sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Cachaça, amendoim e maria-mole

Palladino: "craque nas fraudes era o patrão"
Esse trio de produtos típicos mineiros foi o que o ex-presidente do Banco PanAmericano, Rafael Palladino, disse que recebeu em troca de um negocião: um CDB de um investidor mineiro aplicado no PanAmericano que rendeu a fábula de 697% em um ano. Paladino é primo da mulher de Silvio Santos, ex-proprietário do Banco adquirido pela Caixa Econômica e pelo Banco Pactual, antes de terem sido descobertas fraudes que chegaram a R$ 4,3 bilhões.

Só podia dar nisso, um banco administrado por um professor de Educação Física, ex-personal trainer - caso de Rafael Palladino. À Polícia Federal, SS o tachou de "craque das fraudes" e recebeu a resposta do primo de Íris Abravanel de que "o craque era ele, Silvio".

É bem provável que ambos estejam falando a verdade.

A seguir, a entrevista do ex-banqueiro à revista Exame:

EXAME ONLINE, 10/11/2011
 
“O craque era o Silvio”, diz Palladino

São Paulo - Ex-personal trainer, formado em educação física e primo da mulher de Silvio Santos, Ra­fael Palladino, de 61 anos, é acusado de ser um dos líderes da organização criminosa que provocou um rombo de 4,3 bilhões de reais no PanAmericano.

Inquieto e com olheiras profundas, o ex-presidente do banco deu entrevista a EXAME no escritório de sua advogada, em São Paulo. Leia os principais trechos da entrevista.
EXAME - Silvio Santos disse em depoimento à PF que o senhor é o craque da fraude, que não é possível que o senhor não seja o autor...

Ra­fael Palladino - O craque era ele. Eu sou empregado dele. Quem dera eu fosse craque como ele. Eu poderia fazer ilações, mas não vou fazer.

EXAME - O senhor disse que Wilson de Aro, o seu braço direito no banco, teria assumido a responsabilidade pelas inconsistências contábeis porque ele não queria que o PanAmericano quebrasse. Então, ele o pegou de surpresa com a história da fraude?

Ra­fael Palladino - O Wilson era o cara de confiança do grupo. Ele comandava comitês financeiros do grupo inteiro. Ele me contou o que eles haviam feito e que, se não tivessem feito isso, o banco quebraria. Eu fui pego de surpresa, sim. A Deloitte fazia relatórios trimestrais.

O comitê de auditoria fazia relatórios mensais. A KPMG ficou um ano lá fazendo auditoria para a Caixa. Na minha posição, eu jamais teria conhecimento da fraude. Só se eu fosse o contador.

EXAME - E como se explica o CDB do investidor mineiro que rendeu 697% em menos de um ano? Foi milagre?

Ra­fael Palladino - Todo mundo diz que ganhei com essa história. Sim, ganhei. Sabe o que ganhei? Uma cesta de produtos de Minas: cachaça, amendoim e maria-mole.

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