terça-feira, 14 de julho de 2015

Para entender as "pedaladas fiscais"

O ministro Augusto Nardes, do TCU, que pretende a reprovação das contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff porque a Caixa Econômica adiantou valores ao Tesouro para pagamento do Bolsa Família e do Seguro Desemprego, foi citado na Operação Lava Jato como receptor de propina da empreiteira Camargo Corrêa.

É com essa moral que o funcionário do TCU se juntou a Aécio Neves – também acusado pela operação Lava Jato de receber propina de US$ 150 mil mensais de uma empresa fornecedora da estatal Furnas, durante o Governo de Fernando Henrique Cardoso – para atacar a presidente da República.

O adiantamento de recursos feito pela Caixa é apelidado “pedaladas fiscais” e já foi praticado no passado – sem sofrer qualquer reparo do TCU – pelos ex-presidentes FHC, Lula e a própria Dilma Rousseff.  Augusto Nardes, com a mesma desfaçatez com que se mantém no TCU mesmo acusado de receber propina fruto de dinheiro roubado da Petrobras, alega que no governo de FHC a prática ocorria, mas o TCU não havia conseguido detectá-la.

Ele próprio já havia admitido anteriormente que o governo FHC praticara as mesmas “pedaladas”, só que em volume menor do que as do governo atual. Agora jura que viu o “crocodilo”, sim, mas pensou que era uma "bolsa Louis Vuitton". Pelo que se vê, a concepção que o ministro Augusto Nardes faz de ilegalidade depende da dimensão da prática ou do olhar de conveniência.

Em resumo, é praticamente impossível se construir um país moderno com essa matéria-prima de homens públicos de quinta categoria.

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