segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Estúpido cúpido, com Carol "Campelo"

Carol e amigas encarnam Cely Campelo e dublam Estúpido Cupido. Carol é a garota ladeada pelas duas "back vocais". As meninas fazem mais "caras e bocas" do que apresentadoras de telejornal. Muito bom.

Natividade cibernética

Os tempos mudam, a vida segue igual.
Feliz Natal!



(Copiado da Mensagem de Natal da Century)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pra turma do Casseta aprender a fazer humor: Cabrito Tevez!

Cadê os defensores da liberdade de imprensa? Veja, Estadão, Folha, cadê???

Feira Moderna sem o "mais do mesmo"

Os músicos brasileiros têm uma velha mania de servir ao público "mais do mesmo". Produzem músicas que são obras-primas, mas quando perdem a criatividade revisitam sua própria obra produzindo dezenas de novos arranjos. Tantos que a obra original fica totalmente desfigurada e o que era obra-prima se torna apenas obra, do verbo chulo "obrar".

Roberto Carlos é campeão nesse esporte, ao qual se entregou desde que trocou uma criatividade ímpar pela música de fórmulas (a mulher de 40, a gordinha, a de óculos, a descasada, o caminhoneiro ..., sem falar nas inúmeras peças de religiosidade brega, da qual só se salvam "Jesus Cristo, eu estou aqui" e "Nossa Senhora").

O mineiro Beto Guedes criou uma peça fundamental denominada Feira Moderna, com um arranjo à altura de Another Brick in the Wall, da lendária Pink Floyd. Mas, depois que a  criatividade foi pro saco, passou a mudar os arranjos, transformando ouro em titica. O resultado é que não se acha a versão original no YouTube, cantada por ele. Então aí vai a canção sem o seu criador, mas com os Paralamas. Está bem aquém da gravação original, mas ainda assim bem mais próxima dela do que as releituraa feitas pelo Beto Guedes e o Lô Borges.

A ela, Feira Moderna!

Competência Demo/Tucana em SP

Flagrante numa marginal qualquer na capital paulistana. Enchentes, como se sabe, são culpa de São Pedro. Copiado do Blog Bueno.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Morar Carioca vai reurbanizar favelas

Do Globo

RIO - As favelas que serão beneficiadas pelo projeto Morar Carioca, que pretende urbanizar 215 comunidades, divididas em 40 grupos, até 2020, num investimento de R$ 8 bilhões, terão a "cara" dos escritórios de arquitetura escolhidos segunda-feira por um concurso promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ) e pela Secretaria municipal de Habitação. Os 40 vencedores, dos 86 inscritos, apresentaram ideias e conceitos de como deve ser a urbanização das comunidades. Em comum entre quase todos, estão a necessidade de integrar cada vez mais as favelas à cidade formal, reduzir o adensamento, garantir saneamento básico e áreas de convivência para os moradores. Outras ideias recorrentes foram o plantio de árvores, a construção de ciclovias nas comunidades planas e de teleféricos ou planos inclinados nas que ficam em encostas.


As equipes - que, além de arquitetos, contam com sociólogos, engenheiros e outros profissionais - ainda não sabem em quais locais vão atuar. A decisão deve ser tomada a partir da semana que vem, pela Secretaria de Habitação. A diversidade marcou a escolha dos escritórios escolhidos para elaborar os projetos de urbanização: há desde grupos de jovens até profissionais com a experiência de que atuou no Programa Favela Bairro.


Cinco arquitetos apresentaram trabalhos mais conceituais e foram os únicos escolhidos por unanimidade. Jacira Farias, por exemplo, propôs diminuir a extensão das quadras e abrir vias públicas de pedestres e veículos, inclusive algumas exclusivas, além de espaços de convivência. Gilson Santos apostou em largos, praças, áreas para esportes e na integração da malha viária local com o entorno. Fred Paione concebeu uma unidade de moradia a partir de um sistema modular de 2,65 por 2,65 metros, que possibilita diferentes configurações. Para Jonathas Magalhães, o interessante é tratar a favela e seu entorno, inclusive regularizando a questão fundiária. Para João Calafate, soluções simples, como tornar as escadas das favelas íngremes mais prazerosas, com a inserção de bancos, pequenas paradas com comércio local, são valiosas. Pablo Benetti, que trabalha com ele, enxerga um leque de possibilidades:

- As favelas têm que ter toda a diversidade da cidade, com cultura, esporte, lazer. A diversidade estava limitada por causa dos traficantes. Mas, agora, com a pacificação, está sendo aberta uma avenida para nosso trabalho.

Gil: ''Ninguém engana a Dilma nem põe faca no pescoço dela''

Entrevista de Gilberto Carvalho ao Estadão, em 5/12/2010



Vera Rosa / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Gilberto Carvalho
Testemunha privilegiada dos bastidores do Palácio do Planalto, o ex-seminarista Gilberto Carvalho sempre atuou longe dos holofotes, como chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há quatro dias, Dilma Rousseff deu-lhe uma ordem sem direito a réplica: "Gilbertinho, passe um Gumex no cabelo e ponha um terno bem bonitinho porque vou anunciá-lo na sexta-feira como ministro da Secretaria-Geral da Presidência."

As horas se passavam e nada de anúncio. Até que, muito tempo depois de ter lido um salmo do Evangelho de Cada Dia - prática adotada desde 2003, antes de iniciar o expediente -, Carvalho telefonou para a presidente eleita. "Você me deve um vidro de Gumex", cobrou ele, rindo. Foi quando Dilma leu para o futuro ministro a nota, que acabara de ser redigida, oficializando sua indicação. "Eu tardo, mas não falho", disse ela.

Na noite de sexta, Carvalho recebeu o Estado em seu gabinete no Planalto, decorado com fotos de seus cinco filhos - dos quais duas meninas adotivas - e imagens de São Francisco e do Espírito Santo. O homem que será ouvidor dos movimentos sociais ficou com os olhos marejados ao falar do apoio dado a ele por Lula quando teve de depor na CPI dos Bingos, em 2005, e garantiu que Dilma não será refém de partidos.

Diante das cotoveladas entre o PT, o PMDB e outros aliados por cargos no primeiro escalão, Carvalho pediu que todos mantenham a calma. "Ninguém engana a Dilma nem deve achar que na base do grito vai levar alguma coisa", avisou. "A pior coisa que tem é botar a faca no pescoço dela."

A Secretaria-Geral da Presidência vai mudar de perfil no governo Dilma?
Até se pensou nisso, mas a conclusão foi a de que a secretaria deveria permanecer com a mesma natureza, que é o trabalho de articulação e diálogo com os movimentos sociais no seu amplo espectro. Aí estão incluídos os movimentos sindicais, movimento popular, ONGs, igrejas...

O presidente Lula sempre diz que os movimentos sociais salvaram o governo dele. Por quê?
Ele se refere à questão de 2005, quando houve aquela ameaça de impeachment. Uma vez ele falou para mim: "Esses caras falam de impeachment porque não sabem da minha relação com o povo." Mas eu diria que os movimentos salvaram o governo em outro aspecto também. Esse diálogo, que em geral é tenso, permitiu a Lula ter novos projetos, como o ProUni.

É justa a reivindicação de salário mínimo de R$ 580?
É papel das centrais sindicais reivindicar, tensionar com o governo. Eu diria que justo seria um salário mínimo talvez de R$ 1, 5 mil, do ponto de vista de uma vida digna e decente para todos os brasileiros. O governo, por seu turno, tem de ver o que pode fazer sem irresponsabilidade. Temos um acordo com as centrais de um reajuste permanente do mínimo. Não adianta dar aumento muito acima e no ano seguinte ter de recuar porque isso pode provocar crise na economia, nas prefeituras.

O sr. é um dos últimos sobreviventes do núcleo duro do governo Lula. Como é o presidente na intimidade?
É uma pessoa muito boa de lidar, que vai deixar saudade. É duro, muito duro. Às vezes fico com pena dos ministros que recebem certos telefonemas dele. Fico com pena de mim mesmo (risos). Acho que fui o cara que mais apanhou nestes oito anos aqui, até pela proximidade. Para azar nosso, ele tem uma memória prodigiosa.
Cobra resultados?
Cobra. E sem misericórdia. Mas, ao mesmo tempo, é o cara que dois minutos depois já esqueceu aquilo e é superafetuoso. Tem um episódio que nunca vou esquecer na minha vida.

Qual?
Foi quando eu fui exposto, na CPI dos Bingos (em 2005), por causa da questão de Santo André. O presidente sabia da maldade de tudo aquilo, um jogo político, mas podia ter se livrado de mim. E houve um dia em que teve aquela acareação com os irmãos do Celso Daniel (prefeito assassinado de Santo André). Lula ia viajar às 18 horas. Eu cheguei de volta do Congresso lá pelas 19 horas e ele estava na minha sala me esperando. Atrasou a viagem, passou a mão na minha cabeça e falou: "Gilbertinho, você não tem uma cachacinha pra gente tomar aí, não?" Um cara desses você morre por ele. Sou um privilegiado.

Como o sr. explica ter se tornado réu em processo de corrupção na Prefeitura de Santo André?

Sou réu num processo civil a partir de denúncia feita por um dos irmãos do Celso, dizendo que eu contei para ele que levava dinheiro para o José Dirceu. Não tem prova nenhuma. É doloroso para mim ser acusado de uma coisa que não devo. Eu faço 60 anos em janeiro e meu capital não chega a R$ 300 mil.

Quais as diferenças de estilo entre Lula e Dilma?
A diferença mais forte é essa questão do carisma e da relação com o povo. Dilma é uma militante que veio da classe média, que participou da luta social e foi se aproximando aos poucos dos movimentos. Bem antes da eleição, ela dizia que, mesmo que nada desse certo, o presidente tinha lhe dado um grande presente.

Que presente?

Era justamente essa aproximação com o povo. Ela dizia que tinha medo de ser uma relação demagógica, essa coisa de abraçar criancinha, mas que se sentiu emocionada ao se aproximar das pessoas. Isso a fez mudar por dentro. E a Dilma é uma pessoa muito sensível. Um dia, quando ela era ministra de Minas e Energia, estávamos conversando sobre poesia e no dia seguinte me trouxe as obras completas de Adélia Prado.

Agora, ao indicá-lo para ministro, ela lhe fez algum pedido especial?
Na primeira conversa mais clara sobre a Secretaria-Geral, há uns dez dias, ela falou: "Gilbertinho, preciso de você para me dizer as verdades. Você vai ficar do meu lado criticando, falando as coisas com clareza. Preciso de você me trazendo a sensibilidade dos movimentos sociais." Fiquei muito animado.

O fato de a futura presidente não ter traquejo político não pode torná-la refém dos partidos, principalmente nessa disputa por cargos entre o PT e o PMDB?

Quero dizer que não convém nunca subestimar a Dilma. Quem o fez quebrou a cara na campanha eleitoral. Ela mostra uma capacidade de aprendizado e de habilidade política surpreendentes. Ninguém engana a Dilma nem deve achar que na base do grito vai levar alguma coisa. A pior coisa que tem é botar a faca no pescoço dela porque aí a reação é mais dura. Ela não será refém. Aliás, é fundamental que ela tenha essa ligação fortíssima com os movimentos sociais, que pode funcionar como contraponto a esse tipo de pressão.

Mas na montagem do novo governo já houve um curto-circuito, quando o governador do Rio, Sérgio Cabral, anunciou o ministro da Saúde e teve de recuar, depois de uma rebelião no PMDB...
E você viu qual foi a atitude dela, não é? A Dilma tem essa vantagem, é muito transparente. É natural que haja tensões. Agora, se fosse atender a todas as demandas, teríamos de ter uns 60 ministérios...

O presidente sugeriu a Dilma que mantivesse muitos ministros. Isso não deixa a nova gestão com cara de governo antigo?

Eu sou testemunha de muitas conversas entre os dois. Quando a Dilma pergunta, ele dá opinião. Mas Lula age com muito cuidado e tem opiniões diferentes de algumas das nomeações que ela fez.

Em que cargos?
No Banco Central, por exemplo. É verdade que o governo Dilma tem um pouco da cara do governo Lula. Agora, você sabe que o ministério que começa não é o que termina. É natural que, aos poucos, Dilma vá dando cada vez mais a feição dela ao governo.

Lula sentirá falta do Planalto?
Ah, sim, está muito mais emotivo. Outro dia quando o Franklin (Martins, secretário de Comunicação Social) lembrou que era 1.º de dezembro, ele deu um grito. "Não, não, não. Não fale isso!", disse. Lula vai sentir muita falta. Ele se preparou para isso e adora ser presidente. Para deixar, vai ter síndrome de abstinência (risos).

Ele disse a José Dirceu que vai desmontar a farsa do mensalão. O que significa exatamente isso?
Lula quer fazer, fora da Presidência, uma análise detalhada do que foi, de fato, aquele processo. Quando fala em farsa do mensalão é porque está convencido de que nunca foi dado dinheiro para alguém votar com o governo. Ele não nega erros e problemas de uso de recursos. Nega o nome mensalão. E sempre disse: "Quem comprou voto foi o Fernando Henrique na reeleição."

Ricardo Kotscho no Programa do Jô (I)

Ricardo Kotscho no Programa do Jô (II)

Ricardo Kotscho no Programa do Jô (III)

Troféu Motossera de Ouro para Kátia Abreu

Do Greenpeace
 

Mal-agradecida, a jagunça recusou o troféu
Líder da bancada ruralista no Congresso e fiel defensora das propostas de mudanças no Código Florestal brasileiro, a senadora Kátia Abreu (DEMO-TO) recebeu das mãos de uma ativista do movimento indígena da Amazônia, junto com o Greenpeace, o prêmio Motosserra de Ouro, símbolo de sua luta incansável pelo esfacelamento da lei que protege as florestas do país.

A ativista tentou presentear Kátia Abreu com uma réplica dourada do instrumento usado para desmatar florestas no lobby do hotel em que está hospedada em Cancún, onde participa da 16ª Conferência de Clima da ONU (COP16). A senadora desprezou o agrado, visivelmente irritada, e deixou para a ativista apenas os comentários irônicos de seus assessores. A condecoração serviu para lembrar aos ruralistas defensores do relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que prevê alterações na lei, que essa proposta representa uma grave ameaça ao ambiente.


...

E atenção, atenção... Notícia de última hora: em todo o mundo, representantes da conceituada e tradicional Família Abreu, que já deu ao mundo nomes como João Capistrano de Abreu, Casemiro de Abreu, José de Abreu, entre outros vultos, procuraram a imprensa para declarar que a jagunça brasileira não pertence à sua linhagem.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Fanatismo! Porque hoje é sábado

Fanatismo é obra da poetisa portuguesa Florbela Espanca, musicado pelo cearense Fagner. Aqui interpretado por ele e Zeca Baleiro. Após o vídeo segue a bela letra, para quem quiser acompanhar.



Fanatismo (Florbela Espanca, 1894-1930)

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim, enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isso, toda a graça
Duma boca divina fala em mim
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Um ano de ausência

Fernando Wagner (1952/2009)


Hoje (3/12) faz um ano da partida de nosso irmão Fernando Wagner. Para ele, posto um poema de um seu amigo, o Jamil Snege, que também seguiu os caminhos do insondável. A primeira vez que li o poema do "turco" pressenti que ele havia lavrado seu próprio epitáfio. Lá vai:

"Já inspecionei a proa,
amarrei a carga,
desatei a vela.
O vento sopra forte
e enfuna meu coração de alegria.
Agora é contigo, Senhor.
Toma o leme e risca o rumo do meu barco
– não penses que irei por este mar sozinho."

Para o Rio de Janeiro (III)

Para o Rio de Janeiro (II)

Para o Rio de Janeiro

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

É o fim do miserê!

Até que a morte em breve os separe
Acabo de bolar uma solução genial para resolver o problema das favelas do Rio de Janeiro, especialmente agora que o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula parecem dispostos a acabar com a renda gerada ali pelo tráfico de drogas. Basta casar jovenzinhos e jovenzinhas favelados com velhotes e velhotas aposentados. Melhor ainda se os velhinhos forem oriundos do Judiciário ou das Forças Armadas, que repassam as pensões para filhas, netas, tataranetas ... Com essa medida simples os meninos e meninas favelados, hoje sem nenhuma perspectiva de futuro, em pouco tempo "herdarão" ótimas pensões e soldos que irão garantir seu sustento numa boa, ad eternum. Todo mundo sabe que isto é fraude à Previdência, mas a nossa classe média já vem fazendo isso aberta e impunemente, então por que não estimular essa prática entre os favelados, para retirá-los da miséria? Afinal de contas, por que só a classe média e os ricos podem chafurdar na corrupção e posar de vestais? Vou criar um site tipo "Almas Gêmeas" para aproximar os meninos e meninas favelados dos velhotes e das velhotas bem aquinhoados com polpudas aposentadorias. Vai se chamar "Pensão Afetiva": um entra com o sexo, outro com a grana e o erário (se) fode.

Modus operandi Gilmar Mendes

Copiado do Blog Conversa Afiada.

Vou acreditar quando estourarem a Globo

A Rede Globo cobre a ação do Governo Sérgio Cabral em parceria com o presidente Lula para retomar as áreas ocupadas pelo crime organizado no Rio de Janeiro como se não tivesse contribuído para a bandidagem se incrustrar nas favelas cariocas. Foi por meio de seu poder de fazer a cabeça dos cariocas e fluminenses que a Globo elegeu governadores, prefeitos e parlamentares ligados às milícias criminosas que dominavam os morros. A mídia independente aponta entre esses os seguintes: Antony Garotinho, Rosinha Garotinho, Moreira Franco, Cesar Maia, Índio da Costa, Marcelo Itagiba, Álvaro Lins e tantos outros.

Isso sem falar na contribuição da gente da Globo para o mercado das drogas, em especial a cocaína, que rola solta em festinhas de celebridades nos bairros chiques da Cidade Maravilhosa. Quero ver os apresentadores de telejornais da Globo fazerem essas poses de vestais quando as forças de guerra do secretário Beltrame ocuparem o Leblon, Ipanema, Barra, Flamengo, a Região dos Lagos etc etc etc. Ou vocês acham que o dinheiro do tráfico circula nas favelas??

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A corrupção policial está na origem do crime organizado, mas não é só ela

Quando o bicho pega, como agora, a mídia saca da lancheira as análises mais óbvias. Agora estão lembrando da corrupção policial. Certamente é parte do problema, mas a questao parece ser mais profunda. Tenho ouvido estarrecido, dentro do meu círculo de amizades no Rio, relatos de fraudes à Previdência (casamentos arranjados com velhinhos para ficar com as pensões), militares adotando netas para transferirem ad-eternum os proventos após a morte (desde que as adotadas não casem no papel), empresas como clínicas médicas fazendo gatos de energia, e por aí vai. Penso que quando questões como essas chegam tão próximo de cada um de nós é porque já estão demasiadamente disseminadas na sociedade. Em suma, sem falso moralismo, quem terá autoridade para condenar a corrupção policial ou o tráfico de drogas? Que tal legalizarmos o casamento de velhinhos e velhinhas servidores públicos e das forças armadas com meninos e meninas faveladas para melhorar a situação dessas comunidades e dar a elas a mesma alternativa de renda fácil que a nossa classe média e média alta já encontraram? E lá vem de novo a Rede Globo fazendo campanha contra CPMF, o único imposto que rico paga e reverte para os pobres e a classe média ...

Paranóia contra o tráfico

Estou postando do Rio de Janeiro e a cidade está vivendo dias de terror com a retonada dos territórios que estavam sob o comando do crime organizado. O local onde estou, um condomínio fechado na divisa da Barra com o Recreio dos Bandeirantes parece ser seguro. O único contato com os enfrentamentos entre a polícia e a bandidagem são os frequentes rasantes dos helicópteros das forças de segurança sobre o edifício, sei lá por qual razão.

Mas o povo aqui está paranóico, não se fala em outra coisa. Ontem estive no Barra Shopping, um dos maiores daqui, e estava às moscas. Contei 4 pessoas em uma das praça de alimentação, cerca das 18 horas. A maioria das empresas está dispensando os funcionários no meio da tarde, quando não antes, para evitar que cheguem às suas casas com o sol posto. Está difícil até para pegar um táxi, que também estão se recolhendo cedo.

A paranóia é tanta que a mãe do taxista que nos levava do shopping de volta ao condomínio ligou duas vezes determinando ao filho voltar a casa. Como ele nos relatava a conversa e a mãe ouvia nossas risadas ela quis que o filho me passasse o celular para ter certeza de que não se tratava de um seqüestro. Mal ela desligou e tocou a namorada do rapaz, com as mesmas ordens. E ainda não eram 19 horas. Claro que foi a última corrida do dia para aquele taxista.

Algumas horas antes eu aguardava na entrada do Barra Shopping a minha irmã Elisabete, que mora em Jacarepaguá. Em vez dela pegar um táxi na rua, ela foi de ônibus até outro shopping e de lá apanhou um táxi no ponto, ``porque é seguro``. Ou seja, as pessoas tem receio até de pegar um táxi qualquer na rua.

Enquanto a aguardava eu ouvia a conversa de uns poucos que desembarcavam de táxis. Os boatos corriam soltos: os traficantes vão explodir a Ponte Rio-Niterói, vão dinamitar o Cristo Redentor, vão colocar bombas nos shoppings ...

Tudo indica que o final de semana vai ser quente!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O controle de constitucionalidade
e o bom combate

Francisco Duarte, acadêmico de Direito


Faltando 5 dias para as eleições do 1º turno de 2010, o Partido dos Trabalhadores ingressou no STF com uma ADIn (nº 4467) questionando a constitucionalidade do artigo 49 da Lei 12.034/2009, que exigia a apresentação de dois documentos – o Título de Eleitor e um documento de identidade com foto – para o cidadão exercer o direito-dever de votar. O principal argumento da peça petista acusava o "cerceamento legal ao direito político do cidadão" e a “violação do princípio constitucional da universalidade do sufrágio”.

Pelo menos dois meses antes, internautas já alertavam em diversos blogs para a inconstitucionalidade dessa norma, a despeito dela ter passado incólume pelas comissões técnicas das duas casas legislativas federais e ter recebido a sanção presidencial no final de 2009.

Não bastasse isto, a questão suscitou longos e discursivos embates no STF, com especial destaque para o atual e o ex-presidente da Casa, Cesar Peluzo e Gilmar Mendes, respectivamente, – os dois únicos votos contrários à ADIn. O ministro Gilmar, de maneira surpreendente, chegou a pedir vistas ao processo, levantando a suspeita de ter agido a pedido do candidato José Serra, de quem supostamente teria recebido um telefonema minutos antes da iniciativa protelatória.

Lamentavelmente, os cidadãos internautas não são parte legítima para proposição de ADIns, ou o assunto teria se resolvido bem antes. Como se sabe, somente as Mesas do Senado, da Câmara Federal e da Câmara Legislativa do DF, mais os partidos políticos com representação no Congresso Nacional, o Conselho Federal da OAB e as confederações sindicais podem propor esse tipo de ação no chamado “controle concentrado”, que é como se denomina o processo na corte suprema (STF).

Contudo, a questão era tão absurda – cassar o direito-dever do voto a quem não portasse o Título de Eleitor – que comportava uma boa batalha jurídica no dia do pleito. Este seria o meio ao alcance do cidadão comum para fazer valer o seu direito e, de quebra, exigir o respeito à Constituição Federal. Para tanto, o cidadão disposto a um bom combate impetraria Mandado de Segurança contra o presidente de sua seção eleitoral (a autoridade coatora), tão logo fosse impedido de votar sem exibir o Título de Eleitor.

O MS, definido no art. 5º, LXIX, da Constituição Federal é “remédio jurídico” eficiente contra autoridades públicas ou seus prepostos diante da negação de um direito líquido e certo – como é o direito-dever do voto. Os dois requisitos fundamentais para a proposição dessa ação – o direito assegurado em lei e o perigo da demora – estão claramente presentes, não havendo a menor chance da recusa da liminar.

Primeiro porque o direito-dever de votar é norma Constitucional, definida no art. 14, parágrafo 1º, I, da CF. E o risco da demora de uma decisão está evidenciado no fato de que o pleito se encerra às 17 horas na maior parte do território nacional, e aqueles que não votarem ou justificarem são passíveis de sanções que vão de multa a cerceamento de direitos. O rigor é tal que o infrator pode ser impedido de participar de concursos públicos, viajar para fora do país, obter empréstimos em instituições financeiras públicas etc (Código Eleitoral, art. 6º e 7º).

Assim, de posse da liminar o eleitor voltaria a sua seção e exerceria a sua cidadania em plenitude.

Posteriormente, no momento do juiz enfrentar o mérito da ação, o nosso cidadão inconformado estaria “legitimado” para sustentar a tese da inconstitucionalidade do art. 49 da Lei 12.034/2009. Para tanto, na via de exceção, invocaria o chamado “controle difuso” da Constituição Federal, situação em que qualquer membro do Poder Judiciário pode se manifestar sobre a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. A diferença, em relação à uma ADIn, é que a sentença tornaria inaplicável a lei exclusivamente ao caso concreto. Mas já seria uma vitória.

Com relação à inconstitucionalidade da norma em questão nem é necessário grande saber jurídico para constatá-la. A matéria não resiste sequer ao bom senso de um leigo, bastando lembrar que a Justiça Eleitoral é aquela que detém com exclusividade a comprovação do cadastramento do eleitor. Portanto, chega a ser obtuso pretender que o cidadão precise comprovar à Justiça Eleitoral aquilo que só ela e ele sabem.

Ao cidadão cabe, isto sim, comprovar a sua identidade civil, para confrontá-la com o cadastro eleitoral. E isto pode ser feito, legalmente, por qualquer documento que tenha fé pública, como Cédula de Identidade, Identidade Profissional, a nova Carteira Nacional de Habilitação, o Passaporte, entre outros.

Do ponto de vista da Constituição Federal, o art. 49 da Lei 12.034/2009 fere princípios fundamentais. Vamos a alguns deles, começando pelo art. 1º, II, capítulo dos Princípios Fundamentais. Ali está expresso que a República brasileira se fundamenta na (…) Cidadania, ou seja, na garantia do exercício pleno dos direitos políticos de cada homem e cada mulher, a começar pelo sufrágio universal, sem cerceamentos.

Outro fundamento da República Federativa do Brasil agredido pela Lei 12.034/2009 é a “dignidade da pessoa humana”, mencionada no mesmo antigo anterior, item III. É evidente o desrespeito à dignidade daquele a quem o Estado nega, ainda que por meio de subterfúgios, o direito ao voto.

Para não nos alongarmos demasiadamente podemos citar ainda a agressão à Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica), da qual o Brasil é signatário. Essa adesão, formalizada pelo Decreto 678, de 06/10/1992, deu à convenção internacional força de norma constitucional brasileira.

E lá está expresso, no art. 23, 3 (Direitos Políticos), que “todos os cidadãos devem gozar dos seguintes direitos e oportunidades: (…) votar e ser eleito em eleições periódicas, autênticas, realizadas por sufrágio universal e igualitário e por voto secreto, que garantam a livre expressão da vontade dos eleitores”.

Por tudo isso, derrubar a obrigatoriedade do porte de dois documentos para o eleitor exercer seu direito de voto foi o que se pode chamar de “bom combate”. Expôs legisladores que formulam leis em flagrante choque com a nossa Carta Magna e preservou o exercício da cidadania.

Gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente!

Geraldo Vandré ficou conhecido principalmente pela canção "Caminhando", que por sua vez virou "Pra não dizer que não falei de flores", transformada em hino contra a ditadura militar/civil que durou de 1964 a 1985. Mas a melhor obra de Vandré foi outra, a magistral Disparada, defendida por Jair Rodrigues no Festival da Canção, da TV Record, em 1966.

É para ouvir com som nas alturas e acompanhar a letra, colada abaixo do vídeo (com um surpreendente audio). Ainda sobre o vídeo, nele vocês reconhecerão Elis Regina, Chico Buarque, Nara Leão e sua irmã dondoca e socialite Danusa Leão (na época, a conservadora Danusa, que mamou nas tetas de todos os governos, achava "in" parecer da esquerda light).



Disparada

Jair Rodrigues

Composição: Geraldo Vadré, Théo de Barros

Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar
Eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão e posso não lhe agradar
 

Aprendi a dizer não, ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo, a morte e o destino, tudo
Estava fora do lugar, eu vivo prá consertar


Na boiada já fui boi, mas um dia me montei
Não por um motivo meu, ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse, porém por necessidade
Do dono de uma boiada cujo vaqueiro morreu


Boiadeiro muito tempo, laço firme e braço forte
Muito gado, muita gente, pela vida segurei
Seguia como num sonho, e boiadeiro era um rei
 

Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
E nos sonhos que fui sonhando, as visões se clareando
As visões se clareando, até que um dia acordei


Então não pude seguir valente lugar-tenente
De dono de gado e gente, porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente.


Se você não concordar não posso me desculpar
Não canto pra enganar, vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado, vou cantar noutro lugar


Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém, que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse, por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu querer ir mais longe que eu


Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
Já que um dia montei agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte num reino que não tem rei!

sábado, 20 de novembro de 2010

Roberta Sá e Agora Sim!

Sou um ignorante confesso. Não tinha a menor ideia até hoje da existência de Roberta Sá, pelo que me penitencio. A moça apareceu lá pelos idos de 2002, pelo que me consta. É um privilégio ouvi-la. O vídeo é de uma participação no ótimo programa "Samba na Gamboa", apresentado pelo Diogo Nogueira, espelho do saudoso João (TV Brasil, às terças-feiras, lá pelas 22 horas). Roberta Sá canta "Agora sim". É isso e é tudo.

Pra matar a saudade do bom samba

Pra celebrar o sábado de sol posto o samba "Esperanças Perdidas", com os Originais do Samba. O principal integrante do grupo era o sambista e humorista Antonio Carlos, mais conhecido como "Mussum". Aliás, mais um artista explorado pelo sem-graça Renato Aragão, que se servia de Mussum como "escada". De qualquer forma, Mussum era melhor sambista do que humorista.  Lá vai:

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Covardia protegida pelo Judiciário e o MP

O segurança do edifício e o jovem agredido demonstraram uma coragem que faltou aos frouxos juiz e promotor da Vara da Infância e Juventude, que liberaram os agressores covardes, e ao advogado que "tudo faz por mil reais".

O nome do juiz ainda é desconhecido. O frouxo da Vara da Infância e Adolescência é o promotor Tales César de Oliveira e o advogado que "tudo faz por mais reais" é Orlando Machado. Gente assim precisa ter os nomes divulgados. 

Memória da ditadura: Quem não se acovardou/fugiu tem história pra contar

Nenhum medo de ser feliz
Evandro Éboli e Jailton de Carvalho, O Globo

Liberados para consulta ontem pelo Superior Tribunal Militar (STM), os dezesseis volumes de documentos com páginas já amareladas e gastas que contam a história do processo movido pela ditadura militar contra a presidente eleita Dilma Rousseff descrevem a ex-militante como uma figura de expressão nos grupos em que atuou, que chefiou greves e "assessorou assaltos a bancos", e nunca se arrependeu.

Na denúncia oferecida pelo Ministério Público Militar contra os integrantes do grupo de esquerda VAR-Palmares, Dilma é chamada de "Joana D’Arc da subversão".

"É figura feminina de expressão tristemente notável", escreveu o procurador responsável pela denúncia.

O GLOBO teve acesso aos autos a partir de autorização do presidente do STM, ministro Carlos Alberto Marques.

A decisão foi assinada no mesmo dia em que o plenário da corte liberou o acesso dos autos ao jornal "Folha de S.Paulo", que antes da eleição tentara consultar o processo.

Em depoimento à Justiça Militar, em 21 de outubro de 1970, Dilma contou ao juiz da 1ª Auditoria da 2 Circunscrição Judiciária Militar que foi seviciada quando esteve presa no Dops, em São Paulo.

O auditor não perguntou quais tinham sido as sevícias. No interrogatório, Dilma explicou ao juiz porque aderiu à luta armada. O trecho do depoimento é este:

"Que se declara marxista-leninista e, por isto mesmo, em função de uma análise da realidade brasileira, na qual constatou a existência de desequilíbrios regionais de renda, o que provoca a crescente miséria da maioria da população, ao lado da magnitude riqueza de uns poucos que detém o poder e impedem, através da repressão policial, da qual hoje a interroganda é vítima, todas as lutas de libertação e emancipação do povo brasileira. Dessa ditadura institucionalizada optou pelo caminho socialista".

Os arquivos trazem ainda cópia do depoimento que Dilma prestou em 1970 ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops), delegacia em que ela ficou presa e foi torturada.

No interrogatório realizado no dia 26 de fevereiro daquele ano, Dilma, sob intensa tortura, listou nomes de companheiros, indicou locais de reuniões, e admitiu que uma das organizações da qual fazia parte, o Colina, fez pelo menos três assaltos a banco e um atentado a bomba.

Mas ressalvou que nem ela nem o então marido, Cláudio Galeno de Magalhães Linhares, tiveram "participação ativa" nas ações.

No interrogatório no Dops, Dilma contou que o atentado a bomba foi praticado na casa do interventor do Sindicato dos Metalúrgicos em Minas Gerais, e que atingiu também a casa do delegado Regional do Trabalho. As residências eram contíguas.

Em um trecho do depoimento, Dilma disse que uma de suas funções em organizações de combate à ditadura era organizar células de militantes. Teria sido encarregada de distribuir dinheiro aos grupos. O dinheiro teria sido arrecadado em ações dos movimentos.

Os documentos relatam que Dilma começou a ser "doutrinada para o credo ideológico marximalista" (sic) por Cláudio Galeno, em Belo Horizonte, quanto atuavam na Polop, em 1967. Anos depois, na VAR-Palmares, Dilma foi a São Paulo e assumiu atividade de colegas que estavam para cair (serem presos). Dilma foi professora de marxismo e em sua casa foram apreendidos materiais para falsificação, panfletos e livros considerados subversivos.

Antes de seguir para São Paulo, Dilma e o marido passaram pelo Rio, em 1969. Sem conseguir, de início, um aparelho para morar, viveram num hotel em Laranjeiras. A Polop, movimento em que atuavam, passou a se chamar Colina. Dilma traduziu livros para os companheiros e foi cobrir pontos e contatos. Foi usada certa vez como "araque", para atrair e despistar a atenção dos militares enquanto companheiros faziam reuniões.

Dilma era deslocada para outros pontos do país para fortalecer a atuação do Colina e arregimentar companheiros. Foi ao Rio Grande do Sul, onde a atuação de seu grupo era fraca e não havia militantes suficientes. Depois, foi cumprir o mesmo papel em Brasília e Goiânia.

Em junho de 1969, teria participado da reunião que tratou da fusão do Colina com a VPR, no Rio. Dilma contou que, em outro encontro, um companheiro falou da realização de uma "grande ação" que iria render bastante dinheiro para os cofres da organização. Essa ação, soube Dilma depois, tratava-se do assalto à residência de Ana Capriglione, ex-secretária do ex-governador Ademar de Barros.

Elogio à "dotação intelectual"

Num relatório sobre guerrilheiros da VAR-Palmares, o delegado Newton Fernandes, da Polícia Civil de São Paulo, traça um perfil de 12 linhas sobre Dilma. Segundo ele, ela era "uma das molas mestras e um dos cérebros dos esquemas revolucionários postos em prática pelas esquerdas radicais". O delegado diz que a petista pertencia ao "Comando Geral da Colina" e era "coordenadora dos Setores Operário e Estudantil da VAR-Palmares de São Paulo, como também do Setor de Operações".

"É antiga militante de esquemas subversivo-terroristas", diz o delegado. No texto, elogia a capacidade intelectual da guerrilheira: "Trata-se de uma pessoa de dotação intelectual bastante apreciável". No documento, o delegado pede a prisão preventiva de Dilma e mais 69 acusados de atividades subversivas contra o governo.

Em maio de 2008, Dilma falou no Senado sobre o período em que foi torturada. Questionada pelo senador Agripino Maia, que relembrou uma entrevista em que ela dizia ter mentido na prisão, Dilma afirmou que foi "barbaramente torturada" e respondeu:

- Não é possível supor que se dialogue com pau de arara ou choque elétrico. Qualquer comparação entre a ditadura militar e a democracia brasileira só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira - disse Dilma, que emocionou a plateia que a ouvia na ocasião. - Eu tinha 19 anos. Fiquei três anos na cadeia. E fui barbaramente torturada, senador. Qualquer pessoa que ousar dizer a verdade para interrogador compromete a vida dos seus iguais. Entrega pessoas para serem mortas. Eu me orgulho muito de ter mentido, senador. Porque mentir na tortura não é fácil. Na democracia se fala a verdade. Na tortura, quem tem coragem e dignidade fala mentira. E isso, senador, faz parte e integra a minha biografia, de que tenho imenso orgulho. E completou: - Aguentar tortura é dificílimo. Todos nós somos muito frágeis, somos humanos, temos dor. A sedução, a tentação de falar o que ocorreu. A dor é insuportável, o senhor não imagina o quanto.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Como disse o Serra, carro é pra ricos!

Não sei o que é pior: o babaca que pára para olhar acidente em rodovia ou uma emissora que contrata um quadrúpede para comentar a babaquice alheia. Na dúvida, voto em empate. Notem que o sujeito usa peruca ou pinta o cabelo, o que explica muita coisa.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Nordeste é caminho para Miami

Capistrano de Abreu, Proclamador da República

Capistrano botou a República na rua
A Proclamação da República que se comemora hoje (15/11) foi mais um episódio político fake no Brasil do eterno pacto das elites. Quem garante isso é o maior historiador brasileiro, o cearense do Columinjuba João Capistrano de Abreu (1853-1927), que em tom de piléria reivindicava para si a autoria do feito histórico. Conta Capistrano que quando a monarquia caiu, o grupo liderado por Benjamin Constant, Rui Barbosa, Campos Sales, entre outros, começou a tergiversar, dando a entender que pretendia não a mudança de regime, mas apenas uma troca de mando. Percebendo que a liderança do movimento titubeava, Capistrano preparou um cartaz com os dizeres "Proclamada a República!" e afixou na fachada do Diário de Notícias, do qual era redator. O anúncio da manchete - uma prática comum na época - provocou uma aglomeração à frente do jornal, e logo eram centenas de pessoas aguardando a saída do impresso com detalhes da notícia. A atitude de Capistrano tornou os fatos consumados e deixou sem saída os líderes do movimento, que tiveram que anunciar a República e o comando do marechal Deodoro da Fonseca. Com razão, portanto, o gozador Capistrano dizia que o verdadeiro proclamador da República do Brasil era ele.

(O quadro que ilustra o post é de Benedito Calixto e está exposto na Pinacoteca de São Paulo)

Canção do Expedicionário da FEB

A postagem no Youtube não esclarece o nome da banda executora, nem explica as imagens. O nome da banda continuo sem saber, mas as imagens são da Casa do Expedicionário em Curitiba. 

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A força de uma imagem

Falta muita gente nessa ilustração, mas as figuras principais, sem dúvida, estão todas embarcadas.

Copiado do Blog do Azenha (vi o Mundo) http://www.viomundo.com.br/

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cordel da Presidente Dilma

A peleja da mulher que enfrentou o diabo 3 vezes e se tornou a 1ª Presidente do Brasil
De Toni Couto.



Clique aqui

Eu vou contar pra vocês
Nesse cordel nordestino
Um causo danado de bom
Que mudou nosso destino
É a história de uma mulher mineira
Companheira, guerreira e guerrilheira
Que enfrentou o diabo três vezes
E se transformou na primeira:
A primeira mulher presidente
Da democracia brasileira
Todos sabem que o maldito
Aquele que vem lá de baixo
É chamado de sete-peles
E não é mesmo por acaso
Pois ele é especialista
Na arte da conquista
De enganar até o mais danado
A primeira vez que essa mulher
Se deparou com o desviado
Ele se dizia o justo
E que livraria o mundo
Da subversão e do pecado
Trazia um chicote na mão
Muito ódio no coração
E estava sempre fardado
Quem antes era o feitor
Também padre inquisitor
Dessa vez, era soldado
Com a missão de carrasco
E esse carrasco prendeu
Torturou, abusou e bateu
Mas a mulher não se abateu
Calada, tudo suportou
E depois do carrasco cansado
Gritou injuriado: “Mas que diabo!”
E enfim, a mulher libertou
Passaram-se muitos anos
Até que ela superou
Aquele momento terrível
Da vida, que ela passou
Agora, recuperada
Topara nova empreitada:
Ao lado do amigo companheiro
Mudar o Brasil inteiro
E melhorar a vida
De milhões de brasileiros
Mas, o cramulhão não se contenta
E eis que, de novo, ele atenta
Veio bufando, lá de baixo
Perseguir a pobre mulher
Só que dessa vez, em forma de doença
Com o câncer, ela, assustou
Mas, corajosa, não se abalou
E, como uma boa brasileira
Chamou médico e enfermeira
E comeu o pão que o diabo amassou
Eita mulher danada!
Não é que ela foi curada!
Mal saiu do hospital
Apeou a mula e disse: “Estou preparada”
E ao lado dos companheiros
Topou uma nova jornada
Ser a primeira mulé
Depois do tempo dos coroné
A comandar a peãozada
Mas, foi longa, a cavalgada
Que foi ainda prorrogada
E o sete-peles, na calada
Se preparava para a última cartada
Na pele de um homem educado
Bem vestido e mal acompanhado
O diabo se apresentara:
“Agora não tem pra ninguém!
Ela é que é do mal, eu sou do bem!”
No segundo tempo, do jogo
O povo, que não é bobo, nem nada
Não acreditou nessa palhaçada
E o golpe de misericórdia
Nessa alma mal lavada
Foi uma bolinha de papel
Que, ou veio direto do céu
Ou foi, por ele mesmo, amassada
“Cá, cá, cá, cá, cá!”
O povo deu foi risada!
Ele achava que era fácil
Enganar o brasileiro
Com esse monte de mentira deslavada
Na hora do pleito final
No embate entre o bem e o mal
Com ajuda do amigo companheiro
E a força do povo brasileiro
Agora não tem mais jeito
Nossa heroina venceu
E diabo inconformado
Teve que engolir calado
Pegou o elevador e desceu
E agora, essa mulher, a mineira
Guerrilheira, sim, companheira e guerreira
Depois de ter enfrentado
Por três vezes, o diabo
É a primeira brasileira
A comandar nosso estado!
E por esse sertão afora
Chegando no mundo inteiro
Ecoa um grito de glória
E um sentimento verdadeiro:
“Esta aí, presidenta, a vitória
Nossa parte, fizemos primeiro
Agora salve a nação nordestina
E viva o povo brasileiro!”

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Memórias da vida em uma república (II)

A Paz Utópica

Poema de Aldo Theis (X-X-MCMLXIX)

I) Se tu existisses na forma de mulher...
Alucinado eu buscaria teu hálito
para viver.

II) Vem! Na ilusão dos transplantes ...
Sem braços! Dá-me teu corpo
Vem só cabeça ... Te quero!
Vem só voz ... Que eu amo a tua alma.

III) Eu te reconheceria mesmo na República Platônica.
E furioso duelaria com os bárbaros,
destronando o rei que te tocasse!
Nem que fosse Alexandre, o epilético.

IV) Pela mão te conduziria afoito
na escalada dos tempos.
Faria contigo a travessia dos séculos ...
Rasgando história e contradições épicas!

V) Sereno, apagaria as chamas da Inquisição.
Educaria Robespierre, evitando a megalomania de Napoleão...

VI) Eclipsarias Mogador,
Como mais brilho que George Sand,
Sem a dor das cortesãs...

VII) Além, te traria às Américas
Impedirias o tântaro dos negros
sem sangue, nem Secessão!

VIII) Não haveria, se existisses,
a morbidez dos cadafalsos,
os fabricantes de carrascos.

IX) Quanta vida gritaria de sol ...

X) Porque estamos no Século XX
Não te possuo.
Não tenho poderes mágicos ...
Não existes!

XI) Sou simplesmente mortal,
Tragicamente humano ...
Nascido entre coisas tristes
Para amar-te insano, fatalmente.

XII) Oh Paz ...
Tu inexistes!

(Para os amigos Damien e Lô)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A mídia quer convencer a classe
média que R$ 19 é igual a R$ 3,8 mil


CPMF pra quê?
Os jornalistas Miriam Leitão, Merval Pereira, Ricardo Noblat, Dora Kramer são alguns dos nomes que já se levantaram contra a proposta de ressuscitação da CPMF, o chamado “imposto do cheque”, que a presidente Dilma pretende tornar real. Só por esses nomes estarem contra a CPMF já seria indicativo suficiente para qualquer pessoa de bom senso se colocar a favor do imposto, já que temos aí pelo menos quatro jornalistas que servem de maneira incondicional à pior e mais atrasada elite do mundo, a brasileira.
Mas os quatro “cavalheiros do apocalipse” têm razão em ser contra a CPMF, uma vez que cada um deles tem ganhos mensais superiores a R$ 150 mil e contam com planos de saúde padrão ouro e platina, subsidiados pelos veículos de comunicação aos quais servem. Veículos que, por sua vez, recebem polpudas quantias dos cofres públicos de São Paulo para omitir toda denúncia de corrupção e produzir régios elogios às administrações demos-tucanas.
Já o povo que depende do SUS e que paga plano de saúde de seu próprio bolso tem razões de sobra para ser a favor da volta da CPMF, o único imposto pago pelos ricos em favor dos pobres e da classe média. O único imposto com essa característica – frise-se. Miriam Leitão, indignada, certamente lembrará que o pobre, assim como o rico, também paga CPMF. E é verdade. Mas o fato é que o pobre paga um valor micro, enquanto o rico paga um valor correspondente ao tamanho de seus ganhos.
Vamos aos números: o sujeito que ganha salário mínimo pagará R$ 1,90 por mês de CPMF. Menos do que uma passagem de ônibus. Alguém da classe média, com salário de R$ 5 mil, pagará R$ 19. Preço de uma refeição num restaurante médio, sem bebida. Já a Miriam Leitão, o Merval Pereira, o Ricardo Noblat, a Dora Kramer, que faturam na faixa de R$ 150 mil por mês, pagarão R$ 570. Deve ser menos do que eles pagam por uma refeição no Piantella, restaurante chique de Brasília, onde um bom vinho está na faixa de R$ 1 mil.
Por sua vez, o senador Paulo Bornhausen (DEMO/SC), um dos maiores opositores da volta da CPMF, por cuja conta bancária devem transitar pelo menos R$ 1 milhão por mês, pagará a ninharia (para ele) de R$ 3,8 mil. Isso se a alíquota permanecer em 0,38%, mas ela pode ser até menor.
Alguém imagina que R$ 570 por mês fará falta aos jornalistas da Globo, da Veja, do Estadão?? Ou que meros R$ 3,8 mil farão falta ao banqueiro Bornhausen? Óbvio que não! Para eles será o mesmo que R$ 1,9 para o ganhador de salário mínimo, ou os R$ 19 para o cidadão da classe média assalariado com R$ 5 mil.
O que incomoda os jornalistas chapa branca e o banqueiro catarinense é o fato de que a CPMF fornece à Receita Federal um eficiente instrumento de verificação de renda – renda que eles preferiam ver omitida de suas declarações mensais e anuais.
Aliás, foi exatamente a CPMF que mostrou distorções como o fato de 2 mil contribuintes da Santa Catarina dos Bornhausen terem gastos mensais em cartão de crédito superiores e R$ 200 mil. Isto apesar de preencherem declarações de isentos para a Receita Federal.
Foram pegos pela CPMF. É natural, portanto, que não gostem do imposto do cheque, mas o povo que quer saúde de qualidade tem todo o direito da CPMF de volta.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

FHC vem aí com "Case de Fracasso"

Com elegância e maestria, FHC
faz um Ó usando apenas dois dedos.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (direita) prepara o lançamento de sua mais recente obra, denominada "Case de Fracasso". Ela vai retratar as grandes realizações de seus dois governos (1995-1998 e 1999-2002), sendo uma das principais obras a quebra do Brasil por três vezes consecutivas. O lançamento compreende dois tomos: no tomo I, FHC relata o quanto tomou para comprar deputados em favor da emenda da reeleição, estratégia que lhe possibilitou piorar ainda mais a sua já risível passagem pela Presidência da República. No tomo II ele discorre sobre as privatizações da Vale, das teles e principalmente das empresas do setor elétrico, que foi onde ele mais tomou. A obra é prefaciada por aquele que foi ministro do Planejamento do Apagão de FHC, José Serra, o popular "Zézinho da Moca", filho de um humilde carregador de caixas no Ceasa São Paulo e de uma moradora de rua. Além do prefácio, a obra tem a apresentação do deputado Fernando Gabeira, do PV, Partido dos Viajantes. Gabeira acompanhará FHC em quase todas as sessões de autógrafos da obra, exceto nos Estados Unidos, onde está proibido de entrar por ter sequestrado um embaixador para mostrar rebeldia à família. FHC doará parte da renda de direitos autorais para a campanha da inclusão da maconha na merenda escolar em São Paulo. (by Tiririka's News)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Venceu o Brasil!

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Quem venceu a eleição de 31 de outubro não foi o PT e seus partidos aliados, mas a Dilma, o presidente Lula e o povo brasileiro. Parte importante do PT não se empenhou na campanha, e isto se demonstra pelos resultados da eleição da Dilma em todos os Estados do Sul. Até no Estado gaúcho, onde o PT elegeu o governador, depois de um mandato absolutamente caótico da governadora tucana Yeda Crusius, marcado por escândalos de corrupção, José Serra teve mais votos do que a Dilma. No Paraná o que se viu foi o empenho do tucano eleito Beto Richa em favor de Serra, se propondo a dar uma vantagem de 1 milhão de votos a ele (chegou a quase 650 mil). Alguém viu os deputados estaduais e federais petistas empenhados na campanha de Dilma? O mesmo em Santa Catarina, que elegeu o único governador DEMO, após dois mandatos desastrosos de Luiz Henrique da Silveira. E o que dizer de São Paulo, Estado-berço do PT e onde o partido não consegue eleger um prefeito ou governador há alguns bons anos? Além de não conseguir emplacar uma CPI para investigar as dezenas de denúncias de desvio de dinheiro público nas administrações de José Serra, Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab.

Como já se previa, José Serra não saiu de cabeça erguida da disputa. Sem nenhum projeto para o país, apostou todas as fichas no que lhe sobrou: o ódio de classes. Estimulou os mais sórdidos ataques a Dilma Roussef, com o apoio entusiasmado da mídia e de seus aliados e até de familiares. A mulher do candidato chegou a acusar Dilma de ser a favor de “matar criancinhas”. A acusação assume maior grau de sordidez quando se sabe que Mônica Serra recorreu ao aborto nos anos 80 para dispensar uma gravidez indesejada.

Quando se fala nos apoios ao candidato estamos falando também da área mais nefasta das igrejas católica (Opus Dei e Canção Nova) e evangélica, com destaque para a Batista e seu pastor metrossexual Paschoal Piragine Jr., que saiu acusando Dilma de defender “a iniquidade do aborto” e dizendo aos seus seguidores: “não votem nela”. No ramo católico não foi diferente e o curioso é que os setores que se levantaram contra Dilma foram justamente aqueles em que proliferam acusações e suspeitas de pedofilia e homossexualismo entre padres metrossexuais, transformados em “celebridades”.

A novidade disso tudo foi a blogosfera, que combateu diuturnamente contra o banditismo financiado pelos demos/tucanos e estimulado pela grande mídia. Necessário observar que, do lado da Dilma, estava a militância não-remunerada, que usou seus próprios esforços e meios para dar combate à essa guerra de submundo em que o candidato José Serra transformou a campanha presidencial de 2010. Militância, insisto, não significa dizer “militância do PT”. A militância petista também, mas nessa luta se empenharam pessoas de todos os partidos e até quem não tinha simpatia por partido algum. Quem ficou de fora, em berço esplêndido, de fato, foram algumas cabeças coroadas do PT e do PMDB, muitas das quais se limitaram a participar das caravanas festivas de Dilma e de Lula, quando estas percorreram as capitais e grandes centros urbanos para comícios.

Em suma, essa vitória não foi do PT ou do PMDB; foi do povo brasileiro e as pessoas precisam ter consciência disso, porque a sucessão de 2014 começa já. Mas não apenas isto, o sucesso do Governo da Dilma vai depender de cada um de nós. A grande mídia dará a presidente eleita 100 dias de trégua; a partir de abril começarão as cobranças pesadas. Essa postura da mídia não é de todo má, basta lembrar que se não fosse o escândalo do “mensalão” quem estaria hoje no lugar da Dilma seria José Dirceu.

Isso é mau? Depende. José Dirceu não é chefe de quadrilha, como o tachou o deslumbrado e manipulado ex-procurador geral da República Antônio Fernando de Souza, ao aceitar a denúncia e encaminhá-la ao STF. O problema de José Dirceu são seus métodos, que em tudo imitam os do PSDB/DEMO. Basta lembrar que o “escândalo do mensalão” só surgiu porque Dirceu, na ânsia de detonar o deputado Roberto Jefferson, que havia montado – este sim – uma quadrilha nos Correios, em vez de levar a denúncia ao MP e à Controladoria Geral da República entregou um vídeo à Rede Globo mostrando um homem de Jefferson nos Correios recebendo propina de R$ 3 mil.

Como troca, Jefferson revelou que a campanha do PT havia recebido doações “não contabilizadas” de empresas, o famoso caixa 2 que acomete todos os partidos, todos os candidatos, todas as campanhas . Mas por que mensalão? Porque Jefferson pretendia uma vingança maligna, que chegaria à cassação do mandato do presidente Lula. Se o mensalão tivesse existido na forma como Jefferson acusou, o presidente Lula teria sido cassado em 2005, pois tal ato configura “crime de responsabilidade do Presidente da República”, sancionado com o impeachment (arts. 85, II e 86, II da CF/88).

Voltando à questão do novo governo é preciso que os brasileiros que elegeram a Dilma se sintam responsáveis também pelo sucesso da nova administração. Não há mais lugar para os críticos das obras feitas, aquelas pessoas que ocupam sempre a posição confortável de estilingue e nunca a de vidraça. Há inúmeras formas de contribuir, entre elas a nova participação direta por meio dos blogs, dentre os quais vale destacar o de Luiz Nassif (http://www.advivo.com.br/luisnassif/), onde ocorre permanentemente um debate maduro, democrático e sobretudo inteligente a respeito dos rumos do Brasil e do Mundo.

Os blogs chamados “sujos” pelo candidato derrotado José Serra expressam a principal novidade no Brasil contemporâneo. Engana-se quem os identifica com o PT ou outra força de centro-esquerda ou mesmo de esquerda. Os blogs, especialmente os “sujos”, são ambientes democráticos, que abrigam opiniões de amplo espectro político. Ali só não cabem as ofensas pessoais, as acusações sem prova (ao contrário do que ocorre na grande mídia) e a desinteligência. Fora isso, toda e qualquer tese encontra acolhida, o que não significa que não será combatida. Ao contrário, quanto mais absurda for a tese, maiores argumentos se levantarão contra ela, sempre pautados pelo respeito à posição contrária e à prevalência da verdade comprovada.

A excepcional vantagem da blogosfera foi ter ampliado e qualificado o debate, que antes ocorria somente entre meia dúzia de jornalistas e políticos ligados ao poder. Com o advento da blogosfera o debate foi aberto a profissionais de todas as áreas, gente muitas vezes detentora de informações técnicas e científicas capazes de consolidar ou jogar de uma vez por terra histórias que a mídia tradicional, por burrice ou má fé, vendia aos passivos leitores, ouvintes e telespectadores como verdade absoluta. Hoje a mídia tradicional ainda tenta “colar” suas pseudo-verdades, mas a blogosfera as desconstrói na mesma velocidade com que são disseminadas.

Portanto, todo cidadão hoje tem um canal direto de participação nas grandes discussões nacionais e na construção do conhecimento. Essa é uma forma de participação política legítima, acessível a todos e absolutamente necessária para exercermos nossa responsabilidade no governo que elegemos. Participar não é bater palmas, mas também não é atirar pedras. As duas coisas são fáceis; difícil é ajudar a pensar o país e se sentir responsável pelo governo que escolhemos. Para o bem e para o mal. Afinal, governantes não são isentos de erros. Tampouco agradarão a todos, e é preciso ter consciência de que ao escolher um caminho se irá agradar parte da sociedade e desagradar a outra parte.

O novo Brasil não começou a ser construído há 8 anos, mas na segunda metade da década de 1970, com a junção de forças políticas diversas na luta pela redemocratização do país. Demorou mais de duas décadas para essas forças chegarem ao poder federal, o que aconteceu finalmente na eleição de 2002. Alí começaram a ser lançadas as bases do novo Brasil, que a presidente Dilma vai consolidar. Participar desse processo não é apenas um privilégio, mas um dever de cada cidadão que se sente responsável pelo destino de seu país. O contrário será entregar o Estado nas mãos de políticos profissionais e submeter a presidente Dilma ao sabor das forças políticas mais atrasadas e seus aliados da grande mídia. E depois não adianta reclamar.