Fernando Campelo Duarte... Hoje faria noventa anos de Vida no Planeta!
Nome caro ao nosso coração! Um caro impagável! Nada que façamos parece um pouco poder saldar nem tão pouco saudar a conta de sua vida entre nós!
É meu Pai e Pai dos meus sete irmãos. Devemos a ele a participação no dom da vida e de nossa evolução na caminhada, ainda que tenha morrido já faz 30 anos! Deixou-nos com 60 anos de idade, após um coma de cinco outros anos...
Seu modo de pensar e agir são presentes em nós e vez por outra iluminam o nosso pensar, o nosso agir. Nele, como disse um dia o inesquecível e incomparável Dom Helder Câmara, “nada do que é humano me é estranho!”, pudemos conhecer a limitação e a dignidade do Ser Humano!
Agradeço a Deus por tudo isto! Presenteou-me, antes de tudo, com a semente da fé em Deus que procurou plantar em todo terreno onde caminhou. Católico praticante, como se dizia no seu tempo... Hoje se fala em cristão ativo, militante, participante... Não importam as palavras; o sentido é o mesmo. Buscou conhecer o Criador e participar do Plano insondável da criação, no meio de todas as criaturas. Exaltado e contestador, portava-se como um “protestante”, o evangélico de nossos dias de hoje. Tenho muito desse seu lado. Combatente incansável, orava sempre pedindo ao Pai as forças dos “Céus” para levar a bom termo o seu combate aqui nesta Terra. Ousado e frágil a um só tempo! A Família saiu do Rio de Janeiro e veio para o Paraná atrás dos seus sonhos de uma vida melhor! Reconheceu sua limitação para aculturar-se... Gostava da conversa simples e solta do carioca. Gostava da amizade que o povo paranaense, composto por gente vinda de vários cantos do Brasil, ofereceu ao seu cotidiano. Deu-nos amigos que até hoje fazem a diferença ao meu viver. Destaco a Família Albrecht. Mas, também fomos acompanhados pelo Dival, pelo Durval, pelo Sadoc de Sá, pelo Vilella, pelo Palma (hoje também tenho Palma-s- que me acompanham!) e muitos outros... A vida no Sul do país nos favoreceu conhecer um lado do Brasil que a Avó Ottília apreciou como “pedaços bonitos da Europa da minha ‘dela’ infância”. Muita limpeza, ordem, zelo pelo meio ambiente... Flores de Curitiba, tão mágicas!
Pensando no meu Pai não tenho como deixar de ver quanto recebi dele. Meu estudo foi extremamente sustentado pela força do seu trabalho! Apreciei seu lado de bom Pai que se fazia completo ao lado de nossa Ecéa, ao ponto d’eu inventar, desde minha juventude, o nome “FERCEA” que aos 40 anos de idade pude dar para minha filha. Ali eu compus o que desejava de uma pessoa: íntegra, feliz, sonhadora, realizadora: união de FER (do Fernando) com CEA (da Ecéa).
Pai, hoje no caminho do “Céu” como aqui sabemos falar, que sejamos como Ana Freud disse um dia: “não sou nem a favor, nem contra ele; sou depois dele!”...
Se puder dizer o que sou em uma palavra, sou: “GRATIDÃO!”
Maria Lúcia
No inicio deste texto, devo corrigir minha referência, ao atribuir uma citação a D. Hélder. Ele, como magistral estudioso, se aprazia em colocar em relevo posturas libertárias e, por isto, gostava de citar aquela frase de dois séculos antes de Cristo,de um escravo célebre:Públio Terencio.
ResponderExcluirVale à pena pesquisar esta frase e conhecer tantos estudos e atitudes que ela impulsiona até hoje!