quinta-feira, 10 de junho de 2010

Web desmascara a Mídia corrupta





As pesquisas qualitativas dos institutos de pesquisa Datafolha e Ibope são bastante reveladoras de métodos tradicionais da velha mídia. Até algum tempo atrás, uma das táticas mais bem sucedidas do jogo jornalístico consistia na demonização de personagens. Criavam personagens à altura dos filmes de terror classe B de Hollywood, passando para o leitor a sensação do perigo iminente, do vilão de sete vidas cujo único antídoto era o trabalho corajoso e pertinaz da mídia.

Depois da democratização, viveram esse personagem sucessivamente Orestes Quércia, Paulo Maluf, José Sarney, Fernando Collor, Sérgio Motta. Em caráter regional, Joaquim Roriz. Mais recentemente, Renan Calheiro e José Dirceu.

É só conferir o depoimento do leitor que foi pesquisado pelo IBOPE – com a pergunta sobre o que achava de José Dirceu – e a matéria de hoje da Folha, uma forçada de barra para colocar o nome de Dirceu na campanha. Um jogo tão óbvio que no ataque perpetrado pela Folha contra mim, a editora de Política Vera Magalhães colocou na matéria que, no tal episódio da Eletronet, eu tinha feito a defesa do Dirceu. Quem leu sabe que não houve nada disso, mas incluindo o nome do "maldito", julgava poder prescindir da necessidade de levantar argumentos consistentes sobre a cobertura que dei ao caso - e que comprometia a Folha.

Embora a própria opinião pública considerasse vilão maior, ACM jamais entrou nessa lista. Sempre foi poupado mercê dos grandes favores prestados a grupos de comunicação, quando foi Ministro de Sarney; e também graças às ligações com grupos de influência entre jornalistas – pessoas que, mesmo sem ocupar cargos de direção, lograram montar um séquito de aliados nas diversas redações. Na ponta do lápis, não há grandes diferenças entre os métodos de alguns capitães de mídia e alguns coronéis políticos. (obs.: Civitta, Marinho, Frias, Mesquita, entre outros)

No início da série sobre a Veja, mostrei a estratégia da manipulação de escândalos, comparando a uma gôndola de supermercado, na qual o jornal retira o pacote de escândalo conveniente a cada momento, se não tem fabrica, com o intuito de transformar em arma dos seus próprios interesses pessoais. O denuncismo da mídia não obedece a uma lógica de depurar a política e controlar os poderes, mas como ferramenta de seus próprios interesses.


Logo depois, esse jogo se escancarou de maneira inédita com os desdobramentos do caso Satiagraha, no qual a velha mídia fuzilou reputações de juízes, desembargadores, jornalistas, delegados de polícia de forma inédita. E tudo isso em defesa de Daniel Dantas.

Com as características da política brasileira, a indignação seletiva é desmascarada instantaneamente. Alianças são inevitáveis. Lula se alia a Collor e Renan; Serra a Quércia e Maluf; FHC recebe Joaquim Roriz. Ou seja, demônios para todos os gostos e partidos. A velha mídia seleciona apenas os demônios dos adversários, praticando o velho jogo dos tempos das cortinas fechadas. Só que a blogosfera inteira acompanha o jogo de dentro do palco. Algo ridículo.

Por isso mesmo, esse denuncismo tende a perder força a cada momento. E, insistindo nesse jogo aberto – porque escancarado hoje pelas novas mídias – a velha mídia arrisca-se a ser o próximo ator do personagem que ela escolheu: o demônio da hora.

Como diz o PHA, a Globo dá um sono ...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Aécio Neves dá o troco ao Serra

Viram a notícia do "dossiê" contra o Serra no Jornal Nacional? Então fiquem atentos: o que existe é um livro que está para ser lançado em Minas Gerais, chamado "Os porões da Privataria", escrito pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr., ligado ao governador Aécio Neves. É um dos melhores jornalistas investigativos brasileiros; ele investigou a corrupção do PSDB e do DEMO nas privatizações e descobriu que o José Serra, a filha dele, Verônica Serra, o banqueiro Daniel Dantas, mais o caixa de campanha do Serra e do FHC (Ricardo Sergio) desviaram milhões de dólares para paraísos fiscais. O livro será lançado em Belo Horizonte logo depois da Copa do Mundo.

O Serra e o FHC estão usando a imprensa domesticada (Veja, Jornal Nacional, Folha, Globo, Estadão etc) para tentar desviar o assunto-bomba do livro para um suposto dossiê que teria sido feito contra o coitadinho do candidato. Assim eles tentam se "vacinar" contra as pesadas denúncias que estão documentadas no livro, passando para a população a falsa idéia de que não são verdades, mas maldades de campanha. O livro seria o troco que o Aécio Neves está dando ao Serra, por tê-lo difamado com notinhas na imprensa domesticada acusando-o de cheirar cocaína (Pó pará, governador). Aguardem para depois da Copa o lançamento de "Os Porões da Privataria".

Veja aqui a entrevista do autor do livro:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/amaury-jr-diz-que-materia-de-veja-foi-fruto-de-roubo

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Vó Ecéa, 86 anos!

Esse vídeo foi elaborado pela Isabela com fotos de 5 gerações dos Abreu/Duarte: os pais (mais irmãos e cunhados/as) da Dona Ecéa, ela e seu Fernando, e os filhos, netos e bisnetos do casal. É gente que não acaba mais. Então, a coisa começa com seu Borges e Dona Ottília e finda com a mais nova integrante do clã, Maria Clara. Foi colocado no YouTube para quem quiser copiar. Os agradecimentos etc devem ser dirigidos à autora da obra, Isabela, que homenageou a avó na data do seu 86º aniversário, comemorado em 2 de junho de 2010.

Se a Veja é contra, então é porque é bom!

A revista Veja atacou o Ministério Público Federal por uma campanha contra o consumo de carne produzida em áreas griladas por barões do agronegócio na região da Amazônia e em fazendas que exploram mão-de-obra escrava. Se a Veja ficou contra então é porque a campanha é virtuosa. Afinal, a revista Veja somente se alia a causas que não valem a pena. Vejam os dois filmes que vexaram a revista que caiu no conto do Boimate (aquela história do cruzamento do gene do boi com o gene do tomate para gerar uma fruta com altíssimo teor proteico).



quarta-feira, 2 de junho de 2010

A imprensa que se curva exibe a bunda!

Uma grande parte da imprensa brasileira ainda recebe os mandatários estrangeiros como os tupi-guaranis receberam os portugueses nas costas baianas nos idos de 1500. Com uma única diferença: os silvícolas não eram reverentes. Neste vídeo, o pagé Lula cutuca sua lança na bunda da imprensa subserviente e manda um recado: quem quiser trepar nas árvores para reverenciar os visitantes estrangeiros o faça em seu próprio nome!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Tô invocado com o Roberto Carlos

Cada vez que assisto na TV algum show do Roberto Carlos fico irritado: o cara muda o ritmo, os arranjos e até as letras das melhores músicas que conseguiu fazer desde a Jovem Guarda, nos longínquos anos 60. E, não bastasse, muda pra pior. É péssimo tentar acompanhar a música, que se conhece de cor e salteado, e não conseguir, porque o ritmo que era rock foi modificado para "festa baile". Uma coisa assim meio "Almoço com as estrelas".

O velho Roberto Carlos não faz mais canções - nem interpreta as antigas - para se ouvir na estrada, para se dançar numa baladinha improvisada, ou mesmo se ouvir em casa. O ritmo que ele e sua orquestra (que é isso, o cara não é acompanhado por uma banda, mas por uma sinfônica !!!!) impuseram às músicas é para casais da terceira idade dançarem no Fascinação e casas do gênero. Isso pra não falar que ele está ficando com a voz cada vez mais chata, o que reforça seus cacoetes de linguagem, tipo "bicho", "legal", "quantas emoções" e aquela risada (hahahahaha ...) mais falsa que os cabelos do Álvaro Dias.

Algumas pessoas me dizem que isso é "criatividade", e eu respondo: aqui, ó! É mais do mesmo, já que há pelo menos duas décadas o velho RC não compõe nada novo que preste ou faça sucesso. Assim, empurra pro seu público essas regravações pra lá de fajutas. Mas ele não está sozinho nessa embrulhação: os velhos Jorge Benjor e Belchior já fizeram e refizeram mais arranjos pras mesmas músicas do que o número de vezes que a bilheteira da Rua XV repetiu "borboleta 13".

Imagino que quem lê essas parcas linhas deva estar se perguntando o porquê desse assunto extemporâneo? Afinal, não estamos próximos do Natal, época em que a Rede Globo nos "brinda" com um "especial de Roberto Carlos" (outra promoção mais do mesmo). Explico: é que achei no YouTube a gravação da conhecida "Another Brick in the Wall", da banda inglesa Pink Floyd, que há um milhão de anos vem sendo executada com a mesma batida, o mesmo arranjo, os mesmos compassos, a mesma letra. E fiquei me perguntando: por que cargas d'água os caras não se juntam novamente, como fizeram em 2005, e regravam "Another Brick in the Wall" bem mais lento, em ritmo de festa baile para se dançar nos encontros da Nissei? Será falta de criatividade?

Um ótimo sábado para todo o mundo, com Pink Floyd!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Antes que a vice-procuradora do *PIG mande proibir

*PIG é Partido da Imprensa Golpista, imortal criação do jornalista Paulo Henrique Amorim.








 Quem terá sido o Ahmadinejad que fez a plástica nesta sujeita??

Zezé sobre Serra: "não deu conta de arrumar a sua casa, como quer arrumar a rua inteira?!!"

Zezé di Camargo deu entrevista ao portal IG e falou sobre política. Morador de São Paulo, a avaliação que o cantor sertanejo faz das administrações demos/tucanas que se sucedem naquela cidade (e no Estado paulista) é uma pá de cal na candidatura do vampiro que come meleca.

IG - Pretende fazer algum tipo de campanha nas eleições deste ano?

Zezé - Não, fazer campanha mesmo, não. Mas que vou manifestar minha opinião quando for procurado, vou manifestar.


IG - Aproveito e pergunto já, então.

Zezé - Não decidi em quem vou votar, sinceramente. Acho que a Dilma é uma boa ideia, se você olhar a história do Lula que está por trás dela tudo bem. Mas ela, como presidente, nós não temos essa experiência. Tenho uma pessoa que me fascina muito pelo que já ouvi ela falando, que é a Marina Silva, mas não quer dizer que seja uma conquista definitiva. Serra acho que é continuação de uma coisa que é meio termo no país inteiro, que é o PSDB. Tivemos experiência com dois mandatos do Fernando Henrique Cardoso, estamos tendo anos e anos de experiência aqui em São Paulo e não é nada daquilo que se propaga. Se vai fazer, transformar o Brasil, faz aqui em São Paulo primeiro então. Fica essa incógnita, você não deu conta de arrumar a sua casa, como quer arrumar a rua inteira?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Google TV vem para integrar TV, Web e o Mundo

Mais abaixo, assista a breve apresentação feita à imprensa mundial, ontem, pelo Google.

(Do G1) O Google apresentou nesta quinta-feira (20), durante o evento I/O , em San Francisco (EUA), seu sistema que une internet e televisão, o Google TV.

Com o navegador Google Chrome, o usuário do Google TV poderá acessar seus sites preferidos por meio do televisor e alternar entre a televisão e a internet. “Com toda a internet na sua sala, a TV torna-se mais do que uma TV – pode ser um visualizador de fotos, um console de games, um leitor de músicas e muito mais”, escreveu Salahuddin Choudhary, gerente de produto do Google TV, no blog oficial da companhia.



O sistema promete facilitar a busca por programas de televisão. Se o usuário já sabe qual canal ou programa deseja assistir, é só digitar seu nome que o Google TV o encontra. “Se preferir navegar em vez de fazer uma busca, você pode usar o seu guia de programação padrão, o DVR ou o a tela inicial do Google TV, que permite acesso rápido a seus conteúdos preferidos”, exemplificou Choudhary.

Outra função apresentada pelo Google é focada em esportes. No exemplo, um jogo de basquete é exibido em uma tela secundária enquanto o espectador confere os resultados de outros jogos simultaneamente em um browser aberto em primeiro plano.
A plataforma de web para TV roda o sistema operacional Android. Depois do lançamento, o Google liberou ferramentas para os desenvolvedores criarem novos aplicativos, que serão distribuídos por meio do Android Market. Cerca de 3 mil programadores que trabalham com o sistema do Google participam do I/O.

Com a novidade, o Google mira um público de 4 bilhões de pessoas que assistem a televisão no mundo todo. Só nos Estados Unidos, os telespectadores gastam em média cinco horas em frente ao televisor, de acordo com números apresentados pela empresa durante o evento.

A empresa está trabalhando em conjunto com a Sony e a Logitech para colocar TV Google dentro dos aparelhos de TV e Blu-Ray. De acordo com Choudhary, os produtos devem ser colocados à venda ainda neste ano nos Estados Unidos.

No mesmo evento, o Google anunciou a chegada da versão atualizada do sistema operacional Android para celulares. O Android 2.2, de acordo com a empresa, é mais rápido e oferece mais aplicativos voltados para a área corporativa do que a versão anterior.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Mais sobre o Playing for Change

Achei na internet algumas informações sobre o projeto Playing for Change, do qual postei três vídeos ontem (não deixem de ouvir). Um texto de Leonardo Lichote (a fonte é o site G1) traz informações interessantes sobre o projeto, como ele surgiu e o que motivou seu idealizador, o engenheiro de som Mark Johnson. O cara conta que ouviu Stand By Me cantada por um artista de rua e ficou encantado. Pois é exatamente o que se experimenta - encantamento - ao ouvir a gravação dessa música na voz e interpretação de artistas de rua de diversos países. A mixagem é tão perfeita que se tem a impressão de que o grupo canta em uníssono. Antes do texto com as informações, mais dois vídeos: o primeiro traz Chanda Mama, o segundo é com o cantor negro Grandpa Elliott mandando ver com "Sugar Sweet".






CD/DVD do projeto Playing for Change une músicos de rua do mundo inteiro em torno de clássicos pop

Publicada em 25/05/2009
Leonardo Lichote

RIO - O engenheiro de som Mark Johnson andava numa estação de metrô nova-iorquina, a caminho do trabalho, quando viu - e ouviu - a cena. Eram dois monges vestindo túnicas brancas, um deles tocando violão com cordas de nylon, e o outro cantando. Quando olhou em volta, viu cerca de 200 pessoas atentas, algumas chorando, outras rindo. Agora, dez anos depois, Johnson lança o CD/DVD "Playing for Change: Songs around the world" (Universal) - o projeto, que une músicos de rua de diversos lugares do mundo, é fruto de uma ideia que nasceu naquela estação, perante aqueles monges.

- Vi ali a incrível habilidade que a música tem de aproximar as pessoas - conta o produtor. - Poucos entendiam as letras ou mesmo a língua, mas todos sentiam o poder da música. Então percebi que uma boa parte da melhor música que eu ouvia se encontrava na rua, no caminho do estúdio onde eu trabalhava. Decidi montar um estúdio de gravação móvel e procurar pelos momentos de música e inspiração onde eles estivessem.

Munido de seu aparato, Johnson desde então roda o mundo gravando artistas de rua - negros e brancos, árabes e muçulmanos, violoncelistas europeus e percussionistas indígenas - em seus habitats, interpretando hinos pop de paz, tolerância, amor e apelos por um mundo melhor. Os registros renderam um documentário em 2003, "Playing for Change", que mostrava músicos de três cidades americanas em ação. Mas, como no dia dos monges, ele andava distraído quando ouviu algo que mostrou para ele que o projeto poderia ser maior:

- Estava em Santa Monica, Califórnia, quando ouvi Roger Ridley cantando "Stand by me" a um quarteirão de distância. Corri para assistir ao fim de sua apresentação e nunca mais fui o mesmo. Sua voz, alma e paixão nos levaram a buscar pelo mundo outros músicos para adicionar à sua gravação de "Stand by me" - lembra. - Essa canção transformou o projeto Playing for Change de um grupo pequeno de indivíduos num movimento global de paz e compreensão. A faixa traz 35 músicos de todo o mundo. Eles podem não ter se encontrado nunca, mas conversaram pela música.

"Stand by me" abre o CD/DVD, e Ridley e seu violão são os primeiros a serem ouvidos. Mas a gravação ainda inclui, entre outros, a voz e a gaita do americano Grandpa Elliott, as congas do espanhol Django "Bambolino" Degen, o violoncelo do russo Dimitri Dolgonov, o coral sul-africano Sinamuva e o cavaquinho do brasileiro - o único do projeto em meio aos mais de cem músicos participantes - Cesar Pope.

- Encontramos Cesar Pope em Barcelona. Sua energia era tão positiva que nos tornamos amigos instantaneamente - conta. - Amamos música brasileira, e esse foi o primeiro passo para aprendermos mais sobre ela.

O repertório que se ouve e vê - os clipes do DVD potencializam a força dos encontros, ao mostrar as diferentes roupas, feições e cenários dos artistas - em "Playing for change: Songs around the world" inclui canções como "One love", "War" e "No more trouble" (as três de Bob Marley), "Talkin' bout a revolution" (Tracy Chapman), "A change is gonna come" (Sam Cooke) e "Stand by me" (também de Cooke, sucesso com John Lennon). As letras que falam de revolução, mudança e pacifismo, aliadas ao discurso de Johnson, remetem a antigas utopias dos anos 1960/70 - hippies, flower power, "faça amor, não faça guerra" e similares. Tecnologia à parte - afinal, o projeto só é possível graças a ela -, a impressão que se tem é que, no conceito, "Playing for Change" pertence a uma época passada e não aos dias atuais, aparentemente mais cínicos e pragmáticos.

domingo, 16 de maio de 2010

Bom domingo, com Stand by me, Don't Worry e Chanda Mama

Playing for Change é um projeto que busca integrar o mundo por meio da música. Os caras criaram uma fundação pela paz e estão produzindo coisas espetaculares com instrumentistas e cantores de todos os cantos, especialmente essa gente que toca nas ruas das metrópoles do planeta. Vou postar três vídeos, uma pequena amostra desse show de música, interpretação e integração social, racial, política etc. Visitem o site do projeto para conhecer mais dessa obra. Lá é possível também assistir outros vídeos do projeto e comprar o DVD. Bom domingo a todo mundo, com Stand by me, Don't Worry e Chanda Mama!





sexta-feira, 14 de maio de 2010

A mineira/gaúcha da faca na bota

Em dezembro postei aqui outro vídeo sobre a Dilma e me referi a ela como uma
"mineira com jeitão de gaúcha, que é pra dosar a afetividade generosa com a faca na bota". Vejam o que o Lula diz dela nesse vídeo. Vou cobrar direitos autorais! hauahauahauahaua


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Minha família da M&C

Esse vídeo é um convite para o aniversário do Zé Gaspar (fácil de identificar, é o cara que mais aparece nas fotos). Araponguense com ares de mineiro, é mais que amigo, irmão. O vídeo foi feito pela Cristina, companheira do Zé Gaspar, minha amiga desde a faculdade, onde ingressamos em 1977. A amizade da Cristina não é só antiga, é o meu principal laço fora da família de sangue. Ela, o Zé Gaspar, seus pais, seus filhos, irmãos, cunhados e cunhadas, amigos dos amigos e por aí vai constituem quase todo o meu universo de relações pessoais. A turma que faz companhia ao Zé Gaspar nessas imagens, além dos familiares, na sua maioria integra ou integrou a esquipe da M&C Comunicação, meu local de trabalho desde o finalzinho do ano 2000. E na M&C é como na máfia: você pode mudar de emprego, de Estado, de país, de planeta, de plano existencial (que o diga o Giovanoni, que nos acompanha da eternidade), aconteça o que acontecer, será sempre um "membro". O que significa, entre outras coisas, participar das (muitas) festas que os "Mello, Cruz" estão sempre promovendo. Como essa do aniversário de 60 anos do Zé Gaspar.


sábado, 8 de maio de 2010

Dilma: "Nós fizemos e sabemos como continuar a fazer''

Entrevista dada a revista IstoÉ

Em entrevista exclusiva, a candidata à Presidência Dilma Rousseff fala sobre o que considera a diferença básica entre a sua proposta de governo e a da oposição


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QUATRO HORAS DE DEBATE
A equipe que entrevistou Dilma, da esquerda para a direita: Carlos
José Marques, diretor editorial; Luiz Fernando Sá, diretor editorial-adjunto; Leonardo Attuch,
redator-chefe da revista DINHEIRO; Delmo Moreira, editor executivo de ISTOÉ; Gisele Vitória, diretora
de redação da revista GENTE; Ricardo Boechat, colunista de ISTOÉ, Yan Boechat, editor de política;
Ricardo Amorim, colunista de ISTOÉ; Octávio Costa, diretor da sucursal de Brasília; Mário Simas Filho,
diretor de redação de ISTOÉ, e Caco Alzugaray, presidente executivo da Editora Três
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Com um calhamaço de fichas repletas de dados sobre realizações do governo Lula sempre ao alcance das mãos, a candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, falou por quase quatro horas sobre seus planos para o Brasil, numa entrevista exclusiva a editores e articulistas de ISTOÉ. Em poucos momentos ela consultou a papelada. Mas seguidamente procurou com os olhos um contato com sua equipe de assessores que lhe passava, sempre, sinais de aprovação. Dilma não refugou assuntos. Falou sobre questões pessoais e afetivas com a mesma naturalidade com que abordou temas da política e da economia. Emocionou-se quando relembrou seus dias de luta contra o câncer.
Vestida com um terninho clássico, de tecido leve e claro, penteada e maquiada com discrição, Dilma Rousseff parece à vontade na condição de candidata. Já suavizou a postura de gerente técnica que ostentava como ministra do governo Lula. Mesmo que jamais tenha buscado votos em sua vida pública, faz promessas de candidata e demonstra apetite para contrapor-se ao candidato da oposição, José Serra. Diz que a missão de seu governo é erradicar a pobreza, mas não estabelece prazos. Anuncia ainda mudanças na condução do Banco Central e a intenção de criar um fundo federal para compensar perdas regionais na reforma tributária que se compromete a implementar. A seguir, os principais trechos de sua entrevista:
ISTOÉ – Por que a sra. acha que o presidente Lula a escolheu para sucedê-lo e quando exatamente se deu isso?
Dilma Rousseff – O presidente Lula me escolheu quatro vezes. A primeira foi na transição do governo de Fernando Henrique para o governo Lula, em 2002. O presidente me chamou para fazer a coordenação da área de infraestrutura porque me conhecia das reuniões do Instituto de Cidadania. Depois ele me escolheu para ser ministra de Minas e Energia. E, em 2005, para ser ministra da Casa Civil. Por último, me escolheu para ser pré-candidata para levar à frente o projeto de governo. Acho que me escolheu porque acompanhei com ele a construção de todos os grandes projetos. O presidente sabe que nós conseguimos, juntos, fazer estes projetos.
ISTOÉ – Ser presidente era uma ambição pessoal da sra.?
Dilma – É um momento alto da minha vida, talvez o maior. Tem gente que passou uma vida inteira querendo ser presidente da República. Eu era mais modesta. Fui para a atividade pública porque queria servir. Pode parecer uma coisa falsa, mas acho que se pode servir à população brasileira no setor público. Sempre acreditei que o Brasil podia mudar, mas isto era uma questão longínqua. Quando o Lula me chamou para a chefia da Casa Civil, ele pretendia que o governo entrasse na trilha do crescimento e da distribuição de renda para que o Brasil desse um salto, e vi nisso uma grande oportunidade.
ISTOÉ – A sra. se considera preparada para o cargo?
Dilma – Tenho clareza, hoje, de que conheço bem o Brasil e os escaninhos do governo federal. Então, sem falsa modéstia, me acho extremamente capacitada para o exercício desse cargo. E acredito que o fato de não ser uma política tradicional pode incutir um pouco de novidade na gestão da coisa pública. Uma novidade bem-vinda. Na minha opinião, critérios técnicos se combinam com políticos. Escolher onde aplicar é sempre um ato político. Por exemplo, eu acho que a grande missão nossa é erradicar a pobreza e que é possível erradicá-la nos próximos anos. Isto é um ato político. Outra pessoa pode escolher outra coisa.
ISTOÉ – No horizonte de um governo, é possível erradicar a pobreza?
Dilma – Tem um estudo do Ipea mostrando que até 2016 é possível erradicar a pobreza extrema, a miséria. Mas o empresário Jorge Gerdau costuma dizer que “meta que se cumpre é meta errada”. Metas não são feitas para cumprir, mas para estabelecer um objetivo, criar uma força. Assim, acredito que o prazo de 2016 é viável, mantido o padrão do governo Lula. Nossa meta pode ser ainda mais ousada. Só não vou dizer qual porque, se passar dois dias sem cumpri-la, vão dizer: “Não cumpriu a meta”, como fazem com o PAC. Atrasar uma obra de engenharia em seis meses é a catástrofe no Brasil.
ISTOÉ – O presidente Lula também trabalhou com metas quando foi candidato. Ele falava em dez milhões de empregos...
Dilma – Acho que a gente fecha em 14 milhões. Falei com a área econômica de dois bancos e ambos consideram que o crescimento do PIB será de 6,4%, podendo chegar a 7%, o que dá condições para se chegar a estes 14 milhões de empregos. Os dados da produção industrial que fechamos em março apontam um crescimento muito robusto e sustentável porque são os bens de capital que estão puxando esse desempenho.
ISTOÉ – O Banco Central está preocupado com este crescimento...
Dilma – Não, o Banco Central está preocupado com outra coisa. Ele não pode estar preocupado com a expansão dos bens de capital porque isso é virtuoso.
ISTOÉ – Parece que há uma visão dissonante entre o Banco Central e a Fazenda sobre o desempenho da economia. Como a sra. vê essa questão?
Dilma – Os dois trabalham em registros diferentes. O BC faz uma análise necessariamente de curto prazo, porque ele trabalha com questões inflacionárias conjunturais, mais imediatas. Ele olha a pressão na hora que ela acontece. Já a Fazenda tem uma visão de mais médio e longo prazo. É outro registro. A Fazenda tem consciência de que o Brasil está em uma trajetória de estabilidade e de sustentabilidade. Agora, isso não é incompatível com o fato de você ter pressões inflacionárias imediatas. Acho que foi importante o aumento dos juros na última reunião do Copom.
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“Tem gente que passou uma vida inteira querendo ser presidente
da República. Eu era mais modesta”
ISTOÉ – Isso não dá munição para os seus adversários?
Dilma – Nós já tivemos duas experiências muito ruins de, durante a eleição, fingir que é uma coisa e, depois, virar outra. Uma na virada do primeiro para o segundo mandato do Fernando Henrique Cardoso e outra no Plano Cruzado. Hoje somos perfeitamente capazes de elevar a taxa de juros e assumirmos as consequências, sem que isso signifique uma perda. Temos integral compromisso com a estabilidade.
ISTOÉ – A sra. concorda com a política de juros do BC?
Dilma – Concordo. Acho que, da ótica do BC, ele fez o que precisava fazer. Nos Estados Unidos, onde há um histórico maior de estabilidade, o Federal Reserve tem dois olhos: um que olha a inflação e outro o emprego.
ISTOÉ – O nosso só olha a inflação.
Dilma – No meu governo acho que, mais para o final, teremos condições de olhar as duas coisas: inflação e emprego.
ISTOÉ – Teremos um BC diferente?
Dilma – Teremos uma política e uma realidade diferentes. Porque, para o BC fazer isto, é preciso uma redução da dívida líquida em relação ao PIB. O Brasil converge para condições monetárias de estabilidade que permitirão a combinação de outras variáveis. Criamos robustez econômica suficiente para fazer isso.
ISTOÉ – A sra. vai enfrentar um candidato que também se apresenta como um pós-Lula. O que a diferencia dele?
Dilma – Só se acredita em propostas para o futuro de quem cumpriu suas propostas no presente. O que nos distingue é que nós fizemos, nós sabemos o que fazer e como fazer. Mais do que isso, os projetos dos quais eu participei – 24 horas por dia nos últimos cinco anos – são prova cabal de que somos diferentes.
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“Sou católica, mas antes de tudo cristã.
Tive minha formação no Sion”
ISTOÉ – A sra. não acha importante o fato de o PT ter assumido o governo com um quadro de estabilidade da moeda?
Dilma – Eu não queria fazer isso, mas, se vocês insistem, vamos lá: recordar é viver. Nós assumimos o governo com fragilidades em todas as áreas. Taxas de inflação acima de dois dígitos, déficit fiscal significativo e, sobretudo, uma fragilidade externa monstruosa. Tínhamos um empréstimo com o FMI de US$ 14 bilhões. A margem de manobra nessa situação é zero. Você se coloca de joelhos junto aos credores internacionais. Quem fala com você é o sub do sub do sub. Isso não foi momentâneo. Foi uma década de estagnação, de desemprego e desigualdade. Nós tivemos, claro, coisas boas. Uma delas é a Lei de Responsabilidade Fiscal.
ISTOÉ – Mas já cogitam mudá-la. A sra. é favorável a isto?
Dilma – Depende. Acho que para mexer em coisas que têm dado certo é recomendável caldo de galinha e muita calma. Mas, voltando ao recordar é viver, o Plano Real também teve mérito. Já em outros pontos fomos salvos pelo gongo. O País deve dar graças a Deus por não terem partido a Petrobras em pedaços, não terem privatizado o setor elétrico, Furnas, Eletronorte, Eletrosul. A privatização da telefonia foi correta, mas não acho hoje muito relevante. Hoje a banda larga é mais importante que a telefonia.
ISTOÉ – A sra. acha que Serra seria a continuidade de FHC?
Dilma – Não tenho nenhum comentário a fazer sobre a pessoa José Serra. Tenho respeito por ele. Mas nós representamos projetos políticos distintos. Nós temos uma forma diferente de olhar o Estado.
ISTOÉ – Ele também se apresenta como um economista da linha desenvolvimentista.
Dilma – Acho muito significativa essa tentativa de borrar diferenças. Duvido que estariam borrando diferenças se o governo do presidente Lula tivesse menos que 76% de aprovação. Duvido. Há, neste processo, a tentativa de esconder o fato de que somos dois projetos. Tenho orgulho de ter sido ministra do presidente Lula. Devemos comparar as experiências de cada um. Eles diziam que não sabíamos governar, que só tivemos sorte. A gente gosta muito de ter sorte. Graças a Deus não somos um governo pé-frio. Mas quando chegou essa crise, muito maior que a de 1929, mostramos enorme competência de gestão, capacidade de reação e ousadia.
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“Lula é uma pessoa extremamente afetiva. Ele
não te olha como se fosse um instrumento dele”
ISTOÉ – O governo FHC foi incompetente?
Dilma – O governo FHC representa um processo em que não acredito. Não acredito num projeto de privatização de rodovias que aumenta o custo Brasil por causa dos pedágios, que embute taxas de retorno de 26% ao ano. Em estradas federais, a qualidade melhorou muito com pedágios bem menores por uma razão muito simples: nós não cobramos concessão onerosa. Logística é igual a competitividade na veia. 



ISTOÉ – O que a sr. faria diferente do atual governo?
Dilma – Nós tivemos que trocar o pneu do carro com ele andando. Algumas coisas concluímos, em outras não conseguimos avançar. Acho imprescindível, para o patamar de crescimento atingido, fazer a reforma tributária. Não é proposta, é uma exigência. Se quisermos aumentar nossa produtividade e, consequentemente, nossa competitividade, precisamos acabar com coisas absurdas como a tributação em cascata.
ISTOÉ – O governo atual também diz que tentou fazer isto.
Dilma – Não deu agora porque reforma tributária significa conflito federativo. Aprendemos que é inviável fazer reforma tributária sem compensações porque ela tem tempos diferentes. Para neutralizar o efeito negativo da perda de arrecadação, vamos criar um fundo de compensação. Este é o único mecanismo negociável.
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“Depois que minha filha nasceu, tive uma gravidez
tubária. Eu não podia mais ter filho”
ISTOÉ – Os acordos políticos resultarão ainda em loteamento de cargos?
Dilma – Não. O apoio político é totalmente legítimo. Em todos os países há uma composição política que governa. O que você tem que exigir é padrões técnicos. Lutei muito para implantar isso no governo.
ISTOÉ – Está satisfeita com o que foi feito?
Dilma – Acho que podemos melhorar.
ISTOÉ – A sra. será avó, em breve. E provavelmente seu neto nascerá num hospital privado e se educará numa escola particular. Em que momento a sra. acha que o Brasil estará pronto para mudar isso?
Dilma – Quero muito que isso aconteça porque me esforcei muito para estudar numa excepcional escola pública, que era o Colégio Estadual de Minas Gerais. A gente fazia um vestibularzinho para passar ali. Era difícil. Este é o grande desafio do Brasil. Para a educação ser de qualidade, não é só prédio, laboratório, banda larga nas escolas. É, sobretudo, professor bem remunerado e com formação adequada.
ISTOÉ – Seu neto vai ter uma superavó, moderna, talvez presidente da República. Essa avó moderna também namora?
Dilma – Olha, eu não namoro atual­mente, apesar de recomendar para todo mundo. Acho que faz bem para a pele, para a alma, faz todo o bem do mundo.
ISTOÉ – Uma vez eleita, a sra. assumiria um relacionamento? A sra. casaria no meio do mandato?
Dilma – A vida não é assim, tem que se confluírem os astros...Eu não sou uma pessoa carente propriamente dita, tive uma vida afetiva muito boa, muito rica. Mas nos relacionamentos há uma variá­vel que é estratégica, que é com quem eu vou casar. Essa variável estratégica eu tenho que saber, porque assim, no genérico, isso não existe. Agora, vamos supor que a pessoa seja maravilhosa e eu esteja apaixonadíssima...
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“Não sou uma pessoa carente propriamente
dita. Tive uma vida afetiva muito boa, muito rica”
ISTOÉ – A sra. está fechada para isso?
Dilma – Não, ninguém pode estar na vida. Mas para mim é uma coisa muito distante. E depende dessa variável: que noivo é esse?
ISTOÉ – Qual a sua posição em relação ao aborto? A sra. passou pela experiência de fazer um aborto?
Dilma – Eu duvido que alguma mulher defenda e ache o aborto uma maravilha. O aborto é uma agressão ao corpo. Além de ser uma agressão, dói. Imagino que a pessoa saia de lá baqueada. Eu não tive que fazer aborto. Depois que minha filha nasceu, tive uma gravidez tubária, eu não podia mais ter filho. E antes disso só engravidei uma vez, quando perdi o filho por razões normais. Tive uma hemorragia, logo no início da gravidez, sem maiores efeitos físicos.
ISTOÉ – Isso foi antes de sua filha nascer?
Dilma – Foi antes. Tanto é que eu fiquei com muito medo de perder minha filha, quando fiquei grávida. Mas todas as minhas amigas que vi passarem por experiências de aborto entraram chorando e saíram chorando. Eu acho que, do ponto de vista de um governo, o aborto não é uma questão de foro íntimo, mas de saúde pública. Você não pode hoje segregar mulheres. Deixar para a população de baixa renda os métodos terríveis, como aquelas agulhas de tricô compridas, o uso de chás absurdos, de métodos absolutamente medievais, enquanto as mulheres de renda mais alta recorrem a clínicas privadas para fazer aborto. Há muita falsidade nisto.
ISTOÉ – A sra. defende uma legislação que descriminalize o aborto?
Dilma – Que obrigue a ter tratamento para as pessoas, para não haver risco de vida. Como nos países desenvolvidos do mundo inteiro. Atendimento público para quem estiver em condições de fazer o aborto ou querendo fazer o aborto.
ISTOÉ – A Igreja Católica se opõe a isto.
Dilma – Entendo perfeitamente. Numa democracia, a Igreja tem absoluto direito de externar sua posição.
ISTOÉ – A sra. é católica?
Dilma – Sou. Quer dizer, sou antes de tudo cristã. Num segundo momento sou católica. Tive minha formação no Colégio Sion.
ISTOÉ – A sra. passou por um tratamento para curar um câncer e precisa submeter-se a revisões periódicas. O que deu sua revisão dos seis meses?
Dilma – Agora faço de seis em seis meses. Fiz há pouco, em abril, e deu tudo perfeito.Existe na sociedade e em cada um de nós uma visão ainda muito pesada sobre a questão do câncer. E isso provoca nas pessoas muita dificuldade em tratar a doença Eu tive a sorte de descobrir cedo. Estava fazendo um exame no estômago e resolveram ver como estavam minhas coronárias. Eu fui para fazer um exame de coronária e descobri um linfoma.
ISTOÉ – Como a sra. reagiu?
Dilma – A notícia é impactante. Na hora eu não acreditei, estava me sentindo tão bem. Há uma contradição entre o que você sente e o que te falam. Para combater o câncer você precisa encontrar forças em você mesma. Tem que se voltar para você, não pode, de jeito nenhum, se entregar. Depois, você combate porque conta com apoio. Eu tive uma sorte danada, recebi apoio popular. Chegavam perto de mim e falavam que estavam rezando. A gente se comove muito. E também tive apoio dos amigos, do presidente, de meus colegas no governo.


“Eu quero Neymar e o Ganso na Seleção.
Eles trouxeram alegria de volta para o futebol”
ISTOÉ – A sra. rezava?
Dilma – Ah, você reza, sim. E reza principalmente porque não é o câncer que é ruim, é o tratamento.
ISTOÉ – A sra. tem medo que o câncer volte?
Dilma – Hoje não.
ISTOÉ – Como a sra. encara a vida depois disso?
Dilma – A gente dá mais valor a coisas que costumam passar despercebidas. Você olha para o sol e fica pensando se você vai poder continuar vendo esta coisa bonita. Você fica mais alerta. Só combate isso se tiver força interna. Vou contar uma coisa. Eu não conhecia a Ana Maria Braga e um dia ela me ligou e conversou comigo explicando como tinha vencido o câncer dela, que o dela era mais difícil, diferente, e que superou. Vou ter sempre uma dívida com ela, porque, de forma absolutamente solidária e humana, ela me ligou naquele momento.
ISTOÉ – Mudando de assunto, o Lula é um bom chefe?
Dilma – Sim. O Lula é uma pessoa extremamente afetiva. Ele não te olha como se você fosse um instrumento dele. Te olha como uma pessoa, te leva em consideração, te valoriza, brinca. Ele tem uma imensa qualidade: ele ri, ri de si mesmo.
ISTOÉ – A sra. também será assim como chefe? Porque dizem que a senhora é o contrário disto, durona...
Dilma – Você não pense que o Lula não é duro não, hein. É fácil até para você cobrar, em função disto. Basta dizer: amanhã tem reunião com o Lula. Simples...
ISTOÉ – As reuniões são muito longas?
Dilma – A busca de um consenso é um jeito que criamos no governo. Algumas vezes o presidente chamava isto de toyotismo. Não é a linha de montagem da Ford, onde cada um vai olhando só uma parte. É aquele método de ilha da Toyota, porque você faz tudo em conjunto. Outra coisa é que a gente sempre discute com os setores interessados. Sabe como saiu o Minha Casa, Minha Vida? Porque nós sentamos com eles (empresários da construção civil) e conversamos. Eles criticando o que se fazia, os 13 grandes mais a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil. Se você não fizer isso, se não for absolutamente exaustivo no debate do detalhe, o projeto não fica em pé. Na curva ele cai.
ISTOÉ – Hoje todo mundo comenta, inclusive dentro do partido, que, a partir da entrada do presidente na campanha, suas chances de vitória aumentam. A sra. traz essa expectativa também?
Dilma – Do nosso ponto de vista já é dado que o presidente participa. Nós nunca achamos que ele vai chegar um dia e participar depois. O presidente é a maior liderança do PT, a maior liderança da coligação do governo, uma das maiores lideranças do País, uma das maiores lideranças do mundo...
ISTOÉ – O fato de ter duas mulheres pela primeira vez concorrendo dará um tom diferente à campanha?
Dilma – Acho que as mulheres estão preparadas para pleitear as suas respectivas candidaturas e o Brasil está preparado para as mulheres agora. Penso que é muito importante que haja um olhar feminino sobre o Brasil. As mulheres são sensíveis e isso é uma grande qualidade. As mulheres são sensatas e objetivas até porque lidam na vida privada com condições que exigem isto. Ou você não conseguiria botar filho na escola, providenciar comida, mandar tomar banho, ir trabalhar... As mulheres também são corajosas: a gente segura dor, a gente encara.
ISTOÉ – A sra. é a favor ou contra a reeleição?
Dilma – Sou a favor. Acho muito importante.
ISTOÉ – A sra. cederia a possibilidade de uma reeleição para o presidente Lula, no caso de ele querer se candidatar em 2014?
Dilma – Ele já me disse para não responder a essa pergunta.
ISTOÉ – Até quando a sra. vai obedecer cegamente o que ele manda?
Dilma – Lula não exige obediências cegas.
ISTOÉ – A sra. acompanha futebol como o presidente Lula?
Dilma – Quero o Neymar e o Ganso na Seleção. Tenho muita simpatia pelo Ganso, aquele jeito meio desconcertado de falar. Mas gosto dos dois. Eles trouxeram alegria de volta para o futebol. Jogam de forma desconcertante e atrevida.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Lembranças de um cantor de banheiro

Serra da Boa Esperança, de Lamartine Babo, fazia parte do repertório de chuveiro nosso pai, Fernando Campelo Duarte, um típico "cantor de banheiro". Sua cantoria atravessando as paredes da casa de madeira nos comunicava que ele estava de bom humor. Da mesma forma como quando acordava querendo pegar um comunista pelo pescoço logo percebíamos que era melhor ir rapidinho para a aula ou o trabalho. Nosso velho pai embarcou há 29 anos, mas está absolutamente vivo em nossas lembranças e saudades. Para ele, Ernesto Aun canta Serra da Boa Esperança. E nós - seus filhos e Dona Ecéa - ficamos torcendo para que no lugar onde ele está exista um bom chuveiro e uma bela manhã de sol pra ele soltar a voz e contagiar o dia com a sua alegria. Sem comunistas por perto, claro.

   

terça-feira, 27 de abril de 2010

Salve Minerada gente boa!

Grupo Cachaça com Arnica canta "Mercearia Paraopeba", do compositor Pirulito da Vila. O tal estabelecimento fica em Itabirito (MG) e já virou lenda há muito. Coisa boa tem que ser compartilhada.

Pra Jacira, com saudades!

Jacira é uma tia querida lá das Minas Gerais, companheira de uma viagem que fizemos em quinteto (eu, ela, Werty, Maria Lucia e Osmar) pelas históricas Ouro Preto, Tiradentes, Mariana e São João Del Rey. Assistir esse vídeo me deu saudade e vontade de voltar a comer poeira na Estrada Real. Quem mais se habilita?

domingo, 25 de abril de 2010

R$ 456 Milhões - um número cabalístico para os Demos/Tucanos

Pouco antes de deixar o governo de São Paulo, o candidato José Serra fechou um acordo com 5 empreiteiros, esses homens bons, para dar a eles mais R$ 456 Milhões por obras feitas nos anos 80 e 90. Os empreiteiros são financiadores da campanha do vampiro que come meleca, mas todo mundo sabe que isso é apenas coincidência. Aliás, esse valor - R$ 456 milhões - deve ter um significado cabalístico para os candidatos Demos/Tucanos; eles o usam para dar sorte na eleição, deve ser isto. Afinal, foi esse mesmo valor - 456 milhões de Reais - que outro tucano, o Geraldo Alckmin (lembram dele?) deu para outros empresários às vésperas de concorrer à Presidência da República, em 2006.









E, nova coincidência, esses empreiteiros beatos também eram financiadores da campanha do tucano. Quem descobriu isso? Os competentes colaboradores do Blog do Luiz Nassif. Vejam essas notícias que a Folha de São Paulo divulgou escondidas lá pela página 40 (só pra depois o jornal poder dizer que também denunciou os ladrões do DEMO/PSDB).


24/4/2010
Empreiteiras ganham R$ 456 milhões de José Serra por construções antigas


ALENCAR IZIDORO
DA REPORTAGEM LOCAL

O governo de São Paulo firmou acordos judiciais durante a gestão José Serra (PSDB) para pagar até dezembro deste ano mais de R$ 456 milhões a cinco empreiteiras com a justificativa de quitar pendências de obras antigas, como a construção da rodovia Carvalho Pinto e a duplicação da Dom Pedro 1º. Os contratos com as empresas foram firmados entre os anos 80 e 90. A nova conta começou a ser paga nos últimos meses pelos cofres do Estado, inflada por correção e juros. O dinheiro equivale a mais de um terço do custo da obra de ampliação da marginal Tietê. É suficiente para pavimentar 650 km de estradas vicinais. Entre as cinco construtoras que já começaram a receber os depósitos, quatro também estiveram ligadas à construção do trecho sul do Rodoanel, bandeira de Serra, pré-candidato à Presidência, neste ano eleitoral e que foi entregue após ser erguido em tempo recorde.

Agora vejam o que ocorreu em 2/12/2006

São Paulo pagou R$ 456 milhões a 45 doadores de Alckmin

Empreiteiras credoras do governo paulista deram R$ 14 milhões dos R$ 62 milhões obtidos pela campanha do tucano Geraldo Alckmin

CATIA SEABRA
MATHEUS PICHONELLI
Juntas, 45 colaboradoras da campanha de Geraldo Alckmin à Presidência são destinatárias de R$ 456,1 milhões dos cofres do Palácio dos Bandeirantes apenas neste ano (2006). Cruzamento entre a prestação de contas do PSDB e a lista de fornecedores do Estado de São Paulo revela que pelo menos 45 doadoras estão entre os credores do governo estadual, comandado por Alckmin até março deste ano. Somados ao contrato para o trecho Sul do Rodoanel, o total previsto para essas empresas superaria R$ 2 bilhões.
Essas empresas -entre elas empreiteiras, bancos e fornecedoras de equipamentos de segurança- contribuíram com R$ 14.478.968 (mais de 14 milhões de reais), correspondendo a 23% dos R$ 62 milhões arrecadados pelo comitê financeiro da campanha do candidato tucano.
Além desses R$ 456,1 milhões já liquidados (cujo pagamento já foi autorizado) pelo governo do PSDB, há ainda R$ 1,546 bilhão em contratos para a construção do trecho Sul do Rodoanel. Encarregadas da obra, as construtoras Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS, Mendes Júnior e Engevix estão entre os principais doadores da campanha.
A Andrade Gutierrez, por exemplo, contribuiu com R$ 1,5 milhão para a campanha de Alckmin. Neste ano, a empreiteira receberá R$ 15 milhões do Estado, segundo o orçamento registrado no Sigeo (sistema de acompanhamento dos gastos do Estado). O contrato do Rodoanel prevê R$ 492,9 milhões para a empreiteira….

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Juíza leva invertida de PM altivo

Uma desembargadora do Tribunal de Justiça de Santa Catarina bateu boca com PMs para tentar evitar a apreensão de um veículo carregado de multas não-pagas conduzido pelo filho. O caso ocorreu durante uma blitz na quinta-feira (15), em Florianópolis. Um dos policiais registrou a discussão em vídeo com um celular. A desembargadora e o bundinha do filho achavam que os PMs tinham complexo de vira-latas, mas descobriram que o Brasil que andava de quatro ficou pra trás há quase 8 anos. "Você sabe quem eu sou??? Sou desembargadora!" E o PM: "pois devia dar um exemplo melhor!" A Associação dos Magistrados, que também acha que os brasileiros ainda têm complexo de vira-latas, apoiou a atitude da juíza desqualificada. Assista o vídeo aqui:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u723811.shtml.

Veja, uma cópia medíocre



segunda-feira, 12 de abril de 2010

Os vídeos da entrevista do gen. Newton Cruz

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5

Novas sobre a Intentona do RioCentro

Essa entrevista do general Newton Cruz (foto) foi dada ao repórter Geneton Moraes Neto e divulgada neste domingo na GloboNews. Para os mais jovens, esclareço que o general Nenton Cruz comandou a agência central do SNI em Brasília e ficou famoso por chicotear carros durante uma manifestação pelas Diretas na Esplanada dos Ministérios e por ser acusado de assassinar o jornalista-mordedor da revista Cruzeiro (espécie de Veja dos anos 60), Alexandre von Baumgarten. A propósito, esse caso inspirou o humorista Tutuca a criar aquele personagem do famoso bordão "bicha não morre, vira purpurina".

Durante a entrevista-depoimento, o general Newton Cruz fez cinco importantes revelações:

1 - O SNI soube com antecedência que uns porra-loucas do 1º Exército iam colocar a bomba no RioCentro;

2 - Depois do atentado, o chefe do SNI, general Medeiros, e o presidente João Figueiredo foram informados e mesmo assim nada fizeram para denunciar os terroristas; 

3 - Meses após a intentona do RioCentro, o mesmo grupo do DOI-CODI do 1º Exército tencionava colocar outra bomba em um local público no Rio de Janeiro. Dessa vez o general Newton Cruz foi lá e ralhou com a rapaziada, que então resolveu colocar o galho dentro;

4 - Na época da última eleição presidencial pelo Colégio Eleitoral, em 1985, o deputado Paulo Maluf pediu ao general que o SNI matasse Tancredo Neves;

5- Peteca é jogo de macho.


A seguir leia a parte da entrevista que foi disponibilizada pelo jornalista Geneton Moraes Neto.

Ou assista a entrevista completa no site da GloboNews, cujo link é este:

http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1565307-17665,00-GENERAL+NEWTON+CRUZ+REVELA+MOMENTOS+DRAMATICOS+DO+REGIME+MILITAR.html

"Os bastidores do regime militar : general Newton Cruz descreve o dia em que saiu de Brasília para o Rio para desmontar um novo atentado que militares estavam tramando depois do Riocentro
Postado por Geneton Moraes Neto em 10 de abril de 2010 às 22:16

Aos fatos : o ex-chefe da agência central do SNI e ex-comandante militar do Planalto, general Newton Cruz, nos deu detalhes de uma operação secreta que ele protagonizou para evitar que militares radicais cometessem, no Rio de Janeiro, um novo atentado, depois do que tinha ocorrido no Riocentro.

Um detalhe: o próprio Newton Cruz ficou nacionalmente conhecido como “linha-dura”. Mas, neste caso, ele atuou para  “apagar um incêndio”.  Os autores do frustrado atentado cometido no Riocentro – militares ligados ao DOI do I Exército, no Rio de Janeiro -  queriam dar uma nova demonstração de força contra a abertura política ( A entrevista completa do general foi exibida no DOSSIÊ GLOBONEWS no sábado. Vai ser reprisada neste domingo, às 17:05; na segunda, às 15:05 e na terça, às 11:05).

O general se deslocou de Brasília para o Rio, numa missão que, segundo ele, extrapolava suas atribuições, já que cabia a ele chefiar a agência central do SNI – não participar de um “empreitada” como aquela. O diálogo com dois dos homens que tramavam um novo atentado ocorreu num quarto de hotel do Leme, no Rio de Janeiro. O então chefe da agência central do SNI diz que fez uma advertência aos dois : se executassem o que estavam tramando, seriam denunciados. 

Um bastidor : quando procurei o ex-chefe da agência central do SNI para uma entrevista, duas semanas antes do natal, a primeira resposta foi “não”. Cordial ao telefone, disse que já não queria se envolver em” confusão”. Aos 85 anos, viúvo, estava na casa da filha, na zona oeste do Rio. Enfrentara problemas de saúde. A audição já não era tão boa. Agradeceu o “interesse” mas, em outras palavras, pediu que eu batesse em outra porta. Não bati. Tentei de novo uma, duas, três vezes.  Disse que ele tinha sido citado em outras entrevistas que eu tinha feito sobre o fim do regime militar. A última investida deu resultado. O general me disse :”Você é insistente !”. Respondi que sou, claro. Queria ouvi-lo. O tom firme da voz do general indicava que continuava “enérgico”. A entrevista ficou marcado para as onze da manhã de uma quarta-feira.

Houve momentos tensos. Com o calor na sala e o pequeno refletor usado pelo cinegrafista Evilásio Carneiro foram suficientes para que o general ficasse banhado de suor. A camisa ficou visivelmente molhada. A assistente de produção Rosamaria Mattos, estagiária da Globonews, fez as vezes de “maquiadora”  : precisou enxugar a testa do general “n” vezes com lenços de papel.  Houve momentos tensos, em que o general levantou a voz para marcar posições. Devolveu perguntas ao repórter. Recorreu à ironia quando achou necessário. A estagiária deve ter ficado compreensivelmente “assustada” com a entrevista. De qualquer maneira, eu estava apenas – e exclusivamente –  para perguntar, não para fazer discursos, emitir julgamentos ou me exibir diante da câmera sob as vistas  do general – que entrou para o “imaginário coletivo” como exemplo acabado do militar linha-dura. É o que tentei fazer.

Terminada a entrevista, a equipe desligou o equipamento. O cinegrafista, os dois técnicos e a assistente de produção desceram na frente. O general  me acompanhou até a porta do elevador. Aquele silêncio constrangido que sempre acomete os que ficam diante da porta de um elevador foi quebrado pelo general que, para minha surpresa, depois de ter se exaltado tantas vezes durante a entrevista, começou a cantar uma velha canção : “Falam de Mim”  ( a letra diz “falam de mim/mas quem fala não tem razão/ um rapaz como eu/ não merece ingratidão”). Quando cheguei à TV, recorri ao São Google, para descobrir de quem era a música. Era de um homônimo de Noel Rosa.

Vou confessar : meu primeiro pensamento foi  “ah, meu Deus do céu, se a câmera estivesse ligada aqui eu ia fazer uma imagem antológica : Newton Cruz, o general linha-dura, cantando !”.  A essa altura, o equipamento já estava desligado, no carro. Trocamos umas palavras. O general ficara satisfeito com a entrevista. Eu disse a ele o que sinceramente penso : “Como personagem jornalístico, o senhor me interessa tanto quanto, por exemplo, Luís Carlos Prestes, a quem, aliás, entrevistei várias vezes. Jornalista existe para fazer pergunta. Não faço  ”patrulhagem ideológica” nem no senhor nem em Prestes. Minha opinião pessoal não interessa. Quero sair daqui com uma notícia”.  O general me disse que nunca tinha falado tão claramente sobre a operação que fez para desmontar um novo atentado que militares tramavam no Rio. Em resumo, ele me deu uma notícia  : militares estavam tramando,sim, um novo atentado no governo Figueiredo.

Um dia depois, telefonei para checar dados. Perguntei se ele sabia o título da música que cantou para mim na porta do elevador, no fim da visita. Não, o general não sabia. Mas deve ter notado que, no fundo, o que eu queria era gravar a performance do general Newton Cruz cantando. Perguntou, sem meias palavras, se eu queria gravar ali, naquela hora, por telefone. É claro que sim. A gravação foi feita. O general “linha-dura” cantou de novo! A gravação da performance musical foi  usada no final da entrevista levada ao ar pela Globonews  :  um diálogo marcado por momentos ríspidos terminou, quem diria, com Newton Cruz cantando.

Mas o que terminou com a música tinha começado assim:
Toca o telefone na agência central do SNI, em Brasília : um agente – que estava no DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro, avisa que um grupo estava indo para o Riocentro com uma bomba

Horas antes do atentado no Riocentro, o senhor recebeu um telefonema de um militar avisando que uma bomba iria explodir lá.Por que é que o senhor não se dirigiu imediatamente para o Riocentro?

Newton Cruz: “Não,não,não,não. Meu Deus do céu. Primeiro: o Riocentro é no Rio. Eu estava em Brasília. “Imediatamente” não podia ser, nem que eu viesse de avião. Não é nada disso. Eu estava no meu gabinete de trabalho, na Agência Central do SNI. Ficava até tarde. Trabalhava feito um desesperado. Trabalhava de noite. Não tirava férias. Não fazia nada. Cheio de papel. Sempre fui muito centralizador. Sempre fui responsável, eu,pessoalmente – e também garantir  que cumpram aquilo que digo,como mando fazer. Eu estava no meu gabinete, já à noite, quando um oficial meu – da Agência Central do SNI – me disse: “Chefe, recebi um telefonema lá do Rio de Janeiro, de fulano de tal, analista de nossa agência, que disse o seguinte:  tinha ido ao DOI do I Exército para fazer contato,saber se tinha alguma novidade e se informar…”. Somos órgão de informação. Era um homem da nossa seção de operações. “Quando chegou lá, ele se assustou, porque viu um grupo reunido cuja ideia era partir para o Riocentro. E ele ficou assustado.Falou: ”Como é isso?”.  O oficial da agência do Rio de Janeiro tentou influenciar: ”Vocês não podem fazer isso, ir pra lá!”. E eles: “Mas nós vamos! ”.  A ideia desse grupo não era matar ninguém: era moda aquele negócio de bomba em banca de jornal. Era pegar uma bomba – uma bombazinha – e jogar lá fora, nas imediações. Era um ato de presença: “Nós estamos aqui.Vocês estão aí, no evento de comemoração do primeiro de maio.Nós estamos aqui!”.  Não era para matar ninguém. Era um grupinho. Não era nada comandado por ninguém de cima. Eram eles mesmos, por conta deles. 

Quando este oficial soube, se assustou: “Não podem fazer isso lá”. Faz o seguinte: “Vai, mas joga a bomba mais afastada”. Ele avisou isso.  E saiu com o grupo: foi junto, para  assegurar a bomba fora, para não incomodar ninguém, porque eles estavam com gosto de sangue na boca. Sangue,não.  Sangue nada: era jogar bomba. Eu falei: “Mas não há meio de parar?”. E ele: “Não,porque eles já saíram”. Quando eu soube, este grupo já tinha saído. E a bomba foi lançada meio afastada, na proximidade da casa de força. Não adiantava nada, porque se apagasse, o gerador daria eletricidade. Não ia incomodar ninguém. Ele agiu com a cabeça, para evitar. Muito bem. Eu não podia fazer mais nada. Paciência. Fui  para casa. Quando cheguei em casa – e liguei a televisão – é que soube da bomba que tinha explodido. O que é que foi ? Os dois que foram lá – o capitão e o sargento – por conta própria, fora daquele grupo –  para o estacionamento.E a bomba explodiu no colo do sargento. É o que houve”.

Quando soube que haveria um atentado no Rio centro, o senhor não deveria ter comunicado imediatamente até ao presidente da República ?

Newton Cruz: “Não,não,não…”

O senhor não considerou grave ?

Newton Cruz: “Falei com quem ? Com o meu chefe – o chefe do SNI,Octávio Medeiros – que tinha gabinete junto do Figueiredo. Eu – como chefe da agência central – não tinha nenhum contato direto com Figueiredo…”

Mas num situação dessas….

Newton Cruz: “Não tinha importância nenhuma…”

Poderia ter causado uma tragédia….

Newton Cruz: “Ele foi procurado por Medeiros – que disse a história a ele. Figueiredo soube o que aconteceu”.

Naquela noite ?

Newton Cruz: “Não sei se na noite. Porque a noite era de madrugada. Ou no dia seguinte, não sei. Para mim, tinha acabado. Transmiti para o meu chefe e acabou”

O senhor transmitiu para o general Octávio Medeiros antes ou depois de ver a notícia na TV?

Newton Cruz: “Depois da TV. Eu morava do lado de Medeiros. Nossa casa era junto uma da outra,na Península dos Ministros. Não podia fazer nada! Não podia fazer nada naquela hora ! Nada! Não tinha o que fazer ! Não tinha o que fazer. Não podia fazer nada! Não havia o que fazer”

O senhor se arrepende de não ter tentado fazer alguma coisa ?

Newton Cruz(levantando a voz): “Tentar o quê ?”

Telefonar para o general Medeiros para mobilizar…

Newton Cruz: “Medeiros ia fazer o quê ?”

Mobilizar alguém para interceptar…

Newton Cruz: “Interceptar quem ?”

Os militares que estavam indo para o Riocentro….

Newton Cruz: “Eles não sabiam de militar que estava indo para o Riocentro. Não sabia nem para onde eles foram. Não sabiam nem onde ia ser jogada a tal bomba. Era nas proximidades. Não sabiam onde era. Que história é essa ? É impossível. Nesta ocasião, nem celular havia….

E mais o seguinte: tempos depois, recebi a informação de que havia um grupo,no DOI, tentando fazer uma coisa parecida.Não era problema meu. Eu tinha só de informar.

O grupo ia fazer algo parecido onde ?

Newton Cruz: “Em algum lugar. Algo da mesma natureza”

Uma bomba num local público ?

Newton Cruz: “É….Não sei onde”.

O senhor deve saber. Não quer dizer ?

Newton Cruz: “Estou dizendo que não sei. Estou contando. Não conto pela metade. Conto tudo que sei. Quando conto, conto o que sei. Quando não quero contar, não falo. Então, falei: “Não é possível! Isso não pode!”.

Pela primeira vez, saí de minha função dentro do SNI:  “Vou pessoalmente acabar com isso!”.Pedi à agência do Rio um encontro com dois elementos do DOI-CODI. Fui ao Rio de Janeiro e me encontrei num hotel “.


Onde foi ?

Newton Cruz: “O hotel ficava no Leme. Eu me encontrei com um tenente da Polícia Militar e um sargento (do Exército). Falei: ”Aconteceu isso assim assim em relação ao Riocentro. Eu tive informações de que vocês estão pensando em coisa parecida. Vou dizer uma coisa a vocês:  vão lá e digam aos seus companheiros que vocês estiveram comigo e se acontecer qualquer coisa parecida com isso eu vou denunciar!”  (levanta a voz). Digam a eles!”.  Nâo houve mais nada. Acabou com bomba. Isso ninguém sabe”.
O general guardou silêncio sobre a reunião ocorrida num quarto de hotel no Leme, no Rio de Janeiro, com dois militares que estavam tramando o novo ataque

O senhor chegou a  produzir algum documento escrito sobre esta ameaça de um novo atentado no Rio ?

Newton Cruz: “Não.Nunca falei sobre isso”

Chegou a produzir algum documento internamente no SNI ?

Newton Cruz: “Não.Porque, se eu fizesse, estaria sendo falso em relação aos dois que falaram comigo”.

Por que é que só agora o senhor decidiu fazer esta revelação ?

Newton Cruz: “Já falei na intimidade”.

Não: publicamente….

Newton Cruz: “Porque saiu agora. Não sei por quê. Ah, por quê ? Porque agora falei, de repente…”.

Quanto tempo depois do Riocentro haveria este outro atentado ?

Newton Cruz: “Eu estava na agência central do SNI até 1983. Se o atentado foi em 1981, foi logo depois…”

Como é que esta informação de que haveria um novo RioCentro chegou ao senhor ?

Newton Cruz: “Não vou dizer a você! Pronto. Porque acho que, profissionalmente, não posso dizer”

Mas é uma revelação grave que o senhor faz:  a de que poderia haver um outro Riocentro no governo Figueiredo.

Newton Cruz: “Eu resolvi o fato. Falei do fato. Não posso falar sobre informante. Você, jornalista, fala o que um informante diz a você pedindo sigilo ?”

Não.

Newton Cruz: “Permita-me ser igual a você!”.

O senhor comunicou este fato ao presidente Figueiredo ?

Newton Cruz: “Com Medeiros (chefe do SNI), falei de minha ida ao Rio. Eu ia ao Rio e não vou dizer a meu chefe ? Eu disse!”.

Que cuidados o senhor tomou na hora de ter esta conversa no hotel ?

Newton Cruz: “Nenhum. Entrei no quarto, já preparado,sentei lá. Pedi um uísque para mim e um uísque para os informantes e conversei com eles. Pronto”.

Que reação esses dois oficiais tiveram quando o senhor disse que eles não poderiam cometer este ato ?

Newton Cruz :” Você pode tirar sua conclusão porque depois nunca mais houve bomba em lugar nenhum”.

Mas eles contraargumentaram ?

Newton Cruz: “Não. Ficaram quietinhos. Fiz cara feia para eles, certamente. Ficaram com medo de minha cara…”.

Que sensação o senhor tem  por ter evitado este outro atentado ? É de alívio ?

Newton Cruz: “Fiquei feliz da vida, claro. Achei que tinha um propósito – e o propósito foi cumprido. Fiquei feliz da vida. A pergunta acho que não tem sentido ( irônico): ah, fiquei triste….Queria que acontecesse…Ora…”

domingo, 11 de abril de 2010

A fala da mineira guerreira

10/04/2010 - 19:57

O discurso de Dilma no lançamento da candidatura à Presidência

Companheiros e Companheiras do ABC.
Estou aqui hoje e quero aproveitar este momento para me identificar com maior clareza. Os da oposição precisam dizer quem são. Vocês sabem quem eu sou, e vão saber ainda mais. O que eu fiz, o que planejo fazer e, uma coisa muito importante, o que eu não faço de jeito nenhum. Por isso gostaria de dizer que:
1 Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta. Posso apanhar, sofrer, ser maltratada, mas estou sempre firme com minhas convicções. Em cada época da minha vida, fiz o que fiz por acreditar no que fazia. Só segui o que a minha alma e o meu coração mandavam. Nunca me submeti. Nunca abandonei o barco.
2 Eu não sou de esmorecer. Vocês não me verão entregando os pontos, desistindo, jogando a toalha. Vou lutar até o fim por aquilo em que acredito. Estarei velhinha, ao lado dos meus netos, mas lutando sempre pelos meus princípios. Por um País desenvolvido com oportunidades para todos, com renda e mobilidade social, soberano e democrático;
3 Eu não apelo. Vocês não verão Dilma Rousseff usando métodos desonestos e eticamente condenáveis para ganhar ou vencer. Não me verão usando mercenários para caluniar e difamar adversários. Não me verão fazendo ou permitindo que meus seguidores cometam ataques pessoais a ninguém. Minhas críticas serão duras, mas serão políticas e civilizadas. Mesmo que eu seja alvo de ataques difamantes.
4 Eu não traio o povo brasileiro. Tudo o que eu fiz em política sempre foi em defesa do povo brasileiro. Eu nunca traí os interesses e os direitos do povo. E nunca trairei. Vocês não me verão por aí pedindo que esqueçam o que afirmei ou escrevi. O povo brasleiro é a minha bússola. A eles dedico meu maior esforço. É por eles que qualquer sacrifício vale a pena.
5 Eu não entrego o meu país. Tenham certeza de que nunca, jamais me verão tomando decisões ou assumindo posições que signifiquem a entrega das riquezas nacionais a quem quer que seja. Não vou destruir o estado, diminuindo seu papel a ponto de tornar-se omisso e inexistente. Não permitirei, se tiver forças para isto, que o patrimônio nacional, representado por suas riquezas naturais e suas empresas públicas, seja dilapidado e partido em pedaços . O estado deve estar a serviço do interesse nacional e da emancipação do povo brasileiro.
6 Eu respeito os movimenos sociais. Esteja onde estiver, respeitarei sempre os movimentos sociais, o movimento sindical, as organizações independentes do povo. Farei isso porque entendo que os movimentos sociais são a base de uma sociedade verdadeiramente democrática. Defendo com unhas e dentes a democracia representativa e vejo nela uma das mais importantes conquistas da humanidade. Tendo passado tudo o que passei justamente pela falta de liberdade e por estar lutando pela liberdade, valorizo e defenderei a democracia. Defendo também que democracia é voto, é opinião. Mas democracia é também conquista de direitos e oportunidades. É participação, é distribuição de renda, é divisão de poder. A democracia que desrespeita os movimentos sociais fica comprometida e precisa mudar para não definhar. O que estamos fazendo no governo Lula e continuaremos fazendo é garantir que todos sejam ouvidos.
Democrata que se preza não agride os movimentos sociais. Não trata grevistas como caso de polícia. Não bate em manifestantes que estejam lutando pacificamente pelos seus interesses legítimos.
Companheiras e companheiros,
Aquele país triste, da estagnação e do desemprego, ficou pra trás. O povo brasileiro não quer esse passado de volta.
Acabou o tempo dos exterminadores de emprego, dos exterminadores de futuro. O tempo agora é dos criadores de emprego, dos criadores de futuro.
Porque, hoje, o Brasil é um país que sabe o quer, sabe aonde quer chegar e conhece o caminho. É o caminho que Lula nos mostrou e por ele vamos prosseguir. Avançando.
Com a força do povo e a graça de Deus.

terça-feira, 6 de abril de 2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Retrato nu e cru da elite brasileira

A jornalista Mônica Bergamo (Folha de São Paulo) expôs com toda a crueza o retrato na elite brasileira na pessoa da "primeira-dama" de São Paulo, Deuza Goldman, esposa do vice de José Serra, o ex-comunista Alberto Goldman, que assumiu no dia 1º de abril. O trabalho da Bergamo só é comparável à lendária entrevista das páginas amarelas da Veja com a socialite Narcisa Tamborindeguy, publicada em 1998. A propósito, postarei essa entrevista aqui oportunamente, para tonificar o fígado de todo mundo. Aguardem. Por ora, deliciem-se com essa Deuza.

Como uma deuza

Mônica Bergamo

A nova primeira-dama de SP, Deuzeni Goldman, 58, a Deuza, que toma posse na terça, cuida de filhos, netos e enteados, escolhe as roupas do marido, faz dança, piano, inglês, ginástica e -ufa!- medita duas vezes por dia para relaxar.

Deuza Goldman em seu apartamento, em Higienópolis

Faltam duas horas para que o helicóptero do governo de São Paulo levante voo levando Deuzeni Goldman, a Deuza, pelos céus da cidade rumo a sua mais nova missão: estar ao lado do marido no cargo de primeira-dama de São Paulo.

Sua antecessora, Monica Serra, é morena. Deuza é loira. Monica é tímida; Deuza, exuberante. A mulher continuou morando em sua casa, em Pinheiros, e Serra foi sozinho para o Palácio dos Bandeirantes. Já Deuza e Alberto Goldman, que assume o governo na terça, são "grudados. A gente ainda namora no cinema". "São 32 anos de casados, acredita? Nem eu acredito que estou há tanto tempo com esse meu maridinho."

Deuza se senta à mesa para o almoço em seu apartamento, em Higienópolis. "Então, eu tava te falando... eu tava numa fase bem mãezona. Faz cinco anos que tô aposentada [é ex-decoradora], pra curtir a vida, os filhos. Faço dança de salão, piano, inglês, tenho professora de ginástica três vezes por semana. Sempre fiz mil coisas. Vou ter que me reorganizar."

Ela interrompe: "Paula... tá aparecendo a alça do sutiã vermelho, filha." Aos 31 anos, a jovem, que veio de Londres, onde mora, se arruma para ir com a mãe à cerimônia, no Bandeirantes, em que Serra se despedirá do governo. "Sou virginiana, perfeccionista", diz Deuza.

Ela cataloga as fotografias de família por assuntos ("Eu e Meu Amor", "Amigas", "Crianças"), datas "e até o nome da rua em que a gente estava", diz Paula. Divide as roupas em armários por décadas: anos 70, 80 e 90. O Le Lis Blanc de seda que veste para a despedida de Serra "tem cinco anos", diz. A bolsa, Dior, "mais de 20. Tenho várias. Comprei quando não custavam essa fortuna". "Ela tem um brechó em casa", afirma Paula. E escolhe as roupas que o marido usa.

Deuza derruba suco de uva na mesa. "Nervosa? Não, eu estou até calma! Eu agora faço meditação duas vezes por dia." Quem ensinou a ela a técnica foi o enteado, André. "Cada sessão tem 20 minutos." Olhos fechados, Deuza passa as mãos em várias partes do corpo enquanto explica: "Você pensa nos cabelos, relaxa. Pensa nas orelhas, relaxa. No dorso... até que não percebe mais o corpo. Aí, pensa numa paisagem bonita e "fica" lá. Tem gente que até levita!". Deuza não chega a tanto. Mas está "mais relaxada".

Ela conta que está escrevendo um livro. "Eu tenho muita coisa pra contar, né? São 32 anos [com o marido]. Vai se chamar "História e Estórias", e o subtítulo é... ai, gente, é tão pitoresco... mas não consigo me lembrar!". E Paula: "Cê já escreveu muita coisa? Queima esse livro, mãe!". Por quê? "Ah, sei lá, agora tem campanha eleitoral... vai ter espião petista em tudo quanto é lugar."

Nascida em Tupã, interior de SP, ela é a mais velha de três irmãos. A mãe , Deuza, e o pai, Zenite, juntaram os nomes e a chamaram Deuzeni. Depois de fazer o clássico e o magistério, Deuza se mudou para a capital. Tinha 18 anos.

Em 1972, aos 20, conheceu Goldman. Ele tinha 34, já era deputado e sócio de uma construtora. "Eu era secretária da secretária dele", diz Deuza. "Ele já tinha, assim, um casamento bem falido, né?". E os dois começaram a namorar. "Ficamos seis anos nesse chove, não molha." Até que Goldman decidiu se separar. "Ele sempre disse pra mim que eu nunca fui a causa, e sim a consequência [da separação da primeira mulher, Sara]."

Mas Deuza continuava "naquela indecisão." "Eu era uma menina superjovem, tinha um monte de paqueras que me assediavam. Ele era mais velho, já tinha três filhos (Cláudio, Marcelo e André), era político, judeu. Tinha tudo para dar errado." "E ainda quebrou!", diz Paula. Deuza explica: "Quando a gente se casou, ele fechou a construtora. Eu era secretária, fazia o Imposto de Renda dele, sabia de tudo o que tinha. Nunca me impressionei. Eu sempre brinco que conheci o Alberto rico e casei com ele pobre."

Deuza interrompe a conversa, preocupada com perguntas pessoais: "Como sou loira, tenho cabelão, as pessoas acham que eu sou uma dondoca, um nada. E eu não sou isso". A cunhada Antonieta Spargoli, a Toty, diz: "A Deuza não tem culpa de ser alta, magra e loira". Fez apenas uma plástica, suave, no rosto, há muitos anos.

A primeira-dama explica que tem "um lado intelectual muito forte." Assina várias revistas (além das semanais de informação, "Casa Claudia" e "Vogue") e está lendo "três livros ao mesmo tempo" -um deles, "Os Homens que Não Amavam as Mulheres", do sueco Stieg Larsson. Gostou "demais" da biografia de Hillary Clinton -em especial quando ela conta que perdoou as traições do marido, Bill Clinton, "por amor".

"Tenho aversão. Mas não quero falar sobre isso", diz Deuza quando questionada sobre o governo Lula. "O Serra não gosta", explica. "Falo o que penso", mas, na posição em que está, precisa "ser cuidadosa". Sobre primeiras-damas, diz apenas que "a Ruth Cardoso, sim, foi um modelo. Discreta, atuante, eficiente".

Crítica de programas como o Bolsa Família, ela diz acreditar que os projetos do Fundo de Solidariedade, que comandará, têm outro caráter. "O Bolsa Família dá dinheiro mensal para a pessoa se acomodar. A campanha do agasalho é emergencial, para a pessoa não passar frio."

Depois da despedida de Serra, Deuza volta para Higienópolis, onde o casal continuará morando mesmo depois da posse. No carro, fala dos planos. "Mil amigas já estão me ligando." São mulheres de deputados, de secretários, que "querem ajudar e não sabem como. Vou mobilizar todo esse pessoal". Seu principal projeto é revitalizar o parque da Água Branca, onde fica a sede do Fundo. Ela quer incrementar o paisagismo e catalogar todas as árvores, colocando placas para que as crianças possam identificá-las. "O parque tem história, meus filhos iam lá quando eram pequenos", diz.

Já em casa, Deuza se prepara para jantar fora com o marido e os dois filhos do casal, Paula e Flávio. Se deixarem, o governador só vai a restaurantes como a pizzaria Speranza, no Bixiga, e o Filé do Moraes. Mas, em casa, quem manda é a primeira-dama. Ou melhor, "toda a família manda nele", segundo Paula. Deuza considera que os três filhos mais velhos e as três netas de Goldman, "na realidade, são meus também, entendeu?".
 
A família agora tem várias coisas para resolver. Um dos filhos de Goldman, por exemplo, vendeu o carro "para não poluir o mundo". E, embora a lei determine, não quer andar de ônibus com um segurança na cola.

O celular toca. É um dos enteados, André. "Que pena que você não veio com a gente [na despedida de Serra], meu amor!", diz Deuza. Na posse, na terça, afirma ela, ninguém pode faltar. "O papai quer todo mundo lá. Vem aqui que eu boto uma gravata em você.

domingo, 4 de abril de 2010

Para quem não viu: TV doada pelo CQC some na Prefeitura de Barueri (SP)

Veja a reação do prefeito serrista de Barueri (SP) ao flagra que o CQC aplicou nele, ladrãozinho de uma TV de plasma doada pelo Programa a uma escola da comunidade. Veja a cara de pau do melhor amigo do vampiro que come meleca.