segunda-feira, 26 de junho de 2023
domingo, 18 de junho de 2023
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023
Educação sexual: como nascem as guerras
domingo, 19 de fevereiro de 2023
Porque é Carnaval: Sei lá, Mangueira
Sei lá, Mangueira, a obra prima de Paulinho da Viola e Ermínio Belo de Carvalho em homenagem à Estação Primeira. A propósito, Paulinho da Viola fará 80 anos nos próximos dias.
sábado, 18 de fevereiro de 2023
Os hits de propaganda das Casas José Araújo
Anúncios criativos de um tradicional comércio de tecidos pernambucano, da cidade de Pesqueira, as Casas José Araújo entraram para a história da propaganda brasileira. As inesquecíveis campanhas para TV são dos anos 80 e 90 e foram produzidas pela Itaity Publicidade. Várias delas se tornaram hits, como a que homenageia as coisas do Nordeste, outra que tem por tema o Carnaval e outra ainda sobre a tradicional Festa de Nossa Senhora da Conceição. A rede "Casas José Araújo", fundada em 1880, se espalhou por todo o Nordeste e ainda existe. Felizmente.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023
Lula é toda a nossa gente! Poesia rima com Democracia
Poesia do poeta e cordelista Antônio Marinho no Festival do Futuro/2023.
domingo, 12 de fevereiro de 2023
Membro de conselho fiscal da Copel não pode atuar como advogado da Ferropar
O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) determinou que o membro do conselho fiscal da Companhia Paranaense de Energia (Copel Holding) e de suas subsidiárias Harry Françóia Júnior, que atuava como advogado da Ferrovia do Paraná S.A. (Ferropar), seja afastado caso volte a atuar em processos em que seja verificada a possibilidade de conflito de interesses com a Copel ou com o Estado do Paraná.
A medida foi tomada em razão de o conselheiro da Copel ter atuado como administrador massa falida da Ferropar, contra a qual a Estrada de Ferro Paraná Oeste S.A. (Ferroeste) formulou pedido de falência devido a créditos milionários não honrados.
O TCE-PR julgou procedente Representação formulada pelo Ministério Público de Contas (MPC-PR, por meio da qual apontou que o conselheiro da Copel atuava em situação que afrontava as disposições dos estatutos dessa sociedade de economia mista.
Ao acatar a Representação, o conselheiro do TCE-PR Ivens Linhares havia afastado cautelarmente o conselheiro da Copel, por meio de despacho homologado na sessão ordinária nª 8/22 do Tribunal Pleno do TCE-PR, realizada por videoconferência em 23 de março de 2022.
O MPC-PR ressaltara que o membro do conselho fiscal atuava como advogado em favor de empresa devedora ao Estado do Paraná e causadora de rombo nas contas da Ferroeste, empresa estatal paranaense. O órgão ministerial tinha destacado que teria havido afronta às normas relativas à necessidade de preservação da integridade e da independência dos conselhos e dos órgãos dirigentes das empresas estatais; e de repúdio a conflitos de interesses (artigos 14, I a III, e 17, IV e V, da Lei Federal nº 13.303/16), além do descumprimento da norma de integridade da própria Copel Holding e suas subsidiárias.
Para a concessão da medida cautelar, Linhares havia considerado que a situação informada configurava possível conflito de interesses do conselheiro fiscal da Copel Holding e de suas subsidiárias com o Estado do Paraná, por ele atuar paralelamente na condição de advogado da falida Ferropar nos autos nº 0012412-06.2005.8.16.0021, da 3ª Vara Cível de Cascavel.
O conselheiro do TCE-PR lembrara que a Ferroeste é uma sociedade de economia mista de capital fechado que, nos termos da Lei Estadual nº 9.892/91, tem o Estado do Paraná como seu maior acionista; e que o processo de falência fora instaurado por conta de créditos não honrados pela Ferropar que, em 2005, correspondiam a R$ 22.073.516,89. Assim, ele havia concluído que a atuação no processo em favor da Ferropar contrariava o interesse patrimonial do próprio Estado do Paraná.
O relator do processo de Representação afirmara que o Estatuto Social da Copel é expresso, em seu artigo 68, parágrafo 6º, inciso V, ao vedar a indicação para o conselho fiscal de "pessoa que tenha ou possa ter qualquer forma de conflito de interesse com o Estado do Paraná ou com a Copel".
Decisão
Na decisão de mérito do processo, Linhares acompanhou as manifestações da Quarta Inspetoria de Controle Externo (4ª ICE) e da Coordenadoria de Gestão Estadual (CGE) do TCE-PR, para julgar procedente a Representação, sem aplicação de sanções, com expedição de determinação e recomendação.
O conselheiro confirmou que incide em vedação estatutária da Copel a mera possibilidade de qualquer forma de atuação em conflito de interesses, possibilidade inerente à representação judicial de parte situada no polo oposto de uma ação em que se discutem interesses patrimoniais em montante inegavelmente relevante para o Estado do Paraná.
Finalmente, ele votou pela recomendação de que a Copel adote medidas de controle e monitoramento de situações que possam levar ao descumprimento de normas internas relativas a conflito de interesses por parte de integrantes de seus conselhos.
Os conselheiros acompanharam o voto do relator por unanimidade, na sessão nº 18/22 do plenário virtual do Tribunal Pleno do TCE-PR, concluída em 8 de dezembro de 2022. Eles disponibilizaram a decisão, contra a qual cabe recurso, ao Ministério Público Estadual para a tomada de providências. A decisão está expressa no Acórdão nº 3241/22, disponibilizado em 9 de janeiro, na edição nº 2.896 do Diário Eletrônico do TCE-PR (DETC).
Fonte: TCE/PR
Boas canções que quase ninguém conhece - Ypê
Voltamos a Belchior. "Ypê", gravada em 1978, é simples e profunda a um só tempo. O poeta e cantor cearense devia estar influenciado pela filosofia Zen Budista, que ele mescla com um toque de Cristianismo, expresso nas palavras de Jesus no Sermão das Montanhas quando propôs "Olhai os lírios do campo ..." Bem jovem, Belchior viveu uma experiência como frade capuchinho, no Mosteiro de Guaramiranga/CE. Isso foi antes, bem antes de ele conhecer as delícias femininas, que devem tê-lo feito repetir Santo Agostinho ao se deparar com uma mulher deslumbrante: "Senhor, faz-me casto..., mas não agora".
Pesquisando sobre a canção cheguei a um texto do jornalista Jotabê Medeiros, que relata o seguinte: os ipês que inspiraram o cantor ficam no bairro Brooklin Velho, em São Paulo, no comecinho da rua João Álvares Soares, quase esquina com a Tomé Portes. Foram plantados ali pelo sogro de Belchior, e estão floridos, como garante Jotabê.
Vamos a Belchior e sua bela composição Ypê (a propósito, foi essa a canção escolhida por Zeca Baleiro para chorar a morte do artista, em 30 de abril de 2017).
Boas canções que quase ninguém conhece - Olhar de Tela
A balada "Olhar de Tela" foi lançada por Oswaldo Montenegro em 1991 no LP "Vida de Artista".
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023
"Boas canções que quase ninguém conhece" - Princesa do Meu Lugar
Outra poesia do mestre Belchior, na voz e interpretação de Daíra. A moça superou até a Elba Ramalho, que também fez uma boa interpretação de Princesa do Meu Lugar. Fluminense de Niterói, nascida em 1989, Daíra é talvez a melhor intérprete da obra do cantor, poeta e compositor cearense que morreu em 30 de abril de 2017.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023
Todos na festa para os 92 anos do Mazza. Nesta sexta-feira, 10/2
O Sindicato dos Jornalistas do Paraná promove um festão nesta sexta-feira, 10/2, para celebrar os 92 anos do jornalista Luiz Geraldo Mazza. Veja o comunicado a seguir:
SindijorPR promove Ronda da Noite em homenagem a Luiz Geraldo Mazza
Com atividades culturais envolvendo música, literatura e fotografia, o Ronda da Noite irá marcar o aniversário de 92 anos do jornalista
O SindijorPR promove nesta sexta-feira (10) mais uma edição da Ronda da Noite, a partir das 18 horas, no Essen Biergarten, em Curitiba. Desta vez, a Ronda será dedicada ao jornalista Luiz Geraldo Mazza, que completa 92 anos na ocasião – sendo mais de 70 dedicados ao jornalismo do Paraná. Com experiência em todos os meios de comunicação e passagem pelos principais veículos do Estado, Mazza também integra a Academia Paranaense de Letras em reconhecimento à mais de uma centena de livros publicados sobre os mais variados temas ao longo de sua carreira.
Da mesma forma que na primeira edição de 2023, haverá lançamento de livros, como o de Zeca Corrêa Leite, Luiz Cláudio Oliveira e do próprio Mazza, além da participação musical de colegas da imprensa, incluindo Julião Boêmio, Vinícius Chamorro e Zezinho do Pandeiro.
A exposição fotográfica "Yo Soy Fidel" também estará na Ronda e traz registros do funeral de Fidel Castro, em 2016, produzido pelos jornalistas Gibran Mendes, Leandro Taques e Tadeu Vilani. A Ronda em homenagem a Mazza também contará com a participação do chargista Ademir Paixão.
Serviço:
RONDA DA NOITE
Sexta-feira, 10/02/2023 às 18h
Essen Biergarten: Rua José Sabóia Cortês, 358 - Centro Cívico
Curitiba – PR
Realização: SindijorPR
Apoio: ArfocPR
terça-feira, 7 de fevereiro de 2023
"Boas canções que quase ninguém conhece" - Passeio
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| Marco Mazzolla e Belchior, 1976 |
Belchior, como outros artistas nordestinos que vieram para o Sul trazer a sua arte também se encantou pela metrópole paulistana e, como vários deles, se declarou à Cidade. A sua "Passeio" não faz frente à Sampa, de Caetano, mas tampouco faz feio. E dá até para imaginar o cantor sobralense tirando um cochilo no meio da tarde no Parque Trianon, no coração da Avenida Paulista, sonhando conquistar o Brasil, como de fato fez. A canção é do LP Mote e Glosa, de 1974, que não aconteceu. Dois anos mais tarde, em 1976, Belchior seria descoberto pelo produtor musical Marco Mazzola e dispararia para o sucesso nacional com o LP Alucinação. De repente, o Brasil inteiro cantava "eu sou apenas um rapaz / latino-americano / sem dinheiro no banco / sem parentes importantes / e vindo do interior ..." Finalmente Belchior alcançava o que pretendia, e o seu canto torto / feito faca / cortaria (para sempre) a carne de todos nós.
Da série "Boas canções que quase ninguém conhece" - Sádico Poeta
Essa é do mineiro de Conselheiro Pena, Fernando Mendes, gravada em 1999. A letra mistura no cadinho do poeta toques de Oswald de Andrade, Fagner, Martinho da Vila e Roberto/Erasmo Carlos.
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023
Da série "Boas canções que quase ninguém conhece" - Estou Voltando Para Casa
Essa música de Raul Seixas, numa excelente interpretação do Cantor Pedro Paulo, foi gravada em 1971. É uma das preferidas de Paulo Coelho, segundo o próprio já disse. As imagens evocadas por Raul nos versos que recheiam a melodia soam familiares para quem conhece bem o subúrbio do Rio de Janeiro e já andou numa daquelas latas-velhas que trafegam em alta velocidade pela Avenida Brasil, desafiando as leis da Física e o bom-senso. Arrisco dizer que o protagonista da canção mora no Irajá e que o seu cachorro se chama Faísca. (Estou Voltando Para Casa)
domingo, 5 de fevereiro de 2023
Mais uma Intentona Bolsonarista fracassada
Recordando: Do Val denunciou que Jair Bolsonaro chamou-o em dezembro passado, numa das residências oficiais da Presidência, em Brasília, e tentou coagi-lo a gravar conversa com o ministro Alexandre de Moraes, com intuito de prender o presidente do TSE, dar um golpe no Brasil, anular a eleição do presidente Lula e voltar à Presidência da República.
Quem esperava que os Bolsonaro partissem para cima do senador dedo-duro, xingando-o violentamente como costumam fazer, se surpreendeu com a lhaneza do clã e com as mútuas declarações de amor correspondido que ambas as partes – delator e delatados – trocaram em púbico.
Se havia uma mínima chance de o caso não ser mais uma farsa montada pela verdadeira quadrilha que por quatro anos tomou conta do Brasil, essa chance hoje é zero. Acompanhe a seguir as contradições dos envolvidos, que desnudam a trama.
Antes brabinho ...
Na madrugada de 30/10/2019, minutos após o Jornal Nacional noticiar que o porteiro do Vivendas da Barra havia reconhecido a voz de Jair Bolsonaro naquele que autorizou o acesso àquele ambiente fechado de um dos assassinos da vereadora Marielle Franco, na véspera do crime, o ex-presidente fez uma live urgente, às 3h50, direto da Arábia Saudita, onde estava. Notadamente desequilibrado, bradava contra a Globo: canalhas, patifes, jornalismo podre, sem escrúpulos; o sistema Globo é uma imprensa porca, nojenta, imoral ...
Relembre o vídeo:
... hoje uma dama!
Já neste janeiro, ao ser acusado por seu aliado, senador Marcos Do Val, de tramar um golpe para prender o ministro-presidente do TSE, Alexandre de Moraes, anular a eleição do presidente Lula e dar um golpe de Estado para voltar à Presidência, Bolsonaro se mantem calado até agora. E seu filho, senador Flávio, revela uma calma incomum para ele e afaga o senador que dedurou o seu pai e pede que ele não renuncie ao mandato.
Assista:
Veja agora o Do Val que falou à Veja
Aqui a gravação da entrevista que Marcos Do Val deu à revista Veja, antes do episódio vir a público. Nessa fala à Veja, semanas antes da sua suposta irritação com bolsonaristas que o chamaram de traidor, Do Val relatava que Bolsonaro lhe dissera: “o GSI vai te equipar; botar o equipamento de escuta, de gravação e a sua missão é marcar com o Alexandre e conduzir o assunto até a hora que ele falar que ele, que ele avançou, extrapolou a Constituição, alguma coisa nesse sentido. Aí eu derrubo, anulo a eleição, o Lula não toma posse, eu continuo na Presidência e prendo o Alexandre de Moraes por conta da fala dele”.
Assista:
O Brasil que tem miolos e os usa augura que a próxima reunião dos quadrilheiros para tramar novos golpes ocorra na Papuda!
domingo, 29 de janeiro de 2023
A velha mídia censura o MST e se faz de vítima
quarta-feira, 25 de janeiro de 2023
O impeachment da Dilma Rousseff salvou a Democracia brasileira
terça-feira, 24 de janeiro de 2023
domingo, 22 de janeiro de 2023
O cego das ideias não atentou para a advertência bíblica
O "colonista" da Gazeta do Povo, vulgo Gazeta do Gado, Rodrigo Constantino me faz lembrar um dizer bíblico: "se um cego conduzir um cego, ambos cairão no mesmo buraco". Isto me vem a propósito da reação do jornal bolsonarista à afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que "o empresário não ganha muito dinheiro porque ele trabalhou, ele ganha muito dinheiro porque os trabalhadores dele trabalharam”. Percebam: Lula não disse que os empresários não trabalham, mas sim que o dinheiro não é ganho pelo trabalho exclusivo do empresário, mas do coletivo empresário e trabalhador. E que, por isso, o resultado desse trabalho (riqueza) tem que ser melhor distribuído. Mas o cego das ideias Rodrigo Constantino, com os olhos fechados pelo mal da extrema direita obtusa, conduziu o seu rebanho para o buraco da ignorância com o discurso puído do Marxismo (que nem ele, tampouco as tias do zap que o têm por líder estudaram). E são muitas dessas tias do zap cativas do cego das ideais - gente que faz sanduíche para vender, serve refeições, recupera pneus usados, faz entrega de fast food, lava cabelos e faz maquiagem, tosa e dá banho em cachorrinhos, entre outras atividades - que se autointitulam "empresário" e julgam que adentraram o mundo de Beto Sicupira, Marcel Telles e JP Lemann. A Gazeta do Gado certamente faria melhor se ensinasse a esses "empresários" que, antes de qualquer outra designação, eles são TRABALHADORES. E como tais, trabalham muito, tanto ou até mais do que seus empregados. Acordam de madrugada para preparar o dia, comprar os ingredientes e insumos essenciais à atividade, põem a mão na massa e, no final do dia, fecham as contas. Uma rotina muito diversa daquela do trio da 3G que quebrou recentemente o Grupo Americanas (fraude de R$ 40 bilhões, segundo o Valor Econômico), mas fundamentalmente semelhante a dos milhões de Zés, Marias, Anas, Zecas, Lulas, Pedros, Paulos, Terezas, Maras que igualmente acordam de madrugada, pegam ônibus, metrôs, trens, bicicletas, motocicletas para também pegar no pesado e fazer a economia do Brasil avançar. E que, portanto, têm que ter uma parte maior na divisão dos ganhos. Se a Gazeta do Gado e o cego das ideias Rodrigo Constantino soubessem que essa noção é fundamentalmente CAPITALISTA (*como já o sabia Henry Ford, há mais de um século) certamente guiariam o seu rebanho para bem longe de qualquer buraco.
*Exatamente no dia 5 de janeiro de 1914, Henry Ford decidiu introduzir o salário de 5 dólares por dia na sua fábrica de Detroit. O valor era mais que o dobro do salário vigente na época. Além disso, o fundador da Ford Motor Company também reduziu a carga de trabalho de 9 para 8 horas diárias e ainda ofereceu aos funcionários participação nos lucros da empresa e garantiu que nenhum trabalhador seria demitido, exceto por infidelidade ou ineficiência comprovadas.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2023
Carlos de Carvalho Colla, o CCC do Bem
O vídeo começa com canções do RC. Conheço todas: Falando sério (Eu não queria ter você por um programa / E apenas ser mais um na sua cama ...) Se alguém não conhece, é uma versão sapatênis de Eu vou tirar você desse lugar. Depois veio Sonho lindo (Foi por medo de perder que eu perdi você...) E Passatempo (Passa o tempo, só não passa essa saudade / você quis brincar de amor mas eu te amei ...) Mais um bobo.
Carlos Colla também é autor de algumas daquelas mais tocadas na zona (não que eu frequente) como a "Pra que saber meu nome" (uma forma poética de dizer "não espere que eu vá te ligar amanhã"). Outros sucessos do Colla entre os frequentadores das casas de luzinha vermelha na fachada são a brega Bijouteria (E no brilho de uma pedra falsa / dei amor a quem não merecia / eu pensei que era uma jóia rara / Era bijouteria), a melodramática Pede a ela (Pede a ela pra ligar pra mim / a saudade tá batendo, tá ruim) e a antesala do sexo selvagem Além da cama (É o lado mais puro, mais angelical / É o cheiro, é a pele, é o lado animal ...)
Deixando esse lado mezzo corno/mezzo tarado pra lá, o tal Colla emplacou outros grandes sucessos que duvido que alguém do milhões que me leem não se recorde: Bye, Bye tristeza (não vou sugerir os versos pra que essa canção-ciclete não venha colar de novo na minha ideia), Estou apaixonado (versão de um hit mexicano gravado creio que pela dupla João Paulo e Daniel), Solidão (A solidão é nada, você vem na hora errada, em que eu não te quero aqui...) e o sambinha Verdade chinesa (Mas o que é vida, afinal / será que é fazer o que o Mestre mandou / é comer o pão que o diabo amassou / perdendo da vida o que tem de melhor?)
Essa é apenas uma pequena amostra da obra do cara que compôs mais de 2 mil canções e teve parceiros como Maurício Duboc, Michael Sullivan, Marcos Valle, Ed Wilson, Lincoln Olivetti, Peninha, o próprio Roberto Carlos e outros nomes de que nunca ouvi falar, mas que também devem ter uma conta bancária de dez dígitos.
Assisti o vídeo integralmente (e recomendo a vocês; cerca de uma hora de boa música) e resolvi buscar mais informações sobre o tal Carlos Colla. De cara fiquei sabendo pelo Google que ele tem um Carvalho no nome, o que faz dele um CCC do Bem - os que sofreram a ditadura militar de 1964 sabem a que me refiro. Mas em seguida veio a má notícia: o Carlos Colla morreu faz uma semana, aos 78 anos, no dia 13 de janeiro de 2023, em decorrência de dois aneurismas da aorta abdominal. Logo agora que virei fã do cara ele me inventa de morrer? E essa situação me remete ao amigo professor Aroldo Murá, também ele recém-falecido e que, numa segunda-feira de fúria no Jornal Indústria & Comércio desabafava com a mulher do Odone Fortes: "Dona Irene, isso daqui é uma bagunça, é um que me falta, outro que me morre ..."
Então eu me conformo e aceito que assim é a vida: este janeiro está uma bagunça, já dois me faltam, já dois me morrem.
Posto aqui o vídeo do Carlos Colla na TV Brasil para quem quiser assistir.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2023
Deputado italiano pede que governo não dê fuga a Bolsonaro
sexta-feira, 6 de janeiro de 2023
quinta-feira, 5 de janeiro de 2023
Mucuripe (Belchior/Fagner)
As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vou levar as minhas mágoas
segunda-feira, 19 de dezembro de 2022
Samba e Poesia sensual de altíssimo nível é Madeixa
Madeixa, obra-prima de Vidal Assis (letra) e Moysés Marques (música e voz).
domingo, 18 de dezembro de 2022
Alvorecer, uma obra-prima de Dona Yvone Lara e Delcio Carvalho, na voz de Emílio Santiago
Alvorecer (Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho)
Olha como a flor ascende
Quando o dia amanhece
Minha mágoa se esconde
A esperança aparece
O que me restou da noite
O cansaço, a incerteza
Lá se vão na beleza desse lindo alvorecer (Bis)
E esse mar em revolta que canta na areia
Qual a tristeza que trago, em minh'alma campeia
Quero solução, sim, pois quero cantar
Desfrutar dessa alegria
Que só me faz despertar do meu penar
E esse canto bonito que vem da alvorada
Não é meu grito aflito pela madrugada
Tudo tão suave, liberdade em cor
Refúgio da alma vencida pelo desamor (Bis)
segunda-feira, 12 de dezembro de 2022
Lula recebe diploma de Presidente da República em honra do povo brasileiro
Assista o discurso emocionado do Presidente da República eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, em solenidade no TSE nesta segunda-feira histórica, 12 de dezembro de 2023. O vídeo foi gravado pelo excelente e competente portal GGN, do reconhecido jornalista brasileiro Luiz Nassif (https://jornalggn.com.br/luisnassif/).
domingo, 11 de dezembro de 2022
Reflexões sobre a esquerda brasileira
Antes de mais nada, necessário esclarecer que esta análise data de 2017, antes, portanto, da eleição de Jair Bolsonaro para destruição do Brasil. Desde então, a nossa esquerda despertou parcialmente, mas precisa amadurecer muito mais. Se essa análise puder contribuir para melhorar a ação de petistas e de outras forças democráticas, então vale a pena torná-la pública.
"Antes de perder o governo com o impeachment da presidente Dilma Rousseff, nós perdemos a guerra da comunicação. Senão, vejamos:
Vamos deixar de lado a incapacidade da presidente Dilma para exercer a autoridade frente a empresários e agentes do Estado que a desrespeitaram aberta e grosseiramente, como se viu na abertura da Copa do Mundo e na colocação de sua foto no alvo de tiro em um stand da Polícia Federal, para ficar apenas nesses dois casos exemplares.
Vamos nos ater apenas à questão da Comunicação. Não me refiro aqui às propagandas do Governo, à comunicação institucional, à fartura de dinheiro dada aos jornais, portais, rádios e TVs que diariamente omitiam boas notícias do governo e criavam ou davam divulgação a fake news contra a presidente, o Governo e o PT.
Aqui me refiro apenas à nossa comunicação informal, à “briga de torcidas”, como gosto de dizer, para ilustrar como se dá o convencimento do público não-engajado. Essa gente que não está nem aí para partidos, para políticos, para propostas e projetos de governo, algo assim como o baixo clero da população, que é aquele que em geral decide qualquer eleição. Ao menos no Brasil.
E como é que esse pessoal decide? Pelo movimento de manada, tangido para o lado que mais levantar a voz, com maior eficácia, com maior poder de produzir estragos no adversário.
Esse contingente, que de maneira grosseira calculo seja em torno de 60% da população com Título de Eleitor (pelo menos), funciona como fiel da balança em eleições, assim como em posicionamentos em geral. É gente propensa a ser convencida, ao contrário daquelas parcelas à direita e à esquerda, cada qual com cerca de 20% do eleitorado, gente com ideologia, convicção de posições e projetos de poder. Já a massa intermediária, sem ideologia definida, oscila ora para a direita, ora para a esquerda conforme a força de convencimento de cada um desses dois lados. E esse convencimento não se faz em cima de propostas e projetos, mas da desconstrução do adversário.
E nesse quesito nós da esquerda fomos de um primarismo que dói. Antes de me alongar, vamos estabelecer aqui uma premissa (ou axioma): se temos dois candidatos oponentes, o que irá se destacar para essa massa de 60% do eleitorado não é aquele com a melhor proposta, a melhor ideia, as melhores intenções, mas aquele que mostrar à torcida que confere maior valor a quem o escolher.
O candidato precisa parecer jovem, arrojado, vigoroso, belo, destemido, ousado, charmoso, líder inconteste, rápido de raciocínio, irônico na medida certa, agressivo na medida certa. Outras “qualidades” essenciais, mas que não podem ser diretamente associadas à imagem do candidato, são a capacidade de dissimulação para driblar evidências, a violência para coagir os contrários e um caráter maleável para baixar o nível da disputa e atribuir essa ação ao adversário.
Não quero dizer que para vencer a eleição os candidatos precisem necessariamente ter esse perfil abjeto. O que é preciso é conhecer essa realidade, saber identificá-la naquele que se enquadra nesse perfil e ter a capacidade estratégica para se contrapor a essas artimanhas e artifícios.
Dito isso, temos que o PT, nos anos mais recentes, fez exatamente o contrário disso.
Comecemos pelo apodo que a direita pespegou na esquerda: “pão com mortadela”. Queiramos ou não, a designação é ofensiva, pois sugere que os esquerdistas são “pobres”. Não é que ser pobre seja algo vergonhoso; o que interessa aqui é o sentido dado à palavra, levando em conta o senso comum da população. Ser pobre não é apenas não possuir bens materiais, mas, no senso comum, é ser medíocre, menor, ignorante, de mau gosto, intelectualmente tosco, grosseiro nos modos e maneiras, alguém digno de ser enjeitado, portanto.
Em resposta, a esquerda usou a palavra “coxinha”, simpática até no uso do diminutivo. A palavra coxinha não induz a nada negativo, ao contrário: do banqueiro Andre Esteves, do BTG Pactual, ao gari que coleta o lixo em um conjunto da faixa 1 do Minha Casa Minha Vida, todos apreciam uma coxinha bem preparada. “Xingar” alguém de coxinha sugere expressar “data vênia” antes de dizer que o adversário não é gentil... E isso dito em resposta a um adversário que nos chama de “ladrão, corno, veado, filho da puta”, entre outros adjetivos.
Poderia citar inúmeros exemplos, como a forma com que os senadores do PT e do PCdoB trataram o senador Anastasia quando o ex-governador mineiro aceitou cumprir o papel ignominioso de elaborar o parecer previamente acertado que recomendou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Para não me alongar, digo que só faltou os senadores Gleisi Hoffmann, Vanessa Grazziotin e Lindbergh Farias, em vez de aproveitarem a oportunidade para denunciar ao vivo, na TV, o papel baixo e imoral que o senador mineiro aceitou cumprir, só faltou eles elogiarem a virilidade do político mineiro, aliado de Aécio Neves. Fazendo um chiste, digo que dava a impressão de que ao elogiarem o currículo de mestre constitucionalista de Anastasia os petistas e a comunista piscavam para ele como a dizer: “tô te elogiando, hein?!; você vai reconhecer a inocência da Dilma, né?!”
Outro exemplo, sem me estender, foi o termo “República de Curitiba” usado para criticar a milícia montada em torno da operação Lava-Jato. O termo remonta aos episódios que levaram o presidente Getúlio Vargas ao suicídio e, mais recente, à passagem de uma quadrilha de Alagoas no poder federal.
No caso de Getúlio, o termo assume um caráter bastante positivo e remete a supostos atos de bravura e de defesa da moralidade pública atribuídos a jovens oficiais da Aeronáutica emprenhados de ouvido pela verve de um Carlos Lacerda. Basta conhecer um pouco da História contemporânea para saber que o termo “República do Galeão” não confere qualquer peso negativo à “República de Curitiba”.
Já a “República de Alagoas”, referência aos bárbaros levados ao Planalto por Fernando Collor, poderia, sim, emprestar um caráter eminentemente negativo à outra “República” ..., se ela fosse, digamos, de Goiás ou do Maranhão, por exemplo, mas jamais de uma cidade como Curitiba, tida e havida como “civilizada” (sem demérito ao estados citados, mas a seus políticos mais notórios. O risível desempenho de Álvaro Dias no debate da Globo é um episódio à parte).
Será possível que não ocorreu a ninguém pespegar na turma da Lava Jato o apodo “Milícia de Curitiba”?
Para não me alongar muito, lembro outros exemplos toscos: o discurso da esquerda rescende a naftalina. Chamar políticos corruptos de “golpistas” é o mesmo que xingar um agressor feroz de “seu feio!” Outra palavra – entreguista – soa até uma coisa meio gay (sem preconceitos). Estamos falando principalmente para quem tem entre 15 e 40 anos e adotamos termos e linguagem toscas usados pelos nossos avós nos anos 50 e início dos 60! Ou seja: há mais de meio século!!!
Isso sem falar no conteúdo do discurso; os jovens de hoje, muitos deles “doidos” para se encostar num emprego público ou numa estatal estão nem aí para a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, ou até da própria mãe, se isso significar o aceno de acesso a um IPhone, um “carro completo com banco de couro” (mesmo com dez anos de uso), uma selfie numa academia ...
Faria mais efeito propor um auxilio-IPhone para a garotada, como aquele dinheiro milionário distribuído a juízes e promotores com ou sem casa, apartamento, mansão etc.
Para finalizar, a esquerda foi pródiga também em produzir discursos frouxos e toscos, embora tratados pela mídia reverente até como “inteligente”. Foi o caso da “crítica” do senador Roberto Requião ao ato desvairado do então juiz Sergio Moro, em viagem de lazer a Portugal, quando do habeas corpus concedido pelo único juiz do TRF 4 (os demais pertencem ao TRF de 4) ao presidente Lula: “cabe ao juiz Sérgio Moro tomar bom vinho, comer bacalhau”, escreveu no Twitter o senador que o eleitorado do Paraná, acertadamente, aposentou da política. Afinal, se é essa a capacidade de crítica do senador, diante da evidente, grosseira e indevida interferência de um juiz de piso em determinação de um desembargador de segunda instância, uma coluna social em jornal do interior lhe será muito mais adequado do que a Câmara Alta."
O evangelismo de resultado
As igrejas evangélicas neopentecostais que atuam no Brasil devem o seu sucesso à exploração de um nicho de mercado, por elas descoberto. Trata-se da venda do perdão divino ao “rebotalho”. De onde saiu isso? Da observação pura e simples (à espera de que sociólogos se debrucem sobre o assunto). Explica-se: as Igrejas Católica e as Protestantes tradicionais sempre “venderam” o perdão divino para os ricos e poderosos: reis despóticos, banqueiros usurários, chefes de Estado corruptos e genocidas, fazendeiros escravagistas e assassinos, financistas corruptos de toda ordem, herdeiros de grandes fortunas deformados morais etc etc etc.
O que as evangélicas neopentecostais que atuam no Brasil descobriram é que a venda do perdão divino ao rebotalho era uma oportunidade de negócio inexplorada; o “rebotalho” representava uma imensa fatia de mercado, que era desprezada pelos dois principais expoentes da fé cristã.
E então abraçaram com avidez esse nicho, representado por traficantes de drogas e armas, assaltantes de bancos, matadores de aluguel, doleiros, estelionatários, contrabandistas, fraudadores, falsificadores, mercadores do sexo, estupradores, pedófilos, praticantes de furtos em geral, golpistas de toda ordem, funcionários públicos corrompidos, vendedores de pareceres e sentenças, assassinos de ocasião, gente que vive de pequenos expedientes etc etc etc.
São crimes em que os agentes não têm pruridos de sujar as mãos – ao contrário da pseudoelite, que delega a execução dos crimes mais bárbaros (e paga migalhas por isso) justamente ao rebotalho da sociedade, que vive ainda num estágio de barbárie intelectual, social, sanitária, moral e em tudo o mais.
As neopentecostais perceberam que nesse nicho – pela enorme quantidade de agentes – circulavam grandes somas. E se fosse aplicado a ele algumas regras, organização e estrutura seria possível fazer render muito mais. E onde há mais dinheiro, pela lógica direta das neopentecostais, há muito mais dízimo!
Foi o que fizeram; ajudaram a profissionalizar as atividades criminosas do “rebotalho”, grupo social que, hoje, pelo nível de sofisticação das práticas alcançado, já não cabe mais no adjetivo substantivado.
A retribuição financeira que os agentes criminosos desse nicho de mercado dão às igrejas neopentecostais se expressa nos palácios por elas erguidos nas principais capitais brasileiras, na ostentação de riqueza de seus líderes (embarcações de luxo, aviões e helicópteros com que se deslocam pelo mundo, mansões e fazendas etc).
Um dado bastante ilustrativo dessa venda e compra do perdão divino foi a descoberta da doação de R$ 100 mil de um traficante ao pastor Silas Malafaia, ocorrida há não muito tempo. Essa transação só se tornou conhecida do público porque caiu nas malhas da Polícia Federal. Não fosse isso, seria contabilizada naturalmente como “pagamento de dízimo” (ou algo parecido) à igreja de Malafaia, que se justificou com o argumento malandro de que “não pergunto de onde vem o dinheiro das doações que recebo”.
O perdão divino, nos casos dos crimes praticados pelo “rebotalho”, se assemelha, por exemplo, à remissão que empresários e banqueiros fraudulentos sempre buscaram em padres católicos e em líderes religiosos protestantes para cauterizar suas consciências ante o desemprego, a miséria, as mortes causadas por suas fraudes.
Mas há um outro viés a ser estudado, e que decorre da migração de comunidades antes chamadas “macumbeiras” para o evangelhismo neopentecostal. É o recurso à proteção divina para o corpo, que, diferente do que ocorre com os criminosos da pseusdoelite, sofre uma exposição direta no exercício da prática criminosa.
Antepassados desse grupo social recorriam às divindades da Umbanda, especialmente, para ter o “corpo fechado” em situações de troca de tiros com a polícia, ou eventualmente com as suas vítimas, mas também com adversários no mercado do crime. Hoje, antes de embarcarem em SUVs, armados com escopetas e munição pesada para dinamitar caixas de agências bancárias, interceptar carros fortes, transportar drogas e armas, executar pessoas como a juíza Patrícia Acioli, os criminosos dão-se as mãos, cerram os olhos, elevam o pensamento e clamam pela proteção de Nosso Senhor Jesus Cristo na missão que têm a cumprir.
Parte do butim vai para as mãos de pastores na forma de dízimo, em agradecimento ao “corpo fechado” pelo deus que derrubou as muralhas de Jericó.
A Queda da UNIBAN. A paródia Nota 1000 completou 13 anos
O caso da Uniban rendeu a melhor paródia de todos os tempos com o filme A Queda - As últimas horas de Hitler. O autor, que desconheço, criou uma obra-prima das paródias. Assistam e guardem.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2022
Bolsonaro, quem diria, iniciou a reforma no Estado brasileiro. E ela não pode retroceder
The Villa Biscaia Post / Editorial
A única coisa que presta feita pelo (des)governo Bolsonaro foi a redução das alíquotas do ICMS sobre combustíveis e serviços essenciais. E Bolsonaro fez isto não para beneficiar a população, mas para atacar os governadores, e nesta ação atingiu tanto aqueles que não lhe agradavam, quanto os que lhe serviam de capacho. Mas foi algo acertado, porque era um absurdo cobrar quase 30% de imposto para as pessoas terem Água/coleta de esgoto, Luz, Gás, telecomunicações em suas casas, sem falar nos combustíveis que movem os veículos motores. Os governadores e prefeitos estão fazendo lobbie para voltarem as alíquotas anteriores sob a falsa alegação de que as contas das administrações não fecham. Não fecham por causa da farra de dinheiro público para membros do Judiciário, do Ministério Público, dos Tribunais de Contas, universidades e do Legislativo etc. Por isso é preciso que a nova mídia, os sindicatos e os partidos de oposição se oponham à volta das alíquotas altas e exijam o corte da farra de dinheiro público nessas áreas citadas (entre outras). Não se trata do servidor público qualificado que tem salário de R$ 30 mil, mas dos penduricalhos que aumentam essa cifra dez vezes ou mais. Por que o povo que trabalha na iniciativa privada tem que pagar escola dos filhos, creche, tratamento dentário, plano de saúde, a roupa que usa para trabalhar, o transporte etc e os encostados no Estado transferem essas contas todas para os cofres públicos? A reforma do Estado foi iniciada - mesmo sem essa intenção - pelo mais desqualificado sujeito que ocupou a Presidência da República do Brasil, e ela não pode retroceder.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2022
Gal, Boldrin e agora Erasmo. E 2022 ainda não chegou ao fim ...
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| Fernanda Passos & Erasmo Carlos |
O mês de novembro deste 2022 foi cruel com a melhor música brasileira. Num mesmo dia nos tomou Gal Costa e Rolando Boldrin, e sem nos permitir um fôlego, levou também Erasmo Carlos. O "Tremendão", como o batizou o eterno Carlito Maia ao dar forma ao programa Jovem Guarda, nos anos 60, foi o melhor expoente do rock feito no Brasil, admirado por jovens de todas as idades, dos 15 aos 80 e tantos anos. O autor de rocks e baladas como "Splish-splash" - um dos primeiros sucessos de Roberto Carlos - e Gatinha Manhosa experimentou altos e baixos na vida artística e se despediu dela em alta. Chamado pelos amigos carinhosamente de "Gigante Gentil", Erasmo cumpriu na vida dos palcos um roteiro inverso ao de seu parceiro em composições Roberto Carlos. No início da carreira, Roberto superava de longe o amigo. E não apenas sob o ponto de vista do sucesso financeiro; RC, com canções eternas como Amada Amante, Quero que Vá Tudo Pro Inferno, Detalhes, O Portão, Outra Vez, Como é Grande o Meu Amor por Você, O Tempo Vai Apagar, entre tantas outras, ocupou durante décadas lugar especial no gosto popular brasileiro. Erasmo, ao contrário, viu momentos de brilho intenso e outros de quase opacidade, que superou com maestria. Mas, ao contrário de RC, que piorou com o tempo e hoje se parece um imitador de Chitãozinho (que era inicialmente um imitador barato de seus gestos no palco), Erasmo melhorou e muito na medida em que os anos avançavam. Manteve um rosto e uma expressão jovem aos 80 e tantos anos, sem tentar fantasiar com tinturas e perucas o tom mais do que grisalho e a calvície. Simpático, terno, divertido, direto nas muitas entrevistas que deu nos anos recentes, o Gigante Gentil dos anos 2000 era muito melhor do que o garotão da Jovem Guarda. Um exemplo raro de gente que imita os bons vinhos de boas safras.
Para lembrar Erasmo, três momentos da mais pura ingenuidade poética do cantor e compositor: O Caderninho, A Carta e O Bilhetinho.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2022
quarta-feira, 9 de novembro de 2022
Um dia de fúria para a música brasileira da melhor qualidade: perdemos Gal Costa e Rolando Boldrin
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| Gal Costa e Rolando Boldrin |
Esta quarta-feira, 9 de novembro de 2022, nos privou abruptamente de dois gigantes da melhor música brasileira: a tropicalista Gal Costa, jovem aos 77 anos, e o maior representante atual da canção sertaneja de verdade, Rolando Boldrin, na juventude de seus 86 anos.
Boldrin será o eterno Sr. Brasil, aquele que ainda na década de 70 despertou em todos nós um prazer havia a muito esquecido: a genuína música caipira, que as rádios de jabá desprezavam. As manhãs de domingo ganharam nova vida com o programa criado pela dupla Boldrin e Ratinho (não esse Ratinho avacalhado da Rede Massa, mas o Ratinho da dupla que formara com o também lendário Jararaca).
Já a Gal Costa surgiu para o grande público um pouco antes, ainda no final da década de 60, ombreando com os tropicalistas Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Maria Bethânia e outros mais. Uma curiosidade em relação a Gal: a cantora motivou uma microrreforma ortográfica no Brasil. Antes da década de 70, general era abreviado como gal. O ditador de plantão era o gal. Costa e Silva, que não gostou do nome adotado pela tropicalista. Achou que era provocação - e parece que era mesmo - e foi então que general passou a ser abreviado como gen.
sexta-feira, 4 de novembro de 2022
Quando falham as instituições, surgem homens excepcionais
Serge Katz, doutor em Sociologia pela UFPB
3 de novembro de 2022
A longo da história, todos os países que passaram por graves crises políticas que colocaram em risco sua democracia e sua república se remeteram nas mãos e na coragem de raros homens que acreditavam mais que todos os outros. No caso do Brasil da era bolsonarista, podemos apontar Luiz Inácio Lula da Silva e Alexandre de Moraes como esses homens especiais.
Depois da Segunda Guerra Mundial, quando a França já havia conseguido normalizar o clima social e político deteriorado pela ocupação nazista, o escritor e ministro André Malraux pronunciou um dos melhores discursos já escritos na história francesa. Malraux, homenageando o herói da Grande Guerra e chefe da resistência interior Jean Moulin, cujos restos mortais entrariam no Panteão, lembrou que “o destino da França esteve suspenso por um fio na coragem desse homem que tudo sabia e mesmo assim nada falou” após longas horas de tortura. Os grandes nomes da resistência francesa ao nazismo foram De Gaulle e Jean Moulin. Os grandes nomes que a história brasileira recordará depois das eleições de 2022 são Lula e Alexandre de Moraes.
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| Xandão e Lula da Silva: o Foda e o Fodão |
Norberto Bobbio, o grande pensador e filósofo italiano do século XX, perguntou certa vez se era preferível para um país ter instituições fortes ou grandes governantes. Na verdade, a história nos revela que em tempos de paz as instituições sempre foram as melhores garantias da sobrevivência e continuidade republicana. Porém, em tempos de grandes crises, todas as grandes nações se abrigaram na coragem de homens e mulheres excepcionais. Esse é um grande paradoxo das nossas democracias. Recorrentemente nos vangloriamos da fortaleza das nossas instituições e tradições republicanas, entretanto, inúmeros exemplos ao longo da história mostram que a passagem de um regime democrático para um ditatorial muitas vezes depende mais da força e firmeza de alguns raros homens.
O ministro Alexandre de Moraes revelou-se ser um deles e por sorte não tem a indecente ambição política de Sérgio Moro; de modo que com ele o Brasil não corre o risco desse atroz mélange de genres. Moraes, porém, terá mais trabalho e oportunidade de inscrever ainda mais seu nome na história do Brasil e já sinalizou que compreende a importância de seu papel decisivo. Trata-se de uma reforma das leis sobre regulamentação das plataformas digitais. Durante a coletiva de imprensa posterior ao anúncio dos resultados das eleições, ele afirmou a necessidade de responsabilizar as plataformas dando-lhes status de veículos de informação. Justíssimo!
Entretanto, essa missão terá que contar com a participação de toda a sociedade civil. E mais uma vez o Brasil pode ser pioneiro em sua legislação sobre mídias digitais e internet. A realidade é que hoje a maior ameaça para as democracias liberais do Ocidente são os disparos em massa de fake news.
A extrema-direita e a memória do nazismo
Os quatro anos do governo Bolsonaro deixaram evidente que as instituições brasileiras são facilmente corrompíveis, porém, o posicionamento recente da maioria dos líderes das instituições e lideranças partidárias do bolsonarismo mostraram também que têm em grande apreço uma vida política institucionalizada. É outro paradoxo brasileiro. As instituições são frágeis, mas os políticos se fortalecem no carreirismo.
Outro ponto essencial que deve mobilizar os debates nos próximos dias é o espaço ocupado por esses mais de 58 milhões de brasileiros que escolheram Bolsonaro no último domingo. São todos extremistas e fascistas? Certamente não. Mas muitos deles constituem essa massa flutuante que navega entre o centro, a direita e a extrema-direita. Um desafio político e ideológico do próximo governo consistirá em trazer essas pessoas para o lado da democracia, talvez até por meio de medidas econômicas e políticas públicas.
O Brasil de Bolsonaro também cristalizou a posição do país longe do secularismo e da laicidade. A centralidade do debate religioso durante a campanha eleitoral, sobretudo, no segundo turno, e o fortalecimento dos evangélicos como atores essenciais dos processos políticos são um triste aviso de que a democracia brasileira perdeu uma característica fundamental dos Estados modernos que é o “desencantamento do mundo”, a separação da política com a esfera religiosa. De agora em diante, a política brasileira será pautada pela temática religiosa. É uma tendência que afeta também os Estados Unidos.
A vitória de Lula, ou melhor, a vitória do campo democrático por meio de uma aliança ampla que reuniu vários partidos políticos com fortes raízes democráticas é uma oportunidade única de marginalizar a extrema-direita no Brasil. Retomando as comparações com a Europa, vemos desde a eleição presidencial francesa de 2002 quando Jean-Marie Le Pen chegou ao segundo turno, que nesse país é comum uma frente ampla ser formada para barrar a extrema-direita; de tal forma que não se vislumbra no horizonte seu acesso à presidência da república. É óbvio que a extrema-direita se tornou uma força política na França, mas ela não é uma força capaz de chegar à presidência. O motivo dessa impossibilidade é histórico e cultural no sentido em que a extrema-direita francesa é intimamente relacionada na memória dos eleitores com a ocupação nazista e a colaboração durante o regime de Vichy. No Brasil, essa associação com o nazismo é de frágil demonstração.
No máximo, se pode relacionar a extrema-direita com a ditadura militar. Contudo, hoje, seus laços parecem ser mais fortes com os grupos religiosos evangélicos mais radicalizados do que com a memória da ditadura militar. Por isso, aumenta no Brasil a dificuldade da formação de uma frente ampla contra a extrema-direita.
Dito isso, é preciso tomar alguns cuidados na análise. A tese de que o bolsonarismo é forte precisa ser relativizada. E nem o Bolsonaro é tão forte fora da presidência. Não significa que o conservadorismo (e seus aspectos religiosos) seja fraco no Brasil. Me refiro à figura de Bolsonaro como sendo central na articulação desse conservadorismo. É esse ponto que deve ser relativizado. Muitos dos seus aliados de primeira hora foram atacados pelos filhos e o “gabinete de ódio”. Os recentes aliados sabem que é um risco que sempre vai existir com eles. Se vislumbrarem a possibilidade de tirar os filhos da cena política, não hesitarão. A presteza, domingo, de vários bolsonaristas em reconhecer sua derrota já indica essa tendência. Bolsonaro pode se manter importante nos próximos anos, mas precisará demonstrar muita inteligência política. O comportamento mais óbvio que se esperaria dele seria continuar sendo relevante mantendo a postura truculenta que sempre o caracterizou. Ele aposta na agitação. Isso mantém o engajamento de alguns radicais, mas não durante quatro anos. Além disso, há um risco político para ele caso aposte por promover uma agitação desmedida que pode irritar a Justiça. E sabemos que não é uma boa ideia num país como o Brasil onde o Poder Judiciário já mostrou que é propenso a intervir nos processos políticos.
Portanto, para o novo governo, trata-se de aproveitar essas pequenas brechas que se apresentam e recapturar os milhões de brasileiros que se afastaram de um engajamento incondicional com os valores republicanos e democráticos. Esse é um dos grandes desafios da sociedade brasileira nos próximos anos: marginalizar ao máximo o campo da extrema-direita ampliando a adesão popular à democracia.
segunda-feira, 3 de outubro de 2022
O Brasil não vai virar uma milícia do Rio de Janeiro
Investidor do MST
"Acumulei muito patrimônio em minha vida, mas agora não preciso mais. Cheguei a um momento que não faz sentido ter mais dinheiro. Foi por isso que decidi doar a empresa e transformá-la em uma ONG de impacto social. Acredito que quem tem mais saúde precisa ajudar quem tem menos, assim como quem tem mais dinheiro tem de ajudar quem tem menos", diz João Paulo Pacífico, 43, a Ecoa.
Estamos em uma sexta-feira à tarde e o homem de cabelo comprido veste camiseta preta com a frase: 'Quem tem apenas aspirações individuais jamais vai entender a luta dos outros'. A vestimenta foge ao padrão dos executivos que são seus pares no mercado financeiro, onde Pacífico conquistou sucesso e fortuna, remando contra uma corrente em que o lucro fica sempre na mão das mesmas pessoas.
Longe de fazer voto de pobreza e sem floreios, João Paulo Pacífico assume ter uma vida confortável, mas sem aspirações em adquirir veículos esportivos, hangares ou helicópteros. Pelo contrário, seu carro é alugado e ele diz ir ao escritório montado em seu patinete.
"Quero ter dinheiro e trabalhar, mas não quero mais ser dono. Serei o diretor da ONG, receberei salário, mas todo lucro passará a ser investido em impacto social e ambiental. Também sou contra a ideia de minhas filhas nascerem donas - terão toda condição possível, mas não herdarão a empresa", afirma o empresário.
Mudando as regras do jogo: dos ricos aos pobres
Pacífico decidiu doar sua empresa — o Grupo Gaia, que está no mercado financeiro há 13 anos — ao reconhecer os próprios privilégios. Ele entende que acumular mais patrimônio seria ser 'viciado em dinheiro', vício que atribui a muitos dos investidores brasileiros.
"O primeiro passo foi a abertura de uma ONG em 2014, a 'Gaia +', que acolhe até hoje crianças em contraturno escolar em Piracicaba [cidade do interior de São Paulo]. Já em 2017, conheci um projeto da empresa Vivenda, que tem como foco a reforma de casas em comunidades e periferias, e fiquei encantado com aquilo e investi na ideia", conta Pacífico.
A Vivenda é um negócio de impacto que trabalha para famílias de menor renda, oferecendo assistência técnica, mão de obra e matéria-prima para reformas. A proposta é facilitar a contratação do serviço de reforma, geralmente com menor custo e com a possibilidade de se pagar em até 30 prestações. Foi nesse projeto que Pacífico enxergou uma das primeiras oportunidades de usar a sua expertise no mercado financeiro para mudar a lógica do jogo da bolsa de valores.
"O mercado financeiro é feito para rico investir em rico, mas conseguimos adaptar uma ferramenta [debênture, título de crédito representativo] para a reforma de casas em comunidades. Juntamos dinheiro de investimento com dinheiro de filantropia, assim era possível investir no projeto, ter rentabilidade e garantir a seguridade de crédito da Vivenda", afirma Pacífico a Ecoa.
"Essa operação também ajudou a tirar o risco do crédito da Vivenda, que era um negócio novo, e resolveu o nosso problema de fluxo de caixa, pois estávamos usando dinheiro nosso para operacionalizar essas reformas", explica Fernando Assad, cofundador da Vivenda.
Um investidor do MST
Pacífico usou lógica semelhante para ofertar títulos de dívida das cooperativas ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) na bolsa de valores, e considerou o próprio momento em que conheceu o movimento mais a fundo como algo importante para um processo de mudança — em que passou a reconhecer seus privilégios e a realidade desses trabalhadores.
"Visitei acampamentos do MST a pedido de um amigo, que me disse que toda narrativa que se constrói contra o movimento é mentira. Chegando lá, os vi plantando arroz orgânico. Então, por que eu deveria ser contra isso? ", diz o empresário.
"Em uma situação de opressão, ficar neutro é ajudar o opressor. Se eu ficasse neutro continuaria a fomentar esse sistema de opressão, e isso é contra o meu caráter. Foi a partir disso que decidimos criar essa ação na Bolsa de Valores B3 para o MST", completa.
De forma simplificada, Pacífico criou uma operação em que qualquer pessoa poderia investir no MST a partir de R$ 100. "As pessoas compraram a partir da B3 títulos para emprestar dinheiro ao MST [e ter rentabilidade com o investimento]", conta Pacífico.
"Há um lado muito positivo nesse tipo de investimento de impacto, mas sofri diversas retaliações no mercado e até mesmo em meu círculo pessoal. Há pais de crianças da escola da minha filha que falam mal de mim por eu apoiar o movimento", completa.
Reforma agrária na bolsa de valores
Ana Terra, militante do MST, agrônoma e responsável pelo Finapop (Financiamento Popular da Agricultura Familiar), explica que Pacífico se junta a uma onda de parceiros interessados em fazer financiamentos que impactem a sociedade como um todo. E os resultados dos títulos emitidos pelo Grupo Gaia marcam a casa dos milhões, com 17,5 milhões destinados a investimentos para sete cooperativas agrícolas em 2021.
"O João Paulo e o Grupo Gaia são parceiros que se juntam a um grupo de pessoas interessadas em fazer financiamentos. No caso das Cooperativas de Assentamentos, este impacto reflete-se em melhores condições de produção, agroindustrialização e comercialização de alimentos saudáveis, gerando melhor qualidade de vida às famílias que produzem e a todos que consomem", comenta Terra.
Neste ano, o Grupo Gaia também viabilizou o financiamento para uma embaladora a vácuo, que trabalha com feijões orgânicos. "Isso acontece na Cooperativa Da Terra, que atua no interior de São Paulo, com produção de feijão orgânico. O investimento de 1,2 milhão possibilitará melhorias no beneficiamento de feijão, um alimento de todos os brasileiros", conta Terra.
Compartilhar fortuna para render felicidade
Pacífico se interessa por psicologia positiva, uma linha que estuda a felicidade. Foi a partir desse movimento interno, que percebeu um sentido para além da sua busca por dinheiro.
"Comecei a aplicar isso no trabalho e reparei que sempre fiz operações financeiras com grandes empresas, mas as operações em que fui mais feliz fazendo na minha vida foram as que tiveram impactos positivos nesses projetos", conta Pacífico.
A princípio seu plano era apenas dividir o Grupo Gaia em dois, sendo uma repartição para o mercado tradicional e outra para impacto social, mas percebeu que o caminho que lhe faria mais sentido seria doar e transformar todo o grupo em uma empresa de impacto social, transição que está prevista para o fim de outubro.
"O MST gera riqueza sem ter tanto dinheiro. Fazer isso é entender por que viemos para cá e por que a gente vive, entender que todos dependemos uns dos outros. Esse é um conceito de interdependência, e nos mostra que não existe felicidade quando você tem acesso a tudo e outras pessoas não têm acesso a nada", acredita Pacífico.
Para o executivo, seu desejo é que sua escolha sirva como exemplo a outros players do mercado financeiro. "Eu quero servir de inspiração para as pessoas e a mensagem é mais importante que o mensageiro. Sou contra as listas de bilionários, isso é uma doença e deriva de um grande ciclo exploratório, quero que outras assim como eu, coloquem a mão na consciência e entendam que não precisam disso", comenta. Fonte: https://www.uol.com.br/ecoa/reportagens-especiais/acumulei-muito-patrimonio-nao-preciso-mais-joao-paulo-pacifico-transforma-empresa-em-ong-e-apoia-o-mst-na-bolsa/#end-card
sexta-feira, 23 de setembro de 2022
Juiz de Brasília censura reportagem do UOL sobre corrupção da família Bolsonaro
Metade do patrimônio do clã Bolsonaro foi comprada em dinheiro vivo Metade do patrimônio do clã Bolsonaro foi comprada em dinheiro vivo, aponta reportagem do Uol Quase metade do patrimônio em imóveis do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) e de seus familiares mais próximos foi construída nas últimas três décadas com uso de dinheiro em espécie, de acordo com levantamento patrimonial realizado pelo UOL.
Desde os anos 1990 até os dias atuais, o presidente, irmãos e filhos negociaram 107 imóveis, dos quais pelo menos 51 foram adquiridos total ou parcialmente com uso de dinheiro vivo, segundo declaração dos próprios integrantes do clã.
As compras registradas nos cartórios com o modo de pagamento "em moeda corrente nacional", expressão padronizada para repasses em espécie, totalizaram R$ 13,5 milhões. Em valores corrigidos pelo IPCA, este montante equivale, nos dias atuais, a R$ 25,6 milhões.
Não é possível saber a forma de pagamento de 26 imóveis, que somaram pagamentos de R$ 986 mil (ou R$ 1,99 milhão em valores corrigidos) porque esta informação não consta nos documentos de compra e venda. Transações por meio de cheque ou transferência bancária envolveram 30 imóveis, totalizando R$ 13,4 milhões (ou R$ 17,9 milhões corrigidos pelo IPCA).
Ao menos 25 deles foram comprados em situações que suscitaram investigações do Ministério Público do Rio e do Distrito Federal. Neste grupo, estão aquisições e vendas feitas pelo núcleo do presidente, seus filhos e suas ex-mulheres não necessariamente com o uso de dinheiro vivo, mas que se tornaram objeto de apurações como, por exemplo, no caso das "rachadinhas" (apropriação ilegal de salários de funcionários de gabinetes).
O UOL procurou o presidente Jair Bolsonaro, por meio da assessoria do governo, para perguntar a razão da preferência da família pelas transações em dinheiro, mas ele não se manifestou antes da publicação da reportagem. Nesta terça, o presidente demonstrou irritação ao ser questionado sobre o assunto.
"Qual é o problema de comprar com dinheiro vivo algum imóvel, eu não sei o que está escrito na matéria... Qual é o problema?", disse o presidente após participar de uma sabatina promovida pela União Nacional do Comércio e dos Serviços. "O que eu tenho a ver com o negócio deles?", afirmou sobre os filhos e a familiares que moram no Vale do Ribeira (SP).
"Então tudo bem. Investiga, meu Deus do céu. Quantos imóveis são? Mais de cem imóveis... Quem comprou? Eu? A minha família? Meus filhos já foram investigados. Desde quando eu assumi, quatro anos de pancada em cima do Flávio, do Carlos, Eduardo menos... Familiares meus do Vale do Ribeira. Eu tenho cinco irmãos no Vale do Ribeira."
O levantamento considera o patrimônio construído no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília pelo presidente, seus três filhos mais velhos, mãe, cinco irmãos e duas ex-mulheres.
Nos últimos sete meses, a reportagem consultou 1.105 páginas de 270 documentos requeridos a cartórios de imóveis e registros de escritura em 16 municípios, 14 deles no estado de São Paulo. Percorreu pessoalmente 12 cidades para checar endereços e a destinação dada aos imóveis, além de consultar processos judiciais.
Até a mãe de Bolsonaro, Olinda, falecida em janeiro deste ano, aos 94 anos, teve os dois únicos imóveis adquiridos em seu nome quitados em espécie, em 2008 e 2009, em Miracatu, no interior de São Paulo. Entre os imóveis comprados com dinheiro vivo pela família, estão lojas, terrenos e casas diversas.
Atualmente o Senado Federal discute projeto de lei que sugere a proibição do uso de dinheiro em espécie para transações imobiliárias, como forma de prevenir operações de lavagem de dinheiro ou ocultação de patrimônio.
Patrimônio em expansão Desde a chegada de Bolsonaro à política como parlamentar, no início dos anos 1990, o patrimônio se multiplicou em seus diferentes núcleos familiares —tanto o que abarca seus filhos, no Rio e em Brasília, como aquele que envolve seus irmãos, no interior de São Paulo, em especial em cidades do Vale do Ribeira, região mais pobre do estado.
Até 1999, a família havia adquirido 12 imóveis. Nos anos seguintes, uma parte seria vendida, outra comprada. Em 2022, a família seguia proprietária de 56 dos 107 imóveis transacionados nas últimas décadas.
Até o fim dos anos 90, o gasto com imóveis somava R$ 567,5 mil (R$ 1,9 milhão em valores atualizados). Os 56 endereços que seguem registrados, nos dias atuais, em nome da família custaram R$ 18,8 milhões (ou R$ 26,2 milhões, corrigidos pelo IPCA).
Desde 2018, os filhos Flávio e Carlos Bolsonaro, além de Ana Cristina Siqueira Valle, segunda mulher de Jair Bolsonaro, são investigados por suspeita de envolvimento com o repasse ilegal de salários dos funcionários de gabinetes. Os assessores, grande parte funcionários fantasmas, sacavam em espécie os salários e entregavam a operadores cerca de 90% do total recebido.
As investigações sobre Flávio no MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) descobriram que, posteriormente, esses valores eram "lavados" com compras de imóveis. Parte de provas produzidas durante a apuração foram anuladas recentemente, mas as investigações continuam em curso. No caso de Carlos, o sigilo bancário foi quebrado por indícios semelhantes.
No ano passado, uma série de reportagens do UOL revelou que quatro funcionários do gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro sacaram mais de 72% dos salários em espécie.
Meses depois, o podcast do UOL "A Vida Secreta de Jair" revelou uma gravação em que Andrea Siqueira Valle, irmã de Ana Cristina, ex-mulher de Bolsonaro, diz que Bolsonaro sabia do esquema e demitiu o então cunhado, André, por não entregar o salário.
"O André deu muito problema porque ele nunca devolveu o dinheiro certo que tinha que ser devolvido, entendeu? Tinha que devolver R$ 6.000, ele devolvia R$ 2.000, R$ 3.000. Foi um tempão assim até que o Jair pegou e falou: 'Chega. Pode tirar ele porque ele nunca me devolve o dinheiro certo', dizia Andrea na gravação.
Família paulista No ramo paulista, a irmã mais rica de Bolsonaro é Maria Denise Bolsonaro, que construiu com o marido José Orestes Fonseca um império de lojas de móveis, eletrodomésticos e miudezas no Vale do Ribeira nos últimos anos.
Eles se casaram em 1980, sob o regime de comunhão universal. Atualmente os dois vivem separados, mas ainda brigam pela divisão de patrimônio. Pela lei, enquanto a disputa não se encerrar, os bens seguem pertencendo ao casal.
A disputa entre os dois envolve quase uma dezena de lojas, uma casa de veraneio à beira-mar em Cananéia, no litoral sul paulista, com lancha e jet-ski, e duas mansões localizadas dentro de uma área de mais de 20 mil metros quadrados no centro de Cajati, no Vale do Ribeira, também compradas com dinheiro em espécie.
Todos os imóveis do casal guardam uma particularidade: trazem nos azulejos de fachada ou até mesmo no telhado as cores azuis, marca registrada da rede que administravam em conjunto, conhecida como Campos Mais.
A empresa foi inaugurada em 1997 e, inicialmente, era uma sociedade de Orestes Bolsonaro Campos, filho de Maria Denise e José Orestes, ainda criança, com Theodoro Konesuk, o marido de Vânia Bolsonaro, outra irmã do presidente.
No início dos anos 2000, devido a uma desavença entre José Orestes e Theodoro, a sociedade foi desfeita. A reportagem apurou que eles não se falam até hoje.
Theodoro fundou com Vânia uma nova rede de lojas, na mesma área de atuação, chamada Art's Móveis.
Enquanto as lojas da Campos Mais são identificadas com as cores azul e branco, as lojas Art's Móveis têm fachadas nas cores vermelho e branco.
O patrimônio de Orestes e Maria Denise mistura bens que estão registrados ora em nome deles, como pessoa física, ora em nome da empresa.
Em nome da mãe Professora aposentada e viúva, em 2008, a mãe do presidente, Olinda Bonturi Bolsonaro, então com 81 anos, vivia entre as casas de suas filhas, espalhadas por municípios do interior de São Paulo, entre eles Eldorado, cidade onde Jair viveu até a juventude. Elas dividiam entre si os cuidados e os custos com cuidadores para Olinda, que seria diagnosticada futuramente com a doença de Parkinson.
Mas, em janeiro de 2008, Olinda assinou uma transação imobiliária que nada tinha a ver com sua rotina: a compra de um terreno em área comercial, de 451 m², na avenida principal de Miracatu, por R$ 35 mil (o equivalente a R$ 82,7 mil, segundo o IPCA).
Em maio do ano seguinte, ela registraria a compra do terreno vizinho, com 461 m², por R$ 80 mil (R$ 174,6 mil, atualizados). As duas compras foram realizadas com dinheiro em espécie.
Os imóveis não eram investimentos da mãe do presidente - na verdade foram comprados para abrigar uma loja de móveis e miudezas fundada pelo filho Renato Bolsonaro, irmão do presidente, e tocada por uma das netas de dona Olinda e filha de Renato, Vitória Leite Bolsonaro. Ainda hoje, o endereço é a sede da Vivi Móveis, empresa de Renato que leva o nome da filha e que se expandiu por duas cidades da região.
Em 2011, aos 84 anos, dona Olinda se desfez oficialmente dos dois imóveis. Mas não recebeu um tostão: ela os doou a outro neto, Luiz Paulo Leite Bolsonaro. Luiz também é filho de Renato Bolsonaro, irmão de Vitória. Atualmente ele é oficial da Polícia Militar em Goiás.
Ao ser perguntada sobre a razão da avó ter se envolvido com a compra do imóvel, Vitória pediu ao UOL que contatasse sua advogada. "Os imóveis foram adquiridos pela mãe do presidente da República, que já faleceu e não pode prestar esclarecimentos hoje. Posso garantir que foram adquiridos de forma legal", disse a advogada Silvia Brunatti.
Ela preferiu não detalhar as circunstâncias que envolveram a compra dos imóveis, por se tratar de "assunto de família e de cunho particular". "A doação foi feita de maneira legal, justa, honesta, dentro do direito que é assegurado a toda pessoa civil e capaz", afirmou.
Quem vendeu o imóvel à família conta outra história. "Eu já estava com o terreno vendido, mas o Renato soube e me procurou. Eu nem sei em nome de quem a venda foi registrada, mas foi uma venda feita para ele mesmo", conta Onisvaldo da Costa Ribeiro, de 76 anos, antigo dono.
Bento Ribeiro Em 2006, Renato já havia participado de uma transação de imóvel com dinheiro em espécie, envolvendo diretamente o presidente Bolsonaro.
Jair comprou do irmão o imóvel em que funciona seu escritório político no Rio, uma casa no bairro de Bento Ribeiro, no Rio de Janeiro, por R$ 40 mil. O valor também foi quitado em espécie.
Este é um dos cinco imóveis que Jair Bolsonaro adquiriu ao longo de sua trajetória política pagando em dinheiro vivo. Procurado pelo UOL, Renato não quis se manifestar.
Em 2016, uma reportagem do SBT mostrou que Renato, embora nomeado como assessor especial parlamentar na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), não aparecia para trabalhar. Após a revelação, ele acabou exonerado.
Prevenção à lavagem de dinheiro O Senado Federal discute projeto de lei que sugere a proibição do uso de dinheiro em espécie para transações imobiliárias, como forma de prevenir operações de lavagem de dinheiro ou ocultação de patrimônio.
O texto foi aprovado no ano passado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), mas aguarda há quase um ano a designação de relator para que tramite na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.
Desde fevereiro de 2020, cartórios estão obrigados a comunicar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como "movimentação atípica" transações abaixo do valor de avaliação para cálculo do ITBI ou em espécie.
Os imóveis analisados no levantamento do UOL foram adquiridos antes disso —a última compra de dinheiro vivo por membros da família ocorreu em 2018.
A determinação da comunicação dos cartórios ao Coaf foi feita pela Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com forma de estabelecer mais uma ferramenta de prevenção à lavagem de dinheiro.
quinta-feira, 22 de setembro de 2022
sábado, 10 de setembro de 2022
Minha experiência com o Comunismo
Vejo muitas pessoas falando mal do Comunismo sem ter a menor noção do que seja um país sob o regime comunista. Muitos até confundem Fascismo com Comunismo e emitem opiniões eivadas de preconceito como se fossem verdades divinas sopradas aos seus ouvidos por anjos celestiais.
Pois eu vivi alguns anos em um país comunista e asseguro que foi uma das melhores experiências que pude conhecer.
O País tinham uma população numericamente acima da média de outras nações e, sob o aspecto econômico, poderia se considerar um país pobre, não miserável. Um país de pequena classe média, digamos.
A administração tinha seus problemas e deficiências, como ocorre em todo e qualquer país, e seus administradores igualmente tinham os defeitos e as virtudes dos governantes em geral. O que os diferenciava era talvez o que se possa chamar de sabedoria salomônica, que era mais ou menos a filosofia que vigia no país.
Como a população era numerosa e os recursos limitados, tudo era disponibilizado com parcimônia a fim de que aqueles que tinham maior poder não se apropriassem do máximo possível, em prejuízo do resto do povo. O PIB, no caso, era repartido por igual a toda a população e as partes entregues a cada um.
Essa intervenção do Governo era a responsável por uma certa justiça aplicada à sociedade, uma vez que buscava compensar as diferenças impostas pela condição humana e fazia com que nenhum habitante ficasse em posição desfavorecida em relação a outros. É verdade que nem todos aprovavam, mas era da lei e tinham que aceitar.
As políticas de Educação e Saúde eram prioridade no país e, esses bens, acessíveis a toda a população. A aquisição do conhecimento, a garantia de alimentação suficiente e saudável, a proteção à saúde e a garantia de moradia eram direitos universais no país. A condição de país pobre inviabilizava o aceso a luxos, mas todos recebiam o necessário e essencial.
A população era estimulada a adquirir conhecimentos por meio do estudo regular. A frequência à escola era condição tão natural que naturalizava o fato de ser obrigatória. Tanto quanto o estudo formal, a população tinha acesso a livros, enciclopédias, revistas, filmes, passeios e outras formas de cultura.
O credo comunista era a religião oficial do país, e a população recebia informações e também formação a respeito das práticas, tradições, dogmas etc da fé comunista, assim como era levada a participar das cerimônias dominicais do partido. Funcionava como uma base de formação psicológica e intelectual para a população, que não tinha obrigação de adotá-las para a sua vida. Isto ficava claro na medida em que cada cidadão ou cidadã formava a sua noção de livre arbítrio.
Coisas corriqueiras em outros países, como festejos natalinos, no país comunista eram mais ou menos entendidos como "luxo". Se a economia do país ia bem, as comemorações e trocas de presentes ocorriam; em anos de economia fraca, as datas festivas simplesmente passavam.
Bem antes de os governos do PT terem criado ferramentas como o Bolsa Família para garantir condições mínimas de vida digna a crianças, idosos e famílias mais pobres, o governo do país comunista já adotava instrumentos semelhantes para socorrer aqueles que precisavam de algum apoio extra para viver.
Nenhum tipo de racismo ou classismo, ou qualquer outra forma de preconceito era estimulada pelos dirigentes do país.
Parte dos impostos recolhidos da população era destinada a atender as necessidades básicas de quem eventualmente atravessasse dificuldades, e com isto evitava-se que crianças tivessem o seu desenvolvimento físico e intelectual prejudicado pela subnutrição, ou ficassem sem-teto, sem escola, sem a cobertura básica de saúde etc. Quem ficasse desempregado no país, por exemplo, tinha a sua família protegida pelo Governo até conseguir se recolocar no mercado.
É curioso que o governo comunista já tinha algumas práticas que posteriormente vieram a ser adotadas pelos governos dos presidentes Lula e Dilma, como ajudar países vizinhos a se desenvolverem ou dar apoio àqueles que atravessavam dificuldades circunstanciais. (a propósito, quando a União Européia foi criada, países mais ricos como Alemanha e Inglaterra destinaram valores bilionários a Portugal para retirar o país do atraso e não desequilibrar a CE. A mesma política, embora envolvendo valores significativamente menores, foi aplicada por Lula e Dilma em relação a países do Mercosul e outros países-irmãos das Américas do Sul e Central e da África.)
Voltando ao país comunista, nações limítrofes ou não, pouco desenvolvidas ou vitimadas por tragédias naturais recebiam diversos tipos de ajuda, inclusive financeira aplicada a projetos que significassem desenvolvimento econômico e social ao país. Mesmo no caso de dirigentes irresponsáveis que torravam a riqueza nacional fora do seu território, impondo agruras às sua populações, os países vizinhos eram socorridos pelo governo comunista, que não deixava aqueles povos estrangeiros passarem fome e os amparava até que eles ganhassem condição de caminhar pelos próprios pés.
Pude testemunhar esses países circunstancialmente socorridos pelo vizinho comunista crescerem, se recuperarem e não dependerem mais da ajuda momentânea, sem a qual teriam ficado estagnados e tornado a condição de miserabilidade um círculo vicioso para as gerações futuras.
Outra caracterítica do país comunista em que passei alguns anos era a abertura plena a estrangeiros que precisassem ser acolhidos; as portas do país sempre estiveram abertas àqueles que buscassem asilo momentâneo, e o estrangeiro adquiria idênticos direitos aos dos naturais.
Há diversos outros exemplos que poderia mencionar aqui de boas práticas de solidariedade, desprendimento, respeito e aceitação dos diferentes, tolerância e harmonia com outras nações, exercício de cidadania, responsabilidade com as obrigações de Estado, compromisso com o desenvolvimento do País, respeito absoluto a questões internas de outros países, valorização do trabalho e do lazer etc etc etc. Enfim, tive a sorte de viver no país comunista durante os anos de constituição dos alicerces da minha formação.
O "País Comunista" em que vivi era a casa dos meus pais, os mais competentes administradores "comunistas" que conheci: seu Campelo e dona Ecéa.










