sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O Governo da presidente Dilma está precisando de um “mensalão”


Zé Ribeiro Jr, para o The Vila Biscaia Post
Expressando o senso comum, me pergunto se não teria sido para uma situação como a atual que o governo injetou tanto dinheiro subsidiado na indústria do Etanol? Se o litro do Etanol estivesse em torno de R$ 1,40 / R$ 1,50 (que é o máximo que vale, com impostos e margem dos revendedores já incluídos), a Petrobras poderia corrigir o preço da gasolina com a paridade do dólar, já que se trata de uma commoditie, sem nenhum efeito psicológico sobre os preços em geral. Se o alto subsídio dado aos usineiros do álcool de cana não teve finalidade estratégica para o país, então qual foi a finalidade? Tornar os usineiros paulistas ainda mais milionários para que banquem as campanhas de políticos do DEMO/PSDB, como sempre fizeram?

A alta dos combustíveis têm efeito psicológico fortíssimo na população, e o setor de combustíveis tem atuação semelhante à de quadrilha organizada (senso comum, insisto). Donos de postos contam abertamente aos consumidores que certos governos de estados, em épocas de campanha, principalmente, liberam a fiscalização para que as fraudes fiscais ocorram de enxurrada. Quem resiste, quebra. O setor atua com preços visivelmente combinados. As fraudes na quantidade e na qualidade do combustível vendido ao consumidor, após o festival costumeiro da mídia de espetáculo, ficam por isso mesmo. O nível rasteiro dos picaretas que atuam nesse setor se revela no "marketing" de fundo de quintal de seus preços expressos em três casas depois da vírgula (R$ 2,999). Promotores públicos, delegados, juízes temem essa gente, capaz de assassinar autoridades que os ameaçam em plena luz do dia, como ocorreu no centro de Belo Horizonte há poucos anos. Não estaria na hora do governo botar ordem nesse setor? E por que não se pode e deve tabelar os preços dos combustíveis, já que o próprio setor provou que o argumento da competição livre não produziu preços competitivos?

Governos ingênuos ou pusilânimes são piores do que governos corruptos, porque desmoralizam a honradez e abrem espaço para o retorno triunfal dos corruptos de resultados (lembrando que o probo mas incompetente prefeito Saturnino Braga entrou para a história do Rio de Janeiro como aquele que desmoralizou a honestidade).

Outra coisa que o senso comum não engole: quem de fato está colocando no bolso os ganhos da redução da taxa Selic (parte é o governo, mas o governo somos todos) e dos juros bancários para operações de capital de giro e financiamento de médio e longo prazos? A indústria, o comércio, os serviços estão se apropriando desse valor, sem o mínimo repasse aos preços finais. E agora vão aumentar esses ganhos, sem nenhum retorno aos pagadores de impostos (pessoas jurídicas são meramente repassadoras de impostos cobrados dos consumidores), com a redução da energia elétrica.

Parece que o governo da presidente Dilma Rousseff está precisando sofrer uma chacoalhada, como ocorreu com o governo Lula em 2004/2005, para despertar e agir. Não fosse o "mensalão" ter tirado o governo Lula da sua zona de conforto e talvez o "nuncadantes" tivesse repetido o "fracasso medíocre" que foi a segunda administração de FHC. Dilma tem que decidir entre os que querem mudar o país (sem jogar a criança fora com a água do banho) e aqueles que apenas querem mudar de classe social.

Em resumo, isso tudo é senso comum, apenas. Mas não dá pra esquecer que foi o senso comum de Lula que fez do tsunami uma marolinha em 2008.

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