segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente!

Geraldo Vandré ficou conhecido principalmente pela canção "Caminhando", que por sua vez virou "Pra não dizer que não falei de flores", transformada em hino contra a ditadura militar/civil que durou de 1964 a 1985. Mas a melhor obra de Vandré foi outra, a magistral Disparada, defendida por Jair Rodrigues no Festival da Canção, da TV Record, em 1966.

É para ouvir com som nas alturas e acompanhar a letra, colada abaixo do vídeo (com um surpreendente audio). Ainda sobre o vídeo, nele vocês reconhecerão Elis Regina, Chico Buarque, Nara Leão e sua irmã dondoca e socialite Danusa Leão (na época, a conservadora Danusa, que mamou nas tetas de todos os governos, achava "in" parecer da esquerda light).



Disparada

Jair Rodrigues

Composição: Geraldo Vadré, Théo de Barros

Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar
Eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão e posso não lhe agradar
 

Aprendi a dizer não, ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo, a morte e o destino, tudo
Estava fora do lugar, eu vivo prá consertar


Na boiada já fui boi, mas um dia me montei
Não por um motivo meu, ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse, porém por necessidade
Do dono de uma boiada cujo vaqueiro morreu


Boiadeiro muito tempo, laço firme e braço forte
Muito gado, muita gente, pela vida segurei
Seguia como num sonho, e boiadeiro era um rei
 

Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
E nos sonhos que fui sonhando, as visões se clareando
As visões se clareando, até que um dia acordei


Então não pude seguir valente lugar-tenente
De dono de gado e gente, porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente.


Se você não concordar não posso me desculpar
Não canto pra enganar, vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado, vou cantar noutro lugar


Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém, que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse, por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu querer ir mais longe que eu


Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
Já que um dia montei agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte num reino que não tem rei!

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