel (2), Nandy, Eurides, Humberto, Ivone e tantos outros que compartilharam conosco um pouco da alegria de suas vidas.


Em homenagem ao Wagner,
um mosaico de fotos recentes dele feliz na companhia dos amigos e familiares. É assim
que desejamos lembrar dele. Detalhe: em uma das fotos ele exibe orgulhoso fotos do Eco-Cargo, esses carrinhos de distribuição da Cola-Cola, dos Correios e de outras empresas que vocês vêem nas regiões centrais da cidade. O Eco-Cargo foi invenção do Wagner, uma das muitas que saíram da cachola criativa desse genial Professor Pardal.













segunda-feira, 23 de novembro de 2009

FHC é o Rafael Ilha da política

Esse artigo foi publicado originalmente no Blog Brasília, eu vi, de Leandro Fortes (http://brasiliaeuvi.wordpress.com/). Um verdadeiro réquiem para um farsante. Vale a pena ler porque o redator foi muito feliz.

Adeus, FHC

Leandro Fortes

Fernando Henrique Cardoso foi um presidente da República limítrofe, transformado, quase sem luta, em uma marionete das elites mais violentas e atrasadas do país. Era uma vistosa autoridade entronizada no Palácio do Planalto, cheia de diplomas e títulos honoris causa, mas condenada a ser puxada nos arreios por Antonio Carlos Magalhães e aquela sua entourage sinistra, cruel e sorridente, colocada, bem colocada, nas engrenagens do Estado. Eleito nas asas do Plano Real – idealizado, elaborado e colocado em prática pelo presidente Itamar Franco –, FHC notabilizou-se, no fim das contas, por ter sido co-partícipe do desmonte aleatório e irrecuperável desse mesmo Estado brasileiro, ao qual tratou com desprezo intelectual, para não dizer vilania, a julgá-lo um empecilho aos planos da Nova Ordem, expedida pelos americanos, os patrões de sempre.

Em nome de uma política nebulosa emanada do chamado Consenso de Washington, mas genericamente classificada, simplesmente, de “privatização”, Fernando Henrique promoveu uma ocupação privada no Estado, a tirar do estômago do doente o alimento que ainda lhe restava, em nome de uma eficiência a ser distribuída em enormes lucros, aos quais, por motivos óbvios, o eleitor nunca tem acesso.

Das eleições de 1994 surgiu esse esboço de FHC que ainda vemos no noticiário, um antípoda do mítico “príncipe dos sociólogos” brotado de um ninho de oposição que prometia, para o futuro do Brasil, a voz de um homem formado na adversidade do AI-5 e de outras coturnadas de então. Sobrou-nos, porém, o homem que escolheu o PFL na hora de governar, sigla a quem recorreu, no velho estilo de república de bananas, para controlar a agenda do Congresso Nacional, ora com ACM, no Senado, ora com Luís Eduardo Magalhães, o filho do coronel, na Câmara dos Deputados. Dessa tristeza política resultou um processo de reeleição açodado e oportunista, gerido na bacia das almas dos votos comprados e sustentado numa fraude cambial que resultou na falência do País e no retorno humilhante ao patíbulo do FMI.

Isso tudo já seria um legado e tanto, mas FHC ainda nos fez o favor de, antes de ir embora, designar Gilmar Mendes para o Supremo Tribunal Federal, o que, nas atuais circunstâncias, dispensa qualquer comentário.

Em 1994, rodei uns bons rincões do Brasil atrás do candidato Fernando Henrique, como repórter do Jornal do Brasil. Lembro de ver FHC inaugurando uma bica (isso mesmo, uma bica!) de água em Canudos, na Bahia, ao lado de ACM, por quem tinha os braços levantados para o alto, a saudar a miséria, literalmente, pelas mãos daquele que se sagrou como mestre em perpetuá-la. Numa tarde sufocante, durante uma visita ao sertão pernambucano, ouvi FHC contar a uma platéia de camponeses, que, por causa da ditadura militar, havia sido expulso da USP e, assim, perdido a cátedra. Falou isso para um grupo de agricultores pobres, ignorantes e estupefatos, empurrados pelas lideranças pefelistas locais a um galpão a servir de tribuna ao grande sociólogo do Plano Real. Uns riram, outros se entreolharam, eu gargalhei: “perder a cátedra”, naquele momento, diante daquela gente simples, soou como uma espécie de abuso sexual recorrente nas cadeias brasileiras. Mas FHC não falava para aquela gente, mas para quem se supunha dono dela.

Hoje, FHC virou uma espécie de ressentido profissional, a destilar o fel da inveja que tem do presidente Lula, já sem nenhum pudor, em entrevistas e artigos de jornal, justamente onde ainda encontra gente disposta a lhe dar espaço e ouvidos. Como em 1998, às vésperas da reeleição, quando foi flagrado em um grampo ilegal feito nos telefones do BNDES. Empavonado, comentava, em tom de galhofa, com o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, das Comunicações, da subserviência da mídia que o apoiava acriticamente, em meio a turbilhão de escândalos que se ensaiava durante as privatizações de então:

Mendonça de Barros – A imprensa está muito favorável com editoriais.

FHC – Está demais, né? Estão exagerando, até!

A mesma mídia, capitaneada por um colunismo de viúvas, continua favorável a FHC. Exagerando, até. A diferença é que essa mesma mídia – e, em certos casos, os mesmos colunistas – não tem mais relevância alguma.
Resta-nos este enredo de ópera-bufa no qual, no fim do último ato, o príncipe caído reconhece a existência do filho bastardo, 18 anos depois de tê-lo mandado ao desterro, no bucho da mãe, com a ajuda e a cumplicidade de uma emissora de tevê concessionária do Estado – de quem, portanto, passou dois mandatos presidenciais como refém e serviçal.

Agora, às portas do esquecimento, escondido no quarto dos fundos pelos tucanos, como um parente esclerosado de quem a família passou do orgulho à vergonha, FHC decidiu recorrer à maconha.

A meu ver, um pouco tarde demais.

sábado, 21 de novembro de 2009

Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre o Chão de Giz...

Grandes Encontros: Zé Ramalho, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e boa música!




Outra versão, só com o Zé Ramalho (aliás, já tomei cachaça com ele numa república de uns amigos do Mato Grosso do Sul, tempos de faculdade). O arranjo musical (sei lá se é assim que se fala) chama a atenção. Não chega a ser aquilo que chamam "acústico", mas é quase.

Salve Jorge!


Meu irmão, Fernando Wagner, está passando por maus bocados no Hospital Erasto Gaertner, há 20 e tantos dias já. Vencerá tudo isso, nenhum de nós tem dúvida, uma vez que é "caboclo de boa cepa".

Há dias li no Blog do amigo Jorjão Mosquéra (www.blagdoblog.blogspot.com) a oração de São Jorge, que eu já conhecia da composição do outro Jorge, o Benjor, de quem sou súdito desde os anos 60, quando senti imensa inveja ao ler que ele havia "catado" a Brigite Bardot, ali pelos lados de Búzios (RJ). Mas essa é outra história.

Por coincidência, há uns dias, visitando o Wagner no hospital conheci Fernanda, uma bonita jovem que o presenteou com um chaveiro-imagem de São Jorge, falando da força contida na oração do santo guerreiro. As mesmas coisas que me havia falado o amigo Jorjão.

Então, para crentes e não-crentes, em especial para Fernando Wagner, aí vai a Oração de São Jorge. Que as roupas e as armas de Jorge nos guardem a todos!

Oração a São Jorge

Eu andarei vestido e armado com as roupas e as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me toquem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina Graça. Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições. E Deus, com Sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos.

Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza e que, debaixo das patas de seu fiel ginete, meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós.

Assim seja, com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.

São Jorge, rogai por nós !

A Cajuína Cristalina em Caetano

Essa letra requer tradução. Lanço no blog na esperança de que alguém saiba o que Caetano Veloso quis dizer.

Evidente que há uma dúvida existencial em questão; o que eu pretendo é uma tradução bem ao rés no chão, se é que é possível.

Cajuína é uma bebida feita do caju, bastante popular no Ceará, como eu pude constatar no verão de 1997, na casa do saudoso Américo de Abreu. Talvez tenha outro significado para os nordestinos.

Algumas composições deixam a impressão de que o autor juntou palavras de boa sonoridade, sem pretender qualquer significado. Djavan é craque nisso: "Açaí /guardiã / zummm de bezouro / um imã / branca é a tez da manhã".

Cazuza inventou a história dos "segredos de liquidificador" pra rimar com "codinome Beija-Flor"!

Mas o campeão nesse terreno é mesmo Zé Ramalho. Quem ousa explicar a bonita Chão de Giz: (...) eu vou te jogar no pano de guardar confetes (...)? Logo mais vou tentar postá-la na voz do trio Zé e Elba Ramalho, mais Geraldo Azevedo.

Mas vamos à Cajuína, composição de uma sonoridade espetacular, aqui interpretada pelo seu autor, o boquirroto Caetano Veloso. A ela:

"Existirmos: a que será que se destina? / Pois quando tu me deste a rosa pequenina / Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina / Do menino infeliz não se nos ilumina / Tampouco turva-se a lágrima nordestina / Apenas a matéria vida era tão fina / E éramos olharmo-nos intacta retina / A cajuína cristalina em Terezina."

Um bom melhor dia da semana para todos nós!

Cotidiano nº 2, da dupla Vinícius de Morais e Toquinho, para matar as saudades do poetinha.

Entrevistei Vinícius em 1979, com um grupo de colegas da faculdade de Jornalismo, por obra e graça do nosso bom professor de Radiojornalismo, Euclides Cardoso.

Bebemos algum uisque na companhia do poetinha e provamos o tal caviar (primeira e única vez na vida, ao menos no meu caso).

Vinícius falou um bocado sobre o disco que acabara de fazer com Toquinho para comemorar os 10 anos dessa parceria.

Obra patrocinada pela Chevrolet, que aproveitou para vender o seu Chevette, então um sucesso (hoje ninguém come ninguém com esse carro, como dizia a secretária de um advogado meu amigo).

Guardo comigo o autógrafo desse grande poeta no fascículo de divulgação do disco.

Mas a lembrança mais forte daquele dia é a imagem de Vinícius de mãos dadas com a Sarita Quadrado durante toda a entrevista.

Esperto, o poetinha.

Sendo assim, vida longa e feliz a Vinícius (na eternidade), a Sarita Quadrado e a Euclides Cardoso!

domingo, 15 de novembro de 2009

Folha dá notícia atrasada 18 anos!

Finalmente, após quase 18 anos, a Folha de São Paulo noticia que o ex-presidente FHC tem um filho fora do casamento com uma jornalista da Rede Globo, a Mirian Dutra. O fato foi escondido pela mídia aliada dos políticos Demos/Tucanos por quase duas décadas, embora até os estagiários de Jornalismo conhecessem o caso.

Alguém hoje enviou-me a notícia com críticas à falta de ética de FHC. Acrescento: a falta de ética não é só dele, mas da imprensa brasileira em geral, que nunca deu uma linha sobre o assunto e fez tudo para esconder o fato. Estão lembrados de quando a imprensa acusou a ministra Dilma de levantar os gastos de FHC com o cartão corporativo? Foi porque não queria que se divulgasse que FHC pagava até pensão alimentícia com o cartão corporativo da Presidência da República!!!!

Portanto, aguardem mais 18 anos para a Folha noticiar que os freqüentes acidentes graves com as obras do Governo de São Paulo (sexta-feira caiu mais um viaduto) são fruto de corrupção da administração do vampiro que come meleca.

Essa é a ética da Veja, Folha, Globo, Estadão. Burro é quem ainda acredita neles!

A seguir, a matéria da Folha, com 18 anos de atraso (quem é assinante da Folha pode se queixar ao Procon e pegar seu dinheiro de volta. hauahauahauahaua)

15/11/2009
FHC decide reconhecer oficialmente filho que teve há 18 anos com jornalista
MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu oficializar o reconhecimento do filho que teve coma jornalista Mirian Dutra, da TV Globo.
Tomas Dutra Schmidt tem hoje 18 anos. O tucano já consultou advogados e viajou na semana passada a Madri,onde vive a jornalista, para cuidar da papelada.
A Folha falou com FHC no hotel Palace, na Espanha, onde ele estava hospedado. O ex-presidente negou a informação e não quis se alongar sobre o assunto. Disse que estava na cidade para a reunião do Clube de Madri.
Mirian também foi procurada Pela Folha, que a consultou a respeito do reconhecimento oficial de Tomas por FHC. "Quem deve falar sobre este assunto é ele e a família dele. Não sou uma pessoa pública", afirmou a jornalista.
O ex-presidente e Mirian tiveram um relacionamento amoroso na década de 90, quando ele era senador em Brasília. Fruto desse namoro, Tomas nasceu em 1991. FHC e Mirian decidiram, em comum acordo, manter a história no âmbito privado, já que o ex-presidente era casado com Ruth Cardoso, com quem teve os filhos Luciana, Paulo Henrique e Beatriz.
No ano seguinte, a jornalista decidiu sair do Brasil e pediu à TV Globo, onde trabalhava havia sete anos, para ser transferida. Foi correspondente em Lisboa. Passou por Barcelona e Londres e hoje Trabalha para a TV em Madri.
Quando FHC assumiu o ministério da Fazenda, em 1993, a informação de que ele e Mirian tinham um filho passou a circular entre políticos e jornalistas.
Procurados mais de uma vez, eles jamais se manifestaram publicamente.
Em 1994, quando FHC foi lançado candidato à Presidência, Mirian passou a ser assediada por boa parte da imprensa.
E radicalizou a decisão de não falar sobre o assunto para, conforme revelou a amigos, impedir que Tomas virasse personagem de matérias escandalosas ou que o assunto fosse usado politicamente para prejudicar FHC.
Naquele ano, a colunista se encontrou com ela em Lisboa e a questionou várias vezes sobre FHC. "Nem o pai do meu filho pode dizer que é pai do meu filho", disse Mirian.
Em 18 anos, o ex-presidente sempre reconheceu Tomas como filho, embora não oficialmente, e sempre colaborou com seu sustento. Nos oito anos em que ocupou a Presidência, os dois se viam uma vez por ano. Tomas chegou a visitá-lo no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.
Depois que deixou o cargo, FHC passou a ver o filho, que na época vivia em Barcelona, com frequência. Mirian o levava para Madri, Lisboa e Paris quando o ex-presidente estava nessas cidades. No ano passado, FHC participou da formatura de Tomas no Imperial College, em Londres.
Neste ano, Tomas mudou para os EUA para estudar Relações Internacionais na George Washington University.

Pitty canta para Mayara


"(...) que você me adora, que me acha foda, não espere eu ir embora pra perceber ..."

Esse é "Me Adora", da baiana Pitty, uma das preferidas da Mayara (na foto, com a avó Maria Luísa), minha garotinha que mora na Alemanha (Erfurt).

sábado, 14 de novembro de 2009

Monica Salmaso e a poesia popular de Chico Buarque

Violeira, com Monica Salmaso, letra de Chico Buarque, música da Tom Jobin. A vida lá pros lados do São Francisco deve ser assim. A letra é quase um roteiro. Ouçam se não tenho razão.




A Violeira

Monica Salmaso
Composição: Antônio Carlos Jobim / Chico Buarque

Desde menina caprichosa e nordestina
Que eu sabia, a minha sina era no Rio vir morar
Em Araripe, topei com o chofer de um jipe
Que descia pra Sergipe pro serviço militar

Esse maluco me largou em Pernambuco
Quando um cara de trabuco me pediu pra namorar
Mais adiante, num estado interessante
Um caixeiro viajante me levou pra Macapá

Uma cigana revelou que a minha sorte
Era ficar naquele Norte, eu não queria acreditar
Juntei os trapos com um velho marinheiro
Viajei no seu cargueiro que encalhou no Ceará

Voltei pro Crato e fui fazer artesanato
De barro bom e barato pra mó de economizar
Eu era um broto e também fiz muito garoto
Um mais bem feito que outro, eles só faltam falar

Juntei a prole e me atirei no São Francisco
Enfrentei raio, corisco, correnteza e coisa má
Inda arrumei com um artista em Pirapora
Mais um filho e vim-me embora
Cá no Rio vim parar

Ver Ipanema foi que nem beber Jurema
Que cenário de cinema que poema à beira-mar
E não tem tira, nem doutor, nem ziguizira
Quero ver quem é que tira nós aqui desse lugar!

Será verdade que eu cheguei nessa cidade
Pra primeira autoridade resolver me escorraçar?
Com a tralha inteira, remontar a Mantiqueira
Até chegar na corredeira e o São Francisco me levar?

Me distrair nos braços de um barqueiro sonso
Despencar na Paulo Afonso, no oceano me afogar?
Perder os filhos em Fernando de Noronha
E voltar morta de vergonha pro sertão de Quixadá?

Tem cabimento depois de tanto tormento
Me casar com algum sargento e todo sonho desmanchar?!
Não tem carranca, nem trator, nem alavanca
Eu quero ver quem é que arranca nós aqui desse lugar!

Pra começar o melhor dia da semana



Munique Kessous é uma jovem cantora que brilha nas paradas com o sucesso "Com essa cor". Mas essa não é a única coisa boa da nova estrela da MPB. Pra saudar o sábado, um vídeo com a moça cantando Pitangueira.

Suas influências musicais vêm de Marisa Monte, Elba Ramalho, Maria da Penha. A moça começou por cima, tocando em parceria com Roberto Menescal, o que não é pouca coisa. E já está tocando na novela Caras & Bocas.

Devo a descoberta dessa cantante a Tila, minha filha, de quem reconheço o bom gosto musical.

Salve Monique Kessous, salve o sábado que nasce, salve o cheiro de café recém-passado que vem da cozinha! Fui.


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A casa está caindo num certo bunker

O clima anda um tanto tenso num certo bunker localizado em Higienópolis, num dos endereços mais caros da paulicéia. Assista com moderação.


Viva a blogosfera e a libertação dos escravos da mídia


Salve a blogosfera, que libertou o povão da ditadura da mídia "bem-nascida". É mulherzinha, quem paga para ser manipulado pela Veja, Folha, Globo e Estadão (hauahauahauahaua). O bom-humor move a vida. Clique no título deste post e veja a queda de Hitler e da Uniban, aquela faculdade de quinta categoria que expulsou a gostosa exibicionista.

sábado, 7 de novembro de 2009

Conservatória, onde as rosas não falam



José Ribeiro Jr, publisher do The Vila Biscaia Post

Você acha o litoral do Paraná uma m ... aravilha, não agüenta mais o circuito Camboriu-Florianópolis, não tem dinheiro para conhecer Nova Iorque antes que se cumpram as profecias??? Pois seus problemas acabaram! Com muito pouco dinheiro você pode passar um fim-de-semana agradável, diferente, participar de serestas e ainda, com um pouco de sorte, arranjar uma companhia divertida. Tudo isso e muito mais está ao seu alcance em Conservatória, cidadezinha encravada num vale na Serra da Mantiqueira, a cerca de 150 quilômetros do Rio de Janeiro.

A cidade, distrito de Valença (RJ), se resume em pouco mais de quatro quadras. Nesse quadrilátero se concentram bares, restaurantes, três museus (Da Seresta, Silvio Caldas e Vicente Celestino) e dezenas de pousadas para receber os turistas que chegam aos borbotões todos os finais de semana.

A festa começa na sexta-feira, quando os turistas chegam para a sessão de seresta que começa às 11 da noite e não tem hora para acabar. Enquanto os seresteiros afinam suas violas e aquecem os gogós, dá tempo suficiente para apreciar pratos variados, aperitivos, beber alguns chopps, caipirinha e o que mais vier (a cachaça local é das melhores).


A maioria dos bares e restaurantes é agradável, de bom gosto, sem luxo desnecessário. Enquanto se come e se bebe, violeiros animam o ambiente com música ao vivo. Quem gosta de soltar a voz e faz o tipo despachado é bem-vindo a se apresentar. Tudo em clima de cordialidade.


Antes de cair na farra não se esqueça de reservar um quarto em uma das muitas pousadas locais. Dê preferência a quem ofereça piscina, afinal o calor do Rio é de f... ritar ôvo no asfalto.

Não se preocupe com refeições, pois na cidade há fartura de boas opções. O que se deve evitar são os hotéis-fazenda que circundam a cidade. Eles são caros, ficam distantes do centro de Conservatória e só oferecem pacotes completos para o final de semana (o ideal é passar a noite de sexta-feira na seresta, descansar na manhã de sábado e à tarde esticar até o Rio para outras programações).

Além desse inconveniente, os hotéis fazenda boicotam as serestas, pois concorrem com os programas que oferecem a seus hóspedes. Evite-os.



Lá pelas 10 horas da noite, os seresteiros e o público começam a se concentrar no Museu da Seresta em torno do comandante da festa, Joubert Freitas (o outro pioneiro da seresta, José Borges, partiu em 2003).

Às 11 horas o grupo parte para percorrer os poucos quarteirões de Conservatória, armados de violas, violões, cavaquinhos, bandolins, flautas, pandeiros e o que mais houver.

Os músicos caminham a passos de procissão pelas ruas, seguidos e envolvidos pelo público, parando diante de residências previamente escolhidas, que se mantém às escuras e com janelas cerradas até o início da cantoria.

Durante todo o percurso mais pessoas vão-se juntando ao grupo, e esse anda-pára-anda-pára avança a madrugada. Só mesmo a chuva torrencial é capaz de suspender a festa.

Entre os participantes encontram-se pessoas de todas as idades, inclusive crianças, embora o predomínio seja de casais entre 40 e 60 anos. Alguns freqüentam as serestas com a regularidade de beatas à missa matinal domingueira, mas a grande maioria é de turistas de todo o Brasil e de outros países.

Aliás, Conservatória é mais conhecida no exterior do que no Brasil, embora já tenha sido motivo de reportagem até no Fantástico e ter sido palco das novelas O Feijão e o Sonho, Escrava Isaura e Sinhá Moça (algumas cenas de Cambalacho, Salomé e A Viagem também foram gravadas na cidade).

Portanto, mesmo sem saber, você com certeza já viu Conservatória.

Observe as casas, cada uma delas batizada com uma canção de amor (Detalhes, As rosas não falam, Chão de Estrelas, A Deusa da Minha Rua ...). O nome da canção é gravado com arte em placa esmaltada, que é afixada à frente da moradia e passa a identificá-la. É mais fácil localizar alguém em Conservatória pelo nome da canção que batiza a casa do que pelo número da residência.

A região de Conservatória viveu tempos de fausto no século XIX, durante o ciclo do café. A secular igreja de Santo Antonio, na parte mais alta da cidade, com suas paredes de um metro de espessura foi construída com mão-de-obra escrava para os senhores da terra casarem seus descendentes.

Ainda restam algumas fazendas de café, no melhor estilo Casa Grande e Senzala, restauradas e abertas à visitação. É necessário autorização prévia para visitá-las. Isto se obtém nas próprias pousadas.

Conservatória tem uma outra característica interessante: ali não há desemprego nem violência. Quem garante é Joubert Freitas, que iniciou as serestas na década de 60 com o saudoso mano José. E a explicação é simples: apesar de humildes, os habitantes não convivem com problemas como o desemprego e falta de moradia, e isto graças às serestas que fazem a fama da cidade.

Como chegar


Quem vem do Rio pela Via Dutra (BR 116) entra em Piraí, após o Belvedere, no alto da Serra das Araras. Ali toma a estrada para Barra do Piraí. A via asfaltada está em condições razoáveis, porém é estreita, de mão dupla, mal sinalizada e sem indicação de para onde se está indo. A primeira indicação do caminho para Conservatória o viajante vai encontrar apenas na sede de Barra do Piraí, no trevo da BR 397, que leva a Volta Redonda. Mesmo ali a sinalização é confusa e deve-se ter cuidado para não se pegar a direção de Valença, porque os caminhos bifurcam nesse trevo.

Dali até Conservatória são mais 30 quilômetros, os 12 primeiros, até a localidade de Ipiabas, ainda em estrada sinuosa e com péssima sinalização. Os 18 quilômetros seguintes até Conservatória são mais suaves, a começar pelo sugestivo nome da estrada: Rodovia da Canção de Amor, assim batizada a pedido do saudoso José Borges. A estrada (RJ 137) é sinuosa, mas ganhou asfalto recentemente e é bem sinalizada, o que facilita as curvas.

Conservatória está a 535 metros do nível do mar e fica em um vale entre morros na Serra da Mantiqueira (por razões evidentes, a região é conhecida como Serra da Beleza). Para entrar na cidade é preciso atravessar o estreito Túnel Que Chora, que dá passagem a apenas um veículo por vez.

Vindo do Sul

Quem vem de São Paulo pela Via Dutra pega a BR 397 em Volta Redonda e segue até o trevo para Valença.

Serviço

Não há Bancos nem caixa automáticos na cidade
Ônibus: Toda sexta-feira sai um ônibus direto - Viação Normandy - da Rodoviária Novo Rio, às 20h15, com retorno no domingo às 18 horas. Tempo aproximado de viagem: 2 horas e meia (é recomendável comprar a passagem de ida e volta).

Curiosidades

Batismo - O nome da cidade tem origem no aldeamento formado em 1789, denominado Conservatório dos Índios Araris.

Seresta Sideral - Exotéricos de toda ordem têm um programa adicional em Conservatória: observar discos voadores. É verdade, a região da Serra da Beleza é um dos pontos brasileiros considerados campo de aterrissagem de OVNIs.

Poesia é vitamina para o espírito!

Em forma de prosa, um pouco da poesia de Manoel de Barros para saudar este sábado de pouco sol e muito calor.

Para conhecer mais esse poeta mato-grossense de 93 anos e muita disposição confira no site Projeto Releituras.

Olhos Parados

Manoel de Barros (1916 - )


Ah, ouvir mazurcas de Chopin num velho bar, domingo de manhã!

Depois sair pelas ruas, entrar pelos jardins e falar com as crianças.

Olhar as flores, ver os bondes passarem cheios de gente, e encostado no rosto das casas, sorrir...

Saber que o céu está em cima.

Saber que os olhos estão perfeitos e que as mãos estão perfeitas.

Saber que os ouvidos estão perfeitos. Passar pela Igreja.

Ver as pessoas rindo. Ver os namorados cheios de ilusões.

Sair andando à toa entre as plantas e os animais.

Ver as árvores verdes do jardim. Lembrar das horas mais apagadas.

Por toda parte sentir o segredo das coisas vivas.

Entrar por caminhos ignorados, sair por caminhos ignorados.

Ver gente diferente de nós nas janelas das casas, nas calçadas, nas quitandas.

Ver gente conversando na esquina, falando de coisas ruidosas.

Ver gente discutindo comércio, futebol e contando anedotas.

Ver homens esquecidos da vida, enchendo as praças, enchendo as travessas.

Girar os braços, respirar o ar fresco, lembrar dos parentes.

Lembrar da cidade onde se nasceu, com inocência, e rir sozinho.

Rir de coisas passadas. Ter saudade de pureza.

Lembrar de músicas, de bailes, de namoradas que a gente já teve.

Lembrar de lugares que a gente já andou e de coisas que a gente já viu.

Lembrar de viagens que a gente já fez e de amigos que ficaram longe.

Lembrar dos amigos que estão próximos e das conversas com eles.

Saber que a gente tem amigos de fato!

Tirar uma folha de arvore, ir mastigando, sentir os ventos pelo rosto...

Sentir o sol. Gostar de ver as coisas todas.

Gostar de estar ali caminhando. Gostar dessa emoção tão cheia de riquezas íntimas.

Pensar nos livros que a gente já leu, nas alegrias dos livros lidos.

Pensar nas horas vagas, nas horas passadas lendo poesias de Anto.

Lembrar dos poetas e imaginar a vida deles muito triste.

Imaginar a cara deles como de anjos. Pensar em Rimbaud, na sua fuga, na sua adolescência, nos seus cabelos de ouro.

Não ter idéia de voltar para casa. Lembrar que a gente, afinal de contas, está vivendo muito bem e é uma criatura até feliz. Ficar admirado.

Descobrir que não nos falta nada. Dar um suspiro bom de alívio, olhar com ternura a criação e ver-se pago de tudo.

Descobrir que, afinal de contas, não se possui nenhuma queixa.

Que está sem nenhuma tristeza para dizer no momento.

Lembrar que não sente fome e que os olhos estão perfeitos.

Para falar a verdade, sentir-se quite com a vida.

Lembrar de amigos. Recordar um por um. Acompanhá-los na vida.

Como estão longe, meu Deus! Um aqui. Outro lá. Tão distantes ...

Que fez deste o destino? E daquele? Quase vai se esquecendo do rosto de um ... Tanto tempo!

Ter vontade de escrever para todos os amigos.

Ter vontade de lhes contar a vida até o momento presente.

Pensar em encontrá-los de novo. Pensar em reuni-los em torno de uma mesa.

Uma mesa qualquer em um lugar que a gente ainda não escolheu.

Conversar com todos eles. Rir, cantar, recordar os dias idos.

Dar uma olhada na infância de cada um. Aquele era magro, Venício...

Aquele outro era gordo, Abelardo ... Aquele outro era triste.

Ah, não esquecer jamais deste último, porque era um menino triste.

Como andarão agora? Naturalmente, mais velhos.

Talvez não conhecerei alguns. Naturalmente, mais senhores de si,

Imaginar todos eles com ternura. Pensar nos mais fracos, naqueles, naturalmente, para quem o mundo deve ter sido menos bom.

Pensar que eles já vêm. Abrir os braços.

Procurar descobrir, no mundo que nos envolve, alguma voz que tenha acento parecido.

Algum andar que lembre o andar longínquo de algum deles...

Ah, como é bom a gente ter infância!

Como é bom a gente ter nascido numa pequena cidade banhada por um rio.

Como é bom a gente ter jogado futebol no Porto de Dona Emília, no Largo da Matriz.

E se lembrar disso agora que já tantos anos são passados.

Como é bom a gente ter tido infância e poder lembrar-se dela.

E trazer uma saudade muito esquisita escondida no coração.

Como é bom a gente ter deixado a pequena terra em que nasceu.

Ter fugido para uma cidade maior, conhecer outras vidas.

Como é bom chegar a este ponto de olhar em torno

E se sentir maior e mais orgulhoso porque conhece outras vidas...

Como é bom se lembrar da viagem, dos primeiros dias na cidade.

Da primeira vez que olhou o mar, da impressão de atordoamento.

Como é bom olhar para aquelas bandas e depois comparar.

Ver que está tão diferente, e que já sabe tantas novidades...

Como é bom ter vindo de tão longe, estar agora caminhando,

Pensando e espiando no meio de pessoas desconhecidas

Como é bom achar o mudo esquisito por isso, muito esquisito mesmo.

E depois sorrir levemente para ele com os seus mistérios ...

Que coisa maravilhosa, exclamar. Que mundo maravilhoso, exclamar.

Como tudo é tão belo, tão cheio de encantos!

Olhar para todos os lados, olhar para as coisas mais pequenas, e descobrir em todas uma razão de beleza.

Agradecer a Deus, que a gente ainda não sabe amar direito,

A harmonia que a gente sente, vê e ouve.

A beleza que a gente vê saindo das rosas, a dor saindo das feridas.

Agradecer tanta coisa que a gente não pode acreditar que esteja acontecendo.

Lembrar de certas passagens. Fechar os olhos para ver no tempo.

Sentir a claridade do sol, espalmar os dedos, cofiar os bigodes,

Lembrar que tinha saído de casa sem destino, que passara num bar, que ouvira uma mazurca,

E agora estava ali, muito perdidamente lembrando coisas bobas de sua pequena vida.

O Rappa e o Rodo Cotidiano

Quem já tomou um trem da Central numa segunda-feira às 6 horas da manhã pra pegar no batente dispensa tradução para os versos um tanto "duros" de Rodo Cotidiano

Dá até para "ver" o "avião do trabalhador" serpenteando entre muros pelos subúrbios tristes do Rio. É um pouco como a confusão melódica de Jorge Benjor na W/Brasil:

"Alô, alô, W/Brasil, alô, alô, W/Brasil / da Central passando pela Mangueira / dando uma volta na Pavuna e chegando em Madureira / é lá que o samba rola de primeira / é lá que o samba rola de primeira."

A banda (O Rappa) é das melhores entre as melhores da nossa boa música. Uma curiosidade: Xandão, o guitarista, é curitibano e de vez em quando dá o ar de sua graça lá pros lados do Mercado Municipal.






Falcão é "o cara".


Salve o Rappa, salve o

Rodo Cotidiano (som nas alturas).

Caetano Veloso ataca de novo


Regis Bonvicino, 06/11/09

Publicado originalmente no iG

É bastante provável que Caetano Veloso vá votar em Marina Silva porque ela é (embora disfarce) criacionista, ou seja, não acredita na evolução das espécies, em Charles Darwin. O CD "Zii e Zie" (2009) não fez sucesso. O filme "Coração Vagabundo" (2009) idem. Veloso não produz nada digno de nota há – seguramente – duas décadas. Seu momento pós-tropicalista é desigual. Seu cancioneiro lírico-amoroso, basicamente, heterossexual, é papai-mamãe, convencional: idealiza o amor e o trata com “raiva”, cinismo e ou ironia, para posar de amante rejeitado pela musa ou “conquistador”, lirismo vazado, muitas vezes, em jargão da moda, que, em seu caso, substitui a própria ideia de letra, de lyrics.

Enumero algumas canções nessa trilha: “Eu te amo”, “Vera gata”, “Dom de iludir”, “Ela e eu” e até “Queixa”, que, para narrar uma situação de amor aberto, usa “vocábulos” kitsch, metáforas horrendas: “Princesa, surpresa, você me arrasou / Serpente, nem sente que me envenenou / Senhora, e agora me diga aonde eu vou / Senhora, serpente, princesa”. Sem falar, no caso, na assonância, musicalidade, de ouvido mouco. Veloso é abstratizante em suas letras – vago, para parecer profundo. Não há concretude de linguagem, exceto no curto período tropicalista. E, depois, aqui e acolá. Suas canções são musicalmente pobres, quadradas, sem a força primitiva das de um Jorge Ben Jor. Veloso é um anti-Sam Cooke, que fazia do simples e direto algo de extraordinário.

Como não faz mais sucesso de estima e nunca fez de massa, Veloso se vale da velha tática. Atacar alguém, para levar público ao show. Desta vez, foi Luiz Inácio Lula da Silva, chamado de “analfabeto” e “grosseiro e cafona” ao falar. Quis surfar em popularidade alheia. De fato, um dos maiores erros de Luiz Inácio Lula da Silva foi ter nomeado Gilberto Gil para ser seu Ministro da Cultura e, depois, de ter “empossado” Juca Ferreira, o discípulo do autor de “Aquele abraço”. Ao ser indagado sobre a Lei Rouanet, do qual tem se beneficiado há década, Veloso se calou, saindo-se com essa: “Não sou muito bom nesse negócio”. Imagine se fosse. Dois exemplos recentes: a turnê do medíocre "Zii e Zie" foi autorizada a captar recursos milionários por Ferreira, contra parecer da comissão do MinC que examina os casos. "Coração Vagabundo" foi igualmente em parte financiado por essa Lei.

Ou seja, ele foge do debate de assuntos culturais. Esconde sua cabeça, como sempre fez. A Lei Rouanet transformou a cultura em objeto de comunicação social de corporações: na verdade, acabou com a cultura, com o conceito de o Estado amparar a cultura e não estimulou a criação de um mercado, que é pujante no liberalismo anglo-americano, que Veloso, na mesma entrevista, declara-se admirador. A Lei Rouanet precisa ser revogada. Claude Lévi-Strauss define cultura: “Em sua acepção geral, cultura designa o enriquecimento esclarecido do juízo e da capacidade de distinção”. Veloso, como aponta Francisco Alambert, em nome da cultura, promoveu, desde os tempos do tropicalismo, a indistinção geral. O que no tropicalismo era, entretanto, abertura, tornou-se depois mero mecanismo de mercado, farsa.

Veloso incorporou do conceito de Lévi-Strauss o termo “enriquecimento esclarecido”. Por isso talvez admire políticos quatrocentões como Aécio Neves, Ciro Gomes ou Mangabeira Unger – que eu nunca soube distinguir do Professor Pardal. Em virtude de seu “enriquecimento esclarecido” talvez critique a “vulgaridade” de Luis Inácio Lula da Silva e a paulistanidade deste e de José Serra, o “italianinho” – ambos produtos da “decadente” USP. Diz, como sempre, barbaridades: “O Serra é o tipo do cara que, se tivesse ganho no lugar do Lula, em 2002, teria trazido mais problemas à economia brasileira. Ele teria feito um governo mais à esquerda e a economia talvez tivesse problemas que não está tendo porque o Lula fez a economia à direita”. E conclui do alto de sua “cátedra”: “O Lula foi mais realista do que o rei. Foi bom, a economia deslanchou”. O governo Lula tem problemas, falhas, mas Luis Inácio Lula da Silva é o presidente mais forte que o Brasil teve depois de Getúlio Vargas. É um mito, aqui e alhures, com uma trajetória política. O “literato” Sarney fala bem e, como Veloso sabe, proibiu o filme "Je vous salue Marie", de Jean-Luc Godard, quando era “presidente”.

Não votarei em Marina Silva. Ela integrou o governo Lula por seis anos e, nesse período, não executou um projeto sequer de peso. Limitou-se a “bloquear” a ação alheia, segundo divulga. Suas opiniões são as de um cidadão comum, embora tenha sido Ministra de Estado. Não se fez propositiva, não se impôs. Ela não é a soma de Lula da Silva e Barack Obama, como a “define” Veloso napoleonicamente. A senadora é evangélica. Missionária da Assembléia de Deus. Líder informal dessa bancada temática no Congresso. Uma Sarah Palin, “à esquerda”. No Partido Verde milita um Sarney. A bióloga Cláudia Magalhães denunciou (Época, 21 de maio de 2008) que, quando Ministra, promovia rezas evangélicas em seu gabinete e discriminava outras religiões. Relata que ela ganhou uma carranca no Festival Ecocultural do São Francisco, em Brasília, e se recusou a receber o presente, deixando a festa. Magalhães conclui: “Foi quando eu comecei a ver que a fé dela esbarra em sua atuação política”. Magalhães informa que a Ministra tinha “um Pastor particular”, chamado Roberto Vieira, que recebia seus honorários pela Unesco.

A República foi proclamada há cem anos: religião não pode se confundir com Estado. A fé não deve “bloquear” a ciência, embora, com diz Gil, “ela não costume faiá”. O tema do resgate do meio ambiente – central para humanidade – não qualifica por si só Marina Silva a ser presidente do Brasil. Seria interessante que Veloso tivesse estudado “direito”, nos dois sentidos. Veloso é um personagem "old fashion", que ainda se sente como “antena da raça”, que se atribui o papel de porta-voz da sociedade – parece viver congelado no espírito messiânico dos anos 1960, do qual foi, relativamente, beneficiário à revelia, como o tempo revelou. Enfim, como todos sabemos, Veloso – haja vista sua amizade com Juca Ferreira e com Gil – é chegado numa “igreja”. Cucurucu, Palomaaaaa!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dilma entre o mulherio da revista Claudia

Boa parte dos jornalistas não gosta de mulher, e muito menos daquelas cuja coragem pessoal se iguala e até supera a coragem masculina. Daí as tentativas de difundir uma imagem negativa de Dilma, Dona Marisa, Marta Suplicy, entre outras pequenas e grandes mulheres que ousam fazer seus próprios caminhos.

O mulherio da revista Claudia rompeu com isto e foi ouvir a Dilma. Pela vez primeira vocês verão a Dilma por ela mesma, sem as distorções feitas por Veja, Folha, Globo, Estadão, que recebem muito dinheiro público para apoiar a candidatura de um político que tem cara de vampiro e come meleca.

Bom feriado a todos/as! Vamos a Dilma:

Dilma Rousseff: a mulher que quer governar o Brasil

Patrícia Zaidan e Alessandra Roscoe, da revista Claudia

Ela tem um cão, gosta de livros, de tango e de se ver bonita. No passado, comandou guerrilheiros, foi presa e torturada. Tida como dura na queda, a ministra Dilma Rousseff, candidata de Lula à Presidência, abandona as reservas e, descontraída, conta detalhes (alguns tristes, outros divertidos e saborosos) da sua vida privada


No quarto andar do Palácio do Planalto, um acima do gabinete do presidente da República – e de onde se vê o sol corar o lago Paranoá –, trabalha a mulher mais importante do país: Dilma Vana Rousseff, 61 anos, ministra-chefe da Casa Civil, que controla a máquina federal. Equivale a dizer que é a número 2, atrás apenas do chefe da nação.

Jamais disputou uma eleição e não é petista histórica. Chegou ao Planalto como a perita que aplacou a crise de energia no Rio Grande do Sul nos anos 90, quando secretária do governo gaúcho. Seu nome foi indicado a Lula como a peça-chave para evitar o apagão que assombrou o antecessor, Fernando Henrique. Dilma abriu o laptop, apontou soluções e virou ministra de Minas e Energia.

Mineira, economista divorciada, foi dela que Lula se lembrou quando o escândalo do mensalão arrasou a moral do PT e destronou José Dirceu, então homem forte do Planalto. Dilma o substituiu na Casa Civil em 2005. Pouco depois, um novo escândalo derrubou o titular da Fazenda Antonio Palocci – outro pilar do staff –, e Dilma se tornou o principal apoio do presidente. “Lula ficou mais solto para agir, as tensões diminuíram, não há queda-de-braço como as ocorridas entre Dirceu e Palocci”, diz Franklin Martins, ministro da Comunicação Social.


É sobre ela que recai a escolha de Lula para sucedê-lo. Guerrilheira que enfrentou a ditadura militar, agora acusada pelos adversários de antecipar a disputa eleitoral, Dilma tem 14% da preferência do eleitorado e pode ser a primeira mulher a governar o Brasil.

CLAUDIA - Num jantar político, a senhora cantou com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) o tango EL DIA QUE ME QUIERAS. Gosta de música?

DILMA - Adoro. Mas não cantei. Minha voz é de fazer chover. Eu falava a letra e Suplicy cantava. Meu pai me obrigou a estudar piano por quatro anos, mas, infelizmente, não tenho o menor talento. Aprendi a ouvir tango e jazz na prisão, com uma colega de cela, a professora Maria do Carmo Campello de Souza. Naquela época, passei a entender melhor Astor Piazzola e a apreciar a voz de Ella Fitzgerald. Maria do Carmo tinha muitos discos, que nós tocávamos numa vitrolinha. As caixas de som eram ótimas, feitas por outra presa com caixotes de maçã. Hoje ouço muita música clássica – Bach e Vivaldi estão sempre comigo – e ainda curto a dupla Zezé di Camargo e Luciano.

CLAUDIA - Sertanejo? Isso é influência do presidente Lula...

DILMA - Não! Já gostava bem antes de trabalhar com Lula. É O AMOR é linda. Não tenho restrição a gênero algum. Meu lado gaúcho (viveu no Rio Grande do Sul por três décadas) me leva a gostar ainda do Bagre Fagundes: “O canto gauchesco e brasileiro desta terra que eu amei desde guri...” (cantarola batucando com a mão sobre a mesa).

CLAUDIA - Seu lazer é à base de música?

DILMA - Em primeiro lugar, de leituras. Leio tudo. Estou na fase dos angolanos, como José Eduardo Agualusa, autor de O VENDEDOR DE PASSADO, e de Pepetela, de PREDADORES. Também gosto muito de pintura e tenho a minha galeria.

CLAUDIA - A senhora coleciona obras de arte em casa?

DILMA - No computador. Entro nos sites dos museus famosos, como o Metropolitan, acesso as que quero e baixo. Se estou numa fase impressionista, seleciono obras impressionistas. Atualmente, prefiro as japonesas. Para mim, literatura, música e pintura são instrumentos de descoberta. A nossa aventura neste mundo passa por compartilhar a arte. Por meio dela, acesso um pouco a raça humana. Se não tiver essa dimensão, entendo bem menos as pessoas.

CLAUDIA - A senhora se sente sozinha em Brasília?

DILMA - Não me sinto só. Trabalho muito e no fim de semana quero me recolher, quase não saio de casa. Às vezes, recebo a visita da minha mãe (Dilma), que vem de Belo Horizonte, e da minha filha (a procuradora do Trabalho Paula, 31 anos, do segundo casamento), que vive em Porto Alegre. Adoro quando o meu bebê vem me ver.

CLAUDIA - Ainda mantém o labrador Nego, que ganhou do ex-ministro José Dirceu?

DILMA - Ele é um labrador genial. O Zé Dirceu fez o imenso favor de deixá-lo comigo. Ao sair do governo, não tinha para onde levar o Nego, que é enorme (Dilma vive na mansão antes ocupada pelo petista, na Península dos Ministros, no Lago Sul). Passeamos muito juntos. Desde pequena, tive cachorros, sempre vira-latas. Quando minha filha nasceu, eu lhe dei um policial para que aprendesse a lidar com os bichos. Ela cuidava, escovava os dentes dele até que o cão morreu, aos 15 anos. Foi uma choradeira danada.

CLAUDIA - O feminismo está revendo o discurso que dava a maternidade como algo secundário. A escritora americana Camille Paglia é partidária dessa revisão. O que pensa disso?

DILMA - Em que pesem todas as ótimas constatações que Camille fez sobre sexo e cultura, sua visão, no passado, de que maternidade era secundária, estava equivocada. Uma das coisas mais importantes da minha vida foi ter uma filha. Tem mulher que decide não ter filhos, eu as respeito. Mas não podemos abrir mão da maternidade. Se você dá a vida, tem que cuidar dela, providenciar alimentação, ver se as orelhas estão limpas... a maternidade dá competência. A capacidade de agregar vem do treino com os filhos. A visão privada amplia a visão pública. Nem todo feminismo se opôs à maternidade. Foram as feministas que exigiram do governo o tratamento pré-natal, a licença maternidade...

CLAUDIA - O fato de o ex-ministro Gilberto Gil ter dito que a senhora tem um lado macho a ofendeu? Sente-se incomodada quando ouve que é uma gerentona, uma mulher dura demais?

DILMA - O meu amigo Gil pode me chamar do que quiser, porque é um artista. Talvez ele olhe coisas minhas e capte a essência. Gil disse na música SUPER-HOMEM que ele tinha um lado feminino a cultivar. As mulheres têm um lado de resistência, identificado com o sexo masculino, para ressaltar. Não somos um bando de manteigas derretidas que não enfrenta a diversidade; pelo contrário, resistimos a tudo. Eu costumo afirmar que sou uma mulher dura cercada de homens meigos.

CLAUDIA - A senhora perdeu 10 quilos. Fez dieta?

DILMA - Cheguei à Brasília pesando 67 quilos. Não mantive as atividades físicas, a alimentação era desregrada e, como a tensão é grande, atingi 78. Emagrecia e voltava a engordar. Aí mudei a tática. Diminuí o carboidrato, aumentei verduras e carne branca e caminho todo dia. Demorei um ano e dois meses para estar como estou.

CLAUDIA - A fitinha no pulso é do Senhor do Bonfim?

DILMA - Foi a Flora (mulher de Gilberto Gil) quem amarrou e disse: “Mentalize um desejo; quando arrebentar, ele se realiza”. Se eu revelar o que é, não se concretiza.

CLAUDIA - Atrás da sua mesa, tem uma Santa Ana e outras imagens. O que elas representam?

DILMA - Vou ganhando e ponho aí para me proteger. A medalha foi do pessoal da Canção Nova. O Jaques Wagner (governador da Bahia) me deu a mãe-de-santo. Ainda guardo o desenho de um garoto sobre o trem-bala que queremos fazer.

CLAUDIA - A senhora parece mais saltitante depois da plástica...

DILMA - Eu sou uma pessoa alegre. O fato de ficar séria não quer dizer mau humor. Fico séria enquanto penso. Preocupada, então, é que não rio mesmo. Isso não tem nada a ver com depressão.

CLAUDIA - Ficar mais bonita mexeu com sua alma?

DILMA - Muito. Qualquer um gosta de se sentir mais bonito. Mulher de Minas não entrega a idade. Minha mãe me proibiu de dizer a minha para não deduzirem a dela. Mas digo sem problemas que tenho 61 anos. Embora me orgulhe deles, devo admitir: minha olheira bate aqui embaixo. À noite ela reaparece, mesmo com a plástica. Vocês não sabem o que é o rally Paris Dakar que enfrento todo dia no governo. Além disso, a minha linha de queixo estava caída. Não tenho vergonha, precisaria ser muito insegura para não decidir pela plástica.

Os homens também fazem. Fernando Henrique e Serra (o governador de São Paulo, seu provável adversário na disputa presidencial) fizeram. É bom fazer, principalmente quando dá certo. A minha ficou natural.

DESCOBERTA DA REDAÇÃO: Dilma Rousseff usa mais um expediente para dissipar os efeitos do Paris Dakar: em fins de noite, dirige seu Fiat Tipo até uma pequena clínica de massagem no bairro Sudoeste. Deita-se na maca com dores musculares e adormece. Antes de escolher a clínica, pediu à massagista para ver os documentos de funcionamento do local e os certificados de cursos que ela havia feito.

CLAUDIA - A senhora já assimilou o estilo Lula, anda cheia de metáforas para popularizar o discurso. Até comparou o Plano de Aceleração do Crescimento, que gastará 646 bilhões de reais em obras até 2010, a um boi gordinho.

DILMA - Não o comparei a um boi. A imprensa publicou tudo errado. Uma repórter perguntou se o PAC empacou. Eu respondi: “Não, ele não empacou. Está mais para uma vaquinha. No início era uma vaquinha magérrima. Aí, foi ficando gordinha em 2008 e, em 2009, vai virar uma vaquinha de raça”. Foi essa a história.

CLAUDIA - Como reage quando Lula diz que pode economizar no batom da dona Dilma, mas não vai cortar recursos do PAC?

DILMA - Até acho graça, aprendo muito com ele.

CLAUDIA - A oposição, que dizia que a senhora era apenas boa técnica, já viu que sabe fazer política?

DILMA - O vício de tachar alguém de tecnocrata vem da ditadura, que construiu dois perfis: o técnico é correto e capaz; o político é subversivo ou corrupto. Não acho correto o Brasil herdar essa visão sem saber a que ela serviu. Já me aconselharam: “Deixe que falem, o povo associa político a safadeza e separa você do bolo”. Não posso compactuar com essa ideia. É impossível ser boa ministra se não tiver uma ampla visão política sobre o meu país. É sandice achar que todo político é mau. INTERRUPÇÃO. Neste momento, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, telefona. Antes, dois governadores haviam ligado – ela não pronunciou o nome deles. A agitação era em torno do programa para construir 1 milhão de casas populares. Com o ministro, foi cirúrgica: “Li seu primeiro relatório e não achei satisfatório”. Ele deve ter dado justificativas, e Dilma arrematou: “Guidinho, você já repetiu isso seis vezes. Venha na quinta (a entrevista foi na terça) e conversamos”.

CLAUDIA - O senador Agripino Maia (DEMO-RN) provocou-a, ano passado, lembrando que a senhora tinha mentido para os torturadores.

DILMA - Aquele senhor não sabe o que é passar 22 dias sob choque elétrico e pau-de-arara. Menti para não entregar parceiros. Por dois dias, apanhei sem revelar onde morava com uma amiga. Assim, ela saiu da pensão, na avenida Celso Garcia, em São Paulo, e outros deixaram os locais onde se refugiavam.

CLAUDIA - Como era a pensão? Guardava armas ali?

DILMA - Era simples, tinha um corrimão típico: descascando com a unha, apareciam várias cores, até chegar à madeira. Havia armas ali, sim. Eram algumas pistolas.

CLAUDIA - A senhora ainda se lembra de como é atirar?

DILMA - Não era a minha função. Eu participava da direção.

CLAUDIA - Mas foi treinada para lidar com fuzis...

DILMA - Sempre tive muitos problemas com a minha visão, uma miopia pesada, de 8 graus num olho e 6 no outro. Não tinha bom ajuste de mira. Eu era ótima para limpar uma arma, ainda sei como desmontar e montar uma.

CLAUDIA - A senhora participou ou não do roubo do cofre do ex-governador paulista Adhemar de Barros, que estava na casa da amante dele e continha 2,5 milhões de dólares?

(Obs.: O governador Ademar de Barros era uma espécie de Paulo Maluf dos anos 50/60. Foi o político que inspirou a frase "rouba, mas faz".)

DILMA - Gostam de dizer que participei. Podia ter havido minha participação, mas não houve. Não estou querendo negar nada. Tem várias pessoas vivas, que atuaram no episódio, que podem confirmar o que digo. Naquele momento, eu cuidava de reinserir os militantes clandestinos na luta legal. Deslocava pessoas de um estado para outro onde pudessem trabalhar. Era hora de abrandar as ações e priorizar a mobilização das massas.

CLAUDIA - Quando viram que a luta armada havia fracassado?

DILMA - Éramos cerca de 300 jovens convictos de que mudaríamos o Brasil e a América Latina. Com a quantidade de prisões, percebemos a fragilidade daquela luta. Nas casas da morte, a repressão massacrou quase todas as organizações de esquerda até 1974.

"Nasci dia 14 de dezembro de 1947, em Belo Horizonte. Com meus irmãos (Igor, 62 anos, e Zana Lívia, já falecida), nadava no Minas Tênis e subia em árvores: tínhamos jabuticaba, fruta da minha mãe, e pera, do meu pai (o empresário Pedro Rousseff, já falecido). Ele era socialista, não tinha religião, mas, quando eu disse que queria fazer primeira comunhão, me levou para o Sion, escola de freiras que promovia ações sociais no morro do Papagaio. Dias antes do golpe de 1964, entrei no Estadual de Minas Gerais, um colégio efervescente. Ia a passeatas, via o Teatro Opinião encenar Arena Conta Zumbi, uma ode aos direitos dos oprimidos. Aos 16, ingressei na Polop (a organização Política Operária). Lia obras do Celso Furtado, considerado subversivo, e assistia aos filmes do Glauber Rocha, com ele na plateia. Guardo memórias boas, como conviver com Milton Nascimento – para mim, Bituca – e Márcio Borges, parceiro dele. Na casa do Marcinho começou o Clube da Esquina. Ele e eu roubávamos lanche da geladeira da minha mãe... Mas outro dia achei estranho: encontrei Bituca no aeroporto de Porto Alegre, e ele não me reconheceu.

O AMIGO Márcio Borges, 62 anos, gargalhou ao saber que Dilma se lembra dos assaltos à geladeira. “Buscávamos comida e bebida para que nossas festas durassem uma semana”, diz. “Ela era a líder mais brilhante, tinha uma coragem surpreendente, pagou o ideal com as dores do corpo. Fiquei arrasado ao ver, em 1968, cartazes com a foto dela e a palavra ‘Procurada’. Quando ressurgiu na TV como pessoa pública, gritei: ‘É a Dilma, a minha Dilma! Minha candidata desde os 20 anos’.”

A prisão

"Casei aos 19 anos. Universitárias não usavam véu e grinalda. Então, me vesti num redingote lindo, verde-clarinho e segui para o cartório, para alegria da minha mãe, que nos deu um apartamento para morar. O meu marido (o jornalista Claudio Galeno Linhares) também era militante na Polop. Em 1968, os militares decidiram endurecer, porque não haviam enquadrado todos os setores na ditadura. Foi o golpe do golpe. Procurados pela polícia, chegamos a dormir fora de casa e nos mudamos para o Rio. Com o AI-5, o Congresso foi fechado, políticos acabaram cassados, a censura à imprensa e as prisões cresceram. Entre nós, avaliávamos que os militares não deixariam a democracia voltar mais. Não havia espaço para fazer as mudanças de que o país precisava, a única forma de resistir era lutar. Fui presa no centro de São Paulo, dia 16 de janeiro de 1970, aos 22 anos, por falha minha. De manhã, havia ido ao encontro de um companheiro, que não apareceu. Era um mau sinal, eu não deveria ter tentado o segundo encontro, à tarde, numa lanchonete. Entrei e ouvi: “Você está cercada”. Andei rápido até uma loja de móveis. Pensei em escapar pelos fundos, mas me pegaram. Eram três equipes, muitos homens.

A PENA

Condenada a seis anos de prisão, Dilma cumpriu três no Presídio Tiradentes, em São Paulo. Era o cérebro da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, codirigida pelo maior mito da guerrilha brasileira, o capitão Carlos Lamarca. Usava os codinomes Stela e Marina e já havia se separado de Galeno, que sequestrou um avião e o levou para Cuba. Com o segundo marido, o advogado Carlos Franklin de Araújo, participou da elaboração de assaltos a banco. O procurador militar que a denunciou referiu-se a ela como “Joana D’Arc da subversão” e “figura de expressão triste e notável”.