domingo, 29 de agosto de 2010

Das ruas de São Paulo para universidade em Cuba

Gisele, citando José Marti:
ser culto é o único modo de ser livre
A notícia que segue abaixo é de 2007, quando a ex-menina de rua Gisele Antunes Rodrigues se preparava para viajar a Cuba e iniciar curso de Medicina. Ela vai muito bem, como se pode conferir pelo depoimento que postei ontem, divulgado originalmente no Blog Balaio do Kotscho. Achei oportuno postar essa notícia, que encontrei na Web, para acrescentar mais informações a essa história de vitória sobre as adversidades. E também por uma curiosidade: a Gisele também passou pela Uniban (aquela faculdade da gostosa exibicionista), mas tomou um rumo radicalmente diverso da colega. Salve Gisele Antunes Rodrigues! Segue a notícia, que é da assessoria de imprensa dos Salesianos.



Gisele em 2007
  Cansada de ser espancada, aos 11 anos, Gisele fugiu de casa, morou nas ruas da grande cidade, usou drogas, viveu no submundo, mas deu a volta por cima e hoje tem vaga garantida na Escola Latino–Americana de Medicina

Gisele Antunes Rodrigues, de 22 anos, está com tudo pronto para sua primeira viagem internacional. Seu destino é Havana, Cuba, onde permanecerá os próximos anos para estudar medicina na Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM). Após um acirrado processo seletivo, Gisele conquistou bolsa que prevê moradia, alimentação, curso intensivo de espanhol e seis anos do curso superior. O excepcional dessa história é que a personagem principal fugiu de casa em Ribeirão Preto aos 11 anos porque não agüentava mais os espancamentos e maus tratos da mãe pobre, alcoólatra e com saúde mental debilitada e passou pela traumática experiência de viver sozinha nas ruas da grande São Paulo.
Em 1997, quando Gisele foi acolhida pela Casa Aberta Luz, projeto mantido pelo Instituto Dom Bosco (IDB), do Bom Retiro, ela alternava seu local de “moradia” entre albergues e ruas da “cracolândia”, região central da cidade. Durante esse período, viveu no submundo, usou drogas e dependeu da piedade dos outros para comer. Na época, o projeto desenvolvia atividades com crianças e jovens em situações de extrema vulnerabilidade pessoal e social com o objetivo principal de oferecer novas alternativas de vida para os atendidos.
Desde os primeiros contatos com os educadores da Casa Aberta Luz, Gisele se destacou entre as demais crianças. Seu potencial, determinação e, principalmente, a coragem para enfrentar as dificuldades sempre foram notáveis. Em 2001, o IDB assumiu a Casa Abrigo Auxiliadora e Gisele foi transferida para a nova unidade com o objetivo de aproveitar melhor suas potencialidades. “A idéia de que obra social existe somente para oferecer comida tem que ser banida”, comenta o coordenador de projeto do IDB, Eldir Piccoli. “Nossos educadores visam oferecer novas perspectivas de vida para aqueles que não têm quase nada.” Com novas alternativas, ela apresentou bom aproveitamento e, por isso, pôde se inscrever no projeto capacitação da empresa Ericsson do Brasil. Foi a partir daí que iniciou o seu interesse por atuar profissionalmente na área de saúde.
Com esforço e dedicação ela conseguiu uma bolsa de estudo para o curso de auxiliar de enfermagem e, posteriormente, para técnica em enfermagem. Nesse período, conseguiu um emprego na empresa Lorenzetti e passou a morar na República Aquece Horizontes (projeto do IDB), dirigido pela Casa Abrigo Auxiliadora em parceria com as empresas Ericsson e Lorenzetti, onde a jovem permanecerá até o dia do embarque previsto para 15 de julho.
Considerando ter poucas chances de ingressar numa faculdade pública, Gisele passou todo o ano de 2006 se preparando economicamente para realizar o sonho de entrar numa universidade. Em 2007 começou o curso de Pedagogia, na Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban), embora seu grande desejo fosse atuar na área de saúde. “Eu sempre quis ser médica, mas isso para mim era apenas um sonho”. Porém, por intermédio do Movimento de Moradia do Centro, ao qual se engajou visando realizar o sonho da casa própria, ela descobriu a possibilidade de mudar o rumo da sua vida e participou do processo seletivo para bolsas de estudo em Cuba.
Hoje, Gisele é uma referência de que é possível reescrever sua própria história. “Apesar de ter passado por períodos completamente desestruturados eu aproveitei as chances que me deram e dei o melhor de mim”, comenta Gisele. “Fazer medicina era um sonho distante da minha realidade, mas hoje estou pronta para enfrentar os novos desafios.”

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