sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A medíocre elite social brasileira

Extraído do Observatório da Imprensa
 

Ignorante e presunçosa, ela lê pouco, ostenta, cultiva o consumismo e tem profundo preconceito em relação às maiorias 

Por Henrique Abel, no Observatório da Imprensa

Um dos preconceitos mais firmemente bem estabelecidos no Brasil é aquele que afirma que a culpa de todos os problemas do país decorre da “ignorância do povo”. A elite social da população brasileira, formada pelas classes A e B, em linhas gerais, está profundamente convencida de que o seu status de elite social lhe concede – como um bônus – também o título de “elite intelectual” do país.

Dentro desse raciocínio, a elite brasileira “chegou lá” não apenas economicamente, mas também no que diz respeito às esferas intelectuais e morais – talvez até espirituais. O país só não vai pra frente, portanto, por causa dessa massa de ignóbeis das classes inferiores. Embora essa ideia preconcebida seja confortável para o ego dos que a sustentam, os fatos insistem em negar a tese do “povo ignorante versus elite inteligente”.

O motivo é simples de entender: em nenhum lugar do mundo, a figura genericamente considerada do “povo” se destaca como iluminada ou genial. Por definição, uma autêntica elite intelectual de um país se destaca, precisamente, por seu contraste com a mediocridade (aí entendida como “relativa ao que é mediano”). Ou seja, não é “o povo” que tem obrigações intelectuais para com a elite social, e sim, justamente o contrário: é preferencialmente entre a elite social e econômica que se espera que surja, como consequência das melhores condições de vida desfrutadas, uma elite intelectual digna do nome.

Analfabetos funcionais

Uma elite social que, intelectualmente, faça jus ao espaço que ocupa na sociedade, não apenas cumpre com o seu papel social de dar algum retorno ao meio que lhe deu as condições para uma vida melhor como, ainda, cumpre o seu papel de servir como exemplo – um exemplo do tipo “estude você também”, e não um exemplo do tipo “lute para poder comprar um automóvel tão caro quanto o meu”.

Tendo isso em mente, torna-se fácil perceber que o problema do Brasil não é que o nosso povo seja “mais ignorante”, pela média, do que a população dos Estados Unidos ou das maiores economias europeias. O problema, isso sim, é que o nosso país ostenta aquela que é talvez a elite social mais ignorante, presunçosa e intelectualmente preguiçosa do mundo, que repele qualquer espécie de intelectualidade autêntica precisamente porque acredita que seu status social lhe confere, automaticamente, o decorrente status de membro da elite intelectual pátria, como se isso fosse uma espécie de título aristocrático.

Nenhum país do mundo tem um povo cujo cidadão médio é extremamente culto e devorador de livros. O problema se dá quando um país tem uma elite social que é extremamente inculta e lê/escreve num nível digno de analfabetismo funcional. Pesquisas recentemente divulgadas dão por conta que apenas 25% dos brasileiros são plenamente alfabetizados, e que o número de analfabetos funcionais entre estudantes universitários é de 38%. A elite social brasileira possivelmente acredita que a totalidade desses 75% de deficientes intelectuais encontra-se abrangida pelas classes C, D e E.

Sem diferença

Será mesmo? Outra pesquisa recentemente divulgada noticiava que o brasileiro lê uma média de cerca de quatro livros por ano. Enquanto os integrantes da Classe C afirmavam ter lido 1,79 livro no último ano, os integrantes da Classe A disseram ter lido 3,6. O número é maior, como naturalmente seria de se esperar, mas a diferença é muita pequena dado o abismo de condições econômicas entre uma classe e outra. Qual é o dado grave que se constata aí? Será que o problema real da formação intelectual do nosso país está no fato de que o cidadão médio lê apenas dois livros por ano? Ou está no fato de que a autodenominada elite intelectual do país lê apenas quatro livros por ano? Vou encerrar o argumento ficando apenas no dado quantitativo, sem adentrar a provocação qualitativa de questionar se, entre esses quatro livros anuais, consta alguma coisa que não sejam os últimos e rasos best-sellers de vitrine, a literatura infanto-juvenil e os livros de dieta e autoajuda.

O que importa é ter a consciência de que o descalabro intelectual brasileiro não reside no fato de que o típico cidadão médio demonstra desinteresse pela vida intelectual e gosta mais de assistir televisão do que de ler livros. Ora, este é o retrato do cidadão médio de qualquer país do mundo, inclusive das economias mais desenvolvidas.

O que é digno de causar espanto é, por exemplo, ver Merval Pereira sendo eleito um imortal da Academia Brasileira de Letras em virtude do “incrível” mérito literário de ter reunido, na forma de livro, uma série de artigos jornalísticos de opinião, escritos por ele ao longo dos anos. Ou seja: dependendo dos círculos sociais que você frequenta, hoje é possível ingressar na Academia Brasileira de Letras meramente escrevendo colunas de opinião em jornais. Podemos sobreviver ao cidadão médio que lê dois livros por ano, mas não estou convencido de que podemos sobreviver a uma suposta elite intelectual que não vê diferença literária entre Moacyr Scliar e Merval Pereira.

“Vão ter que me engolir”

Apenas para referir mais um exemplo (entre tantos) das invejáveis capacidades intelectuais da elite social brasileira: na semana passada, o jornal Folha de S.Paulo noticiou que uma celebridade global havia perdido a compostura no Twitter após sofrer algumas críticas em virtude de um comentário que havia feito na rede social. A vedete, longe de ser uma estrelinha de quinta categoria, é casada com um dos diretores da toda-poderosa Rede Globo.

Bem, imagina-se que uma pessoa tão gloriosamente assentada no topo da cadeia alimentar brasileira certamente daria um excelente exemplo de boa formação intelectual ao se manifestar em público por escrito, não é mesmo? Pois bem, vamos dar uma lida nas sua singelas postagens, conforme referidas na reportagem mencionada:
“Almas penadas, consumidas pela a inveja, o ódio e a maledicência, que se escondem atrás de pseudônimos para destilarem seus venenos. Morram!”
“Só mais uma coisinha! Vão ter que me engolir, também f…-se, vocês são minurias [sic] e minuria [sic] não conta.”

Em quem se espelhar?

Não vou nem entrar no mérito da completa falta de educação dessa pessoa, que parece menos uma rica atriz global do que um valentão de boteco. Vou me ater apenas a dois detalhes. Primeiro: a intelectual do horário nobre da Globo escreve “minoria” com “u”, atestando para além de qualquer dúvida razoável que se encontra fora do grupo dos 25% dos brasileiros plenamente alfabetizados (ela comete o erro duas vezes, descartando qualquer possibilidade de desculpa do tipo “foi erro de digitação”).

Segundo: ela acha que “minorias não contam”, demonstrando, portanto, que ignora completamente as noções mais elementares do que vem a ser um Estado democrático de Direito, ou mesmo o simples conceito de “democracia” na sua acepção contemporânea. Do ponto de vista da consciência de direitos políticos, sociais e de cidadania é, portanto, analfabeta dos pés à cabeça.

Com os ricos e famosos que temos no Brasil, em quem o mítico e achincalhado “homem-médio” poderia mesmo se espelhar?

Leia também:
  1. Em parte da elite, saudades de 1964
  2. Os favores da Receita brasileira ao Santander
  3. Cartel global manipula laranja brasileira
  4. Ameaça real à internet brasileira
  5. Os estertores da GM e a inércia social
  6. Por uma Agenda Digital Brasileira, urgente
  7. Oposição social na era da Internet
  8. Por um contrato social planetário
  9. Fórum Social na África: avanços e impasses
  10. Espanha: o novo retrato da crise social

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Serra da Boa Esperança, com Dércio Marques, para Fernando Campelo Duarte, que hoje faria 92 anos!

Serra do Boa Esperança era uma das músicas com que o nosso pai, o Campelo, nos acordava quando estava de bom-humor e soltava a voz durante o banho frio matinal. 

E com Bethânia

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Roberto Gurgel é processado por Prevaricação e Improbidade administrativa

Sexo Grátis Aqui!

Buceta, Sexo, Fotos indiscretas, Mulheres Nuas, Peitinho, Bucetinha, Boquete.

Perdõem os puritanos e os sabujos de patrão que não gostam de mulher, mas este é um teste para ver se essas palavras - as mais buscadas na Web - aumentam a visitação ao Blog. Em uma semana eu apago este post.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Lições de Jornalismo PIG: Como salvar uma pauta naufragada

Serraglio, o arguto investigador do Mensalão

O deputado Osmar Serraglio, relator da CPI dos Correios, aquele careca que fazia perguntas pueris aos investigados do Mensalão compensando com caras, bocas e olhar instigante nº 45, se arma feito um pavão quando a Globo novamente acende seus holofotes para entrevistá-lo sobre “o maior escândalo de corrupção do Brasil, do Mundo, da Galáxia, quiçá do Universo”. Sem nada importante para contar, Serraglio alega que não conseguiu provas para culpar Zé Dirceu porque os bancos (privados e públicos) blindaram o “chefe da quadrilha”, conforme o descreveu o deslumbrado e provinciano ex-procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Para tentar salvar a anti-notícia de qualquer jeito, a Globo arranca uma declaração bombástica desse descendente de italianos, que se conduz inspirado pelo inspetor Cruseau: seus telefones teriam sido grampeados, no tempo das investigações! Uma bomba realmente, não tivesse a Polícia Federal feito a varredura em todos os telefones usados por Serragio e encontrado bulhufas. Essa “informação desimportante” foi omitida pelo instigante relator da CPI dos Correios e, claro, pela Globo. Ela poderia enterrar mais essa lenda urbana alcunhada Mensalão pelo ex-deputado Roberto Jefferson, o mais notório jagunço da ex-tropa de choque do ex-presidente Fernando Collor de Mello e hoje mero cantor de Petrópolis.

Fernanda Abreu e dois clássicos da MPB

Rio 40 Graus



A 2 passos do paraíso


terça-feira, 10 de julho de 2012

Obra de Arte: A Origem do Mundo

A Origem do Mundo, de Gustave Courbet

Estávamos em 1866 e Courbet era já um pintor conhecido em França pela sua destreza técnica mas sobretudo pela sua atitude crítica e corrosiva em relação à sociedade e moral burguesas, que não perdia ocasião de afrontar. Courbet era um socialista convicto, arrogante e autoconfiante, é preciso dizer. No entanto talvez isso não baste para justificar a obra que realizou nesse ano e que havia de o celebrizar mais do que todas as outras. Ao representar frontalmente as coxas e o sexo de uma mulher, A Origem do Mundo abalou profundamente o meio artístico da época. E não só!
A tela tem um percurso atribulado. Reza a História que um diplomata turco, de nome Khalil-Bey, de passagem por Paris encomendou a Courbet para a sua colecção um quadro, que viria a ser este. Khalil-Bey era um coleccionador de arte erótica e tinha já adquirido ao artista uma pintura denominada O Sono ou Adormecidas, representando duas mulheres nuas deitadas sobre a cama em poses sensuais. Possuía também o famoso O Banho Turco, de Ingres, entre outras obras.

Pouco tempo depois Khalil-Bey viu-se obrigado a vender diversas peças da sua colecção para pagar dívidas de jogo. Escondida debaixo de uma outra tela de aspecto mais pacífico, A Origem do Mundo foi então comprada por um antiquário, passando de mão em mão até ao seu último dono, o célebre psicanalista francês Jacques Lacan. Após a sua morte, a família doou-o ao Museu d'Orsay, onde se encontra presentemente.
O quadro é profundamente perturbador ou mesmo chocante. O incómodo sentido pelo observador ao olhar de modo tão directo para o sexo que ali se exibe ostensivamente é enorme. Há uma espécie de pudor, de vergonha quase instintiva que se revela em nós ao observá-lo. Mais do que violentar a intimidade do objecto retratado, o artista violenta o público. De resto, Courbet adorava fazê-lo embora nunca tivesse ousado ir tão longe. Porque se atreveu desta vez?
À época, na Academia, os estudantes exercitavam-se desenhando as estátuas clássicas de corpo idealizado. Essas estátuas, Apolos e Afrodites, não eram de modo algum assexuadas mas a representação do sexo era estereotipada, camuflada ou deturpada. Os homens frequentemente tinham uma parra a tapar os órgãos genitais enquanto que nas mulheres nada se via para além da continuidade da pele lisa da barriga. Courbet detestava os académicos e as suas fórmulas - ele que dizia que só podia pintar aquilo que via.

Esta tela surge assim como um manifesto contra o academismo mas também contra a falsidade vigente na Arte e na Sociedade oitocentista. Representa a libertação definitiva do artista de todos os estereótipos! Significativo é o facto da polémica se ficar a dever ao tema e à forma como foi abordado e não às qualidades pictóricas do quadro - se estava bem pintado ou não. A Origem do Mundo foi uma obra inspirada, visionária talvez, um acto estético da maior importância e uma obra de arte de primeira grandeza. A Pintura Moderna talvez tenha começado aqui, com origem no sexo de uma mulher.

Fonte: http://obviousmag.org/archives/2008/01/a_origem_do_mun.html

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Brasil vai ajudar a construir o maior e mais potente telescópio do mundo

Do Site Olhar Digital.

Aparelho astronômico ficará no Chile e terá uma lente de 40 metros de diâmetro

O Brasil pode ter uma oportunidade de ouro nas mãos se quiser ingressar de vez no campo da astronomia. Isso porque está em andamento um ambicioso projeto de construção do maior telescópio do mundo, no Observatório La Silla, no Chile, e  o nosso país participará do desenvolvimento do aparelho. Situado em pleno deserto, a 600 quilômetros de Santiago e a uma altura de 2.400 metros, o telescópio será o mais potente já feito, contando com uma lente de 40 metros de diâmetro.

Em entrevista para a Agência Efe, o astrofísico Michel Mayor, que ao lado de Didier Queloz descobriu o primeiro planeta fora do sistema solar (exoplaneta), relembrou suas visitas a trabalho ao norte de Chile nos últimos trinta anos. Mayor considera a região "excepcional" para a observação do espaço. Para ele, o Brasil irá se beneficiar do conhecimento adquirido pela instituição, mas precisará de mais de dez anos de avaliações e estudos para confirmar sua viabilidade financeira e técnica.

"É normal que o Brasil destine recursos para a astronomia e a melhor solução foi se aderir ao ISSO, pois não fazia sentido para eles tentarem construir meios de observação para competir com os que já existem", explicou.

Sobre o Chile, o astrofísico destacou que o país desenvolveu "uma astronomia de ponta" e que a razão disso foi o acesso a instrumentos sofisticados espalhados em diferentes observatórios localizados no Deserto do Atacama. Os cientistas chilenos têm direito a 10% do tempo utilizado nos telescópios instalados em seu território, o que foi um grande estímulo para a astronomia no país e uma das razões para o aumento do número de profissionais da área.

Mayor também comentou os avanços na pesquisa espacial, como o fato da sonda americana Voyager 1, lançada em 1977, estar prestes a chegar no limite do sistema solar.

Alguns astrônomos veem com preocupação os grandes recursos destinados para este fim, mas Mayor não compartilha esse temor porque acredita que a observação realizada do próprio espaço "não vai substituir a astronomia feita na terra", mas sim complementá-la.

Em mais de quarenta anos dedicados à física e à observação do universo, o cientista acompanhou a evolução da astronomia e aponta o avanço que mais o impressionou: "a aceleração da expansão do universo".

"Isto colocou em questão muito do que compreendemos do universo e de seus mecanismos físicos", disse Mayor, que liderou a equipe que desenvolveu o primeiro espectrógrafo, um instrumento que associado a um telescópio permite estudar a luz das estrelas e descobrir a presença de um ou mais planetas sob sua órbita.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Morreu o violeiro Dércio Marques

Dércio Marques: de volta à casa,
cantando um bolero de Valdick Soriano
O BRASIL E O MUNDO perderam hoje, às 8h, vítima de infecção generalizada, após cirurgia,  o grande artista DÉRCIO MARQUES. Violeiro, cantor, intérprete e compositor – muito pouco para descrever a riqueza deste mestre mineiro de Uberlândia, cidadão do mundo, baluarte da cultura popular, da natureza bruta destas terras. O corpo será cremado em Salvador.
Marques ficou conhecido em Vitória da Conquista, principalmente, por dividir palco com Elomar Figueira em várias apresentações.

“Ah, Já Fiz Versos De Tributo, Hoje Só Somente Escuto,
Não Tributo Mais Ninguém; Cada Rosa Seu Perfume,
Ninguém Lava as Mesmas Mãos,
Ninguém Canta Com a Mesma Voz!
Ontem a Lua Foi Airosa, Toda Rosa Perfumosa,
Mas o Tempo Deu-me Tempo Prá Pensar
Ah, E Eu Seguisse a Cada Passo, Cada Traço Do Pincel,
Cedo ou Tarde Eu Ia Ver, Escorregar Na Tinta Fresca,
Me Mesclar Com a Cor Vermelha, Eu Iria Me Perder.”
(Dércio Marques)

sábado, 23 de junho de 2012

Seleção Google - 100º ano de nascimento de Alan Turing

Ele foi um dos primeiros a pensar na possibilidade de as máquinas se tornarem inteligentes e criou um modelo teórico para um computador universal - quando isso sequer existia. Mais conhecido por seu papel na II Guerra Mundial - sua equipe decifrou os códigos usados pela Alemanha nazista para se comunicar -, o matemático britânico Alan Turing foi um visionário sem o qual este mundo moderno de iPad, smartphones e Facebook talvez não tivesse se tornado realidade. Nascido em 23 de junho de 1912, seu centenário está sendo celebrado pelo mundo inteiro não só neste sábado, mas ao longo de todo este ano.
Turing formalizou os conceitos de algoritmo e computação - com a Máquina de Turing - e por isso é considerado o 'pai' da computação moderna. Ele também escreveu o que pode ser considerado o primeiro programa de xadrez para computador e dedicou-se ainda à química, à física e à biologia.
Ente as inúmeras ações para comemorar o centenário do cientista está o Turing's Sunflowers. Fascinado pelo modo como a matemática funciona na natureza, ele observou a ocorrência da sequência de Fibonacci nas sementes de girassol, no centro da flor, e imaginou que estudar a planta ajudaria e entender seu crescimento. Mas morreu sem completar o trabalho.

Girassóis, com Pouca Vogal



Numa homenagem a Turing, o Museu da Ciência e Indústria e o Festival de Ciência de Manchester, com apoio da universidade e prefeitura locais, promovem o Turing's Sunflowers. O objetivo é cultivar girassóis em numero suficiente para reunir os dados necessários e seguir com o estudo do britânico. Para participar, é preciso cultivar a flor, fazer a contagem das sementes, em setembro e outubro, e compartilhar os dados. Os resultados serão anunciados durante o Festival, que se realiza de 27 de outubro a 4 de novembro.
O "Alan Turing Year" (Ano de Alan Turing) tem eventos praticamente todos os dias nos mais diversos lugares, e uma organização, o Turing Centenary Advisory Committee. No site do centenário de Turing é possível ver uma lista de conferências, exposições, debates, competições, concursos, projetos e demais atividades, que incluem música, literatura e vídeo, e ainda assinar as petições em favor de Turing, do perdão póstumo até estampar a próxima série de notas de 10 libras.
Preconceito, morte e desculpas públicas
Turing era brilhante, mas também era homossexual - numa época em que isso era ilegal, perseguido e considerado uma doença na Inglaterra. Foi processado, humilhado e, para não ser preso, teve que se submeter ao 'tratamento' com injeções de hormônio feminino. Pouco antes de fazer 42 anos, Alan Turing morreu por ingestão de cianureto - suicídio, embora a mãe de Turing tenha defendido que a morte fora 'acidental'.
Em setembro de 2009, depois de uma campanha pela internet que angariou milhares de apoiadores, o então primeiro-ministro britânico Gordon Brown pediu desculpas formais públicas, em nome do governo do Reino Unido, pelo tratamento vergonhoso dado a Alan Turing.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Erundina continua sendo Erundina


Em Política, quase sempre, é preciso
fechar o nariz e seguir em frente
Fernando Haddad com Luiza Erundina
Não se pode demonizar a deputada Luiza Erundina por causa de gente como Paulo Maluf e José Serra - estes, sim, irmãos siameses. Erundina já "pisou na bola" em outras oportunidades, como quando aderiu ao governo de Itamar Franco, mas o fez por erro político e não por rancor e inveja como fizeram Marina Silva, Heloisa Helena, Cristóvan Buarque e assemelhados. Erundina era a melhor parceira que o ex-ministro Fernando Haddad poderia ter: competente, honesta, não está na política para mudar de classe (ao contrário de alguns petistas). Infelizmente, para governar São Paulo em favor das populações pobres é preciso fazer aliança até com Maluf.  As críticas da mídia chapa branca de São Paulo à aliança do PT com o partido de Maluf fez lembrar do PT ingênuo dos primeiros anos de existência. E trouxe à lembrança casos de prefeitos petistas recém-eleitos que como primeiro ato baixavam a tarifa do transporte coletivo - esse imenso foco de corrupção - e por conta disso atraiam os ódios dos setores conservadores e corruptos, em especial do empresariado e da mídia. Fixar a tarifa do ônibus em um valor justo era uma ação necessária, mas pura ingenuidade. O resultado era que as empresas compravam uma sentença judicial que aumentava novamente as tarifas e as elevavam ainda mais; a mídia corrupta anunciava para a população que a culpa da alta dos ônibus era do PT; as empresas de ônibus continuavam pagando propina para os partidos de sempre (e os jornalistas de sempre); o juiz corrupto levava uma bolada e nas eleições seguintes o povão influenciado pela mídia rejeitava o prefeito petista e recolocava na Prefeitura os corruptos de sempre. Ou seja: pior do que a corrupção é a ingenuidade, porque esta "legitima" a corrupção aos olhos dos eleitores. É uma pena que Erundina tenha deixado a chapa de Haddad, mas o mais importante é que ela deixou de ser vice, mas não deixou de ser Erundina.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Caravana da Anistia chega a Santa Catarina para analisar abusos da ditadura militar

Comissão do Ministério da Justiça irá avaliar denúncias de catarinenses que foram perseguidos após o golpe militar de 1964. Programação também conta com eventos culturais


Entre os dias 18 e 22 de junho, a Faculdade Cesusc (Complexo de Ensino Superior de Santa Catarina), em Florianópolis, sediará a 59ª Caravana da Anistia do Ministério da Justiça. A programação prevê a exibição de filmes e documentários, debates, atividades culturais, lançamentos de livros e mostras fotográfica e de cartoons relatando a Ditadura Militar (1964-1985) e os perseguidos políticos em Santa Catarina e no Brasil.

A caravana também tem a tarefa, ao se instalar nos Estados, de analisar os requerimentos de reparação encaminhados pelos ex-perseguidos políticos da ditadura à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Trata-se da instância que tem a palavra final para reconhecer os abusos cometidos pelo Estado brasileiro e conceder aos ex-perseguidos o direito a uma indenização econômica e o título de anistiado político.

A Sessão Especial de julgamentos de requerimento de ex-perseguidos políticos em Santa Catarina, com a presença do Presidente da Comissão de Anistia Dr. Paulo Abrão, está marcada para o dia 22 (sexta-feira).

“A idéia das caravanas é trazê-la de Brasília para os Estados, onde as pessoas sofreram a perseguição. Também é uma oportunidade de resgate da história e da cidadania no Brasil, aproximando estudantes e a sociedade em geral desses fatos que ocorreram a partir de 1964 na Ditadura”, afirma o presidente do Cesusc, Prudente José Silveira Mello.

A organização diz ainda que as caravanas têm um sentido memorialístico, mas também servem de instrumento de defesa do ambiente democrático que o Brasil desfruta hoje. “Queremos impedir que aqueles fatos se repitam e a democracia no país não seja atacada como foi em 1964”, declara Mello.



Programações culturais e históricas são destaques da Caravana

A Mostra Fotográfica será organizada pelo jornalista e historiador Celso Martins e a Mostra de Cartoons pelo Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) Celso Schröder. Serão lançados ainda livros do historiador Celso Martins - Quatro Cantos do Sol, da Coordenadora do Comitê Catarinense Pró Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos, a escritora Derlei Catarina de Luca – No Corpo e na Alma e da jornalista Louise Benassi – As Lembranças não Morrem.

O evento contará com dois projetos paralelos de cinema: Cinema pela Verdade (Projeto Marcas da Memória), com exibição do filme “Condor” (2007) de Direção de Roberto Mader, e do documentário “Cidadão Boilesen” (2009), Direção de Chaim Litewski. E o CineCesusc Diretos Humanos com exibição do documentário Brazil: A Report on Torture (1971), Direção de Haskel Wexler e Saul Landau.

Após a exibição das obras estão programados debates com o produtor Pedro Asbeg (Cidadão Boilesen), professores e os Conselheiros da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça Virginius Lianza de Franca e Prudente José Silveira Mello e o Ex-Presidente Nacional do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil Raimundo Cezar Britto Aragão.

Sobre os Documentários:


A obra “Cidadão Boilesen” foi premiada no Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, esteve no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo. Sempre aplaudido pelo público e pela crítica, levanta o véu sobre a Operação Bandeirantes (OBAN) - centro de informações e investigações montado pelo Exército do Brasil em 1969, que a coordenava e integrava as ações dos órgãos de combate às organizações armadas de esquerda durante o regime autoritário.

O documentário “Condor” foi vencedor dos prêmios de Melhor Documentário no Festival do Rio e Prêmio do Juri em Gramado em 2007. Ele narra as diferentes versões sobre a “Operação Condor”, conexão entre as ditaduras do Conesul nos anos 70, e apresenta depoimentos emocionantes de algumas vítimas e personagens desse período marcante da história da América Latina.

Já o documenário “Brazil: A Reporto n Torture” (“Brasil, o relato de uma tortura”) relata e encena práticas como pau de arara, choque elétrico, espancamento e afogamento. O objetivo era denunciar no exterior o que ocorria nos porões da ditadura brasileira. O filme foi realizado em 1971, em Santiago, no Chile, para onde os brasileiros foram banidos. O documentário foi uma iniciativa dos cineastas americanos Haskel Wexler e Saul Landau, que estavam no Chile para produzir material sobre o presidente Salvador Allende e souberam da presença dos brasileiros. Quase todos os guerrilheiros que deram depoimentos não assistiram ao filme até hoje. Dois deles se suicidaram alguns anos depois: Frei Tito e Maria Auxiliadora Lara Barcelos, uma das mais próximas amigas da Presidenta Dilma Rousseff, no período da Var-Palmares, no início da década de 70.

Confira a programação:

Dia 18/06
19h - Abertura da Mostra Fotográfica do jornalista e historiador catarinense Celso Martins.

20h - Lançamentos de Livros:
Quatro cantos do Sol
Jornalista e historiador Celso Martins

No Corpo e na Alma
Coordenadora do Comitê Catarinense Pró Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos, a escritora Derlei Catarina de Luca.

As Lembranças não Morrem
Jornalista Louise Benassi

Dia 19/06
19h - Abertura da Mostra de Cartoons organizada pelo Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas Celso Schröder

20h - Bate-papo sobre a importância dos cartoons em publicações independentes na Ditadura com o cartunista Frank Maia

Dia 20/06
8h - CineCesusc Direitos Humanos -Documentário Brazil: A Report on Torture (1971) - Direção de Haskel Wexler e Saul Landau.

10h - Debate Virginius Lianza de Franca - Conselheiro Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

19h - Cinema pela Verdade -Filme Condor (2007) - Direção de Roberto Mader.

21h - Debate Iur Gomes - Cineasta; e Mariana Joffily - Professora Universidade do Estado de Santa Catarina.

Dia 21/06
8h - CineCesusc Direitos Humanos, exibição de documentário sobre a Ditadura Militar no Brasil.

10h - Debate Raimundo Cezar Britto Aragão - Ex-Presidente Nacional do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

19h - Cinema pela Verdade -Documentário Cidadão Boilesen (2009) - Direção de Chaim Litewski.

21h - Debate Pedro Asbeg - Produtor do Documentário; e Prudente José Silveira Mello - Conselheiro Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

Dia 22/06
8h30 - Abertura da Caravana da Anistia com Sessão Especial de Julgamento de requerimento de ex-perseguidos políticos de Santa Catarina.
Paulo Abrão - Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

12h30 - Recesso almoço

14h - Continuação: Caravana da Anistia com Sessão Especial de Julgamento de requerimento de ex-perseguidos políticos de Santa Catarina.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Instituto HSBC Solidariedade premia projetos do terceiro setor


Helio Duarte, diretor do HSBC, Roseli Bassi
(premiada em 2011) e Claudia Malschitzky, do IHS
Criado em 2010, o Prêmio IHS é destinado a reconhecer ações educacionais e ambientais de pessoas e organizações do 3º setor do Paraná dedicadas a transformar as comunidades onde vivem. Uma questão especial vai nortear a premiação neste ano: a influência dos líderes das organizações sociais na garantia do sucesso de suas ações em prol das pessoas assistidas. A capacidade de o projeto se manter a longo prazo, beneficiando gerações futuras, também é um importante critério que será observado nos candidatos ao prêmio.
É o que afirmam o presidente do Instituto HSBC Solidariedade, Helio Duarte, e a diretora do Instituto HSBC Solidariedade, Claudia Malschitzky. Para eles, o reconhecimento de ações do terceiro setor também é uma forma de contribuir com o desenvolvimento do país.

Inscrições

Os vencedores de cada categoria (Educação e Meio Ambiente) irão receber o troféu que leva o nome da médica sanitarista e fundadora da Pastoral da Criança, Dra. Zilda Arns Neumann, além de uma quantia em dinheiro (R$ 50 mil para cada um dos vencedores) a ser empregado na própria instituição e no treinamento da liderança responsável dessa organização.
“Buscamos com o Prêmio IHS reconhecer líderes sociais porque são eles que têm a capacidade de unir esforços em prol de uma causa comum. São os principais responsáveis por engajar e inspirar outras pessoas a realizar ações que beneficiem a sociedade”, afirma a diretora Claudia Malschitzky. “Nosso objetivo é identificar este potencial e apoiá-los para que continuem desenvolvendo projetos e ampliem sua rede de atuação.”

A premiação deste ano será feita no mês de agosto, após uma análise de cada um dos trabalhos inscritos pela comissão julgadora do prêmio. Os interessados em participar do prêmio deste ano podem fazer a inscrição até o dia 1º de julho através do site www.hsbc.com.br/premioihs .

Fazendo jornais nos anos 40

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Seleção Google - 166º Aniversário de Nascimento de Peter Carl Fabergè

O Google está comemorando, nesta quarta-feira (30), o 166º aniversário de Peter Carl Fabergé com um belíssimo Doodle. Ele ficou conhecido pela confecção de seus famosos ovos de Páscoa, chamados de Ovos Fabergé.

casa_faberge (Foto: Reprodução)
Casa de Fabergé, em São Petersburgo
(Foto: Reprodução)
Nascido em 30 de maio de 1846 em São Petersburgo, na Rússia, Fabergé foi um dos maiores joalheiros russos. Criados para os czares, os Ovos Fabergé eram obras-primas do segmento da joalheira. Produzidos com a combinação de materiais como ouro, prata, cobre e platina, os ovos eram oferecidos na Páscoa aos membros da família imperial e, hoje, são disputados por colecionadores ao redor do mundo.
A profissão foi herdada do pai, o também joalheiro Gustav, que fundou a Casa de Fabergé em 1842. Foi na loja do pai que Peter Carl Fabergé aprendeu o ofício, sob os ensinamentos de Hiskias Pendin, homem de confiança da família. Com a morte de seu tutor, em 1882, ele assumiu oficialmente os negócios do pai. Trabalhando com o irmão Agathon, conquistou fama e recebeu encomendas dos homens mais ricos da Rússia.


A Casa de Fabergé tornou-se a maior joalheria russa e, em seus tempos áureos, chegou a ter lojas também nas cidades de Moscou, Odessa, Kiev e até Londres, na Inglaterra. Entre os clientes mais importante estava o czar Alexander III, que anualmente encomendava um dos famosos Ovos Fabergé para presentear sua esposa, Maria Feodorovna.
Em 1916, a companhia foi tomada pelos bolcheviques, durante a Revolução Russa. A Casa de Fabergé foi nacionalizada, e o joalheiro viu-se obrigado a deixar o país. Fabergé morreu pouco tempo depois, em setembro de 1920, sem sequer ter voltado à sua cidade natal. Segundo a família, ele morreu de tristeza.

medalha_faberge (Foto: Reprodução)
Medalha Fabergé (Foto: Reprodução)

 Após sua morte, Fabergé é frequentemente homenageado em todo o mundo. Na Rússia, ele deu nome a ruas, praças, é tema de exposições - uma em um dos maiores museus do mundo, o Hermitage -, inspirou a criação de uma medalha (a Ordem Fabergé) e tem um busto na famosa praça Karl Fabergé. O prédio onde sua loja funcionou durante muitos anos ainda está de pé e abriga uma sofisticada joalheria, próximo ao museu em São Petersburgo.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Seleção Google - 78º Aniversário de Robert Moog





Nesta quarta-feira o Google homenageia Robert Moog, um pioneiro da música, com mais um doodle personalizado e interactivo. O maior motor de busca não deixou passar a data do aniversário daquele que ficou conhecido como o “pai dos sintetizadores” e o seu logótipo transformou-se esta quarta-feira num sintetizador que pode ser tocado virtualmente.

Como tem sido habitual, o Google continua a comemorar efemérides com os seus logótipos interactivos. Depois de no ano passado, por exemplo, ter celebrado o aniversário de Les Paul, músico e co-criador da famosa guitarra Gibson Les Paul, com uma guitarra virtual, agora o internauta pode não só tocar e experimentar o sintetizador como ainda gravar e ouvir as suas composições.

Para que a experiência não seja esquecida e possa ser partilhada, o doodle permite gravar as peças dos utilizadores e partilhar essas mesmas criações nas redes sociais ou em sites pessoais.

Apesar de os sintetizadores já existirem na altura, Robert Moog transformou a música pop na década de 1960 ao inventar e produzir um pequeno teclado sintetizador, que era facilmente transportável como também simples de usar.

Os Beatles e os The Doors foram algumas das bandas que imortalizaram o instrumento musical, que mais tarde acabou por cair em desuso. No entanto, hoje em dia têm surgido bandas e artistas a usar novamente este sintetizador nas sonoridades mais electrónicas. Stevie Wonder, Thurston Moore, Radiohead, New Order e os Muse são alguns dos adeptos do sintetizador de Robert Moog. Em Portugal, José Cid usou-o no álbum “10,000 Anos Depois Entre Venus e Marte”.

Robert Moog, que completaria 78 anos se fosse vivo, morreu em 2005 com um tumor cerebral. Três anos antes, em 2002, foi distinguido com um Grammy pela sua inovação tecnológica.

Os doodles comemorativos da Google têm sido mais frequentes e dinâmicos. Ainda no ano passado, Freddie Mercury foi lembrado com um doodle musical de “Don’t stop me now”. Até hoje, um dos doodles interactivos de maior sucesso foi o dos 30 anos do PacMan, em que foi possível ao internauta jogar o mítico jogo no logo da Google.