domingo, 14 de março de 2010

Luiz Nassif desmonta farsa da Veja e revela as digitais de Daniel Dantas


Copio aqui um post do (excelente) Blog de Luiz Nassif a respeito do escândalo fabricado pela revista Veja. Nassif revela, para quem não conhece as safadezas da imprensa, como é fabricada a "reporcagem". E aponta nela as digitais do banqueiro Daniel Dantas.

Refrescando a memória, Daniel Dantas é uma espécie de PC Farias da turma das privatizações. Ele foi preso pela Polícia Federal, na Operação Satiagraha, e solto por meio de 2 habeas corpus dados em menos de 48 horas pelo ex-presidente do STF, Gilmar Mendes.

E a Veja, não custa lembrar, é aquela revista que vende 5 mil assinaturas para o Governo José Serra e mais 5 mil da revista Nova Escola, ambas da Editora Abril. Em troca, esconde as denúncias de corrupção no Metrô paulista, nos pedágios mais caros do mundo, na construção do RodoAnel, entre centenas de outros casos).

Vamos ao Nassif:

"14/03/2010 - 08:21

Para entender a capa da Veja

O modelo de atuação é idêntico ao famoso Relatório do Ministério Público italiano, permanentemente levantado pelo lobby jornalístico de Daniel Dantas – especialmente a revista Veja – para atingir seus inimigos.
Esquematicamente, funciona assim:

1. Começa o inquérito. Apresenta-se, então, uma testemunha dentro do instituto da «delação premiada». Na condição de testemunha, fala o que quer.

2. No momento seguinte, cabe aos titulares do inquérito (procuradores federais) analisar tudo o que foi dito e considerar o que for consistente, jogando fora o que parecer inverossímil. Os elementos consistentes entram na denúncia; os inverossímeis fazem parte do copião.

3. A prova do pudim é simples: se deu o depoimento e ele não gerou um inquérito, é porque a autoridade ou concluiu que era falso ou não encontrou nenhuma prova que confirmasse o teor das acusações.

4. Quem banca o esquema, esconde essa informação do leitor e passa a divulgar o depoimento como se fosse oficial e aceito pelas autoridades. Dentro desse modelo, consegue-se qualquer coisa. Basta um fulano qualquer ir ao MP, declarar o que quiser, fazer a jogada que pretender. O MP não acata, mas divulga-se como sendo parte integrante do inquérito.

O relatório italiano

Vamos relembrar, primeiro, o tal Relatório Italiano:
Um agente do serviço de segurança da Telecom Italia, Marco Bernardini, se apresentou espontaneamente ao MP italiano e passou a distribuir acusações a vários inimigos de Dantas.
Cabe aos condutores do inquérito avaliar se as acusações têm consistência ou se são manobras de uma das partes.
O MP italiano jamais levou a sério suas versões, tanto que nada foi incluído no inquérito final.
Mas o relatório servia para montar escândalos no Brasil e ser utilizado como fator de constrangimento dos adversários de Dantas. Como se recorda, o principal instrumento de Dantas nesse episódio – Diogo Mainardi –, mostrou-se tão empenhado na missão de dar vida ao depoimento, que chegou a levar o relatório para um juiz.
Aqui o capítulo de «O Caso de Veja» referente ao tema: «O lobista de Dantas». Narra-se com detalhes o papel de Bernardini e da tal secretária-tradutora que teria incluído até o nome de Lula no seu depoimento.
Confira trecho da entrevista com Angelo Jannone, ex-chefe de Segurança da Telecom Italia, sobre como o esquema operava:
Trecho 1 – Jannone diz que o inquérito começou com declarações mentirosas de fontes. No começo não conseguiu entender. Depois, ficou mais claro. No início de sua “colaboração” com a justiça italiana, Bernardini ficou falando do Brasil. Ele não conhece o Brasil, nem tem cabeça refinada para falar o que falou. Imediatamente ele colocou nas suas declarações a idéia de uma Polícia Federal brasileira corrupta, de políticos corruptos, com Jannone como responsável. A coisa mais estranha é que no primeiro dia de interrogatório dele, entregou aos promotores, sem nada comentar, a famosa reportagem da Veja que falava de contas bancárias do presidente Lula, do chefe da Polícia Federal, Lacerda. Mas de forma estranha, sem comentar, como se outra pessoa tivesse dito a ele: se você vai lá, entrega isso.
Aqui o trecho da entrevista com Jannone:

Ou clique aqui se não estiver vendo o player.

O caso Funaro

Depois, se descobriu que o advogado de Bernardini – e da tal tradutora italiana – mantinha contato direto com Marcos Valério, o homem de Dantas para o “mensalão”.
Vamos agora aos pontos em comum com a atual capa de Veja:
1. A testemunha-chave da capa também aceitou a “delação premiada” e tem ligação com Daniel Dantas. É o doleiro Lúcio Bologna Funaro. Ele foi preso na Operação Satiagraha e um dos beneficiados pelo habeas corpus de Gilmar Mendes (clique aqui).
2. Os atingidos pela “delação” são TODOS – tanto no caso italiano quanto no atual – adversários de Dantas.
3. Nos dois episódios, é a mesma revista Veja o veículo usado para transformar o depoimento em escândalo."

(http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/03/14/para-entender-a-capa-da-veja/)

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