quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Governadores DemosTucanos de SP, PR e MG querem que o País e o Povo se fodam

Governo de São Paulo contra a redução da conta de luz

Autor: Carlos Cavalcanti, Diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

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É com tristeza que a população de São Paulo assiste seu governo estadual militar contra a redução do preço da conta de luz. No momento em que o governo federal adota política correta para garantir maior competitividade, e o aumento do poder de consumo de todos, a Cesp, controlada pelo Palácio dos Bandeirantes, se furta em dar sua contribuição, conforme publicado em artigo ontem no BRASIL ECONÔMICO. Construir uma Usina hidrelétrica é caro. O investimento deve ser pago (amortização) por meio de um crediário de 30 anos, arcado pelo consumidor. Produzir energia em hidrelétricas é barato. Em média, não passa de R$ 7,00 por MWh. Mas essa energia é vendida pelas empresas estatais a R$ 95,00, mesmo depois de pagarmos esse preço elevado por 60 anos! Não tem conversa: é questão de justiça que o preço seja reduzido, o suficiente para cobrir o custo de produção, e o mais importante, que seja expurgado o valor embutido da amortização. Afinal de contas, crediário tem que ter data para acabar. Os atuais concessionários, aí incluídos os governos de São Paulo, Minas e Paraná, passaram cinco anos em campanha pela reprorrogação das concessões. Mas não gostaram da forma como saiu. Eles também queriam os preços velhos. Todos pagam contas de luz no fim do mês: indústrias, comércio, escritórios e residências. Descontá-las em 20%, reduzirá o preço de todos os produtos e serviços praticados no Brasil. Mas isso não é tudo. Cada R$ 1 pago na conta de luz, leva a outros R$ 2 embutidos nos preços de tudo o que consumimos. Cabe perguntar: qual o estado mais populoso do Brasil? Qual o estado com indústria, comércio e empresas de serviços mais fortes no Brasil? Não é São Paulo? Portanto, inegavelmente, São Paulo deve dar sua contribuição, porque os paulistas serão os maiores beneficiados. Não é assim que age nosso governo do estado. É desastroso que pense apenas nos seus interesses como acionista da Cesp. Tristemente, lança mão de mentiras para encobrir sua intenção. A Cesp tem buraco financeiro resultado de péssima administração. Ela retardou a redução de sua dívida contábil para aumentar a distribuição de dividendos aos seus acionistas. Essa dívida foi inflada, porque a Cesp herdou passivos de distribuidoras e da CTEEP, privatizadas. Ela é usada descaradamente pelo governo do estado para empregar apadrinhados políticos. A Cesp foi oferecida a leilão duas vezes e, em ambas, não apareceram interessados. Para ser viável, o mercado sabe que a Cesp precisa praticar preços altíssimos, e artificiais, para dar conta de seu rombo. Esse é o desespero dos nossos governantes. São Paulo está vendido em sua política de energia.Ogoverno estadual reajusta o preço do gás natural, beneficiando apenas concessionárias, sem reduzir a margem de distribuição, de sua competência, e a carga tributária estadual. Nosso governo nada fez para criar infraestrutura para a exploração do pré-sal no estado.O porto de São Sebastião continua inoperante e a rodovia dos Tamoios, intransitável. AFiesp fez acampanha“energia a Preço Justo” para beneficiar toda a população brasileira. Inclusive os brasileiros de São Paulo. Ganhamos. Mas fica, para todos nós, a sensação de vergonha do comportamento do governo de São Paulo.

Publicado no jornal BRASIL ECONÔMICO, em 5/12/2012

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