O poema 'O outro Brasil que vem aí', de Gilberto Freyre, criado no ano de 1926. Tão Antigo, Tão Atual! No vídeo que segue, o poema é declamado pela Verônica, do Canal Trago um Livro.
sexta-feira, 31 de outubro de 2025
quarta-feira, 29 de outubro de 2025
Abstenções, a campeã de votos
Esta postagem reproduz o conteúdo de um paper produzido em 2023/2024 para orientar estudos sobre os resultados das eleições municipais daquele ano. Decidi torná-lo público em razão da repetição do fenômeno nas eleições legislativas na Argentina.
José Ribeiro Jr, publisher do The Villa Biscaia Post
O principal fenômeno nas eleições municipais de 2024 provavelmente não tenha a ver com um suposto crescimento da direita ou o também suposto encurtamento da esquerda. Tampouco é um fenômeno que surgiu apenas no pleito atual; já estava presente nos mais recentes pleitos, sinalizando um crescente desinteresse pelas eleições. Então, o elemento "novo", que definiu direta ou indiretamente o resultado das urnas, pelo menos nas grandes capitais, foram a ABSTINÊNCIA - principalmente - e o VOTO EM BRANCO de cerca de 1/3 dos eleitores.
Esse fenômeno ocorreu tanto no primeiro como no segundo turno, em diferentes capitais, como Curitiba e São Paulo, talvez evidenciando uma nacionalização dessa tendência. A questão é estudar o que motivou esse procedimento e o que levou a isto.
Uma hipótese é o descrédito da população com o sistema político e com as autoridades em si.
Seria importante identificar ideologicamente esse um terço que virou as costas aos candidatos. Talvez por coincidência, esse é o mesmo tamanho daquele contingente que nas eleições em geral flutua entre a esquerda e a direita, pendendo para o lado que se mostrar mais capaz de lhe acrescentar valor.
Se assim for, são pessoas que olham nos candidatos valores como coerência e credibilidade. Aqueles assim identificados são aceitos, sendo de esquerda ou de direita, porque passam a ideia de que suas escolhas, ainda que contrárias aos interesses imediatos de seu eleitores, são as possíveis naquele momento, ou as mais adequadas. Passam a ideia de que não agem por interesses menores, ou particulares, em geral escusos. Por não identificar esses valores nos candidatos com maiores chances de serem eleitos, esse tipo de eleitor não aceitou se associar nem ao candidato da direita, nem ao da esquerda.
O ocorrido na disputa em São Paulo dá força a essa hipótese. Uma parcela do 1/3 que preferiu se abster ou votar em branco em vez de destinar o voto à dupla Guilherme Boulos/Martha pode ter na lembrança o Boulos e a Martha de 2013, quando - um movido por ambição, a outra por despeito - uniram-se à extrema direita para tentar destruir o PT e a então presidente Dilma Rousseff.
Vale recordar: em um dos melhores momento de todos os tempos do Brasil, em 2013, Guilherme Boulos liderou o movimento "Não vai ter Copa", que descambou em quebra-quebra em todo o País, incentivado por provocadores da extrema direita e turbinado pela velha mídia - Jornal Nacional e revista Veja à frente.
Se alguém havia esquecido dessa página negra do candidato do PSOL, o neoextremista de direita, Aldo Rebelo, tratou de lembrar ao produzir um vídeo usado pela campanha adversária no qual sentenciava, arremedando Boulos contra a Copa do Mundo no Brasil: "Não vai ter Boulos".
Martha ex-Suplicy não fez menos. Tomada de ódio contra Dilma Rousseff, Martha aliou-se ao então vice-presidente Michel Temer em um golpe de traição contra a presidenta, que resultou no impeachment sem crime de responsabilidade. Então deputada, Martha não apenas votou a favor da derrubada de um governo escolhido democraticamente pela maioria da população; ela cassou o mandato da primeira e única mulher que chegou à Presidência do Brasil e entregou o poder a um homem sem votos e tampouco méritos para ocupar essa posição. E não foi só: feminista de carteirinha, Martha justificou a ausência absoluta de mulheres na equipe ministerial de Michel Temer, fato que considerou natural.
Não foi a primeira pisada de bola feia da ex-petista. Quando tentava a reeleição à Prefeitura de São Paulo, em disputa com o então quase desconhecido Gilberto Kassab, para quem perdeu, mesmo sendo reconhecida como "melhor prefeita de São Paulo de todos os tempos", Martha sugeriu de maneira dissimulada que o adversário era homossexual.
Ela reagia a uma campanha difamatória nas redes sociais que pregava o voto em Kassab e se valia da posição da então prefeita em defesa dos direitos dos homossexuais para "demonizá-la" perante eleitores ultraconservadores. Tais páginas, se não tinham autorização de Kassab, também não eram renegadas por ele, supostamente também homossexual.
Questionado por Martha se era casado, tinha filhos..., Kassab não precisou responder, tampouco se defender, o que o desgastaria; a mídia contrária a Martha tratou de atacá-la, acusando-a de ser homofóbica, e os movimentos LGBTQIA+ , sempre defendidos pela ex-prefeita, engrossaram os ataques. Poupado da exposição negativa por uma "imprensa amiga", Kassab derrotou Martha nas urnas e se consolidou como um dos principais líderes partidários nacionais.
Em Curitiba, onde os candidatos de direita predominaram, esse 1/3 que não votou ou optou por votar em branco pode ter agido por se sentir enganado pelos principais nomes de extrema direita que os apoiavam: o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-juiz, atual senador Sergio Moro.
Tanto Bolsonaro como Moro possuem seguidores ideológicos de extrema direita, que os apoiam de maneira cega. Esses possivelmente se dividiram entre os candidatos Eduardo Pimentel e Cristina Graeml, especialmente ela. Eleitores de centro-esquerda e de esquerda possivelmente deram o seu voto em segundo turno a Pimentel (não por ele, mas para evitar a vitória dela).
Entre os que viraram as costas aos dois candidatos de direita, certamente estão uns poucos militantes da extrema esquerda, que julgam com isso "marcar posição". Fora esses poucos, o grosso da parcela que não compareceu às urnas ou anulou optando pelo voto em branco possivelmente é composto pelos desiludidos de Bolsonaro e Moro.
Outrora, o ex-presidente militarista recebeu votos desse contingente em razão da agressiva campanha de mídia contra o PT e Lula. Mas o seu desastrado governo e sua constante agressão à Democracia e às leis fizeram abrir os olhos desse público.
O mesmo ocorreu em relação ao ex-juiz, cujas atitudes reveladas pela Vaza Jato e o fim da blindagem que a velha mídia lhe concedia expuseram o seu caráter ambicioso e carreirista aos olhos desse público conservador.
O que pode ser feito
O aqui exposto não tem suporte científico; trata-se apenas de uma tentativa de interpretar o fenômeno abstinência a partir de um olhar sobre o diversificado noticiário das eleições de 2024 e das manifestações sobre o tema nas redes sociais, em especial o X (ex-Twitter), WhatsApp e Facebook. A análise empírica deveria ser complementada com uma pesquisa com esse público, para identificar suas razões.
Trabalhando sem a confirmação por pesquisa, considerando ser verdade o quadro descrito, cabe às forças de esquerda e centro esquerda conquistar ao menos uma parte significativa desse público conservador para obter sucesso nas próximas eleições de 2026. Para isto, a Comunicação deve ter um caráter de ESCLARECIMENTO, não apenas informativo.
domingo, 19 de outubro de 2025
O melhor do Choro Brasileiro nesta quinta-feira, na Sala da PUC/PR
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| Trio Meyer Ferreira e amigos |
A apresentação GRATUITA integra o Circuito Cultural PUCPR 2025 e conta com patrocínio da Chamex.
Serviço:
Trio Meyer Ferreira
Data: 23 de outubro de 2025
Horário: 20h
Local: Biblioteca Central da PUCPR (Rua Imac. Conceição, 1155, Prado Velho)
Live das Quintas-feiras: Cartola e muito Choro!
domingo, 12 de outubro de 2025
Minhas impressões sobre a Cidade de Manaus
Quem visitar Manaus pela primeira vez deve estar preparado para encontrar uma cidade envelhecida, maltratada pelas administrações municipal e estadual, com muita sujeira nas ruas, que fedem a urina e fezes. Não era o que eu esperava encontrar na cidade que está no nosso imaginário desde os primeiros anos escolares, quando as professoras nos falam de um grandioso rio, um dos maiores do mundo, que atravessa uma floresta magnífica, de árvores mais altas do que os mais altos edifícios e que 10 homens não são suficientes para abraçar uma delas.
O saneamento da cidade é precário e não é raro encontrar esgoto escorrendo a céu aberto em áreas centrais. Ao longo de uma avenida estrutural, no lado Leste da Cidade, em um canal que separa as vias é despejado esgoto sanitário de moradias, empresas e pequenas indústrias, formando um córrego esverdeado e fétido.
Joga-se todo o tipo de lixo nas ruas (copos de plástico, garrafas pet, papel e papelão, frutas estragadas ...), mesmo em áreas em que há equipamento público para descartes. Muitos bueiros estão entupidos de resíduos a ponto de vedar as grades por onde deveria escorrer a água das chuvas. A cultura da sujeira impera, especialmente no Centro envelhecido de Manaus.
A área portuária é um pouco mais cuidada, talvez porque bastante frequentada por turistas estrangeiros que embarcam para passeios pelas águas do Amazonas. O Terminal Hidroviário não tem a sofisticação de aeroportos, está mais para rodoviárias, mas preserva um padrão razoável de limpeza e conforto - como ar condicionado - aos frequentadores. No portal de vidro de acesso ao terminal um COMUNICADO em boas dimensões avisa que os banheiros daquele ambiente público "são para uso exclusivo dos passageiros em viagens e clientes do centro comercial" e que é requerida a "apresentação do QR Code obtido com os lojistas ou bilheteria". Isso ajuda a explicar porque das ruas de Manaus emanam maus odores.
COMÉRCIO DE ZONA FRANCA
A região central da cidade é pulverizada de pequenas lojas de comércio de produtos importados. As ruas, apinhadas de lojas, vendedores e compradores se assemelham bastante a Ciudad Del Este, no Paraguai, assim como à Rua 25 de Março, em São Paulo, ou o popular bairro de Madureira, no Rio de Janeiro. Produtos eletrônicos, perfumaria, roupas, anabolizantes, quinquilharias de cozinha são algumas das mercadorias ofertadas ao público em disputa vocal pelos anunciantes.
Às 19 horas o Centro da Cidade "morre" com o fechamento das milhares de lojinhas de importados e o encerramento das também milhares de barraquinhas de frutas, roupas populares e badulaques em geral. Ruas antes apinhadas de pessoas repentinamente se tornam desertas e até o movimento de veículos cai consideravelmente. Quem caminhar pelas ruas vazias, especialmente turistas, irá se surpreender, mas nada que represente insegurança.
A propósito, a atual administração do Amazonas tem uma campanha de segurança pública curiosa, que usa o vocábulo "PAREDÃO" para transmitir a ideia de proteção às pessoas, ao mesmo tempo em que sugere uma advertência a quem pretenda cometer algum delito. O Sistema Paredão, como é denominado o programa de segurança do Governo em parceria com a Associação Comercial do Amazonas, faz a integração das câmeras de vigilância das empresas com a base da Secretaria de Segurança Pública do Estado. O compartilhamento das imagens captadas pelas câmeras privadas com aquelas dos totens estatais espalhados pelas ruas e praças de Manaus, que fazem o reconhecimento facial e veicular, reduziu significativamente as ocorrências de roubos e furtos na Capital e levou à prisão de pessoas condenadas e foragidas. Parece que funciona.
MANUTENÇÃO PRECÁRIA OU ZERO
Manaus, como já disse, é uma cidade de arquitetura e infraestrutura envelhecidas, o que não significa carência de recursos, mas desleixo da administração pública. O Estado teve um Orçamento aprovado este ano de R$ 31,4 bilhões, parte considerável proveniente do Polo Industrial de Manaus, mas também do setor Serviços, que está no topo da composição do PIB amazonense.
A propósito, a rede hoteleira, com exceção daquela instalada no Polo Industrial, está igualmente envelhecida. Às vezes, precocemente envelhecida, revelando falta de investimentos em manutenção. É verdade que essas são impressões de um viajante acostumado com a qualidade bastante razoável da infraestrutura de Turismo existente no Sul e no Sudeste, principalmente nessas duas regiões.
A falta de uma manutenção mais frequente não explica totalmente a deterioração precoce da infraestrutura da cidade e dos equipamentos públicos; aparentemente, há uma baixa qualidade dos materiais utilizados nas construções. Isto se percebe, por exemplo, no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, totalmente reformado e modernizado na preparação do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Notadamente, a estrutura metálica do aeródromo de Manaus é de qualidade bastante inferior àquela de outros aeroportos reformados na mesma época, como o Affonso Pena, na Região Metropolitana de Curitiba, ou o Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, na vizinhança de Natal/RN. Desleixo, corrupção, incompetência???? Essa é uma pergunta sem resposta.
QUESTÃO CULTURAL
Independente disso, a frágil estrutura de saneamento, a falta de uma política de urbanização, a precarização dos serviços públicos, tudo isso somado à cultura de boa parte da população manauara que parece ter naturalizado o péssimo estado de limpeza e conservação das vias públicas compõem o retrato das áreas centrais de Manaus. Esse quadro não é exclusivo de Manaus, frise-se; as periferias de São Paulo e do Rio de Janeiro, por exemplo, diferem pouco ou nada da área mais antiga de Manaus. Mesmo na chamada "área nobre" como a Ponta Negra, a bonita praia fluvial manauara, a baixa qualidade dos materiais dos equipamentos públicos empresta um aspecto envelhecido a estruturas como o anfiteatro ao ar livre, construído à beira do Rio Negro.
São dois exemplos - o Anfiteatro e o Aeroporto - demonstrativos de que os administradores públicos do Amazonas tratam mal indistintamente tanto os ricos como os pobres. E isso contrasta com a alta qualidade e bom gosto daqueles que construíram o internacionalmente famoso Teatro Amazonas, uma das maravilhas brasileiras.
HERANÇA DOS BARÕES DO LATEX E VIDA NOTURNA
As luxuosas e de bom gosto instalações do Teatro Amazonas são testemunhas do luxo e riqueza que imperavam na época áurea dos seringais: dos lustres que iluminam os ambientes, ao mármore das escadarias e colunas, passando pelas cadeiras originais da plateia e dos camarotes, assim como os espelhos de cristal, quase tudo veio importado da Europa. A madeira e a arte brasileira estão presentes no piso do Salão Nobre, que exibe um mosaico de cores formado por pequenas peças geométricas feitas em jacarandá e pau-amarelo, madeiras nobres brasileiras. A pintura que ilustra o teto do Salão Nobre é uma obra do artista italiano Domenico de Angelis, intitulada "A glorificação das Bellas Artes da Amazônia".
À frente do Teatro abre-se uma ampla praça, com barzinhos e restaurantes dividindo espaço com a majestosa Igreja de São Sebastião, contemporânea da construção do Teatro. O local (Largo São Sebastião) é bastante frequentado, especialmente à noite, quando o calor de Manaus dá uma mínima trégua. É um dos pontos do centro de Manaus em que há vida noturna.
Outra coisa que chama a atenção em Manaus é a pintura de elementos característicos da Amazônia na fachada de grandes prédios públicos, como o edifício do Ministério da Fazenda, onde uma criança indígena descansa apoiada em um tronco de árvore pendente sobre o Rio Amazonas. Outras edificações exibem elementos da fauna e do folclore amazônico, ilustrações que distinguem as construções em meio à "floresta de concreto".
INDÚSTRIA DA FÉ
Na minha curta passagem por Manaus não consegui visitar o MUSA, assim denominado o Museu da Amazônia, que fica a cerca de 15 quilômetros do Centro de Manaus e onde o visitante pode optar por fazer os percursos por conta própria ou com um guia. Elegi a quarta-feira, véspera da viagem de retorno, para conhecer aquela atração sem saber que este é o dia dedicado à manutenção daquele espaço. (Também não fui ver o famoso encontro das águas (Rio Amazonas e Rio Negro), menos por falta de oportunidade do que por ser pouco afeito a navegações. Me bastei com as imagens disponíveis na Web).
Frustrada a visita àquele museu ao ar livre, optei por retornar ao hotel de ônibus e assim apreciar melhor o trajeto. O transporte coletivo não contrasta com a cidade em geral, isto é, os ônibus são igualmente velhos e mal cuidados, mas a curta viagem valeu a pena pela experiência de viver um pouco do dia a dia do trabalhador manauara. A propósito, o povo de Manaus é amistoso e gentil em todas as situações e compartilha com os visitantes o desagrado pela má administração pública da cidade.
Nesse trajeto me chamou a atenção o grande número de igrejas evangélicas no Amazonas, muitas das quais lado a lado, o que deve gerar uma disputa renhida por fieis e dízimos. Quando cheguei ao número 37 desisti, para não me perder nessa conta. (Em pé no coletivo, a dois passos de onde me sentei, um pregador passou todo o trajeto conclamando os passageiros a amarmos a Deus, e parecia desagradado comigo por não responder "amém" às dezenas de "glória a Deus" com que entremeava a sua fala.)
Mais tarde, buscando complementar informações no Google, li que o número de igrejas evangélicas em Manaus chegava a cerca de 8,5 mil congregações em 2024, de acordo com a Ordem dos Ministros Evangélicos do Amazonas.
A MESA E AS ÁGUAS DA AMAZÔNIA
A comida é um dos pontos altos de Manaus. Os pratos com peixes da Amazônia, como tambaqui e pirarucu, especialmente estes, preparados com receitas variadas são servidos na maioria dos restaurantes, dos populares aos sofisticados. Para quem, como eu, não aprecia tanto os pescados há opções como carne de sol com queijo coalho, acompanhada de farofa de banana da terra, purê de macaxeira e salada de palmito de pupunha. A banana da terra, também chamada banana pacovã é ingrediente de diversos pratos, sejam doces ou salgados, como o escondidinho de tambaqui com essa banana especial. Para arrematar, sucos de taperebá (ou cajá), cupuaçu, graviola, acerola, manga, goiaba - estes os mais comuns.
Na véspera da minha despedida de Manaus fui finalmente conhecer a famosa Ponta Negra, praia fluvial às margens do Rio Negro, que fica a cerca de 15 quilômetros do centro da cidade. Parece outra Manaus: avenidas largas, bem iluminadas e sinalizadas, amplas calçadas com as mesmas pedras portuguesas da decoração de Copacabana, ciclovias, equipamentos urbanos, mirantes que dão para o Rio Negro, projeto de paisagismo e outras belezas comuns nos grandes centros.
Assim encerrei a minha curta (uma semana) e boa estadia em Manaus, de onde levo saudades e boas recordações. Até a chuva torrencial que me apanhou nas calçadas da Ponta Negra foi providencial, pois me proporcionou um banho indireto nas águas amazônicas.
Para encerrar, preciso registrar uma certa impressão de que o meu velho, ensopado e encardido All Star deixado no quarto do Hotel Saint Paul me dirigiu um olhar de abandono no instante em que, à porta do quarto, fazia a última inspeção para não esquecer nada. É um tanto envergonhado que confesso que dei adeus a ele, agradeci pelos bons momentos que compartilhamos e encomendei-o aos cuidados da santa Cássia Eller para encontrar um novo parceiro e não acabar em uma sarjeta do Centro de Manaus. Fechei a porta e parti com o coração apertado. Deve ser coisa do Espírito da Floresta.
quinta-feira, 9 de outubro de 2025
Leandro Karnal Presidente do Brasil?
Essa consulta visava supostamente alguém não associado ao Governo ou à Oposição, que assumiria o comando do País temporariamente para convocar novas eleições, conforme era a interpretação constitucional feita por alguns. O filósofo disse não ter aceitado por não ter vocação para ser o Papa Celestino V, que assumiu o Papado no Século XIII em uma situação semelhante de embates entre duas facções, e acabou preso e morreu na prisão.
Karnal não citou nomes, mas é possível suspeitar de alguns personagens que têm (ou tinham) proximidade suficiente com o filósofo para tentar a abordagem, como os ministros Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, ambos do STF. Há quem mencione até um personagem menor, o ex-juiz lavajateiro e atual senador Sérgio Moro, bastante ligado ao também senador Flávio Arns.
O que parece certo é que era alguém ligado aos políticos tucanos, que contavam com a proteção do então juiz da Lava Jato para tentar voltar ao poder e aos negócios e para isto precisavam contar com um personagem de alta popularidade e vaidoso e ingênuo o suficiente para se deixar manobrar. Se assim tiver sido, isto encaixa perfeitamente com a resposta que Karnal afirma ter dado: "Não me chamem para tapar um incêndio que vocês querem manipular que eu seja o bombeiro. Não me chamem para isso".








