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domingo, 22 de janeiro de 2023

O cego das ideias não atentou para a advertência bíblica

José Ribeiro Jr, do The Villa Biscaia Post

O "colonista" da Gazeta do Povo, vulgo Gazeta do Gado, Rodrigo Constantino me faz lembrar um dizer bíblico: "se um cego conduzir um cego, ambos cairão no mesmo buraco". Isto me vem a propósito da reação do jornal bolsonarista à afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que "o empresário não ganha muito dinheiro porque ele trabalhou, ele ganha muito dinheiro porque os trabalhadores dele trabalharam”. Percebam: Lula não disse que os empresários não trabalham, mas sim que o dinheiro não é ganho pelo trabalho exclusivo do empresário, mas do coletivo empresário e trabalhador. E que, por isso, o resultado desse trabalho (riqueza) tem que ser melhor distribuído. Mas o cego das ideias Rodrigo Constantino, com os olhos fechados pelo mal da extrema direita obtusa, conduziu o seu rebanho para o buraco da ignorância com o discurso puído do Marxismo (que nem ele, tampouco as tias do zap que o têm por líder estudaram). E são muitas dessas tias do zap cativas do cego das ideais - gente que faz sanduíche para vender, serve refeições, recupera pneus usados, faz entrega de fast food, lava cabelos e faz maquiagem, tosa e dá banho em cachorrinhos, entre outras atividades - que se autointitulam "empresário" e julgam que adentraram o mundo de Beto Sicupira, Marcel Telles e JP Lemann. A Gazeta do Gado certamente faria melhor se ensinasse a esses "empresários" que, antes de qualquer outra designação, eles são TRABALHADORES. E como tais, trabalham muito, tanto ou até mais do que seus empregados. Acordam de madrugada para preparar o dia, comprar os ingredientes e insumos essenciais à atividade, põem a mão na massa e, no final do dia, fecham as contas. Uma rotina muito diversa daquela do trio da 3G que quebrou recentemente o Grupo Americanas (fraude de R$ 40 bilhões, segundo o Valor Econômico), mas fundamentalmente semelhante a dos milhões de Zés, Marias, Anas, Zecas, Lulas, Pedros, Paulos, Terezas, Maras que igualmente acordam de madrugada, pegam ônibus, metrôs, trens, bicicletas, motocicletas para também pegar no pesado e fazer a economia do Brasil avançar. E que, portanto, têm que ter uma parte maior na divisão dos ganhos. Se a Gazeta do Gado e o cego das ideias Rodrigo Constantino soubessem que essa noção é fundamentalmente CAPITALISTA (*como já o sabia Henry Ford, há mais de um século) certamente guiariam o seu rebanho para bem longe de qualquer buraco.

*Exatamente no dia 5 de janeiro de 1914, Henry Ford decidiu introduzir o salário de 5 dólares por dia na sua fábrica de Detroit. O valor era mais que o dobro do salário vigente na época. Além disso, o fundador da Ford Motor Company também reduziu a carga de trabalho de 9 para 8 horas diárias e ainda ofereceu aos funcionários participação nos lucros da empresa e garantiu que nenhum trabalhador seria demitido, exceto por infidelidade ou ineficiência comprovadas.