segunda-feira, 16 de março de 2026
Casa de papelão deixa moradores indignados em Rio Bonito do Iguaçu
por Luis Lomba, texto, e Joka Madruga, fotos
A reconstrução das moradias destruídas pelo tornado em Rio Bonito do Iguaçu é um dos tormentos dos moradores atingidos. Mais de quatro meses depois da tragédia, apenas uma das casas prometidas pelo governo paranaense foi entregue. O modelo desagradou a quem deveria beneficiar e causa indignação em gente como Ademar Borba, que teve a casa dele totalmente destruída no dia 7 de novembro de 2025. “Isso aí não é morada digna de uma pessoa que trabalha. Isso aí é um descaso com o ser humano”, afirma. Ademar Borba, funcionário público que perdeu tudo. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica Logo depois da destruição, Ademar optou por receber o auxílio de R$ 50 mil do governo estadual para reconstruir a casa destruída, mas foi convencido a aceitar a casa oferecida pelo governo paranaense, que seria construída mais rapidamente. “Com os R$ 50 mil eu poderia começar uma casa e ir fazendo. Me chamaram na Prefeitura, com quatro engenheiros, dois da Defesa Civil, um funcionário da Prefeitura e mais dois da construtora. Mostraram o projeto. Eu perguntei para a engenheira quanto custava essa casa e ela disse R$ 138 mil. Eu dei risada e disse que aquele galinheiro não gasta R$ 30 mil para fazer”, diz Ademar. A casa construída no terreno de Ademar tem só 36 metros quadrados e paredes de um material que parece papelão. “Isso aí é uma humilhação. Fazer isso aí, para mim, é querer humilhar o outro”, reclama Ademar, que é funcionário público estadual concursado e atua como agente 1 na escola estadual do município, fazendo a manutenção e ajudando na limpeza. Hoje ele é obrigado a morar com a sogra. Casa construída pelo Governo Ratinho Jr que virou piada em Rio Bonito do Iguaçu. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica Casa construída pelo Governo Ratinho Jr que virou piada em Rio Bonito do Iguaçu. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica Agora Ademar está de mãos atadas: gostaria de construir ele mesmo a nova casa, mas o terreno está ocupado pela casa em que ele não quer morar. “Eu não quero essa construção aqui. Além de tudo, o projeto foi executado no local errado do lote”, diz Ademar. Ele reclama que a disposição da casa no terreno impede que faça uma garagem, por exemplo. “Já falei pra eles que quero que nivelem meu lote e arranquem aquele paiol que fizeram lá”, afirma. A casa destruída pelo tornado, construída por ele e na qual morou por 30 anos, tinha 120 metros quadrados. Ademar tinha a expectativa de que a nova moradia manteria o padrão da anterior, mas não foi o que aconteceu. “Acho um desrespeito com os moradores. Para mim, é algo inaceitável. Tenho 51 anos, pago impostos. Minha casa anterior era muito melhor e mais espaçosa”, reclama. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica Ademar afirma que a casa pré-moldada mais parece um alojamento temporário. Ele quer que o poder público remova a casa pré-moldada e nivele o terreno. O impasse o leva ao ponto de cogitar cometer um desatino. “Eu falei para a engenheira: ó, eu perdi tudo que eu construí em uma vida de trabalho, mas eu perco mais um palito de fósforo, 5 litros de gasolina e queimo aquilo lá”, desespera. Ele pediu aos engenheiros que retirem a casa do terreno, mas ouviu que é necessário primeiro concluir a obra, para depois desmanchar a casa. Ademar teme que a casa pré-moldada não resista às intempéries e ameace a integridade dele e da esposa, pois as fundações são precárias. “Isso aqui não tem segurança nenhuma. Se der uma chuva com vento, vai voar tudo. Eu quero ter uma casa digna e vou brigar pelo meu direito”. Casal Borba em frente ao que chamam de "casa de papelão". Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica Casal Borba em frente ao que chamam de "casa de papelão". Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica A falta de espaço na casa pré-moldada é outro problema que incomoda Ademar. “Não tem lavanderia e na sala não cabe uma mesa com quatro cadeiras. Eu acredito que o resultado final é decepcionante e me causa indignação. A água da pia de lavar louça se espirrar derrete a parede de papel. Gente, isso aqui é um abuso”, diz. A situação piora se considerarmos que, depois de receber a casa, o morador não pode fazer qualquer melhoria por um prazo de dois anos, aponta Ademar. “Então seriam mais dois anos nessa casa ruim. A gente não aguentaria dois anos. Então queremos que eles nivelem e devolvam o meu lote, pois vou dar um jeito de começar a construir a nova casa. Se alguém quiser me ajudar, que me ajude; se não, não atrapalhem”, conclui. Depois da destruição de Rio Bonito o governo do Paraná anunciou a construção “imediata” de 320 moradias no município, com investimentos de R$ 60 milhões a R$ 70 milhões. As casas deveriam estar prontas em 90 dias, segundo o governo. Mas a reconstrução ficou só na promessa. Mais de quatro meses depois da tragédia a construção das casas está suspensa. A Vigília constatou que não há operários trabalhando para levantar as casas prometidas.
Leia também: Atuação do MAB salvou vidas em Rio Bonito do Iguaçu
Após tornado, reconstrução da esperança une Rio Bonito do Iguaçu
quarta-feira, 11 de março de 2026
Sugestão de Código de Ética para o ÇTF
1 - Nenhum ministro, mesmo que tenha cara de morça velha de desenho animado, poderá dar HC para filho de amigo empresário apanhado com mala de propina contendo R$ 500 mil
2 - Nenhum ministro poderá dar HC para traficante internacional fugir do País
3 - Nenhum ministro poderá dar HC para banqueiro condenado fugir para a Itália
4 - Nenhum ministro poderá dar 2 HC no prazo de 24 horas para tirar da cadeia banqueiro tucano preso pela Polícia Federal
5 - Nenhuma ministra poderá ficar sentada indefinidamente em cima do disco rígido de computador de banqueiro preso, especialmente se o computador tiver sido descoberto atrás de uma parede falsa de concreto
6 - Nenhum ministro poderá ficar sentado por 5 anos em cima de decisão que suspende pagamento de auxílio moradia de R$ 5 mil para juízes e procuradores, gerando prejuízo de R$ 10 bi para os cofres públicos
7 - Nenhum juiz poderá deixar a suprema corte com 75 anos e ainda voltar a advogar para aproveitar as relações feitas no passado
8 - Nenhum juiz que deu HCs suspeitos poderá ser fonte da imprensa - especialmente daquela que vende bajulação dissimulada em notícia - depois de deixar o STF
9 - Nenhum ministro poderá comprar mansão, já que salário de servidor público dá para viver confortavelmente, mas não para ser sultão
10 - Nenhum ministro poderá fazer implante capilar
terça-feira, 10 de março de 2026
No Paraná, a "paz dos cemitérios"
Essa notícia é do jornal Gazeta do Paraná, de 10 de março de 2026. Ela retrata a "paz dos cemitérios" que predomina na política do Estado. Se o que vale para políticos de extrema direita no Paraná valesse para todos, as cadeias do Brasil - quiçá do Mundo, do Universo e dos supostos universos paralelos - seriam esvaziadas de pronto. Senão vejamos:
Políticos do PSD firmam acordos com MP para evitar cassação
Gazeta do Paraná, 10/3/2026
O número de políticos do PSD no Paraná que firmaram acordos com o Ministério Público do Paraná (MPPR) para encerrar processos e evitar possíveis condenações, perda de direitos políticos ou cassação continua aumentando. Entre os nomes citados em investigações e ações que terminaram em Acordos de Não Persecução Cível (ANPC) estão deputados estaduais e até integrantes do governo estadual.
De acordo com informações divulgadas pelo portal da jornalista Mareli Martins, um dos casos recentes envolve o deputado estadual Marcelo Rangel (PSD), ex-prefeito de Ponta Grossa e atual vice-líder do governo de Ratinho Junior (PSD) na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Segundo o Ministério Público, Rangel foi investigado por possível improbidade administrativa após assessores nomeados em seu gabinete na Alep terem atuado em sua campanha à Prefeitura de Ponta Grossa nas eleições de 2024. Como eles não foram exonerados durante a campanha, teriam continuado recebendo salários da Assembleia enquanto trabalhavam na campanha eleitoral. A investigação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Durante o processo, os investigadores rastrearam a atuação dos assessores, coletaram depoimentos e reuniram registros como fotos e vídeos que indicariam participação na campanha em horário de expediente da Assembleia. Também foram realizadas diligências em endereços ligados aos envolvidos e na emissora de rádio pertencente ao deputado. Entre os assessores citados no processo estão Marcelo Franco, que também trabalha na rádio de Rangel, e Marcus Fabrizio Buzato, conhecido como Xixo. Pelo acordo firmado com o Ministério Público, Rangel se comprometeu a devolver mais de R$ 130 mil relacionados ao uso indevido de assessores. Com a assinatura do acordo, o processo será arquivado e não haverá julgamento, o que significa que o parlamentar não será condenado nem absolvido judicialmente. Caso fosse condenado, poderia ficar inelegível.
Outros nomes do PSD
O caso de Rangel não é isolado. Outros políticos do PSD no Paraná também firmaram acordos com o Ministério Público para encerrar investigações. Um deles é o atual secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes (PSD). Ele assinou um acordo em novembro de 2025 em uma investigação por uso político de uma doação de respiradores durante a pandemia de Covid-19. Na ocasião, em abril de 2021, a Santa Casa de Campo Mourão recebeu respiradores doados por uma empresa privada. Nunes publicou um vídeo nas redes sociais agradecendo a doação e exibindo o equipamento ao lado de sua filha, que é médica e trabalhava no hospital. O Ministério Público apontou que o episódio teve caráter de promoção política. Pelo acordo, Nunes admitiu o uso político da doação e aceitou pagar multa de R$ 23,6 mil, o que também encerrou o processo e evitou eventual inelegibilidade. Outro parlamentar citado é o deputado Moacyr Fadel (PSD), de Castro. Segundo as informações divulgadas, ele firmou acordo após admitir ter recebido propina da empresa de transporte coletivo Viação Iapó. Também aparece na lista o deputado Ademar Traiano (PSD), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, envolvido no escândalo de corrupção relacionado à TV Assembleia.
Acordos são "comuns"
Questionado sobre a série de acordos firmados por integrantes de seu partido, o governador Ratinho Junior (PSD) afirmou que não vê problema na prática. Segundo ele, "na vida pública é comum que muitos respondam processos". O governador argumentou ainda que os políticos citados não foram julgados, pois os casos foram resolvidos por meio de acordos com o Ministério Público. Entretanto, como os acordos encerram as ações antes de uma decisão judicial, os processos deixam de ir a julgamento após o pagamento de multas ou outras condições definidas nas negociações com o MP.
Inelegibilidade
Os Acordos de Não Persecução Cível permitem que investigados por improbidade administrativa resolvam processos sem julgamento, desde que aceitem cumprir condições como pagamento de multa ou devolução de valores. Com isso, os casos são arquivados e os investigados deixam de enfrentar eventual condenação que poderia resultar em cassação de mandato, perda de direitos políticos ou inelegibilidade. Nos últimos meses, segundo as informações divulgadas, a quantidade de políticos do PSD que recorreram a esse mecanismo no Paraná tem aumentado, envolvendo deputados estaduais e integrantes do primeiro escalão do governo estadual.
quinta-feira, 5 de março de 2026
Todo Sentimento
Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo
Da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar
E urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo o sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente
Doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei, como encantado
Ao lado teu
domingo, 1 de março de 2026
A indústria brasileira odeia o consumidor
Será que só acontece comigo, ou vocês também têm essa sensação de que todo o produto que a gente gosta a indústria tira de linha ou estraga? Não sei vocês, mas comigo tem acontecido exatamente isso. Comecei a prestar atenção nesse comportamento da indústria após me frustrar inúmeras vezes ao tentar repetir a compra de um bem qualquer que havia me agradado. Houve vezes até que comprei logo duas unidades de uma colônia pós-barba, por exemplo, por ter a certeza de que o fabricante (Eudora), ao saber que o produto era do meu agrado (One Man), encerraria a produção, o que de fato aconteceu. Hoje uso um creme pós-barba do Boticário (Azulen), que não é exatamente a minha preferência, mas é o que sobrou.
Estou escrevendo e me lembrando de outros produtos, como um carro, por exemplo, que não é o tipo de bem que se possa (eu pelo menos) adquirir dois só pra se garantir. Pois em 2014 comprei um HB 20 sedan, 1.6 cilindradas, na cor cinza chumbo, com estofamento em tecido mesclando azul e preto, tudo enfim do meu agrado. Foi uma das minhas melhores compras, o carro desempenha bem, é confortável, seguro, com bom espaço interno e no porta-malas, e sobretudo um design bonito, moderno, elegante.
O carro já tem 11 anos de uso, está com 140 mil KM rodados, ainda funciona perfeitamente, mas já poderia ter sido trocado por um modelo mais novo. E já teria feito isso há pelo menos 5 anos, se a Hyundai não houvesse 'defecado' no desenvolvimento dos modelos mais recentes. O que era um carro bonito foi convertido em uma mistura de Fiesta 1998 com Fiat Panorama. A cilindrada foi reduzida para 1.0 turbo (tipo um Fiat Uno 1989).
O desenhista projetista que mudou as linhas do veículo, assim como o marqueteiro que aprovou a mudança para pior, em vez do PPR deveriam ter recebido o bilhete azul, o que provavelmente não ocorreu. Conheço inúmeros ex-donos de HB20 que não só deixaram o modelo para trás como também abandonaram a marca.
E as roupas? Nesse campo os exemplos são fartos. Nos anos em que vestia terno era costume renovar anualmente um pequeno estoque de cinco ou seis camisas sociais da marca Dudalina. Caimento, tecido e acabamentos perfeitos, e o que mais apreciava era a gola com botões, que mantinham a gravata no lugar. Aposto que um belo dia os herdeiros de Seu Duda e Dona Lina estudando os relatórios perceberam que os clientes estavam felizes e deram a ordem: "acaba com esses botões na gola, não quero ver ninguém aqui satisfeito".
Os mocassins estilo italiano, com solado de couro que eu comprava às pencas na Samello, foram outro produto retirado do mercado. Os Sá e os Mello devem ter pensado: "o que esses babacas estão pensando??? Acaba; não fabrica mais mocassins. Vão ser elegantes noutra freguesia, aqui não".
Os jeans são outro capítulo. Eu já tinha perdido as esperanças de encontrar os antigos e bons jeans Lee e Lewis, que não deformavam nos joelhos nem tinham aquele ar de carroceiro de Butiatuvinha, que o brim usado atualmente pelas duas marcas dá às calças. Foi então que, meio por acaso, descobri um jeans que me agradou; tinha uma marca que eu desconhecia, mas logo me tornei consumidor: Dzarm Jeans (descobri mais tarde que era uma marca mais top da catarinense Hering). Consegui comprar três modelos, e foi só. Esses foram mais radicais: fecharam a fábrica e as lojas da marca. No Brasil inteiro.
Ainda sobre jeans, a bermuda Lewis era um clássico a ser comprado todo o verão. Mas foi só o fabricante perceber que era do agrado do povo para ele encerrar a produção: "VSF, estão pensando que estamos aqui para agradar vocês???"
A catarinense Hering produzia uma camisa polo amarela estonada que não devia nada à similar da Lacoste e era a cara do Verão brasileiro; só consegui comprar uma única vez, na loja de Camboriu, no início dos anos 2000, quando o balneário ainda não tinha sido invadido pela extrema direita de emprego público. Até parece que estou vendo os irmãos Bruno e Hermann Hering descendo pra área dos modernos teares e baixando a ordem: "vón si fudê, nón faiz mais essas postas; o povo que compre as porcaria da China do véio da Havan".
Nos supermercados a cena se repete: procuro a gasosa Gengibirra e só encontro Limão, Abacaxi, Framboesa. Centenas de unidades, nenhuma Gengibirra. Vou pra outra loja, de outra rede, e tudo a mesma coisa. - Ah, deve ser porque a Gengibirra vende muito, sai rápido. Sim, é isso mesmo, mas se sabem que vende muito, por que não aumentam as compras? Desconfio que supermercadista pensa que é mãe dos consumidores: - Vocês sabem quantas crianças na África dariam tudo pra ter uma gasosa de Abacaxi? Enquanto não terminar o estoque de Limão, Abacaxi, Framboesa ninguém aqui vai beber Gengibirra.
Uma coisa que eu tenho até receio de tornar público é a minha preferência pelo assento do corredor, seja em viagens de avião ou de ônibus. Meu receio é de que as empresas de transporte aéreo e rodoviário, ao saberem dessa minha preferência, mancomunadas com os fabricantes de aeronaves e carrocerias, dêem um jeito de acabar com os assentos de corredor só pra me ferrar. São capazes de colocar uma porta ao lado de cada fileira pra me obrigar a optar entre janela e meio. Além é claro, de ganharem mais um assento para vender aos passageiros. Auguro que os projetistas da Boeing e da MarcoPolo não leiam essa postagem pra não ter ideia. Os demais fabricantes podem ler à vontade; já cagaram nos produtos mesmo.


