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sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

Carlos de Carvalho Colla, o CCC do Bem

Pois não é que zapeando pelo youtube nessa tarde de sexta-feira de um bom calor me deparo com um vídeo da TV Brasil com o Carlos Colla. Já ouvi falar desse nome, mas na hora não ligo os pontos. Mas eis que uma sinopsezinha me diz que ele é autor de sucessos de Roberto Carlos, Legião Urbana etc. Opa, Legião me interessa, então vamos lá.

O vídeo começa com canções do RC. Conheço todas: Falando sério (Eu não queria ter você por um programa / E apenas ser mais um na sua cama ...) Se alguém não conhece, é uma versão sapatênis de Eu vou tirar você desse lugar. Depois veio Sonho lindo (Foi por medo de perder que eu perdi você...) E Passatempo (Passa o tempo, só não passa essa saudade / você quis brincar de amor mas eu te amei ...) Mais um bobo.

Carlos Colla também é autor de algumas daquelas mais tocadas na zona (não que eu frequente) como a "Pra que saber meu nome" (uma forma poética de dizer "não espere que eu vá te ligar amanhã"). Outros sucessos do Colla entre os frequentadores das casas de luzinha vermelha na fachada são a brega Bijouteria (E no brilho de uma pedra falsa / dei amor a quem não merecia / eu pensei que era uma jóia rara / Era bijouteria), a melodramática Pede a ela (Pede a ela pra ligar pra mim / a saudade tá batendo, tá ruim) e a antesala do sexo selvagem Além da cama (É o lado mais puro, mais angelical / É o cheiro, é a pele, é o lado animal ...)

Deixando esse lado mezzo corno/mezzo tarado pra lá, o tal Colla emplacou outros grandes sucessos que duvido que alguém do milhões que me leem não se recorde: Bye, Bye tristeza (não vou sugerir os versos pra que essa canção-ciclete não venha colar de novo na minha ideia), Estou apaixonado (versão de um hit mexicano gravado creio que pela dupla João Paulo e Daniel), Solidão (A solidão é nada, você vem na hora errada, em que eu não te quero aqui...) e o sambinha Verdade chinesa (Mas o que é vida, afinal / será que é fazer o que o Mestre mandou / é comer o pão que o diabo amassou / perdendo da vida o que tem de melhor?)

Essa é apenas uma pequena amostra da obra do cara que compôs mais de 2 mil canções e teve parceiros como Maurício Duboc, Michael Sullivan, Marcos Valle, Ed Wilson, Lincoln Olivetti, Peninha, o próprio Roberto Carlos e outros nomes de que nunca ouvi falar, mas que também devem ter uma conta bancária de dez dígitos.

Assisti o vídeo integralmente (e recomendo a vocês; cerca de uma hora de boa música) e resolvi buscar mais informações sobre o tal Carlos Colla. De cara fiquei sabendo pelo Google que ele tem um Carvalho no nome, o que faz dele um CCC do Bem - os que sofreram a ditadura militar de 1964 sabem a que me refiro. Mas em seguida veio a má notícia: o Carlos Colla morreu faz uma semana, aos 78 anos, no dia 13 de janeiro de 2023, em decorrência de dois aneurismas da aorta abdominal. Logo agora que virei fã do cara ele me inventa de morrer? E essa situação me remete ao amigo professor Aroldo Murá, também ele recém-falecido e que, numa segunda-feira de fúria no Jornal Indústria & Comércio desabafava com a mulher do Odone Fortes: "Dona Irene, isso daqui é uma bagunça, é um que me falta, outro que me morre ..."

Então eu me conformo e aceito que assim é a vida: este janeiro está uma bagunça, já dois me faltam, já dois me morrem.

Posto aqui o vídeo do Carlos Colla na TV Brasil para quem quiser assistir.