O filósofo Leandro Karnal confessou ao entrevistador Antonio Tabet (Canal Alt Tabet, UOL) que, no período do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, como havia a possibilidade de que o impedimento alcançasse a chapa e não apenas a titular, ou seja, cairia também o vice Michel Temer, ele foi consultado por "altas autoridades da República" se aceitaria ser uma espécie de "presidente tampão".
Essa consulta visava supostamente alguém não associado ao Governo ou à Oposição, que assumiria o comando do País temporariamente para convocar novas eleições, conforme era a interpretação constitucional feita por alguns. O filósofo disse não ter aceitado por não ter vocação para ser o Papa Celestino V, que assumiu o Papado no Século XIII em uma situação semelhante de embates entre duas facções, e acabou preso e morreu na prisão.
Karnal não citou nomes, mas é possível suspeitar de alguns personagens que têm (ou tinham) proximidade suficiente com o filósofo para tentar a abordagem, como os ministros Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, ambos do STF. Há quem mencione até um personagem menor, o ex-juiz lavajateiro e atual senador Sérgio Moro, bastante ligado ao também senador Flávio Arns.
O que parece certo é que era alguém ligado aos políticos tucanos, que contavam com a proteção do então juiz da Lava Jato para tentar voltar ao poder e aos negócios e para isto precisavam contar com um personagem de alta popularidade e vaidoso e ingênuo o suficiente para se deixar manobrar. Se assim tiver sido, isto encaixa perfeitamente com a resposta que Karnal afirma ter dado: "Não me chamem para tapar um incêndio que vocês querem manipular que eu seja o bombeiro. Não me chamem para isso".