segunda-feira, 30 de junho de 2025
Se preparem para conhecer Seu Pereira e Coletivo 401
domingo, 12 de fevereiro de 2023
Boas canções que quase ninguém conhece - Ypê
Voltamos a Belchior. "Ypê", gravada em 1978, é simples e profunda a um só tempo. O poeta e cantor cearense devia estar influenciado pela filosofia Zen Budista, que ele mescla com um toque de Cristianismo, expresso nas palavras de Jesus no Sermão das Montanhas quando propôs "Olhai os lírios do campo ..." Bem jovem, Belchior viveu uma experiência como frade capuchinho, no Mosteiro de Guaramiranga/CE. Isso foi antes, bem antes de ele conhecer as delícias femininas, que devem tê-lo feito repetir Santo Agostinho ao se deparar com uma mulher deslumbrante: "Senhor, faz-me casto..., mas não agora".
Pesquisando sobre a canção cheguei a um texto do jornalista Jotabê Medeiros, que relata o seguinte: os ipês que inspiraram o cantor ficam no bairro Brooklin Velho, em São Paulo, no comecinho da rua João Álvares Soares, quase esquina com a Tomé Portes. Foram plantados ali pelo sogro de Belchior, e estão floridos, como garante Jotabê.
Vamos a Belchior e sua bela composição Ypê (a propósito, foi essa a canção escolhida por Zeca Baleiro para chorar a morte do artista, em 30 de abril de 2017).
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023
"Boas canções que quase ninguém conhece" - Princesa do Meu Lugar
Outra poesia do mestre Belchior, na voz e interpretação de Daíra. A moça superou até a Elba Ramalho, que também fez uma boa interpretação de Princesa do Meu Lugar. Fluminense de Niterói, nascida em 1989, Daíra é talvez a melhor intérprete da obra do cantor, poeta e compositor cearense que morreu em 30 de abril de 2017.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2023
"Boas canções que quase ninguém conhece" - Passeio
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| Marco Mazzolla e Belchior, 1976 |
Belchior, como outros artistas nordestinos que vieram para o Sul trazer a sua arte também se encantou pela metrópole paulistana e, como vários deles, se declarou à Cidade. A sua "Passeio" não faz frente à Sampa, de Caetano, mas tampouco faz feio. E dá até para imaginar o cantor sobralense tirando um cochilo no meio da tarde no Parque Trianon, no coração da Avenida Paulista, sonhando conquistar o Brasil, como de fato fez. A canção é do LP Mote e Glosa, de 1974, que não aconteceu. Dois anos mais tarde, em 1976, Belchior seria descoberto pelo produtor musical Marco Mazzola e dispararia para o sucesso nacional com o LP Alucinação. De repente, o Brasil inteiro cantava "eu sou apenas um rapaz / latino-americano / sem dinheiro no banco / sem parentes importantes / e vindo do interior ..." Finalmente Belchior alcançava o que pretendia, e o seu canto torto / feito faca / cortaria (para sempre) a carne de todos nós.
