O ministro Augusto Nardes, do TCU, que pretende a
reprovação das contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff porque a Caixa
Econômica adiantou valores ao Tesouro para pagamento do Bolsa Família e do Seguro
Desemprego, foi citado na Operação Lava Jato como receptor de propina da empreiteira
Camargo Corrêa.
É com essa moral que o funcionário do TCU se juntou a Aécio Neves –
também acusado
pela operação Lava Jato de receber propina de US$ 150 mil mensais de uma
empresa fornecedora da estatal Furnas, durante o Governo de Fernando Henrique
Cardoso –
para atacar a presidente da República.
O adiantamento de recursos feito pela Caixa é apelidado “pedaladas
fiscais” e já foi praticado no passado – sem sofrer qualquer reparo do TCU –
pelos ex-presidentes FHC, Lula e a própria Dilma Rousseff. Augusto Nardes, com a mesma desfaçatez com que
se mantém no TCU mesmo acusado de receber propina fruto de dinheiro roubado da
Petrobras, alega que no governo de FHC a prática ocorria, mas o TCU não havia
conseguido detectá-la.
Ele próprio já havia admitido anteriormente que o governo
FHC praticara as mesmas “pedaladas”, só que em volume menor do que as do
governo atual. Agora jura que viu o “crocodilo”, sim, mas pensou que era uma "bolsa
Louis Vuitton". Pelo que se vê, a concepção que o ministro
Augusto Nardes faz de ilegalidade depende da dimensão da prática ou do olhar de
conveniência.
Em resumo, é praticamente impossível se construir um país
moderno com essa matéria-prima de homens públicos de quinta categoria.
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