sábado, 22 de janeiro de 2011

Ajuda às vítimas das chuvas no Rio

Para quem quiser/puder ajudar os fluminenses de Nova Friburgo e Petrópolis que perderam tudo nas enchentes do início de janeiro segue o número da conta aberta pela Caixa Econômica Federal.



Comédia MTV - História do Brasil em 5 minutos

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Salve São Sebastião e o Rio de Janeiro!

Hoje o Rio de Janeiro está em festa pela data do padroeiro da cidade, São Sebastião. Para os fluminenses da região serrana, que estão enfrentando a maior calamidade dos últimos tempos, segue a Oração do Glorioso São Sebastião.


Glorioso mártir São Sebastião, valoroso padroeiro e defensor da cidade do Rio de Janeiro, vós que derramastes vosso sangue e destes vossa vida em testemunho da fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, alcançai-nos do mesmo Senhor, a graça de sermos vencedores dos nossos verdadeiros inimigos: o ter, o poder e o prazer, que fazem viver sem fé, sem esperança e sem caridade. Protegei, com a vossa poderosa intercessão, os filhos desta Terra. Livrai-nos de toda epidemia corporal, moral e espiritual. Fazei que se convertam aqueles que, por querer ou sem querer, são instrumentos de infelicidade para os outros. E que o justo persevere na sua fé e propague o amor de Deus, até o triunfo final. São Sebastião, Advogado contra a Epidemia, a Fome e a Guerra, rogai por nós.

Rezar o Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai.

Caiu a máscara - de botox - do "inventor" da moralidade pública

Notícia do jornal Gazeta do Povo, 20/1/2011

Aposentado, Alvaro Dias pede
R$ 1,6 milhão de “retroativos”

AD diz que "está pagando para trabalhar"
O senador paranaense Alvaro Dias (PSDB), que recebe aposentadoria como ex-governador desde outubro do ano passado, solicitou à Secretaria de Estado da Administração o pagamento retroativo de cinco anos do benefício. Se o pedido for aceito pelo governo estadual, o senador poderá receber R$ 1,6 milhão dos cofres públicos. Pela legislação vigente no Paraná, Alvaro teria direito à pensão vitalícia desde que deixou o governo do estado, em 1991. Como só fez o pedido no ano passado, decidiu solicitar os valores retroativos. A reportagem tentou contato com o senador para que ele comentasse o pedido e explicasse porque solicitou os pagamentos apenas dos últimos cinco anos. Mas ele não atendeu as ligações.De acordo com o governo do estado, a solicitação de Alvaro foi encaminhada para a Procuradoria-Geral do Estado na última sexta-feira para análise jurídica. Só depois do parecer vai ser anunciado se o pagamento ocorrerá e como será feito.A aposentadoria dos ex-governadores no Paraná hoje é de R$ 24,8 mil, com direito a 13 pagamentos por ano. Caso o senador conseguisse receber as 65 mensalidades que solicitou pelo valor atual, receberia R$ 1,6 milhão. Isso seria suficiente para quase dobrar o seu patrimônio pessoal. Na última eleição que disputou, em 2006, Alvaro afirmou, à Justiça Eleitoral, possuir um patrimônio de R$ 1,9 milhão.Em dezembro passado, Alvaro concedeu entrevista à Gazeta sobre a aposentadoria especial de ex-governador que solicitou. Afirmou que, durante 20 anos, havia se recusado a fazer a solicitação. Dizia, porém, que agora estava “pagando para trabalhar” como senador. “Não recebo verba de indenização nem auxílio-moradia no Senado. E o que eu recebo, tirados os descontos, não paga os custos da função”, afirmou.A aposentadoria dos ex-governadores causou polêmica nesta semana depois que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) afirmou que pretende ir à Justiça contra o pagamento dos benefícios, que existe em vários estados. Segundo o presidente da OAB nacional, Ophir Cavalcante, trata-se de um privilégio inconstitucional.No Paraná, nove ex-governadores recebem o benefício: Paulo Pimentel, João Mansur, Emílio Gomes, Jayme Canet, João Elísio Ferraz de Campos, Alvaro Dias, Mario Pereira, Jaime Lerner e Roberto Requião. O ex-governador Orlando Pessuti, que deixou o cargo em 1.° de janeiro, também já fez a solicitação do benefício, mas ainda não teve o pedido aprovado pela Secretaria da Administração.

Interatividade
O senador Alvaro Dias tem direito a receber os pagamentos retroativos? Por quê? Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br. As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.

Rio Grande do Sul
Após 20 anos, Simon passa a ter pensão
Porto Alegre - Vinte anos depois de deixar o governo gaúcho, o senador  Pedro Simon (PMDB) passou a receber aposentadoria pela função. “Minha  situação estava ficando difícil”, afirmou Simon, que saiu do cargo em  abril de 1990. “No Senado, eu recebo cerca de R$ 11 mil”, relata,  referindo-se ao valor líquido dos vencimentos. Simon segue abrindo mão da verba de representação mas, como seus pares, a  partir de fevereiro receberá R$ 26,7 mil brutos. Outros sete  ex-governadores gaúchos e três viúvas de ex-governadores também recebem  aposentadorias de R$ 24,1 mil. Yeda Crusius (PSDB) entrou na lista neste  mês. Agência Estado

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O cãozinho e sua brava dona

Os irmãos Caruso só tem produzido porcaria, em geral, humor a favor (dos Demos/Tucanos). Mas dessa vez um deles (Chico Caruso) foi feliz e retratou a mulher e seu cão perdido nas enchentes de Nova Friburgo (RJ). Ela salvou-se e bem que tentou carregar junto o animal, mas lamentavelmente não teve forças para mantê-lo ao mesmo tempo em que agarrava a corda que a puxou para a vida.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

DEMO/PSDB: especialistas em roubar da merenda escolar

Funerária de sobrinho de Alckmin levava merenda Empresário é filho de Paulão, suspeito de chefiar fraude em licitações e pagamento de propina a prefeitos paulistas e outros 3 Estados
Fabio Leite, Jornal da Tarde
Ex-funcionário da Velório e Funerária Pindamonhangaba, empresa de Lucas César Ribeiro, que administra o serviço na cidade, o agente funerário Vicente Ricardo de Jesus, de 52 anos, relatou ao Jornal da Tarde que, no período em que trabalhou no local, fazia transporte de merenda escolar para a Verdurama durante o dia com o mesmo veículo que transportava cadáveres à noite. A prefeitura classifica o fato de "mentira". Lucas é filho do lobista Paulo César Ribeiro, cunhado do governador Geraldo Alckmin.
A Verdurama é investigada pelo Ministério Público Estadual por suspeita de fraude em licitações e pagamento de propina a prefeitos paulistas e outros três Estados. Paulo César, conhecido como Paulão, é suspeito de comandar o esquema no Vale do Paraíba, onde fica Pindamonhangaba, cidade natal do tucano. Ambos negam as acusações.
Em depoimento à promotoria no fim do ano passado, o ex-secretário de Finanças de Pindamonhangaba Silvio Serrano disse que empresa do filho de Ribeiro "fazia transporte de gêneros alimentícios para a Verdurama".
Segundo o Ministério Público, Serrano foi indicado por Paulão ao prefeito João Ribeiro (PPS), apadrinhado de Alckmin que está no segundo mandato – a vice, Myriam Alckmin, é sobrinha do governador. Serrano foi demitido em outubro, após a denúncia vir à tona.
Além da funerária, Lucas também é dono de uma microempresa de transportes, a Lucas CR Transporte e Logística, segundo dados da Junta Comercial. O endereço informado é o mesmo onde outro filho de Paulão, Thiago, declara residência.
Segundo o agente funerário, o transporte da merenda era feito com os carros da funerária, uma caminhonete e uma van. "Todo mundo sabia. A secretaria de saúde, e, claro, a prefeitura também sabia. É porque transporta aquelas panelas meio grandes, aí é fogo, né?", disse.
Ele deixou a empresa em 2008 e hoje trabalha em outra funerária na cidade. "Isso é fácil de levantar. É só ligar na Verdurama e pedir as notas, porque a gente tirava as notas, a quilometragem, a escola, quantidade de merenda que entregava. Tudo por escrito."

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Quantas vidas você tem?




Quantas Vidas Você Tem?
Paulinho Moska
Composição: Paulinho Moska

Meu amor
Vamos falar sobre o passado depois
Porque o futuro está esperando
Por nós dois.

Por favor
Deixe meu último pedido pra trás
E não volte pra ele nunca
Nunca mais.

Porque ao longo desses meses
Que eu estive sem você
Eu fiz de tudo pra tentar te esquecer

Eu já matei você mil vezes
E seu amor ainda me vem
Então me diga quantas vidas você tem.

Braços abertos sobre a Guanabara ...

 

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

JN esconde a (ir)responsabilidade dos Demos/tucanos

São Paulo afunda no caos das enchentes. Já há 12 pessoas mortas. Os prejuízos são incomensuráveis. Os governos Demos/tucanos de José Serra, Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab são os responsáveis, mas a mídia que recebe muito dinheiro dos cofres públicos paulistas faz de conta que os três políticos não existem e põe a culpa na natureza, essa força indomável. José Serra, quando governador, reduziu as verbas para os trabalhos de desassoreamento do rio Tietê. O prefeito Kassab transferiu recursos de ações antienchentes para a construção de um viaduto estaiado (aquelas pontes tipo Golden Gate) no Tatuapé, na Zona Leste da cidade. O engenheiro Júlio Cerqueira César Neto, em entrevista ao Blog de Luiz Carlos Azenha (VI o Mundo) mostrou que as enchentes foram fruto de duas irresponsabilidades: redução das obras de limpeza do rio Tietê na gestão Serra e não cumprimento das metas de construção de piscinões nos últimos dez anos. "Qualquer geólogo e qualquer técnico do DAEE sabe disso. Mas os jornais estão escondendo" - acusou o engenheiro. Agora assista a reportagem do Jornal Nacional exibida ontem à noite e tente encontrar uma única referência aos responsáveis pelo caos. Quem  encontrar ganha um barco inflável pra passear nas avenidas de São Paulo. Este é o verdadeiro choque de gestão dos Demos/Tucanos: incompetência acobertada pela mídia regiamente remunerada. Para que você calcule quanto deve ter rendido à Rede Globo a omissão dos nomes dos responsáveis pela tragédia em São Paulo, uma informação: 30 segundos no Jornal Nacional custam R$ 500 mil.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Minha estrela brilha na noite da véspera de Ano Novo

Tem quem acredite em duendes, gnomos, elfos, OVNIs, extraterrestres e até no Jornal Nacional … Já eu acredito em anjos, e dia desses topei com uma legião deles. Foi na noite do dia 30 de dezembro, quase Ano Novo, quando o Magnus, o filho de 10 anos da minha sobrinha Isabela, apresentava sintomas de apendicite, uma inflamação que se não atacada a tempo rapidamente evolui para um quadro de septicemia.

O primeiro anjo com que nos deparamos foi a médica Giovanna Andréa de Figueiredo, da Policlínica Capão Raso. Os sintomas da apendicite eram tênues, nem febre havia, no momento da consulta. Apesar disso, depois de examiná-lo ela encaminhou o Magnus para o Hospital Pequeno Príncipe, com um pedido de ecografia do abdome total.

No Pequeno Príncipe outro anjo na forma de uma recepcionista foi objetiva conosco: “o plantonista vai examinar o Magnus, mas dificilmente pedirá a ecografia hoje”. Pergunto por que e ela se faz ainda mais direta: “é que precisa chamar o médico especialista em casa para fazer o exame, e só se for uma emergência ...”

Já passava das 7 da noite, sexta-feira, véspera do 31 de dezembro. Avaliei comigo: é quase Ano Novo, o antitérmico abaixou a febre do Magnus e mascarou o quadro, o garoto parece saudável. Além disso, a Unimed paga R$ 30 pelo exame, preço de uma pizza mediana. O médico só sairá de casa para fazer a ecografia se o espírito de Hipócrates o arrastar pelas orelhas.

Avaliei rapidamente a informação e conclui que aquela moça, certamente, sabia o que estava dizendo. Sua sinceridade soou pra mim como “inside information”. Agradecemos e tratamos de procurar outro hospital ou laboratório que realizasse o exame.

Os dois que ficam próximos – X-Leme e Cetac – já haviam baixado as portas, o jeito foi tentar o Laboratório DAPI, nas Mercês, que funciona 24 horas. Chegamos lá cerca das 8 da noite, com o dia ainda claro, propiciado pelo Verão e seu horário especial. O Magnus aparentemente vendendo saúde. Eu me perguntava se ele realmente tinha alguma coisa, mas confiava no diagnóstico da médica. Além disso, minha sobrinha relatava que na noite anterior e na tarde daquele dia o menino tivera febre de quase 39 graus e passara horas se contorcendo com dor na região da barriga.

Subimos ao 1º andar, onde é requisitado aquele tipo de exame. Ali nos deparamos com uma legião de anjos na forma de cinco ou seis moças que atendiam nos guichês, aquela hora vazios. Não percebemos de imediato que se tratava de anjos, mas isso logo ficou claro quando a moça que nos atendia informou que não seria possível realizar a ecografia. Não naquela noite.

Ela ainda tentou encaixar com o especialista de plantão, mas a cota dele já estava repleta. O jeito era agendar o exame para outro dia. Nem foi preciso insistir na questão da urgência; quando minha sobrinha comentou a suspeita de apendicite, a moça começou a ligar para outros laboratórios e hospitais na tentativa de conseguir o exame imediato para o Magnus.

No segundo seguinte as demais colegas dela se aproximaram com sugestões:

- Vocês tentaram o Pequeno Príncipe?

- Estamos vindo de lá.

- Então liga pro Vitta, lá eles fazem. (disca, disca, disca e ninguém atende do outro lado da linha)

A moça que nos atendia liga para o Santa Cruz. Ficamos animados quando percebemos que confirmaram que fazem o exame. A esperança, porém, logo se desfaz, pois não atendem o convênio Unimed.

Quem não perde a esperança é a jovem. Torna a tentar o Vitta do Batel (disca, disca, disca e nada).

Os anjos do DAPI: Valéria Ayres, Mavia Fantim, Ana Elisa Borges, Ana Paula Alkimin e Sandra Cuimbra, com o supervisor Thiago Quintino. Faltou Glaucia Rute, que está em merecidas férias.
Ela se lembra do Hospital Cruz Vermelha, mas alguém se antecipa e diz que não adianta.

Pergunto se o Hospital Cajuru não faria o exame. Elas me dizem que só se o Magnus for atendido como emergência, no pronto socorro. O mesmo no Evangélico.

De volta ao telefone a moça liga para a Clínica Sugisawa. Ficamos animados novamente; eu mesmo já fiz uma ecografia da bexiga lá, marcada às 8 horas da noite. Eles atendem 24 horas. Mas de novo a frustração: precisa agendar o exame.

Outra moça recomenda o Hospital São Vicente, no centro da cidade, ao lado de onde eu trabalho. Estamos quase indo para lá quando outra garota volta a lembrar o Hospital Nossa Senhora das Graças, nas Mercês. Ela já havia recomendado antes, mas agora veio com uma informação fundamental: “o Dr. Eduardo Meister está de plantão lá, e ele mandará fazer o exame, com certeza”. As demais moças confirmam em coro: podem ir lá que o Dr. Eduardo fará a ecografia. A primeira reafirma: “acabei de confirmar que ele está de plantão; peçam para que o Magnus seja atendido por ele”.

Animados, agradecemos a boa vontade das jovens, desejamos bom Ano Novo a todas e nos mandamos para o Nossa Senhora das Graças, que fica a poucas quadras do DAPI. Na saída comento com minha sobrinha: até agora estamos com uma sorte danada!

As ruas de Curitiba estão quase vazias; quem não viajou para passar o Ano Novo na praia, a esta hora está enfurnado em casa vendo TV. Nesses dias entre o Natal e o Ano Novo a metrópole parece aquelas cidades fantasmas que a gente vê em filmes. Mais “morta” mesmo só na noite de Natal, quando é possível até andar pelado pelas ruas sem ser importunado. Eu mesmo já testei essa hipótese no Natal de 1997, quando caminhei nu em pêlo no meio da Rua Marechal Deodoro, do prédio da Receita Federal até a Praça Zacarias sem ser incomodado.

Mas voltando ao que interessa, no Hospital Nossa Senhora das Graças nos deparamos com dois outros anjos, o tal Dr. Eduardo e o enfermeiro Clodomiro. Exatamente como a moça do DAPI havia previsto, após examinar o Magnus o médico mandou chamar a especialista em casa para realizar a bendita ecografia de abdome total. Enquanto aguardávamos ela chegar, o enfermeiro colheu sangue para outros exames. Afora a agulha da seringa, que era a única coisa que o Magnus temia, ele parecia vendendo saúde, todo feliz na sala de espera do consultório.

Passados alguns minutos o enfermeiro Clodomiro volta a nos procurar com o resultado dos exames. Acostumados a ter que correr atrás de enfermeiros e médicos para apressá-los a realizar o seu trabalho, eu e minha sobrinha ficamos surpresos. Chega a médica para a ecografia e o enfermeiro leva o Magnus com ele, para logo retornar com o moleque e o resultado do exame. Entre uma consulta e outra o Dr. Eduardo nos aborda na sala de espera: a ecografia não foi conclusiva, mas os indicativos no sangue são de infecção e temos ainda o fato do garoto ter tido febre de 39 graus e manifestar dor quando é apalpada a região do apêndice. Vamos internar e operar amanhã cedo.

Tomada de surpresa e com dó do menino, minha sobrinha inquire o médico com uma questão “a la Dona Maria”.

- E se eu, que sou a mãe, não quiser internar o Magnus hoje o que pode acontecer?

O médico deu a resposta que eu já imaginava:

- Morrer!

Minha sobrinha caiu em si e viu que precisava acatar a recomendação do médico, mas aí quem desesperou foi o Magnus, que abriu a boca. O médico ficou desconcertado:

- Eu tive que dizer, a senhora perguntou ...

Quando conseguiu acalmar o Magnus, o médico me passou os papéis para providenciar a internação. Deixei o garoto sob os cuidados da mãe e do enfermeiro e fui para o setor de internamento. Quando achava que já tinha nos acontecido tudo de bom, outra surpresa: a atendente é uma jovem simpática e bem-humorada. Me pede que aguarde, pois há outros três internamentos para providenciar, antes de me atender.

Tudo bem, a recepção daquele hospital é um ambiente agradável, à meia luz, com poltronas confortáveis onde larguei meu corpo cansado para me ocupar exclusivamente com uma grande tela de TV. Já passava da meia-noite e aquele ambiente era propício ao sono, mas antes que ele aparecesse a moça chamou meu nome. Não havia se passado 15 minutos. Ou seja: ela fez três internamentos em menos tempo do que os meus filhos levam com o chuveiro aberto.

Cheia de bom-humor ela pegou os papéis que o médico me dera, mais a carteirinha da Unimed e me fez as perguntas necessárias para fechar a operação. Perguntei se a mãe do Magnus poderia passar a noite no hospital e ela me respondeu: “claro, a mãe fica com o filho”. Mas não foi só isso: como não havia nenhuma enfermaria disponível, a mãe e o Magnus seriam acomodados em um quarto, até desocupar uma vaga.

Não era possível tanta boa sorte, justo comigo que nunca me dei bem nem em quermesse de igreja. (A propósito, recentemente fui arrastado para um bingo paroquial pela minha filha, que estava de olho num microondas. Minha cartela era tão pé frio quanto eu, mas quando chegou a vez do microondas, para surpresa geral, minha sorte mudou e fui o primeiro a gritar bingo. Só que não fui o único, duas malditas bingueiras profissionais também haviam fechado a cartela. A coisa foi decidida pelo sorteio da pedra maior, e eu, claro, tirei a pedra 3.)

Fechado esse parêntese, eu não podia acreditar que estava com aquela sorte toda. Se naquela hora eu encontrasse alguma lotérica aberta teria feito uma aposta na Mega-Sena da Virada, e em vez de quatro ganhadores teriam sido cinco.

Enfim, voltei ao consultório com os papéis do internamento e os entreguei ao enfermeiro Clodomiro, que já estava com o Magnus acomodado em uma cadeira de rodas para levá-lo ao quarto. Agradeci, me despedi da minha sobrinha e do Magnus, desejei-lhes boa-noite e fui-me embora para casa com aquela sensação de que a sorte, essa ingrata, finalmente sorria para mim.

Às 10 horas da manhã seguinte liguei para o celular da minha sobrinha para saber notícias do Magnus. Naquele exato momento ele estava saindo da sala de cirurgia e sendo levado para o quarto, ainda meio zonzo da anestesia e livre da apendicite. No dia seguinte receberia alta. O único inconveniente, se é que se pode dizer assim, foi ter passado a virada do ano no hospital.

Realmente me considerei, enfim, bafejado pela sorte. Minha estrela brilhava!

Mas que estrela, que sorte, que nada; a verdade é que encontramos profissionais interessados, com surpreendente iniciativa, aquela gente que está na profissão certa e que é capaz de fazer a diferença. Gente que está sempre ascendendo na escala profissional, porque não só é inteligente e competente, como está disposta a fazer o que tem que ser feito. A Dra. Giovanna, o Dr. Eduardo podiam ter despachado o Magnus com uma receita de anti-inflamatório (como outros fizeram com o avô do garoto, por três vezes, antes dele ter o apêndice supurado). A atendente do Pequeno Príncipe podia ter nos enrolado, acenando com falsas esperanças. As recepcionistas do DAPI podiam permanecer nos seus guichês, talvez jogando paciência. Clodomiro e a jovem médica que saiu do conforto da casa para fazer a ecografia poderiam ter-se omitido. Mas cada um desses profissionais realizou aquilo que nos treinamentos corporativos é denominado “fazer o quilômetro extra”. E assim, graças a esses anjos de carne, osso e neurônios ativos, essa história do Magnus teve um final feliz.

E felicidade é o mínimo que eu e a família do Magnus podemos desejar a esses profissionais que tornaram a nossa passagem de ano tão especial.

Antes de encerrar, um esclarecimento necessário: aquela história do Natal de 1997 é invenção minha, só para segurar o leitor. Não vão tentar andar pelados na rua que serão presos.

Feliz 2011 a todos!

Francisco Duarte

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Boa música pela Internet

Pedro Américo recomenda a melhor rádio de MPB do Brasil...dá pra ouvir on-line tb. Clique aqui.









quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O bom-humor move o mundo

Folha de São Paulo
Serra tem mala extraviada em voo à Europa
DE SÃO PAULO
O ex-governador paulista José Serra enfrentou uma turbulência no feriado de Natal: o extravio da mala.
Candidato derrotado do PSDB à Presidência, Serra encarou dez dias de inverno rigoroso na Europa sem que a bagagem fosse localizada. Irritado com a companhia aérea, o tucano registrou publicamente seu protesto, via Twitter: "Fiquei dez dias no exterior, mas sem a mala da viagem -a Air France a perdeu". A amigos Serra contou que, nos primeiros dias, teve que recorrer ao "guarda-roupa" do filho e do genro para poder resistir ao frio. Como sua bagagem não foi localizada, ele foi obrigado a comprar peças novas para a temporada. Serra passou o Natal com a mulher, Monica, com os filhos e os netos na França.


Qual mala foi extraviada: a Mônica ou a Verônica? E o Serra disse que recorreu ao guarda-roupa do genro. Quer dizer, tá pior que ex-mulher: tirou até as cuecas do genro. E quando ele devolveu a cueca, com as pontinhas do polegar e do indicador, o genro tapou o nariz e declinou: põe no lixo. Pensando bem, a Air France poderia ter extraviado O MALA do Serra. Deixado cair no meio do oceano pra procurar a caixa preta do vôo 447. hauahauahaua!

Uma animada crise do Capitalismo (e a marolinha do Lula)

Fonte: palestra do acadêmico David Harvey na RSA, organização inglesa centenária voltada para as artes, indústria e comércio. Em resumo, o palestrante questiona se é chegado o tempo do capitalismo dar lugar a uma nova ordem social assentada na responsabilidade social global e no humanismo. No site dos caras se encontram outras animações curiosas.



Bahia não é só Ivete e Claudia Leite

Paloma Gomes

Engenho Novo: a senzala volta a ser do povo

Depois do Complexo do Alemão, o Estado se re-implanta hoje nas comunidades do Engenho Novo, começando por quatro delas: Sampaio, São João, Matriz e Quieto. O Rio de Janeiro, aos poucos, vai sendo tomado do domínio de grupos criminosos, políticos do DEMO/PSDB e barões da especulação imobiliária para ser devolvido ao povo carioca.

O Rappa canta Todas as Comunidades do Engenho Novo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O que é bom deve ser compartilhado

A importância da leitura e da escrita

Autor: Vilmar Berna*, do Portal do Meio Ambiente


Para compreender, adequadamente, a importância da leitura e da escrita em nossas vidas, precisamos compreender que assim como o nosso corpo material precisa de alimento, o espiritual também. É importante aqui corrigir uma falsa idéia, a de que os termos 'espiritual' ou 'espiritualidade' referem-se exclusivamente ao seu sentido religioso. É compreensível que isso ocorra, por que é aí que os que têm fé na divindade elaboram e abrigam suas idéias e sentimentos em relação ao sagrado.
Entretanto, ateus também tem fé, por exemplo, de que o mundo pode ser melhor e de que as pessoas podem mudar. Possuem seu lado espiritual, só que no sentido não religioso do termo, onde elaboram idéias, afetos, esperanças. E também espiritualidade, no sentido da religação com a natureza, com o Cosmo.
O que ressalto aqui é que nós e o mundo não somos feitos apenas de uma parte material que pode ser percebida pelos cinco sentidos, mas também das visões que temos desse mundo, de nós e dos outros. Por isso, nunca estamos prontos, mas na medida em que recebemos informações e estímulos, e vivenciamos experiências, construímos ou reconstruímos nossa visão de mundo. Outra falsa idéia é a de que podemos comunicar a verdade. Podemos percebê-la, mas ao comunicar sobre ela, levamos junto uma parte de nossa subjetividade como observador. Então, não existe comunicação imparcial. O que é verdadeiro para um pode não ser para o outro. Por que, ao contrário do que se possa imaginar, a realidade como percebemos está em constante processo interno onde permanente é só a própria mudança.
Entre os grandes desafios para a humanidade é conseguir respeitar as diferenças entre os povos, as pessoas, as visões de mundo para que elas não se tornem obstáculos às relações. Por que não existe uma pessoa igual à outra, e também não pode existir verdade única, religião única, pensamento único. E isso inclui esta própria afirmação que acabo de fazer, daí a dificuldade de se andar em terreno firme e seguro quando o assunto é a subjetividade.
Então, ler e escrever é muito mais que dominar técnicas literárias, é obter as chaves desse mundo interior, de nossa verdade, e ter acesso a dos outros. Uma forma de nos ajudar a perceber, compreender e elaborar nossa própria subjetividade contribuindo para dar sentido ao mundo, a nós próprios e aos outros. Claro que existem outras formas de fazer isso, principalmente nas culturas orais, mas na cultura letrada, ler e escrever são fundamentais para ser e sentir-se adequadamente inseridos no mundo.
Precisamos disso, pois ao contrário do que possa imaginar, o processo de formação do sujeito é na verdade uma auto-formação. A educação, os livros, a cultura, os meios de comunicação exercem influências sobre nós, mas o que somos resulta de nossas escolhas. Comunicadores em geral, educadores, e escritores, em particular, cumprem com o papel social de nos ajudar a construir nossa subjetividade, nossa compreensão da verdade e utopias e, embora não escolham por nos, contribuem para iluminar nossos caminhos.
Outra falsa idéia é que a pratica é mais importante que a teoria. A prática começa nas idéias. A motivação para agir não está na própria ação, mas em nosso mundo interior. E como a leitura e a escrita nos conectam a este mundo, nos incentivam - ou não - a agir seja para manter as coisas como estão ou para mudá-las. Por isso, os primeiros a sofrerem censura e prisões em regimes opressores são os jornalistas, os artistas, incluindo os escritores, por que idéias podem ser armas mais poderosas que fuzis e granadas. Não é por um acaso que nos regimes democráticos exista tanta preocupação dos donos do poder de controlar os meios de comunicação.
A internet tem sido uma arma poderosa de resistência, uma forma de driblar a censura, algo inimaginável em outras épocas. Os poderosos estão tentando encontrar um jeito de impedir a liberdade na internet. Em países de regime totalitário certas palavras são bloqueadas pelos servidores e em países democráticos os poderosos estão buscando meios para impedir que informações desfavoráveis a eles continuem circulando na internet. Assistimos isso recentemente no episódio do Wikileaks, que criou um mecanismo aparentemente à prova de censura para a divulgação de segredos de Estado. Em vez dos poderosos escandalizarem-se com o fato de funcionários públicos estarem tramando em segredo contra o povo e a paz - usando funções públicas para cuidar de interesses privados, para se corromperem – para tentarem aperfeiçoar sistemas de controle democrático a fim de  se livrarem das falhas do sistema, tentam por todos os meios - inclusive ocultos - de criminalizar os que democratizaram a informação secreta.
Um de nossos maiores desafios é aos escrevermos, ou falarmos, expressarmos o que estamos pensando ou sentindo. Por mais incrível que pareça, tem gente que diz uma coisa e pensa ou sente outra diferente. Por isso não nos comunicamos apenas com a fala ou a escrita, mas também com os gestos, os olhares, o tom de voz. E é aí que a internet e a escrita, por mais importantes que sejam para a comunicação, não substituem o contato pessoal, o olho no olho.
Espressar-se na forma escrita não é um simples ato de colocar palavras num papel ou digitar num teclado. A maior parte da ação de escrever é invisível para os olhos, acontece no mundo interior de quem escreve e pode refletir este esforço de buscar o equilíbrio entre as emoções, o pensamento e as praticas.
E mais. Com os blogs e as ferramentas de busca, escrever e ser lido tornaram-se atos quase simultâneos. Antes, o intervalo de tempo entre um e outro podia levar anos e dependia do escritor ter a sorte de encontrar um editor para intermediar seu acesso aos leitores. Além de contribuir para a democratização da informação e do pensamento, a internet, os novos celulares, a banda larga, tem facilitado a vida de quem gosta de escrever e quer ser lido. Publicar deixou de ser privilégio de poucos.
Escrever assemelha-se a alguém que organiza uma casa desarrumada. Arrasta e empurra idéias de um lado para o outro, constroem e reconstroem pensamentos, sonhos, como quem movimenta os móveis. E só depois de estar cheio dessas idéias, e quando elas começam a fazer sentido, é que a pessoa se sente pronta, na verdade, quase que obrigada a escrever, como uma espécie de libertação da mente. E aí começa outra etapa importante, a de garimpar as palavras mais certas e apropriadas para transmitir a mensagem. A chance de acertar logo de primeira é a mesma de um garimpeiro achar uma pepita de ouro na primeira tentativa.
Alguns chegam a comparar o ato de escrever com o nascimento de um filho. O período da gestação é o tempo gasto na elaboração das idéias e o parto é o ato de colocá-las para fora.
Pablo Neruda dizia que escrever é fácil, começa com letra maiúscula e acaba com um ponto e no meio se colocam idéias.
As idéias nascem em nós, nos outros autores e também estão por aí, ao alcance de todos que estiverem dispostos a ser veículo para elas.
Algumas idéias são tão universais que se repetem em vários escritos, povos e culturas diferentes, e independente do tempo e lugar, permanecem atuais e válidas para todos.
O ideal é quando o escritor consegue reunir à sua volta pessoas que compreendem que o ato de escrever não é apenas físico, mas requer recolhimento, silêncio interior, para ouvir-se e ouvir seus fantasmas, angústias, desejos, 'conversar' com seus amigos espirituais. Assim, para quem não conhece sobre o ato de escrever, pode parecer estranho quando o escritor se recolhe neste seu mundo, pois externamente, pode parecer que está distante e desinteressado sobre as pessoas ou ao que acontece à sua volta, mas pode ocorrer exatamente o contrário. Para um escritor os acontecimentos do cotidiano não costumam passar despercebidos, pois a vida é o seu laboratório.
E, assim como construimos redes de afetos no mundo físico, também o fazemos no mundo espiritual. Os escritores que gostamos formam nossa espécie de rede de 'amigos' espirituais, com os quais compartilhamos idéias, afinidades e valores, ainda que muitos já possam ter morrido a milênios ou vivam do outro lado do Planeta. Por isso, um escritor nunca esta só em seu mundo interior e ainda que tirem tudo dele, e aprisionem seu corpo, como já aconteceu muitas vezes nas Ditaduras, podem se refugiar em seu mundo interior, onde são livres, e, assim, sobreviverem espiritual e intelectualmente.
Mais que escrever para seu próprio prazer escreve-se por necessidade e dever. Escrever é a função social do escritor, seja para entreter, seja para ajudar na analise da conjuntura, mostrar alternativas, denunciar as falsas idéias e injustiças. Por isso, um texto não está completo quando é divulgado, mas quando é lido. E quando isso acontece, nenhum texto é igual ao outro, pois ao passar pelos olhos e pelo mundo interior do leitor, ganha nuances e identidade própria e particular.
Um mesmo texto lido por diferentes leitores será compreendido de forma diferente. Um texto que alguém ache maravilhoso pode ser comum para outra pessoa.
Sem os leitores, os textos não vão a lugar algum, não transformam coisa alguma, não amam nem são felizes. Não são os textos que mudam as coisas. São as pessoas.

* Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente) e o Portal do Meio Ambiente (http://www.portaldomeioambiente.org.br/).  Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas –http://www.escritorvilmarberna.com.br/

(Envolverde/O autor)
http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=85208&edt=1

Marisa Letícia Lula da Silva: as palavras que precisavam ser ditas


Hildegard Angel

Foram oito anos de bombardeio intenso, tiroteio de deboches, ofensas de todo jeito, ridicularia, referências mordazes, críticas cruéis, calúnias até. E sem o conforto das contrapartidas. Jamais foi chamada de "a Cara" por ninguém, nem teve a imprensa internacional a lhe tecer elogios, muito menos admiradores políticos e partidários fizeram sua defesa. À "companheira" número 1 da República, muito osso, afagos poucos.

Dona Marisa: a mulher de presidente que mais se pareceu com a mãe da maioria dos brasileiros. Seus detratores sentem vergonha da própria mãe.
Dirão os de sempre: e as mordomias? As facilidades? O vidão? E eu rebaterei: E o fim da privacidade? A imprensa sempre de olho, botando lente de aumento pra encontrar defeito? E as hostilidades públicas? E as desfeitas? E a maneira desrespeitosa com que foi constantemente tratada, sem a menor cerimônia, por grande parte da mídia? Arremedando-a, desfeiteando-a, diminuindo-a? E as frequentes provas de desconfiança, daqui e dali? E - pior de tudo - os boatos infundados e maldosos, com o fim exclusivo e único de desagregar o casal, a família?

Ah, meus queridos, Marisa Letícia Lula da Silva precisou ter coragem e estômago para suportar esses oito anos de maledicências e ataques. E ela teve.

Começaram criticando-a por estar sempre ao lado do marido nas solenidades. Como se acompanhar o parceiro não fosse o papel tradicional da mulher mãe de família em nossa sociedade.

Depois, implicaram com o silêncio dela, a "mudez", a maneira quieta de ser. Na verdade, uma prova mais do que evidente de sua sabedoria. Falar o quê, quando, todos sabem, primeira-dama não é cargo, não é emprego, não é profissão?

Ah, mas tudo que "eles" queriam era ver dona Marisa Letícia se atrapalhar com as palavras para, mais uma vez, com aquela crueldade venenosa que lhes é peculiar, compará-la à antecessora, Ruth Cardoso, com seu colar pomposo de doutorados e mestrados.

Agora, me digam, quantas mulheres neste grande e pujante país podem se vangloriar de ter um doutorado? Assim como, por outro lado, não são tantas as mulheres no Brasil que conseguem manter em harmonia uma família discreta e reservada, como tem Marisa Letícia.

E não são também em grande número aquelas que contam, durante e depois de tantos anos de casamento, com o respeito implícito e explícito do marido, as boas ausências sempre feitas por Luís Inácio Lula da Silva a ela, o carinho frequentemente manifestado por ele. E isso não é um mérito? Não é um exemplo bom?

Passemos agora às desfeitas ao que, no entanto, eu considero o mérito mais relevante de nossa ex-primeira-dama: a brasilidade.

Foi um apedrejamento sem trégua, quando Marisa Letícia, ao lado do marido presidente, decidiu abrir a Granja do Torto para as festas juninas. A mais singela de nossas festas populares, aquela com Brasil nas veias, celebrando os santos de nossas preferências, nossa culinária, os jogos e brincadeiras. Prestigiando o povo brasileiro no que tem de melhor: a simplicidade sábia dos Jecas Tatus, a convivência fraterna, o riso solto, a ingenuidade bonita da vida rural. Fizeram chacota por Lula colar bandeirinhas com dona Marisa, como se a cumplicidade do casal lhes causasse desconforto.

Imprensa colonizada e tola, metida a chique. Fazem lembrar "emergentes" metidos a sebo que jamais poderiam entender a beleza de um pau de sebo "arrodeado" de fitinhas coloridas. Jornalistas mais criteriosos saberiam que a devoção de Marisa pelo Santo Antônio, levado pelo presidente em estandarte nas procissões, não é aprendida, nem inventada. É legitimidade pura. Filha de um Antônio (Antônio João Casa), de família de agricultores italianos imigrantes, lombardos lá de Bérgamo, Marisa até os cinco de idade viveu num sítio com os dez irmãos, onde o avô paterno, Giovanni Casa, devotíssimo, construiu uma capela de Santo Antônio. Até hoje ela existe, está lá pra quem quiser conferir, no bairro que leva o nome da família de Marisa, Bairro dos Casa, onde antes foi o sítio de suas raízes, na periferia de São Bernardo do Campo. Os Casa, de Marisa Letícia, meus amores, foram tão imigrantes quanto os Matarazzo e outros tantos, que ajudaram a construir o Brasil.

Outro traço brasileiro dela, que acho lindo, é o prestígio às cores nacionais, sempre reverenciadas em suas roupas no Dia da Pátria. Obras de costureiros nossos, nomes brasileiros, sem os abstracionismos fashion de quem gosta de copiar a moda estrangeira. Eram os coletes de crochê, os bordados artesanais, as rendas nossas de cada dia. Isso sim é ser chique, o resto é conversa fiada.

No poder, ao lado do marido, ela claramente se empenhou em fazer bonito nas viagens, nas visitas oficiais, nas cerimônias protocolares. Qualquer olhar atento percebe que, a partir do momento em que se vestir bem passou a ser uma preocupação, Marisa Letícia evoluiu a cada dia, refinou-se, depurou o gosto, dando um olé geral em sua última aparição como primeira-dama do Brasil, na cerimônia de sábado passado, no Palácio do Planalto, quando, desculpem-me as demais, era seguramente a presença feminina mais elegante. Evoluiu no corte do cabelo, no penteado, na maquiagem e, até, nos tão criticados reparos estéticos, que a fizeram mais jovem e bonita.

Atire a primeira pedra a mulher que, em posição de grande visibilidade, não fez uma plástica, não deu uma puxadinha leve, não aplicou uma injeçãozinha básica de botox, mesmo que light, ou não recorreu aos cremes noturnos. Ora essa, façam-me o favor! Cobraram de Marisa Letícia um "trabalho social nacional", um projeto amplo nos moldes do Comunidade Solidária de Ruth Cardoso. Pura malícia de quem queria vê-la cair na armadilha e se enrascar numa das mais difíceis, delicadas e técnicas esferas de atuação: a área social.

Inteligente, Marisa Letícia dedicou-se ao que ela sempre melhor soube fazer: ser esteio do marido, ser seu regaço, seu sossego. Escutá-lo e, se necessário, opinar. Transmitir-lhe confiança e firmeza. E isso, segundo declarações dadas por ele, ela sempre fez. Foi quem saiu às ruas em passeata, mobilizando centenas de mulheres, quando os maridos delas, sindicalistas, estavam na prisão. Foi quem costurou a primeira bandeira do PT. E, corajosa, arriscou a pele, franqueando sua casa às reuniões dos metalúrgicos, quando a ditadura proibiu os sindicatos. Foi companheira, foi amiga e leal ao marido o tempo todo.

Foi amável e cordial com todos que dela se aproximaram. Não há um único relato de episódio de arrogância ou desfeita feita por ela a alguém, como primeira-dama do país. A dona de casa que cuida do jardim, planta horta, se preocupa com a dieta do maridão e protege a família formou e forma, com Lula, um verdadeiro casal. Daqueles que, infelizmente, cada vez mais escasseiam. Este é o meu reconhecimento ao papel muito bem desempenhado por Marisa Letícia Lula da Silva nesses oito anos.

Tivesse dito tudo isso antes, eu seria chamada de bajuladora. Esperei-a deixar o poder para lhe fazer a Justiça que merece.

Redes sociais na posse de Dilma

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Sonho de menino passarinho

Quem, aos 10 anos, não sonhou colocar a cabeça pra fora da janela de um avião e acenar para o mundo?! Há quem pense que a felicidade está em acertar na Mega-Sena da Virada, mas deve ser porque esqueceu como foi bom ter sido garoto/garota um dia. Primeiro foi o Romário quem realizou esse sonho de menino, com metade do corpo para fora da janela da cabine do piloto da aeronave que trouze a Seleção campeã do Mundo de 1994 de volta ao Brasil. Agora é Lula. Só podia.

Lula-lá ...



... como Romário

sábado, 1 de janeiro de 2011

Para Mayara, Presidenta de 2031



Dois Rios, Skank

(Samuel Rosa – Lô Borges – Nando Reis)

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer
Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção
O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão
O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão
Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer
Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações
O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

Salve Dilma, a 1ª mulher Presidente do Brasil!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Chaves e Dona Florinda, mais velhos e ... casados

Feliz 2011 a todos, em clima de espera do Carnaval

Nelson Cavaquinho fez essa obra prima chamada Folhas Secas, para a sua Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Bete Carvalho canta pra nós, pra celebrar o Novo Ano que entra e abrir a temporada de preparação para o Carnaval. Um Feliz 2011 para todos nós.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Pobre Estadão, censurado pelo PSDB/DEMO

O Estadão está sob forte censura, como se depreende da leitura de notícia da página A6 (Membro do TCE e mais 10 têm sigilo quebrado), a respeito de propinas pagas pela empresa Alstom a membros dos governos demo/tucanos que administram aquele estado há 16 anos. A censura que pesa sobre aquele jornal sério há 516 dias certamente impediu a informação direta e objetiva aos leitores – norma jornalística elementar – de que o servidor acusado foi integrante do governo Mário Covas e indicado por este para o TCE. O escolado Estadão reviveu os tempos em que publicava obras do poeta caolho e driblou os censores ao publicar, sem medo, que “Marinho foi chefe da Casa Civil do governo do Estado entre 1995 e abril de 1997”. (as estruturas do Palácio dos Bandeirantes balançaram).

A censura também impediu que o jornal fizesse qualquer referência direta e clara aos partidos envolvidos nas falcatruas (PSDB e DEMO), bem como aos mandatários e operadores que ocuparam o Bandeirantes no período (José Serra, Geraldo Alckmin, Mario Covas, Alberto Goldman, entre outros). A notícia saiu numa página par, sem chamada de capa, nada. Se alguém tiver o e-mail do Instituto Millenium, por favor encaminhe esta grave denúncia contra a liberdade de imprensa.

Segue a prova da censura de que o Estadão é vítima.

O Estado de São Paulo, 29/12/2010
Membro do TCE e mais 10 têm sigilo quebrado

Robson Marinho é suspeito de ter recebido propinas da empresa Alstom; promotores afirmam não ter dúvidas sobre recursos de origem ilegal


Fausto Macedo - O Estado de S.Paulo
A juíza Maria Gabriela Pavlópoulos Spaolonzi, da 13.ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, decretou a quebra do sigilo bancário e fiscal do conselheiro Robson Marinho, do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ele está sob suspeita de ter recebido propinas da empresa francesa Alstom. A decisão judicial, de 3 de novembro, é extensiva a outras dez pessoas físicas e a uma empresa e atende a ação cautelar do Ministério Público estadual.[ ]
Promotores suíços e brasileiros informam que não têm mais dúvidas de que Marinho mantém recursos de origem ilegal em Genebra. Para as remessas de valores teria sido usado um esquema de lavagem por meio de várias empresas de fachada offshore. Uma delas, Higgins Finance, era controlada pelo próprio conselheiro do TCE.
Marinho foi chefe da Casa Civil do governo do Estado entre 1995 e abril de 1997. Ele integra a 2.ª Câmara do TCE.
Os promotores suíços Maria Schnebli e Stefan Lenz estão de posse de documentos que mostram a movimentação financeira de Marinho. Há documentos remetidos pelos bancos suíços ao Ministério Público da Confederação Suíça assinados por Marinho e pela mulher dele. O conselheiro nega possuir ativos na Suíça. O Ministério Público apurou que o dinheiro saía da França para a Suíça ou Luxemburgo, por meio de laranjas, e depois era entregue para Marinho e outras pessoas, em Genebra.
"As investigações revelam que, de forma efetiva, altos valores foram desembolsados pelas empresas Alstom-Cegelec e trilharam por caminhos obscuros e fraudulentos até as contas de agentes políticos, funcionários do governo e terceiras empresas a eles diretamente relacionadas", assinalou a juíza.
Em decisão de sete páginas, a juíza cita comunicações da procuradoria da Suíça que apontam envolvimento "na prática criminosa" de ex-funcionários de pelo menos três companhias de economia mista controladas pelo governo do Estado de São Paulo - Metrô, Eletropaulo e Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica. "Os documentos sugerem grave comprometimento do patrimônio e interesse administrativo por práticas ímprobas."
A juíza é taxativa ao analisar as investigações da Suíça. "Apuraram que as empresas da Alstom prometeram comissões em porcentual a incidir sobre o valor dos contratos a serem aqui celebrados", analisou. "Comissões que, de acordo com o investigado, chegaram a contas de agentes e funcionários políticos, mediante a intervenção de terceiros e empresas denominadas offshore."
Por meio de nota, a Alstom observou que não comenta processos em curso. "A Alstom é uma empresa ética, que se baseia em regras sólidas, reforçadas regularmente, a fim de observar estritamente as legislações e normas de aplicação em todo o mundo."
Marinho não se manifesta porque o processo corre em segredo de Justiça. O promotor Silvio Marques, da força-tarefa sobre o caso Alstom, não se pronunciou. Ele está na França, onde realiza curso de doutorado na Universidade Paris 1 Pantheon-Sorbonne.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Curiosidade / Mad Science

O tucano saudoso

Obra imortal do Visconde Zé da Silva Brasileiro

Ah que saudades que eu tenho
Do governo Fernando Henrique
Nosso ex-presidente mais chique
Homem instruído e tolerante
Exceto com a corrupção
Cujo combate levou adiante
Com ousadia, destemor e convicção

Ah que saudades que eu tenho
Daqueles tucanos geniais
Que privatizaram as estatais
Fazendo tudo direitinho
Sem roubar sequer um centavinho

Como sou grato àqueles Varões de Plutarco
Que fizeram da privatização da Vale um marco
Então comemorado alegremente
Enquanto os compradores, coitados
Totalmente ludibriados e enganados
Até hoje se arrependem amargamente!

Ah que saudades que eu tenho
Daquele governo de vestais
Em que não se roubava jamais
Mesmo no Congresso
A única preocupação era o progresso
Não existia troca-troca
Os congressistas tudo votavam
Sem receber nada em troca
E ninguém jamais foi acusado
De qualquer malfeitoria
Enquanto o país avançava
Num clima de paz, progresso e harmonia
Com o povo sempre a festejar
Só a imprensa se desesperava
Sem nada de mal pra falar…

Ah que saudades que eu tenho
Daquela época de ouro
Em que vigiava o tesouro
O inesquecível Dr. Geraldo Brindeiro
Um valente procurador
E intransigente justiceiro
Que angariou então justa fama
Levando os corruptos a viver um drama
Obrigados a tirar férias coletivas
Durante toda a era tucana!

Foi um drama coletivo
Coisa triste de se ver
Milhares de corruptos coçando o saco
Sem ter nada pra fazer
Antes tão ativos e risonhos
Agora deprimidos e tristonhos
Proibidos de roubar

Não encontravam razões para viver
Mergulhados em crises existenciais
Ausentes das manchetes dos jornais
Lamentando sua falta de sorte
Pois um corrupto que se preza
À inatividade prefere a morte

Os corruptos viviam em grande tédio
E em grave crise de abstinência
Aguardando com impaciência
Numa tristeza de lascar
A chegada de novos tempos
Quando então, sem contratempos
Pudessem voltar a roubar!

Com o fim da era tucana
Tendo os gatos ido embora
Dos ratos era chegada a hora
Os corruptos enfim recuperaram
A alegria de viver
E em grandes festas comemoraram
A sua volta ao poder

Ah que saudade que eu tenho daquele tempo
Em que o Fernando de tudo cuidava
E como o Farol de Alexandria
Ele, generoso, nos apontava
O caminho da paz e da harmonia

Ah que saudades que eu tenho!
Daqueles pobres acomodados
Tão tranquilos, tão sossegados
Que além de saber votar
Ainda reconheciam o seu lugar

Hoje está tudo diferente
Qualquer um pensa que é gente
E só quer saber de reivindicar
Tem “sem casa”, “sem terra” e agora, suprema perfídia!
Ousam criticar até nossa impoluta mídia
Tão isenta, democrática e plural
Inventando um movimento dos “sem mídia”
Pra tirar a mídia do seu pedestal!

Ah que saudades que eu tenho
Daquele mundo perfeito
Em que o povo votava direito
Hoje a situação está de chorar
Chegamos até ao extremo
De fazer aliança com os demos
Pra ensinar de novo o povo a votar!

PSDB e DEMO se especializam em roubar da MERENDA ESCOLAR???

Depois do exemplo do deputado demo Índio de Bosta (DEMO/RJ), os tucanos paulistas também são flagrados com a mão na lancheira. Enquanto isso, o Ministério Público de São Paulo combate valentemente o analfabetismo funcional do deputado Tiririca. Isso é que se chama dinheiro público bem empregado.

Folha de S. Paulo, 28/12/2010
Polícia faz busca em casa de cunhado de Geraldo Alckmin

Irmão de Lu Alckmin é suspeito de superfaturar os preços de merenda de prefeituras do PSDB e do DEMO. Empresário não foi encontrado para falar sobre caso; governador eleito Geraldo Alckmin e Ministério Público de SP não comentam (que novidade!!!!).

Mário Cesar Carvalho e Cátia Seabra, Folha de S. Paulo

A polícia fez ontem uma operação de busca e apreensão na casa do empresário Paulo Ribeiro, cunhado do governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Paulo é um dos 11 irmãos de Lu Alckmin, futura primeira-dama do Estado.
Ribeiro é investigado pelo Ministério Público sob suspeita de fazer parte de um cartel acusado de superfaturar preços de merenda em contratos com prefeituras.
O processo em que ele aparece como suspeito corre sob segredo de Justiça.
Uma das casas de Ribeiro fica em Pindamonhangaba, a cidade natal de Alckmin e de sua mulher.
O pedido de busca e apreensão foi feito pelo setor de crimes financeiros do Ministério Público do Estado e autorizado pela Justiça.
Ribeiro teria intermediado contratos entre uma empresa da área de merendas chamada Sistal - Alimentação de Coletividade Ltda. com prefeituras do Vale do Paraíba, como Taubaté e Pindamonhangaba, segundo uma das hipóteses investigadas.

Carioca besta votou na Marina traíra, mas quem ama o Rio é Lula

(Copiado do Blog Conversa Afiada)

O amigo  navegante pode escolher.

Puerto Madero em Buenos Aires ?

Ou Estação das Docas em Belém do Pará ?

O cais do Porto do Rio vai ser ainda mais bonito.

Saiu na colona (*) do Ancelmo, no Globo, pág14:

“Lula e Eduardo Paes, o prefeito do Rio,  assinam hoje em Brasília o contrato com a Caixa para a demolição do viaduto da Perimetral.”

Com isso, será possível esquecer o Minhocão do Rio – outro horror – e colocar no lugar o novo  Cais do Porto.

Ancelmo, que já teve dias melhores, debocha do presidente Lula, porque quebrará uma maquete para simbolizar o início das obras.

É isso mesmo.

Lula pode quebrar quantas maquetes do Rio quiser.

Nenhum presidente fez tanto pelo Rio quanto ele.

Lula trouxe a Copa para o Maracanã.

Lula trouxe a Olimpíada para o Rio.

Lula ocupou o Alemão.

Financiou as UPPs.

Lula montou o  maior pólo petroquímico no Rio.

Lula refundou a indústria da construção naval do Rio.

Lula destruiu a Petrobrax do FHC e do Cerra e manteve a Petrobrás – no Rio – sob controle dos brasileiros.

Lula ajudou o salário do Rio a ultrapassar o de São Paulo.

Lula não é candidato a presidente.

Quem inaugurou maquete como candidato a presidente foi o Padim Pade Cerra e o Globo não pareceu indignado.

Por causa do Lula, diz o próprio Ancelmo, o prefeito do Rio vai assinar com o BNDES uma linha de financiamento para instalar 100 mil – 100 mil ! – computadores em escolas públicas – PÚBLICAS ! – do Rio.

E a garotada não vai precisar ler o Ancelmo, nunca.

Vai tudo para a internet !

O problema do Globo é que enquanto o Carlos Lacerda não ressuscitar e remover as favelas, o Globo, que é do Rio e vive no Rio, vai odiar o Rio.


Paulo Henrique Amorim

Em tempo: entre as desgraças que se abateram sobre o Rio no Governo Lula, cabe ressaltar a que aparece hoje na Folha (***), pág. B12:

“Light prevê lucrar com favelas sem ‘gatos’ – Empresa vê ‘oportunidade de negócios’ após pacificação de algumas favelas do Rio; prejuízo anual era de R$ 1 bilhão”.


Que horror ! A ocupação do Alemão foi uma derrota ! (para a Rede Globo!)


(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.
(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
(***) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um  comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Médicos cubanos no Haiti deixam o mundo envergonhado

Terrorista cubano em ação
Nina Lakhani - The Independent

Eles são os verdadeiros heróis do desastre do terremoto no Haiti, a catástrofe humana na porta da América, a qual Barack Obama prometeu uma monumental missão humanitária dos EUA para aliviar. Esses heróis são da nação arqui-inimiga dos Estados Unidos, Cuba, cujos médicos e enfermeiros deixaram os esforços dos EUA envergonhados.

Uma brigada de 1.200 médicos cubanos está operando em todo o Haiti, rasgado por terremotos e infectado com cólera, como parte da missão médica internacional de Fidel Castro, que ganhou muitos amigos para o Estado socialista, mas pouco reconhecimento internacional.

Observadores do terremoto no Haiti poderiam ser perdoados por pensar operações de agências de ajuda internacional e por os deixarem sozinhos na luta contra a devastação que matou 250.000 pessoas e deixou cerca de 1,5 milhões de desabrigados. De fato, trabalhadores da saúde cubanos estão no Haiti desde 1998, quando um forte terremoto atingiu o país. E em meio a fanfarra e publicidade em torno da chegada de ajuda dos EUA e do Reino Unido, centenas de médicos, enfermeiros e terapeutas cubanos chegaram discretamente. A maioria dos países foi embora em dois meses, novamente deixando os cubanos e os Médicos Sem Fronteiras como os principais prestadores de cuidados para a ilha caribenha.

Números divulgados na semana passada mostram que o pessoal médico cubano, trabalhando em 40 centros em todo o Haiti, tem tratado mais de 30.000 doentes de cólera desde outubro. Eles são o maior contingente estrangeiro, tratando cerca de 40% de todos os doentes de cólera. Um outro grupo de médicos da brigada cubana Henry Reeve, uma equipe especializada em desastre e em emergência, chegou recentemente, deixando claro que o Haiti está se esforçando para lidar com a epidemia que já matou centenas de pessoas.

Desde 1998, Cuba treinou 550 médicos haitianos gratuitamente na Escola Latinoamericana de Medicina em Cuba (Elam), um dos programas médicos mais radicais do país. Outros 400 estão sendo treinados na escola, que oferece ensino gratuito - incluindo livros gratuitos e um pouco de dinheiro para gastar - para qualquer pessoa suficientemente qualificada e que não pode pagar para estudar Medicina em seu próprio país.

John Kirk é um professor de Estudos Latino-Americanos na Universidade Dalhousie, no Canadá, que pesquisa equipes médicas internacionais de Cuba. Ele disse: "A contribuição de Cuba, como ocorre agora no Haiti, é o maior segredo do mundo. Eles são pouco mencionados, mesmo fazendo muito do trabalho pesado.".

Esta tradição remonta a 1960, quando Cuba enviou um punhado de médicos para o Chile, atingido por um forte terremoto, seguido por uma equipe de 50 a Argélia em 1963. Isso foi apenas quatro anos depois da Revolução.

Os médicos itinerantes têm servido como uma arma extremamente útil da política externa e econômica do governo, gahando amigos e favores em todo o globo. O programa mais conhecido é a "Operação Milagre", que começou com os oftalmologistas tratando os portadores de catarata em aldeias pobres venezuelanos em troca de petróleo. Esta iniciativa tem restaurado a visão de 1,8 milhões de pessoas em 35 países, incluindo o de Mario Terán, o sargento boliviano que matou Che Guevara em 1967.

A Brigada Henry Reeve, rejeitada pelos norteamericanos após o furacão Katrina, foi a primeira equipe a chegar ao Paquistão após o terremoto de 2005, e a última a sair seis meses depois.

A Constituição de Cuba estabelece a obrigação de ajudar os países em pior situação, quando possível, mas a solidariedade internacional não é a única razão, segundo o professor Kirk. "Isso permite que os médicos cubanos, que são terrivelmente mal pagos, possam ganhar dinheiro extra no estrangeiro e aprender mais sobre as doenças e condições que apenas estudaram. É também uma obsessão de Fidel e ele ganha votos na ONU."

Um terço dos 75 mil médicos de Cuba, juntamente com 10.000 trabalhadores de saúde, estão atualmente trabalhando em 77 países pobres, incluindo El Salvador, Mali e Timor Leste. Isso ainda deixa um médico para cada 220 pessoas em casa, uma das mais altas taxas do mundo, em comparação com um para cada 370 na Inglaterra.

Onde quer que sejam convidados, os cubanos implementam o seu modelo de prevenção com foco global, visitando famílias em casa, com monitoração proativa de saúde materna e infantil. Isso produziu "resultados impressionantes" em partes de El Salvador, Honduras e Guatemala, e redução das taxas de mortalidade infantil e materna, redução de doenças infecciosas e deixando para trás uma melhor formação dos trabalhadores de saúde locais, de acordo com a pesquisa do professor Kirk.

A formação médica em Cuba dura seis anos - um ano mais do que no Reino Unido - após o qual todos trabalham após a graduação como um médico de família por três anos no mínimo. Trabalhando ao lado de uma enfermeira, o médico de família cuida de 150 a 200 famílias na comunidade em que vive.

Este modelo ajudou Cuba a alcançar alguns índices invejáveis de melhoria em saúde no mundo, apesar de gastar apenas $ 400 (£ 260) por pessoa no ano passado em comparação com $ 3.000 (£ 1.950) no Reino Unido e $ 7.500 (£ 4,900) nos EUA, de acordo com Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento.

A taxa de mortalidade infantil, um dos índices mais confiáveis da saúde de uma nação, é de 4,8 por mil nascidos vivos - comparável com a Grã-Bretanha e menor do que os EUA. Apenas 5% dos bebês nascem com baixo peso ao nascer, um fator crucial para a saúde a longo prazo, e a mortalidade materna é a mais baixa da América Latina, mostram os números da Organização Mundial de Saúde.

As policlínicas de Cuba, abertas 24 horas por dia para emergências e cuidados especializados, é um degrau a partir do médico de família. Cada uma prevê 15.000 a 35.000 pacientes por meio de um grupo de consultores em tempo integral, assim como os médicos de visita, garantindo que a maioria dos cuidados médicos são prestados na comunidade.

Imti Choonara, um pediatra de Derby, lidera uma delegação de profissionais de saúde internacionais, em oficinas anuais na terceira maior cidade de Cuba, Camagüey. "A saúde em Cuba é fenomenal, e a chave é o médico de família, que é muito mais pró-ativo, e cujo foco é a prevenção. A ironia é que os cubanos vieram ao Reino Unido após a revolução para ver como o HNS [Serviço Nacional de Saúde] funcionava. Eles levaram de volta o que viram, refinaram e desenvolveram ainda mais, enquanto isso estamos nos movendo em direção ao modelo dos EUA ", disse o professor Choonara.

A política, inevitavelmente, penetra muitos aspectos da saúde cubana. Todos os anos os hospitais produzem uma lista de medicamentos e equipamentos que têm sido incapazes de acesso por causa do embargo americano, o qual que muitas empresas dos EUA de negociar com Cuba, e convence outros países a seguir o exemplo. O relatório 2009/10 inclui medicamentos para o câncer infantil, HIV e artrite, alguns anestésicos, bem como produtos químicos necessários para o diagnóstico de infecções e órgãos da loja. Farmácias em Cuba são caracterizados por longas filas e estantes com muitos vazios. Em parte, isso se deve ao fato de que eles estocam apenas marcas genéricas.

Antonio Fernandez, do Ministério da Saúde Pública, disse: "Nós fazemos 80% dos medicamentos que usamos. O resto nós importamos da China, da antiga União Soviética, da Europa - de quem vender para nós - mas isso é muito caro por causa das distâncias."

Em geral, os cubanos são imensamente orgulhosos e apóiam a contribuição no Haiti e outros países pobres, encantados por conquistar mais espaço no cenário internacional. No entanto, algumas pessoas queixam-se da espera para ver o seu médico, pois muitos estão trabalhando no exterior. E, como todas as commodities em Cuba, os medicamentos estão disponíveis no mercado negro para aqueles dispostos a arriscar grandes multas se forem pegos comprando ou vendendo.

As viagens internacionais estão além do alcance da maioria dos cubanos, mas os médicos e enfermeiros qualificados estão entre os proibidos de deixar o país por cinco anos após a graduação, salvo como parte de uma equipe médica oficial.

Como todo mundo, os profissionais de saúde ganham salários miseráveis em torno de 20 dólares (£ 13) por mês. Assim, contrariamente às contas oficiais, a corrupção existe no sistema hospitalar, o que significa que alguns médicos e até hospitais, estão fora dos limites a menos que o paciente possa oferecer alguma coisa, talvez almoçar ou alguns pesos, para tratamento preferencial.

Empresas internacionais de Cuba na área da saúde estão se tornando cada vez mais estratégicas. No mês passado, funcionários mantiveram conversações com o Brasil sobre o desenvolvimento do sistema de saúde pública no Haiti, que o Brasil e a Venezuela concordaram em ajudar a financiar.

A formação médica é outro exemplo. Existem atualmente 8.281 alunos de mais de 30 países matriculados na Elam, que no mês passado comemorou o seu 11 º aniversário. O governo espera transmitir um senso de responsabilidade social para os alunos, na esperança de que eles vão trabalhar dentro de suas próprias comunidades pobres pelo menos cinco anos.

Damien Joel Soares, 27 anos, estudante de segundo ano de New Jersey, é um dos 171 estudantes norte-americanos; 47 já se formaram. Ele rejeita as alegações de que Elam é parte da máquina de propaganda cubana. "É claro que Che é um herói, mas aqui isso não é forçado garganta abaixo."

Outros 49.000 alunos estão matriculados no "Novo Programa de Formação de Médicos Latino-americanos", a ideia de Fidel Castro e Hugo Chávez, que prometeu em 2005 formar 100 mil médicos para o continente. O curso é muito mais prático, e os críticos questionam a qualidade da formação.

O professor Kirk discorda: "A abordagem high-tech para as necessidades de saúde em Londres e Toronto é irrelevante para milhões de pessoas no Terceiro Mundo que estão vivendo na pobreza. É fácil ficar de fora e criticar a qualidade, mas se você está vivendo em algum lugar sem médicos, ficaria feliz quando chegasse algum."

Há nove milhões de haitianos que provavelmente concordariam.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O Ministério Dilma

Artigo de Marcos Coimbra*, publicado originalmente no Correio Braziliense em 26/12/2010

Por mais que a esperemos, é sempre surpreendente a má vontade de nossa “grande imprensa” para com o governo Dilma. No modo como os principais jornais de São Paulo e do Rio têm discutido o ministério, vê-se, com clareza, seu tamanho.

A explicação para isso pode ser o ainda mal digerido desapontamento com o resultado da eleição, quando, mais uma vez, o eleitor mostrou que a cobertura da mídia tradicional tem pouco impacto nas suas decisões de voto. Ou, talvez, a frustração de constatar quão elevadas são as expectativas populares em relação ao próximo governo, contrariando os prognósticos das redações.

As críticas ao ministério que foi anunciado na última semana estavam prontas, qualquer que fosse sua composição política, regional ou administrativa. Se Dilma chamasse vários colaboradores do atual governo, revelaria sua “submissão” a Lula, se fossem poucos, sua “traição”. Se houvesse muita gente de São Paulo, a “paulistização”, se não, que “dava o troco” ao estado, por ter perdido a eleição por lá. Se convidasse integrantes das diversas tendências que existem dentro do PT, que se curvava às lutas internas, se não, que alimentava os conflitos entre elas. E por aí vai.

Para qualquer lado que andasse, Dilma “decepcionaria” quem não gosta dela, não achou bom que ela vencesse e não queria a continuidade do governo Lula. Ou seja, desagradaria aqueles que não compartilham os sentimentos da grande maioria do país, que torce por ela, está satisfeita com o resultado da eleição e quer a continuidade.

Na contabilidade matematicamente perfeita da “taxa de continuísmo” do ministério, um jornal carioca foi rigoroso: exatos 43,2% dos novos integrantes do primeiro escalão ocuparam cargos no governo Lula (o que será que quer dizer 0,2% de um ministro?). E daí? Isso é pouco? Muito? O que haveria de indesejável, em si, em uma taxa de 43,2%?

Note-se que, desses 16 ministros, apenas oito tinham esse status, sendo os restantes pessoas que ascenderam do segundo para o primeiro escalão. A rigor, marcariam um continuísmo menos extremado (se é isso que se cobra da presidente). Refazendo as contas: somente 21,6% dos ministros teriam a “cara de Lula”. O que, ao contrário, quer dizer que quase 80% não a têm tão nítida.

Para uma candidata cuja proposta básica era continuar as políticas e os programas do atual governo, que surpresa (ou desilusão) poderia existir nos tais 43,2%? Se, por exemplo, ela chamasse o dobro de ministros de Lula, seria errado?

Isso sem levar em consideração que Dilma não era, apenas, a representante abstrata da tese da continuidade, mas uma profissional que passou os últimos oito anos trabalhando com um grupo de pessoas. Imagina-se que tenha desenvolvido, para com muitas, laços de colaboração e amizade. Mantê-las em seus cargos ou promovê-las tem muito a ver com isso.

No plano regional, a acusação é quanto ao excesso de ministros de São Paulo, nove entre 37, o que justificaria dizer que teremos um “paulistério”, conforme essa mesma imprensa. Se, no entanto, fizéssemos aquela aritmética, veríamos que são 24,3% os ministros paulistas, para um estado que tem 22% da população, se for esse o critério para aferir excessos e faltas de ministros por estados e regiões.

Em sendo, teríamos, talvez, um peso desproporcionalmente positivo do Rio (com seis ministros nascidos no estado) e negativo de Minas (com apenas um). Há que lembrar, no entanto, que a coligação que elegeu a presidente fez o governador, os dois senadores e a maioria da bancada federal fluminense, o oposto do que aconteceu em Minas. O PMDB saiu alquebrado e o PT ainda mais dividido no estado, com uma única liderança com perspectiva sólida de futuro, o ex-prefeito Fernando Pimentel, que estará no ministério.

Para os mineiros, um consolo, não pequeno: a presidente Dilma nasceu em Belo Horizonte. Os ministros são poucos, mas a chefe é de Minas Gerais.

* Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Lula-lá: do "sem medo de ser feliz" a "nunca antes na história desse país ..."

Nunca antes na história desse país um presidente foi tão igual ao seu povo. Nunca antes na história desse país um presidente deixou o Governo com tamanha aprovação popular. Nunca antes na história desse país um presidente desmascarou de maneira tão absoluta e definitiva a atrasada, incompetente e predadora elite brasileira. Nunca antes na história desse país ...

1989 (...) - 2002 - 2006 - 2010

Lula-lá, brilha uma estrela!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Entrevista de Lula à Rede TV (1/3)

Entrevista de Lula à Rede TV (2/3)

Entrevista de Lula à Rede TV (3/3)

Entrevista de Luís Nassif ao Blog do Zé Dirceu


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Nassif (E): Serra arregimentou o pior que havia no país


A oposição levará anos para se reorganizar no país. A conclusão é do jornalista especializado em economia Luis Nassif, em sua análise sobre a disputa presidencial deste ano e, sobretudo, da campanha suja explorada pela oposição e seu candidato derrotado José Serra (PSDB-DEM-PPS) em 2010.

Em uma avaliação suscinta, nesta entrevista, Nassif aponta o que deve ser mudado no panorama econômico do país, em especial nas áreas de câmbio e juros. Traça, também, um perfil da mídia brasileira no decorrer dos últimos anos e do papel lamentável a que se prestam alguns jornalistas.

Para Nassif, a imprensa hoje é linha auxiliar de partidos políticos, uma realidade que pode e deve ser combatida com concorrência e, sobretudo, um marco regulatório para que direitos elementares, como o de resposta, sejam garantidos à sociedade.

Um dos blogueiros mais respeitados do país (acesse o blog do Nassif), ganhador de vários prêmios, como o de "Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita" dado pelo site Comunique-se em 2003 e 2005, Nassif também fala da força da Internet hoje em termos da liberdade de imprensa e de garantia de maior democracia.
[ Dirceu ] Nassif, gostaria que você fizesse um balanço da campanha eleitoral deste ano, em especial, do papel assumido pela oposição ao governo Lula e pelo candidato derrotado nas urnas, José Serra.

[ Nassif ] Do ponto de vista estratégico, a partir do momento em que ficou claro o projeto político e econômico do governo Lula, de somar todas as forças, solucionar os conflitos entre as classes e priorizar o desenvolvimentismo, a oposição ficou absolutamente sem discurso. E a crise de 2008 foi fundamental para isso.

Eles entraram na campanha com certa unidade em torno de questões como o aparelhamento e a redução do Estado. Um discurso do ideário neoliberal, vazio, mas tido como aglutinador das “bandeiras” da oposição. Este poderia ter sido o contraponto ao projeto do governo. Mas, a partir do momento em que José Serra assumiu a candidatura oposicionista, não se tem mais oposição, apenas impulsos. Serra tornou-se uma biruta de aeroporto. A impressão que dá é que ele hibernou no começo dos anos 90 e somente agora acordou. Ele não tem nenhuma proposta inovadora e nenhum tema. A única questão apresentada - e que não é dele, é coletiva – foi a da política do câmbio. Mas nem esta o Serra soube desenvolver.

Assassinato de reputações

Sem discurso e incapaz de se posicionar no Centro-Direita - que lhe seria o mais adequado – o tucano partiu para a única coisa eficiente feita por eles nesta disputa: a campanha pela internet. Apesar de, com ela, ter estigmatizado toda a oposição. Um grupo de franco atiradores começou a ser montado há quatro anos para isso. Na realidade, um partido de milicianos de Santa Catarina, que já tinha uma estrutura a oferecer, foi o responsável por uma das páginas mais sujas da história política brasileira, de ataques difamatórios e tentativas explícitas de assassinato de reputações.

Não é à toa que quando terminou a eleição, a grande preocupação não foi com a oposição, mas como reconstruí-la. Oposição é fundamental em qualquer governo, desde que seja legítima. O mal que o Serra fez à oposição brasileira é imensurável. Ela levará anos para se refazer.
Reforma para dar eficiência ao Estado
[ Dirceu ] A vitória da presidente eleita Dilma Rousseff ocorreu com o compromisso de que ela dará continuidade ao modelo de desenvolvimento implantado pelo governo Lula. Na sua visão, o que deve continuar e o que deve mudar já?

[ Nassif ] Nos últimos anos, tivemos mudanças importantes na ação federativa. Havia alguns insights no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, de como montar políticas ouvindo todas as partes. Com o PAC, o programa "Minha Casa, Minha Vida" e o trabalho no saneamento etc, conseguiu-se montar um modelo federativo com projetos que se aplicam independentes de questões partidárias.

Agora, precisamos de uma reforma para dar eficiência administrativa ao Estado. Se pegarmos a estrutura pública, ao longo dos últimos oito anos, vemos que houve uma reconstrução de estruturas técnicas. Por ser tudo gambiarra, elas se concentravam na Casa Civil, até para ter efetividade nas ações. Precisamos, portanto, de uma reforma moderna do Estado, à semelhança do que [Nelson] Rockefeller fez nos Estados Unidos nos anos 50. Este é o primeiro ponto.

O segundo ponto, sem dúvidas, é o Banco Central. Mudar essa ideia de termos quatro anos para reduzir a relação dívida/PIB. Até porque a equipe [econômica] para reduzir os juros vai ser atropelada pelos fatos. A minha esperança é que o discurso de que tudo será gradativo seja simplesmente tático, porque você não pode anunciar previamente o que será feito, já que a área é nervosa. Mas, reduzir mais rapidamente essa relação dívida/PIB é fundamental. A herança maldita do governo FHC para o governo Lula foi o desastre da desindustrialização; já a do Lula para o governo Dilma é a manutenção desta política cambial. Todos os avanços que tivemos foram fantásticos, mas esta questão atrasou o Brasil em quinze anos, no mínimo.

[ Dirceu ] Como você avalia a atuação do BC na era Meirelles? O que esperar do novo presidente Alexandre Tombini?

[ Nassif ] O [Henrique] Meirelles é um fanfarrão. Antes de assumir o Banco Central, em algumas palestras nos Estados Unidos, ele comentava sobre a importância do câmbio para garantir o crescimento. Depois,  assumiu a presidência e uma posição de dificultar a redução dos juros. O Tombini é tecnicamente muito mais sólido. Como é seguro tecnicamente, ele se dá ao direito de ser mais flexível no sentido de não tratar dogmaticamente a política monetária. Temos que mudá-la em muitas coisas. Se deixar como está, hoje, a existência de metas de inflação e só juros para segurar eventuais descontroles, em qualquer hipótese, não tem contas públicas que resistam. Há outras ferramentas que podem ser utilizadas sem concentrar renda.

Querem manter os juros elevados com a justificativa de alta da inflação provocada, principalmente, pelos alimentos. Alimento não tem nada a ver com demanda ou excesso de demanda, que é onde a política monetária atua. Mas, há todo um coro neste sentido, para que eles possam aumentar os juros. Temos que mudar o sistema de metas de inflação e, principalmente, tem que aumentar o escopo, o número das pessoas que definem a política monetária. Não podemos concentrar isso só em dois diretores do Banco Central, como é hoje, porque isso é uma loucura.
Em dezembro de 2008, eles falavam de economia sólida. Quando se tem grandes inflexões na vida econômica do Brasil, os indicadores só aparecem dois, três, quatro meses depois. Então, o negócio estava desmanchando aqui e eles diziam “não, o mercado ainda tem confiança”. Mas os dados (que posicionavam o mercado) eram de dois meses antes.

Na realidade, essa sensibilidade para entender a economia depende de uma mudança na composição do Comitê de Política Monetária, o COPOM. É preciso ter como nos Estados Unidos, análises regionais. E incorporar industriais, sindicatos, supermercados e economistas de outras linhas também. Não para ter um embate teórico, mas visões diferentes sobre uma mesma realidade econômica. Fora isso, o Banco Central tem que recuperar instrumentos tradicionais de política monetária. Hoje é tudo jogado nas costas dos juros.

Se tem excesso de demanda, como eu posso reduzí-la? Aumentar o compulsório é uma maneira. Reduzir prazos de financiamento, outra. Usar o IOF uma terceira. Então, você não carrega nos juros. Mas como estes criaram toda uma legião de beneficiados, nós temos todo o carnaval de analistas, que conhecemos bem, fazendo o mesmo discurso: para que joguem tudo nos juros.

Banco Central: só é penalizado se errar por baixo

[ Dirceu ] Daí que o nosso Banco Central, ao contrário do que acontece nos EUA, não tem metas para emprego, para que nossa política econômica gere determinado número de empregos/ano, por exemplo.

[ Nassif ] Não tem. Com isso, acontece um negócio maluco. Se você estabelece uma meta inflacionária e erra os juros por cima, não é penalizado. Só é penalizado se errar por baixo. É o mesmo que pegar, digamos, o exemplo de um médico. Uma criança tem uma infecção e se esta não ceder, o médico é culpado. Mas, se ela ceder o médico é inocente mesmo que tenha aplicado excesso de antibióticos que irá afetar outros órgãos da criança. É isso o que acontece. Você não tem penalização para erros por cima dos juros. Com isso, neste ano, o BC saiu do controle do Meirelles. O Tombini passou a atuar mais depois que reconheceu esses erros. Inclusive, no começo do ano, quando tinha uma inflação de (preços dos) alimentos. A inflação era nitidamente decorrente da alta dos alimentos, mas todo mundo pressionava o BC querendo aumentar juros. Isso para chegar em março e ter deflação.

Então, não adianta pegar um presidente do Banco Central com maior preparo, tem que mudar o sistema de apuração de dados. Mas, a internet fará essa mudança. Qual o modelo hoje de mapeamento de juros altos? Você tem lá alguns economistas de mercado que repetem os mesmos modelos. Pega o (ex-ministro da Fazenda) Mailson da Nóbrega que, em termos teóricos, repete o mesmo bordão. O Estadão, que tem a melhor cobertura dos jornalões na parte de economia, mostra dados dogmáticos. Por que ele mostra todo um processo de desindustrialização? Porque no final, ele tem que pagar o lobby para o mercado. Colocam o Eduardo Gianetti da Fonseca que não é macroeconomista, e o Mailson para dizer que o responsável são os gastos públicos. É uma maluquice. Ouçam o Roberto Gianetti da Fonseca que conhece lei industrial.
Há economistas que repetem esses bordões, fazem um carnaval e são eles que vão para os jornalões. O mercado, mesmo não acreditando, endossa o que é dito, porque o negócio do mercado não é acertar a inflação, mas o que o BC está pensando sobre ela. Então, caímos num modelo viciado. Não adianta aprimorar este modelo. Ele, em si, é furado.

[ Dirceu ] No Brasil nunca se aplaude a redução de juros.

[ Nassif ] Nunca. É uma coisa maluca. Em 1995, os juros foram para 45% ao ano porque o Brasil estava com as contas desequilibradas. Entra o Gustavo Loyola falando o seguinte: “nós precisamos descer gradativamente, porque se precisar subir, fica parecendo recuo”. Mas que gradativamente? Não existe isso! Você tem uma crise, joga os juros lá pra cima; acaba a crise, precisa baixar.

Ele falava de um jeito que parecia que tinha ciência atrás desta informação. E, pior, ele passava à opinião pública aquela ideia. Como nós fizemos magia com vários planos econômicos que não deram certo, ele passava para a opinião pública que uma “redução gradativa” significava caminhar lenta e firmemente em direção ao futuro. O que era uma bobagem. Na verdade, significou caminhar “lenta e firmemente” em direção à maior dívida pública da história - a maior. Vejam, os [governos] militares tinham uma dívida pública, mas tinham também ativos, das indústrias que foram criadas, das ferrovias. Então, [depois deles] se pegarmos em termos líquidos, criou-se esta dívida, mas sem contrapartida de ativos. Pelo contrário, reduziam os ativos, vendiam estatais e tudo, para pagar esses juros.

[ Dirceu ] Dobraram a dívida interna ao invés de reduzi-la em US$ 100 bi. Venderam US$ 100 bi (em estatais) e essa venda pagou juros. O Gustavo Franco [na presidência do Banco Central do 1º governo FHC] pagou 27,5% de juros reais durante três anos sobre a dívida pública.

[ Nassif ] Um absurdo.

Em 2002, no ano da eleição do Lula, eu publiquei um artigo descendo o pau nos juros. O Mailson [da Nóbrega], em um artigo, na realidade baseado em trabalho da Secretaria do Tesouro, dizia que a maior razão do aumento da dívida interna foi a incorporação das dívidas dos Estados. No artigo, ele desafiava: agora quero ver criticarem a Secretaria do Tesouro! Vocês sabem o que a Secretaria do Tesouro fez naquela época? Pegou a dívida dos Estados, mas antes de incorporá-las não considerou o aumento que esse endividamento havia sofrido em decorrência dos juros do Banco Central.

O caso de São Paulo era muito interessante. São Paulo devia R$ 50 bi para a União. Começou a negociar, mas um tempo depois de começar, na data de corte (fechamento da negociação) a dívida estava em R$ 100 bi – R$ 50 bi eram juros do BC. Como demorou mais, não sei quanto tempo para fechar a negociação, fechou-a em R$ 150 bi. Aí, eles consideraram e foram incluídos R$ 100 bi como dívida estadual, e não como resultado dos juros,  quando eram decorrentes de juros. E, mais, pegaram R$ 150 bi e todos os juros que incidiram sobre essa dívida para dizer que se tratava de dívida de Estado e não [decorrente de] uma política do Banco Central.

Quando li aquilo, liguei para a Secretaria de Tesouro para ver quem fez o trabalho. Demorei três dias tentando encontrar o cara (responsável) pelo trabalho. Quando encontrei ele reconheceu: “é, nós discutimos aqui, achamos que poderia dar margem para dúvidas...” Eu respondi: “que margem para dúvidas? Vocês manipularam, está errado!” As dívidas dos Estados eram sempre a dívida dos títulos da União, mas com juros muito altos.  E todos os Estados estavam com dívidas. Com isso, a União chegou a cobrar 45% em certo período - nos Estados chegou a 60% ao ano. Uma loucura. Esse foi o maior crime de política econômica já cometido. Tanto que amarrou o Brasil por quantos anos? E está aí ainda.
[ Dirceu ] Estamos pagando 10,75%. É uma pancada. Somados dão mais do que o orçamento da Educação.
[ Nassif ] Agora, foram deduzindo os juros, mas a base estava lá em cima. Ainda hoje dizem: "se não fossem os juros, não teríamos segurado a inflação”. Mentira! Eu fiz um trabalho por baixo em março/abril de 1995 em que dizia que aquela inflação já era fato passado e nós precisávamos cuidar do desenvolvimento. A manutenção de juros até 1999 foi exclusivamente para consolidar um modelo político que o Fernando Henrique implantou com o Gustavo Franco. Um modelo que criou e fez uma brutal transferência de renda para que novos grupos conduzissem a reformulação da economia. Quando você pega Ignácio Rangel [economista, considerado um dos maiores analistas do processo econômico brasileiro] vê que todos esses períodos de inflação, essa jogada de mercado, permitem enriquecimento de um pessoal mais ativo que leva a um salto na economia. A ideia desses mandraques, na realidade, era política: criar grandes grupos para consolidar o poder independente do Estado. Com isso, eles jogaram o projeto deles fora – não foram mais eleitos - mas atrasaram o país durante anos.

[ Dirceu ] A respeito da crise européia, quais lições podermos tirar das medidas de socorro? O que o Brasil deve evitar neste caminho da Europa?
[ Nassif ] Um ponto em que o BC atuou quase bem – mas não foi bem de tudo – foi na regulação bancária para impedir grandes loucuras. Apesar dele próprio ter praticado uma loucura, que quase leva essas medidas abaixo, que foi permitir aquele swap reverso,  aquelas operações especulativas bancadas por ele. Quando você começa a jogar o câmbio para baixo. Quem ganha? Quem tem voz política. As grandes empresas exportadoras. Para abafar essa voz política, eles criaram o swap reverso. Quando o câmbio caia ps exportadores  perdiam na operação principal e ganhavam na operação financeira. Isso é loucura. Os jornais enchem o saco quando falam do subsídio, mas quando reverte o câmbio você tem toda essa quebradeira.

Fora esse pecado, o BC atuou muito em termos de regulação para impedir grandes loucuras. Agora, quando se pega o próprio FMI e aquele apoio dado em 1998 ao Brasil, você tem um jogo especulativo de grandes ganhos por parte dos grandes investidores. Esses ganhos embutem uma parte de risco e quanto maior o ganho, maior o risco. A questão é que estas operações quando entram para valer reduzem o risco e a perda dos grandes investidores, além de jogar a conta no ajuste fiscal - este pega a população de calça curta. Isso é complicado.

Quando você pega o mercado, eles dizem que a política é o que amarra o país. É o contrário, a política é um instrumento mobilizador. E ela que irá estabelecer, daqui para frente, os limites à ação deletéria dos mercados. No fundo, o próprio Fernando Henrique acabou perdendo o poder ao achar que ia montar uma estrutura em que o mercado ganhava e a população perdia.

Na Europa, o que estamos vendo é uma gambiarra. Terão que fazer a penalização dos credores, como fez a Argentina.
[ Dirceu ] Não está havendo nenhuma penalização, pelo contrário. Para salvar os bancos europeus, a Alemanha, como tinha condições, resolveu os problemas. Já tinha pactuado o modelo de baixar a participação do trabalho na renda nacional, aumentar a produtividade e não o salário, e diminuir o custo de programas sociais. Agora, eles farão o corte e, nestes países, será dos benefícios sociais. Depois o imposto aumenta para todo mundo e não só para os mais ricos. Todo mundo paga.

[ Nassif ] Vamos pegar os EUA. Não o da crise, agora, mas o modelo norte-americano das últimas décadas. Houve a entrada de uma nova indústria, uma nova economia - de serviços, informática etc.

O que aconteceu é que eles pegaram todos os setores atrasados, terceirizaram a mão-de-obra de obra, abrindo espaço para que as empresas pudessem ir para outros países. O modelo é interessante porque ficaram só com os grandes empregos. Mas quando chegaram no final do processo, aquele modelo não garantiu a empregabilidade. Sem garanti-la não existe mais mercado interno. Então, os países que ficaram com as indústrias de “menor qualidade” foram aqueles onde se formou o mercado interno. São eles os grandes vencedores da crise.

O modelo americano que levou os EUA a se tornarem o que foram, no final das contas, foi um modelo que privilegiou o mercado interno, a incorporação de novas marcas e que permitiu a criação de uma sociedade de consumo lá no século XIX e transformou o país na maior potência no mundo.

Outro ponto: a Organização para o Comércio e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) está querendo mudar os critérios da contabilidade de dívidas no Brasil. Diz que é para ser mais transparente. Mas eles não têm transparência nenhuma. Europeu querer ensinar a gente a ser transparente em termos fiscais, como quer a OCDE, é piada... O José Roberto Afonso, o pai da lei de reforma fiscal, foi para a Alemanha, há dez anos, para ver como era a contabilidade de estados e municípios lá. Voltou espantado. Nós damos de 10 a 0 em termos de transparência. No Brasil, a questão da responsabilidade fiscal sempre foi um calcanhar de Aquiles, obrigou-nos a um esforço de transparência fiscal que hoje é mais rigorosa do que em muitos outros países.

O PROER [programa de socorro a bancos do governo FHC] foi importante em si, mas aquela crise bancária que ele ajudou a passar, foi fruto da política monetária do 2º semestre de 1994. De qualquer modo, todas as crises bancárias obrigaram o Brasil a ter um sistema bancário rígido, no qual, quando estoura a crise, tem conseqüências.
[ Dirceu ] Mudando de assunto, o que aconteceu com a grande imprensa brasileira? O que a levou a tomar esse rumo e a tornar-se um verdadeiro partido político?

[ Nassif ] Quando você pensa em termos globais, a internet cria uma extraordinária zona de segurança para a mídia. Quem são os grupos que terão audiência? Os grandes grupos midiáticos, obviamente, e também toda uma constelação de blogs, de sites que produzirão conteúdo. Quando a velha mídia percebeu que ia entrar grandes players neste mercado, grupos de telefonia, entretenimento, tudo...

No Brasil, a imprensa é auxiliar de partido político. Na realidade, na América Latina, com a redemocratização, a imprensa se transformou no ator político mais relevante dos últimos 20 anos. Derrubava presidentes, senadores, demonizava pessoas – você é o exemplo vivo disso; o Sérgio Motta [ministro de Comunicação de FHC], o exemplo morto.

Ao longo da história do Brasil, a imprensa se comportou da mesma maneira que setores políticos. Nosso país já está em uma nova conjuntura, mas ainda preserva o poder político da etapa anterior. Então, eles (os jornalões) tentam transformar o poder político em um diferencial para impedir a competição.

Em 2005, especificamente, eles acharam que poderiam voltar aos tempos de glória do impeachment [Fernando Collor de Melo] difamando o presidente Lula. Montaram um pacto em torno do Fernando Henrique e do Serra. E achavam que poderiam eleger o Serra ou um outro presidente que através de medidas de regulamentação [da mídia] os ajudassem a fazer a travessia para o novo modelo.

Também tentaram repetir o próprio impeachment que deu certo em 1992. Qual era o modelo? Criar um escândalo por dia. Como não têm capacidade de criar um escândalo consistente, transformam algo banal em um escândalo ou inventam um. Com o tempo, esperavam uma eclosão dos caras-pintadas - estes iriam para a rua derrubar o governo.  A ideia foi essa. Mas, não tiveram pique para derrubar o Lula em 2005, e em 2006 o Lula já começou a recuperar a popularidade. Com isso, perderam o rumo.

Nós tivemos uma grande sorte porque o pessoal que conduziu essa operação, talvez, seja a mais medíocre geração de diretores de redação desde que eu entrei no jornalismo. A sorte é que era um bando de amadores deslumbrados, que começaram a mostrar sua vulnerabilidade quando ficaram no poder nas redações. Começaram a querer virar intelectuais, montaram esquemas com editoras para vender livros. O Ali Kamel escreveu um livro que consideraram “um dos dez livros mais importantes da década”. Total perda do senso de ridículo.

O Diogo Mainardi e o Reinaldo Azevedo foram colocados para atuar como franco atiradores. Você os coloca ali, levanta a bola deles... E o que vimos foram coisas fantásticas. Houve até um que foi considerado o novo Carlos Lacerda. Outro escreveu que o livro do Reinaldo deveria ser adotado pelas cadeiras de ética de todas as faculdades. Na realidade, não entenderam que o Brasil é maior. Acharam que depois dos ataques desqualificadores iam intimidar a todos. Mas meia dúzia de malucos resolveram enfrentar a fera e a internet serviu para isso também.

[ Dirceu ] Concorrência neles!
[ Nassif ] É isso mesmo, porque o medo deles não é da CONFECOM (1ª Conferência Nacional de Comunicação), mas das empresas de telefonia. Se você tirar três pernas distorcidas e ilegais que sustentam esse modelo, ele desaba: a estrutura de veiculação publicitária; a manipulação de tiragem e de audiência; e a publicidade legal, os balanços de empresas.
A primeira perna: a estrutura de veiculação publicitária. Da forma como é feita, de contratos com agências de publicidade, é crime de direito econômico. Hoje, quem faz essa distribuição de verbas por agências de publicidade, os diretores de marketing, fazem parte de uma estrutura de poder. Isso é uma excrescência.

Segundo ponto: manipulação de tiragem e de audiência. O Instituto Verificador de Circulação (IVC) tem um jeito de apurar a circulação dos jornais que permite manipulação. A VEJA diz que tem 1 milhão e cem mil exemplares. Não tem. Ela tem 870 mil exemplares...

[ Dirceu ] A margem de erro de audiência de televisão é altíssimo também.
[ Nassif ] Você pega o Estadão. Dois ou três anos atrás, o Estadão teve uma queda de tiragem de 25%. No mesmo período, a Folha teve de 6% e O Globo de 5%. Qual a diferença entre os três? O Estadão estava precisando limpar o cadastro, limpou e ficou 25% a menos.

Uma vez, eu fui numa associação empresarial. Eles tinham uma revista que, segundo o IVC, vendia 50 mil exemplares por edição. Entra a nova direção, foram apurar e a revista vendia dois mil. O que eles faziam? O IVC tem como método de contagem contabilizar o que sai da gráfica e o que volta. Distribuiam 2 mil, alugavam galpões e jogavam 48 mil lá. A VEJA é impossível você esconder. O que eles fazem? Dão, doam. Distribuem. Isso traz a tiragem da VEJA para o real.

E o terceiro ponto das três pernas de que falei acima é a publicidade legal. Os balanços de empresa. Não tem a mínima lógica. Se sou uma empresa de capital aberto, eu mando ao acionista o balanço por e-mail ou ele pega o PDF no site. A troco do quê tem que publicar páginas e páginas de publicidade (como balanço oficial) na Folha, no Estadão, no Valor?

São três distorções. Fora as secretarias de Educação sobre as quais eles estão avançado de forma voraz. Já oferecem produtos da Abril para as secretarias de Educação.
[ Dirceu ] Em relação à regulação da imprensa? Qual sua avaliação a respeito do que o governo está construindo? Temos condições no país para fazermos a regulação?
[ Nassif ] Não se trata de regulação de conteúdo, mas do direito de resposta. É um absurdo, nós não temos direito de resposta. Estou há três anos tentando o meu, a minha resposta. Entrei com ação de Direito de Resposta na VEJA. A juíza disse que estava errado porque falava de internet e não de Lei de Imprensa. Não estava errada. Vai para a 2ª instância - mais um ano e meio. Na 2ª, disseram que estava certo. Volta para a mesma juíza da 1ª. Aí ela decidiu não julgar porque acabou a Lei de Imprensa.

Quando se fala em competição, temos que remover essas barreiras que citei. Já na questão do conteúdo, precisa ter o que há em outros países: conteúdo nacional; permitir o avanço da produção; restrições normais em relação à propaganda infantil e à violência. Temos que remover fatores anacrônicos.

Quem compõe o quadro de colunistas é o leitor

[ Dirceu ] Qual o papel das novas mídias, da internet, em relação à democratização? Como você enxerga o futuro nesse sentido? Quais os pontos positivos que devemos avançar em termos da rede?

[ Nassif ] Todo mundo está na mesma plataforma tecnológica. Isso já traz uma mudança monumental ao jogo político. Você tem um determinado número de colunistas no jornal. A Folha, por exemplo, tinha um grupo de jornalistas que compunham um poder político. Então, quando vinha uma manchete, era como se ela tivesse o endosso de toda uma estrutura de colunistas, dando credibilidade àquela matéria. Mesmo se alguns discordassem. Ao ir para a internet, o jogo é outro. Quem compõe o quadro de colunistas é cada leitor. Eu tenho os meus favoritos, eu quero o colunista X da Folha, o W do Estado, o blogueiro tal, o político Y. Então, ao compor o que vai ler, o próprio internauta elimina a manipulação. Essa é uma situação real.

Ninguém quer que os jornais acabem. Eles vão para a internet e sobrevivem. Mas aquele poder de manipulação e de gerar instabilidade política vai para o vinagre. Cada vez que sai uma manchete e uma denúncia pela internet, todo mundo sai correndo atrás de outras opiniões que vão se cruzando nos diversos grupos de discussão. Então, cria-se uma nova realidade. Isso tem o poder fantástico de desconstruir denúncias. Vimos isso durante a campanha, por exemplo, no caso da bolinha de papel [a auto-acusação infundada de José Serra de que fora agredido com uma pancada no Rio]. Eu fui o primeiro a colocar o vídeo do SBT no meu blog.

[ Dirceu ] Foi mortal.

[ Nassif ] Com isso, agora, mesmo que os jornalões tenham audiência, quando você (na internet) rebate um grande jornal, e faz com um argumento técnico, isso se espalha para todos os lados. Esse é um aspecto. Acabou o poder dos jornalões de desestabilizar a política.

Outro aspecto é que todo agente econômico hoje - sindicatos, corporações, uma tribo amazônica -  terá que se preparar para a blogosfera. Com isso você quebra o circuito viciado da velha mídia que acaba pressionando o Congresso e a política econômica.

[ Dirceu ] O Congresso do Brasil é tremendamente desprestigiado pela imprensa, se comparado com o parlamento de outros países. Claro que temos um que vota no lugar do outro; o senador Efraim Moraes (DEM-PB), por exemplo, que manipulou todas as licitações e tem dezenas de empregados pagos pelo Senado; gente que emprega família inteira lá etc... Agora, do jeito que o Congresso é apresentado para a sociedade no Brasil, nunca teremos político no país com prestígio.
[ Nassif ] Pega-se a grande disputa política dos anos 90. Tinha-se o Congresso e a mídia dizendo-se representantes da opinião pública. Daí a mídia entender que tinha que manter o outro [Congresso] completamente de joelhos para poder impor suas condições.

Você está na competição imprensa x Congresso. Tem, também, o fato de que com as ONGs, o Congresso foi perdendo cada vez mais a legitimidade. Você chega numa ONG X, o cara tem muito mais autoridade do que o deputado. E com a internet é a mídia quem perde a legitimidade. Essa é a grande mudança.

Agora, o risco que se tem [na internet] é termos uma radicalização política e começarmos a ser bairristas. Quando teve a reunião dos blogueiros (agosto pp.) eu sugeri: “nós temos uma frente aqui em torno de alguns valores, os dois principais, o combate ao monopólio e a defesa da inclusão social e dos valores da civilização que foram atropelados. Agora, nós temos também todo um universo de divergências. O que temos pela frente, quando passar essa guerra aí, é mostrar que podemos divergir civilizadamente".

O universo da blogosfera é o universo das ideias. Então, tentar criar esse ambiente civilizatório em contraposição ao da selvageria é muito interessante. Um momento mágico. Isso está acontecendo no mundo inteiro, mas no Brasil, vem no bojo de mudanças muito mais radicais, com a inclusão de novas classes sociais, regionalização do desenvolvimento, a banda larga...