quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Mayara Sponholz Duarte, uma curitibana no Master de Desenvolvimento Urbano de Oxford

Dezembro 22, 2020 

Em agosto deste ano, em protestos contra violência policial a negros nos EUA

.

Cidadã brasileira e também alemã, ela está concluindo graduação em Antropologia na Belarmine University, Kentucky. Novo passo na Inglaterra, como bolsista.

A curitibana Mayara Vieira Sponholz Duarte, 24 anos, foi admitida para cursar o mestrado em Desenvolvimento Urbano Sustentável (Master of Science) na Universidade de Oxford, no Reino Unido. A jovem está concluindo a graduação nas áreas de Sociologia e Antropologia na Bellarmine University, em Louisville, no estado norte-americano do Kentucky. Detalhe: a acadêmica não preenchia plenamente a exigência de dois anos de experiência com projetos de desenvolvimento sustentável; apenas a participação em trabalhos voluntários nessa área. O obstáculo, no entanto, foi afastado pelo seu excepcional histórico universitário, que já foi responsável por assegurar a ela bolsa integral na Bellarmine University.

DO SEGUNDO MILÊNIO

Mayara tem o perfil característico do cidadão do segundo milênio: politizada, cosmopolita, poliglota, empenhada em construir uma sólida bagagem acadêmica e cultural e comprometida com as causas sociais dos anos 2000. Assim, não foi surpresa para os familiares vê-la recentemente nos principais telejornais brasileiros reportando para mídias independentes os protestos contra o racismo nos Estados Unidos.

FRAÇOIS HOLLANDE

Quem já se surpreendeu com a jovem foi o ex-presidente François Hollande, que, bem-humorado, chamou-a para tirar foto ao saber da intenção da garota em presidir a França. “Quando você chegar lá, quero poder dizer que somos amigos”, gracejou. Foi em 2012, quando Mayara, então estudante na Alemanha (onde vive desde criança), representou o estado do Thüringen no 1º parlamento de estudantes alemães e franceses.

Jovens dos dois países, participantes de um programa de integração cultural, produziram um documento conjunto sobre as principais questões de Educação, Trabalho e Clima na Europa, que entregaram pessoalmente a Angela Merkel e Hollande.

Previdente, François Hollande posa para foto com futura presidente da França.

Mayara é filha dos jornalistas Francisco José de Abreu Duarte e Liriam Sponholz e neta de Ecéa Wagner/Fernando Campelo e Iris Vieira/Newton Sponholz.

<script data-ad-client="ca-pub-4372423828218429" async src="https://pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js"></script>

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Ensaio - Angústia

"Tristeza, solidão, silêncio, uma angústia filha da puta. Aqui é um oásis em campo de neve. Um útero aquecido artificialmente, que abriga alguns por alguns instantes. Logo todos serão devolvidos à sua angústia silenciosa fora daqui. Se me dão opção, permaneço, não embarco, tomo mais um café, e outro e outro..., na esperança de acordar em casa, a milhares de quilômetros. Olho aquela que serve: donde a alegria que expressa no olhar? Só há tristeza, frio, umidade e solidão aqui em torno...! Lá fora, a lotação é a representação da desesperança. Que se vá sem mim. Me ocorre uma canção: “chove lá fora / e aqui tá tanto frio”. Por um momento queria ser ela, me sentir feliz, seguro, como ela aparenta ser, alheia a esse espaço deprimente. (Se eu fosse ela, queria mais era morrer.) A canção insiste: me chama, me chama, me chama ...”

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Meu querido, meu velho, meu amigo


Seu Campelo e a filha, Mariinha
Nosso pai, Fernando Campelo Duarte, partiu há 39 anos, completados hoje. A foto, uma das raras em que está sem gravata, é de poucos meses antes de sua partida abrupta. Em sua memória posto a canção Sertaneja, que tantas vezes o ouvimos cantar durante o seu banho matinal. Saudades!






Mais reflexões da quarentena em home office: O nascer do Sol numa manhã fria

Paulo de Abreu

Ontem eu decidi que hoje iria fazer algo diferente do que faço habitualmente nesses dias em que acordo a qualquer hora e saio para comprar pão, mortadela, ovos, queijo etc.
Hoje eu vou assistir de camarote o nascer do Sol. Levantei cedo, me arrumei ainda no escuro, e saí de moto em direção à praia. As ruas, neste horário, estão desertas. Escolhi a praia do Pontal onde tem um recuo, um mirante para ver o nascer do Sol!! Deixei o celular carregando à noite e o programei para despertar às 4:57 só para confundir. Levantei meio bambo, pois não estou acostumado a acordar nesse horário, mas nada como um balde d'água na cara para acordar - é claro que não foi um balde, mas quando se acorda quentinho e se joga uma concha d'água fria, pouco é muito! rs... Verifiquei se a moto estava toda certinha, e sim, tudo certo! Empurrei a moto para não acordar ninguém aqui em casa, e após fechar o portão a deixei descer ladeira abaixo para pegar no tranco... vrumm... beleza! Vamos A La Plaia !!! Peguei a Estrada da Cachamorra, depois a Estrada  do Mato Alto até chegar no BRT e segui em direção ao túnel José de Alencar, também conhecido como Túnel da Grota Funda, fazendo menção à antiga estrada da Grota Funda. Como eu tinha tempo de sobra, resolvi pegar a antiga estrada e me esbaldar naquelas curvas. Pegando a estrada do Pontal, passei em frente à casa da Xuxa, na entrada do Museu do Pontal até chegar na Praia do Pontal. Peguei a estradinha e quando chego no mirante para minha surpresa vejo que não fui só eu que tive a brilhante idéia de ver o nascer do Sol...
Que bacana! Sensacional! Maravilha! Se não fosse um sonho. Hoje acordei às 9:45 e nem escutei o despertador tocar... Mas amanhã eu vou...

Reflexões em mais um dia de home office

Parece que estou num big brother: trabalho sentado no sofá da sala, com o notebook sobre as pernas e a tv ligada à frente para acompanhar as notícias. Ao lado uma xícara de café, que abasteço de tempos em tempos. A cada 15 min mais ou menos me levanto para buscar o café, ou procurar na cozinha algo pra comer, ir ao banheiro, pegar uma cachacinha mineira, sair à sacada pra apanhar uns minutos de sol direto, ou simplesmente andar a esmo pelo apartamento, observando os mesmos papéis, os mesmos livros, a mesma correspondência jogada sobre a mesa, as mesmas plantas, o pé de melancia que começa a dar flor na janela da cozinha... De volta ao sofá, notebook repousado nas pernas, celular no braço do móvel, retomo a digitação. Como estou só, não tenho pruridos de, sem constrangimento, em intervalos regulares, meter a mão dentro da bermuda para ajeitar o maldito saco, que fica mal acomodado pela posição em que estou sentado. Com essa mesma mão me sirvo de café, castanhas, apanho o celular pra conferir o “zap”, bato forte nas teclas, coço a cabeça, os olhos, o nariz e, de novo, o saco. Maldição, eu não me estenderia a mão se me encontrasse agora! O que vale é que estou sozinho, ninguém me vê nessa decadência. Consigo fechar o primeiro trabalho, me levanto para fazer mais um café, mera desculpa pra esticar as pernas. Fujo um pouco pro Twitter, um post me chama a atenção,  retuíto com um comentário em geral chulo (digo pra mim mesmo que devo me conter... Em vão), leio mais um, dois, dez posts ... entro em piloto automático... Retomo a razão , fecho a rede, volto ao trabalho razoavelmente desestressado. Me sento novamente, o maldito saco reclama a acomodação, atendo a demanda. Vou para o próximo trabalho, teclo rápido um parágrafo, abro o segundo, antes de concluí-lo o celular ao lado apita várias vezes, mais mensagens no zap. Interrompo a digitação, apanho o celular, abro as mensagens - um monte de bom-dia. Respondo alguns com uma carinha, passo batido por outros. Dessa vez nenhuma piada, que saco! A TV à frente também não traz novidade, só trânsito, a previsão do tempo, imagens enviadas por telespectadores chatos ... Falo com a TV: vai tomar no ..., vá se f, alguém jogue uma kombi nesse fdp... Corrijo os repórteres:  “houveram é a tua mãe”, “a maioria são é?, filho da p...!” Volto ao teclado, abro a página do cliente, leio o que há, torcendo que não haja nada. Começo a elaborar um raciocínio sobre o conjunto das informações que extrai. A desgraça do cliente é a minha alegria; quando não tem nada é um suplício construir um raciocínio. Concluo mais um trabalho, reinicio o processo de “desestressamento”. Até quando isso vai durar?? Nem carro passa na rua pra me distrair. Olho as horas no celular e abro mais mensagens do zap. Opa, essa vale a pena compartilhar... Droga, mais um spam. Deleto. Oba!!! uma piadinha boa, vou mandar pra umas pessoas. Dou  risada sem parar, queria ter sacado essa! A TV silencia; na tela a mensagem: “tem alguém
assistindo?”. Pego o controle e clico ok. Volta a programação. Abro a página de outro cliente desejando que não haja nenhuma informação.  Carai, 50 notícias, a maioria abobrinha. Que merda. Penso em tirar um cochilo, mas resisto e tomo mais café. Olho o caos na pia da cozinha e me ocorre que limpar aquilo seria uma boa fuga do trabalho. Lavo uma xícara, o aparador do filtro de papel, deposito os dois no escorredor de água. Volto a mim e retomo o trabalho, agora com a mão limpa. Me sento no sofá novamente e, antes de depositar o notebook nas pernas, novamente acomodo o saco (penso que as mulheres não passam por isso .. .). Volto a escrever; num lance rápido de olhos sinto que alguém me observa de um dos apartamentos à frente do meu. Fico invocado, diviso janela por janela para identificar o intruso / a intrusa. Nada, só uma bandeira do Brasil colada em uma das janelas quebra a monotonia da fachada (há de ser um bolsominion, penso). Insisto na busca, tenho certeza de que senti olhos devassando a minha intimidade. Não tenho sucesso, mas estou certo de que sou vigiado! É um big brother dissimulado, um show do Truman ... Que merda, agora fiquei constrangido para ajeitar o saco de novo!!! PQP, não - penso comigo. Agora é que vou mexer no saco ostensivamente. Aqui pra você, curioso / curiosa; aqui, ó!!!!