terça-feira, 10 de julho de 2012

Obra de Arte: A Origem do Mundo

A Origem do Mundo, de Gustave Courbet

Estávamos em 1866 e Courbet era já um pintor conhecido em França pela sua destreza técnica mas sobretudo pela sua atitude crítica e corrosiva em relação à sociedade e moral burguesas, que não perdia ocasião de afrontar. Courbet era um socialista convicto, arrogante e autoconfiante, é preciso dizer. No entanto talvez isso não baste para justificar a obra que realizou nesse ano e que havia de o celebrizar mais do que todas as outras. Ao representar frontalmente as coxas e o sexo de uma mulher, A Origem do Mundo abalou profundamente o meio artístico da época. E não só!
A tela tem um percurso atribulado. Reza a História que um diplomata turco, de nome Khalil-Bey, de passagem por Paris encomendou a Courbet para a sua colecção um quadro, que viria a ser este. Khalil-Bey era um coleccionador de arte erótica e tinha já adquirido ao artista uma pintura denominada O Sono ou Adormecidas, representando duas mulheres nuas deitadas sobre a cama em poses sensuais. Possuía também o famoso O Banho Turco, de Ingres, entre outras obras.

Pouco tempo depois Khalil-Bey viu-se obrigado a vender diversas peças da sua colecção para pagar dívidas de jogo. Escondida debaixo de uma outra tela de aspecto mais pacífico, A Origem do Mundo foi então comprada por um antiquário, passando de mão em mão até ao seu último dono, o célebre psicanalista francês Jacques Lacan. Após a sua morte, a família doou-o ao Museu d'Orsay, onde se encontra presentemente.
O quadro é profundamente perturbador ou mesmo chocante. O incómodo sentido pelo observador ao olhar de modo tão directo para o sexo que ali se exibe ostensivamente é enorme. Há uma espécie de pudor, de vergonha quase instintiva que se revela em nós ao observá-lo. Mais do que violentar a intimidade do objecto retratado, o artista violenta o público. De resto, Courbet adorava fazê-lo embora nunca tivesse ousado ir tão longe. Porque se atreveu desta vez?
À época, na Academia, os estudantes exercitavam-se desenhando as estátuas clássicas de corpo idealizado. Essas estátuas, Apolos e Afrodites, não eram de modo algum assexuadas mas a representação do sexo era estereotipada, camuflada ou deturpada. Os homens frequentemente tinham uma parra a tapar os órgãos genitais enquanto que nas mulheres nada se via para além da continuidade da pele lisa da barriga. Courbet detestava os académicos e as suas fórmulas - ele que dizia que só podia pintar aquilo que via.

Esta tela surge assim como um manifesto contra o academismo mas também contra a falsidade vigente na Arte e na Sociedade oitocentista. Representa a libertação definitiva do artista de todos os estereótipos! Significativo é o facto da polémica se ficar a dever ao tema e à forma como foi abordado e não às qualidades pictóricas do quadro - se estava bem pintado ou não. A Origem do Mundo foi uma obra inspirada, visionária talvez, um acto estético da maior importância e uma obra de arte de primeira grandeza. A Pintura Moderna talvez tenha começado aqui, com origem no sexo de uma mulher.

Fonte: http://obviousmag.org/archives/2008/01/a_origem_do_mun.html

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Brasil vai ajudar a construir o maior e mais potente telescópio do mundo

Do Site Olhar Digital.

Aparelho astronômico ficará no Chile e terá uma lente de 40 metros de diâmetro

O Brasil pode ter uma oportunidade de ouro nas mãos se quiser ingressar de vez no campo da astronomia. Isso porque está em andamento um ambicioso projeto de construção do maior telescópio do mundo, no Observatório La Silla, no Chile, e  o nosso país participará do desenvolvimento do aparelho. Situado em pleno deserto, a 600 quilômetros de Santiago e a uma altura de 2.400 metros, o telescópio será o mais potente já feito, contando com uma lente de 40 metros de diâmetro.

Em entrevista para a Agência Efe, o astrofísico Michel Mayor, que ao lado de Didier Queloz descobriu o primeiro planeta fora do sistema solar (exoplaneta), relembrou suas visitas a trabalho ao norte de Chile nos últimos trinta anos. Mayor considera a região "excepcional" para a observação do espaço. Para ele, o Brasil irá se beneficiar do conhecimento adquirido pela instituição, mas precisará de mais de dez anos de avaliações e estudos para confirmar sua viabilidade financeira e técnica.

"É normal que o Brasil destine recursos para a astronomia e a melhor solução foi se aderir ao ISSO, pois não fazia sentido para eles tentarem construir meios de observação para competir com os que já existem", explicou.

Sobre o Chile, o astrofísico destacou que o país desenvolveu "uma astronomia de ponta" e que a razão disso foi o acesso a instrumentos sofisticados espalhados em diferentes observatórios localizados no Deserto do Atacama. Os cientistas chilenos têm direito a 10% do tempo utilizado nos telescópios instalados em seu território, o que foi um grande estímulo para a astronomia no país e uma das razões para o aumento do número de profissionais da área.

Mayor também comentou os avanços na pesquisa espacial, como o fato da sonda americana Voyager 1, lançada em 1977, estar prestes a chegar no limite do sistema solar.

Alguns astrônomos veem com preocupação os grandes recursos destinados para este fim, mas Mayor não compartilha esse temor porque acredita que a observação realizada do próprio espaço "não vai substituir a astronomia feita na terra", mas sim complementá-la.

Em mais de quarenta anos dedicados à física e à observação do universo, o cientista acompanhou a evolução da astronomia e aponta o avanço que mais o impressionou: "a aceleração da expansão do universo".

"Isto colocou em questão muito do que compreendemos do universo e de seus mecanismos físicos", disse Mayor, que liderou a equipe que desenvolveu o primeiro espectrógrafo, um instrumento que associado a um telescópio permite estudar a luz das estrelas e descobrir a presença de um ou mais planetas sob sua órbita.