terça-feira, 23 de outubro de 2012

Ramatis: o sonho de Joaquim Barbosa dura pouco

O fato é que o seu sonho é curto e a duração não ultrapassará a quantidade de tempo que as elites considerarem necessário para desconstruir um governo e um ex-presidente que lhes incomoda profundamente.


Ramatis Jacino

Negros que escravizam e vendem negros na África, não são meus irmãos
Negros senhores na América a serviço do capital, não são meus irmãos
Negros opressores, em qualquer parte do mundo, não são meus irmãos…
Solano Trindade

O racismo, adotado pelas oligarquias brasileiras para justificar a exclusão dos negros no período de transição do modo de produção escravista para o modo de produção capitalista, foi introjetado pelos trabalhadores europeus e seus descendentes, que aqui aportaram beneficiados pelo projeto de branqueamento da população brasileira, gestado por aquelas elites.

Impediu-se, assim, alianças do proletariado europeu com os históricos produtores da riqueza nacional, mantendo-os com ações e organizações paralelas, sem diálogos e estratégias de combate ao inimigo comum. Contudo, não há como negar que o conjunto de organizações sindicais, populares e partidárias, além das elaborações teóricas classificadas como “de esquerda”, sejam aliadas naturais dos homens e mulheres negros, na sua luta contra o racismo, a discriminação e a marginalização a que foram relegados.

No campo oposto do espectro ideológico e social, as organizações patronais, seus partidos políticos e as teorias que defendem a exploração do homem pelo homem, que classificamos de “direita”, se baseiam na manutenção de uma sociedade estamental e na justificativa da escravidão negra, como decorrência “natural” da relação estabelecida entre os “civilizados e culturalmente superiores europeus” e os “selvagens africanos”.

É equivocada, portanto, a frase de uma brilhante e respeitada filósofa negra paulistana de que “entre direita e esquerda, eu sou preta”, uma vez que coloca no mesmo patamar os interesses de quem pretende concentrar a riqueza e poder e àqueles que sonham em distribuí-la e democratizá-la. Afirmação esta, que pressupõe alienação da população negra em relação às disputas políticas e ideológicas, como se suas demandas tivessem uma singularidade tal que estariam à margem das concepções econômicas, de organização social, políticas e culturais, que os conceitos de direita e esquerda carregam.

As elites brasileiras sempre utilizaram indivíduos ou grupos, oriundos dos segmentos oprimidos para reprimir os demais e mantê-los sob controle. Capitães de mato negros que caçavam seus irmãos fugidos, capoeiristas pagos para atacarem terreiros de candomblé, incorporação de grande quantidade de jovens negros nas polícias e forças armadas, convocação para combater rebeliões, como a de Canudos e Contestado, são exemplos da utilização de negros contra negros ao longo da nossa história.

Havia entre eles quem acreditasse ter conquistado de maneira individual o espaço que, coletivamente, era negado para o seu povo, iludindo-se com a idéia de que estaria sendo aceito e incluído naquela sociedade. Ansiosos pela suposta aceitação, sentiam necessidade de se mostrarem confiáveis, cumprindo a risca o que se esperava deles, radicalizando nas ações, na defesa dos valores dos poderosos e da ideologia do “establishment” com mais vigor e paixão do que os próprios membros das elites. A tragédia, para estes indivíduos – de ontem e de hoje -, se estabelece quando, depois de cumprida a função para a qual foram cooptados são devolvidos à mesma exclusão e subalternidade social dos seus irmãos.

São inúmeros os exemplos deste descarte e o mais notório é a história de Celso Pitta, eleito prefeito da maior cidade do país, apoiado pelos setores reacionários, com a tarefa de implementar sua política excludente.

Depois de alçado aos céus, derrotando uma candidata de esquerda que, quando prefeita privilegiou a população mais pobre – portanto, negra – foi atirado ao inferno por aqueles que anteriormente apoiaram sua candidatura e sua administração. Execrado pela mídia que ajudou a elegê-lo, abandonado por seus padrinhos políticos, acabou processado e preso, de forma

humilhante, de pijama, algemado em frente às câmeras de televisão. Morreu no ostracismo, sepultado física e politicamente, levando consigo as ilusões daqueles que consideram que a questão racial passa ao largo das opções político/ideológicas.

A esquerda, por suas origens e compromissos, em que pese o fato de existirem pessoas racistas que se auto intitulam de esquerda, comporta-se de maneira diversa: foi um governo de esquerda que nomeou cinco ministros de Estado negros; promulgou a lei 10.639, que inclui a história da África e dos negros brasileiros nos currículos escolares; criou cotas em universidades públicas; titulou terras de comunidades quilombolas e aprofundou relações diplomáticas, econômicas e culturais com o continente africano.

Joaquim Barbosa se tornou o primeiro ministro negro do STF como decorrência do extraordinário currículo profissional e acadêmico, da sua carreira e bela história de superação pessoal. Todavia, jamais teria se tornado ministro se o Brasil não tivesse eleito, em 2003, um Presidente da República convicto que a composição da Suprema Corte precisaria representar a mistura étnica do povo brasileiro.

Com certeza, desde a proclamação da República e reestruturação do STF, existiram centenas, talvez milhares de homens e mulheres negras com currículo e história tão ou mais brilhantes do que a do ministro Barbosa.

Contudo, nunca passou pela cabeça dos presidentes da República – todos oriundos ou a serviço das oligarquias herdeiras do escravismo – a possibilidade de indicar um jurista negro para aquela Corte. Foi necessário um governo de esquerda, com todos os compromissos inerentes à esquerda verdadeira, para que seu mérito fosse reconhecido.

A despeito disso, o ministro Barbosa, em uníssono com o Procurador Geral da República, considera não haver necessidade de provas para condenar os réus da Ação Penal 470. Solidariza-se com as posições conservadoras e evidentemente ideológicas de alguns dos demais ministros e, em diversas ocasiões procura ser “mais realista do que o próprio rei”.

Cumpre exatamente o roteiro escrito pela grande mídia ao optar por condenar não uma prática criminosa, mas um partido e um governo de esquerda em um julgamento escandalosamente político, que despreza a presunção de inocência dos réus, do instituto do contraditório e a falta de provas, como explicitamente já manifestaram mais de um dos integrantes daquela Corte.

Por causa “desses serviços prestados” é alçado aos céus pela mesma mídia que, faz uma década, milita contra todas as iniciativas promotoras da inclusão social protagonizadas por aquele governo, inclusive e principalmente, àquelas que tentam reparar as conseqüências de 350 anos de escravidão e mais de um século de discriminação racial no nosso país.

O ministro vive agora o sonho da inclusão plena, do poder de fato, da capacidade de fazer valer a sua vontade. Vive o sonho da aceitação total e do consenso pátrio, pois foi transformado pela mídia em um semideus, que “brandindo o cajado da lei, pune os poderosos”.

Não há como saber se a maximização do sonho do ministro Joaquim Barbosa é entrar para a história como um juiz implacável, como o mais duro presidente do STF ou como o primeiro presidente da República negro, como já alardeiam, nas redes sociais e conversas informais, alguns ingênuos, apressados e “desideologizados” militantes do movimento negro.

O fato é que o seu sonho é curto e a duração não ultrapassará a quantidade de tempo que as elites considerarem necessário para desconstruir um governo e um ex-presidente que lhes incomoda profundamente.

Elaborar o maior programa de transferência de renda do mundo, construir mais de um milhão de moradias populares, criar 15 milhões de empregos, quase triplicar o salário mínimo e incluir no mercado de consumo 40 milhões de pessoas, que segundo pesquisas recentes é composto de 80% de negros, é imperdoável para os herdeiros da Casa Grande. Contar com um ministro negro no Supremo Tribunal Federal para promover a condenação daquele governo é a solução ideal para as elites, que tentam transformá-lo em instrumento para alcançarem seus objetivos.

O sonho de Joaquim Barbosa e a obsessão em demonstrar que incorporou, na íntegra, as bases ideológicas conservadoras daquele tribunal e dos setores da sociedade que ainda detém o “poder por trás do poder” está levando-o a atropelar regras básicas do direito, em consonância com os demais ministros, comprometidos com a manutenção de uma sociedade excludente, onde a Justiça é aplicada de maneira discricionária.

A aproximação com estes setores e o distanciamento dos segmentos a quem sua presença no Supremo orgulha e serve de exemplo, contribuirão para transformar seu sonho em pesadelo, quando àqueles que o promoveram à condição de herói protagonizarem sua queda, no momento que não for mais útil aos interesses dos defensores do “apartheid social e étnico” que ainda persiste no país.

Certamente não encontrará apoio e solidariedade nos meios de esquerda, que são a origem e razão de ser daquele que, na Presidência da República, homologou sua justa ascensão à instância máxima do Poder Judiciário. Dos trabalhadores das fábricas e dos campos, dos moradores das periferias e dos rincões do norte e nordeste, das mulheres e da juventude, diretamente beneficiados pelas políticas do governo que agora é atingido injustamente pela postura draconiana do ministro, não receberá o apoio e o axé que todos nós negros – sem exceção – necessitamos para sobreviver nessa sociedade marcadamente racista.


Ramatis Jacino é professor, mestre e doutorando em História Econômica pela USP e presidente do INSPIR – Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial.

8º Programa Eleitoral de Fernando Haddad - PT 13


7º Programa Eleitoral de Fernando Haddad - PT 13


6º Programa Eleitoral de Fernando Haddad - PT 13



segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Judiciário: o ódio pela perda de privilégios

Certos ministros do STF alimentam ódio do presidente Lula e do PT por causa da instituição da cobrança de contribuição previdenciária dos aposentados e o fim da farra das aposentadorias e pensões em valores integrais, pagas pelo povo brasileiro, em especial os mais pobres. Quando a matéria foi votada, em demonstração de extrema irresponsabilidade e desprezo pela função pública, juízes (não todos, felizmente) entraram em greve!!!! Foi um dos episódios mais baixos e degradantes da vida política nacional, em todos os tempos. O Brasil vem mudando, melhorando, tornando-se uma nação mais justa e desenvolvida. O judiciário ainda é o principal fator de atraso do país, um peso que os brasileiros carregam, como os escravos carregavam as liteiras dos nobres portugueses, sob xingamento e chibata. Urge uma reforma ampla para OBRIGAR o judiciário brasileiro a ingressar no Século XXI!

DIVULGUEM A TEORIA POLÍTICA DO SUPREMO
Por Wanderley Guilherme dos Santos
Diante de um Legislativo pusilânime, Odoricos Paraguassú sem voto revelam em dialeto de péssimo gosto e falsa cultura a raiva com que se vingam, intérpretes dos que pensam como eles, das sucessivas derrotas democráticas e do sucesso inaugural dos governos enraizados nas populações pobres ou solidárias destes. Usando de dogmática impune, celebram a recém descoberta da integridade de notório negocista, confesso sequestrador de recursos destinados a seu partido, avaliam as coalizões eleitorais ou parlamentares como operações de Fernandinhos Beira-mar, assemelhadas às de outros traficantes e assassinos e suas quadrilhas.
Os quase quarenta milhões de brasileiros arrancados à miséria são, segundo estes analfabetos funcionais em doutrina democrática, filhos da podridão, rebentos do submundo contaminado pelo vírus da tolerância doutrinária e pela insolência de submeter interesses partidariamente sectários ao serviço maior do bem público. Bastardos igualmente os universitários do Pró-Uni, aqueles que pela primeira vez se beneficiaram com os serviços de saúde, as mulheres ora começando a ser abrigadas por instituições de governo para proteção eficaz, os desvalidos que passaram a receber, ademais do retórico manual de pescaria, o anzol, a vara e a isca. Excomungados os que conheceram luz elétrica pela primeira vez, os empregados e empregadas que aceitaram colocações dignas no mercado formal de trabalho, com carteira assinada e previdência social assegurada. Estigmatizados aqueles que ascenderam na escala de renda, comparsas na distribuição do butim resultante de políticas negociadas por famigerados proxenetas da pobreza.
Degradados, senão drogados, os vitimados pelas doenças, dependentes das drogas medicinais gratuitas distribuídas por bordéis dissimulados em farmácias populares. Pretexto para usurpação de poder como se eleições fossem, maldigam-se as centenas de conferências locais e regionais de que participaram milhões de brasileiros e de brasileiras para discussão da agenda pública por aqueles de cujos problemas juízes anencéfalos sequer conhecem a existência.
O Legislativo está seriamente ameaçado pelo ressentimento senil da aposentadoria alheia. Em óbvia transgressão de competências, decisões penais lunáticas estupram a lógica, abolem o universo da contingência e fabricam novelas de horror para justificar o abuso de impor formas de organização política, violando o que a Constituição assegura aos que sob ela vivem. Declaram criminosa a decisão constituinte que consagra a liberdade de estruturação partidária. Vingam-se da brilhante estratégia política de José Dirceu, seus companheiros de direção partidária e do presidente Lula da Silva, que rompeu o isolamento ideológico-messiânico do Partido dos Trabalhadores e encetou com sucesso a transformação do partido de aristocracias sindicais em foco de atração de todos os segmentos desafortunados do país.
Licitamente derrotados, os conservadores e reacionários encontraram no Supremo Tribunal Federal o aval da revanche. O intérprete, contudo, como é comum em instituições transtornadas, virou o avesso do avesso, experimentou o prazer de supliciar e detonou as barreiras da conveniência. Ou o Legislativo reage ou representará o papel que sempre coube aos judiciários durante ditaduras: acoelhar-se.
Imprensa independente, analistas, professores universitários e blogueiros: comuniquem-se com seus colegas e amigos no Brasil e no exterior, traduzam se necessário e divulguem o discurso do ministro-presidente Carlos Ayres de Britto sobre a política, presidencialismo, coalizões e tudo mais que se considerou autorizado a fazer. Divulguem. Divulguem. Se possível, imprimam e distribuam democráticamente. É a fama que merece.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

HSBC não consegue manter o site no ar

O site do HSBC está fora do ar a manhã inteira. Sem acesso ao Internet Banking, quem precisa movimentar sua conta, fazer pagamentos, transferências e outros serviços bancários tem que se deslocar até as agências e enfrentar filas. O banco inglês que abocanhou o Bamerindus em 1997 já encerrou as operações nos demais países da América do Sul e reduziu bastante a participação no mercado brasileiro. Há alguns anos vendeu a sua financeira popular - Losângo -, terceirizou o financiamento de veículos, praticamente desembarcou da Poupança e do crédito imobiliário na faixa mais popular, reduziu o relacionamento com a clientela de menor renda e tenta se firmar no segmento denominado "Premier", entre outras medidas restritivas. Ao lado do Santander - este um gigante bem-sucedido em território brasileiro -, o HSBC foi o que sobrou da avalanche de instituições estrangeiras no mercado bancário brasileiro nos anos 90, quando o governo FHC escancarou as portas do País à concorrência internacional. O ex-presidente brasileiro do HSBC, Michael Geoghegan, chegou a dizer que iria "ensinar" o dono do Itaú, Roberto Setúbal, a ganhar dinheiro. Mas acabou mesmo foi aprendendo com o paulista a ganhar dinheiro fácil com operações de Tesouraria, em especial a compra de títulos do governo. Isto quando o Brasil ainda se constituia no "último almoço grátis" da banca internacional, conforme palavras da presidente Dilma Roussef. Atualmente, com o juro real na faixa de 1,75% ao ano, o HSBC está sendo testado de fato na sua alegada competência em negócios. Se vai passar no teste só o tempo dirá.

18h24 - A página do banco voltou a funcionar. 

3º Programa Eleitoral de Fernando Haddad - PT 13


sábado, 13 de outubro de 2012

Recordando Fernando Campelo Duarte




No início dos anos trinta, Lamartine Babo correspondeu-se com Nair, uma mineira de Dores de Boa Esperança, a quem dedicou esta canção. Tempos depois, visitando a cidade, ele descobriria que Nair era uma menina, sobrinha de um admirador seu, o dentista Carlos Alves Neto, verdadeiro autor das cartas.

Um inspirado samba-canção, "Serra da Boa Esperança" mostrou-se propício a interpretações renovadoras, especialmente com criativas mudanças harmônicas, como a versão instrumental que lhe deram César Camargo Mariano e Wagner Tiso, em 1983, a vocal de Eduardo Dusek, em 1984, num reverente resgate, e esta magistral interpretação de Gal Costa.

A composição com 32 compassos (A-B) é desenvolvida sobre um motivo principal, de três notas e suas variações, usado quatro vezes a cada quatro compassos, e que é alterado de modo notável em duas ocasiões: na preparação para o final da primeira parte ("Meu-úl-ti-mo-bem") e no compasso 26 ("Ho-ra-do-adeus-vou-me"), quando em vez de ser repetido, prossegue o movimento descendente direto, um procedimento que volta a ser usado nas oito notas que precedem o arremate.

Com letra e música de Lamartine, "Serra da Boa Esperança" é um exemplo bem expressivo de sua arte, em que o poeta e o compositor se igualam em competência e bom gosto.

Serra da Boa Esperança (samba-canção, 1937) - Lamartine Babo

Intro: Dm A7

Dm A7
Serra da Boa Esperança esperança que encerra
Dm A7
No coração do Brasil um punhado de terra
A# C7 F C/E D7
No coração de quem vai, no coração de quem vem
Gm7 C7 F A7
Serra da Boa Esperança meu último bem
Dm A7
Parto levando saudades, saudades deixando
A# A7 A# A7
Murchas caídas na serra lá perto de Deus
Gm7 A7 Dm D7
Oh minha serra eis a hora do adeus vou me embora
Gm7 Em5-/7
Deixo a luz do olhar no teu luar
A7 Dm
Adeus
Dm A7
Levo na minha cantiga a imagem da serra
Dm A7
Sei que Jesus não castiga o poeta que erra
A# C7 F C/E D7
Nós os poetas erramos, porque rimamos também
Gm7 C7 F A7
Os nossos olhos nos olhos de alguém que não vem
Dm A7
Serra da Boa Esperança não tenhas receio
A# A7 A# A7
Hei de guardar tua imagem com a graça de Deus
Gm7 A7 Dm D7
Oh minha serra eis a hora do adeus vou me embora
Gm7 Em5-/7
Deixo a luz do olhar no teu luar
A7 Dm
Adeus

Fonte: Youtube

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Carta de Miruna Genoíno em defesa do pai

Genoíno: condenado por homens sem honra
Republico aqui a carta de Miruna Genoíno, filha de José Genoíno, em lamento pela condenação de seu pai por juízes fracos, acovardados ante os barões da mídia. José Genoíno Neto é cearense honrado como o foi João Capistrado de Abreu, o maior historiador brasileiro, nascido na bonita Maranguape, na localidade de Columinjuba. Assim como Genoíno hoje, Capistrano também foi alvo de homens sem honra, sempre prontos a se curvar aos interesses de ricos e poderosos em troca de cargos públicos, cartórios, terras. Como Capistrano ontem, José Genoíno, hoje, honra os brasileiros de fibra e de coragem. Certos juízes deslumbrados do STF estão para os barões da mídia Civitta, Marinho, Frias e Mesquita assim como o camareiro Francisco Rufino de Souza Lobato estava para o rei Dom João VI. E é como ele que irão passar à História.


"A coragem é o que dá sentido à liberdade

Com essa frase, meu pai, José Genoino Neto, cearense, brasileiro, casado, pai de três filhos, avô de dois netos, explicou-me como estava se sentindo em relação à condenação que hoje, dia 9 de outubro, foi confirmada.Uma frase saída do livro que está lendo atualmente e que me levou por um caminho enorme de recordações e de perguntas que realmente não têm resposta.

Lembro-me que quando comecei a ser consciente daquilo que meus pais tinham feito e especialmente sofrido, ao enfrentar a ditadura militar, vinha-me uma pergunta à minha mente: será que se eu vivesse algo assim teria essa mesma coragem de colocar a luta política acima do conforto e do bem estar individual? Teria coragem de enfrentar dor e injustiça em nome da democracia?

Eu não tenho essa resposta, mas relembrar essas perguntas me fez pensar em muitas outras que talvez, em meio a toda essa balbúrdia, merecem ser consideradas...
Você seria perseverante o suficiente para andar todos os dias 14 km pelo sertão do Ceará para poder frequentar uma escola? Teria a coragem suficiente de escrever aos seus pais uma carta de despedida e partir para a selva amazônica buscando construir uma forma de resistência a um regime militar? Conseguiria aguentar torturas frequentes e constantes, como pau de arara, queimaduras, choques e afogamentos sem perder a cabeça e partir para a delação? Encontraria forças para presenciar sua futura companheira de vida e de amor ser torturada na sua frente? E seria perseverante o suficiente ao esperar 5 anos dentro de uma prisão até que o regime político de seu país lhe desse a liberdade?

E sigo...
Você seria corajoso o suficiente para enfrentar eleições nacionais sem nenhuma condição financeira? E não se envergonharia de sacrificar as escassas economias familiares para poder adquirir um terno e assim ser possível exercer seu mandato de deputado federal? E teria coragem de ao longo de 20 anos na câmara dos deputados defender os homossexuais, o aborto e os menos favorecidos? E quando todos estivessem desejando estar ao seu lado, e sua posição fosse de destaque, teria a decência e a honra de nunca aceitar nada que não fosse o respeito e o diálogo aberto?

Meu pai teve coragem de fazer tudo isso e muito mais. São mais de 40 anos dedicados à luta política. Nunca, jamais para benefício pessoal. Hoje e sempre, empenhado em defender aquilo que acredita e que eu ouvi de sua boca pela primeira vez aos 8 anos de idade quando reclamava de sua ausência: a única coisa que quero, Mimi, é melhorar a vida das pessoas...
Este seu desejo, que tanto me fez e me faz sentir um enorme orgulho de ser filha de quem sou, não foi o suficiente para que meu pai pudesse ter sua trajetória defendida. Não foi o suficiente para que ganhasse o respeito dos meios de comunicação de nosso Brasil, meios esses que deveriam ser olhados através de outras tantas perguntas...

Você teria coragem de assumir como profissão a manipulação de informações e a especulação? Se sentiria feliz, praticamente em êxtase, em poder noticiar a tragédia de um político honrado? Acharia uma excelente ideia congregar 200 pessoas na porta de uma casa familiar em nome de causar um pânico na televisão? Teria coragem de mandar um fotógrafo às portas de um hospital no dia de um político realizar um procedimento cardíaco? Dedicaria suas energias a colocar-se em dia de eleição a falar, com a boca colada na orelha de uma pessoa, sobre o medo a uma prisão que essa mesma pessoa já vivenciou nos piores anos do Brasil?

Pois os meios de comunicação desse nosso país sim tiveram coragem de fazer isso tudo e muito mais.

Hoje, nesse dia tão triste, pode parecer que ganharam, que seus objetivos foram alcançados. Mas ao encontrar-me com meu pai e sua disposição para lutar e se defender, vejo que apenas deram forças para que esse genuíno homem possa continuar sua história de garra, HONESTIDADE e defesa daquilo que sempre acreditou.

Nossa família entra agora em um período de incertezas. Não sabemos o que virá e para que seja possível aguentar o que vem pela frente pedimos encarecidamente o seu apoio. Seja divulgando esse e/ou outros textos que existem em apoio ao meu pai, seja ajudando no cuidado a duas crianças de 4 e 5 anos que idolatram o avô e que talvez tenham que ficar sem sua presença, seja simplesmente mandando uma palavra de carinho. Nesse momento qualquer atitude, qualquer pequeno gesto nos ajuda, nos fortalece e nos alimenta para ajudar meu pai.

Ele lutará até o fim pela defesa de sua inocência. Não ficará de braços cruzados aceitando aquilo que a mídia e alguns setores da política brasileira querem que todos acreditem e, marca de sua trajetória, está muito bem e muito firme neste propósito, o de defesa de sua INOCÊNCIA e de sua HONESTIDADE. Vocês que aqui nos leem sabem de nossa vida, de nossos princípios e de nossos valores. E sabem que, agora, em um dos momentos mais difíceis de nossa vida, reconhecemos aqui humildemente a ajuda que precisamos de todos, para que possamos seguir em frente.

Com toda minha gratidão, amor e carinho,

Miruna Genoino"

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Haddad reconhece trabalho da militância e importância das redes sociais

As redes sociais alimentadas pela militância petista fizeram a sua parte para tornar as propostas de Fernando Haddad conhecidas do público, em especial dos jovens, e o resultado foi a vitória na eleição de domingo, desmentindo o DataFolha (agora DataFalha). Haddad agradeceu à garotada, que retoma agora os trabalhos para o segundo turno.

sábado, 6 de outubro de 2012

Contribuintes respondem ao presidente do TJ/PR

Hilux: Carro popular, segundo o TJ/PR
Foi-se o tempo em que o cidadão curitibano escrevia cartas para os jornais para bater palmas ao prefeito, governador, parlamentares e outras autoridades paranaenses, naquele estilo conhecido como "leitor da Veja". Era uma época em que a Gazeta do Povo escrevia "alugueres", usava advérbios e superlativos para alongar títulos (muito maravilhoso) e tinha como concorrente o DOE. Veio então o governo Requião e, como maior obra (quiçá única), obrigou a Gazeta do Povo a fazer Jornalismo, levando-a a transformar-se em um grande jornal e a ocupar o espaço que anteriormente pertencia à falecida Folha de Londrina. Mas não foi só a Gazeta que evoluiu; os leitores do jornal também se transformaram (não se sabe se igualmente por obra do governo Requião) e agora, no lugar de louvaminhas, dirigem duras palavras às autoridades, em proporção direta ao nível de arrogância destas. Querem ver? Então lá vão duas cartas publicadas na edição deste sábado, 6/10, retrucando a defesa  que o presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, Miguel Kfouri Neto, fez da aquisição de caminhonetes de luxo para servir aos desembargadores paranaenses:

Judiciário 1
Digo ao sr. Miguel Kfouri Neto (Gazeta, 5/10) que a publicidade das contas dos órgãos públicos não é mero capricho da imprensa. É princípio da administração pública e se chama transparência. Como o dinheiro gasto nos luxos do TJ sai do bolso dos contribuintes – que o senhor, do alto da sua sagrada arrogância, chama de “simplória massa de manobra” –, nada mais justo que sabermos onde ele está sendo gasto. Ao dirigir-se a nós, cidadãos, tenha um pouco mais de respeito, sr. Kfouri. Esperamos que o senhor, no papel de presidente do TJ-PR, use um pouco mais de discernimento para julgar uma causa que o demonstrado ao redigir esse exaltado e apoplético texto.
Ivonete Alexandrino dos Santos
 

Judiciário 2
Considero muito importante a aquisição das caminhonetes pelo TJ-PR; afinal, proporcionarão muito conforto e segurança aos seus usuários, em face da duríssima carga de trabalho e estresse que sofrem. Juntamente com o aluguel do jato executivo, acho que também seria interessante a aquisição de iates ou lanchas, aí todos os requisitos de conforto e segurança estariam preenchidos.
João Carlos Rotta


Para quem não leu o artigo do desebargador Miguel Kfouri Neto, que deu origem às manifestações da sra. Ivonete e do sr. João Rotta, segue a peça:

 "Presidente do TJ-PR contesta abordagem parcial

da imprensa sobre aquisição de camionetas de luxo

*Miguel Kfouri Neto

Cuidado: Desembargador a bordo
Jornalistas de diversos veículos – jornal, rádio, TV, blogs, portais – têm demonstrado, nesses últimos dias, viva e candente indignação. Isto porque – inominável heresia! – o presidente do Tribunal de Justiça do Paraná determinou a realização de pregão eletrônico, para a aquisição de cinco camionetas “de luxo”, para transporte de equipes da Corregedoria e da presidência, nas constantes viagens ao Interior do Estado.

“O Judiciário do Paraná tem outras prioridades”, vocifera um; “vejam só o carro que eles querem, tem até GPS e som digital”, brada outro, apoplético; “o freio é ABS e o câmbio é automático”, grita o colérico comentarista, à beira de um ataque de nervos. E aí por diante. Itens de fábrica, para carros desse modelo, aptos a transportar sete passageiros, transformam-se em opcionais desprezíveis, luxo só, na visão dos rigorosos censores.

“Deveriam, comprar carro de menor valor”, fustigam. Berra, ensandecida, a apresentadora: “É dinheiro do contribuinte, é o meu, o seu dinheiro, telespectador!”

A julgar pela quantidade de tempo e tinta gastos com os irados comentários, tem-se a impressão de que o noticiário anda meio pobre, aqui pela terra das araucárias…
A empresa vencedora indicou valor unitário de R$173.990,00 para o fornecimento dos veículos – quase oitocentos e setenta mil reais, no total.

Estamos construindo, hoje, no Paraná, vinte e seis prédios, a quase totalidade destinada a abrigar fóruns, no Interior. Alguns deles estavam quase desabando. São 243 milhões de reais em obras. Com os 91 milhões pagos pela desapropriação do prédio da Rua Mauá, em Curitiba, de 31.000m2, são mais de 330 milhões em edificações novas.
Nesses vinte meses de gestão, foram criados quase 150 cargos de juiz de direito. Despesa anual aproximada, de 45 milhões de reais.

Foram instaladas 76 Varas Judiciais e Comarcas (3). Contratados quase 1.200 assessores para os magistrados, em todo o Paraná. Nomeados perto de 700 servidores – para aumentar a produtividade, acelerar o andamento dos processos, melhorar a qualidade dos serviços prestados à população. Criados 80 cargos de analista de sistemas e técnicos de computador. Nomeados 75 analistas de nível superior – assistentes sociais, psicólogos, pedagogos – para as equipes técnicas de Família, Infância e Juventude. Calculem os iluminados jornalistas o montante dessas despesas: por baixo, mais de 85 milhões por ano. Só com estagiários, cerca de 2.800 – aí incluídos os de pós-graduação – acrescentem-se 25 milhões de reais.

E isso ainda é pouco: milhares de computadores, impressoras, mobiliário, materiais diversos. Assim, nesse cálculo aligeirado, atingimos quase 500 milhões de reais, investidos na ampla modernização do Judiciário paranaense.

As tais camionetas representam, pois, algo ao redor de 0,16% desses investimentos.
E foram adquiridas para transportar, com segurança, magistrados e servidores, cujas vidas, para a direção do TJ, não têm preço.

Com a venda da nossa folha de pagamento à Caixa Econômica Federal, auferimos 21 milhões de reais. Receita para o FUNREJUS. Portanto, não se despenderá dinheiro do contribuinte.

Segunda-feira passada, dia 1.º/10, inauguramos o Fórum da CIC, que atenderá população estimada em 240 mil pessoas. Silêncio quase total nesses órgãos sensacionalistas. Estava lá, apenas, competente equipe da TV Educativa. Nos jornais, dias antes, mísera notinha em página interna. Depois, absolutamente nada – nem uma fotografiazinha três por quatro, para mostrar como ficou bonito e funcional aquele fórum descentralizado.

Será que os jornalistas noticiarão, semana que vem (dia 09/10, às 17h), a inauguração do Fórum da Família, Infância e Juventude, na Rua da Glória? Prédio novo, mais de 8.000m2, que acolherá condignamente os cidadãos curitibanos, advogados, promotores, servidores e juízes. Pelo andar da carruagem, melhor não nutrir muita esperança…

Tem-se a impressão de que o objetivo único é desinformar a população, despertar rancores, distorcer, ironizar, menoscabar. Informação boa, ao que tudo indica, é a negativa. Jornalista competente é aquele que espiolha o lado negativo – e faz com que a opinião pública, reduzida à expressão simplória de massa de manobra – expresse opiniões equivocadas, na mais densa e santa ignorância.

Ninguém pretende unanimidade. O direito à crítica é inalienável. Mas ao menos, forneçam ao leitor dados completos. Por favor, não fragmentem a realidade, agindo com parcialidade.

Peço-lhes, uma vez mais: façam justiça ao Judiciário do Paraná!

* Desembargador e presidente do Tribunal de Justiça do Paraná (gestão 2011-2012).



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Está surgindo o Presidente do Brasil de 2018: Fernando Haddad



Para a eleição de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo neste domingo, O Rappa:


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O Mensalão vai passar o País a limpo

Ministro Celso de Merllo após ler O Código da Vida
O Brasil vive o momento ideal para o Poder Legislativo reformar o Judiciário, começando por criminalizar a venda de sentenças e atribuir-lhe a condição de crime hediondo. Afinal, a justiça é a última esperança do cidadão, e aquele que age de maneira a fraudar esse direito comete verdadeiro crime de lesa-humanidade.

Para provar a venda de sentenças siga-se o ensinamento do presidente do STF, ministro Ayres Britto: a pergunta não deve ser: "há prova de venda de sentença?", mas "não está na cara que esse juiz levou bola do réu?".

Aos acusados de venda de sentença caberá o ônus da prova de sua inocência. Afinal, parodiando a ministra Rosa Weber e o ministro Luiz Fux, nenhum juiz anuncia no Alô Negócios que está disponível para comercializar sentenças ou emite nota fiscal descriminada; ao contrário, isto é feito de maneira acobertada, às escuras mesmo. Evidente, portanto, que é muito difícil fazer prova dessa prática, mas que ela ocorreu não resta a menor dúvida!

Ao livrar o país dos juízes vendedores de sentença - os bandidos de toga, como bem os designou a ministra Eliane Calmon - o Poder Legislativo federal estará moralizando os costumes no Brasil, como propugnou o ministro Celso de Mello (aquele alcunhado "juiz de merda" pelo ex-ministro da Justiça Saulo Ramos em seu livro Código da Vida, página 179).

Mãos a obra, parlamentares!

O diabo no meio do mensalão


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Guimarães Rosa

Fonte: Blog O Cafezinho

Miguel do Rosário

O diabo existe? A pergunta é falsamente ingênua, porque esconde uma dúvida metafísica muito complexa sobre a existência ou não do mal. Riobaldo, o protagonista de Grande Sertão, acha que todos os sábios do mundo deveriam se reunir para decidirem, de uma vez por todas, se há ou não um capeta assombrando o mundo.

A mídia brasileira encontrou, nos ministros do Supremo Tribunal Federal, os sábios que faltaram à Riobaldo: sete juízes entenderam que sim, que o diabo existe, ou seja, que o mensalão foi compra de voto de parlamentares.


A Procuradoria, as CPIs e toda a mídia brasileira, passaram quase sete anos à procura de um testemunha ou prova consistente que afirmasse a tese da compra de voto. Centenas – talvez milhares – de pessoas foram interrogadas, entrevistadas, devassadas, e todos asseguraram que não, que não houve venda de voto. Não importa. A nossa democracia agora é governada por sete sábios. São eles que dão a palavra final.

O STF produziu uma armadilha para si mesmo, e entrou nela. Desde o início dos debates, muita gente via, estarrecida, que os ministros enveredavam por uma trilha perigosíssima, ao estabelecerem que não havia necessidade de provas ou “atos de ofício” para condenarem os réus. Então, quando todos achavam que o festival de arbitrariedades havia atingido o clímax, eis que ele piora, e o ministros, constrangidos pela dificuldade em condenar sem “ato de ofício”, decidem que o ato de votar é o crime final do parlamentar envolvido no escândalo do mensalão.

Os ministros, no afã de demonstrar a existência do Dito-Cujo, trouxeram-no para dentro do tribunal. Em algum momento dos debates, veremos um redemoinho de papéis num canto do salão. É ele mesmo, o Sem-Nome, rindo-se dos juízes, da imprensa, de nós todos.
Outrora dizia-se que ainda havia juízes em Berlim. Grande ironia da história! Quando a democracia desaba, encontra-se um ou dois juízes tentando salvá-la. Quando a democracia chega a seu momento mais pujante, eis a maioria dos juízes disputando quem a violenta primeiro.

Por sorte ainda temos Wanderley Guilherme, e Blaise Pascal. O primeiro nos lembra o óbvio: que todo acordo eleitoral implica em convergência política. Quando dois partidos fazem um acordo, não é para “inaugurar retratos” nas respectivas sedes. Consegue-se o apoio de uma legenda com o fim de que seus parlamentares concretizem essa parceria na forma de votos. E apoio político, numa democracia altamente concorrencial e capitalista como a brasileira, implica, necessariamente, em acordos eleitorais envolvendo despesas de campanha.
Criminalizar isso é criminalizar a própria democracia. É glorificar a hipocrisia.

Se o mensalão foi compra de votos, ou seja, se o governo comprou a consciência dos políticos, então a reeleição de Fernando Henrique Cardoso foi o quê? A própria Constituição de 1988 teria sido “comprada”?  Sim, porque não é sensato pensar que os parlamentares que a promulgaram não receberam dinheiro para tocar suas respectivas campanhas, sendo que boa parte desses recursos, provavelmente, não foi contabilizada. A sabatina de cada ministro do STF também não foi objeto de comércio ilegal? Como o STF pode saber, aliás, qual exatamente foi o voto comprado? Um parlamentar pode receber dinheiro hoje por um voto que já deu na semana anterior. Pode receber adiantado para votar daqui a um mês. Ou seja, até a “coincidência” da datas, que os juízes estão ridiculamente usando como indício de crime, não significa absolutamente nada!

O que os ministros estão fazendo, para o deleite da mídia conservadora, é criminalizar a política brasileira. O discurso de Celso Mello, ontem, representou uma agressão insuportável aos valores democráticos e à nossa própria soberania. Foi um discurso de golpe, com o qual se poderia justificar qualquer violência contra o sufrágio popular. Todos os preconceitos que emergiram com a vitória de Lula voltaram a se manifestar, com força total, nos recentes discursos desses magistrados. Por que não agiram com ira similar quando o réu era Daniel Dantas, um dos maiores corruptores de políticos de que se tem notícia?

Pascal, por sua vez, lembra-nos que “nada é justo em si” e que “nada é tão falível como essas leis que reparam as faltas: quem lhes obedece, porque são justas, obedece à justiça que imagina, mas não à essência da lei, que está encerrada em si: é lei e nada mais”.
Celso Mello e seus colegas deveriam reler Pascal antes de se arvorarem paladinos da justiça, da ética e da moralidade. Não porque não sejam éticos e justos, mas porque esses temas pertencem à esfera da pesquisa filosófica, e mesmo assim, objetos de infinitas controvérsias. Quando entra em jogo a política, então, nos deparamos com uma quantidade de areia muito superior ao caminhãozinho dos juízes.

Não questiono o saber jurídico dos excelentíssimos, mas que se atenham a examinar os autos, que para isso pagamos-lhes os salários. Deixem as interpretações arbitrárias sobre o fazer político para seus momentos de lazer.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Falcão: ‘O juiz ausente é um funcionário público que falta ao trabalho’

Sucessor de Eliana Calmon na Corregedoria do CNJ quer magistrados no interior


Francisco Falcão, novo corregedor do CNJ
Foto: Agência O Globo / Gustavo Miranda
Francisco Falcão, novo corregedor do CNJ Agência O Globo / Gustavo Miranda

Fonte: O Globo 

 RIO - O novo corregedor do Conselho Nacional de Justiça, Francisco Falcão, se lembra do tempo em que o pai, Djaci, cumpria longas temporadas como juiz no interior pernambucano. O exemplo do pai, que chegou a presidir o STF, inspira Falcão na primeira medida no cargo que assumiu em setembro. Ele promete jogar duro com o juiz gazeteiro, que só aparece duas ou três vezes por semana para trabalhar.

Logo após assumir a Corregedoria do CNJ, o senhor negou que faria uma gestão mais moderada do que a da antecessora, a ministra Eliana Calmon, famosa pela dureza contra os “bandidos de toga”. O senhor chegou a dizer que muita gente sentirá “saudades da Eliana”. Na prática, o que deixará as pessoas saudosas?

Estou começando a definir a agenda, mas já acertei uma viagem à Paraíba no dia 31. O motivo é relevante. Em parceria com a Corregedoria de Justiça do estado, vamos lançar um programa que obrigará os juízes de cidades do interior a marcar audiências preferencialmente às segundas e sextas-feiras. Queremos garantir a presença do magistrado na comarca. Fazendo isso, nós o obrigamos a passar a semana inteira ali, e não apenas dois ou três dias, como ocorre com frequência.

O senhor teme reação corporativa?

De modo algum. A presença na comarca, de segunda a sexta-feira, é obrigação de todos os juízes, prevista na Lei Orgânica da Magistratura. Meu pai, Falcão, que presidiu o Supremo, foi juiz de comarca. Ele morava nas cidades. Levava a família. Hoje, as queixas sobre o problema são recorrentes. Se existem alguns casos de descumprimento, as corregedorias locais devem agir para punir os maus magistrados. O juiz ausente é um funcionário público que falta ao trabalho. E quem perde é a sociedade, os advogados que viajam horas e horas, chegam lá e não encontram ninguém.

Alguma razão especial pela escolha da Paraíba?

Vamos começar por lá pois tivemos a boa vontade do Tribunal de Justiça local, mas outros estados também enfrentam o mesmo problema. Sendo assim, a meta é ampliar o programa para todo o Brasil, sempre agindo em parceria com os Judiciários estaduais. Às corregedorias caberá monitorar as audiências.

O senhor citou o exemplo de seu pai. O que lembra dessa época?

Como juiz de comarca, entre as décadas de 1940 e 1950, ele passou por municípios como Serrita, São Joaquim do Monte, Caruaru, Triunfo e Paulista, em Pernambuco. Onde ele esteve, fez questão de morar na própria cidade. Primeiro, solteiro. Depois, com a família. Em uma delas, recusou-se a aceitar a casa cedida por uma família abastada. Pagava o aluguel. Quando nasci, ele trabalhava em Paulista, onde passamos quatro anos com raras idas à capital. Ele só viajava a Recife a cada seis meses ou um ano.

O senhor disse que agirá sempre em parceria com as corregedorias locais. Isso pode ser entendido como uma diferença da gestão anterior, marcada por confrontos entre Eliana Calmon e os tribunais estaduais?

Volto a dizer que não haverá diferença. Fiz poucas mudanças. Dos setes juízes auxiliares, três trabalharam com ela. Os demais saíram por motivos alheios à minha vontade. Eu diria apenas que sou pessoa mais discreta. Falo pouco, mas reafirmo: corre-se o risco de sentir saudades da Eliana. Evidentemente, não vou condenar ninguém antes do julgamento nem vou quebrar sigilo de ninguém. Mas defendo que nenhuma autoridade pública deva ter sigilo bancário ou fiscal.

Que outras questões terão prioridade no início da gestão?

O programa “Mutirão do Juri”, para desafogar os tribunais de juri. Vamos começar por Jaboatão dos Guararapes, município em Pernambuco, onde há 2.400 processos a serem julgados. Isso representa uma quantidade expressiva de criminosos soltos. Sempre com a colaboração da Justiça local, pretendemos mobilizar de 30 a 40 juízes para reduzir o estoque de ações. Localizada na região metropolitana de Recife, Jaboatão é um celeiro do crime. A Justiça precisa entrar ali para mostrar a sua mão forte. Mas não faremos só em Pernambuco. A pedido do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, preocupado com a escalada da criminalidade, São Paulo terá o seu mutirão do júri logo após as eleições.

Como o senhor disse que as mudanças na Corregedoria do CNJ serão poucas, pretende contar com a contribuição de sua antecessora?

Assim que a ministra Eliana Calmon voltar de viagem, quero propor uma parceria com a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), agora dirigida por ela. O objetivo é preparar as corregedorias menores, padronizar as ações, pois elas têm pouca noção sobre como começar um procedimento administrativo.

O CNJ, ao fazer isso, quer reduzir seu protagonismo nos processos disciplinares?

Fortalecendo as corregedorias, a ideia é descentralizar o trabalho. O Conselho Nacional de Justiça, como órgão nacional, tem que cuidar das questões macro, as mais importantes. No início de novembro, haverá um fórum de corregedorias. Levaremos essa posição. A ideia é delegar, quando se tratar de pequenos problemas, e dar um prazo. Fizemos isso recentemente com a Corregedoria de Goiás. Fixamos um prazo de 60 dias. Se o problema não é resolvido, aí entramos e agimos. Mas há casos em que só a Corregedoria do CNJ tem condições de resolver. Em breve, começaremos a atuar a pedido de um estado.

Já que o senhor citou prazos, a pergunta é inevitável: o que mais o CNJ pode fazer para enfrentar a morosidade do Judiciário?

Uma das metas diz respeito às execuções fiscais. Não é possível que um processo deste tipo demore mais a tramitar do que a ação principal. A parte vitoriosa ganha, mas não leva, e isso inclui municípios, estados e União. No Rio de Janeiro, o Tribunal de Justiça, preocupado com a questão, deu prioridade no processamento das execuções e está promovendo mutirões de julgamento. É uma experiência que eu pretendo levar para outros estados, mas sempre em parceria.

Fonte: O Globo

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/falcaoo-juiz-ausente-um-funcionario-publico-que-falta-ao-trabalho-6253648#ixzz2895MxExF
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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

De Saulo Ramos sobre o ministro Celso de Mello: "você é um juiz de merda!"


O relato abaixo é do livro Código da Vida, do advogado e ex-Ministro da Justiça, Saulo Ramos:

"…a Suprema Corte estava em meio recesso, e o Ministro Celso de Mello, meu ex-secretário na Consultoria Geral da República, me telefonou:

E continua:

Veio o dia do julgamento do mérito. Sarney ganhou, mas o último a votar foi o Ministro Celso de Mello, que votou pela cassação da candidatura Sarney.

Deus do céu! O que deu no Garoto? Votou contra o Presidente que o nomeara, depois de ter demonstrado grande preocupação ( o assunto do telefonema para o “padrinho” ) com a hipótese de Marco Aurélio de Mello ( primo do Collor ) ser o relator.

Continuando a narrativa:

Apressou-se ele próprio a me telefonar, explicando:

- Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto…votei contra para desmentir a Folha de São Paulo ( que na véspera noticiou o voto certo em favor de Sarney )…

O Presidente já estava vitorioso e não precisava mais do meu…Mas fique tranquilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do Presidente…

O Senhor entendeu?

- Entendi.

ENTENDI QUE VOCÊ É UM JUIZ DE MERDA!

Bati o telefone e nunca mais falei com ele.

Muitos advogados sabiam que Celso de Mello havia sido meu secretário na Consultoria da República e nomeado Ministro do Supremo por empenho meu. (fls. 169 /176 do livro Código da Vida)".

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Ted Boy Marino: um tempo em que os heróis não morriam de overdose

Ted Boy Marino é tio do Tony Kanaã ... Isso até virou música.


Lula devolve o Mensalão ao colo de FHC e dos demos/tucanos

Fonte:  Estadão
Julgamento do mensalão não é vergonha, diz Lula

Pela primeira vez na campanha, ex-presidente menciona processo no STF e diz ter ‘orgulho’ de combate à corrupção no seu governo

Vera Rosa e Bruno Lupion, de O Estado de S.Paulo, e Daiene Cardoso, da Agência Estado

Em ato de campanha de Fernando Haddad (PT) com estudantes, na noite de quinta-feira, 27, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou os tucanos e disse que ninguém deve ter vergonha do julgamento do mensalão. Para Lula, a população deve ter "orgulho" do combate à corrupção nos seus dois mandatos. Foi a primeira vez que Lula se referiu ao mensalão na atual campanha.

"No nosso governo as pessoas são julgadas e as coisas são apuradas. No deles, tripudiam", afirmou o ex-presidente, que acusou o PSDB de engavetar escândalos. "Na nossa casa, quando nosso filho é suspeito de cometer um erro, nós investigamos e não culpamos os vizinhos, como eles costumam fazer." A reação de Lula foi provocada pela manifestação de um estudante, que causou constrangimento, no início da cerimônia com bolsistas do ProUni, ao levantar uma faixa com a inscrição "Renovação com Mensalão? PT do Lula tem o mensalão, PT do Haddad tem paralização (sic) na educação".

O estudante era do PSOL e foi hostilizado pelos colegas. Lula aproveitou a oportunidade para tratar da crise que atingiu o seu governo, em 2005, e tem sido usada pelo candidato do PSDB, José Serra, contra Haddad. Sem mencionar Fernando Henrique Cardoso, Lula disse que houve "compra de votos" para a aprovar a reeleição do antecessor, em 1997, e conclamou os estudantes a reagirem contra "mentiras".

"A gente não pode deixar de esquecer que o procurador-geral da República no tempo deles era chamado de engavetador. Vocês não podem esquecer da compra de votos para aprovar a reeleição neste País", afirmou. "Se juntarem todos os presidentes da história do Brasil, vocês verão que eles não criaram instituições para combater a corrupção como nós em oito anos. Sintam orgulho porque, se tem uma coisa que fizemos, foi criar instrumentos para combater a corrupção."

De microfone em punho e sob aplausos, Lula prosseguiu na defesa de seu governo. "É só ver o que era a Controladoria-Geral da República, a Polícia Federal e o grau de liberdade do Ministério Público antes de nós", insistiu, ao comentar que FHC fica "nervoso" com comparações dos dois governos.

Ainda sem citar nomes, o ex-presidente fez referência indireta ao PSOL ao dizer que, em 2006, a imprensa tentou inflar a candidatura de uma ex-petista - Heloisa Helena - e pediu a Haddad que não responda ao "jogo rasteiro" de quem tenta ligá-lo ao mensalão. "Mais uma vez, aquele senhor que ofendeu a Dilma até onde ninguém jamais tentou ofender agora está ofendendo Haddad", afirmou. Por fim, Lula pediu aos estudantes que façam "o milagre da multiplicação dos votos" para Haddad.

‘Xarope’. O candidato petista também endureceu em relação ao PSDB e à oposição. Atacou os críticos do "bolsa-esmola" e disse que Lula promoveu uma revolução na educação. "Essa revolução não seria feita por um doutor conservador, tinha de ser feita por um operário", afirmou. Ao chamar a oposição de "xarope" por "torcer para que as coisas deem erradas", o petista alfinetou o senador tucano Aécio Neves (MG). "Se o Aécio quer ser presidente, estuda um pouquinho. Lê um livro por semana. Dá uma lidinha em Copacabana."

À plateia formada por bolsistas do ProUni, o candidato fez uma ligação entre o programa e sua passagem como chefe de gabinete da Secretaria de Finanças da gestão Marta Suplicy. Haddad disse que o embrião do ProUni seria um programa de desconto no ISS em troca de bolsas universitárias, mas a ideia não vingou.

DataFolha (ou DataFalha) a seu dispor!


Os ganhadores do Prêmio Ig Nobel 2012

Fonte: Site Inovação Tecnológica - 21/09/2012

Crítica às neurociências

Foram anunciados ontem, na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, os ganhadores do Prêmio Ig Nobel de 2012.

O objetivo do evento, segundo seus organizadores, é destacar pesquisas científicas que primeiro nos fazem rir, para depois nos fazer pensar.

O grande destaque deste ano foi para uma pesquisa que cumpre bem esse objetivo: cientistas demonstraram que um salmão morto é capaz não apenas de reconhecer emoções humanas olhando para fotografias, como também mostraram a parte do cérebro do animal responsável por essas emoções.

O trabalho é uma crítica contundente à proliferação de estudos na área das neurociências que atribuem emoções, comportamentos e funções em geral a partes específicas do cérebro.

Segundo Craig Bennett e seus colegas, esses estudos têm duas marcas registradas: o uso de um exame chamado ressonância magnética funcional (fMRI) e de uma técnica estatística que permite tirar virtualmente qualquer conclusão.

O método estatístico é tão frágil que eles conseguiram tirar todas as conclusões do seu trabalho maluco observando o cérebro de um salmão morto.

Ganhadores do Ig Nobel 2012

Acústica

Kazutaka Kurihara e Koji Tsukada (Japão) pela criação do SpeechJammer, uma máquina "embaralhadora da fala", que interrompe a fala de uma pessoa, fazendo-a ouvir suas próprias palavras faladas em um pequeno atraso.

Anatomia

Frans de Waal (Holanda/EUA) e Jennifer Pokorny (EUA) por descobrir que os chimpanzés podem identificar outros chimpanzés individualmente olhando fotografias de seus traseiros.

Dinâmica dos Fluidos

Rouslan Krechetnikov (EUA/Rússia/Canadá) e Hans Mayer (EUA) por estudar o movimento do café na xícara quando uma pessoa anda com ela na mão.

Física

Joseph Keller (EUA), Raymond Goldstein (EUA/Reino Unido), Patrick Warren e Robin Ball (Reino Unido) pelo cálculo do equilíbrio de forças que modela e movimenta o cabelo humano em um penteado rabo-de-cavalo.

Keller recebeu ainda um Ig Nobel retardatário, por um trabalho de 1999, sobre bules de chá que não pingam.

Literatura

Escritório de Controladoria do governo dos EUA pela publicação de um relatório a respeito dos relatórios sobre relatórios. O novo relatório recomenda a elaboração de um relatório sobre o relatório sobre os relatórios sobre relatórios.

Medicina

Emmanuel Ben-Soussan e Michel Antonietti (França) por elaborar recomendações para os médicos que realizam colonoscopias sobre como minimizar a chance de que seus pacientes explodam.

Neurociências

Craig Bennett, Abigail Baird, Michael Miller, e George Wolford (EUA) por demonstrar que os pesquisadores do cérebro, usando instrumentos complicados e estatística frágil, podem ver atividades cerebrais significativas em qualquer lugar - mesmo no cérebro de um salmão morto.

Paz

Para a empresa SKN (Rússia), pela conversão de munição russa velha em diamantes novos.

Psicologia

Anita Eerland e Rolf Zwaan (Holanda) e Tulio Guadalupe (Peru/Rússia/Holanda) pelo seu estudo mostrando que, quando uma pessoa se inclina para a esquerda, a Torre Eiffel parece menor.

Química

Johan Pettersson (Suécia) por resolver o enigma de por que, em certas casas na cidade de Anderslöv, na Suécia, o cabelo das pessoas ficou verde: por causa do cobre liberado pelos canos.

Prêmio Nobel verdadeiro

Já se tornou tradição que o Ig Nobel preceda os anúncios do autêntico Prêmio Nobel, que ocorre no início de Outubro de cada ano.

Veja as datas de anúncio do Prêmio Nobel:

Fisiologia ou Medicina - 08 de outubro - Segunda-feira
Física - 09 de outubro - Terça-feira
Química - 10 de Outubro - Quarta-feira
Paz - 12 de Outubro- Sexta-feira
Ciências Econômicas - 15 de Outubro - Segunda-feira
Literatura - Data ainda não definida

Outras tradições do Ig Nobel são a presença de ganhadores do Prêmio Nobel "verdadeiro", uma garota que começa a gritar no palco se os ganhadores fazem discurso muito longos e os aviõezinhos de papel atirados pela plateia durante o evento.

Em 2008, dois cientistas brasileiros ganharam o Ig Nobel de Arqueologia, por mostrar o impacto dos tatus no movimento dos materiais arqueológicos:

Cientistas brasileiros ganham Prêmio Ig Nobel de Arqueologia

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Greca mostra: asfalto demo/tucano de Curitiba se desmancha no ar

O candidato Rafael Greca tem razão: moradores da Rua Brigadeiro Franco, próximo da Avenida Vicente Machado, afirmam que o asfalto ali já foi refeito duas vezes este ano e já começa a se deteriorar. Se houver segundo turno em Curitiba, provavelmente o asfalto da Brigadeiro Franco terá que ser refeito pela terceira vez só em 2012! Basta de incompetência e ladroagem demo/tucana no Paraná. Trinta anos dessa bandalheira já foi demais!


Vida de jornalista (na imaginação das estagiárias)


terça-feira, 25 de setembro de 2012

A repetição da História, por Luiz Nassif

Autor:
Coluna Econômica
São significativas as semelhanças entre os tempos atuais e o período pré-64, que levou à queda de Jango e ao início do regime militar e mesmo o período 1954, que levou ao suicídio de Getúlio Vargas.
Os tempos são outros, é verdade, e há pelo menos duas diferenças fundamentais descartando a possibilidade de um mesmo desfecho: uma  economia sob controle e uma presidência exercida na sua plenitude, sem vácuo de poder.
***
Tirando essas diferenças, a dança é a mesma.
A falta de perspectivas da oposição em assumir o poder, ou em desenvolver um discurso propositivo, leva-a a explorar caminhos não-eleitorais.
Parte-se, então, para duas estratégias de desestabilização  – ambas em pacto com a chamada grande mídia.
Uma, a demonização dos personagens políticos. Antes do seu suicídio, Vargas foi submetido a uma campanha implacável, inclusive com ataques à sua honra pessoal – que, depois, revelaram-se falsos.
No quadro atual, sem espaço para criticar a presidente Dilma Rousseff, a mídia – especialmente a revista Veja – move uma campanha implacável contra Lula. Chegou  ao cúmulo de ameaçar com uma entrevista supostamente gravada (e não divulgada) de Marcos Valério, como se Valério tivesse qualquer credibilidade.
Surpreendente foi a participação de FHC, em artigo no Estadão, sustentando que o julgamento do “mensalão” marca uma nova era na política. Até agora, o único caso documentado de compra de votos foi no episódio da votação da emenda da reeleição – que beneficiou o próprio FHC.
***
A segunda estratégia tem sido a de levantar o fantasma da guerra fria. Mesmo sabendo que Jango jamais foi comunista (aliás, o personagem que mais admirava era o presidente norte-americano John Kennedy) durante meses e meses levantou-se o “perigo vermelho” como ameaça.
Grande intelectual, oposicionista, membro da banda de música da UDN, em 1963 Afonso Arino escreveu um artigo descrevendo o momento. Nele, mencionava o anacronismo de (em 1963!) se falar de guerra fria, logo depois de Kennedy e Kruschev terem apertado as mãos. E dizia que, mesmo sendo anacronismo, esse tipo de campanha acabaria levando à queda do governo pelo meio militar, devido à falta de pulso de Jango, na condução do governo.
***
O modelo de atuação da velha mídia é o mesmo de 1964, com a diferença de que hoje em dia não há vácuo de poder, como com Jango.
Primeiro, buscam-se personalidades, pessoas que detenham algum ativo público (como jornalistas, intelectuais, artistas etc.). Depois, abre-se a demanda por comentaristas ferozes. Para se habilitar à visibilidade ofertada, os candidatos precisam se superar na ferocidade dos ataques.
Poetas esquecidos, críticos de música, acadêmicos atrás de visibilidade, jornalistas, empenham-se em uma batalha similar às arenas romanas, onde a vitória não será do mais analítico, ponderado, sábio, mas do que souber melhor agredir o inimigo. É a grande noite do cachorro louco, uma selvageria sem paralelo nas últimas duas décadas.
Com sua postura de não se restringir ao julgamento do “mensalão” em si, mas permitir provocações à presidente da República e a partidos, o STF não cumpre seu papel.
Aliás, o STF do pós-golpe foi muito mais democrático do que o atual Supremo.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Dilma responde ao falastrão Joaquim Barbosa

Dilma: toma vergonha, Joaquim "Silvério" Barbosa
“Na leitura de relatório, na sessão de ontem do Supremo Tribunal Federal, o senhor ministro Joaquim Barbosa se referiu a depoimento que fiz à Justiça, em outubro de 2009. Creio ser necessário alguns esclarecimentos que eliminem qualquer sombra de dúvidas acerca das minhas declarações, dentro dos princípios do absoluto respeito que marcam as relações entre os Poderes Executivo e Judiciário.

Entre junho de 2001 e fevereiro de 2002 (N.R.: governo FHC), o Brasil atravessou uma histórica crise na geração e transmissão de energia elétrica, conhecida como “apagão”.

Em dezembro de 2003, o presidente Lula enviou ao Congresso as Medidas Provisórias 144 e 145, criando um marco regulatório para o setor de energia, com o objetivo de garantir segurança do abastecimento de energia elétrica e modicidade tarifária. Estas MPs foram votadas e aprovadas na Câmara dos Deputados, onde receberam 797 emendas, sendo 128 acatadas pelos relatores, deputados Fernando Ferro e Salvador Zimbaldi.

No Senado, as MPs foram aprovadas em março, sendo que o relator, senador Delcídio Amaral, construiu um histórico acordo entre os líderes de partidos, inclusive os da oposição. Por este acordo, o Marco Regulatório do setor de Energia Elétrica foi aprovado pelo Senado em votação simbólica, com apoio dos líderes de todos os partidos da Casa.

Na sessão do STF, o senhor ministro Joaquim Barbosa destacou a ‘surpresa’ que manifestei no meu depoimento judicial com a agilidade do processo legislativo sobre as MPs. Surpresa, conforme afirmei no depoimento de 2009 e repito hoje, por termos conseguido uma rápida aprovação por parte de todas as forças políticas que compreenderam a gravidade do tema.

Como disse no meu depoimento, em função do funcionamento equivocado do setor até então, “ou se reformava ou o setor quebrava. E quando se está em situações limites como esta, as coisas ficam muito urgentes e claras”.

Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

José Serra, o Fugitivo


Porque a Dilma enquadra os bancos, mas não a mídia

A presidente Dilma Rousseff enfrenta os bancos porque a população tem plena consciência do papel explorador e predador que as instituições financeiras privadas exercem no país e, assim, dá respaldo à ação do Governo. Mas, e contra a mídia corrupta e manipuladora, por que a presidente não propõe uma lei enquadrando seus atos criminosos? É simples: porque não só a população, mas os políticos do próprio PT se borram de medo da mídia e vão acabar deixando a Presidente sozinha. Ou alguém acredita que numa "briga" contra a mídia corrupta a presidente Dilma terá o apoio dos senadores Delcídio Amaral e Paulo Paim, dos ministros Paulo Bernardo e Marta Suplicy, dos deputados Angelo Vanhoni, Antonio Palocci, para ficar apenas nesses? Os chamados "blogs sujos" já estão combatendo a mídia corrupta e incompetente com extremo sucesso, então vamos prosseguir. Quando a maioria da população tiver consciência de que a Veja, Globo, Folha, Estadão, RBS, Band, Jovem Pan e tantos outros grupos de mídia são instrumentos de exploração dos pobres, de proliferação de preconceitos e hábitos atrasados, de endeusamento de líderes corruptos, de consolidação da ignorância e atraso do país, aí sim será possível ao governo enfrentar a mídia e enquadrá-la. Mas hoje, quando até ministros do STF, supostamente instruídos,  são manipulados e/ou se acovardam diante de uma Veja, de um Jornal Nacional, de uma Folha de São Paulo, o que se poderá esperar de uns zé manés que assistem TV só para terem assunto em mesa de bar e se acharem "por dentro"???!!!!

Uma gente que acha maravilhoso o lixo que a Globo oferece nas novelas e programas de auditório não tem cabeça para entender o nefasto poder político da mídia. Vai chegar o tempo em que o povo vai perceber que é tratado como idiota pela TV aberta, que, ao contrário do que propaga, cobra muito caro pelos programas vagabundos que exibe. A maioria das pessoas pensa que a TV aberta é de graça porque desconhece quanto paga em cada produto que consome para bancar os anúncios milionários nas TVs Globo, Record, Band, SBT etc. A tal verba de marketing, que encarece cada pasta de dentes, cada cerveja, cada geladeira, carro, roupa, maquiagem etc etc etc adquiridos pelos consumidores. Para quem não sabe, um anúncio de 30 segundos durante o Jornal Nacional ou a novela das Oito custa R$ 500 mil!! Isto mesmo: 30 segundos de propaganda na Globo custam meio milhão de reais, que os consumidores pagam depois quando compram os produtos anunciados. Portanto, a luta para enfrentar o PIG e seus jornalistas sabujos de patrão ainda será longa e muito dura, mas vale muito a pena!

Brasil desenvolve turbina aeronautica graças ao Marechal Montenegro, criador do CTA


Na ditadura, o CTA quase foi fechado por inveja de militares estúpidos   

A turbina de pequena potência desenvolvida no CTA


Na última década, o Brasil tem assistido a uma retomada do investimento governamental em projetos de defesa. A projeção do País no exterior, fomentada principalmente pela estabilidade política, crescimento econômico e melhorias sociais, leva o Brasil a uma nova realidade estratégica. O desenvolvimento de novos produtos, com tecnologia de ponta e utilização dual – tanto militar como civil – vem ganhando fôlego. A FINEP já investiu cerca de R$ 1 bilhão em projetos que vão gerar uma gama de conhecimentos e de inovações que tendem a se multiplicar. “A defesa é um dos grandes vetores de inovação, que é o caminho para se atingir o patamar do mundo desenvolvido”, diz Sami Hassuani, presidente da Avibras, empresa que está desenvolvendo o primeiro Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) genuinamente nacional.

Repórter: Rogério Rangel

Como imaginar o mundo contemporâneo sem computadores, internet, telefones celulares e satélites? Essas tecnologias que fazem parte do dia a dia da  maioria das pessoas, direta ou indiretamente, há décadas, foram concebidas originalmente para uso em defesa militar. A necessidade de decifrar mensagens codificadas do inimigo, principalmente na Segunda Guerra, impulsionou a pesquisa de computadores e programas. Foi também a
comunicação entre tropas e o imperativo de monitorar a segurança de fronteiras, por exemplo, que fomentou o desenvolvimento de satélites e de telefonia sem fio. E a internet surgiu como um programa militar americano nos anos 1960. A tecnologia de defesa multiplica-se, adapta-se e transforma-se em inúmeras aplicações de uso diário na vida civil, desde a pesquisa de medicamentos até a previsão do tempo. Além da importância estratégica que representa para um país, o investimento em defesa é também definido por seu caráter dinâmico e desdobrável da tecnologia dele derivada, ou seja, sua aplicação dual. Esse caráter duplo dos projetos de defesa alinha-se com a dinâmica do próprio mercado. Ao produzir o primeiro VANT no Brasil, a empresa Avibras, por exemplo, está gerando tanto um produto necessário no setor de defesa (o patrulhamento de fronteiras é uma das finalidades) quanto algo utilizável na vida civil (monitoramento do trânsito urbano, entre outros). “Todos os países que geram conforto, investem pesado em saúde, educação,
inventam bens de consumo e se mantém na vanguarda, são aqueles que têm como meta a inovação movida pela indústria de defesa, que puxa a tecnologia ao extremo”, afirma o presidente da Avibras, Sami Hassuani.

Avião sem piloto

Um pequeno avião feito de fibra de carbono, com peso de 700 quilos e com 11 metros de comprimento de asa a asa. Dentro dele, em vez de um piloto, podem ser instalados até sete sensores, três câmeras, um radar de vigilância e um link de satélite. Assim é o Falcão, o VANT da Avibras, único no mundo em sua categoria, com capacidade para carregar até 150kg. Trata-se de uma aeronave que poderá ser usada em missões estratégicas. “Com câmeras e conexão via satélite, o Falcão poderá fazer a vigilância de áreas de fronteira, monitoramento de locais remotos, como o interior da floresta amazônica, entre outras aplicações”, explica Renato Bastos Tovar, gerente do projeto na Avibras. Até o final de 2011, o protótipo e a preparação para os voos devem estar concluídos.
O Falcão é a materialização de um projeto apoiado pelo programa de subvenção econômica da FINEP, em conjunto com outros projetos de pesquisa relacionados, que serviram para formar mão de obra qualificada e construir conhecimento nacional no setor. Segundo o economista Rodrigo Girdwood Acioli, analista do departamento de Áreas Estratégicas da FINEP, “o Falcão ilustra claramente a importância da integração dos diversos tipos de apoio da Financiadora, algo  que tem sido perseguido pela direção da empresa”. Ainda
segundo Acioli, o VANT é um “ótimo exemplo de produto    que deverá ter um amplo mercado”, com a implementação dos projetos SISFRON (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras), do Exército, e do SisGaaz (Sistema de Monitoramento da Amazônia Azul, como é chamado o potencial de riquezas da costa brasileira), da Marinha, “por se tratarem de megaprojetos que demandarão um montante imenso de investimentos governamentais”, diz o economista. Um gargalo importante que ainda precisa ser solucionado
é a certificação, que é a ponta final do processo de inovação, que vai da pesquisa básica até o lançamento do produto no mercado, que só é atingido depois de certificado. “Ainda não há uma linha de financiamento específica para esta última etapa, o que às vezes acaba por impedir a viabilidade do lançamento do produto no mercado. A solução para esse gap na etapa final da cadeia de inovação tem sido constantemente solicitada pelas empresas
apoiadas”, afirma o analista da FINEP.

Excelência em radares

O SISFRON e o SisGaaz também implicam em grandes investimentos em radares, outro foco de apoio maciço da FINEP. Diversos projetos de desenvolvimento de radares estão em curso, fabricados pela Orbisat, empresa de São José dos Campos (SP), em parceria com instituições de pesquisa com o apoio da FINEP. O pioneiro de uma família de radares fabricados no Brasil é o SABER M60, desenvolvido pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx), no Rio de Janeiro. Iniciado em 2006, o projeto está hoje no mercado, disponível inicialmente para o Exército Brasileiro e já com encomendas da Aeronáutica. Segundo a  tenente Giselle Farias, do CTEx, o SABER M60 “é o mais avançado no mundo em sua categoria, e seu concorrente mais semelhante, feito em Israel, tem algumas limitações tecnológicas em comparação ao produto brasileiro”, afirma. O radar destina-se a integrar um sistema de defesa antiaérea de baixa estatura, visando a proteção de pontos e áreas, como indústrias, usinas e instalações governamentais.

Está adaptado para operar em quaisquer condições climáticas encontradas na América do Sul. O SABER M60, assim como outros radares, serão amplamente os dos SISFRON e SisGaaz. A excelência da Orbisat chamou a atenção da recém-criada Embraer Defesa e Segurança, que adquiriu este ano 90% da divisão de radares da Orbisat, que mantém sua equipe e estrutura, com uma administração independente. “Ganhamos muito com a mudança e a sinergia entre as duas empresas vem facilitar o crescimento da Orbisat”, afirma seu presidente, Maurício Aveiro. O presidente da nova unidade da Embraer, Luiz Carlos Aguiar, explica a razão do investimento:

– Hoje existe uma preocupação maior com o controle de fronteiras, com a preservação dos recursos naturais e hídricos, com a área de exploração do pré-sal e com a segurança pública. Portanto, o Brasil precisa ter um sistema de monitoramento mais eficiente. É uma questão de proteção estratégica e enxergamos uma grande oportunidade de negócios nesta área. Por isso, investimos R$ 80 milhões em aquisições, desde janeiro deste ano. A Orbisat é uma empresa que produz uma tecnologia interessantíssima, uma das poucas no mundo com capacidade de olhar por baixo das copas das árvores da Amazônia e fazer um mapeamento e sensoriamento daquela região.

Laboratório móvel

Outros dois projetos recentes, resultados da parceria entre a FINEP e o CTEx, merecem destaque: o laboratório móvel químico e biológico e o monóculo de imagem térmica. Único do gênero na América Latina, o laboratório móvel já se encontra totalmente operativo e teve sua estréia pública no sorteio dos grupos para a Copa do Mundo de 2014, que ocorreu no Rio de Janeiro em julho deste ano. A unidade é aparelhada com equipamentos nos quais
podem ser rapidamente coletadas amostras de substâncias suspeitas, e ali mesmo serem analisadas. “O laboratório é totalmente independente, podendo ser acoplado a vários  tipos de viaturas e movido a qualquer parte, sem necessidade de adaptações”, esclarece o coronel Paulo Fernando Pinto Malizia Alves, coordenador do projeto. Já o monóculo de imagem térmica é um equipamento óptico que detecta imagens na escuridão completa: ele capta ondas de infravermelho, ou seja, “vê” a temperatura de qualquer objeto, com luminosidade zero, mesmo em ambientes com fumaça ou neblina. O capitão Leonardo Bruno de Sá, chefe do Grupo de Optrônicos e coordenador do projeto, afirma que, além da aplicação militar, que é a detecção de alvos no escuro, o potencial dual da tecnologia aplicada no monóculo é grande: “já há estudos para a aplicação desta tecnologia na análise de inflamações
no corpo humano, por exemplo. Em segurança, poderá ser usado na inspeção de instalações elétricas, com a finalidade de verificar problemas de condutividade pela temperatura”, diz o capitão. O monóculo está na fase de testes finais do protótipo operacional, que é o último nível antes de começar a ser fabricado. Existem similares em poucos países do mundo. A empresa de tecnologia óptica, Opto Eletrônica, ganhadora em 2009 do Prêmio FINEP de Inovação, na categoria Média Empresa, é a parceira do CTEx neste projeto. (Veja nesta edição a matéria sobre empresas inovadoras vencedoras nacionais do Prêmio).

Parceiro da Orbisat nos radares, o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) é uma unidade do Exército Brasileiro que funciona como um órgão de apoio do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação (DCT). Trata-se de um complexo tecnológico que tem a função de supervisionar e executar a pesquisa tecnológica, o desenvolvimento experimental, a normatização e a avaliação técnica do material de emprego militar. A história do apoio da FINEP ao Ctex vem desde a sua criação, em 1979. “A FINEP tem papel fundamental na implantação do CTEx, e todos os projetos de vulto desenvolvidos nos últimos anos têm recursos da Financiadora”, diz o coronel Roberto Castelo Branco Jorge, adjunto à subchefia do CTEx.

DCTA: berço de inovações

Situado em São José dos Campos (SP), o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), unidade da Força Aérea, é sinônimo de pesquisa, desenvolvimento e inovação. São frutos de seu campus o programa Pró-Álcool e a Embraer, entre outras. E é na Divisão de Propulsão Aeronáutica, do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), divisão do DCTA, que está sendo  gerada a primeira turbina de pequena potência (TAPP)
fabricada no Brasil, cujo desenvolvimento começou há seis anos. A maior vantagem deste tipo de turbina é poder ser integrada a VANTs, ou gerar energia para pequenas localidades. No momento, o protótipo operacional da TAPP, fabricado pela TGM Turbinas, está sendo testado numa estrutura montada especialmente para ela, no DCTA.

O pesquisador José Francisco Castro Monteiro, da Divisão de Propulsão Aeronáutica, afirma que foi “a própria necessidade de mercado que impulsionou o projeto, já que não há turbinas do gênero produzidas no País”. Além da importância mercadológica, a expertise adquirida pode vir a auxiliar no futuro desenvolvimento de novas turbinas. “Nosso sonho é desenvolver turbinas grandes, para aeronaves tripuladas, mas ainda não temos tecnologia para tanto”, diz Monteiro. O coronel engenheiro Antônio Carlos Ponce Alonso, chefe da Subdivisão de Aeronáutica do IAE destaca a importância da parceria dos setores público e privado para o avanço de inovações como a TAPP: “É fundamental que essas parcerias sejam cada vez mais frequentes.

Sem isso, é impossível se desenvolver. A criação da Lei da Inovação foi um grande impulso, mas temos que aplicá-la na prática de maneira mais generalizada”, diz o coronel.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Basta 1 minuto para mudar o destino de SP

Fernando Haddad, o melhor nome pra governar São Paulo.


Resposta do PT à armação da revista Veja: o PSDB foi criador do Mensalão


Maria da Penha e o Mensalão do STF

Fonte: jornal Correio do Brasil

Coincidências em série no julgamento do ‘mensalão’ sugerem golpe da direita

18/9/2012 14:39,  Por Redação - de Brasília
Joaquim Barbosa teria preparado um voto ideologizado, segundo críticos de sua atuação no STF
Joaquim Barbosa teria preparado um voto ideologizado, segundo críticos de sua atuação no STF
O julgamento taxado de polêmico e heterodoxo, esse do ‘mensalão’ no Supremo Tribunal Federal (STF), desenha-se, na realidade, em uma espécie de alavanca para um golpe de direita contra as instituições democráticas do país, segundo a expressão de críticos da forma como tem-se conduzido o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa (JB), monitorado pela mídia conservadora que, paradoxalmente, é alimentada com 70% dos recursos públicos destinados à publicidade estatal. Um boletim de ocorrência contra o magistrado o manteria sob constante estado de tensão, como escreveu à época o advogado e jornalista Márcio Chaer, diretor da revista Consultor Jurídico, após uma discussão entre Barbosa e o então também ministro do STF, Eros Grau:
“Eros retrucou lembrando decisões constrangedoras de JB que a Corte teve de corrigir e que ele nem encontrava mais clima entre os colegas. O clima azedou a ponto de se resgatar o desconfortável boletim de ocorrência feito pela então mulher de JB, tempos atrás: ‘Para quem batia na mulher, não seria nada estranho que batesse em um velho também’, afirmou-se”. Além do risco de ser chantageado por meios de comunicação ligados à direita, o viés ideológico demonstrado pelo ministro, durante sua trajetória no Supremo seria tão firme quanto o seu estado de espírito, o que levou o editor da publicação especializada na área jurídica a afirmar que “o idealismo de JB lembra o espírito macunaímico, comenta, a propósito do assunto, um observador bem posicionado no STF, ao celebrar os 80 anos da obra de Mário de Andrade. Macunaíma, consagrado como ‘o herói do povo brasileiro’, ao fim de sua epopéia, transforma-se em uma constelação”.
Para analistas mais astutos, tornou-se suspeita a série de coincidências verificadas no curso da Ação Penal 470, como o período de votação que chega ao seu ápice pouco antes das eleições municipais, no mês que vem; a pressão dos meios de comunicação ligados à direita e à extrema direita brasileiras para a condenação, principalmente, do ex-deputado José Dirceu; a tentativa de ligação do nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao escândalo; o ‘fatiamento’ do processo; o vazamento de informações delicadas, como a dosimetria das penas a serem aplicadas aos réus, assunto que sequer figura na pauta das próximas sessões da Corte.
“Um descuido” do gabinete do ministro Joaquim Barbosa, como foi explicado, levou a página do Supremo Tribunal Federal (STF) na internet a divulgar, na sexta-feira, as penas sugeridas pelo relator AP 470 para parte dos réus condenados pelo crime de lavagem de dinheiro. O ‘vazamento’ permaneceu no ar durante mais de 72 horas. A pena mais dura ficou para Marcos Valério: 12 anos e sete meses de reclusão, além de 340 dias-multa, com cada dia-multa igual a 10 salários mínimos, o equivalente a mais de R$ 2,1 milhões. O vazamento ocorreu no dia em que a revista semanal de ultradireita Veja publicava, na capa, uma suposta – e até agora, não comprovada – entrevista com Valério, na qual ele teria dito que o presidente Lula saberia do suposto esquema do ‘mensalão’. Horas depois, no jornal O Globo, o colunista Ricardo Noblat fala da existência de um suposto vídeo, “de quatro cópias”, no qual um desesperado Marcus Valério, diante da prisão iminente, faria revelações para divulgação imediata – “caso sofra um atentado”.