quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Castelo dos Bandeirantes comunica ao distinto público

COMUNICADO À VELHA IMPRENSA

Não procede que o Governo da Província de São Paulo esteja para lançar uma licitação para compra de SERVIÇOS DE BAJULAÇÃO dissimulada em noticiário. Comunicamos à Folha da Província de S Paulo, Estadão, Valor, Revista Veja et caterva que as aquisições do referido serviço continuarão a ser submetidas ao crivo da meritocracia dos distintos veículos.

O Provedor da Província de SP
Castelo dos Bandeirantes

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Microconto

Admiro-lhe o álbum de gravuras. Onde comprou? -Na FNAC, diz, com um riso alheio à pergunta, para acrescentar, esnobe: … de Paris! Das ruínas emanava a soberba, que agora era uma cortina puída.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Angústia II (Conto)

BR-116, 23 de dezembro de 1979.

Estou voltando para onde não há nada à minha espera. Este café à beira de estrada adia uns parcos minutos o meu destino e só faz aumentar a tensão que me põe um trem sobre o peito. Estou retornando a um lugar que nunca foi meu e que nada me identifica. Sou nada neste ônibus que divido com outros seres vazios de sonhos. Ainda 1600 quilômetros me separam do que julgo seja o meu destino final, e essa espera tortura meus pensamentos mágicos. Uma angústia filha da puta me acompanha, como uma sombra da qual não consigo me ver livre. Esse ambiente aquecido e ruidoso me soa um oásis nesse campo de neve, que cai lá fora sem cessar. Isso daqui é um útero aquecido artificialmente, que abriga alguns por alguns instantes. Logo todos serão devolvidos à sua angústia silenciosa fora daqui. Se me dão opção, permaneço, não embarco, tomo mais um café e outro e outro... na esperança de me transmutar a dezenas de milhares de quilômetros daqui, para uma terra de um ar quente que me inflou os pulmões por vez primeira. Olho a minha volta e diviso aquela que serve as mesas: – Donde a alegria que expressa no olhar??!! Só há tristeza, frio, umidade e solidão aqui em torno! Observo a janela; lá fora, a lotação estacionada é a representação da desesperança. Que se vá sem mim! (Me ocorre uma canção: “chove lá fora / e aqui tá tanto frio”) Por um momento penso que gostaria de ser ela; me sentir seguro, feliz como ela aparenta ser, alheia a esse espaço deprimente. (Mera divagação ..., se eu fosse ela queria mais era morrer!) A canção insiste: “Me chama, me chama, me chama...”

Zé Ribeiro Jr, 2020




domingo, 9 de novembro de 2025

Lula é tema do Samba Enredo da Acadêmicos de Niterói - Carnaval 2026

 


Uma prece pelo Rio de Janeiro

Nomes de Favela, de Paulo Cesar Pinheiro. Um contraponto à necropolítica de vagabundos, bandidos e desqualificados que o Bolsonarismo trouxe para a Política. 




sexta-feira, 31 de outubro de 2025

O Outro Brasil Que Vem Aí

O poema 'O outro Brasil que vem aí', de Gilberto Freyre, criado no ano de 1926. Tão Antigo, Tão Atual! No vídeo que segue, o poema é declamado pela Verônica, do Canal Trago um Livro.



                                                                                                                 

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Abstenções, a campeã de votos

Esta postagem reproduz o conteúdo de um paper produzido em 2023/2024 para orientar estudos sobre os resultados das eleições municipais daquele ano. Decidi torná-lo público em razão da repetição do fenômeno nas eleições legislativas na Argentina.

José Ribeiro Jr, publisher do The Villa Biscaia Post

O principal fenômeno nas eleições municipais de 2024 provavelmente não tenha a ver com um suposto crescimento da direita ou o também suposto encurtamento da esquerda. Tampouco é um fenômeno que surgiu apenas no pleito atual; já estava presente nos mais recentes pleitos, sinalizando um crescente desinteresse pelas eleições. Então, o elemento "novo", que definiu direta ou indiretamente o resultado das urnas, pelo menos nas grandes capitais, foram a ABSTINÊNCIA - principalmente - e o VOTO EM BRANCO de cerca de 1/3 dos eleitores.

Esse fenômeno ocorreu tanto no primeiro como no segundo turno, em diferentes capitais, como Curitiba e São Paulo, talvez evidenciando uma nacionalização dessa tendência. A questão é estudar o que motivou esse procedimento e o que levou a isto.

Uma hipótese é o descrédito da população com o sistema político e com as autoridades em si.

Seria importante identificar ideologicamente esse um terço que virou as costas aos candidatos. Talvez por coincidência, esse é o mesmo tamanho daquele contingente que nas eleições em geral flutua entre a esquerda e a direita, pendendo para o lado que se mostrar mais capaz de lhe acrescentar valor.

Se assim for, são pessoas que olham nos candidatos valores como coerência e credibilidade. Aqueles assim identificados são aceitos, sendo de esquerda ou de direita, porque passam a ideia de que suas escolhas, ainda que contrárias aos interesses imediatos de seu eleitores, são as possíveis naquele momento, ou as mais adequadas. Passam a ideia de que não agem por interesses menores, ou particulares, em geral escusos. Por não identificar esses valores nos candidatos com maiores chances de serem eleitos, esse tipo de eleitor não aceitou se associar nem ao candidato da direita, nem ao da esquerda.

O ocorrido na disputa em São Paulo dá força a essa hipótese. Uma parcela do 1/3 que preferiu se abster ou votar em branco em vez de destinar o voto à dupla Guilherme Boulos/Martha pode ter na lembrança o Boulos e a Martha de 2013, quando - um movido por ambição, a outra por despeito - uniram-se à extrema direita para tentar destruir o PT e a então presidente Dilma Rousseff.

Vale recordar: em um dos melhores momento de todos os tempos do Brasil, em 2013, Guilherme Boulos liderou o movimento "Não vai ter Copa", que descambou em quebra-quebra em todo o País, incentivado por provocadores da extrema direita e turbinado pela velha mídia - Jornal Nacional e revista Veja à frente.

Se alguém havia esquecido dessa página negra do candidato do PSOL, o neoextremista de direita, Aldo Rebelo, tratou de lembrar ao produzir um vídeo usado pela campanha adversária no qual sentenciava, arremedando Boulos contra a Copa do Mundo no Brasil: "Não vai ter Boulos".

Martha ex-Suplicy não fez menos. Tomada de ódio contra Dilma Rousseff, Martha aliou-se ao então vice-presidente Michel Temer em um golpe de traição contra a presidenta, que resultou no impeachment sem crime de responsabilidade. Então deputada, Martha não apenas votou a favor da derrubada de um governo escolhido democraticamente pela maioria da população; ela cassou o mandato da primeira e única mulher que chegou à Presidência do Brasil e entregou o poder a um homem sem votos e tampouco méritos para ocupar essa posição. E não foi só: feminista de carteirinha, Martha justificou a ausência absoluta de mulheres na equipe ministerial de Michel Temer, fato que considerou natural.

Não foi a primeira pisada de bola feia da ex-petista. Quando tentava a reeleição à Prefeitura de São Paulo, em disputa com o então quase desconhecido Gilberto Kassab, para quem perdeu, mesmo sendo reconhecida como "melhor prefeita de São Paulo de todos os tempos", Martha sugeriu de maneira dissimulada que o adversário era homossexual.

Ela reagia a uma campanha difamatória nas redes sociais que pregava o voto em Kassab e se valia da posição da então prefeita em defesa dos direitos dos homossexuais para "demonizá-la" perante eleitores ultraconservadores. Tais páginas, se não tinham autorização de Kassab, também não eram renegadas por ele, supostamente também homossexual.

Questionado por Martha se era casado, tinha filhos..., Kassab não precisou responder, tampouco se defender, o que o desgastaria; a mídia contrária a Martha tratou de atacá-la, acusando-a de ser homofóbica, e os movimentos LGBTQIA+ , sempre defendidos pela ex-prefeita, engrossaram os ataques. Poupado da exposição negativa por uma "imprensa amiga", Kassab derrotou Martha nas urnas e se consolidou como um dos principais líderes partidários nacionais.

Em Curitiba, onde os candidatos de direita predominaram, esse 1/3 que não votou ou optou por votar em branco pode ter agido por se sentir enganado pelos principais nomes de extrema direita que os apoiavam: o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-juiz, atual senador Sergio Moro.

Tanto Bolsonaro como Moro possuem seguidores ideológicos de extrema direita, que os apoiam de maneira cega. Esses possivelmente se dividiram entre os candidatos Eduardo Pimentel e Cristina Graeml, especialmente ela. Eleitores de centro-esquerda e de esquerda possivelmente deram o seu voto em segundo turno a Pimentel (não por ele, mas para evitar a vitória dela).

Entre os que viraram as costas aos dois candidatos de direita, certamente estão uns poucos militantes da extrema esquerda, que julgam com isso "marcar posição". Fora esses poucos, o grosso da parcela que não compareceu às urnas ou anulou optando pelo voto em branco possivelmente é composto pelos desiludidos de Bolsonaro e Moro.

Outrora, o ex-presidente militarista recebeu votos desse contingente em razão da agressiva campanha de mídia contra o PT e Lula. Mas o seu desastrado governo e sua constante agressão à Democracia e às leis fizeram abrir os olhos desse público.

O mesmo ocorreu em relação ao ex-juiz, cujas atitudes reveladas pela Vaza Jato e o fim da blindagem que a velha mídia lhe concedia expuseram o seu caráter ambicioso e carreirista aos olhos desse público conservador.

O que pode ser feito

O aqui exposto não tem suporte científico; trata-se apenas de uma tentativa de interpretar o fenômeno abstinência a partir de um olhar sobre o diversificado noticiário das eleições de 2024 e das manifestações sobre o tema nas redes sociais, em especial o X (ex-Twitter), WhatsApp e Facebook. A análise empírica deveria ser complementada com uma pesquisa com esse público, para identificar suas razões.   

Trabalhando sem a confirmação por pesquisa, considerando ser verdade o quadro descrito, cabe às forças de esquerda e centro esquerda conquistar ao menos uma parte significativa desse público conservador para obter sucesso nas próximas eleições de 2026. Para isto, a Comunicação deve ter um caráter de ESCLARECIMENTO, não apenas informativo.  

domingo, 19 de outubro de 2025

O melhor do Choro Brasileiro nesta quinta-feira, na Sala da PUC/PR

Trio Meyer Ferreira e amigos
O Trio Meyer Ferreira apresenta o show “Brasilidades” nesta quinta-feira, dia 23/10, no Teatro da Biblioteca Central da PUC, no Prado Velho. O grupo é formado pelas irmãs Corina (flauta transversal), Elisa (bandolim, clarinete, banjo e piano) e Lia Meyer (violão de 6 e 7 cordas). A apresentação em Curitiba inclui o lançamento da composição inédita "Araucária", de Elisa Meyer com arranjos do maestro Aramis Mendes, da Orquestra Experimental da PUC/PR. O show marca também a estreia do novo nome do Grupo, criado em 2002 como "Choro das 3" e popularmente conhecido no Brasil e nos Estados Unidos pelas lives que realiza todas as quintas-feiras, transmitidas pelo Youtube e outras redes sociais.

A apresentação GRATUITA integra o Circuito Cultural PUCPR 2025 e conta com patrocínio da Chamex.


Serviço:

Trio Meyer Ferreira

Data: 23 de outubro de 2025

Horário: 20h

Local: Biblioteca Central da PUCPR (Rua Imac. Conceição, 1155, Prado Velho)




Live das Quintas-feiras: Cartola e muito Choro!

domingo, 12 de outubro de 2025

Seu Pereira e Coletivo 401 na Rolling Stone

Minhas impressões sobre a Cidade de Manaus

Francisco Duarte



Quem visitar Manaus pela primeira vez deve estar preparado para encontrar uma cidade envelhecida, maltratada pelas administrações municipal e estadual, com muita sujeira nas ruas, que fedem a urina e fezes. Não era o que eu esperava encontrar na cidade que está no nosso imaginário desde os primeiros anos escolares, quando as professoras nos falam de um grandioso rio, um dos maiores do mundo, que atravessa uma floresta magnífica, de árvores mais altas do que os mais altos edifícios e que 10 homens não são suficientes para abraçar uma delas.

O saneamento da cidade é precário e não é raro encontrar esgoto escorrendo a céu aberto em áreas centrais. Ao longo de uma avenida estrutural, no lado Leste da Cidade, em um canal que separa as vias é despejado esgoto sanitário de moradias, empresas e pequenas indústrias, formando um córrego esverdeado e fétido.

Joga-se todo o tipo de lixo nas ruas (copos de plástico, garrafas pet, papel e papelão, frutas estragadas ...), mesmo em áreas em que há equipamento público para descartes. Muitos bueiros estão entupidos de resíduos a ponto de vedar as grades por onde deveria escorrer a água das chuvas. A cultura da sujeira impera, especialmente no Centro envelhecido de Manaus.

A área portuária é um pouco mais cuidada, talvez porque bastante frequentada por turistas estrangeiros que embarcam para passeios pelas águas do Amazonas. O Terminal Hidroviário não tem a sofisticação de aeroportos, está mais para rodoviárias, mas preserva um padrão razoável de limpeza e conforto - como ar condicionado - aos frequentadores. No portal de vidro de acesso ao terminal um COMUNICADO em boas dimensões avisa que os banheiros daquele ambiente público "são para uso exclusivo dos passageiros em viagens e clientes do centro comercial" e que é requerida a "apresentação do QR Code obtido com os lojistas ou bilheteria". Isso ajuda a explicar porque das ruas de Manaus emanam maus odores.

COMÉRCIO DE ZONA FRANCA

A região central da cidade é pulverizada de pequenas lojas de comércio de produtos importados. As ruas, apinhadas de lojas, vendedores e compradores se assemelham bastante a Ciudad Del Este, no Paraguai, assim como à Rua 25 de Março, em São Paulo, ou o popular bairro de Madureira, no Rio de Janeiro. Produtos eletrônicos, perfumaria, roupas, anabolizantes, quinquilharias de cozinha são algumas das mercadorias ofertadas ao público em disputa vocal pelos anunciantes.

Às 19 horas o Centro da Cidade "morre" com o fechamento das milhares de lojinhas de importados e o encerramento das também milhares de barraquinhas de frutas, roupas populares e badulaques em geral. Ruas antes apinhadas de pessoas repentinamente se tornam desertas e até o movimento de veículos cai consideravelmente. Quem caminhar pelas ruas vazias, especialmente turistas, irá se surpreender, mas nada que represente insegurança.

A propósito, a atual administração do Amazonas tem uma campanha de segurança pública curiosa, que usa o vocábulo "PAREDÃO" para transmitir a ideia de proteção às pessoas, ao mesmo tempo em que sugere uma advertência a quem pretenda cometer algum delito. O Sistema Paredão, como é denominado o programa de segurança do Governo em parceria com a Associação Comercial do Amazonas, faz a integração das câmeras de vigilância das empresas com a base da Secretaria de Segurança Pública do Estado. O compartilhamento das imagens captadas pelas câmeras privadas com aquelas dos totens estatais espalhados pelas ruas e praças de Manaus, que fazem o reconhecimento facial e veicular, reduziu significativamente as ocorrências de roubos e furtos na Capital e levou à prisão de pessoas condenadas e foragidas. Parece que funciona.

MANUTENÇÃO PRECÁRIA OU ZERO

Manaus, como já disse, é uma cidade de arquitetura e infraestrutura envelhecidas, o que não significa carência de recursos, mas desleixo da administração pública. O Estado teve um Orçamento aprovado este ano de R$ 31,4 bilhões, parte considerável proveniente do Polo Industrial de Manaus, mas também do setor Serviços, que está no topo da composição do PIB amazonense.

A propósito, a rede hoteleira, com exceção daquela instalada no Polo Industrial, está igualmente envelhecida. Às vezes, precocemente envelhecida, revelando falta de investimentos em manutenção. É verdade que essas são impressões de um viajante acostumado com a qualidade bastante razoável da infraestrutura de Turismo existente no Sul e no Sudeste, principalmente nessas duas regiões.

A falta de uma manutenção mais frequente não explica totalmente a deterioração precoce da infraestrutura da cidade e dos equipamentos públicos; aparentemente, há uma baixa qualidade dos materiais utilizados nas construções. Isto se percebe, por exemplo, no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, totalmente reformado e modernizado na preparação do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Notadamente, a estrutura metálica do aeródromo de Manaus é de qualidade bastante inferior àquela de outros aeroportos reformados na mesma época, como o Affonso Pena, na Região Metropolitana de Curitiba, ou o Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, na vizinhança de Natal/RN. Desleixo, corrupção, incompetência???? Essa é uma pergunta sem resposta.

QUESTÃO CULTURAL

Independente disso, a frágil estrutura de saneamento, a falta de uma política de urbanização, a precarização dos serviços públicos, tudo isso somado à cultura de boa parte da população manauara que parece ter naturalizado o péssimo estado de limpeza e conservação das vias públicas compõem o retrato das áreas centrais de Manaus. Esse quadro não é exclusivo de Manaus, frise-se; as periferias de São Paulo e do Rio de Janeiro, por exemplo, diferem pouco ou nada da área mais antiga de Manaus. Mesmo na chamada "área nobre" como a Ponta Negra, a bonita praia fluvial manauara, a baixa qualidade dos materiais dos equipamentos públicos empresta um aspecto envelhecido a estruturas como o anfiteatro ao ar livre, construído à beira do Rio Negro.


São dois exemplos - o Anfiteatro e o Aeroporto - demonstrativos de que os administradores públicos do Amazonas tratam mal indistintamente tanto os ricos como os pobres. E isso contrasta com a alta qualidade e bom gosto daqueles que construíram o internacionalmente famoso Teatro Amazonas, uma das maravilhas brasileiras.

HERANÇA DOS BARÕES DO LATEX E VIDA NOTURNA

 

Considerado um dos maiores símbolos da "Belle Époque" no Brasil, o Teatro Amazonas foi inaugurado em 1896, no auge do ciclo da borracha, construído com os recursos financeiros gerados pela extração do látex das seringueiras. O Teatro é aberto a visitações guiadas, mas também apresenta uma programação eclética que vai da música clássica a apresentações de grupos populares. Também é palco de festivais que já são tradição na agenda cultural de Manaus (Festival Amazonas de Ópera, Festival Amazonas de Teatro e Festival Amazonas de Jazz).

As luxuosas e de bom gosto instalações do Teatro Amazonas são testemunhas do luxo e riqueza que imperavam na época áurea dos seringais: dos lustres que iluminam os ambientes, ao mármore das escadarias e colunas, passando pelas cadeiras originais da plateia e dos camarotes, assim como os espelhos de cristal, quase tudo veio importado da Europa. A madeira e a arte brasileira estão presentes no piso do Salão Nobre, que exibe um mosaico de cores formado por pequenas peças geométricas feitas em jacarandá e pau-amarelo, madeiras nobres brasileiras. A pintura que ilustra o teto do Salão Nobre é uma obra do artista italiano Domenico de Angelis, intitulada "A glorificação das Bellas Artes da Amazônia".

À frente do Teatro abre-se uma ampla praça, com barzinhos e restaurantes dividindo espaço com a majestosa Igreja de São Sebastião, contemporânea da construção do Teatro. O local (Largo São Sebastião) é bastante frequentado, especialmente à noite, quando o calor de Manaus dá uma mínima trégua. É um dos pontos do centro de Manaus em que há vida noturna.

Outra coisa que chama a atenção em Manaus é a pintura de elementos característicos da Amazônia na fachada de grandes prédios públicos, como o edifício do Ministério da Fazenda, onde uma criança indígena descansa apoiada em um tronco de árvore pendente sobre o Rio Amazonas. Outras edificações exibem elementos da fauna e do folclore amazônico, ilustrações que distinguem as construções em meio à "floresta de concreto".

INDÚSTRIA DA FÉ

Na minha curta passagem por Manaus não consegui visitar o MUSA, assim denominado o Museu da Amazônia, que fica a cerca de 15 quilômetros do Centro de Manaus e onde o visitante pode optar por fazer os percursos por conta própria ou com um guia. Elegi a quarta-feira, véspera da viagem de retorno, para conhecer aquela atração sem saber que este é o dia dedicado à manutenção daquele espaço. (Também não fui ver o famoso encontro das águas (Rio Amazonas e Rio Negro), menos por falta de oportunidade do que por ser pouco afeito a navegações. Me bastei com as imagens disponíveis na Web).

Frustrada a visita àquele museu ao ar livre, optei por retornar ao hotel de ônibus e assim apreciar melhor o trajeto. O transporte coletivo não contrasta com a cidade em geral, isto é, os ônibus são igualmente velhos e mal cuidados, mas a curta viagem valeu a pena pela experiência de viver um pouco do dia a dia do trabalhador manauara. A propósito, o povo de Manaus é amistoso e gentil em todas as situações e compartilha com os visitantes o desagrado pela má administração pública da cidade.

Nesse trajeto me chamou a atenção o grande número de igrejas evangélicas no Amazonas, muitas das quais lado a lado, o que deve gerar uma disputa renhida por fieis e dízimos. Quando cheguei ao número 37 desisti, para não me perder nessa conta. (Em pé no coletivo, a dois passos de onde me sentei, um pregador passou todo o trajeto conclamando os passageiros a amarmos a Deus, e parecia desagradado comigo por não responder "amém" às dezenas de "glória a Deus" com que entremeava a sua fala.)

Mais tarde, buscando complementar informações no Google, li que o número de igrejas evangélicas em Manaus chegava a cerca de 8,5 mil congregações em 2024, de acordo com a Ordem dos Ministros Evangélicos do Amazonas.

A MESA E AS ÁGUAS DA AMAZÔNIA

A comida é um dos pontos altos de Manaus. Os pratos com peixes da Amazônia, como tambaqui e pirarucu, especialmente estes, preparados com receitas variadas são servidos na maioria dos restaurantes, dos populares aos sofisticados. Para quem, como eu, não aprecia tanto os pescados há opções como carne de sol com queijo coalho, acompanhada de farofa de banana da terra, purê de macaxeira e salada de palmito de pupunha. A banana da terra, também chamada banana pacovã é ingrediente de diversos pratos, sejam doces ou salgados, como o escondidinho de tambaqui com essa banana especial. Para arrematar, sucos de taperebá (ou cajá), cupuaçu, graviola, acerola, manga, goiaba - estes os mais comuns.

Na véspera da minha despedida de Manaus fui finalmente conhecer a famosa Ponta Negra, praia fluvial às margens do Rio Negro, que fica a cerca de 15 quilômetros do centro da cidade. Parece outra Manaus: avenidas largas, bem iluminadas e sinalizadas, amplas calçadas com as mesmas pedras portuguesas da decoração de Copacabana, ciclovias, equipamentos urbanos, mirantes que dão para o Rio Negro, projeto de paisagismo e outras belezas comuns nos grandes centros.

 

O Calçadão da Ponta Negra é um convite à caminhada, especialmente ao amanhecer e ao entardecer - meu caso. Depois de conhecer razoavelmente a área em que se localiza o Anfiteatro ao ar livre, caminhar pelas areias em meio a banhistas e guarda-sóis, decidi percorrer a pé parte do caminho de retorno, pelo menos até o Shopping Ponta Negra. O início do percurso se deu em meio ao som ensurdecedor de milhares de periquitos que se recolhiam para o anoitecer nas copas das dezenas de árvores que ornamentam o calçadão. Mal sabia eu que aquela agitação próximo das 17 horas, com o sol ainda bastante presente, prenunciava temporal. Logo as nuvens apagaram o sol, as primeiras gotas se precipitaram enquanto eu prosseguia na caminhada, deixando para trás abrigos de ônibus e pontos de venda de água de côco e refrigerantes. Minha aposta em um breve chuvisco se converteu em uma hora cheia de chuva intensa, ao cabo da qual eu havia caminhado 1,5 quilômetros e me encontrava completamente encharcado. Quando finalmente a chuva cedeu, desvesti a camiseta para torcê-la e usá-la como uma toalha. A bermuda permaneceu encharcada, mas me sentei em um banco de concreto, descalcei o tênis e a meia e torci ambos. Assim, mais ou menos aprumado, adentrei o Shopping Ponta Negra e a primeira loja de calçados que encontrei para comprar um substituto ao All Star cinza azulado, acabado. Impossibilitado, por óbvio, de experimentar o novo calçado peguei um de numeração 41, paguei e chamei um Uber para voltar ao hotel. Na manhã seguinte, faltando 5 horas para o vôo que me levaria de volta a São Paulo, precisei voltar ao Shopping Ponta Negra para trocar o calçado por uma numeração maior. Bati na porta da loja - àquela hora (8:00) ainda fechada - e expliquei a minha situação. Os vendedores foram compreensivos e me livraram de viajar de Havaianas.

Assim encerrei a minha curta (uma semana) e boa estadia em Manaus, de onde levo saudades e boas recordações. Até a chuva torrencial que me apanhou nas calçadas da Ponta Negra foi providencial, pois me proporcionou um banho indireto nas águas amazônicas.

Para encerrar, preciso registrar uma certa impressão de que o meu velho, ensopado e encardido All Star deixado no quarto do Hotel Saint Paul me dirigiu um olhar de abandono no instante em que, à porta do quarto, fazia a última inspeção para não esquecer nada. É um tanto envergonhado que confesso que dei adeus a ele, agradeci pelos bons momentos que compartilhamos e encomendei-o aos cuidados da santa Cássia Eller para encontrar um novo parceiro e não acabar em uma sarjeta do Centro de Manaus. Fechei a porta e parti com o coração apertado. Deve ser coisa do Espírito da Floresta.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Leandro Karnal Presidente do Brasil?

O filósofo Leandro Karnal confessou ao entrevistador Antonio Tabet (Canal Alt Tabet, UOL) que, no período do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, como havia a possibilidade de que o impedimento alcançasse a chapa e não apenas a titular, ou seja, cairia também o vice Michel Temer, ele foi consultado por "altas autoridades da República" se aceitaria ser uma espécie de "presidente tampão".

Essa consulta visava supostamente alguém não associado ao Governo ou à Oposição, que assumiria o comando do País temporariamente para convocar novas eleições, conforme era a interpretação constitucional feita por alguns. O filósofo disse não ter aceitado por não ter vocação para ser o Papa Celestino V, que assumiu o Papado no Século XIII em uma situação semelhante de embates entre duas facções, e acabou preso e morreu na prisão.

Karnal não citou nomes, mas é possível suspeitar de alguns personagens que têm (ou tinham) proximidade suficiente com o filósofo para tentar a abordagem, como os ministros Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, ambos do STF. Há quem mencione até um personagem menor, o ex-juiz lavajateiro e atual senador Sérgio Moro, bastante ligado ao também senador Flávio Arns.

O que parece certo é que era alguém ligado aos políticos tucanos, que contavam com a proteção do então juiz da Lava Jato para tentar voltar ao poder e aos negócios e para isto precisavam contar com um personagem de alta popularidade e vaidoso e ingênuo o suficiente para se deixar manobrar. Se assim tiver sido, isto encaixa perfeitamente com a resposta que Karnal afirma ter dado: "Não me chamem para tapar um incêndio que vocês querem manipular que eu seja o bombeiro. Não me chamem para isso".

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

O PCC não teve aulas de Química

Os bandidos do PCC são inteligentes, mas a maioria mal e mal completou o 1o Grau, ao contrário dos bandidos da elite, que cursaram Direito, Engenharia, Medicina, Economia etc e estão acostumados a fraudar/aumentar o volume das bebidas destiladas com etanol, mas jamais com metanol.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

O Espírito 5ª Série está sempre à espreita

Amazonas, Hotel Confort Manaus. O ar condicionado o livra do calor sufocante de fim de Verão, início de Outono no Hemisfério Norte. Liga a TV para se distrair, mas não encontra nada que valha a pena no canal a cabo. Cai no sono com a TV ligada e ingressa, repentinamente, em uma espécie de sonho acordado. Abre os olhos, olha pra TV que estava fora do ar, só enxerga aqueles rabiscos do sinal eletrônico. Repentinamente, uma espécie de espírito vagal se materializa.

Um calafrio percorre a espinha, fica paralisado. O espírito assume o controle remoto da TV e seleciona o Youtube. A rede social está logada em uma assinatura desconhecida; a foto é de uma mulher. Morena, bonitinha, na faixa dos 40/50 anos e com bom gosto musical (inscrita em diversos canais da melhor MPB). O espírito inicia então uma ação reprovável, mas é inútil tentar impedi-lo, adverti-lo. O maldoso ri, ri muito, enquanto pesquisa canais no YouTube da desconhecida: seleciona dezenas de canais nos quais inscreve a incauta que deixou o Youtube logado: canal do bispo Edir Macedo, do apóstolo Waldomiro Santiago, dezenas de páginas gospel de péssima qualidade (como se fosse possível piorar), páginas de Wesley Safadão, Jojô Todynho (que canta "Hoje tô gostosa pra caralho"), de diversos grupos funk. Entre outros. A obra do espírito Quinta Série adentra por muitos outros endereços virtuais não recomendáveis, inscrevendo a incauta em dezenas de páginas deprimentes.

Esse relato é exclusivamente para alertar e advertir os milhões que acessam este humilde Blog Compaixão é Fortaleza: quando se logarem no YouTube ou em qualquer outra rede fora de suas casas, ao deixarem o ambiente não se esqueçam de deslogar, ou correm o risco de serem vítimas do Espírito 5ª Série.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

O problema da Comunicação do Governo Lula e a analogia do Café

O Brasil sempre foi um dos maiores produtores mundiais de café. Contudo, até meados dos anos 1980, os brasileiros ingeriam uma bebida preparada com grãos de baixa qualidade, com misturas que iam da cevada ao estrume seco, e sem o aprumo das técnicas de graduação de torra e moagem. Os grãos de melhor qualidade eram reservados à exportação, aqui ficava o rejeito. Assim era o café que os brasileiros conheciam, consumiam e gostavam.

Quando a indústria da torrefação decidiu mudar esse quadro, a principal tarefa foi reeducar o paladar do povo brasileiro para o café de boa qualidade, que era até então uma exclusividade dos países importadores do produto do Brasil. Estudos e pesquisas encomendadas pela ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café) revelavam que uma das piores bebidas era consumida pelo público carioca, que a partir de então precisava ser convencido a mudar o seu mau gosto, porém sem ser melindrado. E, assim como o carioca, os demais brasileiros também precisaram ter seu paladar reeducado para consumir uma bebida de melhor qualidade do que aquela com que estavam habituados.

O primeiro e mais importante passo foi a criação do Selo de Pureza ABIC, conferido àquelas marcas que aderissem ao programa de autorregulamentação voluntária. Essa adesão implicava aceitação de se submeter à fiscalização segundo as regras estabelecidas pelo regulamento do programa. Em troca, ostentar o Selo de Pureza ABIC na embalagem comunicava ao consumidor que se tratava de produto PURO, sem adulterações ou misturas, sendo 100% Café. O Selo ABIC, portanto, garantia a segurança dos alimentos e o respeito ao consumidor.

Mas ainda era preciso vencer o paladar acostumado com o café ruim. Paralelo a essa iniciativa, a propaganda convocou gourmets e baristas para reeducar o paladar dos brasileiros e ensinar o melhor preparo da bebida, assim como a escolha dos grãos por regiões geográficas de produção, graduação de torra etc. Foi necessário investir tempo, trabalho, conhecimento e técnicas para trazer o consumidor satisfeito com o café ruim para a nova realidade de um produto de qualidade internacional. Levou décadas para os brasileiros trocarem o cafezinho passado em pano do botequim da esquina pelas múltiplas opções de variedades de grãos e origem e ambientes agradáveis das cafeterias modernas. Mas a ABIC venceu.

Assim é a situação dos Governos do PT: antes do Lula ter sido eleito presidente em 2002, os brasileiros só conheciam más experiências de Governo. Algumas até representaram uma tentativa de colocar o Brasil no âmbito dos países fortemente industrializados - mesmo em épocas de ditadura, como os Governos de Getúlio Vargas e Ernesto Geisel -, outras retrocederam o País à condição de colônia norte-americana, embora com um falso verniz de modernidade, como os Governos de Collor, FHC, Temer e Bolsonaro. Portanto, o cidadão médio brasileiro está acostumado a Governos de baixa qualidade e tende a se contentar com isso. Um Governo altivo até assusta esse povo, como o sujeito acostumado a entrar pela porta dos fundos e que, de repente, se vê na contingência de usar a entrada principal e se sente paralisado de vergonha e pavor.

A Comunicação dos governos petistas, portanto, precisa aprender a reeducar o cidadão médio brasileiro a consumir a cidadania plena, com altivez sem afetação, com a naturalidade dos cidadãos do mundo. E essa é uma tarefa que, assim como foi o desafio de retirar o carioca da condição de bebedor do pior café do Brasil, sem contudo melindrá-lo no seu orgulho, tem que ser realizada com técnica esmerada, competência, coragem, naturalidade e, sobretudo, paciência.

O cidadão médio deve ser preparado para consumir um Governo competente. A comunicação tem essa tarefa de educar o cidadão para esse consumo, sem atacar o governo antigo com o qual ele estava acostumado e que, por não ter consciência de que o produto era ruim, consumia e atribuía a ele uma qualidade inexistente. Insistir com o povo que ele estava errado em consumir um mau governo é melindrá-lo desnecessariamente. O cidadão médio está acostumado a consumir um noticiário de conteúdo medíocre, vendido em uma embalagem bonita. Por não ter acesso a uma opção massificada de boa qualidade, o brasileiro consome essa imprensa que serve ao público OPINIÃO, em vez de INFORMAÇÃO.

A chamada imprensa alternativa com viés de esquerda - TVs de internet, canais do Youtube, portais, blogs etc -, embora com maior conteúdo de informação, também entrega ao seu público um produto em geral reativo e excessivamente improvisado e igualmente discursivo. Há exceções, com o Jornal GGN, o portal Plural, o ICL, o programa O É da Coisa, mas ainda são poucos. Já os veículos alternativos com viés de direita, além dos mesmos defeitos da imprensa tradicional, acrescentam a venda de opiniões raivosas e fake news. Ambos, contudo, têm seu público cativo e limitado.

Mas como fazer

Definir como agir é uma tarefa bem mais complexa do que diagnosticar o problema, como feito até aqui. Um bom início é apresentar a questão a profissionais da Comunicação identificados com o programa do Governo do Partido dos Trabalhadores e promover um debate franco do qual poderão surgir as diretrizes para uma Comunicação de Governo eficiente, mais proativa do que reativa. 

Alguns indicativos

. Informação não é discurso político

. Não ter vergonha de ser Governo

. Não flertar com populismo barato (ex: aceitar greves oportunistas, passar pano para apoiador corrupto, esconder números, pedir desculpas exageradas e /ou falsas, tergiversar com temas como a Segurança Pública, Incompetência, Ineficiência, o funcionário público indolente etc.)


. Dar mensagens claras por meio de ações

. Combater a má Política, os maus políticos com ações, não com discursos

. Enfrentar as causas impopulares sem muita fala ou passando insegurança (lições d'O Principe).

. Não se importar com as críticas vazias da mídia, mas não temer e enfrentar a mídia tendenciosa com firmeza sem perder a serenidade.

O desenvolvimento da solução é trabalho não para especialistas, mas para bons profissionais de IMPRENSA com vivência não apenas em veículos de mídia, mas também em competentes Assessorias de Imprensa e dispostos a enfrentar desafios e inovar.

sábado, 6 de setembro de 2025

Cristãos do Paraná oram por Alexandre de Moraes

Enquanto um pequeno grupo de evangélicos, envolvidos na bandeira de Israel, faz louvor em frente a um condomínio de Brasília em favor da impunidade do ex-presidente Jair Bolsonaro, no Paraná outro grupo, este reunindo Católicos e demais Cristãos de diversas denominações, está em Oração pelo ministro Alexandre de Moraes, para que leve a frente a sua missão de defesa da Democracia e da Soberania do Brasil.

Os religiosos paranaenses não buscam exposição na mídia, mas desejam que o seu ato de fé chegue ao conhecimento de Alexandre de Moraes, para que sinta a solidariedade do povo brasileiro neste momento em que mais precisa ser firme e inflexível para fazer valer a Lei ante violentas pressões de políticos do Centrão, de parte da mídia e até de um governo estrangeiro.

O grupo religioso inclui em suas Orações os familiares diretos do ministro Alexandre de Moraes, que também estão sendo alvos de sanções estrangeiras e de ameaças de criminosos em decorrência do trabalho do pai e marido.

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Momentos de crise revelam os LÍDERES (mas também os FROUXOS)

Editorial do The Villa Biscaia Post

O Brasil vive um momento extremamente delicado em que a Democracia e a Economia Popular estão em risco. A rapinagem de Michel Temer aliada à incompetência de Jair Bolsonaro resultaram na entrega dos cofres públicos aos deputados e senadores mais desqualificados desde a promulgação da República. O presidente Lula e o ministro Fernando Haddad tentam reverter esse quadro dificílimo, mas não contam com um apoio parlamentar que permita implementar as medidas necessárias para o ajuste fiscal. O Congresso Nacional transformou-se em um valhacouto de espertalhões, desonestos e covardes, que obedecem aos seus financiadores do mercado financeiro e do crime organizado. Lula e Haddad lutam praticamente sozinhos contra uma quadrilha. A parte do Congresso Nacional que não é Centrão e que deveria ser ponta de lança do Governo no meio parlamentar não tem dado demonstrações EFETIVAS de que se difere do Centrão. Muito provavelmente, os mais de R$ 30 milhões em emendas para fazer campanha a que cada deputado federal tem direito seduziu a muitos. Em tempos outros, os que se opõem às práticas do Centrão já teriam formado um bloco de oposição dentro do Congresso Nacional para denunciar e enfrentar as CHANTAGENS dos presidentes da Câmara e do Senado ao Governo do Brasil. Anunciariam a mobilização à imprensa, definiriam seus postulados, dariam entrevistas, firmariam posição, assumiriam de maneira firme e ostensiva para a população o compromisso com a maioria que deseja  justiça tributária no país. Lamentavelmente, nada disso acontecerá. A rebeldia política não morreu, os grandes líderes, sim. Não há no Congresso Nacional uma única liderança à altura do momento político que o País atravessa, o que contribui para alimentar nas pessoas a ideia de que TODO o Congresso é CORRUPTO. E com razão, porque o cidadão rejeita a ideia de ter que escolher entre CORRUPTOS e COVARDES.

Eu, sinceramente, preferia estar fazendo SEXO com a mulherada, mas estou aqui protestando contra esse estado de coisas porque o dever me chama. 

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Se preparem para conhecer Seu Pereira e Coletivo 401

O nome 'esquisito' não faz jus à qualidade do trabalho do artista paraibano Seu Pereira e seu grupo musical: Seu Pereira e Coletivo 401. Para os milhões que acompanham esse blog de grande penetração, posto a canção Perdido. Foi por meio dessa singela composição que descobri no Youtube esse grupo sensacional e suas composições bonitas, interessantes, criativas, singulares. Não tenho muita informação sobre 'Seu Pereira', apenas que o grupo é de João Pessoa, na Paraíba. Mais um bom fruto do nosso bonito e amado Nordeste. Vou postar também a sugestiva "Um dia". Mas não fiquem só nas duas canções; aproveitem, deem um Google e encontrem a Rua que irá levá-los à obra maravilhosa desse grande artista.

 

segunda-feira, 7 de abril de 2025

A maravilhosa Flamboyant na voz e interpretação do grande Emílio Santiago


Flamboyant, com Emílio Santiago 

(Compositores: João Batista Maranhão Filho e Paulo César de Oliveira Feital)


Por quantas noites eu me vi desencantar

Enquanto os palcos desabavam sobre mim

O meu amor então beijava o meu olhar

Dizia: "Vamos lá. Levanta e vai cantar"

E eu me vestia e ela ia amamentar

Nosso menino era platéia e camarim

E dos seus seios parecia perguntar:

"Meu pai, o que é que há?

Me beija e vai cantar"

E eu sabia que tinha de ir

Pra amenizar toda a dor da cidade

E eu pousava nos pianos por aí

Tal qual um sabiá pousa num flamboyant

Por quantas vezes eu pedi a Deus de manhã

Deixar eu cantar pro Brasil

Pra ter no portão o leite e o pão

E o rabo do cão que diz não quando é sim

Meu amor já na porta de casa

Tendo ao colo o nosso Arlequim

Me dava a impressão de um samba de Tom Jobim

Até que um dia eu resolvi desencantar

E desabei por sobre os palcos do país

O meu amor ainda beija o meu olhar

E eu digo: "Vamos lá; Cantar; Pra que chorar?"

E eu peço a Deus para poder doar a luz

Que  minha voz cumpra a missão de atenuar

Toda a amargura dessa terra de Jesus

E eu digo: "Vera Cruz, cantar pra não chorar"

E pros que cantam nos seus cabarés

Tenham orgulho dessa profissão

Pousem nos palcos dos pianos, violões

E a voz é um colibri, nas flores das canções

Por quantas vezes eu peço a Deus de manhã:

"Conserva-me a simplicidade"

"Pra ter no portão o leite e o pão"

E o rabo do cão que diz não quando é sim

Meu amor já na porta de casa

E o sorriso do meu Arlequim

É um céu de emoções e eu sou uma luz assim

A brilhar, a brilhar, a brilhar

Meu amor sempre à porta de casa

E o sorriso do meu Arlequim

Sou um samba-canção eterno de Tom Jobim

A cantar, a cantar, a cantar

Meu amor sempre à porta de casa

E o sorriso do meu Arlequim...

domingo, 6 de abril de 2025

Angústia

 



Tristeza, solidão, silêncio, uma angústia filha da puta. Aqui é um oásis em campo de neve. Um útero aquecido artificialmente, que abriga alguns por alguns instantes. Logo todos serão devolvidos à sua angústia silenciosa fora daqui. Se me dão opção, permaneço, não embarco, tomo mais um café, e outro e outro..., na esperança de acordar em casa, a milhares de quilômetros. Olho aquela que serve: donde a alegria que expressa no olhar? Só há tristeza, frio, umidade e solidão aqui em torno...! Lá fora, a lotação é a representação da desesperança. Que se vá sem mim. Me ocorre uma canção: “chove lá fora / e aqui tá tanto frio”. Por um momento queria ser ela, me sentir feliz, seguro, como ela aparenta ser, alheia a esse espaço deprimente. Se eu fosse ela, queria mais era morrer. A canção insiste: me chama, me chama, me chama.

Solidão (1992)

Noite Estrelada, obra de Vincent Van Gogh

Quase zero hora. Fecha o programa em que vinha trabalhando, encerra o login, desliga a máquina. Àquela hora restam poucos gatos pingados na Redação. Se despede com um aceno, sem balbuciar palavra e sai, descendo os três lances de escada que conduzem para fora do prédio. A rua, a essa hora e no meio da semana, costuma estar quase vazia. A noite está quente, boa para se caminhar. E é o que faz. Podia tomar um táxi, um ônibus para voltar à casa. Mas para quê? Caminha pela rua vazia quase roçando o tapume da obra de um grande edifício que está sendo erguido nas imediações. Sente conforto com a sensação de desaparecer, ser absorvido por aquelas paredes, como numa passagem imaginária para outra dimensão qualquer. Pensa na vida. Tem quase 40 anos. A família está em vias de se dissolver, como de fato ocorrerá. Os dias que virão serão uma incógnita e, de certa forma, isso o estimula mais do que o atormenta. Atravessa uma rua um pouco mais movimentada, olha para dentro dos carros, se fixa nos casais – a essa hora não há crianças acompanhando os pais. Se sente nostálgico de uma situação que ainda irá viver, mais sozinho ainda do que está agora. Continua o caminho; até a casa são cerca de 4 quilômetros e meio, um trajeto que deve percorrer em cerca de uma hora. Contorna uma praça, passa por pessoas que aguardam ônibus em um ponto. Evita o olhar das pessoas, receia encontrar alguém conhecido. Essa possibilidade é praticamente nula, mas o desejo de evitar contato persiste como se o risco fosse real e iminente. Toma uma rua em forte aclive, agora numa direção mais definida rumo à casa. Vence os cerca de mil metros até o topo do trajeto, a partir de onde a rua se converte em um longo declive, como que para compensar o gasto de energia do trecho anterior. Tem a atenção voltada para um ambiente iluminado, um bar aberto àquela hora. Estranhamente sente vontade de entrar. Não mais que meia dúzia de notívagos bebem cerveja e assistem algo numa velha TV suspensa. Há muito tempo, desde que a crise se instalou na sua vida, não sente fome. Mesmo assim, para justificar a presença ali, pede um sanduiche e algo para beber. O ambiente lhe é absolutamente estranho e isto propicia um relativo conforto emocional: ninguém ali conhece os problemas que ele vive. Momentaneamente se sente bem; há meses, talvez um ano, não experimentava essa sensação. Os presentes não estranham a presença do estranho, aliás, são praticamente indiferentes a ele – é mais um que prefere a rua à casa, à noite. Cada qual tem seus motivos. Termina o sanduiche e a bebida, paga a despesa e volta ao seu caminho. Ainda faltam uns 2 quilômetros para chegar em casa, já deve ser quase uma hora da manhã, a noite está clara, quente e aquele homem que caminha só consegue por breves minutos desaparecer no mundo. Até chegar em casa, onde todos já dormem e onde adentrará o seu quarto, tomará um banho e se deitará para dormir por algumas horas. Se tiver sorte, não irá sonhar. Amanhã será outro dia, e pode ser que nesse novo dia aconteça algo que traga a vida perdida que ele quer de volta. Mas pressente que não acontecerá. Ele ainda não sabe, mas não faltam muitos amanheceres para o sol voltar a brilhar para ele. Até lá, seguirá só; ele só e seus pensamentos.

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Memórias da pandemia da Covid-19

É quase madrugada, aqui no prédio há um silêncio sepulcral. Na rua também não passa um carro, um motoqueiro entregador, nem mesmo daqueles que têm pai e não abrem o escapamento da motocicleta. No apartamento em que vegeto, então, nem os meus passos fazem qualquer ruído. E estou calçando propositalmente uma bota, não é nem sapatênis, que faz a gente flutuar. Não, é uma bota de cano curto, dessas que só uso no inverno, e nem assim ela faz barulho. Parece que faz isso para me irritar, aumentar a minha solidão.

Desde que a última namorada foi embora isso daqui ficou uma quietude enervante. Quando ela vivia aqui eu até dava um jeito de atiçá-la para que soltasse uns berros, um escandalozinho pra quebrar o ar de monotonia do ambiente. Era uma polaca, sabe, e polacos têm gênio miserável de ruim, qualquer coisinha já fecham o tempo. E a minha polaca era explosiva; quando eu conseguia enfezá-la, não só o meu prédio, mas os demais do quarteirão ficavam sabendo que eu era um "vagabundo, que não sabia tratar uma mulher"! Aquilo tinha ritmo, era animado. Usava uns qualificativos massa: "demonho" era o mais usual. Não era dessas que dissimulam o desequilíbrio emocional e por mais que a gente mereça nos saem com coisa do tipo: "não aprovo seus modos".
Ah, vá...

Mas voltando ao que interessa, eu até podia aumentar o volume da TV para agitar as coisas, e até recorri a esse expediente uma noite dessas, mas só serviu pra vizinhança pensar que ocorria uma suruba aqui em casa, tal os aiiiiii, ahnnnn, uiiiii e outros gemidos que essas atrizes de filmes pornô são treinadas pra fazer. Houve queixas à administração do condomínio, recebi multa, não foi bom. De resto, me granjeou olhares de admiração de uns adolescentes e outros da mais indisfarçada lascívia de vizinhas que também moram só. A princípio até achei que iria tirar proveito, mas a mais ajeitadinha caminha com o auxílio de um andador e no último aniversário que comemorou tinha mais velas em cima do bolo do que naqueles cruzeiros de cemitérios.

Mas o meu problema nem é tanto com o barulho, e sim o tédio que o silêncio propicia. Noite dessas, num final de semana, resolvi passar trotes por telefone pra quebrar a monotonia. Peguei uma antiga lista telefônica e comecei a pesquisar. Queria um desses prédios em que há telefone na portaria. Logo encontrei um, num edifício alto na rua do Biarticulado. Escolhi um apartamento aleatório, o 601, de alguém com sobrenome Azevedo. Eram 3h50 da madrugada do sábado, fazia um calor insuportável e chovia moderadamente. Tive que ligar três vezes até que finalmente alguém atendeu. Fiz aquela voz arrastada de bêbado e tasquei:

- Dr. Azevedo? Aqui é o porteiro, me empresta 50 reais pra eu comprar uma cerveja e cigarro, que acabou?

O sujeito ficou possesso: - VOCÊ TÁ BÊBADO, REGINALDO? SABE QUE HORAS SÃO? VOU LIGAR PRA ADMINISTRAÇÃO, VOCÊ VAI SER DEMITIDO!

Insisti: - Quando sair o vale eu pago. Vou subir buscar ...

O sujeito entortou: - NÃO VENHA; VOCÊ VAI SE DEMITIDO!

Bati o telefone. Em seguida liguei pro porteiro, com tom de voz de comando:

- Reginaldo, é o Dr. Azevedo, do 601. Sobe aqui rápido pra me ajudar que quebrou um cano e está alagando tudo.

Antes de desligar, arrematei: - Você tá de calção por baixo? Ante a afirmação, determinei: Venha de calção pra não se ensopar todo. E desliguei.

Meia hora depois, quando ainda imaginava a cena do Reginaldo só de calção apertando a campainha do Dr. Azevedo às 4 horas da manhã, o telefone tocou. Era da Polícia. O tal Azevedo e o Reginaldo são daquele tipinho que não tem senso de humor.

quarta-feira, 24 de abril de 2024

O embarque da FEB

Fernando Campelo Duarte

Eu havia pertencido à Polícia e lá deixara bons amigos. Moço de 18 anos, saído de Colégio Marista, filho único, dificuldades e tropeços da vida de meu pai, pequeno varejista do comércio do Rio de Janeiro, e uma amizade de família com os Nobre fizeram-me da noite para o dia o investigador 1129 da Delegacia Regional de Segurança Política e Social, na Polícia Civil do mato-grossense Filinto Müller.

Disse que havia pertencido à Polícia, pois dela saíra a pedidos, cinco meses após entrar, para conservar a mamãe viva alguns anos mais, que tanto a desgastava e preocupava ver o filho que com sacrifícios educara, às voltas com as vicissitudes e os perigos sem glória de mero agente da autoridade.

E porque fizera um concurso no DASP e esperava nomeação para ser o burocrata que ainda sou hoje 20 anos depois, saíra eu da Polícia e lá deixara companheiros dos "0 Hora", das "campanas", das diligências perigosas nas madrugadas dos subúrbios cariocas.

Um dia, já Escriturário do Ministério da Educação e Saúde, já em plena guerra que então abalava o mundo, eis que pelos amigos da Polícia fui dos poucos sabedores do embarque da FEB, do 1º primeiro escalão dos que primeiro se foram como Expedicionários para voltarem sofridos mas gloriosos como Pracinhas.

E aí começa a estória, a estória que só hoje posso contar e que tanto tempo me calei, por assim ser preciso. Manhã bem cedo, bem informado de hora e local para lá me dirigi; claro que não era, não sou e espero em Deus que jamais seja espião, mormente contra a Pátria. Apenas movia-me a curiosidade de participar de algo histórico como o embarque de meus irmãos de geração, que os invejava tanto, pois fora recusado por deficiência física para o serviço ativo do Exército.

Fui de bonde até onde ele foi, da Ponte dos Marinheiros até o Santo Cristo, e daí, a pé até o Cais do Porto, onde estava o grande navio americano que levaria a FEB.

Esperava encontrar meus amigos da Polícia e junto deles, no meio deles, participar anônimo da segurança do grandioso embarque. Mas ai de mim, algo imprevisível aconteceu: os homens da Polícia que vedavam o ingresso no cais, na avenida Rodrigues Alves e já a alguns exitantes e curiosos prendiam, eram todos estranhos, todos de má cotadura, gente vinda não sei de onde, talvez da Polícia Especial. E então, para não ser preso por suspeito e tal coisa eu sabia como doía nos idos do Estado Novo, dei de pronto meia volta, sem sequer olhar para trás, que até a imagem bíblica da mulher de Lhot me veio à mente e não queria levar bala nem virar estátua de sal.

Apressei o passo e voltei rápido pela rua de onde viera e de súbito deparei com uma placa branca no portal de uma casa, que logo passou a ser para mim a tábua de salvação. Rezavam os dizeres da placa, se ainda me lembro: Ministério da Educação e Saúde. Departamento Nacional de Saúde - Serviço de Saúde dos Portos.

Ali estava a minha salvação e cumpria aproveitá-la.

Ingressei no casarão velhote, e moço que era, solteiro, bem vestido no S120 que me dava o luxo de ter, perguntei logo ao primeiro que encontrei pelo Chefe, se estava e quem era. Aí esse primeiro chamou um segundo e outros mais vieram e não sei porque cargas d’água, acredito que por nervoso, pois por presunção juro que não foi, ao saber por todos aqueles quem era o Chefe e que não estava, disse-lhes  que era do Gabinete do Ministro e que estava em inspeção.

Foi um corre-corre danado, todo mundo se arrumando, todo mundo trabalhando e o mais graduado solícito, prestimoso me atendendo.

Tive que ver mapas e relatórios, ouvir desculpas e pedidos, queixas e reclamações, a esta altura já tomando cafezinho feito às pressas, com cuidado para o Oficial de Gabinete do ministro Capanema. 

Fiz promessas evasivas de providências que se impunham, fiquei sabendo de tudo sobre a saúde dos Portos, sobre a desrratização dos porões de navios, sobre os perigos da peste bubônica e um milhão de coisas outras.

Lá fora, no Caís, a FEB embarcava e eu suava a cântaros, às voltas com a encrenca em que me metera na ânsia de escapar de uma outra pior.

Afinal todos ouvidos, todos satisfeitos e preocupados com o Chefe que ainda não chegara, após ouvir um pedido especial de promoção feito pelo contínuo, despedi-me dizendo que deixara o carro à distância por causa do embarque da FEB e saí a passos compassados até dobrar a esquina.

Aí quase corri e quando dei por mim estava sentado, de regresso no primeiro banco de bonde que alcançara no Largo de Santo Cristo. Respirei aliviado e prometi a mim mesmo guardar segredo, que só hoje, 20 anos após revelo de nunca ter sido Oficial de Gabinete de Ministro e sim apenas um Escriturário, e do Serviço de Documentação, que era diretamente subordinado ao Gabinete do Ministro.

Curitiba, 12 de agosto de 1964.

Fernando Campelo Duarte

Serviço do Acordo de Classificação do Estado do Paraná

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Promessa a São João Batista

Seo Jaime é funcionário público bonachão, da antiga, e gosta de contar 'causos'. Este é um deles.

Certo dia, lá pelo longínquo ano de 1984, como de costume desde a morte de sua mãe ele saiu em busca de lenha pelo transcurso do Dia de São João, data também do natalício de sua genitora. No bairro do Xaxim, na época periferia de Curitiba, ele conseguiu o que buscava, mas havia um porém: os 30 metros de lenha amontoados no terreiro, além de únicos, já estavam vendidos, conforme o chacareiro lhe disse.

Matreiro, seo Jaime não se deu por vencido e ficou por ali proseando, estudando um jeito de levar o que queria. Um metro quadrado lhe bastava, mas o chacareiro firmava pé em não vender o que já era de outro. De repente surge o filho mais novo do chacareiro, ao volante de uma Kombi que fora abastecer de gasolina. Vem, entrega as chaves ao pai e diz que o dinheiro não foi suficiente para completar o tanque, uma vez que o combustível havia subido de preço, desta vez de 670 para 890 cruzeiros (a moeda da época). O velho quase que infartou. Os 'elogios' que proferiu aos governantes são impublicáveis. De lado, seo Jaime tornou à conversa:

- Pois essa lenha que eu queria era para fazer uma promessa a São João Batista para vir levar esse Figueiredo (o então presidente general João Batista Figueiredo) para o Quinto dos Infernos ...

O chacareiro quase nem deixou ele acabar de falar:

- Quem comprou 30 metros não vai dar pela falta de um. Posso ajudar nessa promessa também?

Pouco depois estava seo Jaime a caminho de casa e com a lenha necessária para a fogueira em memória de sua mãe. Não levou de graça, mas - ele conta - o chacareiro fez questão de lhe vender pela metade do preço, para assegurar, desta forma, sua participação no cumprimento da promessa.

Seo Jaime garante que enquanto as brasas ardiam e a fumaça subia ao céu fez o pedido prometido.

(No ano de 1984, seo Jaime entregava os releases da Secretaria do Interior nos veículos de Comunicação).

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Reflexões inspiradas na crônica Olhos Parados, atribuída ao poeta Manoel de Barros

RG, 28 junho 99

Meu bom Sobrinho e Amigo Chico:

Do mesmo modo que para "ouvir estrelas / é preciso amar para entendê-las" (Bilac), só vivendo e sentindo muito cada momento que nos dá a Vida é que se pode encontrar felicidade em cada um deles. Fico surpreso ao ver que muito do prazer do Poeta sempre foi meu também. A repetida lembrança dos livros já lidos, duma infância o tempo todo presente, dos passeios aos morros e às ruas antigas, que já não existem, entre velhos eucaliptos há muito mortos, os animais que eram meus amigos e meus irmãos, das Escolas primárias, das professoras, dos poucos colegas com quem faziamos camaradagem, ríamos e conversávamos sobre as coisas do mundo, da Natureza e do Universo, a experiência de plantar e ver crescer, a nostalgia de ver um vagalume e voltar àquelas noites em pijamas de flanela, que fazia a minha boa Mãe, quando a escuridão era fechada e tracejada pelos bichinhos que caçávamos para esfregar a sua luz na nossa roupa, e voltar àquelas noites cheias de estrelas cadentes, e acordar cedo e ver rolinhas e joão-de-barro andando no fundo do quintal, recordar as músicas de uma época tão antiga que em breve dela verá registro, mas ninguém mais que a tenha sentido, em cores, sons e cheiros, que são coisas de percepção individual e impossíveis de transmitir.

Seria para mim uma surpresa se o Poeta fosse um homem jovem  - eu o imagino como a mim próprio, quando os tantos anos vividos nos levam a divulgar essas coisas boas e inesquecíveis, embora estivessem, elas  todo o tempo aflorando em nossa mente, e as tivéssemos como um bem só nosso e vedado ao conhecimento alheio.

Algumas das experiências do Poeta ...são as minhas! Também estive numa igreja velha, vazia, nela entrei e logo saí, e não tem 1 ano voltei ao casarão abandonado, já não mais igreja, e procurei o zelador para saber da sua história, e onde hoje ela se encontrava, o seu nome, e o que se fez dos livros de registros de batismos; também entrei por caminhos fora do meu itinerário Escola-casa por pura curiosidade de exploração de novos roteiros, e quase me afoguei num riacho em cheia, aos nove anos, porque queria ver de perto o volume das águas, depois da chuva; e a beleza , que ele via saindo das rosas, eu a via fugindo das dálias, que eu achava escandalosas, aos meus sete, e cujo perfume não me dava propriamente agrado; de modo que me identifico com as lembranças e com o sentimento do Poeta para com as coisas tão simples da sua vida, e que provavelmente ele considera o seu mais precioso bem. Porque os outros, que por ventura ele possua, poderão ser vendidos ou trocados, mas um sacramento tem valor próprio e único, pertence à vida de uma pessoa tanto quanto a alma é individual e intransferível.

Mais uma vez sou grato à sua presença junto a mim, essa presença o mais das vezes não física, como agora, quando através dos olhos parados do Poeta você me reativa os verdadeiros valores desta minha vida.

Muito obrigado.

Graudo  

quinta-feira, 21 de março de 2024

Lula, o filho do Brasil, não é aceito pelos "filhos da puta"



José Ribeiro Jr

Lula é uma metáfora viva: o filho da empregada é mais inteligente, mais competente, mais bem-sucedido do que o filho da patroa!

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Salão Baobá, formando raízes

José Ribeiro Jr



Nos anos 80, um poeta popular escreveu: "Sorte tem quem acredita nela". É uma meia verdade, porque só acreditar não basta, é preciso dar oportunidade à sorte para que ela nos encontre. E essa oportunidade atende pelo nome de INICIATIVA.

Isso me vem à ideia depois de ouvir o relato sobre uma jovem mulher que deixou o seu país, foi enganada, passou dificuldades, enfrentou-as e se estabeleceu. E um dia, assim como quem não quer nada, a sorte esbarrou com ela e derramou sobre ela as suas bênçãos pagãs.

Mas vamos ao começo: a nossa personagem chama-se Letícia e é uma mulher negra, original da República Democrática do Congo, país africano que por muitos anos foi colônia da Bélgica. Lá, a nossa Letícia era casada e seu marido trabalhava na área da Informática. Tinham uma filha pequena, Raíssa, que veio com a mãe para o Brasil em busca de melhor sorte. O ponto de contato no Brasil era um irmão do marido, que vivia no Paraná. O parceiro seguiria a mulher e a filha mais adiante, quando ..., quando ..., quando ... e até hoje não veio. Isso foi há 8 anos.

Quando se deu conta do logro, a congolesa tocou a vida sozinha. Uma habilidade trazida da África era o trato com cabelos encarapinhados. A moça sabia fazer aquelas tranças que fazem sucesso nas cabeças de artistas, jogadores de futebol e outros famosos. Tanto que ganharam nome em inglês: Dreadlocks (rastafari, para outros).

Foi assim que ela rapidamente conseguiu colocação em salões de cabeleireiro e conquistou a simpatia de clientes. Não demorou muito, montou seu próprio negócio, simples, pequeno, apertado, mas seu.  E assim, dando sopa para ser bafejada por alguma sorte, eis que numa manhã comum foi parada na Rua das Flores, o quarteirão mais famoso no Centro de Curitiba, por alguém que se dizia fotógrafo e pedia que ela posasse seu bonito rosto e cabeleira para alguns instantâneos.

Após postar as fotos em seu Instagram (isthisreal), o fotógrafo-artista Brian Baldrati quis ouvir sua história e soube do sonho de trazer a mãe para o Brasil. Daí para a ideia de fazer um crowdfunding (vaquinha) entre os seus 1,8 milhão de seguidores, para abrir à cabeleireira congolesa as "portas da esperança", foi um pulo.

  Uma breve pesquisa em sites de viagens mostrou que R$ 12 mil seriam suficientes para bancar a viagem transatlântica. As carteiras se abriram rapidamente, atendendo o apelo do influenciador digital, e não pararam nos R$ 12 mil, bateram a marca dos R$ 25 mil. Agora não só era possível trazer a mãe da nossa personagem ao Brasil, como também dar um 'upgrade' no salão.

Voltando ao poeta popular e parodiando a sua 'máxima', concluo que quem deseja se molhar deve, ao menos, sair à rua sem guarda-chuva.

A moça deu ao Salão o nome Baobá, uma árvore enorme, de origem africana, com muitas raízes. A inspiração não se encerra na memória afetiva de sua longínqua África, ela tem também um significado no imaginário de Letícia: multiplicar o salão em diversas franquias, tantas quantas são as raízes de um bom Baobá.



As fotos a seguir são de autoria do fotógrafo Brian Baldrati, postadas em sua página no Instagram (isthisreal). O próprio autor aparece em uma das imagens, ao lado de Letícia e Raíssa.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Dica de livro: Minha Vida de Terrorista, de Carlos H. Knapp

A fantástica história de um publicitário (Carlos Knapp) que de uma hora para outra se viu envolvido com um grupo de jovens que faziam resistência armada à ditadura militar de 1964 e foi obrigado a ingressar na clandestinidade. Da agência de publicidade ao desemprego, da mansão nos Jardins paulistanos aos aparelhos dos "terroristas", do luxuoso Mercedes Benz nos anos 70 para o fusquinha do psicanalista Angelo Gaiarsa em um episódio nada edificante (para o psicanalista). Uma história entremeada de amores, paixões, uma tentativa de sequestro na Disney e algumas revelações nada linsonjeiras sobre alguns personagens que, ao contrário do publicitário, conheceram o amargo sabor do caviar do exílio. Leitura interessante, agradável, necessária. Descobri o livro ao acaso, em Abril de 2015, quando fazia hora em uma livraria no Espaço Itaú de Cinema, em Botafogo, à espera do início de uma sessão. Vale a pena; disponível na Amazon, ou nos Sebos.

sábado, 2 de dezembro de 2023

A 5ª Série é um estado de espírito

A melhor entre as muitas performances do ônibus! Se alguém souber o nome da escola, por favor avise nos comentários. O ano era 2014.

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Ave Maria do Morro, de Herivelto Martins, com Choro das Três

Grupo maravilhoso de Porto Feliz, São Paulo. Corina na flauta, Elisa no Bandolim e Lia no Violão de 7 Cordas. "Papai Dudu", no pandeiro, foi levado pela Covid-19. Lamentavelmente não se vacinou. Na voz, Paulo Godoy.

Recordações da infância: O Galo tem Saudade da Galinha Carijó

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Educação sexual: como nascem as guerras

Desconheço o autor da peça; se alguém souber, informe, por favor, para que lhe seja atribuída a autoria.

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Porque é Carnaval: Sei lá, Mangueira

Sei lá, Mangueira, a obra prima de Paulinho da Viola e Ermínio Belo de Carvalho em homenagem à Estação Primeira. A propósito, Paulinho da Viola fará 80 anos nos próximos dias.



sábado, 18 de fevereiro de 2023

Os hits de propaganda das Casas José Araújo

Anúncios criativos de um tradicional comércio de tecidos pernambucano, da cidade de Pesqueira, as Casas José Araújo entraram para a história da propaganda brasileira. As inesquecíveis campanhas para TV são dos anos 80 e 90 e foram produzidas pela Itaity Publicidade. Várias delas se tornaram hits, como a que homenageia as coisas do Nordeste, outra que tem por tema o Carnaval e outra ainda sobre a tradicional Festa de Nossa Senhora da Conceição. A rede "Casas José Araújo", fundada em 1880, se espalhou por todo o Nordeste e ainda existe. Felizmente.



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Lula é toda a nossa gente! Poesia rima com Democracia

 Poesia do poeta e cordelista Antônio Marinho no Festival do Futuro/2023.



domingo, 12 de fevereiro de 2023

Membro de conselho fiscal da Copel não pode atuar como advogado da Ferropar

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) determinou que o membro do conselho fiscal da Companhia Paranaense de Energia (Copel Holding) e de suas subsidiárias Harry Françóia Júnior, que atuava como advogado da Ferrovia do Paraná S.A. (Ferropar), seja afastado caso volte a atuar em processos em que seja verificada a possibilidade de conflito de interesses com a Copel ou com o Estado do Paraná.


A medida foi tomada em razão de o conselheiro da Copel ter atuado como administrador massa falida da Ferropar, contra a qual a Estrada de Ferro Paraná Oeste S.A. (Ferroeste) formulou pedido de falência devido a créditos milionários não honrados.


O TCE-PR julgou procedente Representação formulada pelo Ministério Público de Contas (MPC-PR, por meio da qual apontou que o conselheiro da Copel atuava em situação que afrontava as disposições dos estatutos dessa sociedade de economia mista.


Ao acatar a Representação, o conselheiro do TCE-PR Ivens Linhares havia afastado cautelarmente o conselheiro da Copel, por meio de despacho homologado na sessão ordinária nª 8/22 do Tribunal Pleno do TCE-PR, realizada por videoconferência em 23 de março de 2022.


O MPC-PR ressaltara que o membro do conselho fiscal atuava como advogado em favor de empresa devedora ao Estado do Paraná e causadora de rombo nas contas da Ferroeste, empresa estatal paranaense. O órgão ministerial tinha destacado que teria havido afronta às normas relativas à necessidade de preservação da integridade e da independência dos conselhos e dos órgãos dirigentes das empresas estatais; e de repúdio a conflitos de interesses (artigos 14, I a III, e 17, IV e V, da Lei Federal nº 13.303/16), além do descumprimento da norma de integridade da própria Copel Holding e suas subsidiárias.


Para a concessão da medida cautelar, Linhares havia considerado que a situação informada configurava possível conflito de interesses do conselheiro fiscal da Copel Holding e de suas subsidiárias com o Estado do Paraná, por ele atuar paralelamente na condição de advogado da falida Ferropar nos autos nº 0012412-06.2005.8.16.0021, da 3ª Vara Cível de Cascavel.


O conselheiro do TCE-PR lembrara que a Ferroeste é uma sociedade de economia mista de capital fechado que, nos termos da Lei Estadual nº 9.892/91, tem o Estado do Paraná como seu maior acionista; e que o processo de falência fora instaurado por conta de créditos não honrados pela Ferropar que, em 2005, correspondiam a R$ 22.073.516,89. Assim, ele havia concluído que a atuação no processo em favor da Ferropar contrariava o interesse patrimonial do próprio Estado do Paraná.


O relator do processo de Representação afirmara que o Estatuto Social da Copel é expresso, em seu artigo 68, parágrafo 6º, inciso V, ao vedar a indicação para o conselho fiscal de "pessoa que tenha ou possa ter qualquer forma de conflito de interesse com o Estado do Paraná ou com a Copel".


Decisão


Na decisão de mérito do processo, Linhares acompanhou as manifestações da Quarta Inspetoria de Controle Externo (4ª ICE) e da Coordenadoria de Gestão Estadual (CGE) do TCE-PR, para julgar procedente a Representação, sem aplicação de sanções, com expedição de determinação e recomendação.


O conselheiro confirmou que incide em vedação estatutária da Copel a mera possibilidade de qualquer forma de atuação em conflito de interesses, possibilidade inerente à representação judicial de parte situada no polo oposto de uma ação em que se discutem interesses patrimoniais em montante inegavelmente relevante para o Estado do Paraná.


Finalmente, ele votou pela recomendação de que a Copel adote medidas de controle e monitoramento de situações que possam levar ao descumprimento de normas internas relativas a conflito de interesses por parte de integrantes de seus conselhos.


Os conselheiros acompanharam o voto do relator por unanimidade, na sessão nº 18/22 do plenário virtual do Tribunal Pleno do TCE-PR, concluída em 8 de dezembro de 2022. Eles disponibilizaram a decisão, contra a qual cabe recurso, ao Ministério Público Estadual para a tomada de providências. A decisão está expressa no Acórdão nº 3241/22, disponibilizado em 9 de janeiro, na edição nº 2.896 do Diário Eletrônico do TCE-PR (DETC).

Fonte: TCE/PR

Boas canções que quase ninguém conhece - Ypê

Voltamos a Belchior. "Ypê", gravada em 1978, é simples e profunda a um só tempo. O poeta e cantor cearense devia estar influenciado pela filosofia Zen Budista, que ele mescla com um toque de Cristianismo, expresso nas palavras de Jesus no Sermão das Montanhas quando propôs "Olhai os lírios do campo ..." Bem jovem, Belchior viveu uma experiência como frade capuchinho, no Mosteiro de Guaramiranga/CE. Isso foi antes, bem antes de ele conhecer as delícias femininas, que devem tê-lo feito repetir Santo Agostinho ao se deparar com uma mulher deslumbrante: "Senhor, faz-me casto..., mas não agora".
Pesquisando sobre a canção cheguei a um texto do jornalista Jotabê Medeiros, que relata o seguinte: os ipês que inspiraram o cantor ficam no bairro Brooklin Velho, em São Paulo, no comecinho da rua João Álvares Soares, quase esquina com a Tomé Portes. Foram plantados ali pelo sogro de Belchior, e estão floridos, como garante Jotabê.

Vamos a Belchior e sua bela composição Ypê (a propósito, foi essa a canção escolhida por Zeca Baleiro para chorar a morte do artista, em 30 de abril de 2017). 


Boas canções que quase ninguém conhece - Olhar de Tela

 A balada "Olhar de Tela" foi lançada por Oswaldo Montenegro em 1991 no LP "Vida de Artista".



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

"Boas canções que quase ninguém conhece" - Princesa do Meu Lugar

Outra poesia do mestre Belchior, na voz e interpretação de Daíra. A moça superou até a Elba Ramalho, que também fez uma boa interpretação de Princesa do Meu Lugar. Fluminense de Niterói, nascida em 1989, Daíra é talvez a melhor intérprete da obra do cantor, poeta e compositor cearense que morreu em 30 de abril de 2017.



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Todos na festa para os 92 anos do Mazza. Nesta sexta-feira, 10/2


O Sindicato dos Jornalistas do Paraná promove um festão nesta sexta-feira, 10/2, para celebrar os 92 anos do jornalista Luiz Geraldo Mazza. Veja o comunicado a seguir:

SindijorPR promove Ronda da Noite em homenagem a Luiz Geraldo Mazza

Com atividades culturais envolvendo música, literatura e fotografia, o Ronda da Noite irá marcar o aniversário de 92 anos do jornalista

O SindijorPR promove nesta sexta-feira (10) mais uma edição da Ronda da Noite, a partir das 18 horas, no Essen Biergarten, em Curitiba. Desta vez, a Ronda será dedicada ao jornalista Luiz Geraldo Mazza, que completa 92 anos na ocasião – sendo mais de 70 dedicados ao jornalismo do Paraná. Com experiência em todos os meios de comunicação e passagem pelos principais veículos do Estado, Mazza também integra a Academia Paranaense de Letras em reconhecimento à mais de uma centena de livros publicados sobre os mais variados temas ao longo de sua carreira.

Da mesma forma que na primeira edição de 2023, haverá lançamento de livros, como o de Zeca Corrêa Leite, Luiz Cláudio Oliveira e do próprio Mazza, além da participação musical de colegas da imprensa, incluindo Julião Boêmio, Vinícius Chamorro e Zezinho do Pandeiro.

A exposição fotográfica "Yo Soy Fidel" também estará na Ronda e traz registros do funeral de Fidel Castro, em 2016, produzido pelos jornalistas Gibran Mendes, Leandro Taques e Tadeu Vilani. A Ronda em homenagem a Mazza também contará com a participação do chargista Ademir Paixão.

Serviço:

RONDA DA NOITE

Sexta-feira, 10/02/2023 às 18h

Essen Biergarten: Rua José Sabóia Cortês, 358 - Centro Cívico

Curitiba – PR

Realização: SindijorPR

Apoio: ArfocPR

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

"Boas canções que quase ninguém conhece" - Passeio

Marco Mazzolla e Belchior, 1976

Belchior, como outros artistas nordestinos que vieram para o Sul trazer a sua arte também se encantou pela metrópole paulistana e, como vários deles, se declarou à Cidade. A sua "Passeio" não faz frente à Sampa, de Caetano, mas tampouco faz feio. E dá até para imaginar o cantor sobralense tirando um cochilo no meio da tarde no Parque Trianon, no coração da Avenida Paulista, sonhando conquistar o Brasil, como de fato fez. A canção é do LP Mote e Glosa, de 1974, que não aconteceu. Dois anos mais tarde, em 1976, Belchior seria descoberto pelo produtor musical Marco Mazzola e dispararia para o sucesso nacional com o LP Alucinação. De repente, o Brasil inteiro cantava "eu sou apenas um rapaz / latino-americano / sem dinheiro no banco / sem parentes importantes / e vindo do interior ..." Finalmente Belchior alcançava o que pretendia, e o seu canto torto / feito faca / cortaria (para sempre) a carne de todos nós.