Editorial do The Villa Biscaia Post (para o povo entojado)
O povo brasileiro sempre trabalhou muito. O problema é que, até 2003, antes do primeiro Governo Lula, para milhões de brasileiros, trabalhar não significava necessariamente progredir. Trabalhava-se para sobreviver, para pagar as contas, para manter a família — mas, muitas vezes, sem a possibilidade concreta de melhorar de vida e colher os frutos do próprio esforço.
Quando o Governo Lula chegou, uma parcela enorme da população experimentou, pela primeira vez, uma sensação que deveria ser elementar em qualquer sociedade: TRABALHAR VALE A PENA.
Antes disso, milhões de brasileiros atravessavam a vida sem jamais entrar em um avião, sem poder viajar nas férias, sem se hospedar em um hotel, sem frequentar uma churrascaria quando quisessem, sem trocar uma casa pequena por outra maior quando a família crescesse — e, muitas vezes, sem sequer ter um carro velho para passear com os filhos.
Para muitos, tudo isso parecia reservado a uma minoria.
Foi durante os governos do presidente Lula que essas possibilidades começaram a se tornar parte da vida cotidiana de milhões de brasileiros.
Lula não simplesmente “deu” alguma coisa a ninguém. Lula ajudou a criar condições para que milhões de brasileiros pudessem conquistar aquilo que já mereciam pelo próprio trabalho. O Brasil começou a se transformar em um país mais moderno e inclusivo, no qual a origem social não precisava determinar, para sempre, o destino de uma pessoa.
Trabalhar, o brasileiro já trabalhava — e muito. O que faltava era que o esforço pudesse se converter em oportunidade, mobilidade social e melhoria efetiva da qualidade de vida.
É nesse ponto que talvez esteja uma das maiores transformações daquele período.
A filha da empregada doméstica pôde deixar de ter como destino inevitável o mesmo trabalho da mãe e chegar à universidade, formando-se em Medicina. O filho do porteiro pôde não precisar repetir a profissão do pai e estudar Engenharia. O filho do operário pôde construir sua própria trajetória, estudar Administração e chegar à direção de uma indústria, em vez de depender de uma vaga conseguida pelo pai na fábrica.
Os exemplos são milhões.
E talvez seja justamente isso o que mais incomode aqueles que preferem acreditar que a sociedade deve permanecer imutável: quando uma geração conquista oportunidades que a anterior não teve, a velha lógica da desigualdade começa a ser rompida.
É verdade que nenhum governo resolveu todos os problemas do Brasil — nem poderia. Ainda há pobreza, desigualdade, serviços públicos deficientes e enormes obstáculos a superar. Mas reconhecer os avanços não significa ignorar o que falta. Ao contrário: significa compreender de onde partimos e o quanto ainda precisamos avançar.
Aos que transformam qualquer conquista social em motivo de ressentimento, aos que preferem o lamento à construção e aos que desejam devolver o Brasil a um passado de oportunidades restritas, deixemos o seu ÓDIO.
Nós temos trabalho a fazer.
Os desafios da modernização do País continuam imensos. E tornam-se ainda maiores quando a sociedade se deixa contaminar por discursos que pretendem desvalorizar conquistas, desacreditar políticas de inclusão e convencer os brasileiros de que avançar foi um erro.
Não podemos aceitar que o País dê passos para trás e, depois, cobre novamente dos brasileiros que trabalham a tarefa de reconstruir aquilo que já havia sido conquistado.
O Brasil precisa seguir em frente.
Precisa de mais oportunidades, mais educação, mais emprego, mais renda, mais desenvolvimento e, sobretudo, de uma sociedade em que o lugar onde uma pessoa nasce não determine o lugar onde ela poderá chegar.
Que nunca nos esqueçamos:
“NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA.”
