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| Palocci saiu de R. Preto, mas R. Preto não saiu dele. |
O ministro Antonio Palocci tem que ir embora do governo não porque a oposição quer, ou porque o PIG (Partido da Imprensa Golpista) trata como crime as mesmas práticas que elogia na turma dos Demos/Tucanos. Palocci tem que ir embora porque seu projeto não é o mesmo do Governo da Dilma, do presidente Lula, do PT. O ministro poderia ter investido o dinheiro que ganhou fazendo lobby quando era deputado na compra de uma usina de etanol; podia ter se associado a uma indústria qualquer; poderia ter comprado uma fazenda para criar gado, produzir arroz ... Podia ter financiado pesquisas científicas para explorar patentes; podia ter se associado a outros médicos e montado um hospítal, uma clínica. Podia ter investido o seu dinheiro no processo produtivo, na geração de renda, na criação de riqueza e conhecimento, na criação de empregos. Mas não, ele preferiu comprar um apartamento luxuoso de R$ 6,6 milhões nos Jardins paulistanos para endentrar ao "mundo de Caras" e casar os filhos com socialites (como fez Mercadante). Portanto, Palocci quer apenas enriquecer, enquanto a Dilma quer erradicar a miséria. É óbvio que os objetivos são incompatíveis, daí porque os dias do ministro-chefe da Casa Civil estão contados. Ele não vai sair porque o PIG quer, ou porque a oposição quer. Vai sair porque seu projeto de vida confronta com o projeto de País do governo da presidente Dilma Roussef. E isso não é pouca coisa.

No ambiente de negócios em que o Brasil trafega não dá para qualificar a conduta de Palocci como "aética", até porque isto justifica os setores que o defendem sob o argumento de que "todo mundo faz igual". O problema do Palocci, na minha opinião (frise-se), é o choque que há entre as suas atitudes na vida privada e o projeto do PT para o País. Não tenha dúvidas de que se o Lula um dia resolver se mudar para uma Alphaville da vida, começar a casar os filhos com socialites, se mostrar um deslumbrado com o poder econômico será imediatamente abandonado pela militância e terá que reescrever a sua biografia. A realidade é que o mundo da política é farto em "Paloccis" e raro em "Luizas Erundinas", e se o ministro-chefe da Casa Civil tem o direito de ganhar o dinheiro que puder ganhar como consultor de empresas que pagam alto por informações privilegiadas, tem também que aceitar que não fará parte do seleto grupo de pessoas empenhadas na causa pública. Foi o que aconteceu com Dirceu, com Greenhaldt, com a maioria dos advogados trabalhistas que enriqueceram com as causas sindicais nos anos 80, entre tantos outros.
ResponderExcluirocci não tem mais (se é que já teve) a sensibilidade para as grandes causas do Brasil. O problema todo consiste na Dilma perceber isto ou ser levada pelos acontecimentos.