Os músicos brasileiros têm uma velha mania de servir ao público "mais do mesmo". Produzem músicas que são obras-primas, mas quando perdem a criatividade revisitam sua própria obra produzindo dezenas de novos arranjos. Tantos que a obra original fica totalmente desfigurada e o que era obra-prima se torna apenas obra, do verbo chulo "obrar".
Roberto Carlos é campeão nesse esporte, ao qual se entregou desde que trocou uma criatividade ímpar pela música de fórmulas (a mulher de 40, a gordinha, a de óculos, a descasada, o caminhoneiro ..., sem falar nas inúmeras peças de religiosidade brega, da qual só se salvam "Jesus Cristo, eu estou aqui" e "Nossa Senhora").
O mineiro Beto Guedes criou uma peça fundamental denominada Feira Moderna, com um arranjo à altura de Another Brick in the Wall, da lendária Pink Floyd. Mas, depois que a criatividade foi pro saco, passou a mudar os arranjos, transformando ouro em titica. O resultado é que não se acha a versão original no YouTube, cantada por ele. Então aí vai a canção sem o seu criador, mas com os Paralamas. Está bem aquém da gravação original, mas ainda assim bem mais próxima dela do que as releituraa feitas pelo Beto Guedes e o Lô Borges.
A ela, Feira Moderna!
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