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Ciúme, o inferno do pseudo-amor possessivo
Capítulo primeiro
Todo(a)
ciumento(a) afasta, invalida e projeta sobre o outro suas próprias
negatividades. Não demora, o outro começa a pensar em se livrar, em se
separar e foi o ciumento que, com suas ações, acabou antecipando ou
precipitando isto.
O(A) ciumento(a) não é
consciente nem parece entender que exatamente aquilo que ele(a) afirma
ser o seu maior medo (o do abandono, o de ser trocado por outra pessoa)
constitui exatamente o resultado natural de suas próprias ações sobre o
outro.
O ciumento
típico costuma atribuir ao companheiro o seu persistente sentimento de
perda, sua permanente ameaça de rejeição, no entanto o ciumento é muito
mais um rejeitador do que um rejeitado. Ele se antecipa, atuando como
rejeitado antes que a possível rejeição aconteça, de modo que, se ela
acontecer, ele não seja pego de surpresa, pois está preparado para a
rejeição (pelo seu pensamento e sentimento negativos, pelo seu senso de
ameaça que nunca descansa) já que, todo o tempo, ele espera por ela,
imagina a rejeição... Não é à toa que o ciumento acredita que faz todo o
esforço para evita-la.
O ciumento tem que
perceber e admitir que depois que ele entra em um transe de ciume, ele
não é mais dono de si, não controla sua imaginação nem suas emoções e
não é mais capaz de nada parecido com uma ação racional. O ciumento
encontra-se possuído por forças inconscientes durante a crise. Isso
precisa ser admitido antes que qualquer outra possibilidade de
entendimento (de si mesmo) possa ocorrer. Este é o ponto de partida e o
principal conhecimento de que um ciumento necessita: o do
esclarecimento do teor e do sentido de suas crises. Geralmente, a ajuda
especializada de um psicólogo é o único caminho de saída.
Vamos
refletir juntos e tentar ajudar: Paradoxalmente, o(a) ciumento(a),
durante seus transes, empurra o(a) companheiro(a) para longe de si,
afasta, desconfia, invalida, desconsidera os argumentos do
companheiro(a) quando alguém lhe diz que está louco ou que vive
imaginando coisas...
Isto acontece porque,
para o ciumento, as “fantasias negativas de rejeição” são realidades
aguardando a validação dos fatos vividos. Ou seja, ele já vive
rejeitado, aguardando que os fatos vividos comprovem esta realidade, na
qual ele vive. Ele se sente como um investigador policial em busca de
fatos comprobatórios, mas lhe escapa a parte emocional e inconsciente,
que demonstra de modo claro e límpido o evidente preconceito nutrido em
seu íntimo.
Possuído pelo viés negativo
inconsciente, ele transforma em culpado aquele que ele investiga, antes
mesmo de qualquer evidência. Ele sofre e faz com que seu companheiro
sofra, mas não consegue ver em seus atos, pensamentos, sentimentos e
expectativas negativas a razão ou o motivo de seu sofrimento.
Esta
inconsciência de sua realidade psicológica já levou pro abismo muitos
ciumentos que, em seus relacionamentos, de outro modo, poderiam produzir
resultados melhores, fazendo frutificar estas relações ao invés de
torna-las estéreis e negativas.
Um ciumento
típico trabalha para o próprio fracasso muito mais do que ele ou ela é
capaz de admitir, mas isto nem de longe modifica os fatos vividos. Para
sua própria infelicidade, o aspecto destrutivo, existente no íntimo do
ciumento, é tornado inconsciente e obscurecido pelo fato de que, para
este, o problema encontra-se NO OUTRO, que não é digno de confiança:
Ele(a) diz: “Ninguém é confiável, só os ingênuos se arriscam a confiar em alguém!”
Em
verdade um ciumento típico não conhece algo que mereça o nome de
“confiança”, sentimento este que constitui uma espécie de aposta do Ser,
que a entrega ao outro, sem qualquer possibilidade de confirmação ou
certeza. Costumo dizer que se alguém entrega “confiança”, o outro pode
ser neutro, atrapalhar ou ajudar, mas não depende do outro, a energia
que sustenta uma “confiança,” que é positiva, vibrante e se assemelha
com sentir esperança, fé, imaginando o melhor e desejando o melhor.
Vamos
ensaiar uma descrição resumida sobre o processo que se passa no íntimo
do ciumento dominado pelo seu medo de perder e desgastando-se na
tentativa de controlar a vida do outro >>>
1- O medo de perder o companheiro o leva a controlar e
2- à vigilância e às medidas de defesa contra a liberdade do outro.
3- A liberdade do outro se torna a maior ameaça ao sucesso no controle
4- então, a liberdade do outro tem que ser suprimida.
5- Depois de suprimida a liberdade do outro sobra a conclusão de que somente a submissão dele garantirá o controle.
6- A submissão do outro nunca é completa então fica a desconfiança de que sempre que puder ele fugirá ao controle e à vigilância.
7- Daí
realinham-se os propósitos iniciais e o controle passa a ser necessário
sobre os mínimos atos e momentos do outro, de modo a conseguir a
certeza do resultado: o outro não se afastará, não será perdido, não me abandonará, não me trocará por outra pessoa melhor que eu!!!
O
ciumento vive inconsciente do fato de que ele mesmo afasta o outro,
separa o outro, pois quase nunca foi, de fato, capaz de real proximidade
e amor, descontando-se claro a fase inicial da conquista. A
ressonância, se existiu no fase inicial do relacionamento, criava uma
atmosfera emocional e sentimental que, como energia, construía alguma
“confiança” e trazia alguma tranquilidade.
Devido
aos primeiros conflitos de opiniões ou pontos de vista, devido às
primeiras brigas e questionamentos, a pseudo-confiança é aos poucos
substituída pela desconfiança que sempre existiu, mas estava dormente,
residual, aguardando uma oportunidade de se oferecer.
Geralmente,
existiu alguma situação específica que fez ou faz o sentimento da
desconfiança acordar, contudo nada obrigou ou obriga que ele persista e
não desapareça nunca mais. Uma vez que algo acabe convencendo o ciumento
de que ele está ameaçado de perder o companheiro, surge a necessidade
do agir perante o persistente perigo, o que leva ao controle e às vezes à
exigência da obrigatoriedade da presença do outro em todos os momentos
e, quando isso não é possível, daí os mecanismos de controle da
liberdade do outro tomam a forma de constantes telefonemas,
investigações na bolsa ou carteira, leitura das mensagens armazenadas
nos celulares, emails e assim por diante.
O
ciumento imagina que o outro não sabe que tudo isso é jogo e que tudo
isso não representa uma real preocupação amorosa com o companheiro de
relação e sim, um pesado fardo de desconfiança e controle, sempre cheio
de ansiedade e vazio.
Naturalmente
o companheiro aceita o jogo, pois desequilibrar o ciumento é querer que
o inferno se instale na relação. Qualquer pessoa inteligente, nesta
hora, evitaria o inferno, mas é assim que o ciumento acaba instalando no
companheiro um censor de movimentos e de atividades pessoais: o
ciumento consegue isso através de ameaças de que entrará em crise e que a
relação se tornará infernal, ao que o companheiro reage reduzindo sua
liberdade e tentando mostrar-se confiável, com evitações e cuidados dos
mais variados tipos, tentando também controlar a crise infernal de
ciumes do outro e então finge pra si mesmo, que conseguiu alguma paz,
como se o inferno já não estivesse acontecendo defronte seus olhos...
podendo mostrar-se de novo a qualquer momento...
Enquanto
se evita a crise de insegurança do ciumento o problema permanece
intocado, no entanto, infelizmente, de nada serve que o companheiro do
ciumento faça todo tipo de esforço e pague com sua própria liberdade,
mesmo assim o problema do ciumento (e sua desconfiança) permanece
exatamente o mesmo, intocado, pronto para ser repetido, seus mecanismos
de controle, suas cenas de emoções negativas e tudo o mais que constitui
aqui o que chamo de inferno do pseudo-amor possessivo.
O
companheiro do ciumento faria grande favor a ele se agisse de modo
livre e não se preocupasse com o que o outro pensa, já que ele pensa
sempre coisas negativas e não tem o menor respeito pela alteridade e
sinceridade do outro. Não compactuar com o ciumento é, em verdade, a
única chance de ajuda-lo.
Dar testemunho de si
mesmo, fazer relatórios verificáveis sobre onde esteve e com quem esteve
só deveria servir para a descoberta de que o ciumento vive muito
sózinho, pois o testemunho do outro nunca tem valor, o outro não é
ouvido e seus testemunhos são sempre recebidos como atitudes e
expressões de alguém muito suspeito, não importando se o parceiro é ou
não é merecedor disto. Um ciumento típico invalidade o testemunho do
outro insistentemente.
Quando alguém aceita
ser possuído por outra pessoa e abdica de seus direitos humanos e à
liberdade de movimento, de ação e de expressão então, é claro, estará
tudo em paz a partir deste ponto. Lamento dizer que a chance disso
funcionar é de 0%.
Um ciumento típico precisa
de ajuda especializada e alguém envolvido emocionalmente com ele,
provavelmente, não servirá de ajuda ou mesmo pode dificultar ainda mais a
situação, que já é bastante confusa, conforme me esforcei em descrever
aqui.
O ciumento pode prometer não ter
mais crises e, no entanto, não conseguir ter qualquer controle sobre
suas crises e é humilhante para UM TÍPICO CONTROLADOR descobrir-se
controlado (por suas fantasias negativas). Mas esta descoberta, quando
acontece, costuma ser uma grande motivação para uma cura acontecer.
O
ciumento não se imagina como um criador. Muito menos ele está
consciente do fato de que ele origina suas imaginações negativas. Ele
não se vê como autor daquilo mesmo que ele imagina.
Sob
o ponto de vista do ciumento, o desapego nunca existe, o gosto por ver o
outro feliz por estar fazendo ou vivendo aquilo que deseja (e lhe dá
prazer) não é experimentado, o ciumento não conhece este tipo de prazer,
seu medo é tamanho, que a simples exposição à possibilidade da
liberdade e prazer do outro traz nuvens negras e pesadas para o “céu” do
ciumento, os alarmes dão sinal vermelho e os bombeiros internos correm
para “apagar o incêndio,” motivado por alarmes falsos, no mais das
vezes.
Pior do que um ciumento típico funcionar
deste modo tão inseguro é o companheiro do ciumento ser alguém que não
suporta viver sem alguém que o ccontrole, o possua, o queira sempre sob
sua supervisão e atenção. Cria-se aí um contrato emocional estremamente
intenso e negativo, porém os envolvidos não percebem isso como negativo e
a ilusão de que isto seja alguma forma de amor ou modo de demonstrar
que o outro importa e tem valor para si obscurece a verdadeira natureza
do vínculo, que é negativa... Se assim não fosse, o alvo do ciumento
quebraria o contrato e procuraria exercer o seu direito inalienável à
liberdade e prazer. Se não houvesse uma contrapartida do alvo de ciume,
ele não iria corresponder ao ciumento e fazer o jogo esperado por
aquele, não, ele claramente colocaria um fim a este jogo e iria cuidar
da própria vida.
Para algo assim acontecer, o
companheiro do ciumento teve que evoluir além e apesar dos esforços do
ciumento para que ele não se liberte, para que não se afaste, para que
não se torne independente e dono de si mesmo.
Caso
o companheiro do ciumento pague o preço de correr atrás de seu valor e
sentido na vida, verá que, na verdade, para o ciumento ele nunca existiu
de fato, só existiu o “outro” que ele fantasiou e ele não conheceu a
pessoa que com ele está, de modo algum.
Pois
é, ser alguém tipicamente ciumento afasta, separa, quebra vínculos,
enfraquece os elos de união, empobrece os sentimentos como o amor, o
respeito, a consideração pelo bem estar do outro, que, ao ciumento não
importa, nem é sua preocupação ou seu objetivo, pois um ciumento típico
nem mesmo tem o outro como foco de seus pensamentos e atenções, seu
único foco está em si mesmo, todo ciumento típico é um tremendo egoísta e
egocêntrico e nunca se arrepende disto, nunca pede perdão por isso,
finge estar cheio de razão e se sente justificado naquilo que faz e
provoca sobre o outro.
Felizmente,
nem todos os ciumentos se encaixam completamente neste quadro negativo
extremo. O meu exagero aqui é proposital e deve-se ao fato de necessitar
estabelecer um modelo que permita pensar na questão. Não sei o grau de
negatividade que cada relacionamento pode estar atingindo, então
exagero de modo a mostrar o que será se piorar... Portanto há salvação
para aqueles que lutem e usem suas consciências para evoluir e aprender
para além do seu problema de insegurança e controle.
Vou
chamar aqui de “ciumento típico” aquele que não admite precisar
aprender algo e superar seus problemas. Um ciumento típico é totalmente
cego para as conseqüências do que é e faz no relacionamento e quem devia
denunciar este triste estado das coisas não o faz possivelmente por
estar também perdido de si mesmo, por razões outras e complementares,
mas ainda assim perdido igualmente em um relacionamento que acaba
ficando sem graça, rotineiro e sem sentido em breve espaço de tempo,
sobrando apenas obrigações e deveres de um para com o outro.
Todo mundo, não demora, se queixa do estado das coisas, mas o que quase sempre ninguém faz é olhar para o lado psicológico de si mesmo, quase ninguém age para alterar o estado de coisas em seu íntimo e daí todo mundo reclama do outro, dos outros, da outra, mas todo mundo continua fazendo exatamente aquilo que provoca o sofrimento, a separação ou uma vida “sem graça,” estruturada na insegurança íntima e na carência individual dos envolvidos.
O inferno do Pseudo-amor possessivo CAP II
A interdependência entre o Controlado e seu Controlador
cap II – continuação de “O Inferno do Pseudo-Amor Possessivo”.
Esta
reflexão visa abordar o ponto de vista do companheiro(a) do ciumento,
que geralmente se descreve apenas como uma “vítima” do ciúme alheio.
Em verdade, ambos estão em um tipo de contrato, pois assim como
1- um típico controlador precisa de alguém do tipo “controlável”,
2- alguém que se aceita controlado precisa de alguém que seja controlador, um comandante que exerça este tipo de função...
Então,
quando pensamos que todo relacionamento é invariavelmente construído
por contratos e, no mais das vezes, contratos inconscientemente
estabelecidos, então o ciumento e o alvo do ciúme vivem sob algo assim
como um contrato.
São
carências que se complementam e que somadas criam o inferno no
relacionamento. Neste caso, assim como em muitos outros tipos de
complementariedade, algoz e vítima se confundem para quem consegue
perceber como atuam as Polaridades na vida humana e relacional.
O(A)
companheiro(a) do ciumento pode ser alguém que também teme ser
abandonado, mas age de modo passivo e submisso diante deste fato,
enquanto que o ciumento típico é ativo e age sobre o outro para
controla-lo e mante-lo sob seus domínios.
Estas polaridades – a Ativa e a Passiva – surgem como uma complementação e compensação entre os dois.
As
pessoas são atraídas para seus opostos em uma busca de tornarem-se
completas, ao menos buscam isso e quanto a isso não resta dúvida.
Em
realidade, temos que nos render ao fato de que, nos casais humanos de
todo tipo, existem também os “contratos negativos” e existem
relacionamentos com bases em aspectos nada saudáveis dos envolvidos.
Um
relacionamento maduro pressupõe o desenvolvimento de cada um, como
individuo completo e independente, para além de suas histórias
familiares e na superação de seus “passados vividos.”
Muito
importante lembrar: O outro, (o(a) companheiro(a), merece que vc o(a)
encontre, a ELE(A), e não aos fantasmas do seu passado projetados
nele(a).
Um
ciumento típico tem uma história e nela ele foi – com alta
probabilidade – “passado pra trás”, rejeitado e se sente invalidado. Um
ciumento típico está tão dominado por seus sentimentos de rejeição, que
nem mesmo tem o outro como foco de seus pensamentos e atenções, seu
único foco está em si mesmo. Pois é... ser alguém tipicamente ciumento
afasta, separa, quebra vínculos, enfraquece os elos de união, empobrece
os sentimentos como o amor, o respeito, a consideração pelo bem estar do
outro, que, ao ciumento não parece importar, tão preso que está aos
seus ameaçadores medos de perda, rejeição e abandono.
E
quem vive sofrendo por isto na relação com o outro faz o que? Bem, o
“outro lado da moeda” podem haver conflitos de outro tipo, porém
complementares.
Cria-se
aí um contrato emocional extremamente intenso e negativo, porém os
envolvidos nem sempre percebem isso como negativo e a ilusão de que isto
seja alguma forma de amor ou algum modo de demonstrar que o outro tem
valor para si, obscurece a verdadeira natureza do vínculo, que é
negativa...
Fazer os casais conscientizarem esta complementariedade é o primeiro passo na terapia de casais com este tipo de desequilíbrio.
Caso
o companheiro do ciumento pague o preço de correr atrás de seu valor e
sentido na vida, verá que, na verdade, para o ciumento, ele nunca
existiu de fato, só existiu aquele(a) “outro(a)” que o ciumento
construiu com suas fantasias de rejeição e abandono. Na prática, ninguém
erra muito se concluir que o ciumento não conhece muito bem a pessoa
que com ele está – demonstrando isto especialmente no auge de suas
crises de insegurança e rejeição.
Mas
é justamente aí que reside o problema e a solução, pois o ciumento se
vê atraído e apaixonado - para sua própria desgraça e sofrimento – por
alguém que não suporte ficar ou existir sozinho e, aí, fecha-se um
círculo vicioso que estreita e aperta os nós que prendem um ao outro.
Pior do que um ciumento desejar
1- alguém sem vida própria e
2- que ele possa controlar é
3- alguém entender, isto que o ciumento faz, como expressão de que se importa e que ama o alvo de seu ciúme...
Em
verdade, a Insegurança de perder o outro os une, mas o(a)
companheiro(a) do ciumento geralmente não é alguém possessivo no sentido
literal, ele pode ser alguém que mantém o domínio sobre o outro de modo
passivo, desapercebido, através de jogos dissimuladores. Daí, por conta
de suas próprias inseguranças, ainda que ele(a) não procure controlar
(explicitamente) a vida do outro, o resultado é que ele vive cheio de
temores de perder, temores da solidão e talvez se guie pelo ditado :
“ruim com ele(a), pior sem ele(a)”. Talvez passe por sua cabeça os
pensamentos: “Se não tenho de fato uma companhia, um companheiro(a),
pelo menos tenho alguém ao meu lado e que parece dar importância a mim”.
O(a)
companheiro(a) de um ciumento típico tem também um tipo de missão
psicológica para ser cumprida, pois ele(a) sofrerá muito diante da
verdade: ele(a) tem que se render ao fato de que já está sozinho, se
sente só e desacompanhado, ao lado de alguém que só tem olhos para seu
próprio umbigo e só se importa consigo mesmo e com os próprios temores,
que nunca cessam. A atenção redobrada que um ciumento típico promove
sobre o outro, parece servir também para construir, para o alvo do
ciúme, uma sensação/ilusão do tipo: "alguém se importa muito comigo" ou
então "sou importante para alguém".
Não por acaso, é justamente de uma real solidão, que o(a) companheiro(a) de um ciumento típico pode estar fugindo.
Cada
qual tem motivos diferentes para viver neste contrato, o ciumento é
ativo e não quer perder. Seu companheiro(a) pode ser, p.ex., alguém
muito carente de atenção...
Há
problemas e estes são solucionáveis e existem conflitos, estes são
insolúveis. Vou chamar aqui de “conflito insolúvel" aquele construído
por aquelas pessoas que não admitem estar nele e preferem aparentar não
necessitar ajuda para superar seus problemas... Infelizmente, estas
pessoas existem em ambos os lados de um “conflito insolúvel”. Os
conflitos deste tipo se baseiam em complementariedades típicas... Para
um controlador, um controlado; para um possessivo um possuído; para um
ativo, um passivo...
O
meu exagero é aqui proposital e deve-se ao fato de que não posso saber o
grau de negatividade que cada pessoa pode estar nutrindo,. No mínimo, a
descrição deste quadro conflitivo, deve servir como advertência...
Um
ciumento típico é totalmente cego para as conseqüências do que entrega e
do que provoca no relacionamento e quem devia denunciar este triste
estado das coisas geralmente não o faz, possivelmente por estar também
perdido de si mesmo, por razões outras e complementares, mas ainda assim
igualmente perdido em um relacionamento. Muitas vezes esta sensação
vem após breve espaço de tempo, sobrando apenas obrigações e deveres de
um para com o outro.
Em
nenhum sentido o quadro aqui descrito é uma coincidência e sim fruto da
ação de Polaridades no momento em que se construiu inconscientemente o
contrato.
Quando,
na terapia, um casal começa a desanuviar sua vida de relação e tomar
consciência do que se passa entre eles, acaba por descobrir a natureza
do jogo no qual ambos estão envolvidos e a compreensão assim atingida
começa a fazer a diferença. Então vemos que os sentimentos positivos
existiam, porém estavam obscurecidos e vencidos pelos conflitos.
As
pessoas encontram no relacionamento não apenas a satisfação sexual,
emocional ou material, mas buscam a possibilidade de viver um equilíbrio
e harmonia com o outro. No
entanto, isso tem uma exigência psicológica: faz-se necessário o
desenvolvimento de uma consciência de si mesmo. Sem Consciência de si
próprios não há esperança de atingir e realizar suas possibilidades e
talentos pessoais. Portanto, há salvação para aqueles que lutem e usem
suas consciências para evoluir e aprender para além do seu problema de
insegurança e controle.
Ciúme e desconfiança sob um ponto de vista psicológico
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Ciúme e desconfiança sob um ponto de vista psicológico
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Ciúme e desconfiança sob um ponto de vista psicológico
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