Bebetila
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Meu pai, o Caminhante
Papai era uma pessoa bem diferente. Autoritário mas ao mesmo tempo engraçado. Gostava muito de caminhar e nós não tínhamos essa mesma preferência. Um dia me convidou para sair com ele, queria ir até uma exposição de gado no Parque Castelo Branco, me animei toda e fui, só que aquela proposta era só uma estratégia para eu caminhar com ele. Ele me levou até o Alto da Rua Quinze de Novembro e ficou me mostrando a caixa d'água da cidade. Lembro bem que estava tão irritada, me sentindo enganada que nem levantei o olhar, de cabeça baixa estava e assim permaneci. Vendo que eu tinha empacado que nem um burro, não lhe restou outra alternativa, rumou para o Parque. Lá fiquei super feliz, voltamos bem tarde, pois era o último dia da exposição. Enfrentamos uma fila imensa para voltar, tinha até gente bêbada no ônibus. Coitado, ele pagou bem caro essa enrolada. Quando chegamos em casa levei uma grande bronca da mamãe, pois ele estava com pouco dinheiro e teve que gastar muito com esse passeio, por minha causa. Hoje eu o entendo, meu querido pai, você só queria uma companhia para caminhar, mas na época não era essa a minha praia. Te amo, paizão! Espero que você esteja fazendo lindas caminhadas junto com o nosso Pai do céu
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A vida não me fez conhecê-lo mas o tenho guardado com amor e carinho no coração. Às vezes me dá a sensação de que convivemos em alguma fase, não sei se pelas estórias ouvidas ou pelo desejo de tê-lo por perto. A ligação é tão forte que sem saber acabei escolhendo a mesma profissão e descobri isso tem pouco tempo. Me orgulho de saber que um dia ele foi jornalista e que bom poder descobrir seus passos mesmo tantos anos depois. Se hoje fosse vivo seria uma grande alegria comemorar seus 90 anos. Não sei se estaria mais tranqüilo ou rabugento com a idade, mas seria igualmente amado. Vô, onde quer que esteja obrigada pela preciosa família que você e a vó formaram. É a nossa mais valiosa herança!
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