domingo, 6 de abril de 2025

Angústia

 



Tristeza, solidão, silêncio, uma angústia filha da puta. Aqui é um oásis em campo de neve. Um útero aquecido artificialmente, que abriga alguns por alguns instantes. Logo todos serão devolvidos à sua angústia silenciosa fora daqui. Se me dão opção, permaneço, não embarco, tomo mais um café, e outro e outro..., na esperança de acordar em casa, a milhares de quilômetros. Olho aquela que serve: donde a alegria que expressa no olhar? Só há tristeza, frio, umidade e solidão aqui em torno...! Lá fora, a lotação é a representação da desesperança. Que se vá sem mim. Me ocorre uma canção: “chove lá fora / e aqui tá tanto frio”. Por um momento queria ser ela, me sentir feliz, seguro, como ela aparenta ser, alheia a esse espaço deprimente. Se eu fosse ela, queria mais era morrer. A canção insiste: me chama, me chama, me chama.

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