sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Paranóia contra o tráfico

Estou postando do Rio de Janeiro e a cidade está vivendo dias de terror com a retonada dos territórios que estavam sob o comando do crime organizado. O local onde estou, um condomínio fechado na divisa da Barra com o Recreio dos Bandeirantes parece ser seguro. O único contato com os enfrentamentos entre a polícia e a bandidagem são os frequentes rasantes dos helicópteros das forças de segurança sobre o edifício, sei lá por qual razão.

Mas o povo aqui está paranóico, não se fala em outra coisa. Ontem estive no Barra Shopping, um dos maiores daqui, e estava às moscas. Contei 4 pessoas em uma das praça de alimentação, cerca das 18 horas. A maioria das empresas está dispensando os funcionários no meio da tarde, quando não antes, para evitar que cheguem às suas casas com o sol posto. Está difícil até para pegar um táxi, que também estão se recolhendo cedo.

A paranóia é tanta que a mãe do taxista que nos levava do shopping de volta ao condomínio ligou duas vezes determinando ao filho voltar a casa. Como ele nos relatava a conversa e a mãe ouvia nossas risadas ela quis que o filho me passasse o celular para ter certeza de que não se tratava de um seqüestro. Mal ela desligou e tocou a namorada do rapaz, com as mesmas ordens. E ainda não eram 19 horas. Claro que foi a última corrida do dia para aquele taxista.

Algumas horas antes eu aguardava na entrada do Barra Shopping a minha irmã Elisabete, que mora em Jacarepaguá. Em vez dela pegar um táxi na rua, ela foi de ônibus até outro shopping e de lá apanhou um táxi no ponto, ``porque é seguro``. Ou seja, as pessoas tem receio até de pegar um táxi qualquer na rua.

Enquanto a aguardava eu ouvia a conversa de uns poucos que desembarcavam de táxis. Os boatos corriam soltos: os traficantes vão explodir a Ponte Rio-Niterói, vão dinamitar o Cristo Redentor, vão colocar bombas nos shoppings ...

Tudo indica que o final de semana vai ser quente!

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