segunda-feira, 29 de março de 2010

Para a Semana Santa: Chora Fátima Guedes

Fátima Guedes é para poucos - uma pena. Além de ser uma intérprete de primeiríssima linha, é compositora do nível de Aldir Blanc, Paulo Cesar Pinheiro, Chico Buarque, Paulinho da Viola... Carioca do subúrbio, ali para os lados da Tijuca, Fátima Guedes canta as coisas bonitas e simples, pelas quais a vida vale a pena. Para marcar a Semana Santa que começa, lá vai "Chora Brasileira", composição da Fátima Guedes na voz da autora e também na (igualmente sensacional) de Nana Caymi. É dos anos 80, mas eterna.

domingo, 28 de março de 2010

Reminiscências no exílio

Esse texto é do meu pai, Fernando Campelo Duarte. Poderia se chamar "Reminiscências de um carioca no exílio", mas saiu como "Ode ao Bonde". Foi escrito em 1964, quando ele já vivia em Curitiba. Na época, a Prefeitura do Rio estava encerrando as linhas dos últimos bondes na Cidade Maravilhosa, e o "exilado" certamente sentiu o golpe.

Com exceção das duas irmãs mais novas, os demais filhos passeamos de bonde com os nossos pais pela velha São Sebastião. Era divertido. Quem tiver oportunidade não deixe de vislumbrar a Lapa de cima dos famosos Arcos (foto) a bordo do bondinho de Santa Tereza, o único que restou no Rio de Janeiro. Sai da velha Lapa (Estação Carioca), perto do prédio da Petrobras, e vai ao Alto da Boa Vista e ao Sumaré. Vale a pena.

A mana Maria Lucia tem outros textos do pai, que postarei oportunamente.


Ode ao Bonde

Fernando Campelo Duarte (1920-1981)

Era noite. Na quietude sossegada da minha casa num *bairro pobre de Curitiba, recordava-me do meu distante e amado Rio de Janeiro. E, então, como se fôra um filme, um filme em retrospecto do meu passado, vi-me a recordar os meus tempos de infância e de moço em minha terra natal. Lembrei-me dos passeios que meu **pai e eu fazíamos de bonde e aí então foi que senti o desaparecimento desses veículos, da paisagem atual do Rio de Janeiro moderno.

E, por incrível que pareça, senti imensamente como se fôra algo de assim tão profundamente se sentir que as contingências dinâmicas das imposições do que se chama progresso houvessem decretado a morte dos bondes que fizeram parte integrante da minha infância e juventude.

E o filme prosseguia e as visões se sucediam... Recordei-me dos reboques, uns abertos, outros de plataforma fechada; dos trilhos reluzindo pelo perpassar constante do tráfego; dos bondes de 2ª classe, os “taiobas”, nos quais se pagava um tostão para ir da Tijuca à Praça Tiradentes. Lembrei-me dos letreiros, mais tarde acrescidos com números – MUDA-65-Andaraí-Leopoldo-71-Uruguai-Engenho Novo-Penha-91 – e muitos e muitos outros.

Jardim Leblon, o bonde que mais gostava de viajar nos passeios dos domingos. Ia pela Praia do Flamengo, ganhava Botafogo, Largo dos Leões, Jardim Botânico e, do Jóquei Clube em diante, em linha singela, por entre o mato, como se fôra trem, buscava os areais do Leblon então nascente, para afinal atingir a circular de retorno no Bar 20, de Ipanema.

Bondes da minha juventude, que estudantes gostávamos de pegar andando, de descer andando; dos carnavais gostosos do Rio de Janeiro.

E na seqüência das recordações, em que nem tudo eram figuras materiais do passado, veio à minha lembrança a figura humana do ***motorneiro, dos condutores, fiscais e despachantes. Gente zelosa e dedicada de um exército particular, quase todos lusos, alegres e chistosos, mas cônscios de seus deveres e pontuais em suas obrigações.

Que noção de responsabilidade! Que dignidade tinham os motorneiros dos meus bondes do Rio. Quantas freadas bruscas, retrocessos e limpa-trilhos descidos para salvar crianças e animais que passavam à frente dos elétricos.

Bondes da minha terra, vocês não existem mais. Em vez do ruído gritante de suas loucas disparadas nas madrugadas do meu Rio de Janeiro, há apenas agora na cidade moderna uma quietude fria de cidade sem alma.

Tudo é rápido, apressado, inhumano, ninguém se conhece, ninguém ama ninguém e assim não há mais lugar para você, meu velho bonde. Você, bonde, fazia amigos os seus passageiros; era o palco ideal das grandezas humanas, nas rotineiras viagens diárias de uma cidade que trabalha, nas horas agradáveis de uma cidade que se diverte.

Você era o bairro que chegava ao centro, era o comércio, era o borburinho do centro que adentrava os bairros.

Bonde da minha infância, da minha juventude, dos meus tempos de estudante, de policial, de funcionário, de namorado, de carnavalesco, de carioca, você hoje é apenas saudade, barulho doce que ecoa sereno nas recordações gostosas do ontem que hoje não mais pode voltar.

(Escrito em 11/08/1964, com caneta tinteiro, em papel timbrado do Ministério da Agricultura – ****Serviço do Acordo de Classificação no Estado do Paraná)

*Vila Isabel
**José Ribeiro Duarte Júnior
***Condutor do bonde
****Onde o autor exercia a função de secretário-geral
(foto) Fernando Campelo Duarte em 1966, na formatura de Segundo Grau da primogênita Maria Lucia Madeira Duarte

sábado, 27 de março de 2010

Aniversário de duas grandes figuras

Nosso irmão Fernando Wagner, que nos deixou em 3 de dezembro passado, faria hoje 58 anos. Outro figuraço do dia 27 de março é Renato Russo, eterno Legião Urbana, que completaria 50 anos neste sábado. Vamos recordá-los com música.

Wagner gostava de Roberta Miranda e a sua "De igual pra igual". Contava que a autora havia composto para falar da relação com um delegado de Polícia de São Paulo, de quem teria sido amante. Seria o delegado Fleury, de má lembrança. Não sei de onde ele tinha essa informação.

A canção e sua letra são daquelas de fazer um sucessão na zona, local que nós, que hoje estamos na faixa dos cinqüentinha, freqüentávamos com a assiduidade de beatas à missa dominical. Coisa dos anos 70, tempos pré-Aids, quando fazíamos happy hour (nem se usava essa expressão) no Embrulha Noite (Parolim), na Albertina (Rua Westphalen), no 4 Bicos (Uberaba?), na Otília (Cristo Rei) e diversos outros.

Dia de aniversário é bom para lembrar os companheiros com os quais um dia fomos a uma dessas casas de alegria. Começando pelo Wagner, seguindo com Alvino, Maneco, Chicão, Tonhão, Ney, Gusto, Joca, Cesar, Antoninho, Gilberto, Drula, Zeca Fonseca, Osmar dos Santos, Jackson, Levy, Luiz Sottomaior e outros mais que não me recordo. Para essa turma toda, em especial à memória do Wagner, Roberta Miranda!




Celebremos também a memória de Renato Russo (1960-1996), em cuja companhia não tivemos a oportunidade de ir às casas noturnas e vê-lo soltar o vozeirão. Dele, "Giz", sua preferida, com a qual celebramos também a lembrança das meninas da noite dos nossos 20 anos, muitas delas hoje respeitáveis senhoras de meia idade. Que guardem boas lembranças de nós!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Garagem de carros antigos

O cara é muito bom no manejo de ferramentas informatizadas de design e as usa para criar modelos de carros que nunca existiram. Quer ver? Que tal um Simca Chambord conversível como esse da foto? Ou um Simca coupê? Os dois modelos só existem no traço de Dan Palatnik, ilustrador e artista gráfico entusiasta de carros antigos e de Design do Século XX, como ele se apresenta em seu Blog A Garagem Digital de Dan Palatnik - Clássicos em 3D.
 








Querem mais: que tal esse mosaico de rádios antigos? Saudades do rádio do vovô, hein?!

 

quinta-feira, 18 de março de 2010

Lula-lá! Um jingle na mente e no coração de muita gente

"Valeu a espera", proclamava profeticamente o jingle da campanha de Lula em 1989. Mal sabíamos que a espera iria se alongar um pouco mais, até 2002. Mas, de fato, valeu a espera! Nossos filhos, então com 4, com 5 anos cantavam conosco o Lula-lá e brandiam no ar as bandeiras vermelhas. Tudo mundo contagiado pela melodia e os versos que propunham nenhum MEDO DE SER FELIZ! Quem viveu não esquece nunca mais.

Então vamos lá: aumente o som, empunhe a bandeira vermelha, coloque a velha camiseta ainda suja de araruta, escolha uma boa cachaça mineira (Anísio Santiago) e solte a voz: Lula-lá, brilha uma entrela ...


Criatividade contra a Aids

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ciro Gomes, próximo governador de São Paulo, dá entrevista ao Sócrates

Nãoooooo!!! O apedeuta de 9 dedos nos envergonhou. De novo!

Ouça o relato da correspondente da BBC no Oriente Médio, Guila Flint, sobre a visita de Lula a Israel. Veja como o apedeuta de nove dedos nos envergonhou! Que saudades daquele poliglota, chamoso e elegante FHC, aquele sim nos honrava aos homens bons quando proclamava alto e bom som: yes, man!, of course, mister! Se não tomarmos cuidado, aquela terrorista Dilma vai nos envergonhar internacionamente também. Só o que faltava, sermos comandados por uma mulher! E ainda por cima com a ousadia de não ser simpática com os homens bons. Basta de tanta vergonha: eu quero Serra, não importa que ele coma meleca.
Agora morra de vergonha ouvindo a gravação.

terça-feira, 16 de março de 2010

Manual da Dona Maria, por OFF

Observações importantes: a parte grifada são observações do Luiz Nassif. OFF significa desligado. Ou Octavinho Frias Filho.


Do Blog de Luiz Nassif (http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/)
16/03/2010 - 08:19

Manual de como analisar a diplomacia

Luiz Nassif
Aqui no Blog tem havido discussões acerbas sobre a estratégia diplomática brasileira. Comentaristas antenados com a objetividade rude da diplomacia americana têm trazido críticas importantes – para serem analisadas e discutidas. Na outra ponta, analistas defendendo a estratégia do Itamarati. No pano de fundo, o novo papel do Brasil no mundo, a disputa com os Estados Unidos na influência sobre a América Latina, o novo protagonismo nas grandes discussões comerciais e os limites da realpolitik.
Enfim, tema dos mais relevantes, que exige enorme poder de análise, conhecimento histórico sobre o papel da diplomacia, reflexos sobre a posição do Brasil no mundo nas próximas décadas, tendo em vista o novo protagonismo do país.
Mas na mídia, discutir o tema obedece a um manual simplificador. Há como que templates que são preenchidos por conteúdo capturado aqui e ali, sem a preocupação de alinhavar um pensamento lógico. É uma soma de chavões e adjetivos, de pequenos truques retóricos para passar ao leitor a ilusão de que o autor domina o tema analisado. É o famoso “manual da dona Maria”, de tentativa de aplicação do senso comum nas grandes formulações complexas.
É o caso da análise que Otávio Frias Filho faz da diplomacia brasileira em seu jornal, peça preciosa para analisar o manual “como discutir na mídia sem dominar o assunto” (minhas observações sublinhadas).
Aliás, a prova de que não lê sequer seu próprio jornal está na própria página com seu artigo. Na dobra abaixo, a matéria: “Prestígio universal permite a Brasil ser mediador, diz premiê palestino”, entrevista com o premiê palestino.

Da Folha

Uma política ingênua e errática

Definir algo como ingênuo confere ao polemista uma suposta superioridade intelectual, por tratar toda a formulação a ser combatida como algo intuitivo, primário em relação ao nível profundo de pensamento do crítico. (LN)


Na nossa diplomacia, cheia de distorções seletivas, a questão dos direitos humanos deixa de ter qualquer valor no trato com inimigos de Washington, os quais adulamos
OTAVIO FRIAS FILHO
DIRETOR DE REDAÇÃO
Durante muito tempo, a política externa brasileira foi negligenciada no debate público. Como ocorre em toda nação continental, a agenda interna sempre esmagou a externa, efeito acentuado, em nosso caso, pelo discreto relevo internacional do país. Aos poucos, esse quadro começa a mudar.
Talvez seja nossa inexperiência no palco do mundo, combinada à afoiteza do governo Lula em projetar a todo custo o peso geopolítico que o país já alcançou, o que nos leva a cometer equívocos em cascata e enveredar por um caminho temerário.

O paradoxo do Otavinho: “projetar a todo custo o peso geopolítico que o país já alcançou” pressupõe que esse peso seria alcançado inercialmente, sem que houvesse a necessidade de projetá-lo a todo custo. Ou seja, o país alcançou esse peso por obra da natureza ou pela mão divina, não pela ação diplomática.(LN)


Veja-se, por exemplo, o caso do Irã. Ao que tudo indica, a elite dirigente daquele país (incluída a facção oposicionista) acredita que possuir armas nucleares seja um imperativo de segurança nacional. Não é absurdo que pense assim. Os americanos promovem atualmente duas guerras de invasão nos países que fazem fronteira com o Irã a oeste (Iraque) e a leste (Afeganistão). A menos de mil quilômetros de seus limites territoriais, a distância entre São Paulo e Brasília, o Irã tem cinco vizinhos inamistosos e dotados de capacidade militar nuclear: Paquistão, Índia, China, Rússia e Israel.
Se essa premissa for aceita, nada deterá o Irã (exceto, talvez, um desesperado ataque preventivo de Israel). O mais provável é que Israel e Irã convivam no futuro sob o “equilíbrio do terror nuclear”, o mesmo mecanismo que deteve Estados Unidos e União Soviética no passado e detém os arqui-inimigos Índia e Paquistão hoje. O que o Brasil tem a ganhar ao se imiscuir em problema que não é diretamente seu, numa conjuntura geograficamente remota e comercialmente pouco importante para nós?

Apesar da diplomacia brasileira ser considerada, inclusive em Israel, um dos novos agentes mediadores no mundo, apesar do crescimento constante das exportações para o Oriente Médio, das possibilidades de parcerias tecnológicas com Israel, apesar do Brasil estar sendo considerado potência emergente, OFF considera a região pouco importante para o país. Faz parte do manual da dona Maria: não se meta em assuntos que não lhe digam respeito.(LN)

Os Estados Unidos influem e se intrometem nos conflitos do Oriente Médio não para pavonear seu peso mundial, como parecem supor nosso simplório presidente e seu trêfego chanceler.

Fantástico! Celso Amorim foi um dos atores centrais de todos os grandes eventos diplomáticos dos últimos anos. Como tal, está exposto a críticas – algumas muito bem fundamentadas, colocadas por comentaristas aqui do Blog. Lula virou ator político global. Merecem, no mínimo, crítica de gente grande. E o OFF, do alto da sua proficiência, trata um como “simplório” e outro como “trêfego”. Na próxima, emitirá o julgamento definitivo sobre personagens analisados: “bobo”, “feio” e “sujo.(LN)

Os EUA estão atolados até o pescoço na região porque sua economia é dependente do petróleo local (não é o caso da nossa) e sua comunidade judaica exerce peso desproporcional nas eleições americanas (diferente de novo do Brasil, onde comunidades de origem judaica e árabe têm expressão equilibrada e convivem de fato).
Não existe razão de política externa para que nossa atitude perante a complexa, quase insolúvel, contenda entre israelenses e palestinos seja outra que não uma equidistância comedida, sempre favorável à não violência e à negociação direta entre as partes.

A diplomacia brasileira é recebida de braços abertos em Israel, com exceção de um chanceler desequilibrado, Liberman. É recebida de braços abertos no Irã. Se isso não for “equidistância comedida”, o que seria? A cobertura editorial da Folha, talvez.(LN)

Retomar esse contato direto, aliás, é hoje o ponto crucial naquele conturbado trecho do globo. Nossa “diplomacia do futebol” tem pouco a fazer ali, exceto passar ridículo.

O que significa esse “retomar o contato direto”, tratado como “ponto crucial” daquele conturbado trecho do globo? E o que tem a ver a “diplomacia” do futebol” com isso? Parece ter sido montado no “gerador de lerolero”. Parece a dona Maria mediando brigas de vizinhos: deixem os dois resolverem por si só e ninguém se meta que não é problema nosso. OFF conseguiu ignorar o  conceito histórico  de mediação diplomática.(LN)


Numa entrevista recente, o novo embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, disse algo significativo, o que é inusitado entre diplomatas. Referindo-se às relações entre nossos dois países, constatou que “vamos começar a nos esbarrar por aí”. Shannon aludia ao fato de que o aumento do peso econômico e comercial do Brasil aumenta sua influência externa, irradia seus interesses e o expõe a crescentes áreas de atrito com outros países relevantes, desde logo os próprios Estados Unidos.

No começo do artigo, OFF diz que Oriente Médio está fora do raio de interesses do Brasil. Aqui, cita um diplomata para quem o aumento do peso econômico e comercial torna o país um player global. Para um player global o raio de interesse é o mundo. Nesse tipo de análise copia e cola, não se cuidou de costurar as partes coladas com o mesmo fio lógico. Se o Brasil aspira ser player global, se essa posição é admitida pelo próprio embaixador norte-americano, porque o conflito do Oriente Médio, que é tema diplomático global, não deveria ser tratado pela diplomacia brasileira? Há outras razões para tanto, mas OFF não as menciona por não saber elaborar sobre o tema.(LN)


Em outras palavras, não precisamos buscar sarnas para nos coçar, elas virão natural e infelizmente como decorrência de nossa projeção maior na geopolítica mundial. Logo teremos de enfrentar decisões realmente difíceis.

Também da série “os conselhos de dona Maria”. Uma conclusão que ninguém tinha pensado: para ser ator global basta o país ficar parado aguardando que as decisões difíceis cheguem naturalmente – e “infelizmente” (!). Qual seria o nome dessa nova diplomacia defendida por OFF? Provavelmente, “a diplomacia do protagonismo inercial“.(LN)

É provável, por exemplo, que o Brasil venha a ser um dos cinco entes soberanos a predominar no planeta antes de meados do século, junto com a China, os Estados Unidos, a Índia e a Europa. Continuaremos a ser o único a prescindir de armas nucleares como recurso dissuasivo? O ex-ministro Rubens Ricupero tem uma bela argumentação em defesa dessa originalidade, talvez até como contribuição da cultura brasileira ao futuro dos povos.

Como diria minhas caçulas: e… Aliás a contribuição da cultura brasileira ao futuro dos povos é justamente o que foi denominado de “a diplomacia do futebol”. OFF não se dá conta sequer dessa obviedade. Aliás, “entes soberanos”  parecem mais divindades do Santo Daime.(LN)


Mesmo no âmbito de uma perspectiva pacifista, porém, que é da nossa tradição, abdicar de arma atômica implica como contrapartida a obrigação de dotar o país de recursos militares convencionais muito mais onerosos e destrutivos do que o aparato atual. São questões graves como essa que merecem debate profundo, mais que nossa ingênua, felizmente inócua, aparição no Oriente Médio ou nossa desastrada e igualmente inócua ingerência nos assuntos internos de Honduras.

Um dos argumentos mais simplistas da cartilha de “como discutir sem argumentar” é o das falsas opções. Não pode falar isso porque é mais importante falar aquilo, sendo que “isso” e “aquilo” não são conflitantes entre si. Para o raciocínio dar certo, faz-se de conta ser impossível tratar das duas coisas ao mesmo tempo. Aliás, ao defender a autodeterminação dos países – embora não tenha jamais avalizado experiências nucleares no Irã – a diplomacia brasileira está seguindo a lógica de pensar justamente o Brasil grande e os óbices diplomáticos que serão colocados mais à frente pelas potências atuais – como ocorre em todo processo histórico de emergência de novas potências.(LN)

Toda política externa deve combinar o interesse egoísta do próprio país com um elenco de valores universais (essencialmente, respeito aos direitos humanos e à autodeterminação dos povos). Ela será tanto mais sólida e respeitável quanto mais os dois aspectos se harmonizarem sem grande contradição. O que estamos fazendo é uma política errática, cheia de distorções seletivas, de modo que a questão dos direitos humanos, por exemplo, deixa de ter qualquer valor no trato com inimigos de Washington, os quais adulamos para sermos vistos como “independentes”.

Que tal OFF analisar com a profundidade que lhe é peculiar esse paradoxo: se um país comete delitos contra direitos humanos (primeiro ponto do manuel OFF de diplomacia externa), como interferir em sua política sem desrespeitar a autodeterminação dos povos (segundo ponto do manuel OFF de diplomacia externa)? E que tal analisar os valores de direitos humanos à luz de suas considerações sobre a ditabranda? (LN)


Vamos confrontar os Estados Unidos, sim, e cada vez mais. Mas vamos fazê-lo quando for relevante para o Brasil, não para realizar as fantasias ideológicas da militância que aplaude o presidente Lula e seu chanceler Celso Amorim, o qual errou mais uma vez quando se filiou no ano passado ao PT. Chanceler não deveria ter partido. Parodiando Clemenceau (1841-1929), a diplomacia é assunto sério demais para ser relegado a diplomatas e a ideólogos partidários.

Outro ponto do manual de discussões inúteis: citar sempre um pensador, de preferência com a data de nascimento e morte para passar a impressão de que buscou dados precisos. Mesmo que a paródia turve o sentido da frase original. Clemenceau dizia que a guerra é importante demais para ser conduzida por militares, porque era apenas uma extensão da… política diplomática.(LN)

Da Folha

Prestígio universal permite a Brasil ser mediador, diz premiê palestino

Em entrevista à Folha, Fayad afirma que “Estado palestino está pronto” e que esse fato em breve vai ficar óbvio para o mundo a despeito de paz com Israel
MARCELO NINIO
ENVIADO ESPECIAL A RAMALLAH
O premiê palestino, Salam Fayad, está à frente de uma revolução silenciosa. Nos três anos desde que assumiu o cargo, Fayad, 58, tem sido o motor de uma lenta mas persistente transformação da imagem da Autoridade Nacional Palestina (ANP). De entidade corrupta e ineficiente para embrião institucional de um país. Economista internacionalmente respeitado, com passagens pelo Banco Mundial e FMI (Fundo Monetário Internacional), Fayad nunca portou uma pistola. Suas armas são a eficiência, a responsabilidade e a transparência.
Em entrevista exclusiva à Folha, Fayad, que hoje se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Belém, explicou porque ainda crê em seu plano de estabelecer um Estado palestino até 2011.
FOLHA – Diante de tantos percalços, ainda é possível um Estado palestino em 2011?
SALAM FAYAD – Sim, é possível. Estamos construindo nossas instituições e seguindo padrões internacionais de gestão financeira que muitos países não têm. Mas para isso precisamos de um processo político capaz de terminar a ocupação. Esse processo não começou agora, mas nos anos 90. Deveria terminar em maio de 1999. Os temas já foram extensamente negociados. O que é considerado um desfecho aceitável para as negociações é mais que conhecido a esta altura. Mas a comunidade internacional precisa se esforçar muito mais para colocar fim à ocupação israelense.
FOLHA – Falta mais esforço dos Estados Unidos?
FAYAD – Não há dúvida de que para que esse processo seja bem-sucedido, os EUA terão de ter um papel dominante, por todo o longo envolvimento do país na região. Mas isso não significa que bastam os EUA. Nos últimos anos houve uma ampliação da mediação, com o envolvimento do Quarteto (EUA, União Europeia, Rússia e ONU). Foi criada uma sensação de parceria internacional, o que é um avanço. Mas essas não são as únicas potências mundiais que têm interesse em paz no Oriente Médio. O equilíbrio de poder mundial mudou e continua mudando. O Japão, por exemplo, é uma grande potência e não faz parte do Quarteto. China, Índia e Brasil tampouco. Quem discute o peso político e econômico do Brasil no mundo hoje?
FOLHA – Que tipo de papel o Brasil pode ter nesse processo?
FAYAD – O Brasil goza de prestígio universal e afeição imediata. É um atributo único, que pode ser extremamente importante numa negociação. Tenho imenso respeito pelo que o presidente Lula fez em seu país. A ampliação do processo de mediação é necessária para refletir a nova ordem mundial, e o peso do Brasil não pode ser ignorado. É claro que não falo de uma mediação conduzida somente pelo Brasil, porque aí estaríamos voltando às mesmas limitações de um processo só com os EUA. Mas numa negociação multilateral a participação do Brasil seria de grande ajuda.
FOLHA – Digamos que houvesse uma guinada dramática e o acordo de paz com Israel fosse assinado amanhã. O Estado palestino estaria pronto?
FAYAD – O Estado palestino está pronto. E esse fato vai ficar tão óbvio para o mundo que em breve será impossível negá-lo. Nossa ideia é criar uma massa crítica de mudanças positivas que tornará fácil convencer a comunidade de nações que os palestinos têm, de fato, algo que parece um Estado em funcionamento. Se a ocupação não terminar até lá, nossa convicção é que haverá tanta pressão para que o processo político produza esse resultado que ele acontecerá. Nossa independência será um dia que toda a humanidade celebrará, e a comunidade de nações estará com os palestinos.
FOLHA – Alegações de corrupção sempre marcaram a administração palestina. É um obstáculo?
FAYAD – Pela primeira vez os doadores começaram a transferir dinheiro diretamente para nós, o que indica a confiança que eles têm em nosso sistema. Não é segredo que rumores de corrupção e desvios acompanham a Autoridade Nacional Palestina. A realidade é que houve uma significativa evolução na forma de administração da ANP e na construção de instituições. O Ministério das Finanças funciona muito bem, seguindo os mais altos padrões internacionais. O fato de sermos capazes de publicar com absoluta regularidade todo dia 15 do mês um relatório financeiro sobre o mês anterior mostra não só nossa abertura, mas também a capacidade administrativa de tornar possível essa transparência. O problema é que a percepção de corrupção pode ser tão ruim como a própria corrupção. Estamos tentando mudar isso sendo agressivamente abertos.
FOLHA – O sr. acredita no premiê israelense quando ele diz apoiar o estabelecimento do Estado palestino?
FAYAD – A questão é de que país ele está falando. Se for país formado por restos, em que Israel mantém o controle, não aceitaremos. Queremos um Estado que emerja em todos os territórios ocupados por Israel em 1967. E sim, com Jerusalém Oriental como capital.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Ciro Gomes solta o verbo em entrevista à Folha de São Paulo


PT paulista é um desastre, e é isso que favorece a eficiência medíocre do PSDB, diz Ciro


MALU DELGADO
enviada especial da Folha ao Rio, 15/03/2010

O deputado federal e ex-ministro Ciro Gomes (PSB), 52, é popular no Rio de Janeiro. Num táxi, discute com o motorista a filiação de Romário ao PSB e escuta, atento, a recomendação de lançar Zico, "que nem precisaria de campanha". Com a verve nordestina típica e uma a truculência à mídia arrefecida --ou dominada depois de disputar duas campanhas à Presidência--, um Ciro Gomes "mais sereno", como ele se auto-classifica, falou à Folha sobre a sucessão presidencial e em São Paulo.
A tal serenidade não impede Ciro de ser ácido. Ele admite que sua candidatura ao governo de São Paulo seria artificial. Defende que o PT e o PSB lancem no Estado dois candidatos ao governo. Só mesmo "se o mundo se acabar" e não tiver outro jeito, ele encararia a sucessão paulista. O PSDB paulista, afirma, amarga uma eficiência medíocre e o PT, dispara, "é um desastre" no Estado, por conta da crise de credibilidade após o escândalo do mensalão e do caso dossiê em 2006 --quando petistas negociaram a compra de um dossiê contra políticos do PSDB em meio à sucessão.
Com 12% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, Ciro se mantém candidato a Presidência e diz que age "em sintonia com Lula e com a direção do PSB". Afirma que só ele teria condições, se eleito, de propor um diálogo entre o PSDB e o PT, a saída política para o país. E faz uma certa profecia: a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, cometerá algum erro na campanha, pois é a mais vulnerável e inexperiente entre os candidatos.

Ao final da entrevista, com o gravador já desligado e cercado por correligionários do PSB num hotel no Rio, Ciro confessa que se não for candidato à Presidência e nem disputar o governo de São Paulo, deixará a política.

Abaixo, os principais trechos da conversa:

Folha - O sr. afirmou na semana passada que São Paulo não precisa do sr. São Paulo precisa de quem?
Ciro Gomes - Fulanizar a política é algo ridículo no Brasil. São Paulo precisa de um projeto porque a eficiência medíocre do PSDB deu o que tinha que dar. Os indicadores de violência estão crescendo, o transporte está colapsando, a educação de São Paulo é uma das piores do país. Agora, como o PT é um desastre, lá em São Paulo especialmente, eles têm essa eficiência medíocre posta em relevo.
Folha - Por que o sr. considera o PT um desastre em São Paulo?
Ciro Gomes - Por tudo o que aconteceu. Eu lamento, mas há uma lista toda, a nominata quase inteira com problema. Estou falando do desastre de confiabilidade, de confiança da população a ponto de o próprio PT, na minha opinião corretamente, pretender lançar um candidato jovem lá, para fazer nome. Os principais quadros do partido [o PT], por essa ou aquela outra, justa ou injustamente, entraram num problema. Não é brincadeira não, rapaz. José Dirceu, Genoino, Mercadante, Marta, João Paulo... Não é brinquedo não. Praticamente isso é a lista inteira.
"Minha intenção é ser
candidato à Presidência" 

Folha - O PT pretendia lançar o sr. no Estado.
Ciro Gomes - Eu fico muito honrado, distinguido com isso, mas veja bem: não é tão artificial essa solução não?
Folha - Então se o sr. for candidato ao governo de São Paulo será uma solução artificial?
Ciro Gomes - A minha candidatura naturalmente é artificial. Agora, o que eu posso fazer, eu poderia fazer --e tinha que ser sincero e franco com a população de São Paulo --era dizer: eu não faço rotina aqui, mas acumulei uma experiência de grande sucesso na administração pública, e essa experiência eu me disponho a colocar a serviço de São Paulo. Não é minha pretensão. Todo mundo sabe e eu repito que minha intenção é ser candidato à Presidência.
Folha - Mencionando um ditado dito pelo sr., "quem quer pegar galinha não diz xô!".
Ciro Gomes - Eu não estou dizendo xô para ninguém. Eu apenas quero ser sincero, porque não posso parecer indeciso --e eu não estou. Nem posso atrapalhar a responsabilidade dos meus companheiros do PT, do PSB, que têm uma candidatura que pretende ser apresentada lá, que é do Paulo Skaf. É tão remota e exótica essa possibilidade que ninguém tem que esperar por mim. Amanhã, se no limite o meu papel for essencial, se não for eu não dá certo, o mundo se acaba, o projeto brasileiro corre risco, e tal, nesta circustância é evidente que eu iria. Mas não creio.
Folha - O sr. trabalha por alianças do Paulo Skaf com o PT, por exemplo? O sr. vê possibilidade de uma chapa Aloizio Mercadante e Skaf?
Ciro Gomes - Eu não veto, não atrapalho, não opino contra, mas acho que a melhor opção é o PT ter o seu candidato e nós o nosso.
Folha - Circulam avaliações no meio político e uma delas é que o sr. está numa orquestração com o presidente Lula, agindo conforme interesses do Planalto para impedir que José Serra cresça. Seus movimentos são feitos em consonância com o presidente?
Ciro Gomes - Todos os movimentos que eu faço são em absoluta consonância com a direção do meu partido, o PSB, e com o presidente Lula.
Folha - Interessa ao presidente que o sr. se coloque neste momento candidato à Presidência?
Ciro Gomes - Se interessa a ele ou não eu não sei, mas até o presente momento tudo o que eu fiz está em absoluta sintonia com ele e com a direção do meu partido.
Folha - O sr. diz que é o único a ter liberdade para fazer críticas ao governo do presidente Lula, sejam políticas ou econômicas. Esse debate sobre o papel do Estado, com viés anti-privatização, é equivocado?
Ciro Gomes - Não, a questão não é que esteja equivocado. Embora o Serra tenha sido capaz de quebrar patentes no Ministério da Saúde na questão do coquetel anti-aids (...), ele chega em São Paulo privatiza a conta da prefeitura, hospeda num banco privado. E em seguida bota a Nossa Caixa para vender, um dos últimos ativos que São Paulo tem. Em relação à Dilma eu tenho a vivência que ela não tem.
"A economia moderna é mista: Estado e empresa"

Folha - Mas qual é a sua posição sobre privatização e o papel do Estado?
Ciro Gomes - Isso tudo é baboseira ideológica. No mundo inteiro a experiência empírica demonstra, inclusive com a crise recente nos EUA, que o Estado não é máximo, nem mínimo, nem grande, nem pequeno. É o necessário. É o seguinte: a lei do menor esforço. Quem faz melhor, mais rápido e mais barato é quem vai fazer. É o Estado fazendo o que for necessário fazer. Às vezes é Estado regulador, às vezes tem que ser empresário. Não quer dizer que temos que cair no estatismo, na ineficiência, abrir mão de mecanismos modernos de privatização, parcerias público-privada, concessões. Não. A economia moderna é mista, mas a responsabilidade pela dinâmica estratégica de um país é do Estado.
Folha - O sr. sempre menciona eventuais problemas de governabilidade do futuro presidente, seja ele quem for, dado que ninguém terá o capital político e altíssima popularidade de Lula, que de certa forma faz com que ele transite bem no Congresso.
Ciro Gomes - Mais que transitar. Ele suporta, sem perder legitimidade. O que é um fenômeno absolutamente raro. Só ele. Não conheço nenhum outro. Nem Juscelino [Kubitischek]. Se a coalizão for essa, com o protagonismo desta banda do PMDB que manda no país sem dúvida [haverá crise de governabilidade]. O DEM é muito melhor que o PMDB neste instante. Uma questão é um escândalo, no qual todos nós estamos vulneráveis a ter um companheiro que vai entrar numa dessa. Todos nós. Isso é da política. O problema é que no PMDB, não o coletivo, mas a banda hegemônica, faz desta linguagem o seu instrumento central de luta.
Folha - E como se governa o Brasil com a atual condição de representatividade e o atual sistema político?
Ciro Gomes - É uma ilusão de ótica que a prostração moral do PT está passando para o país. O problema da situação política da Dilma é que ela fica com a boca travada. Ela não pode falar isso para ninguém. Como o Serra também não pode. Eu posso. Eu posso fazer avançar a bancada do PSB, do PC do B, do PDT, pensando em flancos ideológicos. E posso fortalecer entendimentos com o lado decente e republicano do PMDB e o lado que tem espírito público do PSDB, que é imenso (...) Não tenho problema nenhum em fazer alianças. Imagino governar o Brasil assim: eu encerraria a violenta, paroquial e provinciana radicalização que opõe PSDB e PT. Convocarei um entendimento nacional entre os dois partidos, PT e PSDB, e convocaria todos os outros partidos para influir, me poria como magistrado. Essa é a saída para o país avançar e diminuir a importância de setores clientelistas, fisiológicos, atrasados, corruptos (...) Os brucutus reacionários eles dizem: se for o Serra ou a Dilma tá tudo bem. O que o mercado não quer é o Ciro. O que Wall Street não quer é o Ciro.
Folha - Fazendo uma revisão história de 2002, o mercado ainda teme sua candidatura?
Ciro Gomes - Teme, mas é injusto. Eu não sou uma invenção. Eu já fui ministro da Fazenda. Eu fui muito bom para a economia brasileira pelos resultados. O país cresceu 5,3%, tivemos superávit primário de 5% do PIB, inflação zero. Agora, tive algumas questões. Fiz a intervenção do Banespa e do Banerj. Fiz a abertura comercial que dissolveu vários cartéis. Tudo bem, a vida é dura. Eu não vou vender a minha alma para ser presidente do Brasil.
"Precisamos resolver essa equação do dinheiro com a política"

Folha - O preço que o sr. paga pode ser inclusive ter dificuldades de financiamento da sua campanha, um fantasma que circunda todas as campanhas. Como o sr. financiará a sua?
Ciro Gomes - Nós precisamos resolver essa equação do dinheiro com a política. Na democracia representativa, dinheiro é uma essencialidade. E a nossa moral vigente, a ética católica dominante, meio que abomina isso. E aí como a realidade se impõe, você vai na clandestinidade, e mistura ladrão e safado com empresários que não aceitam doar para a sua campanha, mas aceitam doar anonimamente para o partido. Eu advogo o financiamento público de campanha. Advogo mais: a estatização das campanhas, que é uma ideia que jamais vai passar. O TSE conseguiria padronizar as campanhas, equalizaria as linguagens. Vou fazer uma caricatura, porque é mais complexo, mas teria um estúdio e tudo mundo só gravaria lá.
Folha - E como o sr. viabilizará sua campanha?
Ciro Gomes - Vou lá pedir dinheiro. É o momento mais desagradável de todos. Nas minhas campanhas eu sempre me protegi. Eu não tenho uma só pessoa. Eu normalmente faço a lista dos contribuintes prováveis e possíveis, e monto uma equipe. E nunca vai um só, normalmente vão dois, fazer em meu nome. Quem financiou 100% minha campanha de deputado federal foi a indústria siderúrgica brasileira.
Folha - Há forte especulação no meio político em São Paulo em torno da filiação do Paulo Skaf no PSB, de que ele teria entrado no partido para financiar campanhas.
Ciro Gomes - Isso é uma completa ilusão. Nenhum indivíduo, nenhum, nem o Eike Batista aguenta financiar campanha individualmente. O Skaf está muito longe de ser um Eike Batista. Ele é um pequeno empresário, a rigor.
"O pecador a gente perdoa, mas o pecado do pregador é imperdoável" 

Folha - O PT teria que tomar um cuidado especial com essa questão do financiamento nesta campanha, pelos escândalos recentes?
Ciro Gomes - Tem. Todos nós temos, mas o PT mais que ninguém. Um vetor essencial da história do PT é o moralismo. Aí o pecado do pecador a gente perdoa, mas o pecado do pregador é imperdoável.
Folha - Neste contexto não é um equívoco político escolher um tesoureiro, o João Vaccari Netto, que esteja supostamente ligado ao caso Bancoop, ainda que não tenha nenhuma prova ou sentença?
Ciro Gomes - Eu não estou suficientemente informado do assunto e acho odiento que alguém pague por uma culpa não demonstrada.
"O Serra erra menos porque é protegido pela grande mídia" 
Folha - O sr. já sofreu uma oscilação fortíssima nas pesquisas em 2002. Todos os políticos não estão sujeitos a isso?
Ciro Gomes - Sim, isso eu acho. Acho que a Dilma cometerá um erro, porque nenhum de nós escapou. O Lula cometeu, eu cometi, o Serra, o Alckmin cometeu. Ela cometerá. Tomara que não. E vai oscilar. Ela é um pouco mais vulnerável, claro. Porque na medida em que você erra, você aprende. O Lula aprendeu para caramba, não é verdade? Eu aprendi muito. O Serra erra menos porque é protegido pela grande mídia.
Folha - A sua liberdade para criticar o presidente Lula não pode lhe trazer problemas? Ou traz votos?
Ciro Gomes - Criticar o Lula tira voto. E eu não critico o Lula, mas não é porque tira votos. Todo mundo sabe que eu tenho imensa afinidade com ele. Agora, eu tenho mais amor, mais paixão, mais compromisso com o Brasil.
Folha - O sr. foi irônico ao chamá-lo de santo, por exemplo.
Ciro Gomes - Eu não fiz isso. Eu disse que para mim ele não é um santo. Ele é um grande líder político, extraordinário. Sou amigo dele desde 1989. E no governo tivemos uma relação extraordinária. É uma pessoa pela qual tenho imenso carinho, admiração, respeito. E daí?
Folha - Se criticá-lo tira votos, então podemos esperar uma campanha em que todos vão poupar Lula?
Ciro Gomes - O Serra que é o capitão da oposição, especialista em câmbio, adora bajular exportador, não fala nada. As contas externas do Brasil se acabando e quem fala sou eu. O Banco Central guiado pela estupidez do tal PIB potencial e quem fala é o Delfim Neto. Então agora estão nesta disputa ridícula de inauguração, se pode inaugurar maquete, anunciar edital. Pelo amor de deus! Ou eu estou ficando muito cego, ou está na hora de sair da política.
Folha - O país está imerso numa cegueira afetado pela alta popularidade de Lula?
Ciro Gomes - Está numa brutal cegueira, mas não pela popularidade, que é um legítimo prêmio a um governante que tem feito muito bem ao país. O problema é da vulgaridade dos políticos e dos seus dispositivos de mídia.
"Quando foi que a direita brasileira teve qualquer apego aos direitos humanos?"

Folha - A política externa do Brasil está no rumo correto? Pergunto-lhe em função das últimas polêmicas sobre o relacionamento do governo brasileiro com Cuba e Irã.
Ciro Gomes - Estrategicamente o governo brasileiro está muito correto. Somos contra a intervenção em assuntos domésticos, seja de quem for, somos pela solução pacífica dos conflitos, e advogamos uma ordem mundial multipolar. Tudo o que o Lula faz guarda coerência com esses princípios. Nós consideramos que o embargo norte-americano a Cuba --e não é o governo Lula, eu estou falando --é a causa de todos os abusos que hoje ainda temos que assistir em Cuba. O embargo, essa coisa anacrônica, prepotente, e injusta dos americanos, que inacreditavelmente continua com o governo Obama, justifica a atitude defensiva de Cuba. O país está acossado por um inimigo externo iminente, a maior potência do planeta. Eu acho odiento o crime político. Mas, o embargo dá ao governo de Cuba a faculdade de dizer que aquilo não é crime de opinião, mas sabotagem, espionagem, serviço ao inimigo externo. Essa é a questão que tem que ser posta em perspectiva. De qualquer forma, não é o Brasil que vai resolver isso. O Brasil deu asilo ao [Alfredo] Stroessner, no que acho que fez muito bem. Isso tira da moral dessa gente, da direita truculenta, esse papo. Quando foi que a direita brasileira teve qualquer apego aos direitos humanos? Que dia? Em que circunstância internacional ou internacional? Esse papo furado é só para quem não tem memória. E o Irã: deixa os americanos fazerem uma aventura militar no Irã para você ver o que vai acontecer com o planeta. O Irã não é o Iraque. O Brasil não é a favor que o Irã desenvolva artefato nuclear. O Brasil tem uma posição contra armamento nuclear no mundo. Ele não é ingênuo. Queremos que o mundo se desarme.

Conheça a metodologia do PIG (Partido da Imprensa Golpista)


Copiado do Blog do Professor Ariovaldo de Almeida Prado (http://hariprado.ning.com/)

PIG - Partido da Imprensa Golpista: teminologia criada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim para identificar jornais, revistas e TVs de baixa qualidade, irmanados no projeto de dar um golpe de Estado para derrubar o presidente Lula e entregar o poder ao PSDB/DEMO, nas pessoas dos governadores José Serra (tucano de SP) e Arruda (Demo de Brasília, atualmente preso).

domingo, 14 de março de 2010

Luiz Nassif desmonta farsa da Veja e revela as digitais de Daniel Dantas


Copio aqui um post do (excelente) Blog de Luiz Nassif a respeito do escândalo fabricado pela revista Veja. Nassif revela, para quem não conhece as safadezas da imprensa, como é fabricada a "reporcagem". E aponta nela as digitais do banqueiro Daniel Dantas.

Refrescando a memória, Daniel Dantas é uma espécie de PC Farias da turma das privatizações. Ele foi preso pela Polícia Federal, na Operação Satiagraha, e solto por meio de 2 habeas corpus dados em menos de 48 horas pelo ex-presidente do STF, Gilmar Mendes.

E a Veja, não custa lembrar, é aquela revista que vende 5 mil assinaturas para o Governo José Serra e mais 5 mil da revista Nova Escola, ambas da Editora Abril. Em troca, esconde as denúncias de corrupção no Metrô paulista, nos pedágios mais caros do mundo, na construção do RodoAnel, entre centenas de outros casos).

Vamos ao Nassif:

"14/03/2010 - 08:21

Para entender a capa da Veja

O modelo de atuação é idêntico ao famoso Relatório do Ministério Público italiano, permanentemente levantado pelo lobby jornalístico de Daniel Dantas – especialmente a revista Veja – para atingir seus inimigos.
Esquematicamente, funciona assim:

1. Começa o inquérito. Apresenta-se, então, uma testemunha dentro do instituto da «delação premiada». Na condição de testemunha, fala o que quer.

2. No momento seguinte, cabe aos titulares do inquérito (procuradores federais) analisar tudo o que foi dito e considerar o que for consistente, jogando fora o que parecer inverossímil. Os elementos consistentes entram na denúncia; os inverossímeis fazem parte do copião.

3. A prova do pudim é simples: se deu o depoimento e ele não gerou um inquérito, é porque a autoridade ou concluiu que era falso ou não encontrou nenhuma prova que confirmasse o teor das acusações.

4. Quem banca o esquema, esconde essa informação do leitor e passa a divulgar o depoimento como se fosse oficial e aceito pelas autoridades. Dentro desse modelo, consegue-se qualquer coisa. Basta um fulano qualquer ir ao MP, declarar o que quiser, fazer a jogada que pretender. O MP não acata, mas divulga-se como sendo parte integrante do inquérito.

O relatório italiano

Vamos relembrar, primeiro, o tal Relatório Italiano:
Um agente do serviço de segurança da Telecom Italia, Marco Bernardini, se apresentou espontaneamente ao MP italiano e passou a distribuir acusações a vários inimigos de Dantas.
Cabe aos condutores do inquérito avaliar se as acusações têm consistência ou se são manobras de uma das partes.
O MP italiano jamais levou a sério suas versões, tanto que nada foi incluído no inquérito final.
Mas o relatório servia para montar escândalos no Brasil e ser utilizado como fator de constrangimento dos adversários de Dantas. Como se recorda, o principal instrumento de Dantas nesse episódio – Diogo Mainardi –, mostrou-se tão empenhado na missão de dar vida ao depoimento, que chegou a levar o relatório para um juiz.
Aqui o capítulo de «O Caso de Veja» referente ao tema: «O lobista de Dantas». Narra-se com detalhes o papel de Bernardini e da tal secretária-tradutora que teria incluído até o nome de Lula no seu depoimento.
Confira trecho da entrevista com Angelo Jannone, ex-chefe de Segurança da Telecom Italia, sobre como o esquema operava:
Trecho 1 – Jannone diz que o inquérito começou com declarações mentirosas de fontes. No começo não conseguiu entender. Depois, ficou mais claro. No início de sua “colaboração” com a justiça italiana, Bernardini ficou falando do Brasil. Ele não conhece o Brasil, nem tem cabeça refinada para falar o que falou. Imediatamente ele colocou nas suas declarações a idéia de uma Polícia Federal brasileira corrupta, de políticos corruptos, com Jannone como responsável. A coisa mais estranha é que no primeiro dia de interrogatório dele, entregou aos promotores, sem nada comentar, a famosa reportagem da Veja que falava de contas bancárias do presidente Lula, do chefe da Polícia Federal, Lacerda. Mas de forma estranha, sem comentar, como se outra pessoa tivesse dito a ele: se você vai lá, entrega isso.
Aqui o trecho da entrevista com Jannone:

Ou clique aqui se não estiver vendo o player.

O caso Funaro

Depois, se descobriu que o advogado de Bernardini – e da tal tradutora italiana – mantinha contato direto com Marcos Valério, o homem de Dantas para o “mensalão”.
Vamos agora aos pontos em comum com a atual capa de Veja:
1. A testemunha-chave da capa também aceitou a “delação premiada” e tem ligação com Daniel Dantas. É o doleiro Lúcio Bologna Funaro. Ele foi preso na Operação Satiagraha e um dos beneficiados pelo habeas corpus de Gilmar Mendes (clique aqui).
2. Os atingidos pela “delação” são TODOS – tanto no caso italiano quanto no atual – adversários de Dantas.
3. Nos dois episódios, é a mesma revista Veja o veículo usado para transformar o depoimento em escândalo."

(http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/03/14/para-entender-a-capa-da-veja/)

sábado, 13 de março de 2010

Mais um "escândalo" fabricado por Veja, encomendado por Serra, pago com dinheiro público

A revista Veja fabrica "escândalos" sob encomenda para uso de candidatos. E os vende bastante caro, recebendo sempre dos cofres públicos administrados pelo candidato interessado. No caso, suspeita-se que o pagante seja o governo José Serra, que, entre outros favores à Editora Abril, mandou comprar cerca de 5 mil assinaturas da Veja e outras 5 mil da revista Nova Escola para distribuir aos professores, alunos, pais ...

Serra fez o mesmo com a Folha de São Paulo (5499 assinaturas), o Estadão, IstoÉ, Época .... Não demora muito e o governador que já foi flagrado comendo meleca vai justificar a compra de milhares de assinaturas de jornais para "servirem de cobertor aos mendigos que dormem na Praça da Sé".

Na semana passada (e certamente também nesta; aguardemos o domingo), a Veja fabricou reportagem sobre a Bancoop, uma cooperativa dos bancários de São Paulo, com efetivos problemas de administração. A "reporcagem" tem o conluio de um promotor de Justiça tucano, José Carlos Blat, que acaba de levar uma descompostura do juiz Eduardo Lora Franco, que escreveu no despacho em que indeferiu a maior parte dos pedidos do promotor:

"O Ministério Público e o Poder Judiciário são, antes que tudo, instituições de Estado, e não de governo. Assim, é imprescindível que sua atuação fique acima de circunstâncias ou convicções políticas. E não basta que cada integrante destas instituições exclua internamente suas convicções políticas de influência em suas atuações. É imprescindível também que fique absolutamente claro, para toda a sociedade, que suas atuações são isentas de outros interesses que não os decorrentes de suas próprias atribuições institucionais."

O juiz foi até educado, diante da atuação suspeita pregressa desse promotor Blat, há tempos acusado pelos mesmos jornais e revistas que agora o endeusam de ter-se tornado sócio de um bicheiro e inquilino de outro. Isto apesar de ser membro de um grupo de combate ao crime organizado. Como bem lembrou o juiz Eduardo Lora Franco, "não basta ser honesto; é preciso parecer honesto. Ou, no caso dos autos, não basta ser isento, é preciso parecer isento".

Observe-se que o tal promotor fez sérias e diversas acusações sem amparo nas mínimas provas - como apontou o juiz, ao exigir que as apresente, para que dêem substância às pesadas alegações. A despreocupação do promotor Blat em reunir provas tem uma explicação clara e simples: sua pantomima não visava o Poder Judiciário, que requer provas para agir e julgar, mas sim a mídia de aluguel, que destrói reputações sob encomenda, sem preocupação sequer com a verossimilhança, quanto mais com provas concretas das acusações.

O tal Blat só não esperava encontrar pela frente um Eduardo Lora Franco. Assim como o banqueiro Daniel Dantas (espécie de PC Farias da turma das privatizações) tampouco esperava achar em seu caminho um juiz Fausto De Sanctis.

Para quem se interessa em ir mais a fundo no assunto, segue a íntegra do despacho do juiz Eduardo Lora Franco:


Inicialmente não se pode desconsiderar a repercussão política que a presente investigação passou a ter a partir do momento em que o teor do requerimento do Ministério Público de fls. 5649 e ss. veio a ser divulgado pela imprensa no último final de semana, antes mesmo que fosse apresentado em juízo. E isso porque, faltando cerca de apenas sete meses para as eleições presidenciais, uma das pessoas de quem foi requerida a quebra de sigilo (João Vaccari Neto) estaria sendo indicado como possível integrante da equipe de campanha da virtual candidata do partido atualmente ocupante da Presidência da República.

Tal contexto, porém, apenas reforça ainda mais a necessidade de cautela e rigor no exame dos requerimentos formulados, justamente para que tal atmosfera política não venha a contaminar a presente investigação ou, noutro sentido, que esta não venha a ser utilizada por terceiros para manipulação da opinião pública por propósitos políticos.

O Ministério Público e o Poder Judiciário são, antes que tudo, instituições de Estado, e não de governo. Assim, é imprescindível que sua atuação fique acima de circunstâncias ou convicções políticas.

E não basta que cada integrante destas instituições exclua internamente suas convicções políticas de influência em suas atuações. É imprescindível também que fique absolutamente claro, para toda a sociedade, que suas atuações são isentas de outros interesses que não os decorrentes de suas próprias atribuições institucionais.

Em analogia ao dito popular, não basta ser honesto; é preciso parecer honesto. Ou, no caso dos autos, não basta ser isento, é preciso parecer isento.

Portanto, a partir do momento em que este inquérito passou a ter tamanha repercussão política, é preciso que cada decisão ou providência tomada esteja ainda mais firmemente embasada em elementos de prova e de direitos sólidos e claros.

A manifestação apresentada pelo Ministério Público descreve uma série de fatos e circunstâncias, narrando como seria o suposto esquema de desvio de valores da Bancoop, inclusive para fins de financiamento ilícito de campanhas políticas.

Porém, não há em tal manifestação a indicação clara e precisa dos elementos de prova dos autos que sustentam tal narrativa, bem como os pedidos formulados.

E, sendo este um feito bastante complexo, já com 26 volumes (mais de 5.600 páginas), além de 59 anexos, como citado pelo próprio Ministério Público, é imprescindível que indique de forma discriminada e detalhada os elementos que sustentem cada uma de suas afirmações.

A manifestação cita, por exemplo, que “aproximadamente 40% da movimentação das contas correntes de titularidade da Bancoop tiveram recursos sacados em dinheiro na própria agência bancária” (fls. 5652), mas como base para tal alegação indica apenas um cheque, no valor de R$ 50.000,00, sem sequer citar em que volume ou apenso, e folha, consta tal informação. Cita, ainda, que numa avaliação, entre 2001 e 2008, teria constatado que os valores assim circulados chegariam a R$ 18.000.000,00, mas novamente não há indicação precisa da fonte de tais informações.

Tem-se, portanto, como imprescindível que os autos tornem ao Ministério Público para que indique com precisão quais os fundamentos de cada uma de suas afirmações que invoca como razões para os pedidos formulados.

E isso para que, como dito, fique bem claro para toda a sociedade que os pedidos e as decisões estão fundados apenas em elementos e razões contidas nos autos, e são efetivamente necessários e oportunos, neste momento.

E não é demais dizer que tal providência naturalmente incumbe ao órgão requerente. Os fatos, com respectivos fundamentos, devem ser apresentados pela parte ao Magistrado, para que então possa decidir.

Se assim não for, atribuindo-se ao Juiz a obrigação de investigar as provas para buscar os elementos que sustentem a acusação, óbvio que perderá seu olhar imparcial.

É verdade que a fls. 5648 v., item 3, o Ministério Público alegou que apresentaria planilhas sobre a movimentação bancária oportunamente.

Porém, tais planilhas, além de outras informações, são imprescindíveis para o próprio conhecimento da maior parte dos pedidos apresentados. E das providências pedidas (excluída apenas a que é manifestamente descabida e fica já rejeitada como abaixo indicado), tais como a oitiva de pessoas e solicitação de informações bancárias, nenhuma delas corre risco de perecimento, não sendo urgentes a ponto de ensejar a necessidade de apreciação antes dos esclarecimentos determinados.

Por outro lado, e sem prejuízo dos esclarecimentos a serem prestados pelo Ministério Público, observo que há alguns pedidos que já podem de plano ser apreciados, e deferidos ou não.

Quanto ao item 1 de fls. 5659 (expedição de ofício ao Banco Bradesco para que forneça toda a movimentação do fundo FDIC – Bancoop), observo que a vinda de tais informações desta natureza já havia sido determinada a fls. 5507, mas requisitada à empresa Planner Corretora de Valores S/A, que respondeu a fls. 5518/5521 informando que quem poderia prestá-las seria o Banco Bradesco, por ser o atual banco custodiante. Assim, o ofício ora pretendido nada mais é do que o que já havia sido antes deferido.

Já, quanto ao item 6 (bloqueio imediato de todas as contas bancárias, fundos e aplicações da Bancoop), observo que é manifesto seu descabimento e despropósito nestes autos, sendo de rigor o pronto indeferimento.

Ora, é informação disponível na internet, e que foi também trazida a estes autos pela própria Bancoop após o requerimento ministerial, de que foi proposta pelo próprio Ministério Público uma ação civil pública (autos n° 583.00.2007.245877-1, da 37ª Vara Cível do Fórum Central – fls. 5701/5720) contra a cooperativa e que nesta houve um acordo homologado judicialmente em março de 2009 estabelecendo uma séalmente em março de 2009 estabelecendo uma sante. Assim, o ofs. 5518/5521 informando que quem poderia prestdos.

para que rie de providências a serem adotadas para garantia dos cooperados, inclusive pela realização de auditorias. Evidente, portanto, que a administração da cooperativa, se foi temerária em algum momento, ao menos agora está sendo acompanhada pelo Ministério Público, e que foram tomadas medidas saneadoras (ao menos é o que se deve presumir pelo próprio fato de o Ministério Público ter firmado um acordo nesse sentido).

Nesse panorama, o pedido feito pelo Ministério Público nestes autos (bloqueio de todos os valores da Bancoop) implicaria, basicamente, na imediata interrupção de todas as suas atividades, com prejuízo evidente não só para todos os seus cooperados, como, por exemplo, impedimento até do pagamento dos salários dos funcionários da cooperativa. E tudo isso baseado apenas num retrato do passado, que é o que se tem nestes autos, e não do presente, que é o que deve estar sendo acompanhado pela Promotoria de Justiça do Consumidor, na citada ação civil pública.

Por outro lado, se a situação atual recomendar tal medida, o que só poderá ser perfeitamente conhecido no âmbito daqueles autos e da Promotoria do Consumidor, é naquela esfera que tal providência deve ser requerida.

Evidente, portanto, que não tem como ser acolhido.

Ante o exposto,assim decido:

1- Defiro o item 1 de fls. 5648 (desentranhamento de alguns documentos para juntadas em apensos, para melhor organização);

2- Defiro a expedição do ofício requerido no item 1 de fls. 5659 (obtenção de informações da movimentação financeira do fundo FDIC-Bancoop);

3- Indefiro de plano o requerido no item 6 de fls. 5661 (bloqueio de todas as contas da Bancoop);

4- Determino que tornem os autos ao Ministério Público para que complemente seu requerimento, indicando de forma clara e detalhada quais os fundamentos dos autos para suas alegações, e especialmente:

a- Apresente um quadro com planilhas indicando em resumo quais os valores recebidos pela Bancoop em cada um dos meses (sua entrada) e quais os cheques que teriam sido emitidos e descontados diretamente no caixa, sem indicação do destinatário, informando seu valor, data de desconto, e folha, volume e apenso dos autos no qual consta a informação, demonstrando que superam R$ 18.000.000,00 e 40% da movimentação da cooperativa, como alegado;

b- Apresente quadro, nos mesmos termos, referente à movimentação entre a Bancoop e a Germany, indicando também a origem nos autos da informação de que as empresas Germany e Mizu/Mirante eram fornecedoras exclusivasda Bancoop, demonstrando especialmente o grau vinculação da Mizu com a Bancoop, que levou à alegação de que o esquema de desvio se destinava ao financiamento político, demonstrando assim a alegação de “confusão negocial” entre as empresas (3° par. de fls. 5653);

c- Apresente um resumo, indicando as folhas dos autos que contenham tais informações, sobre quais os integrantes da Diretoria da Bancoop em todo o período investigado, bem como quais deles já tiveram seu sigilo quebrado, ou assim requerido, nestes autos, e demonstrando as razões da opção, agora, pelo pedido de quebra de sigilo especificamente de João Vaccari Neto e Ana Maria Érnica [1];

d- Esclareça a conveniência da oitiva de tais pessoas pela autoridade policial nesse momento (tem 5 de fls. 5661), e não após eventual vinda das informações bancárias, quando então poderão ser indagados e esclarecer também sobre o que eventualmente se revelar;

e- Em complementação ao quadro de item ‘c’ supra, apresente um quadro informando os sócios de cada uma das empresas citadas a fls. 5650 e 5651 (Germany e Mirante), indicando quais pertencem aos quadros da Bancoop, e indicando as fls. dos contratos sociais nos autos;

f- Esclareça a pertinência quanto ao pedido do item 2 nestes autos (cópia de cheques de R$ 20.000,00 e R$ 1.200,00 de titularidade da Mizu, que teriam sido dados em doação para o Partido dos Trabalhadores), posto que, em tese, se trata de fato a ser apurado pela Justiça Eleitoral.

Com o atendimento de todo o acima, tornem conclusos.

Int.

São Paulo, 12 de março de 2010.

Carlos Eduardo Lora Franco

Juiz de Direito

[1] Tais esclarecimentos são especialmente convenientes para a transparência acima citada quanto à oportunidade de tal requerimento, dado o momento do calendário eleitoral, evitando qualquer interpretação política que terceiros venham querer emprestar-lhe.

Uma visão privilegiada do Rio de Janeiro (e outros lugares)

Um site russo oferece uma visão aérea panorâmica do Rio de Janeiro e de outras grandes cidades do mundo, como Kuala Lumpur, na Malásia, a própria Moscou e Manhattan. Também algumas obras-primas da natureza, como as Cataratas do Iguaçu e a confluência dos rios Colorado e San Juan, em Utah, USA. Enviado pela Roseana.

Para ver o Rio clique aqui: http://www.zubetzblitz.narod.ru/GALARY/tour_brasil/rio/rio.html

Visite o site do autor das imagens aéreas para ver outras cidades e mega acidentes geográficos: http://airpano.ru/

sexta-feira, 12 de março de 2010

Jornais tratam brasileiro como cidadão de 2ª classe

Com críticas à imprensa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (11) durante a abertura da 2ª Conferência Nacional de Cultura que os editoriais publicados pelos jornais brasileiros mostram que seus autores são "falsos democratas", que acham que são a "única voz pensante no mundo".

Segundo o presidente Lula, os editoriais publicados hoje pelos meios de comunicação praticamente repetem os de 1953, quando teve início a campanha "O petróleo é nosso". "Não há diferença. Diziam que o Brasil não deveria fazer a campanha, porque aqui não havia petróleo". Para Lula, os meios de comunicação traduzem "a pequenez do pensamento daqueles que acham que o Brasil só tem cidadãos de segunda classe".

"Se vocês são como eu, que não gosto de ler notícia ruim, comecem a prestar atenção no noticiário, leiam os editoriais, para a gente ver o comportamento de alguns falsos democratas", disse Lula. "Façam isso, porque isso também é cultura". (Da Agência Estado, 11/03/2010 - 23:55)


quarta-feira, 10 de março de 2010

Brasilianas, vida inteligente na TV

Em parceria com a TV Brasil, a Agência Dinheiro Vivo, do jornalista Luiz Nassif, lançou ontem o Programa Brasilianas.Org, para debater os grandes temas nacionais e construir conhecimento. Um sinal de vida inteligente em meio à programação medíocre de TODAS as TVs abertas brasileiras. O tema do programa de estréia foi "Tecnologia Militar". Vale a pena acompanhar e participar das discussões (www.brasilianas.org). 

quinta-feira, 4 de março de 2010

Dois monstros sagrados

Nelson Gonçaves e Tim Maia atacam de "Renúncia", um clássico dos anos 50 (ou por aí). Homenagem aos casais "ouvintes" do Blog.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Entenda a trama da Folha de
S. Paulo para salvar o UOL e
ainda faturar uma grana


Do (excelente) Blog de Luiz Nassif (http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/)

"25/02/2010 - 09:05
Eletronet: o lobby foi da Folha

Fecha-se o circuito de um dos grandes lobbies montados recentemente pela mídia.

Acompanhe:

1. A Folha, através do repórter Marcos Aith, traz a manchete bombástica de que um cliente de José Dirceu, Nelson dos Santos – sócio da massa falida da Eletronet – iria receber R$ 200 milhões do governo, caso saísse o Plano Nacional de Banda Larga, em cima da rede de fibras óticas da empresa – que o governo já tinha pegado de volta, sem nada pagar. Atribuiu a operação – que, segundo Aith, beneficiaria Nelson – ao lobby de José Dirceu.

2. No mesmo dia, aqui, se desmontou essa tese. Mostrou-se que, na verdade, governo e Nelson estavam em lados opostos. O governo retirando a rede da Eletronet, sem nada pagar; e Nelson querendo manter o controle da empresa.

3. A matéria era maliciosa e relacionava a caução que o governo teve que depositar no processo movido pelos credores (para poder ficar com a rede de fibras óticas) com os supostos benefícios ao Nelson. Ora, a ação era de credores querendo receber pelo que entregaram, não dos ex-acionistas. De que modo Nelson ganharia R$ 200 milhões? A matéria não explicava. E foi duramente cobrado do Aith, aqui, que mostrasse de que forma se daria o pagamento.

4. No dia seguinte, mudou totalmente o enfoque da matéria – mas sempre colocando a União como cúmplice do Nelson. Agora – na matéria do Aith – a Oi estava querendo adquirir as dívidas dos credores para poder assumir a rede da Eletronet. Do que se aproveitou Aith/Folha para relembrar o caso BrOi, Gamecorp, a assessoria do José Dirceu etc. A matéria foi abatida em pleno vôo por outra – esta, séria – do Estadão, informando que Nelson ganharia R$ 70 milhões, mas só na hipótese da Oi entrar. E a Oi não entrou justamente porque foi barrada pela Eletrobras, em função do PNBL. Ou seja, quem gorou a aventura do Nelson (que assumiu 51% da Eletronet por R$ 1,00) foi o PNBL – o oposto do que Aith/Folha falava. Nelson só ganharia se o plano gorasse.

5. Durante dois dias seguidos, Aith/Folha ficaram com a broxa na mão. Afinal, iriam deixar passar batido a barriga ou abririam as cartas sobre as fontes da informação.

Sem alternativa, na matéria de hoje Aith abre as cartas: a fonte da tal matéria era o próprio Nelson dos Santos.

O empresário diz que a autofalência da Eletronet não é culpa dos sócios privados. “O pedido de autofalência foi feito pela Lightpar [que representa o governo na empresa] e não pela AES [sócia majoritária na época]“, disse Santos à Folha antes da publicação da reportagem.

Aí, o leitor mais desavisado perguntaria: mas a troco de quê o próprio Nelson faria uma denúncia sobre uma operação (o PNBL) que, segundo a própria matéria, o beneficiaria? Mania de suicídio?

Qualquer repórter iniciante, mais que isso, qualquer pessoa medianamente inteligente e intelectualmente honesta se perguntaria porque uma fonte estaria lhe passando informações denunciando uma operação da qual supostamente ela seria beneficiária. Aith não é ingênuo, não é novato e não é despreparado. Mesmo assim, não perguntou.

Não há hipótese de Aith/Folha não saberem que as informações vindas de Nelson dos Santos se destinavam a melar o PNBL. E, sendo assim, seria impossível que o PNBL beneficiasse Nelson e a Eletronet. Então por que insistiram nesse falso escândalo? Aliás, pela própria declaração de Nelson – só agora revelada por Aith – se constata que o repórter já sabia das pendências entre governo e Eletronet antes de saírem as denúncias. Estava informado sobre o imbróglio jurídico e sobre a maneira como a lógica do PNBL contrariava os interesses de Nelson. E reportou justamente o contrário, fazendo o jogo da fonte.

A lógica final é simples.

1. Nelson só receberia R$ 70 milhões se não saísse o PNBL e ele pudesse negociar a Eletronet com as teles. Nesse caso, a candidata pagaria os credores (no lugar do governo pagar), a empresa sairia da falência e ele receberia R$ 70 milhões pela venda.

2. A única arma que ele tinha eram os recibos de pagamentos ao José Dirceu. A maneira que encontrou para torpedear o PNBL foi pegar os recibos do que pagou a José Dirceu, chamar o notório Aith e combinar uma matéria que diria que o pagamento foi para viabilizar o PNBL e beneficiar a ele, Nelson. Com essa jogada primária, pretendia inviablizar o PNBL e depois sair com a história de que o setor privado resolveu o problema, pagando as dívidas da Eletronet em lugar de gastar dinheiro público. E, aí, embolsaria algo entre R$ 70 milhões e R$ 200 milhões, pagos pela compradora.

A última matéria de Aith, em que a trama é deslindada, porque obrigado a abrir a fonte, é um fecho clássico para uma das grandes manobras de lobby contemporâneo.

Segundo a última matéria de Aith, o lançamento do PNBL inviabiliza a Eletronet. Mas poderá beneficiá-la, «caso o governo mude de ideia». Ora, quem pretendia fazer o governo “mudar de ideia”? O escândalo bancado pela Folha.

Agora, o governo sinaliza que não precisará mais da Eletronet, já que as fibras foram transferidas. Mas, segundo os advogados envolvidos no processo, no estatuto da Eletronet está definido que ela será a única gestora da rede por mais 11 anos. Caso o governo mude de ideia, os sócios privados terão de ser indenizados, incluindo Nelson dos Santos.

Mudar de ideia, significa manter a Eletronet como espinha dorsal – algo que o Nelson quer e o governo não quer:

Outro cenário é o de que a controvérsia pela posse das fibras seja resolvida e o governo mantenha a Eletronet como “espinha dorsal” do PNBL.

Nesse caso, a Eletronet, saneada, aumentaria sua receita e faria crescer a participação de Santos. Hoje ela não tem valor, mas, diz Santos, pode passar de R$ 200 milhões caso seja reativada com a Telebrás.

Ou seja, Nelson ganharia de R$ 70 milhões a R$ 200 milhões se o lobby da Folha fosse bem sucedido, as informações distorcidas melassem o PNBL e a Eletronet pudesse ou ser negociada com o setor privada ou ser aproveitada para o plano – a empresa inteira (como pretende o Nelson) e não apenas a rede de fibras óticas (como planeja o PNBL).

Há um agravante. Antes de sair essa matéria, o jornal soltou outro factóide contra a Telebras, acusando um twitteiro de ter vazado a informação – que já era de amplo conhecimento geral – de que o governo iria ressuscitar a Telebrás. É evidente que foi um preparativo para o lobby final de melar o modelo Telebrás, abrindo espaço para a manutenção da Eletronet.

E por que, afinal, Aith/Folha teriam bombardeado a Oi, se ela poderia ser uma futura compradora? Porque, segundo a matéria do Estadão, a venda para a Oi renderia R$ 70 milhões a Nelson. Mas havia outro comprador disposto a pagar os R$ 200 milhões. Aliás, finalmente se descobre de onde sairiam os R$ 200 milhões para o Nelson. Sairiam se o lobby tivesse dado certo e a Eletronet fosse reativada com a Telebras – o que só ocorreria se o PNBL fosse para o espaço.

Hoje ela não tem valor, mas, diz Santos, pode passar de R$ 200 milhões caso seja reativada com a Telebrás.

Em jogo, portanto, de R$ 70 a R$ 200 milhões.

Aliás, não há mais o menor motivo para que Dirceu não revele os termos do contrato firmado com Nelson. Alegou sigilo contratual. Agora, está provado que quem vazou as notas de pagamento a Dirceu foi o próprio Nelson. Então, o acordo de confidencialidade foi quebrado unilateralmente.

É um bom momento para Dirceu colocar a história das suas assessorias em prato limpo."


Em outro post em seu Blog, às 10h54 desta quinta-feira, Nassif revela o interesse da Folha/UOL no negócio:


"25/02/2010 - 10:54
O jogo em torno da Eletronet

Até agora, foram anunciadas apenas teles como candidatas a compradores da parte de Nelson dos Santos na Eletronet.

Mas há um personagem que tem interesse estratégico nítido na história: os grupos de mídia.

Conforme já se mostrou aqui, a falta de controle sobre a banda larga criou uma desvantagem estratégica fundamental para esses grupos, na disputa com as teles – que começam a competir no campo da mídia.

Ontem mesmo mostrei a vulnerabilidade da UOL, por não ter sua própria rede de banda larga.

Há uma possibilidade nada desprezível da compra da Eletronet estar na mira da UOL e da Globo – que, durante a crise, precisou vender a Net.

O IPO (lançamento de ações) da UOL permitiu-lhe acumular um bom caixa que não foi utilizado em nenhum novo empreendimento. Na época não foram anunciadas as intenções da empresa com esse caixa."

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Reação católica

A Igreja Católica reage à ação dos evangélicos não-históricos, aqueles conhecidos popularmente como "seita cheque". Vídeo bem feito, bem argumentado, mensagem clara, concisa, direta. Trabalho de profissional. O vídeo foi enviado pelo professor Aroldo Murá, doutor nas coisas da fé católica e um estudioso do fenômeno das seitas pentecostais.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Primeira aparição de ET

O humorista Claudio Chirinian, da dupla ET e Rodolfo, morreu no último dia 2 de fevereiro, de uma broncopneumonia. Estava afastado da TV desde 2004, o que deve ter contribuído para a sua morte precoce (apenas 46 anos). O vídeo abaixo é da primeira aparição do humorista, descoberto por Rodolfo ao passar defronte a um bar, em Osasco, onde ET gastava a maior parte do tempo de sua então monótona vidinha. Virou celebridade da noite para o dia, ganhou dinheiro, gastou com a mulherada, virou febre da propaganda em São Paulo, trabalhou com Ratinho, Gugu e Raul Gil e voltou para o anonimato, daí para a depressão e a morte. Uma carreira breve na TV: de 1997 a 2004. A máquina o engoliu, digeriu e cuspiu fora. Se continuasse anônimo bebendo cerveja no bar vizinho à sua casa em Osasco talvez ainda estivesse vivo. Mas duvido que ele preferisse essa morte em vida. Gozou quase 8 anos de sucesso e conta bancária recheada, depois voltou ao que havia sido por 38 anos: ninguém.