sexta-feira, 22 de julho de 2011

Seleção Google - 113 anos de nascimento de Alexander Carder


Filho de escultora e pintor, nascido nos Estados Unidos da América, Alexander Calder quando criança fazia seus próprios brinquedos. Formou-se em engenharia e antes de se dedicar à escultura foi pintor e ilustrador.
Em 1926 , após visitar a Grã-Bretanha, fixou-se em Paris, onde conheceu surrealistas, dadaístas e os componentes do grupo De Stijl. Data dessa época sua amizade com Joan Miró. Construiu um circo em miniatura, com animais de madeira e arame. Os seus “espetáculos” eram assistidos por artistas e intelectuais. Fez, também em arame, as suas primeiras esculturas: Josephine Baker (1926), Romulu and Remus (1928), Spring (1929).
De 1931 datam as suas primeiras construções abstratas, nitidamente influenciadas por Mondrian. Os primeiros móbiles são de 1932.
Em 1933 Calder voltou aos Estados Unidos. Em 1948 viajou à América do Sul e novamente em 1959. Nessa última ocasião, visitou o Brasil, onde expôs no Museu de Arte de São Paulo. Em 1950 foi à Escandinávia.
Calder ocupa lugar especial entre os escultores modernos. Criador dos stabiles, sólidas esculturas fixas, e dos móbiles, placas e discos metálicos unidos entre si por fios que se agitam tocados pelo vento, assumindo as formas mais imprevistas – a sua arte, no dizer de Marcel Duchamp, “é a sublimação de uma árvore ao vento”.
Calder foi o primeiro a explorar o movimento na escultura e um dos poucos artistas a criar uma nova forma – o mobile. Nos últimos anos mantinha um estúdio em Saché, perto de Tours e embora vivesse aí a maior parte do tempo, conservou sua fazenda de Roxbury, Connecticut, comprada em 1933, e que se tornara um verdadeiro repositório de trabalhos e objetos feitos por ele – desde os andirons espiralados da lareira rústica até às bandejas feitas com latas de azeite italiano.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

189ª Aniversário de nascimento de Gregor Mendel, pai da Genética

Seleção Google - 189ª Aniversário de Gregor Mendel
Introdução

Gregor Mendel nasceu em 20 de julho de 1822, num pequeno povoado chamado Heinzendorf, na atual Áustria. Ele foi batizado com o nome de Johann Mendel, mudando o nome para Gregor após ingressar para a ordem religiosa dos agostinianos. Foi ordenado sacerdote no ano de 1847.

Biografia e estudos científicos

Entre os anos de 1851 e 1853 estuda História Natural na Universidade de Viena. Neste curso, adquiri muitos conhecimentos que seriam de extrema importância para o desenvolvimento de suas teorias (leis).

Aproveitou também os conhecimentos adquiridos do pai, que era jardineiro, para começar a fazer pesquisas com árvores frutíferas. Em 1856 já fazia pesquisas com ervilhas, nos jardins do monastério.

Sua teoria principal era a de que as características das plantas (cores, por exemplo) deviam-se a elementos hereditários (atualmente conhecidos como genes). Como passava grande parte do tempo dedicando-se às atividades administrativas do monastério, foi deixando de lado suas pesquisas relacionadas ao estudo da hereditariedade.

Morreu em 6 de janeiro de 1884 sem que tivesse, em vida, seus estudos reconhecidos. Somente no começo do século XX que alguns pesquisadores puderam verificar a importância das descobertas de Mendel para o mundo da genética.

As Leis de Mendel

Primeira Lei: também conhecida com Lei da Segregação, explica que na fase de formação dos gametas, os pares de fatores se segregam.

Segunda Lei: também conhecida como lei da Uniformidade, afirma que as características de um indivíduo não são determinadas pela combinação dos genes dos pais, mas sim pela característica dominante de um dos progenitores (característica dominante).

Segunda Lei: também conhecida como Lei da Recombinação dos Genes, explica que cada uma das características puras de cada de cada variedade (cor, rugosidade da pele, etc) se transmitem para uma segunda geração de maneira independente entre si.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Santayana e o desalento de Dilma. Sanear o Estado !


Lucio Flavio: Governo é governo, empresa é empresa
O Conversa Afiada reproduz artigo de Mauro Santayana, publicado no JB online: 
O desalento da presidente

Mauro Santayana

Ao falar, ontem, a emissoras do Paraná, a Presidente Dilma Roussef foi sincera e humana: há muitas coisas no governo que a entristecem. Pode estar certa a chefe de Estado que os brasileiros em sua  imensa maioria comungam do mesmo desalento. Os cidadãos entendem que o ato de governar é difícil, e que reclama habilidade e paciência, mas não  aceitam -  salvo  os interessados na instabilidade política – as pressões que se fazem à presidente. Depois de ouvir um correligionário irado, que se queixava  do tratamento privilegiado a um aliado do governo, Juscelino gastou meia hora tranqüilizando-o. Quando o reclamante saiu, desabafou-se com seu chefe da Casa Civil, Vítor Nunes Leal:
- Aqui, na Presidência, suporto insolência que não agüentaria, se fosse simples prefeito de Diamantina.
Ele não foi prefeito de Diamantina, mas, os que o conheceram prefeito de Belo Horizonte e governador de Minas,  se lembram de que ele era rigoroso  com seus subordinados, e sabia cobrar as tarefas com energia.
Podemos entender as dificuldades da presidente e não podemos negar-lhe solidariedade e apoio. Não lhe serve de consolo, mas de estímulo, saber que os governantes dos principais países do mundo não se sentem tampouco em plena felicidade nestes últimos meses e anos. Estamos em um daqueles momentos históricos em que a ruptura se anuncia, mas pede líderes sensatos, capazes de criar instrumentos políticos hábeis para vencer a conjuntura perigosa.

Não é seguro que a História se repita, embora os seus movimentos de impaciência sempre se pareçam. O grande fermento das mudanças é a informação, que amplia o entendimento dos homens e suscita idéias novas, nas artes, na filosofia e na política. Isso explica que o Renascimento tenha sido contemporâneo da imprensa, e o Iluminismo, sua continuidade, haja trazido  ebulição intelectual que não só deflagraria a Revolução Francesa, mas também estabeleceria os fundamentos científicos da tecnologia contemporânea.

A química de Lavoisier abriu a imensa perspectiva da produção de sucedâneos das matérias naturais e sem ela seria impensável a nanotecnologia, entre outras conquistas da ciência de hoje. Mas o excepcional cientista deixou-se seduzir pela corrupção, ao participar de uma empresa concessionária da cobrança de impostos, que lesou as finanças revolucionárias, e foi guilhotinado. Não são raros os casos de corrupção de homens geniais.

O que está ocorrendo em algumas áreas do governo felizmente não chega a anunciar horas tão trágicas como as vividas na França de há 220 anos – mas incomoda principalmente os  que têm muito a elogiar na política econômica e social dos últimos oito anos e seis meses. Não se pode perder uma experiência que reduziu drasticamente a desigualdade e promoveu o desenvolvimento do país, de forma tão marcante, em conseqüência dessa promiscuidade entre setores do governo e do parlamento com empreendedores privados.

Um dos mais audaciosos criminosos dos anos 70, o assaltante Lúcio Flávio, ficou famoso por uma sentença óbvia, ao explicar por que não se envolvia com policiais: polícia é polícia, bandido é bandido. A máxima – reduzida a crueza de sua origem e circunstância – pode ser ampliada: governo é governo, empresas privadas são empresas privadas. A realidade – aqui e em todos os países ocidentais, registre-se – mostra que já não há fronteiras nítidas entre a administração pública e os grandes negócios. Os pequenos empresários se candidatam ao poder municipal, e começam a crescer fazendo negócios com a prefeitura. Em seguida se elegem para os parlamentos estaduais e para o Congresso – onde ampliam sua participação nos recursos públicos:   mediante suas próprias empresas, ou se associando a grupos nacionais e internacionais. Em alguns casos, preferem ser apenas intermediários. São lobistas privilegiados, com acesso a todos os níveis de poder.

Estamos chegando aos limites da paciência dos povos. Nos Estados Unidos, Obama não consegue taxar os ricos em favor dos pobres, porque a maioria dos congressistas representa ali os grandes interesses financeiros e industriais, entre eles os dos fabricantes de armas. Na Europa, para salvar o dinheiro dos grandes bancos, os estados nacionais estão indo à falência. A razão é simples: são os ricos que financiam as eleições e a eles os governos prestam obediência.

É interessante relembrar que, na França de 1789, o povo foi às ruas e derrubou a Bastilha em favor de um banqueiro que, na administração das finanças nacionais, corroídas pela ladroagem dos nobres, defendia reformas moralizadoras. Necker teve a lucidez que falta aos banqueiros de hoje – e, por isso mesmo, não perdeu a cabeça naquelas jornadas sangrentas.

A presidente está diante de  arriscada oportunidade: a de iniciar o processo de saneamento da administração do Estado. Os observadores sensatos contam com sua paciência diante da protérvia e sua firmeza estratégica. É certo que enfrentará inimigos poderosos, internos e externos, mas, se assim agir, a maioria do povo brasileiro estará ao seu lado, como esteve nas eleições do ano passado.

O Brasil de Lula da Silva

Da BBC Brasil
Crescimento econômico estimula doméstica a mudar de emprego
Júlia Dias Carneiro
Da BBC Brasil no Rio de Janeiro


A ex-doméstica carioca Leila Ramos Barbosa, investiu nos estudos e atualmente é técnica de enfermagem.
 O crescimento econômico brasileiro vem estimulando a migração de empregadas domésticas para outros setores da economia, como empresas de telemarketing, supermercados ou clínicas hospitalares.

Nas seis principais metrópoles do país, onde mais de 1,6 milhão desempenham serviços domésticos, a tendência tem sido de queda consecutiva no número de empregados no setor desde setembro, aponta o economista Rodrigo Leandro de Moura, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) com a possível migração para outros setores. Nos últimos 12 meses, após alguns anos de sobe-desce, as estatísticas mostram que a categoria perdeu 81 mil pessoas, a maioria em empregos sem carteira assinada
“Ao longo da última década, houve um encolhimento do setor informal da economia, e acredito que as domésticas também estejam seguindo este caminho. É provável que outros setores estejam ‘roubando’ essas trabalhadoras, que estão procurando emprego com carteira assinada”, analisa.

Língua de Trapo e a antevisão de Lula da Silva

Xote Bandeiroso

Língua de Trapo

Composição: Laert Sarrumor
Ai! Meu Deus!
Essa máquina aperreia
(que aperriação)
Passo o tempo
trabalhando,
em completa agonia
Em total escravidão
Mas eu já nem penso mais
em voltar pro meu sertão
(nhanhanhão,
em voltar pro meu sertão)
Quando eu vim
lá do Nordeste,
eu era cabra da peste
Patola e folgazão
Trabalhando noite e dia,
nem sabia que existia
O índice da produção
Os ome lá da indústria,
era cheio de astúcia
e de muita ilustração
O patrão apoquentava
e quanto mais eu trabalhava
Menos eu tinha razão
Eles vinha e dizia:
Severino, seu destino
é ser orgulho da Nação
Se mostrar para o Brasil,
inté na televisão
Hora extra, mais apreço,
tudo isso a baixo preço,
era a competição
E entonce eu fui eleito
o Operário Padrão
(nhanhanhão,
o Operário Padrão)
Ai! Meu Deus!
O mundo dá tantas volta
(velho mundão)
Na conversa com os amigo,
eu fui vendo os perigo
Recebendo informação
E hoje eu nem
quero lembrar
dos tempo de servidão
(nhanhanhão,
dos tempos de servidão)
Minha vida de pelego
se mudou c'o desemprego
c'os tempos de recessão
A fome foi apertando
e em cada emprego que arrumava
mudei minha posição
Da imprensa
perdi o medo,
na prensa perdi o dedo,
fui ganhando instrução
Sempre bom cabra-da-peste,
botei medo na Fiesp
firme na negociação
Eles ainda me dizem:
Severino
bom menino, deixa de
subversão
Tu acaba na cadeia,
teu lugar é no formão
Mas eu tenho confiança
que esse Brasil-criança um
dia vai ver
Cada um se eleger
o Operário Patrão
(nhanhanhão,
o Operário Patrão)
O Operário Patrão

terça-feira, 12 de julho de 2011

Saiba explorar os recursos do Google

Seleção Google - 450º aniversário da Catedral de São Basílio

Começam nesta terça-feira, 12, as comemorações dos 450 anos de fundação da Catedral de São Basílio, templo monumental na Praça Vermelha, de Moscou, dedicada à Intercessão – a mediação que os santos fazem em benefício dos fiéis. Devido a essa característica da Catedral, as comemorações vão se estender por três meses, até 14 de outubro, quando a Igreja Ortodoxa Russa comemora o Dia da Intercessão
[Deve-se observar que a fundação da Catedral de São Basílio, comemorada em 12 de julho na Rússia, é também considerada, pela diferença histórica dos calendários, como tendo ocorrido em 29 de junho, e nessa data foi também noticiada aqui no site Diário da Rússia.]


Construída por ordem de Ivã o Terrível, a Catedral de São Basílio, na Praça Vermelha, é um símbolo da Moscou fantástica e monumental
A Catedral de São Basílio, que até hoje se ergue majestosa na Praça Vermelha, em Moscou, foi construída por ordem de Ivã o Terrível, em homenagem à conquista russa de Kazan e Astracã. Segundo reza a lenda, o Czar Ivã gostou tanto do templo que mandou cegar o seu arquiteto, Postnik Yakovlev, para que ele não tivesse condições de construir uma obra parecida em outra cidade. A Catedral de São Basílio é desde 1990 parte do conjunto do Kremlin e da Praça Vermelha, Patrimônio Mundial da UNESCO, o órgão das Nações Unidas voltado para a Educação, Ciência e Cultura. O edifício original – a Igreja da Trindade e, depois, Catedral da Trindade – era circundado por outros oito templos, um deles erguido sobre o túmulo de São Basílio.

Desde 1928, a Catedral também funciona como filial do Museu Histórico do Estado. Recentemente, foram concluídas as obras de reforma da Catedral, que demoraram 10 anos e consumiram 390 milhões de rublos, cerca de 22 milhões de reais.

(Fonte: Diário da Rússia)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Da série "Leitura essencial"

Ricos pagam pouco

Vladimir Safatle, professor do Departamento de Filosofia da USP


(Publicado originalmente na Folha de S. Paulo, 28/6/2011)

Há alguns dias, uma pesquisa veio mostrar o que todos aqueles que realmente se preocupam com reforma tributária no Brasil sabem: os ricos pagam pouco imposto.
Quem recebe R$ 3.300 por mês, leva para casa, descontados Imposto de Renda e Previdência, 84% do seu salário. Já alguém que ganha R$ 26.600 por mês, leva 74%.
Um profissional holandês, por exemplo, pode contar apenas com 55% de seu salário, e mesmo um norte-americano traz para casa menos que um brasileiro: 70%.
Ao mesmo tempo em que descobríamos a vida tranquila dos ricos brasileiros, chega a notícia de que a quantidade de milionários no Brasil aumentou 5,9% em 2010, atingindo a marca de 115,4 mil pessoas com fortuna de, ao menos, US$ 1 milhão.
O que não deveria nos surpreender. Afinal, vivemos em um país onde o processo de concentração de renda está tão institucionalizado que as classes mais abastadas têm um sistema de defesa de seus rendimentos sem par em outros países industrializados.
Dentro de alguns anos, a chamada nova classe média descobrirá que não conseguirá mais continuar sua ascensão social. Entre outras coisas, ela tomará consciência de como seu orçamento é brutalmente corroído por despesas com educação e saúde.
Um Estado preocupado com seu povo taxaria os ricos e as grandes fortunas a fim de ter dinheiro suficiente para criar um verdadeiro sistema público de educação e saúde.
Por que não criar, por exemplo, um imposto sobre grandes fortunas vinculado exclusivamente à educação? Isto permitiria que essa nova classe média continuasse sua ascensão social.
Tal ascensão seria ainda mais facilitada se a carga tributária brasileira parasse de privilegiar o consumo, e focasse a renda. Uma carga focada no consumo, ou seja, embutida em produtos, é mais sentida por quem ganha menos.
Há pouco, um estudo mostrou como o 0,1% mais bem pago no Reino Unido recebia, em 1979, 1,3% dos salários.
Hoje, recebe 5% e, em 2030, deve receber 14%.
Costuma-se dizer que uma das maiores astúcias do Diabo é nos convencer de que ele não existe. Uma das maiores astúcias do discurso conservador é nos convencer, diante de dados dessa natureza, de que conflito de classe é um delírio de esquerdista centenário.
Mesmo que vejamos um processo brutal de concentração de renda institucionalizado e intocado por qualquer partido que esteja no poder, mesmo que vejamos a tendência de espoliação dos recursos de países industrializados por camadas mais ricas da população, tudo deve ser um complô dos incompetentes contra aqueles que bravamente venceram na vida graças apenas a seu entusiasmo e capacidade visionária, não é mesmo?

VLADIMIR SAFATLE escreve às terças-feiras nesta coluna.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Os mano pede, as mina dá. Depois vão no Ratinho pra pedir DNA...

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FHC foi ao Programa do Ratinho pedir DNA alegando que suspeitava não ser o pai do filho da jornalista Mirian Dutra (recordando: em 1991 FHC teve um affair com a jornalista da Globo e nasceu um rebento. Para proteger FHC, a Globo mandou a Mirian para a Espanha e a manteve lá (e na França) até hoje. FHC, por seu turno, segundo se suspeita, pagava pensão e comprava tudo que o garoto precisava com o cartão corporativo da Presidência da República. Em 2009, com somente 18 anos de atraso, FHC reconheceu oficialmente o filho. Aí, então, a mídia chapa branca contou a história, que toda a imprensa já conhecia havia quase duas décadas). Agora, junho de 2011, FHC recebeu o resultado do DNA, que dizia: você não é o pai! O assunto caiu na mídia e o povo bem-humorado está comentando nos blogs. Segue uma seleção dos comentários mais inspirados:

“É nisso que dá ficar fumando maconha. Depois não lembra direito com quem transou.”

“FHC e essa mania de assumir a paternidade do que não fez: primeiro o Plano Real, agora esse menino. Onde isso vai parar minha gente!!!!”

 “Como bom tucano que é, terceirizou até a amante.”

 “Eu sabia que chupim bota ovo pra tico-tico cuidar, mas… tucano é a primeira vez.”

“Se tudo que o FHC diz que fez, acabou sendo feito pelo Lula…., nessa hora Dna Marisa deve estar com a pulga atrás da orelha…”

"Se o Plano Real é do Itamar, o Genérico é do Jamil Haddad, o Bolsa Família é do Lula e o Filho é do Boto, o que é que é do FHC então?"

“Olha, quem mais deve estar rindo até agora disso tudo é o menino. De felicidade….escapou de ter um pai como o FHC.”

“Agora só falta a capa da Veja, com a sombra de FHC, e os dizeres: "Será que ele sabia?”

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Miguel Nicolelis e as fronteiras das neurociências



A entrevista foi exibida em 21 de junho de 2011

Seleção Google - Festas Juninas

Festas juninas, festa de São João ou festas dos santos populares são celebrações que acontecem em vários países historicamente relacionadas com a festa pagã  do solstício de verão, que era celebrada no dia 24 de junho, segundo o calendário juliano (pré-gregoriano) e cristianizada  na Idade Média como "festa de São João".

Essas celebrações são particularmente importantes no Norte da Europa — Dinamarca, Estónia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Noruega e Suécia —, mas são encontrados também na Irlanda, na Galiza, partes do Reino Unido (especialmente na Cornualha), França, Itália, Malta, Portugal, Espanha, Ucrânia, outras partes da Europa, e em outros países como Canadá, Estados Unidos, Porto Rico, Brasil e Austrália. (Wikipédia)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Seleção Google - Solstício de Inverno


Solstício de inverno é um fenômeno astronômico usado para marcar o inicio do inverno. Ocorre normalmente por volta do dia 21 de junho no hemisfério sul e 22 de dezembro no hemisfério norte. Esta data também era de grande importância para diversas culturas antigas, que de um modo geral à associavam simbolicamente a aspectos como o nascimento ou renascimento.
Definição - A palavra solstício vem do latim sol (Sol), e sistere (que não se move).
O solstício de inverno ocorre quando o sol atinge a maior distância angular em relação ao plano que passa pela linha do equador. Embora sua data não seja a mesma em todos os anos, pode-se dizer que ocorre normalmente por volta do dia 22 de dezembro no hemisfério norte/21 de junho no hemisfério sul.
Esse momento não é fixo no calendário gregoriano em função do ano tropical da terra não ser um múltiplo exacto de dias.
Importância cultural e religiosaEsta data tinha grande importância para diversas culturas antigas que geralmente realizavam celebrações e festivais ligados às suas religiões.
ChinesesNo calendário chinês, o solstício de Inverno chama-se dong zhi (chegada do Inverno) e é considerado uma data de importância extrema, visto ser aí festejada a passagem de ano.
Europa pré-cristãOs povos da Europa pré-cristã, chamados pelos católicos de pagãos, tinham grande ligação com esta data.
Segundo alguns, monumentos como Stonehenge eram construídos de forma a estarem orientados para o por do sol do solstício de inverno e nascer do sol no solstício de verão.
Na Europa pós-cristã, a festa do Solistício de Inverno foi renomeada para o nascimento de Jesus e mascarada como uma festa cristã, tendo a sua data sido alterada alguns dias para o dia 25 de Dezembro.
Roma antigaEntre os romanos os festivais eram muito populares. O período marcava a Saturnália, em homenagem ao deus Saturno. O deus persa Mitra, também cultuado por muitos romanos, teria nascido durante o solstício. Divindades ligadas ao Sol em geral eram celebradas no solstício também.
Com a introdução do cristianismo no Império Romano houve, por parte da Igreja Católica, uma tentativa de cristianizar os festivais "pagãos". Há indícios de que a data de 25 de dezembro foi escolhida para representar o nascimento de Cristo já no século IV. Há evidência bíblica de que Jesus não teria nascido durante o inverno, pois, no momento do nascimento, pastores estavam cuidando de seus rebanhos nas vigílias da noite, e o período do solstício, visto como o renascimento do Sol, carrega forte representatividade. Além disso, conseguiu aproveitar a popularidade das festividades da época.
NeopaganismoHoje esta data é revivida na celebração do Sabbat Neopagão Yule. Que revive algumas antigas tradições religiosas dos povos europeus pré-cristãos.
Fonte: Wikipédia

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Mídia leva "bola" das empreiteiras para detonar a Lei anti-cartel

Como já disse alguém, "o moralismo (falso) é o último reduto dos velhacos".

Da Carta Maior

Empreiteira não aceita 'em nenhuma hipótese' lei anti-cartel na Copa

Aprovada na Câmara, lei de licitações especial para Copa do Mundo tem regra que governo chama de anti-cartel e empreiteiros boicotam. Em documento, associação de construtoras diz que não aceita "em nenhuma hipótese" mecanismo que é recomendado internacionalmente contra conluio entre empresas. Segundo um ministro, empreiteiras patrocinam noticiário negativo sobre lei especial. Objetivo seria desmoralizá-la para Congresso não aprovar. Construtoras preparam-se para fazer lobby no Senado.

André Barrocal

BRASÍLIA – As empreiteiras não aceitam “em nenhuma hipótese" uma regra que o governo chama de “anti-cartel” e propôs na lei de licitações especial que defende para obras da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. O dispositivo boicotado pelas construtoras autoriza o setor público a não revelar sua estimativa de custo de erguer uma determinada obra, antes de fazer o leilão para escolher quem vai tocá-la.

“Em nenhuma hipótese o orçamento previamente estimado pela Administração deverá ser fornecido somente após o encerramento da licitação”, diz a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em documento assinado pelo presidente da Comissão de Obras Públicas da entidade, Arlindo Moura. Para a CBIC, essa modelagem abriria possibilidade de uso de “informação privilegiada” por parte de alguma empresa.

O governo também usou palavras fortes para defender o mecanismo, aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (15/06). Para a presidenta Dilma Rousseff, ele combate “formação de cartel”. Para o ministro do Esporte, Orlando Silva, impede “conluio” entre empresas.

Os dois argumentaram, em entrevistas dadas na sexta-feira (17/06), que, ao esconder das empresas seus cálculos financeiros, o governo tira delas uma referência em torno da qual poderiam combinar os lances que farão num leilão. Os valores seriam conhecidos de início apenas pelos tribunais de contas, que fiscalizam as administrações públicas, e pelos órgãos de controle dos próprios poderes executivos.

A ocultação do orçamento em licitações, segundo Dilma e Silva, é recomendado internacionalmente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e aplicada na União Européia.

O governo considera este é um dos pontos fundamentais da lei de licitações exclusiva para Copa e Olimpíada que propôs ao Congresso, chamado burocraticamente de Regime Diferenciado de Contratação (RDC). O RDC tem normas mais draconianas do que a Lei de Licitações (8.666, de 1993) para, segundo o governo, tentar proteger melhor o interesse público contra o interesse das empreiteiras.

O projeto impede, por exemplo, que uma empresa assine contrato com o setor público e depois peça aumento de preço por causa de algum problema de engenharia surgido durante a obra. A possibilidade de fazer aditivos aos contratos está prevista na Lei de Licitações e, diz um técnico do governo, produz “aditivos infinitos” que só favorecem as construtoras.

Pelo RDC, somente a Federação Internacional das Associações de Futebol (Fifa) e o Comitê Olimpíco Internacional (COI) é que terão autoridade para pedir revisão de valores.

No documento em que condena a idéia de ocultação do orçamento, resultado de uma reunião de dirigentes da entidade realizada dia 18 de maio, a CBIC faz uma série de críticas ao RDC, mostrando que o setor não concorda com a essência da proposta.

Para o governo, este é o motivo de a aprovação do RDC na Câmara dos Deputados, especialmente no caso do “orçamento oculto”, ter sido noticiado de forma condenatória. Na imprensa, prevaleceu, num primeiro momento, a interpretação de que o governo queria “esconder” os gastos com Copa e Olimpíada.

Um ministro disse à Carta Maior que tal interpretação foi “com certeza” patrocinada pelos empreiteiros. Segundo um técnico do governo, “grandes empreiteiras” estariam por trás do balizamento do noiticiário sobre o RDC porque querem continuar se beneficiando de brechas na Lei de Licitações tradicional. O objetivo seria desmoralizar a ideia do RDC perante a opinião pública, para que o Congresso não o aprove.

Derrotadas na Câmara, as empreiteiras preparam-se agora para fazer lobby no Senado contra o RDC.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O Rio, numa história curta

Leandro Sapucahy e Marcelo D2- Numa Cidade Muito Longe Daqui

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Adeus, Palocci!

Palocci saiu de R. Preto, mas R. Preto não saiu dele.

O ministro Antonio Palocci tem que ir embora do governo não porque a oposição quer, ou porque o PIG (Partido da Imprensa Golpista) trata como crime as mesmas práticas que elogia na turma dos Demos/Tucanos. Palocci tem que ir embora porque seu projeto não é o mesmo do Governo da Dilma, do presidente Lula, do PT. O ministro poderia ter investido o dinheiro que ganhou fazendo lobby quando era deputado na compra de uma usina de etanol; podia ter se associado a uma indústria qualquer; poderia ter comprado uma fazenda para criar gado, produzir arroz ... Podia ter financiado pesquisas científicas para explorar patentes; podia ter se associado a outros médicos e montado um hospítal, uma clínica. Podia ter investido o seu dinheiro no processo produtivo, na geração de renda, na criação de riqueza e conhecimento, na criação de empregos. Mas não, ele preferiu comprar um apartamento luxuoso de R$ 6,6 milhões nos Jardins paulistanos para endentrar ao "mundo de Caras" e casar os filhos com socialites (como fez Mercadante). Portanto, Palocci quer apenas enriquecer, enquanto a Dilma quer erradicar a miséria. É óbvio que os objetivos são incompatíveis, daí porque os dias do ministro-chefe da Casa Civil estão contados. Ele não vai sair porque o PIG quer, ou porque a oposição quer. Vai sair porque seu projeto de vida confronta com o projeto de País do governo da presidente Dilma Roussef. E isso não é pouca coisa.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Dilma adverte Temer: "não faça merda!"

Antes de deixar o governo sob os cuidados do deputado Michel Temer e viajar para o Uruguai, a presidente Dilma fez uma severa advertência ao vice:

"Não mexa em nada, hein?! Eu sei tudo que tem no Planalto!"

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Tô esperando a Dilma de Pelúcia

Depois do lançamento do Lula de Pelúcia, um artista plástico puxa-saco dos demos/tucanos deveria criar um "baseado de pelúcia" com a cara do FHC para o boca de sovaco não se matar de tanta inveja.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Externato São José, berço cultural do nosso pai

O texto que segue é do excelente Blog As Ruas do Rio (http://asruasdorio.blogspot.com/), de um jovem carioca chamado Pedro Paulo Bastos. No post que reproduzo ele trata do Externato São José, na Tijuca, onde meu pai (Fernando Campelo Duarte) fez todos os seus estudos e ao qual atribuia sua melhor herança cultural. O tradicional colégio marista tijucano foi desativado na década de 1990 e o bonito prédio está abandonado, com as calçadas deterioradas e acumulando lixo. Isso numa das principais ruas da Tijuca, a Barão de Mesquita! Segue o post:

Enquanto isso, perto da Saens Peña...

... o antigo externato do Colégio São José tem vivido às moscas, literalmente. O belíssimo edifício, localizado à Rua Barão de Mesquita 164, conta com 2 000 metros quadrados. Está abandonado há algumas décadas e ninguém se interessou em reocupá-lo. Sua calçada está loteada de lixo, sujeira e entulhos. Na hora do rush, diversas kombis (piratas, quem sabe...) fazem uso do espaço em frente ao ex-colégio para embarque e desembarque de passageiros. Porém, agora parece que o antigo São José poderá ganhar um final feliz: há poucas semanas, afixaram um imenso cartaz de "ALUGA-SE" na sua fachada. Perfil de ocupação? Centros culturais, colégios, universidades. Isenção de IPTU. Implora-se pela sua recuperação!

O antigo externato do Colégio São José, na Barão de Mesquita: desativado na década de 1990, para, em troca, inaugurar uma filial nas imediações da Barra e do Recreio.

Após quase duas décadas sem sinal de vida, a corretora Imovel-On parece ter-lhe oferecido um caminho para a salvação.



Observe a sujeira ao redor do colégio. Observe, também, como pequenos detalhes vão sendo substituídos por verdadeiras aberrações: o indicador original do número do imóvel (164), quase não aparece mais, destacando-se uma folha de papel impressa em Times New Roman.
Em tempo: o externato do tradicional Colégio São José, que manteve sua filial na Usina, é citado em um trecho do livro Agosto, de Rubem Fonseca. O romance, uma mistura de ficção com realidade, ambientado na década de 50, em uma das partes da narrativa conta que Carlos Lacerda estaria dando uma espécie de audição pública dentro do colégio, enquanto alguns meliantes tramavam um dos possíveis ataques ao jornalista e ex-governador do lado de fora.

Só de ter uma referência desse porte, vê-se que o externato do São José foi (e deveria continuar sendo) muito tradicional e relevante. Apreço histórico suficiente para o seu resgate. Os tijucanos agradeceriam!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Eternamente Legião Urbana



PERFEIÇÃO
(Renato Russo)

Vamos celebrar a estupidez humana,
A estupidez de todas as nações,
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões...
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado que não é nação...
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais...
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e seqüestros...
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...

Vamos festejar a inveja
A intolerância,a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada...
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror de tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão!

Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça.

Venha!
Que o que vem é Perfeição!...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A hipocrisia no discurso anticorrupção

Da Carta Capital
No discurso anticorrupção, a hipocrisia moral dos cidadãos ainda prevalece
Thomaz Wood Jr.13 de maio de 2011 às 12:48h
O último barômetro Global de Corrupção, apurado e disseminado pela Transparência Internacional, uma organização social, revela dados preocupantes: seis entre dez pessoas acreditam que a corrupção cresceu nos últimos três anos, e uma de cada duas pessoas acredita que os esforços governamentais para conter a corrupção são ineficazes.
O Índice de Percepção da Corrupção, apurado e disseminado pela mesma instituição, contém resultados para 178 países. Na frente da lista de 2010, com notas próximas de 9 (em uma escala de 0 a 10), ficaram a Dinamarca, a Nova Zelândia e Cingapura. O Brasil ficou em um deplorável 69º lugar, em companhia de El Salvador, Romênia e, atenção, Itália. No fundo da lista ficaram, entre outros suspeitos usuais, a Venezuela, o Iraque e a Somália.
Ao tratar da questão, a mídia de massa costuma operar como se tivesse uma cota anual de capas a preencher com fraudes e escândalos. À publicação, segue-se uma enxurrada de manifestações de cidadãos indignados. Passada a onda, o interesse arrefece, até que outra onda se forme. O espetáculo deve continuar.
É fácil condenar o mau comportamento de grandes empresas e a corrupção no governo. Todos nós conhecemos histórias sobre empresas privadas, públicas e órgãos de governo. A denúncia da corrupção, por jornalistas, e o combate, por promotores e legisladores, usualmente as atribuem às maquinações de mentes criminosas.
Entretanto, um crescente corpo de pesquisa sobre a psicologia do comportamento ético mostra que parte considerável das condutas desviantes, na vida social e na vida profissional, ocorre porque os indivíduos enganam a si mesmos, agindo em interesse próprio. O ilibado cidadão reclamante, a vociferar impropérios contra contraventores de colarinho-branco, de Brasília e outros antros, costuma ele mesmo contribuir para o irritante estado das coisas. Ele não é dado a golpes grandiosos. Sua especialidade são os pequenos feitos, a compra de facilidades, a “lubrificação” do sistema público e o pagamento de favores. Alinha-se com milhares de compatriotas, agindo com inadvertida obstinação na sustentação de discretos parasitas e desenvoltas máfias.
Max H. Bazerman, da Universidade de Harvard, e Ann E. Tenbrunsel, da Universidade de Notre-Dame, parecem ter se encantado com nossos duplos padrões. Seu mais recente livro, Blind Spots: Why We Fail to Do What’s Right and What to Do About It, Princeton University Press, procura, com base em estudos científicos, elucidar por que não somos tão virtuosos como pensamos que somos, mostrar em que situações nós ignoramos comportamentos éticos e explicar por que falhamos nas tentativas de consertar nossas instituições corruptas.
Um texto publicado por Tenbrunsel e David M. Messick, da Universidade Northwestern, no fim dos anos 1990, na prestigiosa revista científica Administrative Science Quarterly, já adiantava a mensagem. Nesse trabalho, os pesquisadores instruíram 56 participantes de um estudo a fazer o papel de fabricantes em um setor altamente poluidor, avisando-os que a empresa encontrava-se sob pressão de grupos ambientalistas. Para evitar o estabelecimento de leis mais restritivas, os fabricantes haviam concordado em investir em equipamentos de controle. Alguns participantes foram informados que receberiam apenas pequenas multas se descumprissem o acordo, enquanto outros foram informados que não sofreriam nenhuma multa.
Contra o senso comum, o primeiro grupo comportou-se pior que o segundo, violando com maior frequência o acordo. A conclusão, confirmada em estudos posteriores, foi que a introdução das multas faz com que os participantes ignorem o dilema ético e passem a decidir apenas em termos financeiros. Ao mesmo tempo, conservam uma autoimagem positiva, pois acreditam estar tomando uma decisão “racional”.
Esse mecanismo psicológico, de “obliteração ética”, faz, segundo os pesquisadores, com que subestimemos nosso comportamento desviante enquanto superestimamos o comportamento desviante dos outros. Sempre que estamos envolvidos, temos nossa posição influenciada por nossos interesses. Isso ajuda a entender por que auditores falham na identificação de irregularidades de seus clientes, por que executivos minimizam problemas causados por suas empresas e por que motoristas não acham nada demais pagar intermediários para limpar sua carteira de habilitação.
Além da riqueza material e do nível de bem-estar social, talvez o que diferencie os países da frente da lista da Transparência Internacional dos países do fundo da lista seja o grau no qual seus cidadãos percebem que “os outros somos nós”. E daí, a capacidade desses cidadãos de reduzir o que Bazerman e Tenbrunsel qualificam, na introdução de seu livro, como hipocrisia moral.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Triste fim de um bufão I

Depois de dois mandatos marcados pela mais absoluta incompetência à frente do Governo do Paraná, Roberto Requião entregou de volta o Estado ao mesmo grupo que ele próprio havia classificado como “quadrilha”. Então, fica a pergunta: quem é pior, os "quadrilheiros" ou o incompetente que frustrou as esperanças de quem votou nele?

Triste fim de um bufão II

terça-feira, 3 de maio de 2011

Homens que definiram o Século XXI

Osama Bin Laden (1957-1º/5/2011)

. Há sempre um traidor
Caçadora de recompensas entregou
Bin Laden, dizem fontes do governo dos EUA

Prima de mensageiro do terrorista teria procurado americanos em busca de R$ 78 milhões

Osmar Freitas Jr., do R7 em Nova York

Jaquelyn Martin / 02.05.2011/AP

Na noite do último domingo (1º), terroristas islâmicos colocaram as barbas de molho. Não é para menos: os serviços de inteligência dos Estados Unidos conseguiram penetrar no círculo mais íntimo do líder da Al Qaeda.
Foi com a ajuda de uma prima de um mensageiro de Osama bin Laden que os comandos especiais da Marinha americana, os SEALs, puderam cumprir a missão de matar o inimigo público número um de seu país, segundo fontes do governo americano.

Nos relatos vazados à imprensa por várias fontes do governo, a crônica dessa morte anunciada começou para valer em agosto do ano passado. Agentes de campo da CIA fizeram contato com uma mulher interessada na recompensa equivalente a R$ 79 milhões (US$ 50 milhões) para quem desse informações que levassem à captura ou morte do líder da Al Qaeda.

Ela dizia que seu primo era mensageiro de confiança de Bin Laden e teria tanto prestígio na organização terrorista que era o único com aquela função que estava autorizado a ver pessoalmente o líder radical.

De agosto a fevereiro deste ano, foi estabelecido um sistema de acompanhamento desse mensageiro. Notou-se que ele costumava ir a uma mansão a 50 km da capital Islamabad. O general americano da reserva Barry McCaffrey informou ao R7 que os agentes da CIA não tinham dúvidas de que ali morava alguém do alto escalão da organização terrorista.

- Os muros tinham de seis a dez metros de altura, com arames farpados tipo concertina no topo. Várias medidas profissionais de segurança estavam incorporadas à rotina. Queimava-se o lixo, em vez de deixá-lo para a coleta pública. Não haviam fios de telefone ou Internet ligando a rua ao imóvel. Pouca gente entrava ou saía do endereço.

Ação foi puramente americana

McCaffrey lembrou ainda que o tipo de armamento nas mãos dos guarda-costas era muito mais sofisticado do que o arsenal disponível à qualquer um nos mercados de armas do país.

- Com essas informações, colhidas em trabalhos de vigilância humana e aérea com equipamentos de alta tecnologia, foi possível estabelecer a rotina dos habitantes e onde eles passavam a maior parte de seus dias.

Em fevereiro, o presidente americano, reunido com o Conselho de Segurança Nacional, se convenceu de que ali era o esconderijo de Bin Laden e autorizou as ações de um plano revisado pessoalmente por ele. Ficou decidido que três grupos de SEALs- nata das tropas de elite americanas - colocariam em prática o plano.

A operação era tão sigilosa que nem mesmo os aliados tradicionais dos Estados Unidos, como membros da Otan (aliança militar do Ocidente), foram avisados de sua existência. Aquela seria uma ação puramente americana.

O ex-presidente George W. Bush costumava dizer que Osama bin Laden estava “vivendo enfurnado numa caverna”. Várias autoridades americanas repetiam isso e ainda colocavam o endereço do buraco na região tribal do Paquistão, perto da fronteira inóspita do Afeganistão. No último domingo, ficou comprovado o tamanho da ignorância desses personagens.

Osama bin Laden, o homem mais procurado do mundo, estava escondido debaixo dos narizes das autoridades do Paquistão. Morava numa mansão de valor acima de R$ 1 milhão - o que, diga-se, naquele país é fortuna ainda maior. Numa rua de classe alta, a meros 50 km do centro da capital Islamabad.
Pior: o local chama-se Abbottabad, ao lado de uma academia militar. Não é de se estranhar que o Serviço de Inteligência do país não foi avisado da operação americana.

No começo da madrugada do dia 1º, os comandos americanos caíram sobre a fortaleza de Bin Laden. O presidente Obama garantiu que não houve uma única baixa entre seus patrícios. A única perda foi um helicóptero que teria se avariado - segundo fontes do Departamento de Defesa - não por fogo inimigo, mas por problemas mecânicos. O aparelho foi explodido para não deixá-lo para trás.

Melhor viver perigosamente até o fim

terça-feira, 19 de abril de 2011

Amada Amante, melhor obra de RC

Roberto Carlos, o "Rei do iê iê iê", faz 70 anos hoje. Já foi bom, como quando compôs Amada Amante, Detalhes, Quero que vá tudo pro inferno, Eu te darei o céu, Nossa Canção, Por isso corro demais, Como é grande o meu amor por você e muitas outras. Amada Amante é, na minha opinião, a sua obra-prima. E "Quero que vá tudo pro inferno" é a sua melhor contribuição para o rock brasileiro, além de ser aquela que o consagrou para o público (por viadagem, ele não canta mais essa canção). Recordem:




sexta-feira, 15 de abril de 2011

Procissão do Senhor Morto

Chora Brasileira, da doce Fátima Guedes com Nana Caymi. Pra Semana Santa que se inicia.

Carlitos eterno

O Google, esse Oráculo, nos lembra que neste sábado, 16/4, faz 122 anos do nascimento do genial Charles Chaplin. Para recordar, um trecho de Tempos Modernos.

Quem disse que serviço público
precisa ser incompetente?

A nova Telebrás e o PNBL



A universalização da banda larga exigiu um esforço intenso para recuperar a Telebras.
Antiga holding do setor, com a privatização acabou quase sem função. Para dar conta das novas atribuições, decidiu-se montar um corpo técnico competente e trabalhar fundamentalmente com parceiros privados.
Segundo o presidente da Telebras, Rogério Santana, a empresa conseguiu bons técnicos junto à Anatel, e engenheiros do mercado, liberados pela fusão Telemar-Brasil Telecom. Mas também engenheiros de outras companhias privadas, que se interessaram pelo desafio de construir uma nova rede.
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Constituído o corpo técnico, outro grande desafio foi a de preparar um planejamento meticuloso de compras, visando reduções de preço, principalmente devido ao emaranhado de regulamentos das licitações públicas. A primeira contratação, através da MP 495, deu preferência para indústria nacional. Foram adquiridos equipamentos que geram o laser que vai para a fibra ótica, switches, roteadores menores – para transportar o sinal do backbone para as cidades.
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Antes da privatização, o setor tinha 60 fornecedores nacionais; depois da privatização, restaram 13. A crise dos últimos anos apertou mais ainda o setor. As multinacionais remeteram muito recurso para fora, para atender às matrizes; e a fusão da Oi limitou sua capacidade de investimento.
Segundo Santana, quem sobreviveu foi devido ao diferencial tecnológico. Agora, com as novas demandas, essas empresas terão espaço para crescer.
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Ainda hoje, depois de anos de privatização, a Telebras ainda é a 9o empresa brasileira com maior número de patentes registradas.
As vantagens são evidentes, diz Santana. Se quiser mudanças no software de equipamentos chineses ou americanos, levará anos. Com o desenvolvedor nacional, a resposta é instantânea.
E as características brasileiras são diferentes, por exemplo, da Europa. Lá existem distâncias pequenas entre as cidades. Aqui, distâncias continentais, grandes vazios e populações dispersas, obrigando a equipamentos com características fundamentalmente distintas.
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A nova rede permitirá avanços tecnológicos relevantes. Um deles será a tecnologia radiocognitiva. São sistemas de software que permitem ao rádio descobrir a frequência mais adequada para a transmissão do sinal. Essa tecnologia está sendo trabalhada pelo CPqD e será bastante útil em um espectro poluído por muitas ondas sonoras.
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Será ampla a capacidade da nova rede. Os oito roteadores permitiriam em tese o acesso simultâneo de toda a população da China, com 1 mb de capacidade per capita.
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Hoje em dia, diz ele, a velocidade da banda larga não é assegurada pela Anatel. Um serviço oferece determinada banda. Mas, dependendo do número de usuários conectados, a banda efetiva entregue termina sendo muito mais baixa.
No caso do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), a velocidade entregue terá que ser efetiva, provavelmente 1 mb para cada usuário.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Da série "Vale a pena ler"

A Biblioteca universal, de Voltaire ao Google

Do Le Monde Diplomatique

Por mais poderoso que seja o ideal que representa, a “república das letras”, que deveria permitir a todos o acesso ao saber e à literatura, é um mito. Terá a internet decretado o fim desse elitismo fantasiado de princípio democrático? O fato de uma empresa privada se encarregar desta missão deixa a resposta em aberto.

por Robert Darnton

O século XVIII, o das Luzes, preconizava uma confiança total no mundo das ideias – chamado pelos enciclopedistas de “república das letras”. Um território sem polícia nem fronteiras, e sem desigualdades, senão as dos talentos. Nele, qualquer um podia se instalar, desde que exercesse um dos dois atributos da sua cidadania: a escrita e a leitura. Cabia aos escritores formular ideias, e aos leitores avaliar sua pertinência. Promovidos pela força da palavra impressa, os argumentos eram difundidos em círculos concêntricos, e apenas os mais convincentes levavam a melhor.

Folheando a volumosa correspondência de Voltaire, Jean-Jacques Rousseau, Benjamin Franklin ou Thomas Jefferson, mergulhamos no âmago da república das letras. Esses quatro escritores debatiam a respeito de assuntos cruciais da sua época, por meio de um fluxo ininterrupto de cartas que, conectando a Europa à América, já apresentava todas as características de uma rede de informação transatlântica.

Aprecio mais particularmente a correspondência entre Jefferson (1743-1826) e James Madison (1751-1836). Eles gostavam de falar de tudo, em especial sobre a Constituição estadunidense, que estava sendo redigida. Enquanto Jefferson representava a jovem república em Paris, Madison colaborava da Filadélfia. Jefferson adorava frequentar as livrarias da capital francesa e comprava com frequência livros para o seu amigo. A enciclopédiade Denis Diderot foi uma das suas aquisições.

De fato, dois futuros presidentes dos Estados Unidos discutindo sobre livros na “Web” das Luzes é uma imagem instigante. Mas a república das letras era democrática apenas nos seus princípios. Na realidade, ela pertencia aos ricos e aos aristocratas. Diante da impossibilidade de viver de suas obras, a maioria dos escritores se via de fato obrigada a cortejar os poderosos, solicitar empregos fáceis e bem remunerados, mendigar um cargo em algum jornal controlado pelo Estado, usar de artimanhas com a censura e tentar abrir caminho na selva dos salões e das academias, onde as reputações eram feitas e desfeitas. As diferenças sociais exacerbavam os conflitos pessoais. Longe de funcionar como uma praça pública igualitária, a república das letras era acometida de um mal que corroía todas as sociedades do século XVIII: os privilégios.

Ainda assim, acredito que as Luzes despontam, até hoje, como a melhor argumentação em favor da abertura em geral, e do livre acesso aos livros em particular.

Mas e atualmente, no mundo das bibliotecas de pesquisa e do virtual, será que os princípios e a realidade também se contradizem entre si, como no século XVIII? A maioria de nós, devemos admitir, concorda com os princípios em que se baseiam as grandes bibliotecas públicas. “Livre para todos” são os dizeres que podem ser lidos acima da entrada da Biblioteca de Boston. No mármore da de Nova York, uma citação de Jefferson está gravada em ouro: “Eu considero a educação como o melhor meio para aprimorar a condição humana, promover a virtude e garantir a felicidade dos homens”.

Para Jefferson, as Luzes deviam o seu brilho aos escritores e aos leitores, aos livros e às bibliotecas. Esta confiança no poder de emancipação das palavras está inscrita no primeiro capítulo da Constituição dos Estados Unidos, que subordina os direitos autorais – reconhecidos apenas “por uma duração limitada” – ao princípio superior do “progresso da ciência e das artes úteis”. Os fundadores da república entendiam o direito dos autores a obter uma justa retribuição pelo seu trabalho intelectual, mas sublinhavam a preeminência do interesse geral sobre o lucro individual.

E como medir o peso respectivo desses dois valores hoje em dia? Qual é, por exemplo, a duração do copyright nos EUA? Segundo a lei de 1998, o Sonny Bono Copyright Term Extension Act (também chamada de “lei Mickey”, pois o personagem fetiche de Disney perigava então cair em domínio público), o direito autoral aplica-se a uma obra enquanto o autor estiver vivo, e mais 70 anos após a sua morte. Isso quer dizer que o interesse particular do autor e dos seus legatários permanece acima de toda e qualquer consideração durante mais de um século. A grande maioria dos livros norte-americanos publicada no decorrer do século XX ainda não caiu em domínio público. Na internet, o livre acesso a essa herança cultural se exerce geralmente apenas para as obras anteriores a 1º de janeiro de 1923, uma data a partir da qual a maior parte das editoras inicia a vigência do seu copyright. Esta situação deverá perdurar por muito tempo ainda – a menos, é claro, que grupos privados se encarreguem da digitalização da mercadoria, a condicionem e comercializem dentro dos interesses devidamente acordados dos seus acionistas.

Sair dos grandes princípios proclamados pelos fundadores da República para chegar aos usos e costumes da indústria cultural de hoje equivale a cair do céu das Luzes dentro do pântano do capitalismo global. Se utilizássemos a sociologia do saber para examinar os tempos atuais – à maneira de Pierre Bourdieu –, constataríamos que vivemos num mundo gerido por Mickey.

Enquanto a república das letras havia se profissionalizado, transformando-se numa república do saber, eis que ela se abre hoje para os amadores – no melhor sentido da palavra, ou seja, os cidadãos comuns apaixonados pelo conhecimento. A abertura vem sendo operada em todo lugar pelo acesso a artigos digitalizados publicados gratuitamente on-line em sites como o Open Content Alliance, Open Knowledge Commons, OpenCourseWare e Internet Archive, ou ainda em projetos declaradamente amadores tais como Wikipédia. A democratização do saber está daqui para a frente ao alcance da mão, ao menos em matéria de acesso às fontes. Não poderia o ideal das Luzes tornar-se realidade?

Construídas no decorrer dos séculos ao preço de um enorme empenho de esforços e de dinheiro, as coleções das bibliotecas podem ser digitalizadas em grande escala por um custo módico – alguns milhões de dólares, talvez, uma quantia irrisória se comparada com o investimento que permitiu o seu desenvolvimento. Contudo, digitalizar as coleções e vendê-las on-line, sem se preocupar em oferecer acesso livre para todos, equivaleria a repetir o erro cometido com as revistas científicas quando a sua gestão foi entregue a editoras privadas, só que numa escala infinitamente mais vasta, já que isso faria da internet uma ferramenta de privatização do saber público. Não haveria nenhuma mão invisível, então, para atenuar o despenhadeiro entre o interesse geral e o interesse privado. Apenas o público poderia fazê-lo, mas quem o representa? Certamente não os legisladores que adotaram a “lei Mickey”.

Seria ingênuo identificar a Web às Luzes. Tudo o que ela faz é ser um meio de difusão muito mais abrangente do que Jefferson teria imaginado. Contudo, enquanto a internet estava sendo construída, passo a passo, link por link, as grandes empresas não ficaram de braços cruzados à beira do caminho. Elas querem controlar o jogo, apoderar-se dele, possuí-lo. Elas rivalizam umas com as outras com tanta ferocidade que os mais fracos desaparecem. O seu combate pela sobrevivência deu à luz uma oligarquia de poder desmedido, cujos interesses divergem muito dos do público.

Nós não podemos ficar parados esperando que os grupos privados explorem o bem público de modo organizado e metódico! É verdade, nós temos de digitalizar. Mas temos, sobretudo, de democratizar, ou seja, generalizar o acesso à nossa herança cultural. De que maneira? Reescrevendo as regras do jogo, subordinando os interesses privados ao interesse público, inspirando-nos nos primeiros republicanos para instaurar uma república digital do saber.

De onde vêm esses ímpetos utopistas? Do Google. Quatro anos atrás, esta empresa começou a digitalizar livros que constavam do catálogo das bibliotecas universitárias, colocando on-line trabalhos de pesquisa em sua versão integral e disponibilizando títulos que já tinham caído em domínio público, sem pedir um centavo sequer aos interessados. Desde então, tornou-se possível, por exemplo, consultar e baixar gratuitamente uma cópia digital da edição original de Middlemarch, a obra-prima da romancista George Eliot publicada em 1871, registrada na Bodleian Library em Oxford. Todo mundo tirou vantagem disso, inclusive o Google, que embolsou a receita dos anúncios publicitários, relativamente discretos, difundidos em sua página Google Book Search.

A empresa também andou digitalizando um número sempre crescente de livros protegidos pelo copyright, dos quais ela publicou trechos on-line para facilitar as pesquisas dos internautas. Diante disso, em outubro de 2005, um coletivo de autores e de editoras, apavorados por sua possível perda de receitas, intentou uma class action(ação em nome coletivo) contra o Google, em nome da defesa dos seus direitos patrimoniais. Em 28 de outubro de 2008, no final de negociações intermináveis, as duas partes chegaram a um acordo.

Esse acordo prevê a criação de uma empresa batizada de Book Rights Registry (“Registro dos direitos relacionados aos livros”) encarregada de representar os interesses dos autores e das editoras, detentores de copyright. O Google tornará pago o acesso a uma gigantesca base de dados composta, para começar, de títulos esgotados fornecidos pelas bibliotecas universitárias. Colégios, universidades e coletividades diversas, a ela poderão conectar-se comprando uma “licença institucional”. Outra licença, chamada de “acesso público”, será fornecida às bibliotecas públicas e proporcionará acesso gratuito à base, mas num único computador. No caso de um usuário descontente se recusar a entrar na fila, com esperança de que o posto cobiçado fique livre, pensaram obviamente num serviço pago, sob medida, a “licença ao consumidor”. Além do mais, o Google compromete-se a cooperar com o Book Rights Registry nas modalidades de partilha da renda assim gerada, ou seja, 37% para si mesmo e 63% para os detentores de copyright.

Paralelamente, a empresa dará prosseguimento à disponibilização on-line de livros de domínio público, e que por sua vez poderão ser baixados gratuitamente. Os 7 milhões de títulos que o grupo afirma ter digitalizado antes de novembro de 2008, incluem 1 milhão de livros “públicos”, outro milhão sob copyright e até hoje disponíveis em livrarias, e, por fim, 5 milhões também “protegidos” pelo copyright, mas que estão esgotados ou são difíceis de achar. É esta última categoria que fornecerá a grande massa dos bens comercializáveis por via de “licença”.

Contudo, um grande número de livros sob copyright permanecerá excluído do banco de dados, a menos que seus autores, legatários e editoras tomem uma decisão diferente. Portanto, eles continuarão sendo vendidos no formato do papel impresso, à moda antiga, ou serão objeto de uma comercialização em formato digital, quer para serem baixados por meio da “licença ao consumidor”, quer para serem editados sob a forma de livros eletrônicos (e-books).

Resumindo, ao lermos o acordo firmado entre o Google, os autores e as editoras, e após termos assimilado a sua filosofia – o que não é tarefa fácil já que o documento se estende por 134 páginas e 15 apêndices –, ficamos boquiabertos: estão colocadas as fundações do que poderia vir a ser a maior biblioteca do mundo. Uma biblioteca digital, sim, mas que superaria de maneira arrasadora os estabelecimentos mais prestigiosos das Europa e dos Estados Unidos. Além disso, o Google se alçaria ao nível de maior livreiro comercial do planeta – o seu império digital reduziria a Amazon ao nível de uma lojinha de bairro.

Como permanecer indiferente à perspectiva de ver as riquezas das maiores bibliotecas universitárias estadunidenses permanentemente disponíveis, ao alcance do clique de todos os internautas do mundo? Não só a feitiçaria tecnológica do Google faria com que cada leitor pudesse ter acesso aos livros que deseja, mas abriria também possibilidades de pesquisa inesgotáveis. Dentro de certas condições, os estabelecimentos associados ao projeto terão condições de recorrer a cópias digitais de livros perdidos ou danificados para renovar seus estoques. Além disso, o Google compromete-se a oferecer os textos de maneira a torná-los acessíveis aos leitores deficientes.

Infelizmente, a promessa feita pela empresa de garantir um acesso livre aos seus arquivos num único terminal de computador em cada biblioteca pública tem poucas chances de satisfazer à demanda, sobretudo nos estabelecimentos mais visitados. Além disso, ela vem acompanhada de uma restrição: os leitores interessados em imprimir um texto sobcopyright só poderão fazê-lo mediante o pagamento de determinada quantia. Mesmo assim, as pequenas bibliotecas municipais dos EUA disporão, daqui para a frente, de um fundo virtual mais importante do que a grande biblioteca central de Nova York. Sim, o Google poderia efetivamente tornar o sonho das Luzes uma realidade. Mas será que fará isso?

OGoogle não é uma confraria e não se concebe como um monopólio. A empresa diz perseguir até mesmo um objetivo louvável, que é o de promover o acesso à informação. Mas o acordo que assinou a torna invulnerável a toda forma de concorrência. A maioria dos autores e das editoras que têm um copyrightvigente nos Estados Unidos está automaticamente coberta por este documento. Evidentemente, eles podem optar por ficar de fora do dispositivo, mas o que quer que façam, nenhum outro projeto de digitalização poderá ver a luz do dia sem obter o aval de cada um dos legatários, o que na prática é uma missão impossível. Se a operação do Google receber a bênção dos juízes, o gigante californiano manterá um controle digital sobre quase todos os livros publicados nos Estados Unidos.

Um dos efeitos imprevistos deste caso é que o Google irá efetivamente encontrar-se em posição de monopólio – de um novo gênero, exercido não sobre o aço ou as bananas, mas sim sobre o acesso à informação. A empresa não tem nenhum rival sério. Há alguns meses, a Microsoft renunciou ao seu próprio projeto de digitalização de livros, enquanto as outras sociedades presentes no mercado, como a Open Knowledge Commons (ex-Open Content Alliance) ou a Internet Archive, são insignificantes se comparadas com o Google. Este último é o único que dispõe dos meios necessários para digitalizar numa escala tão gigantesca. Graças ao acordo que negociou com os autores e as editoras, ele pode desenvolver sua plena potência financeira, permanecendo dentro do perímetro da legalidade.

E o que acontecerá se o Google privilegiar seus lucros em detrimento do seu público? Nada, se nos ativermos às disposições do acordo. Apenas o Book Rights Registry, agindo em nome dos detentores de direitos, poderia impor novas tarifas à sociedade. Além disso, nada impediria o Google de adotar uma estratégia comparável àquela das editoras de revistas científicas: primeiro, seduzir o cliente com uma oferta atraente, e então, uma vez que este mordeu a isca, aumentar os preços o mais alto possível.

Os partidários do livre comércio rebaterão que o mercado se regulará por conta própria. Se o Google tiver a mão pesada demais, os consumidores cancelarão suas assinaturas e, consequentemente, os preços irão baixar.

Sem conseguir prever o futuro, tudo o que se pode fazer é ler atentamente os termos do acordo e deles extrair algumas hipóteses. Se o Google tornar acessíveis, a um preço sensato, os fundos acumulados de todas as grandes bibliotecas estadunidenses, podemos aplaudir. Afinal, não é preferível dispor de um imenso corpus de títulos, mesmo que a um preço elevado, do que não ter acesso a nada? Sem dúvida, mas o acordo de 2008 transforma radicalmente o mundo digital, concentrando todos os poderes nas mãos de uma única empresa.

Hoje, nem o Google, os autores, as editoras, nem o tribunal do distrito de Nova York estão em posição de efetuar qualquer alteração relevante no acordo firmado. Trata-se de uma guinada da maior importância no desenvolvimento daquilo que nós chamamos de sociedade da informação. Se não reequilibrarmos a balança, os interesses privados poderão em breve sobrepujar a valer o interesse público. O sonho das Luzes ficará então mais inacessível do que nunca.

Robert Darnton

Historiador; professor da Universidade Carl H. Pforzheimer e diretor da Biblioteca de Harvard.

Este texto foi publicado pelo The New York Review of Books em 12 de fevereiro de 2009.

http://diplomatique.uol.com.br/edicoes_especiais_artigo.php?id=2

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A conversa que cura

(Copiado da Web)
No final deste texto curto, assista o vídeo com a entrevista do médico.
Em Junho/2009 o correspondente da Globo News nos EUA, Jorge Pontual, em entrevista interessante com o médico de 85 anos, dr. John Sarno , um dos mais conceituados fisiologistas de lá, que há anos desenvolve uma forma que vem se mostrando como eficaz no tratamento de sintomas aparentemente incuráveis: uma conversa franca. Costuma fazer o que era a "regra" antigamente na relação médico/paciente: conversar uns minutos com a "doença" e dar maior atenção e tempo ao "doente". Na entrevista há um trecho destacado - (...) Jorge Pontual: O que está acontecendo com a profissão de médicos?

Dr. John Sarno: "Essa é uma boa pergunta. Eles têm a mentalidade de mecânicos de automóvel. Pois eles eram bem melhor há 80 anos, 90 anos. Os médicos ficaram muito apaixondos pelos laboratórios, pelas radiografias, pelas ressonâncias manéticas e por ai vai. E isso, realmente, se manteve como parte da cultura, mas é uma postura muito ingênua no que diz respeito aos distúrbios mente-corporais. É lamentável, porque, virtualmente, todas as doenças físicas, tem um elemento psicológico. Ás vezes......."

Durante anos o dr. Sarno analisou seus pacientes e identificou conflitos emocionais inconscientes em quase todos eles. Passou a tratá-los na base da conversa, tentando descobrir a dor emocional escondida em cada um deles e quase todos sintomas desapareceram.

John Sarno cunhou a expressão “Síndrome do corpo-mente”.

Seus livros sobre o assunto se tornaram rapidamente sucesso de vendas nos EUA: as idéias dele sobre a síndrome mentecorpo estão em “Healing Back Pain: The Mindbody Connection” (Tratando a Dor nas Costas: a Conexão Mentecorpo), 1991, “The Mindbody Prescription” (A Receita Mentecorpo), 1999, “Mind Over Back Pain” (Mente Acima da Dor nas Costas), 1999, e “The Divided Mind: the Epidemic of Mindbody Disorders” (A Mente Dividida: a Epidemia de Distúrbios Mentecorpo), 2007. Até o momento, edições brasileiras não existem .

Assista uma entrevista completa (em 3 vídeos)





quarta-feira, 6 de abril de 2011

Judiciário: entre a covardia e a venalidade

Numa semana em que o Brasil inteiro ouviu falar de uma mulher corajosa que enfrentou PMs assassinos e destemidamente os denunciou e os desafiou a olhar bem em seus olhos e negar que tivessem assassinado friamente um preso sob sua custódia também tivemos a notícia de que o STJ, acovardado diante de empreiteiros e políticos poderosos anulou a operação Castelo de Areia. A propósito, o STJ tem sido frequentemente envolvido em denúncias de venda de sentenças. O que nos coloca diante de uma dúvida: a corajosa mulher que enfrentou os PMs não foi covarde ou não foi venal?

Segue a notícia do vergonhoso STJ. Mas, antes, a gravação de uma corajosa mulher do povo.



Agência Estado, 06/04/2011
STJ anula provas obtidas pela PF na Operação Castelo de Areia

Felipe Recondo

BRASÍLIA – O Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou todas as provas obtidas pela Polícia Federal na Operação Castelo de Areia que tenham sido obtidas a partir da quebra de sigilo telefônico dos investigados.

A decisão da 6ª turma do STJ compromete a investigação de um esquema de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e repasses ilícitos para políticos, envolvendo três executivos da construtora Camargo Corrêa.

Os ministros entenderam que as provas obtidas contra os investigados se basearam única e exclusivamente em uma denúncia anônima. No entendimento de três dos quatro ministros da Turma, o Ministério Público pediu a quebra de sigilo telefônico e depois a interceptação telefônica dos envolvidos. Essa quebra, autorizada pelo juiz Fausto de Sanctis, teria ocorrido de forma genérica e indiscriminada.

Apenas o ministro Og Fernandes julgou que as provas foram obtidas de forma legal e, por isso, a ação penal poderia prosseguir normalmente. No entendimento do ministro, Ministério Público e Polícia Federal apuraram a denúncia anônima e encontraram indícios que então embasaram os pedidos de quebra de sigilo.