quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Venceu o Brasil!

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Quem venceu a eleição de 31 de outubro não foi o PT e seus partidos aliados, mas a Dilma, o presidente Lula e o povo brasileiro. Parte importante do PT não se empenhou na campanha, e isto se demonstra pelos resultados da eleição da Dilma em todos os Estados do Sul. Até no Estado gaúcho, onde o PT elegeu o governador, depois de um mandato absolutamente caótico da governadora tucana Yeda Crusius, marcado por escândalos de corrupção, José Serra teve mais votos do que a Dilma. No Paraná o que se viu foi o empenho do tucano eleito Beto Richa em favor de Serra, se propondo a dar uma vantagem de 1 milhão de votos a ele (chegou a quase 650 mil). Alguém viu os deputados estaduais e federais petistas empenhados na campanha de Dilma? O mesmo em Santa Catarina, que elegeu o único governador DEMO, após dois mandatos desastrosos de Luiz Henrique da Silveira. E o que dizer de São Paulo, Estado-berço do PT e onde o partido não consegue eleger um prefeito ou governador há alguns bons anos? Além de não conseguir emplacar uma CPI para investigar as dezenas de denúncias de desvio de dinheiro público nas administrações de José Serra, Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab.

Como já se previa, José Serra não saiu de cabeça erguida da disputa. Sem nenhum projeto para o país, apostou todas as fichas no que lhe sobrou: o ódio de classes. Estimulou os mais sórdidos ataques a Dilma Roussef, com o apoio entusiasmado da mídia e de seus aliados e até de familiares. A mulher do candidato chegou a acusar Dilma de ser a favor de “matar criancinhas”. A acusação assume maior grau de sordidez quando se sabe que Mônica Serra recorreu ao aborto nos anos 80 para dispensar uma gravidez indesejada.

Quando se fala nos apoios ao candidato estamos falando também da área mais nefasta das igrejas católica (Opus Dei e Canção Nova) e evangélica, com destaque para a Batista e seu pastor metrossexual Paschoal Piragine Jr., que saiu acusando Dilma de defender “a iniquidade do aborto” e dizendo aos seus seguidores: “não votem nela”. No ramo católico não foi diferente e o curioso é que os setores que se levantaram contra Dilma foram justamente aqueles em que proliferam acusações e suspeitas de pedofilia e homossexualismo entre padres metrossexuais, transformados em “celebridades”.

A novidade disso tudo foi a blogosfera, que combateu diuturnamente contra o banditismo financiado pelos demos/tucanos e estimulado pela grande mídia. Necessário observar que, do lado da Dilma, estava a militância não-remunerada, que usou seus próprios esforços e meios para dar combate à essa guerra de submundo em que o candidato José Serra transformou a campanha presidencial de 2010. Militância, insisto, não significa dizer “militância do PT”. A militância petista também, mas nessa luta se empenharam pessoas de todos os partidos e até quem não tinha simpatia por partido algum. Quem ficou de fora, em berço esplêndido, de fato, foram algumas cabeças coroadas do PT e do PMDB, muitas das quais se limitaram a participar das caravanas festivas de Dilma e de Lula, quando estas percorreram as capitais e grandes centros urbanos para comícios.

Em suma, essa vitória não foi do PT ou do PMDB; foi do povo brasileiro e as pessoas precisam ter consciência disso, porque a sucessão de 2014 começa já. Mas não apenas isto, o sucesso do Governo da Dilma vai depender de cada um de nós. A grande mídia dará a presidente eleita 100 dias de trégua; a partir de abril começarão as cobranças pesadas. Essa postura da mídia não é de todo má, basta lembrar que se não fosse o escândalo do “mensalão” quem estaria hoje no lugar da Dilma seria José Dirceu.

Isso é mau? Depende. José Dirceu não é chefe de quadrilha, como o tachou o deslumbrado e manipulado ex-procurador geral da República Antônio Fernando de Souza, ao aceitar a denúncia e encaminhá-la ao STF. O problema de José Dirceu são seus métodos, que em tudo imitam os do PSDB/DEMO. Basta lembrar que o “escândalo do mensalão” só surgiu porque Dirceu, na ânsia de detonar o deputado Roberto Jefferson, que havia montado – este sim – uma quadrilha nos Correios, em vez de levar a denúncia ao MP e à Controladoria Geral da República entregou um vídeo à Rede Globo mostrando um homem de Jefferson nos Correios recebendo propina de R$ 3 mil.

Como troca, Jefferson revelou que a campanha do PT havia recebido doações “não contabilizadas” de empresas, o famoso caixa 2 que acomete todos os partidos, todos os candidatos, todas as campanhas . Mas por que mensalão? Porque Jefferson pretendia uma vingança maligna, que chegaria à cassação do mandato do presidente Lula. Se o mensalão tivesse existido na forma como Jefferson acusou, o presidente Lula teria sido cassado em 2005, pois tal ato configura “crime de responsabilidade do Presidente da República”, sancionado com o impeachment (arts. 85, II e 86, II da CF/88).

Voltando à questão do novo governo é preciso que os brasileiros que elegeram a Dilma se sintam responsáveis também pelo sucesso da nova administração. Não há mais lugar para os críticos das obras feitas, aquelas pessoas que ocupam sempre a posição confortável de estilingue e nunca a de vidraça. Há inúmeras formas de contribuir, entre elas a nova participação direta por meio dos blogs, dentre os quais vale destacar o de Luiz Nassif (http://www.advivo.com.br/luisnassif/), onde ocorre permanentemente um debate maduro, democrático e sobretudo inteligente a respeito dos rumos do Brasil e do Mundo.

Os blogs chamados “sujos” pelo candidato derrotado José Serra expressam a principal novidade no Brasil contemporâneo. Engana-se quem os identifica com o PT ou outra força de centro-esquerda ou mesmo de esquerda. Os blogs, especialmente os “sujos”, são ambientes democráticos, que abrigam opiniões de amplo espectro político. Ali só não cabem as ofensas pessoais, as acusações sem prova (ao contrário do que ocorre na grande mídia) e a desinteligência. Fora isso, toda e qualquer tese encontra acolhida, o que não significa que não será combatida. Ao contrário, quanto mais absurda for a tese, maiores argumentos se levantarão contra ela, sempre pautados pelo respeito à posição contrária e à prevalência da verdade comprovada.

A excepcional vantagem da blogosfera foi ter ampliado e qualificado o debate, que antes ocorria somente entre meia dúzia de jornalistas e políticos ligados ao poder. Com o advento da blogosfera o debate foi aberto a profissionais de todas as áreas, gente muitas vezes detentora de informações técnicas e científicas capazes de consolidar ou jogar de uma vez por terra histórias que a mídia tradicional, por burrice ou má fé, vendia aos passivos leitores, ouvintes e telespectadores como verdade absoluta. Hoje a mídia tradicional ainda tenta “colar” suas pseudo-verdades, mas a blogosfera as desconstrói na mesma velocidade com que são disseminadas.

Portanto, todo cidadão hoje tem um canal direto de participação nas grandes discussões nacionais e na construção do conhecimento. Essa é uma forma de participação política legítima, acessível a todos e absolutamente necessária para exercermos nossa responsabilidade no governo que elegemos. Participar não é bater palmas, mas também não é atirar pedras. As duas coisas são fáceis; difícil é ajudar a pensar o país e se sentir responsável pelo governo que escolhemos. Para o bem e para o mal. Afinal, governantes não são isentos de erros. Tampouco agradarão a todos, e é preciso ter consciência de que ao escolher um caminho se irá agradar parte da sociedade e desagradar a outra parte.

O novo Brasil não começou a ser construído há 8 anos, mas na segunda metade da década de 1970, com a junção de forças políticas diversas na luta pela redemocratização do país. Demorou mais de duas décadas para essas forças chegarem ao poder federal, o que aconteceu finalmente na eleição de 2002. Alí começaram a ser lançadas as bases do novo Brasil, que a presidente Dilma vai consolidar. Participar desse processo não é apenas um privilégio, mas um dever de cada cidadão que se sente responsável pelo destino de seu país. O contrário será entregar o Estado nas mãos de políticos profissionais e submeter a presidente Dilma ao sabor das forças políticas mais atrasadas e seus aliados da grande mídia. E depois não adianta reclamar.

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