sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Salve essa eterna adolescência, tio Nécio!

Ao volante, Zé Ribeiro já pensa que é gente
A primeira vez que peguei no volante de um carro foi pelas suas mãos, aquele jipe, na “estrada” de Mesquita, tá lembrado? Eu estou, e jamais vou esquecer a sensação de “estar dirigindo” um carro aos 10 anos de idade, em meio a outros veículos, inclusive ônibus, que passavam “voando” e “raspando” na direção contrária. Medo? Nenhum! Eu estava com o tio Nécio!

A pequena Mesquita era o Rio de Janeiro todo e os nossos tios, os melhores do Mundo! Os dias eram todos de sol e calor e começavam com o pular da rede e correr para olhar os ninhos dos marrecos. Depois era tomar banho frio e se lavar com sabão de côco, andar de calção e sem camisa o dia inteiro, comer carambola no pé sentindo o aroma do jasmim trepadeira que se agarrava à caixa dágua, embrulhar balas pras visitas, andar feitos moscas atrás do tio Nécio enquanto ele mexia na motocicleta, se apaixonar pela Ana da Zita e a Aninha da tia Izinha, sair de bicicleta ou a pé com o tio Werty mexendo com todas as meninas que encontrávamos pelo caminho, comprar Cola-Cola Família no Marreta, enfrentar o mega-prato de comida feito pela tia Nícia, passar horas na escrivaninha lendo as maravilhosas histórias das Seleções do Readers Digest e dos livros do vovô, entrar na Fila da Cana, brincar com o “Mequibrás” de Marcos e Marcio e ansiar pela vitamina de abacate da tia Nícia na hora do lanche, assistir na TV preto e branco o programa do Daniel Azulay e os desenhos animados do Pepe Legal, Pica-Pau, Dom Pixote, Zé Colméia..., ouvir as broncas do tio Graúdo por não conseguir dormir com tanto barulho de crianças (quando você estiver dormindo eu vou me lembrar de você!), fuçar a cozinha à tarde atrás de uma rapa de bolo que a dona Ottília estava fazendo, levar o banquinho vermelho para seu Borges descansar os pés durante a Voz do Brasil, ficar ouvindo a conversa dos pais, tios e avós ao redor da mesa da copa depois da janta e, quando o sono chegasse, deitar na rede e ficar olhando a dança das luzes dos faróis dos carros da Emílio Guadagny no teto da escrivaninha.

Monteiro Lobato não teria imaginado uma infância tão boa e divertida!

Valeu!, tio Nécio, por ter tornado a nossa infância uma festa inesquecível!  Sim, porque nada poderá tirar de nenhum de nós aqueles dias em que Mesquita era o nosso mundo e os nossos tios, primos, pais e avós, os melhores amigos.

(Em memória de seu Borges, dona Ottília, seu Campelo, tio Werty, tio Brevício, tia Nícia, tia Lili, Wagner e tia Tili. E festejando a presença viva de dona Ecéa, tio Nécio, tio Graudo, tia Telma, tia Elda, tio Clélio e dos primos, primas, sobrinhos, sobrinhas, filhos, companheiras e companheiros dessa jornada que segue e que vai ter continuidade do outro lado).

Zé Ribeiro Jr.

Um comentário:

  1. Adorei o texto do mano Chico!!! Temos formas de escrever bem diferentes, mas, não por opção(quanto a mim)... Só porque cada um ganhou um talento de "A a Z"... Amo esse jeito tão expressivo com que o mano consegue nos levar a viagens nos seus escritos, de um modo geral!... Jamais conseguiria tal proeza, ainda que tenha participado da mesma festa da infância... PARABÉNS! Obrigada pela partilha! Beijos!...
    FELIZ ANIVERSÁRIO, TIO NÉCIO!!! ESTAMOS JUNTOS NESTA FESTA DA TUA VIDA!!!

    ResponderExcluir