Governo de São Paulo contra a redução da conta de luz
Autor: Carlos Cavalcanti, Diretor-titular do Departamento de Infraestrutura
(Deinfra) da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).
 |
| Anastasia, Richa e Alckimin: os 3 Patetas do DEMO/PSDB |
É com tristeza que a população de São Paulo
assiste seu governo estadual militar contra a redução do preço da conta
de luz. No momento em que o governo federal adota política correta para
garantir maior competitividade, e o aumento do poder de consumo de
todos, a Cesp, controlada pelo Palácio dos Bandeirantes, se furta em dar
sua contribuição, conforme publicado em artigo ontem no BRASIL
ECONÔMICO. Construir uma Usina hidrelétrica é caro. O investimento deve
ser pago (amortização) por meio de um crediário de 30 anos, arcado pelo
consumidor. Produzir energia em hidrelétricas é barato. Em média, não
passa de R$ 7,00 por MWh. Mas essa energia é vendida pelas empresas
estatais a R$ 95,00, mesmo depois de pagarmos esse preço elevado por 60
anos! Não tem conversa: é questão de justiça que o preço seja reduzido, o
suficiente para cobrir o custo de produção, e o mais importante, que
seja expurgado o valor embutido da amortização. Afinal de contas,
crediário tem que ter data para acabar. Os atuais concessionários, aí
incluídos os governos de São Paulo, Minas e Paraná, passaram cinco anos
em campanha pela reprorrogação das concessões. Mas não gostaram da forma
como saiu. Eles também queriam os preços velhos. Todos pagam contas de
luz no fim do mês: indústrias, comércio, escritórios e residências.
Descontá-las em 20%, reduzirá o preço de todos os produtos e serviços
praticados no Brasil. Mas isso não é tudo. Cada R$ 1 pago na conta de
luz, leva a outros R$ 2 embutidos nos preços de tudo o que consumimos.
Cabe perguntar: qual o estado mais populoso do Brasil? Qual o estado com
indústria, comércio e empresas de serviços mais fortes no Brasil? Não é
São Paulo? Portanto, inegavelmente, São Paulo deve dar sua
contribuição, porque os paulistas serão os maiores beneficiados. Não é
assim que age nosso governo do estado. É desastroso que pense apenas nos
seus interesses como acionista da Cesp. Tristemente, lança mão de
mentiras para encobrir sua intenção. A Cesp tem buraco financeiro
resultado de péssima administração. Ela retardou a redução de sua dívida
contábil para aumentar a distribuição de dividendos aos seus
acionistas. Essa dívida foi inflada, porque a Cesp herdou passivos de
distribuidoras e da CTEEP, privatizadas. Ela é usada descaradamente pelo
governo do estado para empregar apadrinhados políticos. A Cesp foi
oferecida a leilão duas vezes e, em ambas, não apareceram interessados.
Para ser viável, o mercado sabe que a Cesp precisa praticar preços
altíssimos, e artificiais, para dar conta de seu rombo. Esse é o
desespero dos nossos governantes. São Paulo está vendido em sua política
de energia.Ogoverno estadual reajusta o preço do gás natural,
beneficiando apenas concessionárias, sem reduzir a margem de
distribuição, de sua competência, e a carga tributária estadual. Nosso
governo nada fez para criar infraestrutura para a exploração do pré-sal
no estado.O porto de São Sebastião continua inoperante e a rodovia dos
Tamoios, intransitável. AFiesp fez acampanha“energia a Preço Justo” para
beneficiar toda a população brasileira. Inclusive os brasileiros de São
Paulo. Ganhamos. Mas fica, para todos nós, a sensação de vergonha do
comportamento do governo de São Paulo.
Publicado no jornal BRASIL ECONÔMICO, em 5/12/2012
Nenhum comentário:
Postar um comentário