segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Da nova série "Tem que Reler"

A série "Tem que Reler" trará textos divulgados na mídia em períodos mais ou menos recentes, que merecem não uma releitura, mas tão somente um avivamento em nossas lembranças. É o caso desse artigo do Paulo Nogueira Batista Jr, divulgado na Folha de São Paulo em 2002, no momento em que o governo(?) FHC levava o Brasil pela terceira vez ao FMI em menos de 4 anos.

Triste fim de Fernando Henrique Cardoso

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.

No início do século 20, Lima Barreto publicou o seu principal romance, "Triste Fim de Policarpo Quaresma". Hoje, alguém bem que poderia escrever todo um tratado sobre o "Triste Fim de Fernando Henrique Cardoso".
A diferença, evidentemente, é que o personagem de Lima Barreto era um patriota exacerbado. Fernando Henrique, ao contrário, não tem muita afinidade com o Brasil. É o típico representante de uma geração de políticos latino-americanos "globalizados", os procônsules da "Nova Roma".
Infelizmente, a "Nova Roma" tem o hábito desagradável de abandonar os seus procônsules à própria sorte. Enquanto lhes convém, os EUA usam e abusam de figuras como Carlos Menem, Alberto Fujimori ou Fernando Henrique Cardoso. Mas não os respeitam. E resolvem, às vezes, tratá-los a pontapés.
O exemplo mais recente desse comportamento foram as declarações de Paul O'Neill, secretário do Tesouro dos EUA, que está com visita marcada ao Brasil.
O'Neill escolheu o pior momento para sinalizar, mais uma vez, que tem restrições a apoiar financeiramente países como o Brasil e a Argentina. Em entrevista a um canal de TV nos EUA, O'Neill observou que o Brasil, a Argentina e o Uruguai precisam implementar políticas adequadas e evitar que os empréstimos externos recebidos "saiam simplesmente do país para contas bancárias na Suíça". Questionado se estava indo à América do Sul com uma oferta de assistência adicional do FMI, o secretário respondeu: "Não, não, não".
Os mercados financeiros entraram imediatamente em pânico. FHC pediu uma retratação e ameaçou não receber O'Neill. Depois, deu-se por satisfeito com alguns esclarecimentos e manifestações genéricas de apoio do governo dos EUA.
Uma encenação de quinta categoria. Convenhamos, leitor, desde quando procônsul pode se recusar a receber um emissário do Imperador?
Outro aspecto algo ridículo do episódio foi a virulência da reação de parte da imprensa brasileira. O pessoal perdeu a compostura e passou a insultar o secretário norte-americano.
Não há dúvida de que O'Neill poderia medir melhor as suas palavras. Os argentinos têm histórias a contar a esse respeito. Mas, francamente, por que imaginar que os EUA teriam, a essa altura, a obrigação de apoiar um empréstimo do FMI (mais um!) ao governo FHC? O Brasil recorreu ao FMI em 1998 e em 2001. Agora quer outro empréstimo para atravessar 2002 e parte do ano de 2003. Não estamos abusando um pouco?
A experiência da Argentina em 2001-2002 demonstra de forma clara que o ambiente em Washington mudou bastante. Tornou-se mais difícil negociar operações de emergência coordenadas pelo FMI. Países como o Brasil, dependentes de capital estrangeiro e financeiramente vulneráveis, atravessarão um período de grandes dificuldades. Os empréstimos, quando vierem, serão mais modestos. E as exigências, maiores.
Os jornalistas brasileiros fariam melhor se reservassem a sua indignação patriótica para o principal responsável pela situação em que nos encontramos: Fernando Henrique Cardoso. Afinal, as políticas econômicas adotadas nos últimos oito anos -sob aplauso, diga-se, de grande parte dos meios de comunicação nacionais- é que deixaram o Brasil à mercê das decisões, humores e preconceitos de Washington e Wall Street.

sábado, 31 de julho de 2010

Sem palavras

As obras são do artista plástico Leonid Afremov, natural da Bielorússia, radicado em Miami (EUA).


quinta-feira, 29 de julho de 2010

Um dia de Gugu (Final)

O idioma usado nas cartas enviadas ao Gugu é o português, apesar de não parecer. Mas tudo bem, dá pra entender numa boa quando a moça conta que “eu xoro çhoro muito”. Veja a criatividade: duas versões para a primeira pessoa do Presente do Indicativo do verbo chorar. Ou a irmã que tem “defiçiemsia memtal”. Dá perfeitamente pra entender o que ela quis dizer, e nem precisa ser muito bom da cabeça pra isso.

Outra conta que precisa “faze enciminaçao”. Perfeito, todo mundo entendeu que o moço da moça não tá dando conta.

Uma outra pede para concluir a reforma da casa, alegando que “almetemos dois comados e não comcegimos terminar, conto chove molha tudo”. Claro como água: fez dois quartinhos, teve que parar a obra, é urgente terminar, porque a chuva não dá trégua.

Outra curiosidade: todo mundo troca o “me” por “mim”. É um tal de “mim ajude”, “mim procure”, “mim faça o favor”, “mim dê uma casa”. Desse jeito ainda vão conseguir mudar a forma do pronome.

Algumas mensagens requerem uma bula para ser entendida, como esta: “Gugu a minha casa tem muitoo tempo qê nao é construida”(???) Provavelmente nós já vimos uma redação desse sujeito naqueles e-mails sobre as provas do Enem.

Outro achou por bem acrescentar uma observação para que o apresentador não se acanhe ao visitá-lo: “Gugu a agente somos uma Familia Pobre mais samos Humildes”. Tipo assim: não vá achar que só porque estamos numa pindaíba de fazer dó a gente vai te esnobar. Tenho a impressão de que o Lula e aquela mania de acabar com o complexo de vira-latas do populacho tem algo a ver com isso.

Quando Gugu saiu do SBT e o Programa passou a ser feito por Celso Portiolli ninguém se apertou. Por via das dúvidas teve gente que começou a carta assim: “oi gugu ou seja agora celso pordioli”.

Pior do que os que não acertam nem o sobrenome do apresentador são os distraídos, que continuam se dirigindo ao Gugu e elogiando ele ter ido pra Record.

E, claro, não podiam ficar de fora os completamente sem noção, que se dirigem ao Gilberto Barros, Faustão, Renato Aragão, Eliana (será que pensam que o Gugu é travesti??)

Gastei 4 horas lendo esse besteirol todo (mais de 900 pedidos). Quando terminei achei de fazer uma gaitice e fiz um pedido esdrúxulo ao Gugu (claro que usei o nome de outra pessoa, começando com M de Mario e G de Giovanonni). Nem recordo o que escrevi, mas entrei no clima dos sem-noção.

Depois de todo esse trabalho voltei ao topo da página para copiar o endereço e eis que descubro que o site não tem nada a ver com o Programa do Gugu, ou do Celso Portiolli. É um tal de “O Sacarolha”, site que oferece coisas singelas como perucas, jogos eróticos para adultos, garotas de tirar o fôlego, receita pra prisão de ventre e pipoca doce, entre outras utilidades.

E no meio dessa coisa toda, talvez para atrair desocupados da Web, exibe com destaque informações sobre “como ir no Domingo Legal pedir para realizarem o seu sonho”. Bem na parte superior da página, como um doce atraindo uma criança, aquela logomarca do Programa Domingo Legal, com letras grandes em amarelo e branco e o triângulo escaleno azul de fundo.

Eu, assim como os 959 otários que me antecederam, caí na armadilha achando que aquilo ia ser lido e selecionado pela Produção do Gugu, ou do Celso Portiolli (ou da Eliana, sei lá).

O dono do site até tentou advertir a turma, mas essa gente não lê nem bula de remédio que pode matar, o que dirá bla bla blá de internet?! De qualquer maneira está lá, na forma de um PS: “Esse site não tem nada a ver com o Domingo Legal ou com o Gugu, portanto não adianta ir nos comentários pedir para eu te dar casa”.

Advertência em vão, pura perda de tempo, como demonstram os 960 pedidos (até ontem, mas a coisa continua crescendo). Incluindo o meu. Ou melhor, do Mario Giovanonni, querido e saudoso amigo.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Um dia de Gugu (Parte I)

Caçando besteira na Web, sem querer caí numa página de supostas inscrições para o quadro Construindo Um Sonho, do Programa Domingo Legal. Curioso, comecei a ler os recados enviados ao Gugu, tarefa que me consumiu 4 horas, já que o número de pedidos passava de 900. A maior parte das cartas era de 2008 e 2009, quando o Gugu ainda estava no SBT.

Encontrei várias curiosidades e descobri que, às vezes, a felicidade pode ser apenas ter um quarto de princesa. Embora também sirva uma decoração de Barbie, Batman, Chiquititas, Dragonball, Homem Aranha, Pequena Sereia, Hight School Music … Depois da casa própria, é o que mais se pede ao animador.

A medida que fui lendo, qual Papai Noel, os pedidos, criei uma classificação informal para selecioná-los:

Tem os “Fúteis”, tais como: curso pra modelo mirim, book, festa de casamento, festa de aniversário, ajuda pra construir uma piscina ...

Há os “Estéticos”: cirurgia plástica, implante dentário, implante de selicone, tratamento para emagrecer, aparelho pra aumentar o pênis ...

Não podiam faltar os “Sexuais”: passar uma noite com o cantor Elymar Santos, conhecer o Luan Santana, o grupo NX Zero, o Roberto Dinamite, ficar com a Joelma da Banda Calypso (engraçado, pra dar pro Chimbinha não apareceu um) ...

E os “Sem noção”: tunar o Passat 78, reformar o Chevette, fazer inseminação artificial, passar férias na Disney … E por aí vai.

Quase todo mundo que escreve para o Programa Domingo Legal apela ao sentimento humanitário do Gugu. Alguns, menos confiantes na sensibilidade social do animador, requerem uma forcinha do Altíssimo: "Sei que vai ler esse e-mail, pois Deus quer que isso aconteça". Ou: “Deus que te abençõe, e que esse email também seje abençoado”. Já outros expõem abertamente a sua desconfiança no animador e vão logo avisando: “espero que isso seja verdade porque até hoje nunca vi ninguém ganhar nada”.

Entre os pedinchões esperançosos proliferam nomes como Máicon, Suelen, Mayame (essa eu nunca tinha visto), Kauane, Kailane, Ketlen, Jackeleny, Crislaine, Stefanny, Talitha , Rickson, Wyllerhson, Jardeilde, Kimberlly … Alguns nomes são curiosíssimos, como Felipe Apocalypse da Silva, de Bragança Paulista (SP), cujo pai deve se chamar Armagedom da Silva ou coisa que o valha. Se alguém aí tem um bebê a caminho pode dispor dessas sugestões à vontade.

Tem gente que apela pra ver se o Gugu fica curioso e vai lá. Caso da Isabela Maciel Pala, 8 anos, que avisa que na sua cidade (não diz qual) apareceu um ET há 10 anos. Pede um quarto de Cinderela, pois tem medo de dormir sozinha e “se o quarto for mágico, cheio de fadas, ajudará a pegar no sono mais fácil”. A carta, tá na cara, foi a mãe que escreveu. Olhem esse trecho e me digam se estou errado: “Minha mãe e meu pai trabalham muito para me dar o que é necessário para minha educação”. Ra ra rá … “o que é necessário para minha educação ...” Se isso é da lavra da menina de 8 anos, então o tal ET que surgiu por lá é ela própria.

A maioria fica tão excitada em escrever ao Gugu que se esquece de deixar o endereço, um telefone pra contato, um e-mail. Outros, precavidos, dão até ponto de referência e o número do orelhão mais próximo pra ter certeza de que ele vai achar a casa. Tem outros que de tão animados esquecem de fazer um pedido; parece que escreveram só pra dizer “oi” pro animador.

(Conclui amanhã)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O fracasso no amor não é obra em vão

O que seria da MPB sem os enjeitados? O que seria da música e da poesia sem os que sofrem uma paixão não correspondida? Pense nisso, na próxima vez que uma gostosona lhe dedicar aquele desprezo. Não se abale, apenas repita: estou contribuindo para inspirar o cancioneiro popular. E seja feliz! Afinal, que atire a primeira pedra aquele/aquela que nunca arrastou um vagão - absolutamente em vão - por alguém! Eivado desse sentimento nobre e otimista, posto o vídeo com o MPB-4 executando a bela "Amigo é pra essas coisas", uma das obras primas de Aldir Blanc. Especialmente para a garotada nascida dos anos 80 pra cá, que desconhece essa bela página da nossa melhor MPB.

Dilma com 41% deixa o Índio Tonto

Desesperado com a Pesquisa Vox Populi que mostrou Dilma 8 pontos a frente do vampiro que come meleca (Dilma 41% X 33% Serra), o vice e ladrãozinho da merenda escolar (vide CPI), Índio de Costas, deu entrevista nos Estados Unidos e revelou que também irá de Dilma. Divirtam-se com a peça, copiada do Blog O Oni Presente.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Vida Maria Vida Maria Vida Mar...

A animação do diretor Márcio Ramos apresenta a vida de Maria, da infância à vida adulta, de uma menina entusiasmada pelo conhecimento à uma mulher que perpetua um estilo de vida marcado pelas adversidades do sertão brasileiro.

"Vida Maria" é um filme curta-metragem realizado com recursos do edital "3º Prêmio Ceará de Cinema e Vídeo", realizado pelo Governo do Estado do Ceará, onde recebeu nota máxima na categoria "Ficção-Animação-Filme". O curta se consagrou nos festivais de cinema em 2007 e encerrou o ano como o filme mais premiado do Brasil.

Aliado de Serra agride eleitor

Como o governador matogrossense do Sul é aliado do vampiro comedor de meleca José Serra, a mídia noticia a agressão sem qualquer referência ao aliado. Se fosse aliado da campanha da Dilma ... Imprensa "independente" é isso aí!

MS - Governador agride rapaz durante passeata

André Puccinelli agride rapaz durante passeata em Campo Grande
Rodrigo Alvares, Agência Estado
O governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), candidato a reeleição, deu um tapa de mão aberta no rosto do eleitor Rodrigo de Campo Roque, 23 anos, montador de acessórios para automóveis.
A agressão aconteceu no bairro Aerorancho II, na periferia de Campo Grande, onde Puccinelli e comitiva estavam realizando passeata. Rodeado por moradores do local, começou a conversar com as pessoas, falando sobre as obras públicas realizadas em seu governo.
Ao dirigir a palavra para o rapaz, perguntou-lhe; “Você lê jornais? Você notou quanto que esse governador já fez por Campo Grande e pode fazer muito mais?”.
A resposta foi fulminante: “Li também que o senhor é ladrão”.
Daí veio o tapa, assistido por pelo menos 50 pessoas. Rodrigo foi imediatamente dominado pelos seguranças e colocado em uma viatura policial, por volta de 19h de ontem (21).
Levado para o Cepol (Centro Integrado de Polícia Especializada), onde teve que assinar declaração de que “cometeu injúria real contra o governador”, e só foi liberado as 2h da madrugada de hoje, pelo delegado do Cepol, Paulo Henrique Sá.
O governador está fazendo campanha política protegido por um forte contingente policial porque não deixou o cargo. O vice-governador e o presidente da Assembleia Legislativas também são candidatos, não podem assumir o governo e o presidente do Tribunal de Justiça, diz não ter condições para tanto.
Uma situação que livrou o governador de ser processado. Houve pedido para processá-lo, mas os 24 deputados estaduais negaram. O motivo é o fantástico crescimento do poder aquisitivo de Puccinelli, verificado depois que foi eleito prefeito de Campo Grande.
Nem o governador nem sua assessoria comentam o episódio da agressão.

sábado, 17 de julho de 2010

João Plenário garante: Serra phode mais


O deputado João Plenário (DEMO/PSDB-SP) anunciou que irá coordenar a campanha de José Serra para a presidência da Praça é Nossa. O atual presidente, Carlos Alberto de Nóbrega, cumpre seu noningentésimo mandato  no banco da Praça e não pode mais se reeleger. Além de Serra, disputam a Presidência da Praça é Nossa a senadora Traíra da Selva (PVC-AC), o presidente do Instituto BHC, Brochado Henrique Cardoso,  e a vice-prevaricadora do TSE do B, Sandra Curió.

Serra é considerado favorito para substituir Carlos Alberto por conta de seu aeroporto de mosquito, que faz lembrar o fundador da Praça, o ex-panetoneiro José Roberto Arruda. Já Traíra da Selva , com o discurso da preservação na minha natureza, é a preferida dos fãs da saudosa Vera Verão. Renegado pelo eleitorado, com a exceção honrosa do jornalista Angú do Nunes, BHC promete protagonizar o quadro da velha surda em parceria com o senador Angú Virgílio, como Apolônio. E a vice-prevaricadora Sandra Curió quer trazer para a Praça é Nossa o dublê do Bozó, Marco Aurélio Mellado, com quem irá representar o simpático casal de italianos Vitório e Marieta.

As eleições foram marcadas para o dia 4 de outubro.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Você sabe reconhecer um Traíra?

Que José Serra é um traíra tudo mundo sabe. Mas vale a pena lembrar como esse traíra se posicionou na Constituinte na 1988, quando os interesses do trabalhador que vive de salário estavam em jogo. Vamos lá:

1. Redução da jornada de trabalho de 48 para 40 horas - Contra
2. Garantia de aumento real do salário mínimo - Contra
3. Abono de férias de 1/3 do salário - Contra
4. Garantia de 30 dias de aviso prévio - Contra
5. Aviso prévio proporcional - Contra
6. Estabilidade do dirigente sindical - Contra
7. Direito de greve - Contra
8. Licença paternidade - Contra

Não bastasse tanta trairagem, ele também foi contra a Nacionalização das reservas minerais.


Os dados são do Diap (Departamento Intersindical de Acompanhamento Parlamentar)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Pedagiômetro de José Serra

Clique no Pedagiômetro para conhecer mais essa farra Demo/Tucana em São Paulo, Estado que é refém consentido da corrupção há 16 anos! Com a proteção garantida da mídia aliada e reverente.

Trinta anos sem Poesia

No dia 9 de julho de 1980 o Brasil perdia um de seus melhores e maiores poetas populares, Vinícius de Moraes. Foi-se com somente 67 anos, numa época em que homens e mulheres passam dos 100. Levaram-no, de maneira um tanto precoce, o uisque e as mulheres.

Para relembrá-lo e celebrar a sua existência vai um vídeo de um de seus melhores momentos: Tarde em Itapuã:

terça-feira, 6 de julho de 2010

E não é que o PSDB/DEMO queria vender a Petrobras por moeda podre?!

Quem não lembra que o governo FHC estava preparando a privatização da Petrobras a troco de moeda podre? Chegou até a mudar o nome da empresa para Petrobrax!

Pois é, isso foi em 2001. Cerca de 5 anos depois, em 2006 a Petrobras anunciou a descoberta do Pré-Sal, uma "montanha" de petróleo capaz de alçar o Brasil à 8ª posição mundial entre os grandes produtores.

Um certo vampiro que come meleca é contra a exploração desse petróleo, acha que vai poluir mais o mundo. Veja o que disse o Índio de Escola de Samba, que é vice do vampiro:

- É melhor que a humanidade continue viva que o Brasil enriqueça e as pessoas morram.

Primeiro, ninguém vai morrer porque o Brasil achou um continente de Petróleo. Segundo, por que esse demo/tucano não tenta convencer a Exxon e fechar seus poços no Oriente Médio para não poluir o mundo? Terceiro, a Petrobras possui tecnologia para explorar o óleo e recompor o meio ambiente. Quarto, esse Índio entende mesmo é de desviar recursos da merenda escolar, como mostrou uma CPI.

O Pré-Sal não é só riqueza para o Brasil se desenvolver mais e criar sistemas de Educação e de Saúde de nível internacional. Significa, entre outras coisas, empregos de qualidade para os brasileiros que investirem em sua formação técnica e científica.

Assistam o vídeo feito pela TV O Dia em uma plataforma marítima da Petrobras no litoral fluminense. E lembrem-se de que o Brasil quase entregou tudo isto para investidores internacionais, a troco de moeda podre. Como fez com a área de telefonia, de mineração e siderurgia e com parte da área de energia.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Venceu o melhor! Por que lamentar?


Dunga arcará com todo o ônus da derrota do Brasil, e é bom que evite dar uns rolés por aí, pelo menos por uns tempos. Mas, convenhamos, não foi o único responsável pelo vexame da Seleção Brasileira ante a Holanda. Não entendo nada de futebol, mas pelo que assisti desde o jogo contra a Seleção da Coréia do Norte a derrota para os holandeses não me surpreendeu.

Dos jogadores brasileiros, um dos poucos que me convenceu foi o goleiro Julio Cesar, aguerrido o tempo todo. Kaká, com seu falso moralismo, ficou cavando faltas em todos os jogos que assisti. Recebeu ótimos passes, à frente do gol, e não conseguiu converter porque perde tempo demais ajeitando a bola.

Robinho foi outro parasita em campo, mas esse pelo menos é ágil e veloz, e por isso conseguiu marcar algum. Mas nada que justifique o ufanismo do Galvão. No gol contra a Holanda, Robinho apenas recebeu a bola, estava adiantado, virou-se e marcou. Galvão disse que foi uma jogada sensacional (ou coisa parecida).

Lúcio é um capitão estilo capitão Dunga, que só lidera quem é mais obtuso que ele. O resto da equipe nem merece comentário.

Mas, pensando com a cabeça fria, o resultado não foi tão ruim. A única coisa que lamento é o fim do clima de feriado que reinava nos dias de jogo da Seleção. A derrota nas quartas de final foi melhor do que se acontecesse na finalíssima. Ainda mais se fosse contra a Argentina. E a vitória do Brasil, este ano, tornaria a Copa de 2014 uma chatice para os brasileiros. Será muito melhor - e imprescindível - vencer em 2014, quando seremos anfitriões da festa.

E se alguém está se sentindo muito chateado com a derrota de hoje, pense no que será uma derrota daqui a 4 anos, na nossa casa! Pé de pato mangalô três vezes!

Enfim, viva a porra da Holanda, que venceu com uma equipe aguerrida e um futebol que deu gosto assistir!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Colchões Probel ou Colchões Problema?



Dia desses resolvi comprar um colchão novo e quase fechei negócio com um da marca Probel. No instante fatal suspendi a compra porque achei melhor, antes, consultar o oráculo, que não é de Delphos, mas de Google.

Pois foi minha sorte: abri a página de pesquisa e lasquei a combinação: colchão+probel+reclamações. Foi clicar e me deparar com uma penca de queixas contra esse fabricante outrora renomado.

Tem gente reclamando que o colchão “desbeiçou” com um mês de uso, outros que as molas soltaram, outros que a madeira da armação é de caixote de feira, e por aí afora.

Mas não é só: a tal garantia de 10 anos ou 5 anos que a Probel anuncia é pra inglês ver, como se diz.

Um carioca conta que a Probel se escusou de atendê-lo alegando que não possui representação no Rio de Janeiro.

Outro consumidor conta que a empresa propôs recolher o colchão defeituoso e entregar outro só após 35 dias, tempo em que ele deveria dormir no chão.

Um terceiro teve o colchão substituído, mas o novo também “desmoronou”.

Já outro cansou de bater boca com a atendente da assistência técnica – após infinitas tentativas de conseguir completar a ligação – e resolveu assumir o prejuízo.

Torto, molas arriadas, madeiramento de caixote de feira, mal atendimento, falsa garantia … Enfim, são múltiplas e variadas as reclamações dos consumidores. E elas se estendem, também, às redes de lojas que vendem os tais colchões, como as Casas Bahia e o Magazine Luiza, especialmente estes dois.

A questão, que nem a Probel nem os varejistas esclarecem aos consumidores, é que esses colchões são produtos de segunda linha (melhor dizendo, de quinta), fabricados especificamente para ser vendidos nessas redes populares, onde só os preços não são populares.

O sujeito se deixa cegar pelo modismo – e a moda hoje é ter uma cama box – e adquire um produto de péssima qualidade (pelo que se depreende das reclamações), pagando por ele R$ 500, R$ 700 ou mais.

Isso se pagar a vista ou parcelar no cartão de crédito (pouco comum nas classes D e E). Se usar o cartão da loja (creio que a opção da maioria), o preço saltará para cerca de R$ 1.100, divididos em 12 parcelas.

A melhor solução para os consumidores que se sentirem lesados é recorrer à justiça por meio dos Juizados Especiais Cíveis (os antigos Juizados de Pequenas Causas). É relativamente rápido e sem custo, mas é preciso atenção para algumas particularidades dessa justiça simplificada, que tratarei em outro texto, brevemente.

Agora, confira aqui algumas das reclamações dos consumidores da Probel.

Assim na terra como no céu

Chegou enfim o carro-avião, uma geringonça que voa e também trafega nas ruas e estradas. O protótipo foi apresentado pela empresa Terrafugia e aprovado na Federation Aviation Administration (FAA), a agência reguladora da aviação dos Estados Unidos. Só falta passar pelo teste de colisão para o veículo entrar em ritmo de produção industrial.

Mas, alto lá: além de não ser para o bico da turma do Bolsa Família (US$ 200 mil), o veículo depende de uma área aberta para pousos e decolagens. Ou seja, é bastante remota a possibilidade de vermos novos ricos da EcoVille desembarcando da auto-aeronave em um dos office building da Comendador Araújo.

Nos anos 60, quando eu lia edições antigas das Seleções do Reader Digest na biblioteca do meu avô, lembro-me de ter ficado encantando com uma propaganda que prometia para breve essa maravilha do carro-avião. Tratava-se de uma propaganda pró-esforço de Guerra, exibida em uma edição de 1944 ou 1945 da revista. Aquilo era apresentado como benefício que a tecnologia desenvolvida para a Guerra traria às populações após o fim do conflito, com a vitória dos aliados.

Demorou quase 70 anos, mas está aí. Apreciem o vídeo a seguir:

domingo, 27 de junho de 2010

A dura vida de Dilma na prisão da ditadura

Da revista IstoÉ

A torre das donzelas

Como era a vida de Dilma Rousseff na masmorra que abrigava presas políticas durante o regime militar no presídio Tiradentes

Durante quase três anos, Dilma Rousseff, a candidata do PT à Presidência da República, morou na Torre das Donzelas. A construção colonial não pertencia a nenhum palácio. Encravada no presídio Tiradentes, em São Paulo, ganhou o singelo nome por abrigar presas políticas do regime militar. Para chegar à Torre, Dilma e suas companheiras atravessavam um corredor com celas em uma das laterais. Os cubículos eram ocupados pelas corrós, as presas correcionais, tiradas de circulação por um mês, em geral por vadiagem ou prostituição. Essas mulheres costumavam ficar seminuas ou com a roupa virada pelo avesso, para se apresentarem em trajes limpos quando liberadas.

COMPANHEIRAS DE CADEIA
Dilma, Eleonora, Guiomar, Rose e Cida na época em que foram presas
“Terrorista! Linda! O que você está fazendo aqui?”, gritavam as corrós ao verem passar uma nova presa política. Depois do corredor, havia um pequeno pátio. Em seguida, vinha a Torre. Dilma atravessou o corredor das corrós em fevereiro de 1970, aos 23 anos, após mais de 20 dias nos porões da repressão política. “Ela chegou fragilizada pela tortura, mas logo se recuperou”, lembra a jornalista Rose Nogueira, 64 anos, que passara pelo mesmo processo três meses antes.

O presídio Tiradentes, onde Dilma esteve presa, já havia sido usado para encarcerar
os estudantes detidos no Congresso da UNE em Ibiúna (SP), em 1968.
Na era Vargas também abrigara presos políticos, entre eles o escritor Monteiro Lobato
Ao entrar pela primeira vez na Torre, Dilma viu as celas pequenas do térreo e duas escadarias laterais que saíam de uma espécie de hall e se encontravam no piso superior. Nesse andar, havia a cela 4, chamada de celão, pois se espalhava por 80 metros quadrados. Tinha também a cela 5, mais tarde adaptada como cozinha, e a 6, que Dilma dividiu com outras mulheres. “No começo, ficávamos na tranca o tempo todo”, conta a advogada Maria Aparecida Costa, a Cida Costa, 65 anos, uma das ocupantes da cela 6. Depois de algumas semanas e muitas reivindicações, as celas passaram a ficar abertas durante o dia.
Não demorou para que as donzelas da Torre se agrupassem, primeiro com base nas organizações clandestinas às quais pertenciam no “mundão”. Porque a Torre, no vocabulário das presas, era o “mundinho”. Mas as afinidades pessoais também contavam muito, como relata a médica e pesquisadora Guiomar Silva Lopes, 66 anos. “No mundão, o vínculo era de vida e morte”, diz Guiomar. “Na cadeia, estabelecemos uma relação de confiança inabalável.” Dilma é até hoje lembrada pelo espírito solidário. Durante um período, cuidou de uma estudante de arquitetura. “Quando a menina chegou da tortura, estava muito desestruturada emocionalmente”, afirma a advogada Rita Sipahi, 72 anos. “A Dilma ficou de olho nela o tempo todo para evitar que cometesse algum desatino.”

Com a possibilidade de circular entre as celas, as presas políticas tentavam curar as feridas umas das outras e também se organizavam. Havia escala para as tarefas da limpeza e da cozinha. Com os víveres levados pelas famílias, elas preparavam as próprias refeições. Algumas conseguiam bons resultados, embora só contassem com dois fogareiros elétricos. Outras, nem tanto. A dupla mais desastrada na cozinha era formada por Dilma e Cida. “Não dominávamos a arte do tempero”, reconhece Cida. Numa ocasião, as duas resolveram caprichar no preparo de um prato de legumes. Acabaram servindo uma sopa de quiabo intragável. “Ficamos um pouco frustradas com o resultado, pois havíamos nos esforçado.”
Dilma se sobressaía nos grupos de estudo. “Ela é muito engenhosa na macroeconomia”, elogia outra companheira da Torre, a economista Diva Burnier, 63 anos. Na cadeia, Dilma, que abandonara a faculdade por causa da clandestinidade, dava aulas de economia para as colegas e participava dos debates. Num deles, defendeu a ampliação dos limites marítimos do Brasil. “Embora fosse uma iniciativa dos militares, Dilma apoiava, pois acreditava ser uma questão de soberania”, recorda Rose. “Hoje é fácil perceber a importância daquela decisão, tanto por causa da biodiversidade como pelo pré-sal.”

Diante do Tiradentes, mães de estudantes fazem protesto contra a prisão de seus filhos. As mães das “donzelas da Torre” chegavam para as visitas nas tardes de sábado. Era o contato delas com o “mundão”
Aos 82 anos, a advogada Therezinha Zerbini, mulher do general Euryale de Jesus Zerbini, cassado em 1964, também recorda de Dilma com admiração. Presa na Torre durante o ano de 1970, Therezinha se destacava tanto pela origem quanto por ser uma senhora entre a população carcerária extremamente jovem. “As amigas dela me chamavam de ‘burguesona’ e ela me defendeu. Ela tinha uma liderança nata”, diz Therezinha. Quando precisava, Dilma endurecia. No final do ano, Therezinha estava bordando o vestido que a filha usaria no Réveillon quando um grupo de militares a procurou. “Acho que queriam me convencer a entrar num programa de arrependidos”, diz, referindo-se aos presos que foram à tevê renegar a opção pela resistência ao regime. “Não quis atendê-los. Eles voltaram mais tarde e, quando eu estava mandando-os ir embora, a Dilma gritou: ‘Dá duro neles, Therezinha. Se precisar, nós colocamos todos para fora’ .”

Naqueles tempos, a atitude desafiadora só seria possível mesmo no presídio Tiradentes. Como muitos torturadores costumavam repetir durante as sessões que promoviam, o Tiradentes “era o paraíso”. Isso porque, ao entrar no presídio, a pessoa estava com a prisão reconhecida pelo Estado. Às vezes, era levada para interrogatórios em outras instituições, mas praticamente não corria risco de morrer ou “desaparecer”. Na escala macabra estabelecida nos porões do regime, a Operação Bandeirante (Oban) era o inferno, ficando o purgatório por conta da Delegacia Estadual de Ordem Política e Social (Deops). Como várias companheiras de cadeia, Dilma passou pelo inferno e pelo purgatório antes de chegar à Torre.
Por conta das sevícias, sofreu uma disfunção hormonal que levou anos para ser curada. Não perdeu, porém, o gosto pela vida. Com Cida, passava horas lendo os livros de ficção científica. Quando o rodízio do único aparelho de tevê da Torre caía em sua cela, entrava na madrugada vendo os filmes da sessão “Varig, a dona da noite”. Aprendeu até a bordar. “Ela fez uma tapeçaria com flores coloridas, que colocamos na parede”, lembra Rose. Na Copa do Mundo de 1970, acompanhou os jogos de perto. “A Dilma torceu muito pela Seleção Brasileira”, diz a socióloga Rosalba de Almeida Moledo, 66 anos.

Criado em 1852, o presídio Tiradentes recebeu no começo escravos recapturados.
A Torre das Donzelas, onde ficaram Dilma e suas companheiras, é a construção redonda ao centro. Todo o complexo foi demolido a partir de 1973, durante a construção do metrô
No período em que o advogado Carlos Franklin Paixão de Araújo, seu companheiro, permaneceu encarcerado no Tiradentes, Dilma se comunicava com ele com a ajuda dos presos comuns. A rota usada por ela e outras presas políticas consistia em baixar mensagens por meio de uma corda artesanal, chamada “teresa”, para a carceragem dos “comuns”, que ficava embaixo da Torre. “De cela em cela, as mensagens chegavam ao destinatário, na ala dos presos políticos”, comenta Guiomar. “O recurso também era fundamental para sabermos o que estava acontecendo lá fora.”
Outro canal com o “mundão” eram as visitas, nas tardes de sábado, a maioria proveniente da capital paulista. “Nossas famílias, de Belo Horizonte, não conseguiam viajar com tanta frequência”, diz a pró-reitora da Universidade Federal de São Paulo, Eleonora Menicucci de Oliveira, 66 anos. “De qualquer forma, a mãe da Dilma e o irmão dela conseguiam vir bastante. Era uma alegria.” Para a mãe e as irmãs de Eleonora, viajar era mais complicado. Elas cuidavam de Maria, a filha de Eleonora, que tinha apenas um ano e dez meses quando a mãe foi presa.

Conhecidas desde os tempos em que estudavam em Belo Horizonte, Dilma e Eleonora comemoravam com as meninas da Torre o Natal, o Réveillon e o Carnaval. As fantasias eram improvisadas, é claro, mas havia até desfile no “celão”. No caso de Dilma, as estratégias para manter o moral elevado atrás das grades também passava pelo humor. “Ela pôs apelido em todas nós”, conta Rita. “Uma era a Ervilha, outra a Moló, porque tinha jogado um coquetel-molotov em uma ação.” Essa faceta pouco conhecida de Dilma é ressaltada por outras entrevistadas. “Ela tem um humor impagável”, garante Eleonora. Quando a hoje presidenciável deixou a Torre, as companheiras de cadeia repetiram o ritual criado para o momento da libertação: cantaram “Suíte do Pescador”, de Dorival Caymmi, que começa com o verso “Minha jangada vai sair pro mar”. Quase 40 anos depois, tudo o que sobrou do presídio foi o portal de pedra, tombado como patrimônio histórico. No final de 1972, a construção de 1852 começou a ser demolida, para a construção do metrô paulistano.

sábado, 26 de junho de 2010

Como nos tempos da Escola Técnica

O "Pequeno Pônei" do CQC zoou com os argentinos usando um controle remoto universal para desligar a TV nos momentos cruciais do jogo Argentina X Nigéria. Me trouxe saudades da Escola Técnica Federal do Paraná, onde eu e um colega, ambos pernas de pau, sacaneávamos a turma do futebol de salão com um apito. Nos escondiamos em uma oficina que ficava colada à cancha e apitávamos aleatoriamente. Até um dia em que fomos surrados. O "Pequeno Pônei" teve mais sorte.

Jorge Benjor e a alegria do povo


Fio Maravilha, que o Jorge Benjor passou a cantar "Filho Maravilha" depois que o atacante flamenguista Fio, homenageado na canção, tentou cobrar direitos autorais na Justiça, é dessas páginas célebres da boa MPB.

Fio, coitado, depois da carreira futebolística virou entregador de pizza nos Estados Unidos. O advogado que o orientou mal ainda deve andar por aí tentando farejar uma grande jogada.

Quem acompanha futebol me conta que o dentuço Fio não foi nenhum gênio do gramado, apenas autor de uma ou outra jogada sensacional no Maracanã, especialmente numa partida contra o Benfica, em 1982, capaz de encantar o flamenguista Benjor e levá-lo a criar o refrão contagiante:

Fio Maravilha, nós gostamos de você ...
(pa pa pa pa pa pa pa pá)
Fio Maravilha, faz mais um pra gente ver!

Até segunda-feira, com Brasil 3 X Chile 1.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Pelo excelente serviço prestado, Judiciário quer mais 56% de aumento

O Poder Judiciário, que presta um serviço ágil, eficiente, competente e acessível especialmente aos cidadãos mais pobres e destituídos de qualquer poder de influência, está pretendendo aumentar os salários de seus dedicados servidores em apenas 56%.

Obviamente é uma causa que todo o povo saberá apoiar, especialmente pela extrema e denodada dedicação de excelentíssimos Juízes, Desembargadores, Serventuários, Assistentes Sociais, Psicólogas e todos os demais servidores desse que, com toda a certeza, é o mais transparente, competente, não-corporativista, despojado e probo dentre os três poderes da República.

O apoio de toda a população é fundamental para tão justa reivindicação, ainda mais quando se tem notícias de que o governo anti-democrátrico ora instalado no Palácio do Planalto tentará negar essa causa de extrema justiça e elevado interesse nacional. Manifestem-se!

Sobre o assunto, segue notícia divulgada pela Agência Estado.

Governo tentará barrar reajuste do Judiciário

Agência Estado
O governo vai trabalhar para impedir a votação na Câmara do projeto que reajusta os salários dos servidores do Judiciário.
A proposta enviada ao Congresso pelos tribunais superiores prevê reajuste médio de 56% para cem mil funcionários.
Os cálculos feitos pelo Ministério do Planejamento do impacto do aumento nos gastos públicos e os supersalários que resultarão desse aumento serviram de mais argumentos contra a aprovação do projeto.
"Não há condições para votar esse projeto", afirmou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP).
Na oposição, a opinião é a mesma.
"Estamos à beira de uma crise fiscal, como podemos aumentar gastos continuadamente? Está em construção uma crise fiscal para o próximo governo, independentemente de quem seja, se a marcha continuar assim", afirmou o líder do PSDB na Câmara, João Almeida (BA). "Esse projeto não vai ser votado."
A previsão é de que o aumento significará R$ 6,4 bilhões a mais nos gastos.
Pelo estudo do ministério, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo, um funcionário com instrução fundamental e na atividade de funções de apoio, como copeiro, contínuo ou operador de copiadora, poderá receber R$ 8.479,71 de salário.
Profissionais de nível técnico poderão receber até R$ 18.577,88 e os de nível superior, R$ 33.072, 55, acima do teto salarial do serviço público, R$ 26.723,13.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Dunga X imprensa esportiva

O UOL fez uma enquete para saber quem apoiava o Dunga na briga contra a Globo e deu 78% a favor do técnico, contra apenas 11% sob a emissora de Roberto Marinho. No YouTube começam a pipocar as versões sobre o embate Dunga X imprensa esportiva, um festival de bom-humor, como este vídeo que posto a seguir.

terça-feira, 22 de junho de 2010

A Globo não elege mais presidentes, nem escala Seleção! Só o Itaú não percebeu.

A última vez que a mídia conservadora e de baixa qualidade elegeu um presidente no Brasil foi em 1998, com a fraude cambial montada para reconduzir FHC ao Planalto e dar a ele uma segunda chance para quebrar o que ainda restava do País. Em 2002, a Globo, a Veja e a Folha da Província de São Paulo tentaram eleger o José "Pedágio" Serra; em 2006, tentaram eleger o Geraldo "Daslu" Alckmin. Se danaram nas duas vezes. Agora, é o Dunga quem encara a mídia atrasada e mostra quem é que manda na Seleção Brasileira. Sobre isto, vale a pena ler o artigo de Paulo Henrique Amorim, do Blog Conversa Afiada, que reproduzo a seguir (no final, assista o vídeo em que Dunga diz umas verdades para um dos bundões da Globo):

O Itaú também torce contra o Dunga ?
A Fiat acha que o Dunga tinha que tirar o Kaká?

O Galvão agride o espectador com a sua máquina bombástica de lugares comuns – segundo o New York Times.

E se sente no direito de governar a seleção.

Toda a Globo se acha no direito de governar a seleção.

O Galvão, por exemplo, acha que a expulsão do Kaká foi “desnecessária”.

E que o Dunga errou porque não o tirou antes de ser expulso.

Claro, o Dunga não deveria ter escalado o Kaká – um jogador imaturo, irresponsável, que prejudicou o time, porque se deixou levar pelas provocações.

Isso poderia ter acontecido aos 5’ do primeiro tempo.

A culpa seria do Dunga ?

O Galvão e seus inúteis comentaristas espinafraram a seleção até o primeiro gol do Luis Fabiano.

O torcedor precisa ter certeza de que a seleção está bem – era uma das teses estapafúrdias que se ouviam.

E aí,  depois do primeiro gol do Luis Fabiano, naquela linguagem pré-rústica, o Galvão começou a dizer que o Brasil só joga bem por causa da “individualidade” e, não, da “coletividade”.

Ou seja, o Dunga, o responsável pela “coletividade”,  não presta.

A Globo sempre quis derrubar o Dunga.

A Globo perdeu o controle da seleção.

O Dunga não é o Zagalo.

O Dunga não é o Parreira.

Zagalo e Parreira estão para a Globo como o Fernando Henrique.

Só que mudou o técnico e mudou o Presidente.

O Brasil mudou e só a Globo ainda não percebeu.

A Globo não está mais com aquela bola toda.

O Lula é presidente contra a Globo e o Dunga, técnico da seleção, contra a Globo.

O Dunga não deixa a Globo entrar no quarto do Ronaldinho Gaucho quando a Globo precisa.

Não dá folga ao Adriano, o Imperador, para encher o espaço dos jornais da Globo.

Não deixa a Globo escalar jogador, como nos bons tempos do Ronaldo, o Fenômeno, compadre do cala a boca Galvão.

Foi preciso o Dunga explodir na coletiva depois do jogo, para isso ficar muito claro: clique aqui para assistir!

E a Globo fazer um editorial no ar e dizer que “torce pelo Brasil”.

Como é que é isso ?

“Torce” ?

A Globo “torce” ?

Com que direito a Globo “torce” ?

Se tem o direito de “torcer” tem o de “distorcer”.

O Galvão e a tentativa de derrubar o Dunga são patrocinados pelo Itaú,  a Coca-Cola, a Brahma, a Oi, a Olympikus e a Fiat.

Eles também são contra o Dunga ?

Também acham que os jogadores devem ter folga, cair na gandaia e depois aparecer com cara de santinho para a Fátima Bernardes fazer aquelas entrevistas de escola maternal ?

Além de ganhar do Bradesco, o Roberto Setúbal também quer escalar a seleção ?

O Roberto Setúbal acha que o Dunga tinha que ter tirado o Kaká antes ?

O Itaú, a Fiat, a Coca-Cola, a Olympikus, a Oi e a Brahma acham que o torcedor é burro e ainda não percebeu que a Globo é contra o Dunga ?

Vocês também são ?

Vocês gostam de aquela máquina bombástica de dizer lugar comum infernizar o espectador ?

Aquela máquina de dizer lugar comum associar a marca de vocês à falta de informação ?

Não dar o nome de um jogador do time adversário ?

Atormentar a paciência do povo brasileiro com observações do tipo “o juiz tem que ter o controle do jogo, de um lado e de outro” ?

Seria muito bom se o Brasil fizesse outro gol.

O que vocês acham disso: que bom seria se o Brasil fizesse outro gol, não, Setúbal ?

Vocês pagam por isso ?

O que vocês acham de a marca de vocês ficar associada ao Galvão ?

E se o Dunga ganhar a Copa ?

Como é que fica ?

O Roberto Setúbal quer que o Itaú seja o banco que não gosta do Dunga ?

Cuidado com o Bradesco, Roberto !

Paulo Henrique Amorim 


 

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Servir com Arte

Esse texto é do Humberto Bernardes Jr., agrônomo da Secretaria de Agricultura do Paraná. Foi inscrito no concurso "Servir com Arte", de 2010, promovido pelo governo do Estado para incentivar a veia artística dos funcionários. O trabalho do Júnior não alcançou premiação, mas isso não retira os méritos da ficção criada por ele a partir da junção de várias histórias ouvidas ao longo da vida.

A história do homem que caiu pra cima

Humberto Bernardes Jr.

Sempre que recebia gente nova na usina de leite lá pros lados de Santo Inácio, no Norte do Paraná, o velho repetia a história do fiscal japonês que o obrigou a pôr no chão uma torre de 10 metros de altura. A obra sustentava a caixa d’água da fábrica de laticínios.

O tal sujeito era um veterinário do serviço sanitário federal, tinha acabado de assumir e invocou que a torre e o prédio principal da usina estavam muito próximos. Puxou a trena e constatou que a distância era 5 metros inferior ao que determinava o Regulamento do Geipoa. Não pensou duas vezes: mandou botar a coisa no chão.

Eu tinha ouvido essa história em uma viagem de ônibus que fiz nos longínquos anos 80 até a cidade de Santa Cruz do Monte Castelo, quase na divisa do Paraná com o Mato Grosso do Sul. Agora, cerca de 20 anos passados, em outra cansativa viagem, um sujeito com quem eu dividia a poltrona do ônibus contava outra história que me provocava uma sensação de “déjà vu”. O elo entre os dois relatos estava na lição que o usineiro de leite havia extraído da experiência e que ele proclamava às gargalhadas para quem quisesse ouvir: “não existe maracutaia que resista a um fiscal japonês”.

Pois é, o personagem de novo era um sujeito de olhos puxados, ocasionalmente empossado numa função de fiscalização e, como aquele da primeira história, igualmente imbuído de forte disposição de aplicar a lei. A diferença é que, desta vez, o agente nipônico era um engenheiro agrônomo.

Na época, lá pela década de 70, o rapaz tinha seus 20 e poucos anos e havia ingressado por concurso na antiga Acarpa, hoje Emater. A primeira tarefa do recém-formado foi fiscalizar os campos de soja prontos para a colheita. O trabalho consistia em distinguir a parcela destinada ao consumo, daquela classificada como semente. Como esta alcança uma excelente cotação, os produtores procuravam destinar uma boa parcela a esse fim, ainda que as variedades não se enquadrassem nos padrões definidos nas normas técnicas.

Nos anos que antecederam a chegada do novo fiscal a coisa tinha corrido um tanto solta por conta do antigo funcionário, que parecia mais interessado em usufruir das mordomias oferecidas por alguns magnatas do que em seguir o Regulamento. Já o jovem agrônomo se apegava às normas com a obstinação com que um chinês seguia o Livro Vermelho de Mao em plena Revolução Cultural.

Tava na cara que aquilo ia dar choque, e dos violentos.

A coisa azedou já na primeira fiscalização, porque o agrônomo do fazendeiro trouxe o laudo pronto, esperando que o colega novato apenas o referendasse. Sempre tinha sido assim ... Contudo, os tempos eram outros. A exemplo do veterinário japonês que infernizou o usineiro de leite o nosso agrônomo andava munido de uma providencial trena – e não era para tomar parte em campeonatos juvenis. Com a “arma” em punho, saiu esquadrinhando os campos e foi desmontando o laudo elaborado pelo empregado do produtor. Não sobrou nada.

O mesmo se repetiu em dezenas de outras propriedades submetidas à fiscalização do “National Kid”. Se o Regulamento determinava o limite máximo de 2% de mistura varietal, e a amostragem revelava um percentual de 5%, não adiantava o produtor argumentar que a variação era ínfima. “Se assim fosse, o Regulamento mandaria 5%, não 2%” – encerrava a discussão.

Alguns fazendeiros tentaram demover o fiscal com a conversa de que ele era “muito acadêmico”, que na prática a história era outra. Outros mais descarados apostaram que o negócio do rapaz era criar dificuldades pra vender facilidades. Nem uma coisa, nem outra. Na verdade, o jovem agrônomo estava apenas determinado a fazer o que lhe parecia ser certo. Afinal, não havia passado 5 anos estudando no Curso de Agronomia para se deixar levar por conversa.

Mais difícil para ele era quando topava com colegas da faculdade, agora atuando em lados opostos. Havia sempre alguém disposto a abusar da velha amizade, como na vez em que uma agrônoma tentou liberar um silo para armazenamento de sementes, parado havia mais de dois anos. A insistência da colega terminou quando o japonês mandou ligar o equipamento e todos viram, horrorizados, dezenas de ratazanas sendo trituradas ao vivo e a cores (especialmente o vermelho sangue).

Quando ficou claro que não havia acerto com o rapaz, os fazendeiros partiram para a intimidação pura e simples. “Aqui é diferente da capital, cuidado para não levar uma azeitona na testa” – advertiam uns. Outros exibiam ostensivamente revólveres na cintura e davam tiros a esmo, enquanto o jovem agrônomo seguia esticando a sua trena e calculando o grau de pureza das amostras. Um produtor com miolos de menos chegou a atirar com o revólver quase encostado no nariz do fiscal.

O fato é que a tentativa de intimidação deu em nada. Na primeira oportunidade o japonês foi a Curitiba e comprou na Az de Espadas um 38 e boa quantidade de munição. A partir daí passou a ir também armado para as fiscalizações no campo, disposto a se meter num “faroeste caboclo”, se fosse preciso.

Não foi. Vendo que nada afastava o “National Kid” da estrita observância do Regulamento, os fazendeiros apelaram para seus amigos deputados e imploraram a transferência do rapaz. Fizeram comitiva para ir falar com o chefe do dito cujo em Curitiba. A alegação era de que o jovem agrônomo era “muito acadêmico e não compreendia a realidade da prática no campo”. Se naquela época o Buiú já tivesse o quadro na Praça é Nossa, traduziria: “o sujeito é incorruptível”.

Foi tamanha a pressão que o chefe maior cedeu aos fazendeiros e à sua “bancada ruralista”. O único jeito para justificar a transferência do agrônomo recém-formado para a Capital foi dar a ele uma baita promoção, numa função burocrática e bem melhor remunerada que a atividade de fiscal de campo. O típico caso do funcionário que “caiu pra cima”.

Disciplinado, o japonês acatou a ordem de remoção mascarada de promoção. Até porque já andava com os nervos em frangalhos, vivia a base de remédios e estava quase decidido a dar um tiro na bunda de um, pra servir de aviso. Mas não pensem que ele capitulou; continuou a bater de frente com outros “espertos”, só que dessa vez em ambientes refrigerados, perfumados e bem vestidos. Pôde até abandonar o 38, anos mais tarde entregue à Campanha do Desarmamento.

Uma dessas “encaradas” que o japonês enfrentou na nova função se deu no Rio de Janeiro, em uma reunião da Cacex para decidir a importação de rami. O japonês chegou cedo no prédio do Banco do Brasil, tomou o elevador e mal desembarcou no andar onde se daria a reunião, deu de cara com o lobista do importador.

– O que você veio passear aqui?? – o lobista foi intimidando. – Já tá tudo acertado, pode voltar pro Paraná!

O japonês ficou na dele, mas quando começou a reunião, abriu a pasta que trazia e sacou os relatórios com os números da área plantada e das quantidades colhidas da safra paranaense da fibra. Dias antes, o lobista havia convencido os técnicos da Cacex sobre a necessidade e a oportunidade de importar a fibra do mercado filipino, onde os preços estavam ultravantajosos.

O que ele não contava era com a presença do japonês intrometido, que mostrava aos surpresos funcionários da área de Comércio Exterior do Banco que não só havia oferta de rami sobrando no Paraná, como a cotação do produto não cobria os custos de produção. A importação, naquele momento, iria acabar com a cultura de uma vez por todas.

Derrotado em sua intenção, o lobista nem se despediu do japonês, e quando cruzou com ele na sala de embarque do aeroporto do Galeão fez que não o viu. Passaram-se anos até que o caminho dos dois voltasse a se cruzar. E advinha onde isso aconteceu? Lá mesmo, no departamento em que o japonês trabalhava. Numa dessas mudanças de governo o ex-lobista virou chefe do agrônomo “cdf”, e dessa vez o reconheceu:

– O senhor de novo!! – despejou, de maneira quase involuntária.

Polido, o japonês limitou-se a cumprimentá-lo e dar-lhe as boas vindas ao Departamento. O novo chefe sentiu o clima, e nos poucos meses que trabalharam sob o mesmo teto não tiveram problemas.

– E hoje, o que é feito dele? – questiono, curioso.

Consta que está aposentado e cuidando da sua própria chacrinha. Nas visitas cada vez menos freqüentes que recebe de velhos amigos ele recorda esses e outros causos dos seus 35 anos de serviço público. Especialmente quando se trata de um antigo companheiro que, como ele, também se viu obrigado a bater de frente com uma suposta esperteza que ainda hoje faz muito mal ao País.

Aproveito para expor a teoria do velho usineiro de leite, mas o meu interlocutor não concorda com ela. Ao contrário, acredita que tem muita gente que não está disposta a transigir com a ilegalidade, “mas não consegue remar contra a maré”. E me conta que o próprio japonês se questionava quanto tempo resistiria se não tivesse “caído pra cima”, quando ainda era fiscal de campo. E reflete:

– O que teria acontecido se ele tivesse atirado na bunda do sujeito que roçava o revólver na sua cara?

Talvez o meu companheiro de viagem tenha razão, às vezes o preço a pagar é alto demais. Ainda estou refletindo sobre isso quando ele me interrompe:

– Por outro lado, se tivesse atirado no sujeito, o japonês teria se tornado uma lenda na região. Era capaz até de virar prefeito. Além disso não teria aposentado o 38 invicto!

De novo tenho que me render ao raciocínio dele. Estou pensando em repassar adiante essa história e ela ficaria bem mais interessante com um tempero de pólvora. Quase lamento o fato do tal japonês não ter cometido um crime. Já pensou? Em vez da “história do homem que caiu pra cima” eu poderia chamar esse conto de “A pedagogia do tiro na bunda”.

O meu interlocutor não aprova o meu devaneio. Diz que o japonês não suportaria uns anos de cana, iria definhar e morrer. É possível que ele tenha razão. Além do que, essa história pode acabar sendo lida por senhorinhas que se escandalizem com a palavra “bunda” impressa.

A viagem vai chegando ao fim, o ônibus finalmente começa a encostar na poeirenta estação rodoviária de Jacarezinho. Apanho minha mala e me dirijo ao companheiro pra me despedir. Trocamos abraço, aperto de mão, e-mail e manifestamos o desejo de nos cruzarmos novamente em outra viagem qualquer. Animado, arrisco a proposta: quem sabe você não me apresenta o teu amigo japonês...


O sujeito faz cara de “não” e vai se afastando, enquanto fala:

– Melhor deixar o cara quieto.

Fico parado, olhando o sujeito se indo e eu ficando com aquela sensação de ter dito o que não devia. Quando relembro ainda me pergunto se o tal japonês existiu de verdade ou se o sujeito com quem dividi um banco de ônibus durante quase 8 horas apenas usou o meu ouvido porque estava sem sono.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Cala a boca Galvão ganha o mundo como campanha ecológica!

Um gaiato criou uma suposta campanha para salvar os papagaios "Galvão", que estariam em extinção do Brasil. O mote seria "Cala a boca Galvão", que supostamente seria traduzido por "Salvem a ave Galvão". Como no velho golpe dos geradores de span, cada mensagem postada no twitter geraria R$0,10 para a nobre campanha em prol do pássaro amazônico. A gaiatice está bombando na Web e pegando muito trouxa politicamente correto.



No jogo de ontem contra a Coréia havia um sujeito na arquibancada com uma placa clamando: "Cala a boca, Galvão". Até o Paulo Coelho entrou na brincadeira e mandou em seu twitter a informação de que se trata de um remédio homeopático chamado “Silentium Galvanus”. Quem sabe agora o boquirroto e chato-mor da Globo fale menos bobagens.

terça-feira, 15 de junho de 2010

O gênio de Garrincha. Ou: quando o futebol era uma grande e genial brincadeira

Salve Mané Garrincha, o gênio de pernas tortas que deixava os adversários tontos. Nasceu pobre, viveu na média, morreu pobre e só. Não era um chato como Kaká e Zico, nem um cabeça vazia como os Ronaldos. Estava mais para Romário e Paulo Cesar Caju, embora mais genial que ambos. Somados. Pai de sete meninas tristes, marido de uma morena magrinha e triste, amante eterno da grande Elza Soares, que saltou fora da vida do craque para não sucumbir com ele. Foi amigo dos amigos até o fim. E da boa cachaça, que, enfim, o levou para a eternidade aos 46 anos. Salve São Garrincha, padroeiro dos pau-d'água, dos que dormem ao relento, de pais, mães, irmãos, maridos, amantes de meninas tristes.

São Garrincha, rogai por nós, que recorremos a vós!

Feita a louvação, admire os dribles moleques desse gigante da bola.

Sr. Walker X Sr. Willer. Ou: o mito do brasileiro cordial

domingo, 13 de junho de 2010

Dilma dá indireta em Serra: eu mudei com o Brasil, mas não mudei de lado

Entrevista de Dilma Roussef à Veja


Eurípedes Alcântara e Otávio Cabral
No começo, Dilma Rousseff estranhou o papel de candidata à Presidência da República. Em comparação com o cotidiano acelerado de ministra-chefe da Casa Civil do governo Lula, as primeiras semanas de pré-campanha lhe pareceram umas férias sem muita graça. Na semana que precedeu sua indicação oficial pelo PT, ela tinha voltado ao ritmo de multitarefas e a mente estava ocupada com os mais diversos assuntos. "Estamos retomando o poder territorial dos bandidos no Rio de Janeiro. Droga se combate com inteligência, força e dando opções de trabalho e lazer aos jovens", diz ela, animada com os resultados da parceria do governo federal com o governador Sérgio Cabral. Dilma criticou José Serra, o candidato do PSDB, por ter fustigado o governo da Bolívia e sua leniência no combate ao tráfico de drogas. "Lá também vamos precisar de parceria para destruir os centros de refino de coca, e brigar com o governo boliviano não é um bom caminho." Dilma falou a VEJA sobre drogas, PMDB, juros, inflação, crescimento e sua vida na prisão por crimes políticos no regime militar. 
 
Veja - A senhora tem uma vantagem clara sobre o candidato Lula na eleição de 2002. Ninguém fala agora de um "Risco Dilma". Por quê?
Dilma - Primeiro, porque não existe Risco Brasil. Nós nos destacamos no cenário mundial como uma nação que tem um rumo, e esse rumo é o correto, com crescimento econômico, estabilidade, instituições sólidas e democracia. O mundo vê isso e sente que não será uma eleição presidencial que vai colocar essas conquistas a perder. Não tem "Risco Dilma" e não tem "Risco Guerra" (referência ao senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, que em entrevista a VEJA em janeiro disse que se seu partido vencer as eleições vai "mexer na taxa de juros, no câmbio e nas metas de inflação"). Ele falou tudo aquilo e o mercado nem se tocou. Não aconteceu nadinha de nada.

Veja - Estamos de acordo que os alicerces dessa robustez foram lançados durante os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso?
Dilma - Discordo. Hoje nós temos estabilidade macroeconômica. Nós recebemos um governo sem estabilidade, com apenas 36 bilhões de dólares de reservas. O endividamento do Brasil crescendo, a inflação ameaçando sair de controle, uma fragilidade externa monumental que a gente não podia nem mexer, o dólar a 4 reais. Qual é o alicerce?

Veja - A autonomia operacional do Banco Central, as metas de inflação, o câmbio flutuante, a responsabilidade fiscal...
Dilma - Não tem risco hoje porque nós do governo Lula construímos um país robusto. O que vocês chamavam de "Risco Lula" em 2002 se devia menos ao candidato do que às condições do país naquele momento. Nós recebemos do governo anterior um Brasil frágil. Tínhamos reservas de pouco mais de 36 bilhões de dólares. Hoje temos 250 bilhões de dólares em reservas. O presidente disse que a crise financeira mundial de 2008 era uma marola. Se você comparar com o tsunami que houve nos Estados Unidos e com as ondas que ainda atingem a Europa, nós não tivemos mesmo mais que uma marola. Tanto que a discussão agora é outra. É discutir os 9% de crescimento.
Veja - É ritmo de crescimento para chinês nenhum botar defeito. Mas é sustentável?
Dilma - O prudente para o Brasil nas condições atuais é ter um crescimento de até 6% ao ano. Portanto, esses 9% tendem a baixar. O ritmo de crescimento tende a desacelerar-se progressivamente rumo ao patamar de 6%. 
Veja - Esse valor de 6% de crescimento seria o tão falado quanto imponderável PIB potencial, acima do qual a inflação dispararia?
Dilma - Não me sinto confortável com essa noção de PIB potencial, mas está mais do que provado que não podemos abrir mão do controle da inflação se quisermos crescimento com distribuição de renda. Temos de ter uma meta inflacionária e persegui-la. Com inflação, a renda das pessoas, em especial a das mais pobres, escoa. Controlar a inflação é distribuir renda.

Veja - Qual seria a política de juros de um eventual governo Dilma?
Dilma - A taxa de juros real, descontada a inflação, baixou muito no governo Lula. Na verdade, ela nunca foi tão baixa quanto agora. Já foi de 20%, 15% e agora está em 5% a 6%. É um tremendo avanço. Mas dá para melhorar. A maneira de fazer isso é a redução disciplinada e sistemática da relação da dívida líquida sobre o PIB. Nós saímos de 60,6% em 2002 para 40,7% em 2010. A meta é chegar a 2014 com esse valor em 28%. A consequência inexorável disso é a queda dramática da taxa de juros.
Veja - A senhora pretende manter o Bolsa Família nos moldes atuais?
Dilma - Temos de continuar ajudando os mais pobres. Temos de garantir que os 190 milhões de brasileiros virem consumidores. Isso não é possível sem programas sociais. Agora, vocês me digam: tem maior porta de saída do que o crescimento do emprego nos níveis atuais? Tem porta de saída melhor do que o investimento em ensino profissionalizante? Essas são as melhores portas de saída. O Brasil tem escassez de mão de obra em muitos setores. Cortador de cana no Nordeste está virando soldador, operário qualificado.
Veja - Por isso mesmo, será que não é hora, para o bem dos próprios beneficiados, de deixar que caminhem com as próprias pernas, que se independam do governo?
Dilma - Ainda tem muita gente no Brasil com renda de um quarto do salário mínimo. São quase 19 milhões de pessoas nessa situação. Por isso não podemos cortar os programas de distribuição de renda. 
Veja - Sob muitos pontos de vista, para um político é melhor suceder na Presidência a um antecessor fracassado do que a outro, como é o caso de Lula, que, além de bem-sucedido, é popular e carismático. Isso pesaria muito sobre seus ombros em caso de vitória nas eleições deste ano?

Dilma - Acho ótima essa herança. O governo do presidente Lula pertence uma parte a mim. Eu não sou uma pessoa que está olhando para o governo com distanciamento. Eu não tenho distanciamento nenhum do governo do presidente Lula. Eu lutei para esse governo ser esse sucesso todo. Honra minha biografia ter participado desse governo e o Lula ter me honrado com a escolha como candidata. Tenho certeza de que o presidente Lula participará do sucesso do meu governo porque ele construiu as bases para eu concorrer. Ele deu condições para que eu faça uma coisa que é dificílima: superar a nós mesmos. O governo Dilma pode superar o governo Lula porque nós construímos um alicerce para isso acontecer. O meu projeto é o dele. E o dele é o meu.
Veja - Seu aliado, o PMDB, sempre impediu que a reforma política andasse. Por que com a senhora seria diferente?
Dilma - Já foi diferente com o Lula, embora muita gente insista em negar essa realidade. O que caracteriza o governo Lula foi ter construído uma aliança em torno da governabilidade e de projetos. Os ministros do PMDB demonstraram a mesma dedicação aos projetos que os ministros do nosso partido. 
Veja - Falando em aliados, como a senhora lidaria com Hugo Chávez, o venezuelano que ignora os princípios democráticos básicos?
Dilma - Não é preciso concordar com as práticas dele, mas não podemos interferir diretamente no que ele está fazendo. O Brasil é um modelo de país que respeita a liberdade de imprensa, que respeita empresas, que respeita contratos, que defende e aprimora a democracia. Tenho certeza de que nosso modelo acabará influenciando positivamente nossos vizinhos e aliados. O Brasil pode dar o exemplo pelo diálogo e pelo respeito. O que não pode fazer é impor. 
Veja - Como a senhora avalia o episódio recente do pedido de demissão do jornalista que, a serviço de seu partido, contratou arapongas para espionar adversários e até aliados?
Dilma - É muito difícil essa conversa. É um assunto que girou em torno de documentos que ninguém viu nem sequer sabe se existem e de uma coisa que nunca chegou a se concretizar. Por isso prefiro concentrar minha resposta sobre a linha de conduta geral da campanha. Na minha campanha, não vou admitir nenhuma prática que não respeite o adversário, que não tenha princípios éticos claros e que não honre o fato de termos o governo com a maior aprovação da história recente deste país. A minha decisão é manter uma campanha de alto nível.
Veja - De tanto cumprir cadeia política durante a ditadura Vargas, o grande escritor Graciliano Ramos, um tipo depressivo, saiu-se com essa: "É-me indiferente estar preso ou solto". A senhora chegou a ter um sentimento parecido?
Dilma - Não. Nos cárceres da ditadura militar, sempre ansiei pela liberdade. Mas entendo bem a que o Graciliano se refere. Existe a figura do preso velho, conhecedor dos caminhos dentro da cadeia. Isso dá uma certa sensação de controle que, ao final da minha pena de três anos, tornava a prisão menos insuportável. Eu tinha um esconderijo de livros e, com a ajuda do dentista da penitenciária, trocava bilhetes com meu marido, preso na ala masculina. Contávamos com algumas boas almas entre os carcereiros, e o capelão militar deu-me uma Bíblia, que, para passar pela fresta da porta da cela, teve sua capa arrancada. Um sargento detonou, sem querer, uma bomba de gás lacrimogêneo perto das celas e abriram um inquérito para apurar responsabilidades. Nós, as presas, sabíamos quem era o culpado, mas decidimos não identificá-lo. Com isso caímos nas graças dos sargentos. Enfim, o preso velho começa a acomodar seus ossos naquele ambiente.
Veja - Em situações extremas as pessoas costumam ter reações inesperadas. Quem era forte revela-se um fraco. O frágil se transforma em valente. A senhora se viu na cadeia, sob tortura, tendo reações surpreendentes?

Dilma - É um pouco mais complexo do que você imagina. Depende muito do seu momento. A mesma pessoa pode estar forte um dia e em outro desabar – ou estar entregue e, de repente, encontrar forças descomunais que não sabia possuir. É o momento que manda, e você não manda no seu momento.
Veja - A sua opção pela luta armada na juventude vai ser um assunto da campanha eleitoral. As pessoas querem saber se a senhora deu tiros, explodiu bombas ou sequestrou.

Dilma - Estou pronta para esse debate. Pertenci a organizações políticas que praticaram esses atos. Mas eu jamais me envolvi pessoalmente em alguma ação violenta. Minha função era de retaguarda. Os processos militares que resultaram em minha condenação mostram isso com clareza. Nunca fui processada por ações armadas. Tenho muito orgulho de ter combatido a ditadura do primeiro ao último dia. A ditadura foi muito ruim. Cassaram os partidos políticos, fecharam órgãos de imprensa, criaram mecanismos de censura, torturaram... Mas o pior de tudo é que tiraram a esperança da minha geração. Quem tinha 15 ou 16 anos de idade quando foi dado o golpe de 64 não enxergava o fim do túnel. De um jovem cheio de energia e sem esperança podem-se esperar reações radicais.
Veja - É fácil falar vendo o filme de trás para a frente, mas hoje parece indiscutível que o pessoal da luta armada não queria a volta da democracia, mas apenas trocar uma ditadura de direita por outra de esquerda. A senhora tinha consciência disso?
Dilma - Olha aqui, no meio da luta essas coisas nunca ficavam claras. O objetivo prioritário era nos livrar da ditadura, e lutamos embalados por um sentimento de justiça, de querer melhorar a vida dos brasileiros. Foi um período histórico marcante em todo o mundo. Os jovens franceses estavam nas barricadas de maio de 68. Jovens americanos morriam baleados pela polícia nos câmpus universitários em protesto contra a Guerra do Vietnã, a mais impopular das guerras dos Estados Unidos, um conflito que aos nossos olhos tinha uma potência tecnomilitar agressora sendo derrotada por um país pequenino, mas valente. Nossa simpatia com o lado mais fraco era óbvia. Depois daquela fase eu continuei lutando pela democracia no antigo MDB e no PDT. Nesse processo, eu mudei com o Brasil, mas jamais mudei de lado.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Como diria o Nelson Rodrigues ....

Toda unanimidade é burra, sentenciou o jornalista e teatrólogo do submundo e do baixo astral, Nelson Rodrigues. A frase de efeito parece sob medida para os jornais Folha da Província de São Paulo e O Estado da Província de São Paulo, cada vez mais parecidos (observem as manchetes de ambos). É isso que dá terceirizar o jornal para a campanha política do DEMO/PSDB. Já que abdicaram da tarefa de fazer jornalismo independente, os editores dos dois panfletos da campanha de José Serra poderiam abrir uma discussão envolvendo seus leitores (os otários que pagam por propaganda política) a respeito do uso ou não de vírgula para separar orações com sujeitos diversos. Parece ser este o único ponto de discordância entre os dois panfletos da campanha serrista.