quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Memórias da vida em uma república (I)



Francisco Duarte

Em 1977 eu era apenas um rapaz latinoamericano, sem dinheiro no banco e sem parentes importantes. Só não vinha do interior, já vivia em Curitiba e dividia uma espécie de república com meus irmãos Fernando Wagner, João Luiz (o Joca) e Maria Lucia, mais o lendário amigo Aldo Theis.

O Wagner era nosso contato com o mundo "in", aquele que vê a vida emoldurada numa página de Caras. E o Aldo era uma espécie de guru da turma, cheio de histórias e sacanagens pra contar. Ambientado no Posto 6 de Copacabana, poeta premiado em Buenos Aires, teatrólogo, ele encantava as curitibanas bem-nascidas que vinham na cola do Wagner.

Uma dessas personagens vip, que não recordo o nome, se deslumbrava facilmente com qualquer modismo. O Aldo aproveitou. Um dia, no meio de um conversa banal, ele solta essa:

- A última moda na Europa é praticar o fellatio. Mas - advertiu - só com autorização médica!

Aquilo ficou na cabeça da moça, que na primeira oportunidade inquiriu seu médico de família:

- Doutor, será que estou apta a praticar o  fellatio?

Dias depois ela reaparece em nossa república disposta a comer o fígado do Aldo:

- Seu filho da mãe, por sua causa fiz papel de idiota com o médico que me conhece desde criança!

O episódio nos rendeu uns 2 anos de gargalhadas. E ainda rende uns bons momentos, quando um de nós reconta o caso. Por conta do Wagner a história ganhou um outro final, bem mais interessante que a descompostura que o Aldo levou. E como a versão é quase sempre melhor do que o fato, lá vai ela pro mundo:

Refeito da surpresa, o tal doutor não se fez de rogado:

- Claro que pode praticar o fellatio; (e abrindo o avental) aliás, pode começar agora mesmo!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A "Boris Casoy" portuguesa pegou o dela!

Apresentadores de telejornais que manipulam fatos e opiniões. Que ouvem sempre as mesmas fontes para repetir as rematadas asneiras de encomenda. Que ignoram solenemente o código de ética profissional e fazem da profissão um puxassaquismo explícito de notórios políticos, empresários e celebridades, sempre tratados com mesuras e reverência.

Não, não estamos falando do casal Bonner, Mirian Leitão,  Alexandre Garcia, William Waack, Boris Casoy, Jô Soares, Lucia Hipólito, Augusto Nunes, Arnaldo Jabor e outros menos notórios. Tudo se aplica a eles também, mas a espinafrada quem levou foi a songo-monga apresentadora do Jornal Nacional de Portugal, uma espécie de Bóris Casoy lusitana. Maior barraco! Muito bom de ver/ouvir.



terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Missa de 30º Dia por Fernando Wagner


Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará (Evangelho de São João)


Nesta terça-feira, 29, nosso amigo padre João Rocha celebrou missa pelo 30º dia de falecimento de nosso irmão Fernando Wagner. O tema da Homilia foi "As três casas". Resumindo a fala do pe. João, a primeira morada durou o período de gestação. Para conhecer o sorriso de dona Ecéa, Fernando, a contragosto, precisou deixar o conforto do ventre materno. A segunda casa foi o mundo, onde Fernando viveu 57 anos e cativou amigos definitivos. Em 3 de dezembro último, resistindo até seus últimos esforços, Fernando viu-se na contingência de deixar a segunda casa. Era sua hora; o Pai Eterno desejava mostrar-lhe seu rosto. Novamente a contragosto  Fernando partiu para a terceira e definitiva casa, a morada de Deus. A mensagem do amigo João Rocha nos coloca diante dos mistérios insondáveis da existência e oferece o conforto de aceitar que nosso irmão apenas encetou uma nova jornada, a mesma que nos aguarda a todos.

Assuma o controle da sua TV

Ao contrário do que os marqueteiros da Ambev crêem, propaganda de cerveja pode e deve ser inteligente. Eis a prova!



segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Duartinha engraçadinha


Véspera de Natal, envio e-mail a Mayara, minha alemãzinha, pedindo que escolha um presente no site Amazon.com. A garota me responde em verso:

Se você quer me mandar um presente
Tenha em mente:
É só um sapatinho e a mulher fica contente!

Nostalgia: propagandas do tempo dos nossos pais!


Veja mais fotos como esta em Portal Luis Nassif

domingo, 20 de dezembro de 2009

Deus existe!

Pra moçada que não conhece Elza Soares! Benza Deus! A mulata canta uma obra-prima do samba do morro, chamada Malandro. A composição é do tempo em que malandro era um tipo carioca bastante querido, um boa vida ingênuo. Tão ingênuo a ponto de Jorge Ben cantar "se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem" (Caramba, Galileu).




Elza Fada

sábado, 19 de dezembro de 2009

É de dentro do peito que a nave sai

Pitty super sexy cantando com Zé Ramalho, letra de Chico César. O ex-RPM Paulo Ricardo na guitarra, com Robertinho do Recife. E o Legionário Marcelo Bonfá na bateria. Ótimo sábado pra todo mundo.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

CloacaNews exige que a Folha se dê o respeito


O excelente Blog CloacaNews notificou a Folha de São Paulo, exigindo que se abstenha de usar o título de jornal, uma vez que se trata de um panfleto de 5ª categoria, assim como deixe de usar o slogan "a serviço do Brasil", já que a Folha está, na verdade, a serviço dos panetoneiros Demos/Tucanos. Segue a notificação encaminhada à Folha:


Ao Otávio Frias Filho
Diretor de Redação da Folha de S.Paulo
Alameda Barão de Limeira, 425 - Campos Elíseos
São Paulo, SP



Na qualidade de procuradores do blog Cloaca News (http://cloacanews.blogspot.com) servimo-nos da presente para - sem prejuízo de quaisquer outras providências que possam ser levadas a efeito - notificá-lo a respeito do que segue:

- sua gazeta, em passado recentíssimo, publicou uma falsa "ficha do Dops" da Ministra Dilma Rousseff;
- publicou artigo de um psicopata acusando o Presidente Lula de assassinato;
- classificou de "ditabranda" o sanguinário e abjeto regime de exceção vivido no país entre 1964 e 1985;
- sua gazeta tem ocultado da população absolutamente todas as falcatruas dos governos demotucanos, notadamente o de José Serra, em São Paulo;
- sua execrável gazeta publicou, sem qualquer tipo de averiguação, um indecente e ignominioso artigo acusando o atual Presidente da República de ter praticado estupro.

Os casos supracitados são apenas alguns exemplos das imundícies estampadas diariamente pela sua Folha, à guisa de "jornalismo".

À face do exposto, estamos notificando-o para que se abstenha de chamar de "Jornalismo" essa porcalhada impressa com a logomarca Folha de S.Paulo. Outrossim, que se abstenha de utilizar o lema "Um jornal a serviço do Brasil" em seu frontispício, visto que, além de conspurcar o conceito de "jornal", sua gazeta tem demonstrado, amiúde, que está "a serviço" de grupos e interesses espúrios e inconfessáveis.

Alterum non laedere.

Sem mais,

Cloaca & Cloaca Associados

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Cancele o UOL e ganhe um panetone autografado pelo Arruda

"Classe Média" é uma homenagem de um cantor popular aos fiéis que freqüentam os cultos da revista Veja, dos jornais Folha de São Paulo e O Globo e do Jornal Nacional, entre outros, de outras seitas midiáticas.

Aleluia, irmãos! Vai passar a sacolinha!
Quem tem 100 reais pra dar à Bispa Miriam Leitão?
Quem vai dar cinqüentinha pro obreiro Boris Casoy?
Vintão pra Corrente Empresarial do Ali Kamel?
Quem vai doar 10 paus para os Bispos Willian Bonner e Fátima Bernardes?
1 realzinho pro obreiro Augusto Nunes, quem é que vai colocar na cestinha?

Participe da Fogueira Santa da Folha e cancele a assinatura do UOL para ganhar um panetone autografado pelo governador Arruda!

Vai começar o culto à personalidade do Zé Serra. Ergam as mãos ao alto e entõem com o Max Gonzaga, vencedor do Festival da TV Cultura de 2005 (é velhinha, mas verdadeira):

"Sou classe média, papagaio de todo telejornal ...
Eu acredito na imparcialidade da revista semanal ..."
   

sábado, 12 de dezembro de 2009

Marcelle, que amava Fernando Wagner

Homenagem de Marcelle Duarte ao seu pai e nosso irmão, Fernando Wagner. O texto que inspirou Marcelle é uma das mais belas passagens bíblicas, uma das Cartas de São Paulo aos Coríntios, na qual o apóstolo fala da supremacia do amor sobre as demais virtudes. Poesia em essência, que Renato Russo musicou, mesclando com o soneto de Camões (Amor é fogo que arde sem doer). Para quem não é legionário, esclareço: falo de Monte Castelo, do CD Quatro Estações.

Marcelle complementa: A música que faz fundo à leitura da Carta de São Paulo aos Coríntios é "Tocando em frente", do mato-grossense Almir Sater, interpretada por Oswaldo Montenegro. Após ela, uma canção que o Wagner pedia a Michelle para tocar no mp3, sempre que a Mi ia ao hospital cuidar dele. Chama-se "Blowing in the wind", composta e interpretada pelo Bob Dylan.

Para nós, a resposta segue soprando no vento. Wagner já a conhece.



sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Mulheres do Brasil, uni-vos!

Francisco Duarte

Depois do Lula, a Dilma. Uma mulher pela primeira vez no comando da Nação brasileira. E o melhor: bonita, inteligente e corajosa. Mineira com jeitão de gaúcha, que é pra dosar a afetividade generosa com a faca na bota.

Vocês vão ouvir dizer que era terrorista, que comandou assaltos a bancos e ao cofre do governador Ademar de Barros, o inspirador da frase "rouba mas faz". Que não é simpática, que mente. Vão insinuar até que é sapatão. E muitas outras besteiras inventadas por gente que não gosta de mulher.

Ou gente que até gosta, mas só reserva às mulheres papéis subalternos de primeira-dama, patronesse de obras sociais e chás beneficentes, no máximo a direção de alguma ONG benemérita (em geral, para o bolso da dondoca). Protagonismo da História mesmo, só para os homens.

A ridícula "função" de primeira-dama foi remetida ao lixo da História pela Dona Marisa, que se recusou a cumprir esse papel submisso, caro e inútil. A Dilma vai sepultar de vez essa inutilidade, própria de sociedades provincianas.

A Dilma representa o mulherio rompendo com tudo isso, e muito mais.

Parodiando os velhos Marx & Engels, ouso conclamar: "Mulheres de todo o Brasil, uni-vos! Nada tendes a perder, a não ser vossos grilhões!

Para quem não assistiu - e em especial para Pollyanna, Gretel, Mayara (2), Angélica, Nicole, Emelly, Camila, Ianka, Caroline, Adriele, Renatinha, Maria Clara, Maísa, Carol, Hynara, Gabrielle, Isabelle (2) e Tarsila, grandes mulheres da década que está para se iniciar -  posto o programa de TV do PT veiculado esta semana, apresentado pelo Lula mas protagonizado por essa grande mulher, Dilma Roussef. Invistam 10 minutos nesse vídeo, vale a pena.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Folha, um jornal na UTI

Francisco Duarte

A burrice é veneno fatal, mas que mata aos poucos. Jornais podem padecer de muitos males, exceto da burrice crônica. O Estado de São Paulo quase foi para o buraco nos anos 80, vitimado pela concorrência da Folha, que surgia como o grande e moderno jornal brasileiro. A burrice do Estado de São Paulo não estava no conteúdo do jornal - de qualidade excepcional, sempre. Estava, sim, na mentalidade de alguns velhos comandantes do veículo, conservadores a ponto da obtusidade. Negavam-se a perceber que o produto que faziam havia sido apropriado pelo grande público, que conferira ao jornal o apelido "Estadão". Essa marca - Estadão -, de um valor imaterial inestimável, era rejeitada pelos velhos Mesquita, como naúfrago que recusasse a salvação em uma tosca canoa. Publicitários abriram os olhos da nova geração que assumia o comando da empresa nos anos 80, fazendo aqueles jovens empresários verem o tesouro que tinham em mãos. O apelido "Estadão", até então "proibido" pronunciar na redação, passou a ser exibido não só na propaganda dO Estado de São Paulo, mas se tornou freqüente no texto dos repórteres, exprimindo a intimidade do jornal com as fontes das notícias. Em conteúdo e qualidade, o Estadão sempre foi superior à Folha, mas estava fadado a morrer por ignorar que seu público, mesmo conservador, sofria as influências de um mundo que se abria e se modernizava. Hoje quem definha a olhos vistos é a Folha de São Paulo, vitimada pela mesma obtusidade que levou o Estadão para a UTI, de onde quase não saiu. Há muito a Folha de São Paulo deixou de ser um jornal independente e de ter o "rabo preso com o leitor", como propagandeava. Há muito a Folha se acumpliciou com o pior da política paulista. Houve tempos de arreglos com Orestes Quércia e com Paulo Maluf. Houve tempos menos sórdidos, de arreglos com Franco Montoro, com Mario Covas. Hoje a Folha não passa de um "diário oficial" de José Serra, encobrindo toda a qualquer denúncia de corrupção e incompetência dos governos tucano e demo. O caos em que o estado e a cidade de São Paulo se transformaram em quase duas décadas de administrações do PSDB e do DEMO é atribuído pela Folha às intempéries, aos acidentes da natureza, a São Pedro, aos nordestinos que migraram para erguer a metrópole... As denúncias de superfaturamento das obras do metrô e do Rodoanel, o uso da Sabesp para fazer autopromoção do governador em todos os recantos do Brasil, as evidências de corrupção na relação dos tucanos com a multinacional Alston, viadutos que caem sobre a cabeça dos motoristas, os engarrafamentos diários que chegam a dezenas de quilômetros, a cidade que sucumbe sob as chuvas de verão, entre outras tragédias diárias, são tratadas pela Folha com leniência e uma passividade que contrastam com o tratamento que o mesmo jornal dava à ex-prefeita Marta Suplicy. Em troca dessa cordialidade, a Folha é salva pela aquisição de milhares de assinaturas feitas pelo Governo José Serra para distribuir aos professores da rede pública (o mesmo que o governador Serra faz com a editora Abril e suas revistas Veja e Nova Escola). A Folha, que nos anos 80 vendia mais de 1 milhão de exemplares aos domingos e podia ser encontrada às 7 horas da manhã nas bancas de cidades como Cascavel, no Paraná, ou Fortaleza, no Ceará, hoje vende apenas 22,5 mil exemplares diários e já não tem mais circulação em todo o território nacional. A Folha de São Paulo, que um dia exibiu editorial na primeira página dando um "Basta!" ao então presidente Fernando Collor, tornou-se um jornal que agoniza em praça pública, vitimado pelas mentiras que publica para atender o projeto político de José Serra. Perdeu o respeito pelos leitores, perdeu o respeito por seu público de centro-esquerda, perdeu o respeito por sua história recente, cunhada a partir do finalzinho dos anos 70, sob o comando e inspiração de Claudio Abramo. E reassumiu a vocação de "sabujo" da ditadura, que exerceu em plenitude nos anos mais negros do regime militar (a quem interessar, recomendo o livro "Novos Cães de Guarda"), quando emprestava suas caminhonetes para transportar militantes políticos e estudantis para os porões do Doi/Codi, de onde muitos saíram para o cemitério. A Folha está morrendo. E não haverá quem chore em seu buraco.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Huguinho subiu

Nosso amado irmão Fernando Wagner - o Huguinho da crônica Tio Patinhas e os sobrinhos do Donald - nos deixou nesta quinta-feira, dia 3/12, aos 57 anos. Acreditamos que a esta hora ele está na companhia dos amados pai, tio Werty, tio Brevício, Tia Nícia, Tia Lili, vô Borges, vó Ottília, Antonio de Pádua, Jaqueline, Edu Reinoldo, Chiquito, Mariinha, Washington, Zezé, Drula, Alvino, Aldo, Cássia, Janina, Manoel (2), Nandy, Eurides, Humberto, Ivone e tantos outros que compartilharam conosco um pouco da alegria de suas vidas.


Em homenagem ao Wagner,
um mosaico de fotos recentes dele feliz na companhia dos amigos e familiares. É assim
que desejamos lembrar dele. Detalhe: em uma das fotos ele exibe orgulhoso fotos do Eco-Cargo, esses carrinhos de distribuição da Cola-Cola, dos Correios e de outras empresas que vocês vêem nas regiões centrais da cidade. O Eco-Cargo foi invenção do Wagner, uma das muitas que saíram da cachola criativa desse genial Professor Pardal.