quarta-feira, 28 de julho de 2010

Um dia de Gugu (Parte I)

Caçando besteira na Web, sem querer caí numa página de supostas inscrições para o quadro Construindo Um Sonho, do Programa Domingo Legal. Curioso, comecei a ler os recados enviados ao Gugu, tarefa que me consumiu 4 horas, já que o número de pedidos passava de 900. A maior parte das cartas era de 2008 e 2009, quando o Gugu ainda estava no SBT.

Encontrei várias curiosidades e descobri que, às vezes, a felicidade pode ser apenas ter um quarto de princesa. Embora também sirva uma decoração de Barbie, Batman, Chiquititas, Dragonball, Homem Aranha, Pequena Sereia, Hight School Music … Depois da casa própria, é o que mais se pede ao animador.

A medida que fui lendo, qual Papai Noel, os pedidos, criei uma classificação informal para selecioná-los:

Tem os “Fúteis”, tais como: curso pra modelo mirim, book, festa de casamento, festa de aniversário, ajuda pra construir uma piscina ...

Há os “Estéticos”: cirurgia plástica, implante dentário, implante de selicone, tratamento para emagrecer, aparelho pra aumentar o pênis ...

Não podiam faltar os “Sexuais”: passar uma noite com o cantor Elymar Santos, conhecer o Luan Santana, o grupo NX Zero, o Roberto Dinamite, ficar com a Joelma da Banda Calypso (engraçado, pra dar pro Chimbinha não apareceu um) ...

E os “Sem noção”: tunar o Passat 78, reformar o Chevette, fazer inseminação artificial, passar férias na Disney … E por aí vai.

Quase todo mundo que escreve para o Programa Domingo Legal apela ao sentimento humanitário do Gugu. Alguns, menos confiantes na sensibilidade social do animador, requerem uma forcinha do Altíssimo: "Sei que vai ler esse e-mail, pois Deus quer que isso aconteça". Ou: “Deus que te abençõe, e que esse email também seje abençoado”. Já outros expõem abertamente a sua desconfiança no animador e vão logo avisando: “espero que isso seja verdade porque até hoje nunca vi ninguém ganhar nada”.

Entre os pedinchões esperançosos proliferam nomes como Máicon, Suelen, Mayame (essa eu nunca tinha visto), Kauane, Kailane, Ketlen, Jackeleny, Crislaine, Stefanny, Talitha , Rickson, Wyllerhson, Jardeilde, Kimberlly … Alguns nomes são curiosíssimos, como Felipe Apocalypse da Silva, de Bragança Paulista (SP), cujo pai deve se chamar Armagedom da Silva ou coisa que o valha. Se alguém aí tem um bebê a caminho pode dispor dessas sugestões à vontade.

Tem gente que apela pra ver se o Gugu fica curioso e vai lá. Caso da Isabela Maciel Pala, 8 anos, que avisa que na sua cidade (não diz qual) apareceu um ET há 10 anos. Pede um quarto de Cinderela, pois tem medo de dormir sozinha e “se o quarto for mágico, cheio de fadas, ajudará a pegar no sono mais fácil”. A carta, tá na cara, foi a mãe que escreveu. Olhem esse trecho e me digam se estou errado: “Minha mãe e meu pai trabalham muito para me dar o que é necessário para minha educação”. Ra ra rá … “o que é necessário para minha educação ...” Se isso é da lavra da menina de 8 anos, então o tal ET que surgiu por lá é ela própria.

A maioria fica tão excitada em escrever ao Gugu que se esquece de deixar o endereço, um telefone pra contato, um e-mail. Outros, precavidos, dão até ponto de referência e o número do orelhão mais próximo pra ter certeza de que ele vai achar a casa. Tem outros que de tão animados esquecem de fazer um pedido; parece que escreveram só pra dizer “oi” pro animador.

(Conclui amanhã)

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