segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Missiva de um bem-nascido sobre as bem-nascenças

Flagrante do meu passeio diário
Prezado sr. Kotscho: Discordo de quem disse que os parques de Curitiba estão abandonados e sem segurança. Tenho uma residência de verão no aprazível bairro do Bigorralho e quando estou por lá costumo usufruir do Parque Barigui, inclusive de madrugada. Jamais fomos importunados - eu, minhas esposas e meus cães - , pois sempre há policiais municipais e PMs vigiando. A qualquer hora do dia, da noite ou da madrugada. O local é mantido sempre limpo e ajardinado, como bem convém. Costumo dizer que o Parque Barigui é o meu "Bolsa Família", já que é mantido com recursos públicos e serve a um grupo restrito, no qual, com a graça do deus dos bem-nascidos, me incluo. Com a vantagem de que ninguém me atira na cara o privilégio, a Folha e o Estadão não fazem seguidos editoriais para criticar e condenar esse meu privilégio sobre os demais, tampouco me acusam de ser voto de cabresto dos prefeitos do PSDB e do DEMO que, graças ao nosso apoio, se revesam a frente da Prefeitura. Enfim, o céu na terra. No mais, caro Ricardo, concordo com você que do jeito que está não dá mais. Nós, que fazemos parte dos 50 milhões para os quais os governos anteriores ao atual sempre governaram, não podemos mais andar sossegadamente com nossos automóveis pelas ruas da urbe, como fazíamos com elã, diga-se. Com esse metalúrgico "Mimi" governando para os 200 milhões de brasileiros parece que todo mundo agora possui automóvel, viaja de avião, faz curso técnico ou universitário, faz compras, tem emprego, se alimenta, veste, se diverte, trepa (quer dizer, isto essa gente sempre fez, para nojo da nossa Danusa). Enfim, o populacho veio para os nossos espaços e agora nos obriga a viver espremidos. Por isso também me pergunto se isso é bom e se vale a pena pagar esse preço. Se não será melhor termos alguém como FHC no governo que volte a olhar mais por nós, os 50 milhões, e segure essa gente emergente das classes E e D lá nos seus subúrbios românticos, nas suas animadas rodoviárias, nas suas pracinhas mimosas, onde eram felizes e certamente não sabiam?! Outubro está aí, e é a nossa oportunidade de dar um basta a essa ânsia de bem-viver dessa gente, que há pouco até perdeu seu complexo de vira-latas (ousadia!!!). Gostaria de me estender mais nesses comentários, mas preciso procurar onde larguei meu scotch. Alvíssaras!
Forte abraço do comendador Zé Ribeiro
(datada de outubro de 2010)

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