segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Vale a pena rever: Fernando Rodrigues e a compra de votos para reeleição de FHC

Fernando Rodrigues (2011)
Essa entrevista foi dada ao Programa "PROFISSÃO: REPÓRTER" no final dos anos 90. Na época, Fernando Rodrigues era repórter especial da Folha de São Paulo e acabara de ganhar vários Prêmios de Jornalismo por denunciar a compra de votos para a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Participaram da entrevista os jornalistas Luiz Maklouf Carvalho, Leão Serva, Gabriel Nogueira, José Roberto de Alencar, Marcos Emílio Gomes, Paulo Nogueira, Mario Cesar Carvalho e João Batista Natali.


Antes, um breve perfil do entrevistado: Nome completo é José Fernando Rodrigues. 35 anos a época (1998). Nasceu em 6 de abril de 1963.

Passou a infância e adolescência em São Caetano do Sul, que é a cidade responsável pela letra "C" do ABC, na região da Grande São Paulo. É de família de classe média-média. Estudou em colégio estadual até a 8ª série. Fez colegial técnico em eletrônica. Diz que sua salvação foi, aos 17 anos, ter feito o último ano do segundo grau em Hasselt, na Bélgica. Ganhou uma bolsa de estudos do Intercultura Brasil (ex-AFS do Brasil), uma ONG pacifista sem fins lucrativos que patrocina a ida de adolescentes ao exterior. Aprendeu idiomas na Bélgica, em 80/81. Saiu de lá falando holandês (a língua local, que eles chamam de flamengo, por causa do sotaque) e inglês. E com boas noções de espanhol, francês e alemão.

Aos 18 anos, arranjou emprego na Philips (multinacional holandesa), por causa do idioma. Passou quatro anos trabalhando na Philips de dia. E fazendo o curso de jornalismo à noite, na Metodista, de São Bernardo do Campo. Em 85 —último ano de faculdade e ainda na Philips—, começou a frilar para a Folha e para o "Diário do Grande ABC".

Em 86, formado, abandonou a Philips e ficou com os frilas. No "Diário" era crítico de teatro, "o que me dava muito prazer" - garante. Com uma bolsa de estudos da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) foi fazer mestrado em jornalismo internacional em Londres, na City University.

Terminou o curso e entreguou a dissertação de mestrado quase no final de 87, quando retornou ao Brasil. Pediu emprego em três lugares: Folha, "JT" e "Veja". A Folha chamou primeiro. Começou em novembro de 87 no jornal como repórter de economia.

Está na Folha até hoje. Ocupou, pela ordem, as seguintes funções:

repórter de Economia - 87/88

editor-assistente de Economia - 88

correspondente júnior em Nova York - 88/89

repórter especial em São Paulo - 89/90

correspondente júnior em Tóquio - 90

correspondente sênior em Washington - 91/92

editor de Economia - 92/93

repórter especial em São Paulo - 93/94/95

repórter especial e colunista em Brasília - 96/97/98

Participou como co-autor de dois livros: "Os Donos do Congresso - A Farsa na CPI do Orçamento" (Editora Ática, 1994) e "Racismo Cordial" (Editora Ática, 1995).

Premiações:

Prêmio Jabuti (1994-melhor livro-reportagem por "Os Donos do Congresso");

Prêmio Fiat-Allis de Jornalismo Econômico (1995-reportagem "Emenda do gás beneficia OAS e Petrobrás");

Grande Prêmio Folha de Jornalismo (1993-reportagem "Conexão Manágua");

Prêmio Folha-categoria edição (1995-pelo caderno Racismo Cordial)

Prêmio OK de reportagem política (1997-pelo caso da compra de votos na reeleição)

Grande Prêmio Folha de Jornalismo (1997- pelo caso da compra de votos na reeleição)

Prêmio Esso de Jornalismo (1997 - pelo caso da compra de votos na reeleição).

A ENTREVISTA


Luiz Maklouf Carvalho  - Como, por que e quando você escolheu ser jornalista?

- Acho que a opção começou a ser feita na Bélgica, quando eu cursava o último ano do secundário. Adolescente, tinha muitas saudades do Brasil. Meu pai me mandava jornais brasileiros pelo correio. Eu, que até os 15, 16 anos só me interessava pela seção de esportes, comecei a ler tudo. Mesmo porque, nos primeiros meses de Bélgica foi um inferno. Hasselt, onde morei, é uma cidade localizada em Flandres. Em outras palavras, ali se fala flamengo uma espécie de holandês com sotaque. Na escola, as aulas eram todas em flamengo. Uma loucura. Quando caia algo em português na minha mão, devorava.

Na Bélgica me perguntavam com freqüência sobre a ‘‘ditadura militar no Brasil’’ e os problemas relacionados à conservação das florestas do país.

Quando percebi, já fazia parte de um grupo da Anistia Internacional belga. Escrevi para o jornalzinho da escola. Aquelas coisas.

Enfim, basicamente eu era um adolescente de classe média, que viajava pela primeira vez ao exterior e fui parar logo na Bélgica, um país superdesenvolvido.

Um ano depois, em 91, quando voltei ao Brasil já era um trotskista assumido. Queria me proletarizar, aquelas bobagens que qualquer um faz aos 18 anos.

E achei que estaria bem podendo escrever sobre o que eu via. Acabei sendo jornalista.

Hoje, sou um arrependido. Não por ser jornalista. Mas por ter feito o curso de jornalismo. Se pudesse voltar no tempo, teria feito direito para estar mais bem preparado para a profissão.

Só que eu não posso reclamar, pois sou reincidente: não só fiz curso de jornalismo, como errei de novo e fiz mestrado em jornalismo...



Luiz Maklouf Carvalho  - Como você viu o comportamento dos outros órgãos da mídia  -  Estado, Jornal do Brasil e O Globo - por exemplo na repercussão de seu furo de reportagem sobre a compra de votos no Congresso Nacional?

- Foi um comportamento normal. Para quem não se recorda o que aconteceu na época (maio de 97), os órgãos da mídia basicamente dividiam o noticiário em dois: metade do espaço era dedicado ao caso; a outra metade a descobrir ou especular sobre a possível identidade do "senhor X" (a forma como foi identificada na Folha a principal fonte da reportagem sobre a compra de votos a favor da emenda da reeleição).

Era uma situação desigual. Só eu tinha acesso franqueado ao "senhor X". Se eu fosse jornalista de outro jornal também tentaria descobrir como o meu concorrente estava conseguindo tantas informações.

O problema maior do caso da compra de votos não foi o comportamento da mídia. Mas sim das autoridades que deveriam ter investigado a irregularidade.



Luiz Maklouf Carvalho  - Nada mexe mais com a adrenalina de um repórter do que um grande furo ¾ antes, durante, e talvez principalmente depois. Quais foram os momentos mais tensos (ou intensos) que você viveu nesses três períodos?

- Por partes. O "antes" para mim é sempre uma angústia danada. Fico estressado demais, pensando que algo pode dar errado e o furo não se concretizar. Imagine no caso da compra de votos, cuja apuração durou quase cinco meses... Foi um desgaste filho da puta.

Agora, o "durante". Acho essa a parte mais excitante. É quando sai o seu furo no jornal. O seu nome aparece lá, encabeçando o texto da reportagem. É, de longe, o momento mais prazeroso.

O "depois", no meu caso recente, foi muito desgastante. Houve ameaças. Uma baixaria. Sendo bem sincero, quase nem pude curtir o furo direito dado ao poder de pressão que esse governo FHC tem sobre a mídia em geral. Aliás, tenho uma tese sobre o FHC: trata-se do presidente da República mais poderoso da história recente do país. Que é o mais poderoso dos civis, não restam dúvidas. Mas acho que ele é até mais poderoso do que muitos militares...



Leão Serva (diretor de redação de Lance!) - Ao Fernando Rodrigues eu queria propor uma meditação sobre cidadania. Acho que quando o ombudsman da Folha propôs a discussão sobre o direito de usar fitas gravadas sem o conhecimento do acusado em reportagens, usando a reportagem de Fernando e o caso "Senhor X", a Folha tergiversou e respondeu algo assim como justificando o uso da gravação pelo fato de que os acusados serem realmente culpados etc.

Ocorre que isso escondeu ou afastou a discussão sobre o direito humano em si, o direito de não ter a vida vasculhada. Se transportarmos para outro contexto (por exemplo para o uso dessas técnicas por regimes policiais contra os cidadãos), provavelmente todos os democratas convergirão para um mesmo repúdio às gravações sigilosas.

Então, queria propor ao Fernando que fale sobre sua sensação à luz desta última ótica e não da ótica de quem estava sendo acusado depois de ter feito uma matéria importante. Como fica, então, em tese o direito à privacidade dentro de um mundo que está massificando instrumentos técnicos que antes eram restritos a espiões? Para falar de forma mais elevada, proponho discutir sobre o exemplo da família real e dos ministros britânicos.

- Vamos lá. Há várias questões envolvidas no caso de gravações. Eu gostaria de falar sobre cada uma de forma compartimentada. Mesmo porque estudei o tema e tenho quase uma biblioteca deontológica a respeito.

Então, é o seguinte:

Gravação sigilosa - a gravação de qualquer conversa em áudio ou em vídeo só pode ser feita com a autorização de quem dela participa. Em outras palavras, uma conversa pertence a quem dela participa. Cada um é dono do que diz. Pode fazer o que desejar com isso. Inclusive, gravar.

Não sou eu quem diz isso. É o Supremo Tribunal Federal (STF), que já reafirmou esse entendimento em dezenas de jurisprudências. Não cabe recurso.

Cito uma jurisprudência famosa do STF. Foi o caso envolvendo o ex-ministro do Trabalho Antônio Rogério Magri, que teria solicitado uma propina de US$ 30 mil para facilitar a liberação de uma verba. Um interlocutor de Magri gravou uma conversa com o ministro, sem avisá-lo. O STF aceitou as fitas como provas no processo —que ainda não terminou enquanto eu escrevo este texto, em abril de 98.

Vou ser ainda mais específico. Essa jurisprudência do STF quer dizer que qualquer pessoa pode gravar sua própria conversa, sem pedir autorização ao seu interlocutor. É claro. Quem conversa é dono da conversa. Pode, portanto, apropriar-se dela (conversa).

Fica claro, portanto, do ponto de vista legal, que é absolutamente legítimo e legal uma pessoa gravar aquilo que fala.



Divulgação de conversa sigilosa - a divulgação de uma conversa gravada é uma história diferente.

Primeiro, é importante saber quem gravou. Se a pessoa que gravou é a mesma que participou da conversa, ela tem o direito de fazer o que desejar com a gravação. Inclusive, divulgar o que gravou.

E se o outro interlocutor não quiser? E se o outro interlocutor que teve sua conversa gravada pelo amigo estiver confessando um crime que jamais confessaria em público? É tudo a mesma coisa. Não há a menor restrição legal para que uma das partes que tenha gravado uma conversa —ainda que de forma sigilosa— venha a divulgar o produto de sua gravação (desde que dela tenha participado). Isso independe de autorização da outra, ou das outras partes.

Agora, algo mais delicado. E se, na conversa gravada, a pessoa que não sabe da operação confessar fatos de sua vida pessoal que não tenham nenhuma relevância para o público? Por exemplo, um namorado que fique irritado com a namorada e resolva gravar conversas particulares dos dois para depois divulgar.

Nesse caso, é evidente que há uma invasão indevida de privacidade. E cabe à pessoa ofendida acionar quem a ofendeu na Justiça.



Essa operação é ética? - essa é uma discussão mais complexa.

Gostaria de começar citando Cláudio Abramo, que dizia que a ética do jornalista é a ética do cidadão. Só há uma ética. Não há diferença. Muito embora FHC insista que o político tem uma ética própria...

Por exemplo, o cidadão assim como o jornalista tem o dever ético de relatar às autoridades competentes algum ato ilícito que presenciar e que esteja causando prejuízos para a sociedade.

Por exemplo, quando a maior lei do país, que é a Constituição, está sendo emendada, é dever de todos os brasileiros fiscalizar para que o Congresso faça tudo da forma mais correta possível. Se algo ocorrer de errado, deve ser conhecido e reprovado.

Estou entrando aqui, portanto, no tema principal que foi a reportagem sobre a compra de votos.

Não houve na elaboração da reportagem, nem na sua publicação, nenhuma transgressão da ética ou da moral. Inclusive porque todos os cuidados foram tomados em relação a isso. Não se tratou de um trabalho feito de afogadilho. Tratou-se de um esforço que durou quase cinco meses para se materializar nos textos publicados.

Para quem não se lembra, o cenário em dezembro de 96 e janeiro de 97 em Brasília era o seguinte: todos (e isso não é força de expressão, eram todos mesmo) os jornalistas que cobriam política em Brasília sabiam que estava ocorrendo um processo de barganha entre o governo FHC e os deputados para a aprovação da emenda da reeleição. A votação da emenda ocorreu em 28 de janeiro de 97. O governo ganhou com larga vantagem, embora as pesquisas com os parlamentares, dias antes, apontassem uma indecisão grande sobre o resultado final.

Pois bem, eu e uma dezena de outros jornalistas sabíamos que métodos haviam sido utilizados.

Em conversas com deputados de oposição e assessores parlamentares, soube que muitos dos governistas falavam abertamente por quanto tinham vendido o seu voto a favor da reeleição. É claro que isso só era falado entre eles.

O que manda a ética nesses casos?

Simples: qualquer jornalista tem o dever de procurar provas para poder noticiar o fato. Foi o que eu fiz.

É claro que, sendo jornalista, eu não poderia mentir sobre minha identidade e puxar conversa com algum deputado esperando ouvir uma confissão. Isso colocaria minha credibilidade na lata do lixo. Sou, inclusive, inteiramente contra esse método.

Também não havia a hipótese de um deputado aparecer e, espontaneamente, confessar ter vendido o voto.

Diante desse "catch 22", fiz a coisa mais óbvia do mundo. Comecei a falar com as pessoas que ouviam as histórias da compra de votos. Para minha surpresa (ou não), eram muitas. Pedi uma entrevista. Ninguém, é óbvio, quis falar em "on".

Perguntei então se uma dessas pessoas se disporia a gravar as conversas que ouvia em plenário. Sendo participante da conversa, teria todo o direito de fazer isso. Inclusive, do ponto de vista ético, essa pessoa estaria cumprindo o seu dever com a sociedade: produzindo provas, sem invadir a privacidade de ninguém (afinal, participava das conversas), sobre um ato ilegal que prejudicava a sociedade (emendar a Constituição com votos comprados a R$ 200 mil a cabeça).

Quando essa pessoa, denominada "senhor X", concordou em fazer a gravação, outros cuidados foram tomados para que a ética não fosse quebrada, nem as regras do bom jornalismo.

O "senhor X" concordou com o que propus. E cumpriu as seguintes exigências feitas por mim:

- usar um gravador entregue por mim;

- usar fitas virgens entregues por mim;

- eu teria de ser avisado sempre do local e horário das conversas;

- no final das conversas, nos encontraríamos, sempre que possível, imediatamente para que as fitas me fossem entregues —sem nenhum tipo de manipulação;

- só eu teria as fitas. O "senhor X" ficaria sem nenhuma cópia;

    ao final do trabalho, o "senhor X" teria de dar uma entrevista (e deu)

autorizando a Folha a divulgar o conteúdo das fitas. Isso eliminaria a possibilidade de o jornal e o jornalista virem a ser processados por invasão de privacidade. Quem concordou em gravar e quis divulgar foi o "senhor X".

- apenas os trechos referentes ao episódio da compra e venda de votos seriam divulgados. Isso deixou de fora horas de conversas sobre assuntos pessoais de relevância zero para o leitor. O que reforça o caráter ético da reportagem.

- o nome e o sexo do "senhor X" seriam mantidos em sigilo pelo jornal.

Como se vê, houve respeito absoluto pela questão ética nesse caso.

Infelizmente, isso talvez não tenha ficado claro na época. Muito embora tudo tenha sido explicado com essa riqueza de detalhes no jornal. A reportagem sobre como foi realizada a investigação (quase uma página do jornal, com a foto do gravador) saiu uma semana depois do estouro do escândalo.

De toda forma, aí está, mais uma vez, a explicação completa.



Gabriel Nogueira (editor de O Dia) - O repórter investigativo é uma especialidade em extinção atropelado pelo denuncismo?

Resposta - Acho que não. A melhor definição de "denuncismo" é "jornalismo mal feito".

Sempre existiu. Existe hoje. Existirá sempre. É como o mal médico, mal engenheiro etc. Deve ser combatido.

A investigação jornalística é a essência da profissão. Aliás, a expressão "jornalismo investigativo" é um pleonasmo. Trata-se de um erro cometido pelos norte-americanos que inventaram o termo "investigative journalism". Nós traduzimos e passamos a usar. Assim como usamos erradamente a expressão "off the records". Mas essa é uma outra história, mais apropriada para uma coluna sobre português.

De volta à investigação.

Na minha avaliação, é tudo uma questão de demanda. O Brasil, sabemos todos, é um país de merda. Tem uma economia de merda. E uma mídia de merda. Não há demanda real para jornais fortes e independentes, nos moldes em que se verifica nos Estados Unidos, por exemplo.

Em Brasília, a vida é dura. Muitos repórteres fazem acordos com fontes. Prolifera o "fontismo". Fica difícil competir. Porque os editores dos repórteres que fazem "fontismo" não repreendem esses profissionais. Às vezes, até acham bonito e aprovam. "O ACM me recebe quando eu quero", jactam-se essas azêmolas.

Acho que no dia em que o Brasil tiver crescimento econômico sustentado e continuado por umas duas décadas, tudo aqui vai melhorar. Inclusive a imprensa. Haverá público demandando notícias mais isentas. Hoje, isso não existe.

Hoje, por que um dono de jornal, de rádio ou de TV, para citar um exemplo, iria investigar a vida de um presidente da República? No Brasil, isso é fácil responder. O presidente da República tem poderes imperiais. Pode massacrar quem quiser. Não dá para fazer jornalismo investigativo o tempo todo porque não há meios de comunicação dispostos a optar pelo modelo ocidental de jornalismo competitivo.

Algum dia haverá (desculpe-me pelo panglosianismo). Mas isso não tem nada a ver com ‘‘denuncismo’’ ou mal jornalismo. Tem a ver com a posição do Brasil no mundo. Somos um país de jecas com uma economia titica.

Tudo bem, estamos mais bem posicionados que o Paraguai, que a Bolívia... O Brasil tem o 8º (ou será o 7º?) maior PIB do planeta... E daí? Não é o suficiente.



José Roberto de Alencar (repórter) - Parabéns pelos prêmios Esso e Folha. Os repórteres do caso Watergate foram muito menos cuidadosos do que você, que não se limitou como eles a checar e rechecar os off de "Mr. Garganta Profunda". Você foi além, e exigiu de "Mr. X" a gravação das conversas relatadas. Até a Justiça aceita como legais e éticas as gravações feitas por um dos interlocutores (assim como as cartas, nada impede sua divulgação por um de seus donos). Onde você arrumou paciência para responder civilizadamente a um professor de antijornalismo da USP e a outros que questionaram a ética da gravação?

- Acho que jornalismo não é uma profissão.

Não me lembro quem disse isso —acho que foi o Paulo Francis—, mas concordo: jornalismo é uma carreira.

É uma carreira que favorece ao aparecimento de egos enormes das pessoas que estão na área. O jornalista vê sua assinatura no início do texto e fica achando que é importante. Muitos se acham tão importantes como os veículos em que trabalham. No caso de TV, isso é elevado à milésima potência. Não aparece apenas a assinatura do jornalista. É o seu rosto que aparece na tela. Jornalistas de TV são como artistas de novela: qualquer um reconhece na rua, no supermercado ou na fila do teatro.

Por tudo isso considero até normal a tentativa de diminuir o trabalho dos outros. Isso aconteceu no caso da reportagem da compra de votos. Mas deve ter ocorrido também com outras reportagens do gênero.

Não estou querendo dar uma de bonzinho ou nada disso. Mas acho que a melhor coisa, nessas horas, é relaxar. E não se deixar levar pela raiva —e eu tive muita raiva, posso te assegurar.



José Roberto de Alencar  - Foi muito irritante ver as pessoas (inclusive o ombusdman da própria Folha) discutindo a ética das suas gravações, em vez de discutirem a ética do negócio de compra e venda de deputados pelo presidente da República, pelo ministro e pelo governador?

- Já é uma tradição do país (ou do ser humano?) discutir o acessório e deixar de lado o principal. No caso da compra de votos foi a mesma coisa.

O curioso é que o presidente Fernando Henrique Cardoso vive reclamando desse defeito da sociedade brasileira. "A mídia não consegue acompanhar o todo. É muito superficial", costuma dizer FHC.

O problema é que, no caso da compra de votos, foi o presidente da República o brasileiro que mais incentivou a discussão acessória, epidérmica. Por meio de seus assessores, FHC mandava dizer que a Folha não tinha material para uma reportagem na mão, mas apenas "uma boa pauta". Que o jornal errou ao publicar sem ter mais provas etc.



Marcos Emílio Gomes (redator-chefe de Playboy) - Só a inveja justificaria questionar a qualidade da reportagem que o levou ao último Esso, mas gostaria, além de parabenizá-lo, de ter dois esclarecimentos que, a meu ver, podem ter o significado de uma aula de jornalismo investigativo. Minhas dúvidas: como, na apuração do caso "senhor X", foi possível controlar a fonte para ter certeza de que ela entregou ao repórter todas as fitas gravadas naquele período; e como foi possível certificar-se de que uma pessoa que se presta a gravar conversas com seus comparsas tem credibilidade suficiente para ser o ator principal de uma operação como a que foi montada então?

- No caso das fitas usadas na reportagem, posso garantir que todas foram entregues a mim. Eu sabia quando e onde as gravações eram realizadas. As fitas foram entregues, sem qualquer tipo de manipulação, para mim. Posso assegurar tudo isso. Mas não posso revelar como obtive garantias pois teria de revelar locais onde estive esperando para receber as fitas —e isso poderia levar à identificação da fonte.

O importante a observar é que, antes de o "senhor X" fazer a gravação, eu tive várias conversas com ele para detalhar todo o processo. A reportagem só começou depois que ele concordou com todas as minhas condições (já descritas em uma resposta anterior).

Sobre a credibilidade do "senhor X", isso está diretamente ligado às condições aceitas e cumpridas por ele. O "senhor X" pode tanto ser um santo como um assassino. Pouco importa. Ele concordou com as condições apresentadas por mim. E eu tive condições de checar se ele realmente cumpriu o determinado. Portanto, a vida pregressa dessa pessoa pouco importa.



Paulo Nogueira (diretor de Exame)  - Como você interpreta as anunciadas intenções de mudança no chamado Projeto Folha? Sinais de esgotamento no jornalismo com foco na má noticia?

- A nova versão do Projeto Editorial da Folha é uma tentativa do jornal de se adequar aos novos tempos, às novas necessidades do leitor do jornal.

Quando o projeto original foi escrito, o microcomputador não exista nas redações dos jornais, a Internet era um sonho e o país vivia sob o último presidente do regime militar. Faz tempo.

Houve atualizações, mas a última foi uma das mais abrangentes, reflexivas. E que, realmente, ressalta a necessidade de o jornal abordar temas antes não privilegiados na edição. E até com enfoques diferentes, não necessariamente com o carimbo de ‘‘crítico, pluralista e apartidário’’ que marca até hoje a cara azeda que o jornal tem.

Por outro lado, não acho que esse azedume será enterrado pela Folha. Tanto é que não foi. Além disso, não acredito que exista alguma coisa chamada "esgotamento no jornalismo com foco na má notícia". Mesmo porque não acredito que exista "má notícia". Desculpe-me por ser tão prosaico, mas acho que só existe a "notícia", sem qualificativos.

Observe que os grandes jornais do mundo ocidental desenvolvido —pelo menos na Inglaterra e nos Estados Unidos, países dos quais tenho mais informação— são geralmente ácidos quando fazem reportagens sobre governos, por exemplo.

Fui correspondente da Folha em Nova York e Washington. A ferocidade com que jornalistas norte-americanos tratam autoridades é infernal. Não escapa nem o presidente da República. Aliás, muito menos o presidente.

Já, no Brasil, é diferente. Em uma viagem de FHC ao exterior, fiz uma pergunta seca ao presidente e fui brindado com uma de suas doses de arrogância. Fiquei com uma aula de sociologia e sem resposta à minha pergunta (descrevi tudo isso no meu texto, é claro). À saída da entrevista coletiva, uma repórter muito famosa me procurou e disse: ‘‘Com ele você tem de falar de forma mais amena, florear um pouco’’. Por excesso de educação, não disse nada na época. Mas digo agora: ‘‘Vá a puta que o pariu. Florear o cacete. Se quiser responder, responda. Se não quiser, não responda. O cara é presidente da República. Se acha que tem que ser agradado, problema dele. Não vou ser eu quem vai satisfazer esse desejo’’.

O problema é que vigoram no jornalismo brasileiro alguns mitos que o Projeto Folha ajuda a combater. E isso deve continuar a acontecer. Cito o mito principal que tem proliferado em alguns jornais e também tem defensores ferrenhos dentro da própria Folha:

"Brasília é uma ilha da fantasia, desinteressante. Não se deve privilegiar o noticiário político e econômico na edição de um jornal, porque os leitores não

agüentam mais isso". Ora, o Brasil é um país em formação. Diferentemente dos EUA, no qual muitas etapas já foram vencidas. Aqui, a capital do país gera muitos fatos que afetam o dia-a-dia das pessoas. A desqualificação do noticiário brasiliense —sempre com "más" notícias e chato— interessa a quem está no poder e a quem deseja agradar os que estão no poder. Mas, certamente, não interessa a quem deseja fazer jornalismo. Nem à população que consome jornalismo.



Paulo Nogueira  - Você não acha que o leitor da Folha foi submetido a uma situação patética quando só ele não sabia  - não, pelo menos, pelas páginas da Folha - quem era o "senhor X"?

- Não. Ninguém tem condições de dizer, com 100% de segurança, quem é o "senhor X". Ninguém sabe nem o sexo do "senhor X". Vivo chamando a personagem de ‘‘ele’’ apenas por conveniência.

Aliás, só eu posso dizer quem é o "senhor X". Nem ele pode.

Só eu tenho as fitas. O "senhor X" ficou sem cópias. Se aparecer e disser que fez as gravações, precisará das fitas em meu poder para provar o que fala.

Finalmente, se tantas pessoas sabem quem é ele, por que não houve uma reportagem definitiva com provas a respeito?



Mario Cesar Carvalho (repórter especial da Folha de S. Paulo)  - Por que o jornalismo de Brasília é tão servil às fontes oficiais? Por que não vinga na capital o modelo norte-americano, fundado na independência, na investigação e numa saudável agressividade?

- Mario, acho que já respondi sua pergunta um pouco em minhas digressões anteriores.

Mas, já que estou sendo prolixo, aproveito para completar.

Não há demanda para isso em Brasília. Uma geração de jornalistas que foi contra a ditadura militar viceja por aqui.

São pessoas honestas, bem intencionadas, que viveram muitos anos confraternizando com Fernando Henrique Cardoso e José Serra na oposição. Hoje, quando os tucanos chegaram ao poder, muitos desses jornalistas têm dificuldade de enxergar o que se passa. Não é por maldade ou algum tipo adesismo atávico que fazem isso. Fazem porque é conveniente a todos. E porque os jornais não cobram. É quase como uma ação entre amigos. Ou como se dissessem o seguinte: ‘‘Não dá para comparar o Fernando Henrique com outros presidentes. Ele faz o que pode. Não dá para ficar só reclamando’’.

É claro que tudo isso se resolve com o aumento da demanda. mas isso só se dará quando o país se desenvolver. E isso leva tempo...



João Batista Natali (repórter especial da Folha de S. Paulo)  - Você tem experiência externa (Japão e Estados Unidos). O que aprendeu ou desaprendeu no jornalismo desses dois países?

- No Japão, a experiência mais excêntrica de todas, aprendi a ter paciência e organização para obter as coisas. Japoneses gostam de receber cartas. Gostam de jornalistas que tenham cartão de visita. Querem ter conversas preliminares apenas para conhecer o interlocutor. Enfim, os japoneses ensinam o jornalista a percorrer um caminho longo até o lead. Para minha surpresa, usar esses métodos também dá muito resultado no Ocidente.

Dos Estados Unidos aprendi a fazer as notícias secas, sem muita interpretação. É o país em que se pratica o melhor jornalismo do planeta, de longe. Não só pela qualidade dos jornais nacionais, mas pela diversidade da mídia regional.

Aproveito também para dizer que as minhas experiências como correspondente no exterior me fizeram enxergar com clareza algo muito difícil de aceitar: a imprensa brasileira não tem condições de formar uma nova geração de correspondentes.

Quem são os correspondentes estrangeiros de jornais, rádios ou TVs brasileiras? Há três categorias básicas:

    um excelente jornalista que foi convidado para ocupar um posto no exterior (casos assim são raríssimos);

    um jornalista que está na redação há muito tempo, o jornal (rádio ou TV) deve favores a ele e resolve então premiá-lo com um exílio dourado (há casos em profusão);

    um barnabé internacional que trabalha digamos, para não ofender, na rádio estatal do Burundi e não faz nada o dia inteiro. Um belo dia, explode uma guerra no Burundi e esse afortunado recebe telefonemas de vários jornais pedindo um frila.

Não existe no jornalismo brasileiro uma sólida carreira de correspondente no exterior. Na Inglaterra, por exemplo, os jornais costumam ter algo semelhante ao que ocorre na carreira diplomática. O sujeito decide ser correspondente e vai ficando três, quatro ou cinco anos em cada posto. E olhe que o "Financial Times" tinha mais de 30 correspondentes nesse esquema em 1986/87, quando estudei o assunto de forma acadêmica. Eram correspondentes "full time", contratados pelo "FT". O jornal gastava com cada um desses correspondentes cerca de 200 mil libras por ano (uns R$ 300 mil). Não há, no Brasil, jornal com desejo ou condições de fazer algo sequer semelhante a isso.



Natali - É comum se falar em "relações preciosas de amizade" entre repórteres e fontes no confinamento de Brasília. Você já sofreu alguma tentação?

- Tentação sofro todos os dias. Mas me orgulho em dizer que na minha casa nunca entrou um deputado nem senador. Nem para tomar cafezinho.

Até hoje, só convidei uma fonte para almoçar em minha casa. Era um funcionário de segundo escalão. Depois, me arrependi. Para minha sorte, essa pessoa parou de falar comigo.

Em Brasília é muito comum os jornalistas confraternizarem com as fontes. Há jornalistas que admiro e que fazem isso. Dizem que conseguem manter a independência. Prefiro não citar nomes nem ter de dizer se eles mantêm mesmo a independência.



Natali - O que a Internet mudou na sua vida de repórter?

- Muito. Sempre fui um aficionado por tecnologia. Hoje, consulto a net duas vezes por dia, pelo menos. Voltei a me corresponder com pessoas que havia perdido contato a muito tempo. É muito mais fácil escrever um e-mail do que, como se diz, uma ‘‘snail-mail’’ (correspondência lesma, a esquecida carta).

Além disso, hoje é muito fácil checar dados nos grandes organismos internacionais. Não dependo mais de um barnabé da ONU para ter acesso a um determinado relatório. No momento em que os relatórios são divulgados em papel também são colocados na net. E isso é uma democracia maravilhosa da informação.

Ainda assim eu acho que é necessário olhar a net com alguma reserva e não confiar 100% nos dados que são obtidos ali. Muita coisa é chutada, principalmente por fontes não-oficiais.

Acho que a net deve ser encarada como uma fonte a mais. Muito importante e útil. Mas não a principal fonte do repórter.

Também ouvi (ou li) outro dia algo com o qual concordo plenamente. O bom jornalista deve usar e abusar das novas tecnologias, mas deve estar preparado para viver sem elas em condições adversas. Hoje, é comum ver repórteres reclamando que não sabem escrever sem um microcomputador, o que é um absurdo.



Maklouf  - Quais foram as reportagens mais marcantes ou importantes de sua carreira ¾ além da do "senhor X"?

- Uma que foi muito importante foi sobre as ligações internacionais dos seqüestradores do empresário Abílio Diniz. Um informante que trabalhara na CIA me telefonou dos EUA avisando que um "bunker" havia explodido acidentalmente em Manágua, na Nicarágua. Fui para lá e fiz uma reportagem longa, com muita informação.

Participei de muitas coberturas também.

Na eleição presidencial de 89, fiz uma biografia de Ulysses Guimarães que me rendeu a inimizade eterna dele. Entre outras coisas, relatei em detalhes a passagem de Ulysses pela "Bucha" nos tempos de faculdade.

Em 88, correspondente em Nova York, fiz uma cobertura engraçada e triste junto com meu amigo Andrew Greenlees (na época correspondente da Folha em Washington). Tratou-se da deportação de brasileiros imigrantes ilegais. Por sorte, percebi quando um dos brazucas conseguiu escapulir da polícia de imigração dos EUA, isso em plena Quinta Avenida. Sai correndo atrás. Alcancei o sujeito, que não falava inglês, estava sem passaporte, sem dinheiro e só com a roupa do corpo. Fui o único a alcançá-lo. Ele me olhou com uma cara de assustado e disse qualquer coisa como "Eu quis sair mesmo porque o Brasil não tem mais jeito". Foi engraçado o caso.

Em 94, no dia em que a seleção brasileira estava retornando dos EUA com o caneco, fiquei esperando o embarque das bagagens no hotel. Eu era o único repórter ali. Na realidade, poderia ter sido também o Mário Magalhães, meu colega de cobertura da Copa dos EUA. Mas ele ficou com outra pauta. O fato é que fiz a lista completa da bagagem da seleção. E deu o rolo que deu. Os outros jornais manchetaram em esportes qualquer coisa como ‘‘seleção chega hoje com o caneco’’ e a Folha deu "seleção chega hoje carregada". Divertido.



Maklouf - Como é o seu dia a dia de trabalho na sucursal da Folha em Brasília?

- É corrido. Começo em casa. Acordo por volta das 7h30 ou 8h00. Levanto ouvindo a CBN. Ligo a TV no "Bom Dia Brasil". E pego os jornais do dia para ler. Enquanto isso, o computador já está sendo carregado.

Lá pelas 9h30, vou para a Folha. Leio os jornais locais enquanto vou disparando ligações. Devo fazer umas 15 a 20 ligações de manhã. E fico esperando as respostas lendo os jornais.

Quase sempre há almoço com fontes nos indefectíveis restaurantes de Brasília. Terças, quartas e quintas merecem uma passeada pelos corredores do Congresso, principalmente os corredores dos gabinetes dos parlamentares do chamado "baixo clero" (parlamentares de pouca expressão na mídia), pois esses são os que mais falam.

Escrevo três colunas "Brasília" por semana (edições de segundas, quartas, e sábados). Faço reportagens sobre política e economia, principalmente.

Às segundas, quartas e sextas, gravo uma notícia-comentário de um minuto para a GloboNews, que vai ao ar por volta das 18h00.

Em resumo, é isso.



Maklouf - Na suíte do "senhor X" alguns veículos revelaram a fonte que até hoje você, que fez a matéria, mantém em segredo. Como avalia a postura desses veículos neste caso (em que a fonte, afinal, era sua?) Erraram ou acertaram? Algum dia você revelará o seu "garganta profunda"?

- Como disse numa outra resposta, entendi perfeitamente a atitude dos outros jornais. Era natural que desejassem encontrar também a fonte para ter informações exclusivas.

Sobre revelar quem é a fonte, não devo fazer isso nunca. É a regra básica do jornalismo. Levo isso comigo para o túmulo. Aliás, pelo menos para isso a Constituição brasileira serve: garante aos jornalistas o direito de preservar as suas fontes.

A respeito de várias pessoas dizerem que sabem quem é o "senhor X", isso me diverte muito. Todo mundo fala, mas, provar, ninguém prova.



Maklouf - Que diferenças você acha que há  - ou não - no tratamento da mídia aos governo Collor e Fernando Henrique?

- Muita diferença. Fernando Henrique Cardoso representa a chegada ao poder de uma geração de pessoas, de intelectuais, de jornalistas. Gente que ficou anos sonhando com a possibilidade de dirigir o país. E chegaram lá. É compreensível (embora inaceitável) que FHC receba um tratamento mais leniente por parte da imprensa. A mídia é muito mais frouxa com FHC do que foi com Fernando Collor de Mello. Note que não estou defendendo Collor. Apenas acredito, depois de passar dois anos e três meses em Brasília, que a corrupção endêmica no governo federal é igual há muitos anos. Como Collor era de fora do "establishment", dançou na mão dos jornais. FHC fala diretamente com os donos de jornais e é amigo pessoal de vários.

Ainda sobre as diferenças de tratamento, é muito ilustrativo o caso da nomeação de Renan Calheiros para o Ministério da Justiça, em abril deste ano, 98. Ora, Renan é apenas mais um de uma dezena de colloridos que habita o governo FHC  - a começar pelo vice-presidente. Só que a mídia malhou de forma descabida a indicação de Calheiros. Foi uma típica atitude de viúvas do FHC-sociólogo, que sempre ficam sonhando com a suposta volta do antigo professor. A cada atitude do presidente que denote uma guinada ou concessão à direita, essas viúvas reagem. Não reagiram dessa forma quando o collorido Antônio Kandir entrou para o ninho ministerial tucano. Afinal, Kandir não é alagoano e é de São Paulo.



Maklouf - O que a imprensa brasileira tem de melhor? E de pior?

- O melhor da imprensa brasileira é o desejo de furo de alguns jornalistas. E o trabalho messiânico-didático de alguns como Jânio de Freitas, um grande mestre. Assim como foi Paulo Francis. Como foi Cláudio Abramo.

O pior da imprensa brasileira é o puxa-saquismo. Um flagelo que não acaba nunca. Esse puxa-saquismo, como já disse, é notado de várias formas. A mais em voga é dizer que a imprensa deve parar com a mania de enfocar apenas o lado ruim das coisas. Dizer que a mídia deve procurar também coisas positivas.

Quem diz isso, é claro, prefere nunca mencionar o governo. Mas é ao governo que beneficiam com esse comportamento benevolente. Ora, jornalista não é relações públicas de ninguém. É da natureza do jornalismo apontar aquilo que é esdrúxulo, anormal ou errado. Por exemplo, deficiências de um governo. Qualquer governo.

Inclusive erros do governo FHC - o mesmo que gasta perto de US$ 500 milhões por ano em publicidade. Ou seja, o governo tucano torra cerca de meio bilhão de dólares por ano para falar bem de si mesmo. Não tenho informações precisas a respeito, mas imagino não passar de 20 o número de empresas que usam uma verba de publicidade dessa ordem. Isso para não mencionar governos de outros países.

Pois bem, ainda assim há quem insista com essa cantilena sobre a imprensa ter de noticiar com mais freqüência os "fatos positivos" do governo.

Para mim, modestamente, considero isso o pior da imprensa brasileira.



Maklouf  - Quais foram os jornalistas que "fizeram a sua cabeça", no melhor sentido do termo?

- Assim como muitos da minha geração, comecei a ler jornal mesmo com a Folha do final dos anos 70 e início dos anos 80. Sempre admirei Paulo Francis. Muito mais no início dos anos 80 do que na sua fase final, no "Estadão", onde sempre achei que o Francis ficava desconfortável.

O Francis foi meu chefe direto em Nova York, quando fui correspondente-júnior da Folha. Vou chover no molhado, repetindo o que todos dizem: o Francis era uma pessoa espetacular no trato pessoal, de uma bondade infinita etc. E dava aqueles conselhos fundamentais. Quando fui almoçar com uns deputados federais em 88, em Nova York, liguei para perguntar se ele tinha alguma recomendação. E o Francis: "Vá com a mão na carteira".

Também sempre admirei muito Cláudio Abramo. Lamento não tê-lo conhecido pessoalmente.

Maklouf - O que considera inadmissível na atuação profissional de um repórter?

- Intimidade com as fontes. Sobretudo intimidade pública. Aquele tipo de que diz coisas pessoais no meio ou antes de entrevistas coletivas. Por exemplo, o repórter que diz: "Olha, adorei aquele seu livro. Que bom que você me mandou uma cópia autografada".

É claro que, em alguns casos de descontração, é aceitável até chamar algumas fontes de "você" (nunca o presidente da República ou alguma alta autoridade). Mas isso é só uma exceção para confirmar a regra: intimidade, nunca.

Maklouf - Porque a investigação sobre o escândalo da compra de votos não foi pra frente?

- Porque o governo FHC é um dos mais poderosos desde o de Ernesto Geisel. Não há pacotes de abril. Mas há milhares de reedições de Medidas Provisórias e muita fisiologia no trato com o Congresso. Logo que cheguei em Brasília, um ministro palaciano me disse: "Ainda temos uns 5.000 cargos não preenchidos". Acho que hoje estão todos ocupados.

Maklouf - Que conselho você daria para os jornalistas que estão se formando e entrando (ou tentando entrar) no mercado de trabalho?

- Leiam. Leiam. Leiam. Leiam jornais, revistas, livros, artigos na Internet. Leiam muito.

sábado, 22 de outubro de 2011

Novo Fusca: pra quem gosta é prato cheio!

Vem aí o Novo Fusca, agora com a cara do velho. Só não tem estribo, que é acessório do tempo das diligências. É diferente do New Bettle, que tem motor dianteiro e pertence a um segmento superior e destinado ao segmento de mercado gay.  O Novo Fusca, como o carro vai se chamar oficialmente, traz um outro conceito, será um carro da categoria dos compactos com menos de 4 metros e motor traseiro refrigerado a água (1.4 da Kombi, e talvez uma opção com motor elétrico, mas fica um projeto mais adiante) na faixa de preço de um Gol, inicialmente será destinado ao mercado brasileiro, por causa do grande número de consumidores otários. Pena que o Itamar morreu, senão seria mais um a encomendar a velharia turbinada. 


Seguem mais fotos da bizarrice.



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Seleção Google: 100º Aniversário de nascimento de Mary Blair

Mary Blair foi uma animadora, que com suas cores imaginativas, conseguiu introduzir a arte moderna nos estúdios Disney, ao longo de 30 anos. E os seus trabalhos inspirou filmes, e parques da DisneyLandia. Frank Thomas disse: ''Mary foi a primeira pessoa que eu conheci, que tinha vários tons de vermelhos um do lado dou outro. Eu dizia: Você não fez isso! Mais Mary sim, ela tinha feito um excelente trabalho.''

Uma das ilustrações de Mary Blair
Walt Disney amava o estilo doce de Mary fazer arte, e o seu toque ''infantil'' que ela dava as suas obras. Foi o que disse o Disney Imagineering, Roland Crump ao historiador de animações, John Canemaker: ''Mary sabe se relacionar com as crianças, por isso, o seu modo de pintar é tão doce e maravilhoso.'

Mary Blair nasceu em McAlester, no Okalahoma, em 1911. Junto com um grupo de designers talentosos, ela ganhou uma bolsa na Chouinard Art Institute, em Los Angeles. Apos a formatura em 1933, no auge da Grande Depressão, ela conseguiu um emprego, na unidade de animação da MGM, em vez de perseguir seu sonho de ser artista plástica.

Em 1934, se casou com o animador Lee Blair, que também se tornou animador do estúdios Disney, e entrou junto com ela para a equipe em 1940. Quando Mary entrou para a Disney, ela trabalhou em vários projetos como Fantasia. E em 1941, ela participou da expedição da Disney pela America do Sul, que teve as fotos da visita ao Rio de Janeiro, divulgadas aqui no blog. Com uma cor única, Mary fez as artistas conceituas que serviram de inspiração para ''Canção do Sul'', ''Música, Maestro'', ''As aventuras de Ichabod e o Sr. Sapo'', ''Tempo de Melodia'', ''Alice no país das maravilhas'', ''Cinderela'' e ''Peter Pan''.

Arte Conceitual de Alice no País das Maravilhas: Note como Mary Blair faz uma Aquarela com as cores, para mostrar a diversidade, e falta de sentindo do mundo de Alice.

A pedido de Walt Disney, ao longo dos anos, ela trabalhou na concepção de várias atrações e parque temáticos, da California e Flórida. Incluíndo o mural fantasioso no Grand Canyon Concourse, no Hotel Contemporânea no Walt Dinsey World Resort. Além de ter ganhando sua própria galeria na Disney.

Mary Blair faleceu em 26 de Julho de 1978, em Sequel na California. Foi uma das primeiras mulheres a ser declarada Disney Legend, em 1991.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Dino e a eleição para Sábio: pra matar as saudades

O pronunciamento eleitoral de Dino é pra se "mijar de rir". Orientado pelo seu opositor, o velho dinossauro entoa uma canção, em vez de apresentar ao público a sua plataforma de trabalho. A observação da sogra rabugenta resume tudo: "agora nós temos que nos mudar daqui!"

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Entrevista de Ermínia Maricato à revista do Ipea

Ermínia Maricato - Nossas cidades estão ficando inviáveis


Por Gilberto Maringoni- de São Paulo

Ermínia Maricato exibe espanto e indignação com os rumos de nossas políticas urbanas, seu objeto de estudo e área de atuação há quatro décadas. “Para mim, o centro de tudo é a questão da justiça social”, diz ela. Ou seja, de como as metrópoles brasileiras precisam deixar de ser expressão da secular discriminação contra os mais pobres.

Ermínia Maricato, uma das mais importantes urbanistas brasileiras, concedeu a seguinte entrevista à Desafios do Desenvolvimento, em sua casa em São Paulo.

Desenvolvimento - A senhora tem dito em diversas oportunidades que as cidades brasileiras tornaram-se inviáveis. Por quê?

Ermínia - Porque uma parte da população não cabe mais na cidade. E não é uma parte pequena. Tem a ver com uma trombada entre a população pobre e as áreas ambientalmente frágeis. Eu tinha a esperança de que o Ministério das Cidades inauguraria uma nova fase da cultura sobre o desenvolvimento urbano no Brasil, lançando uma idéia um pouco mais elaborada de planejamento e gestão, rompendo essa caminhada atual rumo ao abismo. Eu sabia que não seria uma tarefa fácil.

Desenvolvimento - A senhora acredita não haver solução?

Ermínia - Penso que neste momento a política urbana saiu da agenda nacional. Ou construímos um espaço de debate e mobilização na sociedade civil independente do Estado, pois o Estado tem um poder de cooptação muito grande, ou o caos se tornará dominante.

Desenvolvimento - A senhora propõe uma política alternativa, criando ONGs e organizações desse tipo?

Ermínia - Não. Proponho construir uma correlação de forças diferente da atual, a partir da sociedade civil.

Desenvolvimento - Como se desenvolveu o movimento de reforma urbana nas últimas décadas?

Ermínia - Ele foi muito importante e é admirado por muita gente no exterior. Eles se perguntam como o Brasil conseguiu unificar pesquisadores, lideranças profissionais, comunitárias e sindicais para uma proposta de reforma urbana, que vem desde antes de 1964. Havia uma agenda que foi materializada na prática de várias prefeituras nos anos 1980 e 1990, centrada na reversão de prioridades, de se fazer algum tipo de justiça urbana. O Ministério das Cidades deveria ser um ponto de chegada desse movimento. Muitos de seus integrantes se tornaram prefeitos e deputados. Tínhamos uma comissão forte no Congresso Nacional. Conquistamos muitas vitórias institucionais, como dois capítulos na Constituição de 1988 e a elaboração do Estatuto da Cidade, uma lei que o mundo inteiro admirou. O que acontece na passagem de Fernando Henrique e Lula? O Ministério foi criado, eu fui para a equipe de transição. Em seguida foram definidos o Conselho das Cidades e as Conferências Nacionais das Cidades, com uma prática inovadora, que alcançava até a política de saneamento.

Desenvolvimento - Quais as dificuldades para se aplicar uma política de planejamento urbano em nosso País?

Ermínia - A falta de planejamento está ligada a uma questão estrutural que é a concentração fundiária. Você tem um mercado imobiliário que, antes do Minha Casa Minha Vida, atendia menos de 20% da população brasileira. A grande maioria – incluindo a classe média – não era atendida, pois um policial, um professor secundário, um bancário não tinham acesso a ele. Há um mercado restrito e de luxo, que não atinge nem a classe média. O problema é próprio do capitalismo periférico. Com o Minha Casa Minha Vida, o mercado está chegando à classe média. Mas o grande déficit está na faixa de zero a três salários mínimos. A maioria da população excluída dos mercados e das políticas públicas, pois desde 1983 não há política nacional de habitação pública.

Desenvolvimento - Por favor, explique melhor.

Ermínia - São mais de vinte anos sem política pública de habitação, saneamento e transporte. Isso passa pelo neoliberalismo e pela década perdida. São políticas ligadas ao território. Não estou falando de distribuição de renda. Distribuição de renda não basta para resolver o problema urbano. Aqui tem de distribuir ativo, que é cidade, é terra urbanizada. A questão da terra é central na política urbana, pois ela é dominada por esse mercado restrito, elitista e especulativo. O povo acaba tendo de se virar.

Desenvolvimento - Como isso se articula com o problema fundiário?

Ermínia - A questão fundiária é muito séria. Se pegarmos o Censo de 2010, veremos que a área de São Paulo onde a ocupação mais aumentou é a de proteção dos mananciais. Temos aqui duas cidades. Uma é a cidade do mercado e a outra é aquela construída pela população pobre. Em 2010, o preço dos terrenos se elevou em 50% e o de imóveis usados em 30%. Depois do anúncio do programa Minha Casa Minha Vida, tivemos um impacto bárbaro sobre os preços da terra e dos imóveis. Por que? Porque houve a entrada de recursos financeiros sem mudança na base fundiária. Isso acarreta um ganho para o preço dos imóveis. A nossa questão central, a questão fundiária urbana e a função social da propriedade se esfumaram. Eu estou estudando a história da propriedade no Brasil. É impressionante. É fraude atrás de fraude.

Desenvolvimento - O programa Minha Casa Minha Vida não é um avanço diante do déficit de moradias existente no Brasil?

Ermínia - Poderia ser, mas não é. O problema é que a base fundiária permanece a mesma. Lei nós temos, plano nós temos, mas não aplicamos a função social da propriedade. O que aconteceu na ditadura, na época do Banco Nacional da Habitação (BNH)? As fontes de financiamento eram o FGTS e o SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), que é basicamente poupança privada e poupança dos trabalhadores. O governo colocou um subsídio para baixa renda, de recurso orçamentário federal. Mas se ninguém nos três níveis de governo – federal, estadual e municipal - mexeu na base fundiária. Aí houve uma maior desorganização no mercado de terras, com um impacto bárbaro sobre os preços.

Desenvolvimento - O que é mexer na base fundiária?

Ermínia - Trata-se de fazer uma regulação do uso e da ocupação do solo por parte do Estado. Para fazer isso, o Estado tem de regular também o mercado. Quer um exemplo? Existem quase dois milhões de pessoas na área dos mananciais na zona sul de São Paulo. Se não quisessem essas pessoas lá, teria de haver fiscalização. Quando se faz isso, para onde essas pessoas vão se não se permite que elas se instalem lá? Há um doutorado da professora Angela Maria Gordilho Souza, da Universidade Federal da Bahia, mostrando que em Salvador 33% das habitações são ilegais. Há um mestrado de Carlos Fernando Andrade, ex-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil - Rio de Janeiro (IAB-RJ), mostrando que 50% dos domicílios da cidade são ilegais. Uma coisa é a questão jurídica. Outra é a fragilidade da construção. São casas em encostas, fundos de vale e em situação de risco. Uma parte considerável das cidades brasileiras continua a ser produzida dessa forma. Quando a gente vê as tragédias depois das chuvas, aparecem aqueles âncoras dos telejornais a repetir que falta planejamento e prevenção. Ora, o que falta é quebrar essa relação de poder que coloca as terras adequadas na mão de um mercado restrito.

Desenvolvimento - Estamos vivendo uma bolha especulativa nos preços dos imóveis?

Ermínia - Se você olhar para trás, para a década de 1970, houve isso também. Foi uma produção muito grande de moradias, com bastante crédito. E lá também não se mexeu na base fundiária. Nessa época mudou o perfil da cidade com um produto chamado apartamento. Depois tivemos a queda dos anos 1980, com a crise, e na década seguinte, com o neoliberalismo.

Desenvolvimento - Não é um problema recente...

Ermínia - Trata-se de uma questão estrutural: uma parte da cidade é feita ilegalmente, pelas mãos dos moradores. Para que? Para manter o mercado como ele é. Para manter a propriedade imobiliária como ela é e para manter a sociedade patrimonialista. Toda a população de zero a três salários está fora dessa cidade. Não foi só a demanda por moradia que aumentou nos últimos anos. Aumentou a demanda, mas não se mexeu na base fundiária. Mudar essa situação é o centro da proposta de reforma urbana, sistematizada desde 1963 no Congresso Nacional de Arquitetos.

Desenvolvimento - O que reforma urbana tem a ver com reforma agrária?

Ermínia - Tem muito a ver. O problema da terra se manifesta no campo e na cidade. É algo que vem desde 1850, da Lei de Terras. A história da propriedade fundiária no Brasil está ligada às relações de poder. Não existe solução sem reforma fundiária. Com isso tudo, eu chego na reforma política. Se continuarmos tendo o financiamento de campanha como é hoje, com eleição sendo trocada por obra, teremos apenas projetos que caibam em quatro anos. As coisas mais importantes nas cidades não se resolvem nesse período.

Desenvolvimento - Como isso acontece?

Ermínia - O que mais tem no Congresso é emenda parlamentar para asfaltar ruas. Verifiquei, num determinado ano, que metade das emendas eram de asfaltamentos. Imagine um deputado federal se preocupar com isso... Essa demanda não é feita apenas para se conseguir voto, para fazer um agradinho em um bairro, construir uma praça ou asfaltar uma via. Eu pensava assim, até um deputado federal me contar que não era nada disso. A lógica é o financiamento de campanha articulado com obras futuras e não o clientelismo.

Desenvolvimento - Quais foram os maiores progressos na política urbana após a democratização, em 1985?

Ermínia - Nós tivemos um grande avanço, que foi o Estatuto da Cidade, sancionado em 2001, que limita o direito de propriedade individual. Foi aprovada a Lei dos Consórcios Públicos, em 2005, possibilitando uma articulação entre entidades públicas, algo muito importante numa região metropolitana, para se resolver problemas de saneamento, de lixo, de transportes etc. Depois foi aprovada a Lei do Saneamento Básico, em 2007. O saneamento ficou no limbo durante todo o período em que o neoliberalismo dominou a política brasileira. Tivemos um número muito grande de conquistas institucionais. E o que aconteceu com a agenda política depois de Fernando Henrique? Lula introduziu a questão distributiva. Caiu a indigência, o subproletariado ganhou espaço, como bem o Ipea aponta. E a oposição ficou sem espaço. Não tem como voltar atrás. A agenda nacional mudou. A política ambiental entrou na agenda, mas a política urbana não.

Desenvolvimento - E por que a política urbana saiu da agenda?

Ermínia - Essa é uma questão boa para nós refletirmos. Não sei se é porque os interesses são tão fortes... Veja por exemplo: não existe Câmara Municipal desvinculada dos interesses dos proprietários imobiliários em nenhum município do Brasil. Dá para contar nos dedos o número de Executivos municipais que contrariem interesses imobiliários e das empreiteiras.

Desenvolvimento - Que interesses imobiliários são esses nas cidades?

Ermínia - As grandes empreiteiras controlam praticamente os investimentos urbanos dentro da lógica do rodoviarismo. O automóvel reina soberano e as empreiteiras propõem aos prefeitos as obras possíveis de serem concluídas em quatro anos. Argumentam que elas irão atrás do financiamento – e isso está ligado ao financiamento de campanha. Aí você tem uma prioridade às obras viárias nos orçamentos municipais no Brasil todo. Mas há algo espantoso. Em dez metrópoles eu tenho um indicador mostrando que 38% das viagens são feitas a pé. Isso significa que muitas pessoas não saem do bairro da periferia. É o chamado exílio da periferia. Em Salvador, segundo o Ubiratan dos Santos, presidente do Sindicato dos Engenheiros, apenas 8% da população anda de automóvel. Vá ver em Salvador o que se gasta em abertura de avenidas, asfaltamento etc. São obras vinculadas ao mercado de imóveis. O [arquiteto e urbanista] Candido Malta chama essas vias de avenidas imobiliárias. Não são rodoviárias. Elas abrem fronteiras da especulação. Há uma lógica que junta o automóvel, a infraestrutura urbana baseada no rodoviarismo e na especulação imobiliária, e o financiamento de campanha. São três forças que intervêm na política urbana e nos levam para o caos completo.

Desenvolvimento - A senhora inclui o automóvel nessa situação?

Ermínia - Claro. Nunca as cidades brasileiras foram assaltadas pelo automóvel como nos últimos anos. A indústria automobilística passou de 13% do Produto Interno Bruto, em 1999, para 19,8% em 2009. Eles são responsáveis por 83% dos acidentes e por 76% da poluição. E muita gente reclama dos ônibus. O professor Paulo Saldiva [da Faculdade de Medicina da USP] lançou um livro recentemente sobre meio ambiente e saúde nas metrópoles. Ele mostra que os dias de pico em poluição são dias de pico de mortes motivadas por doenças coronárias. Não se trata apenas da questão respiratória. Falei de esgoto, das águas e chegamos ao ar. Segundo uma pesquisa da FGV, o trânsito congestionado pode custar 10% do PIB de uma metrópole. São horas paradas não computadas. Durante a crise de 2008-10, de acordo com a Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), a indústria automobilística recebeu subsídio de R$ 12,4 bilhões e investiu no País apenas R$ 3,6 bilhões. Para os urbanistas, o automóvel é o maior fator de desorganização do território. Ele induz a ocupação espraiada do solo e destrói a cidade.

Desenvolvimento - Qual a importância do Ministério das Cidades?

Ermínia - Hoje, do ponto de vista clientelista, ele é muito importante. Ele foi entregue ao Partido Popular (PP). O Ministério se tornou uma reunião de obras em áreas como saneamento e habitação, com poucas iniciativas na área de transporte. A agenda do transporte urbano não foi considerada no governo Lula e não está sendo considerada agora. O governo federal é responsável por diretrizes e financiamento de obras e os governos estaduais e municipais são responsáveis pelo uso e ocupação do solo. A questão metropolitana está no limbo completo. Hoje não temos nenhuma região metropolitana com uma esfera administrativa comum, onde os prefeitos, as câmaras, os técnicos, enfim, possam se reunir. Numa metrópole, o problema do saneamento, do lixo, da habitação e do transporte não pode ser resolvido em nível municipal. Nós estávamos traçando uma formulação nacional de desenvolvimento urbano e uma política para as regiões metropolitanas.

Desenvolvimento - A senhora fala muito em ocupação desordenada do solo. Como isso se vincula aos problemas das enchentes?

Ermínia - Assistimos durante décadas os governos fazerem a água andar mais rápido, asfaltando, canalizando e impermeabilizando o solo. Quando as enchentes acontecem, o que você tem de fazer? Reter as águas. E aí, qual o modelito das empreiteiras? Antes era canalizar. Aquelas avenidas de fundo de vale, realizadas pelo ex-prefeito Prestes Maia, em São Paulo, representam uma impermeabilização exatamente das calhas de escoamento existentes. O [geólogo] Delmar Mattes diz num texto que se impermeabilizou o rio Tietê, para que ele corresse mais rápido. Em seguida, ocuparam as margens com asfalto, construindo avenidas marginais. Agora, a moda é o piscinão.

Desenvolvimento - Mas as prefeituras asfaltam bairros que estavam sem calçamento. Quando chovia, as pessoas ficavam literalmente na lama. É uma reivindicação também da população, não acha?

Ermínia - Sim. Mas isso não precisa ser feito como é atualmente. Você pode ter ao lado do rio a céu aberto, uma área impermeável para as pessoas caminharem. Precisamos ter áreas permeáveis, verdes.

Desenvolvimento - No caso das avenidas, não é importante ampliá-las para melhorar o tráfego nas grandes cidades?

Ermínia - A duplicação da Marginal Tietê, em São Paulo, foi feita agora. Isso não aumenta a velocidade do tráfego. Com 600 mil automóveis colocados anualmente nas ruas do país, não há solução se a lógica do transporte individual for mantida. É preciso priorizar o transporte coletivo e dificultar o acesso ao carro.

Desenvolvimento - Mas como fazer as pessoas não quererem o automóvel? Ele acaba sendo um dos sinais da melhoria de renda da população.

Ermínia - Sim, há um problema político a ser resolvido. Mas se pensarmos que não se pode contrariar essa cultura do automóvel, se um político achar que se fizer isso não se reelege, então não há o que se fazer. A lógica é essa mesma. Se os governantes quiserem apostar na indústria automobilística, não tem jeito. E a indústria automobilística está afundando as cidades. É uma escolha política. A única forma de contrariar isso é termos uma sociedade civil mais informada. Quantas pessoas não falam “eu pegaria o transporte coletivo se fosse melhor”?

Desenvolvimento - Como a senhora vê as mudanças na área rural?

Ermínia - Não sei se o maior problema para as cidades não está no fato de o Brasil ser o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. As cidades produzem esgotos de 66 milhões de pessoas, jogando nos rios. Elas distribuem pelo território brasileiro. E o território rural distribui para as cidades. Segundo o João Pedro Stédile, nós temos setecentos pilotos formados para pulverizar veneno nas plantações. O cálculo que ele faz destina cerca de cinco quilos anuais de agrotóxico por pessoa. Estamos poluindo as águas, sujando os ares e envenenando as cidades. Há uma novidade que um grupo de Campinas está divulgando. A maior parte da água potável que consumimos apresenta conteúdo de fármacos depressivos e hormônios que a purificação não resolve. Quando digo que a situação é de tragédia, não estou exagerando... A questão ambiental aparece em tudo o que falamos. A questão da permeabilização, do automóvel, da pulverização. Tudo o que conversamos nos leva a um muro que é a questão ambiental.

Desenvolvimento - Que cidade brasileira tem um bom planejamento?

Ermínia - Eu acompanhei o desenvolvimento de muitas e ainda tenho um certo respeito por Diadema. Por que? Diadema teria o destino da Baixada Fluminense. Seria uma cloaca. Ela chegou a ter indicadores de violência altíssimos e reverteu essa situação. Na última vez que estive lá, ouvi do prefeito a seguinte frase: “Nós não queremos a mudança do perfil da população”. Acho que é o único prefeito do Brasil que não quer substituir pobre por rico. Um prefeito não pode combater o automóvel, não está nas mãos dele. Mas ele pode incentivar o transporte público. Mesmo para o processo de expansão imobiliária, um prefeito tem restrições. Há uma ameaça constante por parte dos empresários da construção civil, que alegam que tal ou qual prefeito liberou o gabarito para a construção de todo tipo de obras. “Então nós vamos para lá”, dizem. E chantageiam os prefeitos.

Desenvolvimento - Que cidades do terceiro mundo, com condições semelhantes às do Brasil, tem uma situação aceitável no que toca ao planejamento?

Ermínia - Bogotá, na Colombia, é puro marketing. Mas o corredor de ônibus, o Transmilênio, é uma solução boa, mas limitada. É como Curitiba, que tem um planejamento ao mesmo tempo modernizante e excludente. Há aquela miséria em volta. O planejamento ali sempre foi ligado a uma elite ligada ao capital imobiliário. Eu não vi nada no terceiro mundo, nem na Ásia, na África e na América Latina... Nós tivemos um período de ouro, na década de 1980, com a emergência das chamadas prefeituras democrático-populares, com orçamento participativo, em uma época muito importante, de fim de ditadura. Nós desenvolvemos um conhecimento de urbanização de favelas. Aliás, nesse ponto, o PAC tem uma vantagem muito grande sobre o Minha Casa Minha Vida, que é a prioridade para a urbanização de favelas. Isso conseguiu resolver as deficiências de muitos bairros pelo Brasil, pois dá ótimas condições de vida. Se as cidades não crescessem de forma predatória, seria possível combinar a construção de moradias à urbanização de favelas. Ou seja, partir da cidade existente, que precisa ser recuperada, e melhorar a situação de infraestrutura, de saneamento, da água, do esgoto, do transporte, da iluminação e por aí vai. O PAC tem uma grande qualidade na área de habitação.

Desenvolvimento - A senhora é pessimista com o futuro das cidades?

Ermínia - Sou realista. Eu sempre fui extremamente crítica. Depois de trabalhar por quarenta anos, examinando e formulando propostas nas quais eu acreditava, hoje acho que estamos regredindo e que a correlação de forças – que colocou o agronegócio com essa força toda no Congresso e no governo federal – é negativa para quem quer essas mudanças. Há uma exigência de que sejamos otimistas e o que eu falo é pesado. Nós temos propostas que já foram feitas. Podemos repetir: universalização do saneamento, resolução da questão da reforma fundiária, com a aplicação da função social da propriedade, prioridade para o transporte coletivo etc.... Nós passamos vários anos construindo uma agenda de reforma urbana. Se a reforma não acontece, minha função agora, na idade em que estou, com o conhecimento que tenho, é chutar o pau da barraca.

Perfil Professora titular aposentada da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), Ermínia Maricato foi Secretária Executiva do Ministério das Cidades, entre 2002 e 2005. Lá foi coordenadora técnica da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano. Trazia na bagagem a experiência de ter comandado a Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano do município de São Paulo, entre 1989 e 2002, no governo Luíza Erundina. Foi também autora de todas as propostas para a área urbana das candidaturas de Lula a presidência, entre 1989 e 2002. Mais recentemente, exerceu o cargo de conselheira do Habitat, programa das Nações Unidas para assentamentos humanos. Natural de Santa Ernestina, cidadezinha próxima a Araraquara, ela chegou a estudar Química Industrial no segundo grau e a iniciar a Faculdade de Física, na USP. “Eu tinha uma cabeça boa para matemática”, conta ela, acostumada a lidar com números e indicadores durante toda a vida. “Decidi prestar vestibular na FAU. Entrei em 1967, em plena ebulição estudantil nos tempos da ditadura”. Ali sua atenção se voltou para o planejamento urbano. “Mas hoje ando muito apaixonada pela agronomia, fazendo experiências de plantar frutas raras da mata atlântica, junto com profissionais de diversas origens que tentam recuperar uma gleba na região”. Com uma ponta de indignação, confessa: “Acho que as cidades estão ficando sem perspectivas de solução de seus problemas”.

domingo, 16 de outubro de 2011

Vambora, que é Sábado e começou o horário de Verão!

Adriana Calcanhotto fez um showzaço na noite de sábado no Teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. O título "O Micróbio do Samba" autoexplica o show da cantora e compositora gaúcha, que agora está mais para carioca do que nunca. O CD que reúne as músicas do show - praticamente todas da lavra exclusiva de Adriana Calcanhotto - tem produção gráfica de Fernanda Villa-Lobos (mulher do legionário Dado Villa-Lobos, ambos presentes ao show). A gaúcha até que manda bem no samba e chegou a ser acompanhada pela platéia quando cantou, de Paulinho da Viola, "Tá legal, eu aceito o argumento". Os músicos que a acompanham no palco fazem um show à parte, a começar pelo craque baiano Davi Moraes. Pra fechar a apresentação, Adriana voltou ao palco pela segunda vez para apresentar a sua "Vambora", para festa geral.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Salve, Salve criançada no seu Dia!

Não Perca As Crianças De Vista O Rappa Pra enxergar o infinito Debaixo dos meus pés Não basta olhar de cima E buscar no escuro, no obscuro A sombra que me segue todo dia Deixo quieto e seguro as páginas dos sonhos que não li E outra vez não me impeço de dormir Os jornais não me informam mais E as imagens nunca são tão claras Como a vida Vou aliviar a dor e não perder As crianças de vista Êô, Êô, Não perca as crianças de vista Êô, Êô, Não perca as crianças de vista Êô, Êô, Não perca as crianças de vista Família, um sonho ter uma família Família, um sonho de todo dia Família ... Família é quem você escolhe pra viver Família é quem você escolhe pra você Não precisa ter conta sanguínea É preciso ter sempre um pouco mais de sintonia

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Corregedor do MP apoia Eliana Calmon e faz duras criticas ao judiciário

Eugênio Aragão: enfim, ordem no MP e no Judiciário
Do Blog Amigos da Presidente Dilma

O subprocurador-geral da República, Eugênio Aragão, assumiu o cargo de corregedor-geral do Ministério Público Federal segunda-feira (3) e, no dia seguinte, em sua primeira visita oficial, encontrou-se com Eliana Calmon, num claro gesto de apoio à ministra e corregedora nacional de Justiça.

Em entrevista ao Terra Magazine, Aragão considerou nefasta a limitação de poderes do CNJ, criticou o corporativismo das carreiras ligadas ao judiciário, com capacida

de de exercer maior pressão sobre o governo por aumentos salariais.

Eis a entrevista:

Terra Magazine - Seu encontro com a ministra Eliana Calmon pode ser interpretado como uma demonstração de apoio a ela?

Eugênio Aragão - Com certeza. Estava na minha condição de corregedor do Ministério Público e a corregedora nacional tem muito mais responsabilidade. Nessa hora a gente tem que auxiliar porque a gente sabe com que tipo de problema nós estamos lidando. Ela precisa ser fortalecida.

Qual a sua avaliação da forma como repercutiram as declarações da ministra de que há "bandidos de toga"?

Isso que ela apontou todo mundo sabe. A ministra Eliana não apontou com o dedo em riste para quem quer que seja, mas explicou uma situação que existe neste País e que a gente não pode ignorar. Eu mesmo, como subprocurador da República atuando no âmbito do STJ, atuei em vários casos de juízes que negociavam decisões e que tinham todo tipo de comportamento antiético, como contratar parentes. Ela não está dizendo que a magistratura é feita de delinquentes, mas que existem delinquentes escondidos atrás da toga, existem. As pessoas que se sentem atingidas, espero que não estejam vestindo a carapuça.

Pela sua experiência, o senhor diria que há mesmo uma dificuldade de aplicar punições a juízes?

Isso é o que hoje estão querendo. Estão tentando limitar o poder da corregedora nacional. Isso é muito nefasto, porque a gente sabe muito bem que as corregedorias locais muitas vezes não têm independência suficiente para cortar na própria carne. Há casos que são corriqueiramente arquivados em corregedorias locais, que são tratados com leniência e só têm alguma chance se vierem para a corregedoria nacional. O trabalho dela, assim como o trabalho do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), deve ser sempre prestigiado.

E quanto ao encontro com a ministra, como evoluiu?

Tratamos também de outros assuntos. Uma das grandes preocupações que nós temos é com o vazamento de informações. Provas sensíveis, submetidas a sigilos, e que invadem a esfera privada. Isso é uma preocupação nossa e por isso eu sugeri a ela que nós trabalhemos num sistema nacional de controle de cadeia de custódia e documentos sigilosos. Um sistema que hoje é perfeitamente possível através de documentos inteligentes. A gente fica sabendo quantas vezes o documento foi impresso ou enviado por e-mail.

O vazamento pode fazer com que a Justiça anule a validade das provas?

Nos Estados Unidos, o vazamento de uma prova sensível anula essa prova. Porque se supõe que o julgador estará sofrendo com a pressão da opinião pública ao analisar esta prova. Isso, inclusive, é um problema muito grande que a gente tem em casos de cooperação internacional. Muitas vezes a gente acaba com as provas em outros países. A forma irresponsável com que o Brasil lida com certas provas tem levado a protestos de autoridades estrangeiras.

Voltando à questão das atribuições do CNJ e do CNMP, o senhor não acha que atualmente há limitações na atuação dos Conselhos?

O que temos que colocar em debate é a questão da independência. Não se trata de querer violar a opinião, isso temos que respeitar. Mas os juízes têm que se submeter a certas regras de conduta, eficiência, regras éticas e morais. Senão, a sociedade não tem por que pagar um sistema judiciário extremamente caro. Um juiz e um membro do Ministério Público são caros para a sociedade. Um menino que ingressa como promotor recebe 19 mil reais quando começa na carreira, é muito dinheiro. Não é possível que ele, apesar disso, possa fazer o que quer sem compromisso com a qualidade.

Já que o senhor falou em custo alto, como o senhor avalia o debate sobre aumento de salário do Judiciário? Nesta quarta-feira (5), a Anata (associação de funcionários do Judiciário) afirmou que a proposta para elevar os vencimentos pode fazer com que cerca de 4,8 mil pessoas passem a receber mais do que o teto do funcionalismo.

Eu não tenho esses dados estatísticos, mas é certo que existem interesses de lado a lado. Essas disputas intercorporativas são extremamente perniciosas. Esse País padece de uma anarquia em termos de remuneração no serviço público. Isso é muito ruim para o Estado brasileiro que, por conta disso, age de forma contraditória. Na hora que as corporações começam a disputar vencimentos, elas disputam também suas atribuições. Porque querem se valorizar. Então são o Ministério Público e a Advocacia Geral da União que nem gato e rato. A Polícia Federal e o Ministério Público, o Judiciário, os Auditores Fiscais. As carreiras que hoje têm poder de pressão sobre o Estado e sobre suas instituições são as que mais são valorizadas. Ou seja, juízes, Polícia, Ministério Público, advogados públicos. Porque eles têm um poder de chantagear os poderes públicos. E dizem: ou você faz isso ou a gente vai criar uma tremenda encrenca. Agora, o professor, o médico... esses daí são completamente desprestigiados. Se o professor faz greve, isso não muda nada. Eu digo que, às vezes, era melhor tirar esse lema "Ordem e Progresso" da bandeira e colocar "Quem não chora, não mama". Porque prevalece quem fala mais alto.

domingo, 9 de outubro de 2011

sábado, 8 de outubro de 2011

Companheira despida jamais será vencida!

Um dia todas as greves serão assim
As companheiras do Ceará tiraram as roupas para protestar contra a usura dos banqueiros e revelaram talentos muito superiores aos exigidos para receber boletos e pagar benefícios previdenciários. Vejam as duas belas companheiras (morena e loura) que aparecem à direita: quem não passaria horas na fila para pagar uma conta de luz achada na rua só para tentar uma negociação coletiva com elas? Certamente são funcionárias de bancos privados, porque as caixas dos bancos públicos estão na faixa dos 50 anos. Ai do banqueiro que tentrar cortar o ponto delas, por terem aderido à greve! (Já quanto ao negão sem noção ao lado, já deveria ter sido demitido por justa causa). Pois bem, a partir dessa contribuição aos movimentos paredistas introduzida pelas companheiras cearenses acredito que as greves passarão a ser vistas com melhores olhos pela população brasileira e finalmente cairão no gosto popular. Companheiros, todo apoio às grevistas bancárias! Que a nova forma de protesto das bancárias de espalhe pelo país e que as negociações com os patrões sigam emperradas pelo menos até terminar o Verão.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A mídia gosta de corrupção, desde que seja dos amigos Demos / Tucanos e do PPS

Do Blog de Ricardo Kotscho

Publicado em 05/10/11 às 10h23

Escândalo paulista enfim chega às manchetes


roque ok Escândalo paulista enfim chega às manchetes
Roque Barbiere nas manchetes, dois meses depois
Não foi fácil. Levou quase dois meses para que as denúncias feitas pelo deputado estadual Roque Barbiere (PTB) sobre o escândalo das propinas pagas por emendas parlamentares na Assembleia Legislativa rompesse o silêncio e ganhasse as manchetes dos jornalões paulistas.
A anatomia deste descaso jornalístico foi apresentada na terça-feira pelo colega Luciano Martins Costa em sua coluna no "Observatório da Imprensa", sob o título "Um escândalo entediante".
A história começa no dia 10 de agosto, quando a "Folha da Região", de Araçatuba, no interior paulista, publica uma entrevista com Barbiere na qual ele afirma que pelo menos 30% dos integrantes da Assembleia Legislativa recebem propina para aprovar emendas ao orçamento que interessam aos prefeitos.
Cada deputado tem direito a uma bolada de R$ 2 milhões por ano concedida pelo governo paulista para que ele aplique onde e como quiser.
É uma verbinha respeitável, de fazer inveja a qualquer "mensalão". Por mais de vinte anos, os governos estaduais tucanos mantém desta forma uma maioria confortável na Assembleia, sem qualquer perigo de instauração de CPIs.
Só no dia 24 de setembro, ou seja, seis semanas depois da "Folha da Região", a "Folha de S. Paulo" rompeu o silêncio para registrar a denúncia de Roque Barbiere, o Roquinho, muito ligado ao ex-governador Orestes Quércia, já falecido.
Registrou e tirou o time, para abrir espaço ao seu concorrente "Estadão", que foi atrás da história e deu entrevista de Barbiere, com direito a manchete, em sua edição da última segunda-feira.
"Mas, em nenhuma hipótese, os dois diários manifestaram um interesse sequer aproximado do que sempre demonstraram por outros escândalos (...). O enredo começa a revelar aspectos intrigantes, capazes de estimular a curiosidade do mais distraído dos repórteres. Mas os grandes jornais ainda não manifestaram interesse em procurar gravações, depoimentos, sinais exteriores de riqueza", estranhou o colunista do "OI".
Em sua edição desta quarta-feira, finalmente a "Folha" abre sua manchete principal para o caso _ "Para deputado, cada colega de SP tem um preço" _ como se tratasse de uma grande novidade.
Tirado do anonimato em que vivia, Roquinho deu na véspera uma entrevista coletiva para explicar o modus-operandi dos colegas, comparou a Assembleia a um camelódromo em que "cada um vende de um jeito", mas se recusou a dar nomes aos bois. "Não vou entregar nenhum nome, nem com o revólver na cabeça".
Pois é exatamente isto que o governador Geraldo Alckmin espera para dar início às rigorosas investigações, como informou na véspera e reiterou em nota oficial distribuída ontem: "O deputado tem o dever de apontar casos concretos que sustentem suas graves denúncias. Até agora não o fez".
E, pelo jeito, não fará. Diante do impasse, a "Folha" resolveu fazer suas próprias investigações e constatou que pelo menos seis deputados indicaram parte da verba de R$ 2 milhões para cidades onde não tiveram um único voto, o que reforça a denúncia de Barbiere sobre a "venda" de emendas a prefeitos.
Da lista não consta o nome do deputado Bruno Covas, licenciado para assumir a Secretaria de Meio Ambiente do Estado e um dos candidatos do PSDB à Prefeitura paulistana.
No dia do lançamento da sua pré-candidatura pelo governador Geraldo Alckmin, Bruno deu uma desastrosa entrevista ao "Estadão" em que levantou a lebre de Barbiere, ao afirmar que um prefeito lhe perguntou a quem deveria entregar a propina de 10% sobre os R$ 50 mil de uma emenda do deputado.
Bruno conta que mandou o prefeito entregar a "comissão" à Santa Casa local, mas também não revelou o nome do prefeito. Depois tentou desmentir suas declarações, que foram gravadas pelo jornal, alegando que houve um "mal-entendido".
Convocado para prestar depoimento na Assembléia Legislativa, Bruno foi "desconvocado" ontem pela Comissão de Meio Ambiente.
Agora que o assunto dos "emendões" paulistas se tornou público, o próximo passo deverá ser um depooimento por escrito que Barbiere prometeu apresentar na quinta-feira ao Conselho de Ética (e não é que existe?) da Assembleia Legislativa.
"Alguns escândalos são feitos para mobilizar, outros são administrados para fazer o leitor cochilar", conclui Luciano Martins Costa, que não parece muito otimista sobre os efeitos práticos da denúncia.


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Seleção Google: 13º Aniversário do Google

No mês de setembro de 2011 o Google  completa 13 anos de existência. Apesar de ser uma empresa  nem tão “nova”, está no topo da lista das maiores empresas do mundo em faturamento, e não para de crescer, ano após ano.

O Google foi fundado por Larry Page e Sergey Brin, e baseia seus esforços basicamente na Internet. Sua principal forma de faturamento é o serviço chamado Adwords, que trata de vender publicidade a anunciantes em seu mecanismo de busca. Atualmente a sede da empresa está localizada no Estado Americano da Califórnia, em Mountain View.

Em 2004 o Google entrou na bolsa de valores de Nova Iorque (IPO), tendo suas ações negociadas a 85 dólares a unidade. Com este IPO, o Google acabou realizando uma capitalização na ordem de 23 bilhões de dólares. Até o Yahoo se deu bem com o IPO, já que possuía milhões de ações da empresa, mesmo antes da entrada do Google na bolsa.
Eric Schmidt encabeçou a empresa durante 10 anos, porém, em 2011, Larry Page assumiu a missão, e se tornou o CEO da empresa. Enquanto isso, Sergey Brin toma conta de projetos estratégicos e novos produtos da empresa.

sábado, 24 de setembro de 2011

Legião Urbana para colecionadores

Entrevista ao Programa Cidade Mágica (I/II)



Entrevista ao Programa Cidade Mágica (II/II)


Legião Urbana no Jô Soares 1989 (I/IV)

Legião Urbana no Jô Soares 1989 (II/IV)

Legião Urbana no Jô Soares 1989 (III/IV)
 
Atentem para o Ronald Golias na platéia.


Legião Urbana no Jô Soares 1989 (IV/ IV)
 
Legião Urbana no Jô Soares 1994 (I/III)

Legião Urbana no Jô Soares 1994 (II/III)

Legião Urbana no Jô Soares 1994 (III/III)

Seleção Google - 75º Aniversário do criador dos Muppets

O site de buscas Google publicou neste sábado (24) uma ilustração conhecida como ‘doodle’ para homenagear a data que marcaria o 75 aniversário de Jim Henson, criador e manipulador dos bonecos Muppets. Dessa vez, a logomarca entra na categoria das produções animadas, pois o internauta pode ‘brincar’ com os Muppets na própria página do navegador. Algumas gracinhas podem ser feitas caso o internauta explore todos os botões da imagem. A primeira produção de bonecos feita por Henson foi batizada de ‘Sam e Seus Amigos’, na qual o sapo Kermit (Caco, o Sapo, na tradução brasileira) aparece pela primeira vez. Com o sucesso do seu trabalho, Henson decidiu abrir a sua própria empresa, momento em que decidiu usar o nome Muppets, Inc. pela primeira vez. Depois, o empresário decidiu mudar o nome da sua companhia e hoje ela se chama ‘The Jim Henson Company’. A expansão da sua carreira deu vida aos outros personagens, como o Sam, Harry e Yorick. Alguns dos programas mais populares da carreira de Jim Henson foram o ‘Sesame Street’ e o ‘The Muppet Show’. O primeiro foi realizado em parceria com a empresa de Joan Ganz Gooney e tinha caráter educativo para o público infanto-juvenil. O segundo foi o mais popular dos Muppets, com os personagens Caco, Fozzie, Gonzo, Rizzo, Senhorita Piggy, entre outros, que recebiam celebridades da vida ‘real’. O criador dos Muppets faleceu no dia 16 de maio de 1990 por consequência de uma pneumonia. Henson quis ser cremado e teve suas cinzas espalhadas pelo seu rancho em Santa Fe, nos Estados Unidos.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Em saudação à Primavera que chegou: Perfeição!

Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão

Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a Primavera
Nosso futuro recomeça
Venha que o que vem é Perfeição

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Torneiro mecânico paraíba e apedeuta teve que dar lições de Capitalismo aos empresários paulistas!

Multinacionais brasileiras trazem US$ 21 bi do exterior para o país

Da Folha.com
Múltis brasileiras trazem ao país soma recorde do exterior

Imagine se não fosse apedeuta ...
O volume de dinheiro que multinacionais brasileiras trouxeram do exterior para o país entre janeiro e julho deste ano atingiu o recorde de US$ 21,7 bilhões, informa reportagem de Érica Fraga para a Folha. A quantia equivale a quase o dobro do valor investido por essas empresas fora do país no mesmo período (US$ 11,2 bilhões). Essas cifras são registradas no balanço de pagamentos (que contabiliza transações do país com o resto do mundo) sob a categoria de investimento brasileiro no exterior. Mas o movimento de entrada de recursos muito superior ao de saída por meio dessa conta é incomum. "Normalmente, é de se esperar que as quantias mais significativas sejam relacionadas a investimentos feitos pelas multinacionais brasileiras fora", afirma Silvio Campos Neto, economista da consultoria Tendências. Os recursos que multinacionais brasileiras estão trazendo do exterior têm entrado no país principalmente com dois tipos de carimbo, que representam subdivisões da conta de investimento brasileiro no exterior. O maior fluxo (US$14,3 bilhões nos primeiros sete meses do ano) representa quitação de dívidas que filiais tinham com suas matrizes brasileiras no passado. (Do Blog de Luiz Nassif)

sábado, 17 de setembro de 2011

Paraíba é Clã Brasil

... enquanto a TV produz popozudas do funk ... Tem mais! Paraíba minha cidade Banquete dos signos Agora um pouco de informação sobre essa bela banda nordestina: As garotas são: Lucyane Pereira Alves, Laryssa Pereira Alves, Lizete Pereira Alves (três irmãs) e Fabiane Fernandes. Mas para quem acha que é mais um grupo exótico por ser formado meninas que começaram criança. Apresento as meninas virtuosas: Lucyane é universitária, sanfoneira e vocalista, iniciou os estudos de teoria e prática aos quatro anos de idade, na escola Antenor Navarro em João Pessoa - PB e no curso de extensão da UFPB. Estudou piano durante quatro anos. Toca outros instrumentos musicais como violino, fole de 8 baixos, contrabaixo, violão e cavaquinho. Laryssa cursa medicina – UFPB, Zabumbeira, violinista, percussionista e vocalista. Iniciou os estudos de teoria e prática aos quatro anos de idade, na escola Antenor Navarro e no curso de extensão da UFPB. Lizete 2ª série do 2º grau. Flautista e vocalista. Iniciou os estudos de teoria e prática musical aos quatro anos de idade, na escola Antenor Navarro e no curso de extensão da UFPB. Fabiane 3ª série do 2º grau. Cavaquista e vocalista. Iniciou os estudos com o seu pai, o maestro Chiquito e continua estudando guitarra na escola do Rotary. E faz parte da Orquestra "Metalúrgica Felipéia" como guitarrista. O grupo tem como músicos de apoio: José Hilton Alves (Badu) – Violão de 7 Cordas / Vocal e Maria José Pereira Alves – Triangulo \ Vocal, que são os pais de: Lucyane, Laryssa e Lizete. E Francisco Filho – Percussão. Vejam também o site do Clã Brasil: www.clabrasil.com.br Tem vários DVDs que podem ser comprados pelo site.

A Matemática é uma festa e você está convidado!

Alice é uma jovem dos dias de hoje que odeia matemática: acha que não serve para nada. Porém, numa viagem fabulosa, ela encontra personagens da história de uma outra Alice, a do País das Maravilhas, e aí tudo muda: a matemática passa a ser a matemágica! Estamos falando do livro "Alice no País dos números", de Carlo Frabetti. Esse texto foi publicado originalmente no site Ática Educacional.


Possibilidades Pedagógicas

- O prazer do jogo matemático: descobrir a matemática como possibilidade de se "olhar para uma coisa ordenadamente" (p. 46), perceber que "na matemática as coisas se relacionam entre si, decorrendo umas das outras de forma lógica" (p. 9) é o objetivo de todos os desafios e truques envolvendo números que aparecem na história dessa Alice adolescente e contestadora.

- A matemática e a interdisciplinaridade: contestar as rotinas e os métodos impostos pelo mundo adulto é marca da adolescência: "Matemática não serve para nada" (p. 7), "Não sei, nem quero saber de matemática" (p. 8) são comentários comuns entre os jovens estudantes. Descobrir a matemágica, o prazer de aprender matemática pelo jogo entre a hipótese e sua comprovação e pelo diálogo entre as várias áreas do conhecimento - Literatura (p. 7), História (p. 42), Ciências (p. 45 a 47), Filosofia (p. 33) - é o lucro maior da leitura de Alice no País dos números.

- Motivação e aprendizagem matemática: o professor sabe que "É muito difícil ensinar matemática" (p. 37), porque significa, principalmente, levar o aluno a "identificar os conhecimentos matemáticos como meios para compreender e transformar o mundo à sua volta e perceber o caráter de jogo intelectual, característico da matemática, como aspecto que estimula o interesse, a curiosidade, o espírito de investigação e o desenvolvimento da capacidade para resolver problemas" (PCN Matemática, 5ª a 8ª série, p. 47). A leitura das aventuras de Alice no País dos números pode motivar o leitor a participar do jogo intelectual característico da matemática.

2. Abordagens Interdisciplinares

Matemática
- Aprendizagem significativa: a resolução de problemas é o eixo estruturador do enredo da história do livro, ponto de partida dos diálogos e das ações narradas. Como o conhecimento matemático está implícito em todas as situações desafiadoras apresentadas, os leitores são estimulados a buscarem e a desenvolverem estratégias de resolução de problema.

- Conteúdos conceituais: os conceitos específicos de matemática trabalhados na narrativa de ficção estão relacionados no Roteiro do Professor, parte integrante do exemplar do professor.
- Conteúdos procedimentais e atitudinais: os jogos, como estratégia de proposição de problemas, além de exercitarem procedimentos, contribuem também para a formação de atitudes: enfrentamento de desafios, busca de soluções, exercício da criticidade e da intuição, criação e mudança de estratégias.

Língua Portuguesa
- Processos de formação de palavras: tabuleiros, tabuadas, estábulos, tabulações e entabulações (p. 43).
- Substantivo (conceito): "dar nome às coisas e usar esses nomes é muito mais prático e eficaz do que descrevê-las cada vez que nos referirmos a elas" (p. 61).
- Intertextualidade com o conto maravilhoso "Era uma vez..." (p. 11 e p. 50), com histórias da mitologia - O minotauro (p. 38 e 39), com a literatura oriental - O livro das mutações (p. 77), com a obra de Charles Dickens (p. 7) e com o livro Alice no País das Maravilhas (conferir atividade de pré-leitura no Roteiro do Professor).

História, Filosofia e Sociologia
- Para contextualizar o conhecimento matemático (origem, processo, culturas, teorias e teóricos), o apêndice histórico cultural que acompanha a narrativa ficcional traz o conhecimento de várias áreas.

Arte
- Além dos conhecimentos registrados no apêndice como os relativos à obra de Dürer, a arte visual faz parte da linguagem do livro, tanto a arte como arte (ilustrações, p. 28) quanto a arte como ferramenta pedagógica para a produção de imagens que permitam a concretização de uma relação, de uma regularidade ou de uma propriedade matemática.

3. Temas Transversais

Ética
– Os valores pessoais - como a honestidade - são destacados: "desafio honesto é aquele que tem possibilidade de resolução" (p. 54); é honesto "o homem que paga a dívida" (p. 54). O abuso do poder e da autoridade da posição na hierarquia social é desprezado pela demonstração do ridículo: exemplo da "neurose" pela lei e pela ordem da rainha de copas (p. 23 e 27).

Saúde e Educação Sexual
- A questão de gênero está presente nas falas e atitudes de Alice (p. 51 e 58).
- A desconfiança e o repúdio à possibilidade de molestamento sexual demonstram a preocupação com a existência do problema de tal desvio de conduta (p. 7).

Retrato da elite atrasada brasileira

Velha racista vai parar na cadeia após cometer publicamente crime inafiançável de Racismo e Maus Tratos contra morador de rua paraplégico em Avenida de São Paulo!!!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Las tres caravelas, com Manu Santos

Prestem atenção nessa moça - Manu Santos. Ela acaba de ser eleita cantora de 2011 da Conexão Vivo e está com CD novo na praça. Vocês ainda vão ouvir falar muito dessa carioca, creio que da Zona Oeste, lá pras bandas de Jacarepagua, ou Tijuca, mesma origem da maravilhosa Fátima Guedes.